rede ex aequo

Olá Visitante22.set.2021, 17:56:59

Autor Tópico: O Código Da Vinci  (Lida 13979 vezes)

 
O Código Da Vinci
#0

Offline Scorpio_Angel

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  • I faced it all and I stood tall; And did it My Way
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Debate sobre livro e filme "O Código Da Vinci" ( The Da Vinci Code ).
    ~ Journey Towards Angel Wings ~

    "People should be allowed to fall in love with whoever they want. I mean, otherwise what's the point of living?..." - O&A

    "A vontade, se não quer, não cede; é como a chama ardente, que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la." - Dante Alighieri

    O Código Da Vinci
    #1

    Offline Arms

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      • Reflection
    Ainda não vi o filme, mas já me disseram que o filme cortou imensas partes essenciais do livro. E, por causa disso, estou na dúvida se vejo ou não. Além disso, disseram-me que a interpretação do Tom Hanks deixa muito a desejar. Alguém pode dar-me um opinião? Se vale a pena ou não?
      Se dependes unicamente dos outros para seres feliz prepara-te para ficares desiludido.
      Instead of telling people to plan ahead, we should tell them to plan to be surprised.

      O Código Da Vinci
      #2

      Eyre

      • Visitante
      Confesso que não estou nada curiosa para ver o filme. Imagino-no excessivamente industrial, i é, mainstream. Para além do mais disseram-me muito mal do livro e, para finalizar, não gosto particularmente nem do Tom Hanks nem da Audrey Tatou. Mas sobretudo pesa o que me disseram do livro e toda a histeria que se criou à volta do mesmo.

        O Código Da Vinci
        #3

        alis volat

        • Visitante
        Vi o filme ontem, achei-o menos entusiasmante que o livro. Para quem não leu e não quiser ler pode ver o filme que é bastante fiel (pelo menos do que me recordo do livro, corrijam-me se mentir). Na representação destaco o Sir Ian e o actor que protagoniza o Silas. Os protagonistas não me convenceram... Há alguns efeitos especiais interessantes… não é um filme mau mas tem um intuito claramente comercial.
        Não me envolveu porque como já referi segue a linearidade do livro...sem orbitar para outras reflexões que seriam possíveis... talvez se tivessem abordado a narrativa de outra forma…

        Quanto à polémica. Na minha opinião tem sido inflacionada para proporções oceânicas, sem que para isso haja grande justificação. É uma obra de ficção e o próprio Robert Langdon tem um papel moderador da visão inverosímil (mas que no mundo do livro eventualmente se comprova) do Sir leigh e do ascético Bispo. A personagem de Robert apresenta os factos pragmáticos que, no mundo real, não são mais do que teorias e especulações...e põe a questão no final: que bem surgiria de minar as crenças das pessoas? Propõe que essas descobertas sejam, isso sim, o ponto de partida para rejuvenescer a religião.
         Acho que essa é, se há alguma, a mensagem do autor à ICAR. De resto, pouco interessa se era humano ou divino, casou ou não. A verdade é que, dizem, amou (muito). Por isso marcou a face do globo, e isso devia ser o suficiente. Tudo o que de mal daí surgiu foi pela mão do homem.
        « Última modificação: 21 de Maio de 2006 por alis volat »

          O Código Da Vinci
          #4

          Offline Scorpio_Angel

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          Ainda não vi o filme, mas já me disseram que o filme cortou imensas partes essenciais do livro.

          Também ainda não vi o filme, mas deixo aqui esta noticia:

          AVISO - PODE CONTER SPOILERS
          [/b][/size]


          «Código Da Vinci» recebido sem aplausos
          [/b][/size]

          "O Festival de Cannes reservou uma recepção pouco calorosa filme «Código Da Vinci», apresentado terça-feira à noite a cerca de dois mil jornalistas que o receberam sem aplausos e alguns assobios na véspera da projecção oficial.

          Realizado por Ron Howard, o filme reproduz a trama do romance do escritor Dan Brown, com 40 milhões de exemplares vendidos, mas condenado pelos representantes católicos do mundo inteiro que apontam as «falsas-verdades» contadas.

