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rede ex aequo - associação de jovens lgbti e apoiantes

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Porquê criar um grupo local?

Qual é a diferença entre a rede ex aequo e as demais associações/organizações LGBTI nacionais?

A associação rede ex aequo tem uma população alvo específica em relação à maior parte das organizações ou associações LGBTI existentes em Portugal. A rede ex aequo é uma associação dirigida por jovens e para jovens LGBTI, dos 16 aos 30 anos, e é a primeira e única associação LGBTI que trabalha exclusivamente nos problemas dos jovens LGBTI em Portugal, nas suas especificidades e necessidades particulares. A rede ex aequo e os seus grupos locais não têm quaisquer ligações a grupos políticos nacionais e, embora a associação realize trabalho nessa área, a associação não tem como prioridade campanhas de intervenção estritamente político-legais. O nosso trabalho concentra-se primordialmente em aspetos sociais, que afetam a população jovem LGBTI nacional, quer através do apoio a jovens LGBTI, quer pela luta da mudança de mentalidades. Como é natural, a rede ex aequo e os seus grupos locais poderão e irão participar, mas não necessariamente organizar, em acções políticas e/ou activistas com/de outras associações LGBTI nacionais. Ainda mais natural é a participação individual de jovens, pertencentes à rede ex aequo e aos grupos locais da rede ex aequo, em lutas activistas ou políticas de outras associações a título pessoal.

Mas porquê um grupo de jovens LGBTI na minha cidade ou região?

Muitos jovens LGBTI atravessam fases muito importantes mas também muito dolorosas na sua vida de adolescente e de jovem adulto. Uma delas é o coming out. Nesta fase delicada, o/a jovem passa por sentimentos muito intensos de angústia e de incerteza e, por vezes, até está em plena crise de depressão. Embora o coming out seja vivido pelos jovens de formas diferentes, todos concordam que se trata de um período de sobeja importância na sua vida: é a definição, aceitação e compreensão da sua sexualidade. Nessa altura, @ jovem poderá querer encontrar-se com outros jovens que estão a atravessar a mesma “fase” que ele/ela ou então ouvir conselhos ou a história de coming out de um(a) jovem como ele/ela. Nestas alturas, o local ideal para encontrar outros jovens nas mesmas circunstâncias ou que já passaram por momentos semelhantes será sem dúvida um grupo de jovens LGBTI, especialmente se este for corretamente coordenado por pessoas competentes e sensíveis às particularidades e especificidades dos jovens LGBTI. Outra fase importante na vida de um(a) jovem é quando este se apercebe que a comunidade LGBTI pode ter alguns aspetos particulares. Há pessoas que muito facilmente se aproveitarão d@ jovem LGBTI inocente ou ignorante, por exemplo. Certos bares e discotecas LGBTI são usualmente frequentados por pessoas que querem unicamente uma relação de uma noite (“one night stand”) e que não pretendem desenvolver relações monogâmicas estáveis. Há alguns bares e discotecas LGBTI em que existem “quartos escuros” onde se praticam atos sexuais casuais e anónimos com desconhecidos. Existem também nestes espaços com maior frequência pessoas LGBTI que poderão estar unicamente interessados “em relações abertas” (em que não existe monogamia) o que poderá não corresponder às pretensões d@ jovem LGBTI. As IST’s, constituem outro dos grandes perigos que espreitam @ jovem LGBTI, tantas vezes desejoso de ter o seu primeiro namorad@ e/ou relação sexual com um(a) parceir@. Estes são todos espaços onde @ jovem LGBTI não terá facilmente a possibilidade de encontrar com quem falar sobre as suas dúvidas, preocupações e problemas e criar amizades, ou seja, estar num espaço onde exista apoio mútuo. Por todos estes motivos é necessário desenvolver um espaço com um ambiente seguro, anónimo, tolerante mas também “profissional” para responder a todas as questões, dúvidas ou incertezas que @ jovem LGBTI tenha, bem como fornecer-lhe informações fidedignas e actuais sobre a sexualidade humana, a população LGBTI nacional e o meio que o/a rodeiam. A tua cidade é pois o lugar onde poderás contribuir para que jovens LGBTI possam crescer saudavelmente com a sua orientação sexual e/ou identidade de género.

Mas a minha cidade é tão pequena! Toda a gente irá saber que somos o grupo de jovens LGBTI.

