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Esclarecimentos para questões frequentes respeitantes às temáticas lgbt

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Transgenerismo

O que é o transgenerismo?

"Transgenerismo" é a ruptura com os papéis de género tradicionais. Na nossa sociedade existem dois papéis sociais “clássicos”: o de homem e o de mulher. Estes dois papéis sociais estão intimamente ligados à noção de “sexo biológico”. Simplificando: espera-se que uma pessoa se comporte de determinada maneira em função dos órgãos genitais com que nasceu. As pessoas cuja expressão e/ou identidade difere daquilo que a sociedade esperaria em relação ao género que lhes foi atribuído, podem ser consideradas pessoas transgénero.

O que é o género?

Hoje em dia, a maioria da população ainda vê “género” como sinónimo de “sexo”. No entanto, cada vez mais psicólogos, sociólogos e antropólogos defendem que estes dois conceitos são diferentes e que podem até ser independentes um do outro. O género costuma estar associado à identificação pessoal que cada pessoa tem de si própria em relação às noções de masculinidade e feminilidade. A maioria das pessoas parece identificar-se como masculina ou feminina, havendo também pessoas que não se identificam completamente com nenhuma destas noções, ou que se identificam com ambas em diferentes graus. Esta identificação não tem necessariamente de estar relacionada com os papéis de género (por exemplo, uma mulher não tem de se deixar de identificar como mulher se gostar de usar roupa ou tiver hobbies “tipicamente masculinos”), nem está relacionada com a nossa anatomia.

Transgénero é a mesma coisa que transexual?

Não necessariamente. Uma pessoa transexual é uma pessoa que sente que a sua anatomia e/ou a sua identidade social como homem ou mulher não corresponde à sua identidade de género e, normalmente, deseja modificar o seu corpo, a sua expressão e a sua identidade legal para que corresponda à sua identidade real.

Uma pessoa transgénero não sente, necessariamente, que precisa de modificar o seu corpo ou de mudar a sua identidade legal. O transgenerismo pode ser apenas uma questão de expressão; ou seja, uma pessoa transgénero pode estar completamente confortável com a sua anatomia a com a sua identidade, mas ter comportamentos que quebrem, de uma forma óbvia, as normas do seu género (exemplos disto incluem cross-dressers, drag queens/kings, ou qualquer pessoa que tenha uma apresentação considerada “fora da norma”).

Também é possível uma pessoa transgénero identificar-se com um género diferente daquele que lhe foi atribuido à nascença, podendo querer ou não modificar o seu corpo de acordo com a sua identidade.

Tenho de me identificar apenas como homem ou mulher?

Não. Existem pessoas que, independentemente da anatomia que tenham, se identificam com outros géneros além dos “tradicionais” homem ou mulher. Existem já algumas tentativas de atribuir nomes aos géneros que não são completamente masculinos ou femininos. Normalmente, esses géneros são referidos, coletivamente, como “géneros não binários”, porque não estão incluidos no sistema binário tradicional “homem ou mulher”. Uma pessoa que pertença a um género não binário pode ter qualquer expressão de género e pode desejar (ou não) modificar o seu corpo de forma a que reflita o género a que pertence.

Qual é a diferença entre a homossexualidade e o transgenerismo?

A homossexualidade é uma orientação da atração emocional e sexual. Refere-se às pessoas de quem gostamos. O transgenerismo refere-se a quem sentimos que somos. Diz respeito à nossa identidade ou aos papéis sociais, ou seja, às formas de (inter)agir. Refere-se à imagem que as pessoas constroem de si mesmas através do vestuário e/ou do comportamento (os gestos que fazem, a maneira como falam, as reações que têm…). Uma pessoa transgénera pode considerar-se homossexual, mas quando as pessoas pertencem a um género não binário, podem achar que não faz sentido dizerem-se do sexo X e atraídas por pessoas do sexo X ou Y. Estas pessoas também se auto-denonimam frequentemente de “queer”.

As pessoas transgénero são reconhecíveis fisicamente?

Depende. Há pessoas que são visivelmente transgénero porque quebram, de uma forma bastante óbvia, os papéis e/ou expectativas de género. Estas pessoas podem apresentar, simultaneamente, características tipicamente femininas e masculinas, ou podem ter um aspeto andrógino, por exemplo.

No entanto, há pessoas que passam mais despercebidas, podendo apenas expressar-se como transgénero em privado, ou podendo o seu transgenerismo ser apenas uma questão de identidade (não de expressão) de género.

A variação dos costumes culturais

O que é considerado como transgenerismo numa época ou num local pode não o ser noutro. Todas as sociedades têm papéis de género definidos e aos quais todos os indivíduos deveriam obedecer. Qualquer "fuga" a esses papéis pode ser vista como uma transgressão das normas sociais onde a pessoa está inserida e costuma ser, consoante a "gravidade" da transgressão, punida pela sociedade. Um exemplo disto é um homem sair à rua a usar um vestido. Qualquer pessoa que o veja na rua vê que ele está, claramente, a quebrar uma convenção social (isto é, normalmente, acompanhado por olhares de desprezo, insultos verbais ou até mesmo agressões físicas). No entanto, estes papéis de género são mutáveis consoante o contexto e com o tempo. Uma mulher a usar calças de ganga hoje em dia não é considerado um comportamento transgénero, mas há algumas décadas atrás seria. O mesmo se passa com homens que usam maquilhagem leve, o que é algo que tem vindo a ganhar mais aceitação social e se está a tornar "menos transgénero" com o tempo.
O que é importante reter é que os papéis de género são altamente variáveis e são construídos pela sociedade à nossa volta. Não são esses papéis tradicionais que definem o nosso género, nem ninguém deveria ser julgado por não aderir aos mesmos.