          Tom Hanks, que desempenha o papel do professor de semiologia Robert Langdon, revela a Audrey Tautou, que encarna a jovem francesa Sophie Neveu, que é a descendente de Jesus Cristo.

          No entanto, esta divulgação, chave tanto do livro como do filme - segundo a história de Dan Brown, Jesus e Maria Madalena teriam concebido uma descendência perpetuada até agora que a Igreja Católica procurou desesperadamente esconder - foi acolhida com risos, assobios e nenhuns aplausos na sala Debussy do Palácio dos Festivais."

          Fonte: TSF
          « Última modificação: 21 de Maio de 2006 por Scorpio_Angel »
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            #5

            lost.passenger

            • Visitante
            Li-o quando ainda ninguém sabia dele, é engraçado, até gostei (oh! o choque!), mas daí a merecer tudo o que se escreveu sobre ele, e toda a histeria....pulease ::). Nem me passou pela cabeça que fosse ficar toda a gente a falar dele...
            Li também o Anjos e Demónios para ver se o estilo se mantinha. Ok, confirmado, é muito semelhante, nem é mau mas já chega de Dan Brown.
            Agora tenho uma enorme lista de livros para ler e nela não constam Danes Brownes nem quaisquer livros segue-a-moda-que-fez-sucesso.

            Anyway, a curiosidade é sempre alguma, mas não sei se vejo o filme (tempo e €).

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              #6

              Offline proswpo

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              Também ainda não vi o filme, mas deixo aqui esta noticia:
              «Código Da Vinci» recebido sem aplausos
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              Fonte: TSF

              E acabaste de estragar a surpresa para quem ainda nao viu o filme ou sequer leu o livro. Jornalismo do mais mediocre!! O servico que a tsf presta!...
              « Última modificação: 21 de Maio de 2006 por Scorpio_Angel »

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                #7

                Eyre

                • Visitante
                E acabaste de estragar a surpresa para quem ainda nao viu o filme ou sequer leu o livro. Jornalismo do mais mediocre!! O servico que a tsf presta!...

                Ó proswpo, tu até és boa rapariga, mas ás vezes fico  :o com as coisas que tu escreves...

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                  #8

                  Offline Arms

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                  E acabaste de estragar a surpresa para quem ainda nao viu o filme ou sequer leu o livro. Jornalismo do mais mediocre!! O servico que a tsf presta!...

                  Ó proswpo, tu até és boa rapariga, mas ás vezes fico  :o com as coisas que tu escreves...

                  Eu não acho que ela tivesse estragado a surpresa. Eu nunca li o livro nem vi o filme e fiquei na mesma ::)
                    Se dependes unicamente dos outros para seres feliz prepara-te para ficares desiludido.
                    Instead of telling people to plan ahead, we should tell them to plan to be surprised.

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                    #9

                    Offline Scorpio_Angel

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                    E acabaste de estragar a surpresa para quem ainda nao viu o filme ou sequer leu o livro. Jornalismo do mais mediocre!! O servico que a tsf presta!...
                    Ó proswpo, tu até és boa rapariga, mas ás vezes fico  :o com as coisas que tu escreves...

                    Eu também acho que às vezes a proswpo é um bocado "radical" nas posturas e/ou palavras que usa, e eu não iria tão longe a ponto de chamar "Jornalismo do mais mediocre!!", mas acho que a base de raciocinio dela tem algo de lógico.

                    Eu também não me agrada ler um comentário a um filme que "estraga" alguma da surpresa a quem ainda não o viu, e honestamente não me apercebi que a noticia da TSF era explicita (distração minha), senão teria tido o cuidado de colocar logo de inicio o aviso de possível spoiler - coisa que entretanto já fiz.  :-\

                      ~ Journey Towards Angel Wings ~

                      "People should be allowed to fall in love with whoever they want. I mean, otherwise what's the point of living?..." - O&A

                      "A vontade, se não quer, não cede; é como a chama ardente, que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la." - Dante Alighieri

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                      #10

                      Offline proswpo

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                      AVISO - PODE CONTER SPOILERS
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                      «Código Da Vinci» recebido sem aplausos
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                      "O Festival de Cannes reservou uma recepção pouco calorosa filme «Código Da Vinci», apresentado terça-feira à noite a cerca de dois mil jornalistas que o receberam sem aplausos e alguns assobios na véspera da projecção oficial.