Esta ideia não é correta. Por mais pequena que uma cidade seja há sempre a possibilidade de realizar as reuniões em sigilo. O local de encontro obviamente que será muito importante para as reuniões, mas certamente que se este for um local reservado não haverá problemas de maior a recear quanto ao anonimato das reuniões. Além disso, tod@s @s jovens que participem nas reuniões deverão respeitar a vontade dos seus colegas do grupo de jovens e não revelar a sua identidade, o local de reuniões e/ou encontro nem outros pormenores delicados ou pessoais a terceiros. Os coordenadores deverão fazer estes aspetos bem claros logo nas primeiras reuniões por forma evitar dissabores indesejados e repetir as recomendações de prudência e discrição aos novos membros sempre que estes forem chegando. Tens de ter consciência que uma boa parte da população heterossexual não está preparada para sequer fazer associação de pensamentos quanto às vossas reuniões; pensarão sempre que «esses grupos só existem em Lisboa e no Porto» e que por isso não se deverão preocupar. Pensarão que sais com os teus amigos da faculdade ou do secundário e não ligarão muito a isso. Poderás igualmente ajudar a criar um grupo local na cidade onde estudas ou numa cidade próxima da tua, caso essa situação te seja mais fácil. O importante é poder contribuir para a sensibilização desta temática que ainda carece de entendimento e está sujeita a variadas formas de discriminação.

Mas esta cidade é tão fechada, homofóbica/bifóbica/transfóbica e preconceituosa!

É exatamente por isso que faz falta um grupo de jovens LGBTI! Os jovens LGBTI que vivem na tua cidade têm o direito de crescer saudavelmente com a sua orientação sexual e/ou identidade de género. Para que esse crescimento emocional e social normal ocorra é necessário que o/a jovem encontre locais onde possa conversar sobre a sua orientação sexual ou identidade de género, um local livre de preconceitos em que possa ser ele mesmo, onde exista um convívio saudável com jovens que pensam ou sentem como ele, em que possa dar e receber apoio…e ser voluntário/a em prol da juventude LGBTI através de vários projectos e iniciativas. Se a tua cidade não oferece ao jovem LGBTI esse direito tens a possibilidade de criar esse espaço e concretizar este direito usufruindo também tu dele.

Mas na minha cidade/região não existem quaisquer associações LGBTI e o grupo de jovens da rede ex aequo será a primeira entidade do género!

Se a tua cidade ou região é assim tão preconceituosa e ignorante em questões de sexualidade humana, é natural que não exista nenhuma associação LGBTI, pelo que o grupo da rede ex aequo será sem dúvida a “porta de escape” do que é a vida quotidiana imersa na mentira e na teatralização de muitos jovens. Se na tua vida corrente e no dia a dia dos outros jovens LGBTI da tua cidade não houver possibilidade de viverem como realmente são, com a vossa orientação sexual e/ou identidade de género minoritária, será pois uma mais valia para ti e para os demais jovens LGBTI da tua cidade, que possam ter, pelo menos duas vezes por mês, uma tarde de Sábado, por exemplo, um espaço onde possam ser vocês mesmos sem medos de serem descriminados, insultados ou agredidos. Poderá certamente tardar para que o grupo seja frequentado por um número razoável de pessoas, mas com o tempo o grupo tornar-se-á conhecido. Além disso vais ver que com o tempo outros gays, lésbicas, bissexuais e/ou transgéneros com mais de 30 anos irão seguir os vossos passos corajosos e pioneiros e vão formar o seu próprio grupo, associação ou organização na tua zona.

Mas serei eu capaz de coordenar um grupo de jovens?

