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Evy, 20 anos

Sou holandês e vivi alguns anos em Portugal. Desde muito novo admirava rapazes e adorava estar com eles. Perdi a minha mãe com apenas um ano de idade e quem cuidou de mim foi o meu pai.

Por volta dos 14 anos comecei a ter aquela "vontade adolescente" de namorar. Olhava para as raparigas, tal como os meus amigos faziam, mas pouco depois… já estava a olhar para eles! Era impossível contrariar… principalmente porque me tinha apaixonado por um deles. Ele era o sonho da minha vida… Estava sempre comigo, divertiamo-nos imenso os dois. Mas não sabia se podia dizer-lhe ou não que o amava. Até que o "terrível dia" chegou… Ele pediu em namoro uma miúda e ela aceitou! Fiquei com o coraçao destroçado. Nos dias seguintes o meu pai reparou que eu estava em baixo. E até baixei as notas na escola…

Foi naquela altura que decidi contar-lhe. Penso que ele não estava preparado e fartou-se de me perguntar "Porquê?". Discutimos nessa noite. Ele dormiu muito mal e eu nem preguei olho… No dia seguinte, ele surpreendeu-me com um abraço logo de manhã. Pediu-me desculpa e disse que me adorava. Disse que se tinha esquecido do filho exemplar que eu tinha sido até ao momento… sem lhe dar desgostos e sempre a deixá-lo orgulhoso. Nesse dia não fui à escola e ele não foi trabalhar. Passámos o dia juntos a conversar e a dar passeios. Penso que ele me compreendeu e voltámos a ter uma boa relação.

No ano seguinte mudei de escola e juntei-me a um novo grupo de rapazes. Um deles era gay e começámos a namorar. Os outros não se incomodavam. Uns meses depois o meu pai disse-me que iamos viver para Portugal. Então terminei o namoro, porque era impossível namorarmos àquela distancia. Mas nos últimos dias que estive com eles, juntou-se um novo rapaz ao grupo. Ele era lindo! E outro dos rapazes disse que ele era gay e que estava apaixonado por mim. Doeu-me muito ouvir aquilo, porque eu estava a poucos dias de partir da Holanda. Nem cheguei a falar com ele e tentei esquecê-lo.

Em Portugal, conheci alguns rapazes com quem tive namoros mais duradouros. O mais curioso era que grande parte deles diziam que eram heteros e que estavam apenas curiosos em relação à homossexualidade. Alguns queriam experimentar um beijo às escondidas… Mas eu nem sempre aceitei "entrar no jogo"… E com os que aceitei, acabámos por namorar.

Por volta dos 18, o meu pai dizia que em princípio iamos voltar a viver na Holanda. Enquanto estive em Portugal, passava lá as férias, onde tive um "amor de verão".

Voltámos então definitivamente para a Holanda. E… um dia ia a passar numa rua muito calma quando vejo um rapaz "bem jeitoso" com um ar muito meigo a vir na minha direcção. Parou à minha frente e disse com um sorriso lindo: "Não nos conhecemos?". Pensei que ele estava só a meter conversa, mas depois perguntou "Chamas-te Evy? Não estiveste em Portugal?".

Conversámos um pouco e percebi que era o rapaz que eu tinha esquecido… Aquele com quem nem conversei, porque ia para Portugal. Fiquei surpreso e muito feliz de o ver. Ele disse que não se tinha esquecido de mim, porque tinha uma foto da nossa antiga turma em que estava o nosso grupo todo junto. Escusado será dizer que demos logo um beijo. Posso dizer que foi "amor ao segundo encontro"!! Ainda estamos juntos… aliás, vivemos juntos e estamos a pensar em casar, uma vez que é possivel na Holanda!

Mas deixei em Portugal muitos amigos, inclusive rapazes que tinham sido discriminados pelos pais quando se assumiram, a quem dei o meu inteiro apoio e sei que pelo menos estão felizes!