                      Realizado por Ron Howard, o filme reproduz a trama do romance do escritor Dan Brown, com 40 milhões de exemplares vendidos, mas condenado pelos representantes católicos do mundo inteiro que apontam as «falsas-verdades» contadas.

                      Revelacao no.1:

                      Tom Hanks, que desempenha o papel do professor de semiologia Robert Langdon, revela a Audrey Tautou, que encarna a jovem francesa Sophie Neveu, que é a descendente de Jesus Cristo.

                      Revelacao no.2:

                      No entanto, esta divulgação, chave tanto do livro como do filme - segundo a história de Dan Brown, Jesus e Maria Madalena teriam concebido uma descendência perpetuada até agora que a Igreja Católica procurou desesperadamente esconder -

                      foi acolhida com risos, assobios e nenhuns aplausos na sala Debussy do Palácio dos Festivais."

                      Fonte: TSF

                      So faltava dizer quem e' a Gioconda!! Porque o codigo esta' desvendado!! Ou nao veem isso?...

                        O Código Da Vinci
                        #11

                        Eyre

                        • Visitante
                        So what?!? Eu quando decido ir ver um filme gosto de estar o mais informada possível sobre ele, mesmo sobre o que versa a estória, a fim de poder apreciá-lo melhor, com uma atitude mais crítica. Quanto ao saber se é spoiler ou não eu não sei dizer porque tb não sei o que é que é suposto ser mistério no livro/filme.

                        Mas continuo a achar que a tua intervençaõ foi um bocado bruta e destrutiva quer para a Scorpio_Angel, quer para a TSF. Não vejo nada de particularmente criticável na notícia para ser apelidada de "jornalismo mediocre".

                          O Código Da Vinci
                          #12

                          alis volat

                          • Visitante
                          Sim é um grande spoiler  :-\... mas proswpo também ao ler:

                          "Debate sobre livro e filme "O Código Da Vinci" ( The Da Vinci Code )."

                          parece-me implícito que todo o post deve ser tido como um grande spoiler. Afinal não se "debate" o que não se conhece, sem se expor a obra ao escrutinio logo revelando pontos cruciais do enredo.
                          Ou estou errado ...?

                            O Código Da Vinci
                            #13

                            Offline proswpo

                            • ***
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                            So what?!? Eu quando decido ir ver um filme gosto de estar o mais informada possível sobre ele, mesmo sobre o que versa a estória, a fim de poder apreciá-lo melhor, com uma atitude mais crítica. Quanto ao saber se é spoiler ou não eu não sei dizer porque tb não sei o que é que é suposto ser mistério no livro/filme.

                            Mas continuo a achar que a tua intervençaõ foi um bocado bruta e destrutiva quer para a Scorpio_Angel, quer para a TSF. Não vejo nada de particularmente criticável na notícia para ser apelidada de "jornalismo mediocre".

                            De entre as quatro frases da noticia, duas vao para alem do estrito relatar da premier em Cannes. O que chamas a isto entao?!

                            Ha' a pesada agravante de a noticia entrar no dominio da critica literaria sem a sensibilidade do que deve dizer ou do como.

                              O Código Da Vinci
                              #14

                              Eyre

                              • Visitante
                              De entre as quatro frases da noticia, duas vao para alem do estrito relatar da premier em Cannes. O que chamas a isto entao?!

                              Ha' a pesada agravante de a noticia entrar no dominio da critica literaria sem a sensibilidade do que deve dizer ou do como.

                              Sem querer ficar off topic, eu julgo que esta notícia da TSF se devia de inserir num programa que é efectivamente de crítica ou que pretende ter uma componente também e não apenas informativa. O que estava a ser relatado, provavelmente, dado que não ouvi a notícia, era o desenrolar do festival de Cannes. Isto é, uma perspectiva crítica e não apenas informativa de um festival de cinema. Como tal parece-me com toda a lógica a forma como escreveram/puseram no ar a notícia.