Muitos dos actuais coordenadores dos grupos locais da rede ex aequo colocaram essa questão a si mesmos, antes de darem o passo em frente. Todos sabemos as nossas capacidades e com certeza as nossas limitações. É certo que ser coordenador requer certas características como capacidade de gerir grupos, de gerir conflitos, à vontade com a Internet e e-mail, tempo para despender no projecto, interesse por ajudar os outros jovens LGBTI a terem uma vida mais saudável, à vontade a falar perante um grupo de pessoas, tolerância para com as diferenças entre os jovens LGBTI que contactem o grupo, capacidade de tomar decisões e responsabilidade. Se tens estas capacidades de certeza que te sairás bem.
Mas eu não sei nada sobre as questões relacionadas com a orientação sexual e identidade de género. Como posso coordenar um grupo de jovens que pretendem ajuda que não lhes posso dar? 
Ninguém nasce ensinado mas todos temos capacidade de aprender. O Projecto Descentrar, que foi o projecto que criou a rede ex aequo, durante o seu primeiro ano de actividade reuniu a maior quantidade possível de informação sobre questões LGBTI na população jovem que era possível arranjar e editou um manual não só com toda essa informação, mas também com orientações de como coordenar um grupo de jovens LGBTI. O Manual de coordenadores vai na sua 3ª edição e conta com mais de 170 páginas com informações e sugestões de dinâmicas com base na temática LGBTI. Este manual é a base das formações que a rede ex aequo dá aos coordenadores dos grupos locais. Além de uma cópia do manual, terão também acesso a outras informações, bem como muitos recursos informáticos que serão muito úteis na coordenação do grupo. Logo, se estiveres com vontade de aprender, não te preocupes de não saberes ainda o suficiente. Vais ver que em breve saberás. Além disso, trabalharás em equipa e terás o apoio da Direção da associação e de voluntários de outros grupos locais para desempenhares o melhor possível as tuas tarefas.

Mas eu não tenho tempo!

O tempo é um velho problema que pode ser solucionado com um pouco de disciplina e organização. Todos nós temos crises de falta de tempo, mas se só tivéssemos metade das coisas que temos para fazer ainda assim teríamos falta de tempo... A questão prende-se em marcar horas certas para ver e-mails, ir ao fórum da cidade local, conversar pela net com os outros coordenadores e marcar certas reuniões de coordenação. Tudo isso faz-se com uma boa agenda e inteligência.

Vou deixar de sair à noite e vou passar a divertir-me menos!

Isso não é verdade. Além disso os novos amigos que vais fazer (inevitavelmente) no grupo de jovens vão dar-te mais oportunidades de sair e, ainda mais importante que isso, de contactares com outro tipo de pessoas que certamente te vão surpreender pela positiva. A coordenação do grupo tem também a tarefa de organizar certas actividades lúdicas em que todos se vão divertir imenso. Participarão noutras actividades sociais organizadas pela direção da rede ex aequo ou por outros grupos da rede ex aequo de outras cidades, que te farão sentir bastante bem, além de contactares com ainda mais pessoas iguais a ti. Um grupo de jovens LGBTI tem o direito (e o dever!) de se divertir. E além disso nestas actividades extra reuniões que irão ter oportunidade de realizar, serão ainda mais iguais a vocês próprios, dado que poderão estar sem medo com o/a vosso/a namorado/a ao passo que por vezes com os amigos heterossexuais certas manifestações de carinho ou afeto são evitadas.

E se os meus pais descobrem?

Temos nos vários grupos locais coordenadoras/es em diferentes situações e se este receio também é teu, devemos dizer-te que não és com certeza o único. Até na rede ex aequo existem pessoas que não se assumiram aos pais e têm receio da sua reação. Nos grupos isso é muito frequente. Os coordenadores conseguem viver com esta aparente dupla vida sem problemas de maior. Normalmente os pais pensam que o grupo de amigos com que sais são amigos da faculdade ou da escola secundária e não ligam muito. Por isso verifica se é mesmo impossível esconder isso dos teus pais, porque o mais certo é que não seja assim tão difícil.

Mas eu já tenho um grupo de amigos!

Exato. E continuarás a ter esse grupo, porque os grupos de jovens da rede ex aequo não são grupos de amigos. A sua função é ser um grupo social e de apoio, ou seja, de ajuda em grupo, de discussão de problemas específicos da população jovem LGBTI, um local onde se destroem estereótipos errados e negativos do/a jovem LGBTI em grupo, aumentar as ligações entre os membros da população LGBTI num ambiente seguro e anónimo, programar actividades sociais para jovens LGBTI onde estes tenham a oportunidade de falarem dos seus problemas afetivos sem serem olhados de lado ou ignorados. Todo este trabalho implica que os coordenadores têm de ter uma postura profissional e exemplar, nunca descurando os verdadeiros objectivos do grupo de jovens nem deixando que este se torne um mero “grupo de amigos”.

Cabe-nos a tod@s desempenhar um papel na mudança de mentalidades, se realmente queremos melhorar a nossa sociedade, tornando-a mais informada e mais justa para tod@s!