                              Proponho que se quiseres responder a esta mensagem o faças por MP e que se houver mais a discutir o façamos por MP a fim de não entrarmos num infindável off topic.


                                O Código Da Vinci
                                #15

                                Offline Scorpio_Angel

                                • *****
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                                • I faced it all and I stood tall; And did it My Way
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                                Bem, esta é outra notícia que quero colocar aqui, mas aviso desde já que pode conter spoilers.
                                O problema é que num tópico destes é quase impossível escrever o que quer que seja sobre o filme/livro que não os contenha. :P Mas pronto, fica desde já o aviso.


                                Opus Dei paga culpas no filme
                                O Código Da Vinci
                                [/b][/size]


                                "No filme, a acção de ‘O Código Da Vinci’ surge mais trepidante, mas não há espaço para a especulação. E como só metade do ‘facto’ do qual parte Dan Brown tem correspondência histórica, avança-se aos solavancos de credibilidade. O CM acompanhou Maria Filomena Santos, do Gabinete de Informação do Opus Dei, e António Lopes, director do Museu Maçónico Português, à sala de cinema para testar a teoria.
                                   

                                Ninguém gosta que digam mal da nossa família, não é? Custa-me que o tenham feito”. É assim que Maria Filomena Santos, licenciada em Direito Civil e Direito Canónico, reage à visão de Dan Brown em ‘O Código Da Vinci’, o livro levado ao cinema por Ron Howard. O filme, rotula-o de “nada de especial, um pouco longo demais, mas bem feito”. Esta supranumerário do Opus Dei frisa que não se sente “directamente atacada pela película”, mas acusa a falta “da distinção entre ficção e realidade”. Algo que podia ser feito “através de uma legenda que explicasse que o filme é uma obra de ficção”, tal como o Opus Dei ‘reclamou’, em comunicado, mal foi anunciada a produção cinematográfica.

                                Apesar da crueldade autoflageladora com que se retrata Silas, o ‘monge Opus Dei’ que mata, ao serviço dos seus superiores, um ‘professor’ e o ‘bispo Aringarosa’, tal qual está no livro que Filomena Santos leu há três anos, ela considera que o filme dá “liberdade ao espectador e tem o aspecto positivo de criar curiosidade e vontade nas pessoas em obterem mais informação sobre o Opus Dei”. Afinal, revela, desde que estalou a polémica em torno da película, “a média de 33 visitas diárias ao ‘site’ do Opus Dei quintuplicou”.

                                “O filme repete os erros sobre a verdade da Igreja e sobre o Opus Dei, que é uma instituição da Igreja, e reforça-os com o poder da imagem”, insiste a advogada, apontado a frase de do protagonista: “O próprio ‘Robert Langdon’ (Tom Hanks) o diz no filme e essa é uma frase do Leonardo Da Vinci: ‘nenhuma palavra escrita diz mais do que uma imagem’. As imagens do filme são usadas para passar uma mensagem que não é explícita que seja ficção ou realidade. Pode tornar-se confuso para o espectador que não conheça a realidade.”

                                Apesar disso, Filomena Santos pensa que não é caso para apelar ao boicote ao filme, como solicitado pelo Vaticano: “Boicotar o que quer que seja não resulta. Cada um decide de acordo com a sua consciência.”


                                LIGEIREZA E INGENUIDADE

                                Claro é para o maçon António Lopes que o filme envereda por um maniqueísmo empobrecedor que traduz em duas palavras: “Ligeireza e ingenuidade”. Ao cabo de quase duas horas e meia de filme sem intervalo – onde não se encontram as referências à Maçonaria mais destacadas no livro, como a evocação do Templo de Salomão, do século X a.C., de onde provêm classificações, símbolos e ritos ainda hoje em uso e o papel de construtor do presidente francês François Mitterrand, reconhecido como maçon, na edificação da pirâmide do Museu do Louvre, com “a exigência expressa dos 666 painéis de vidro” que a constituem – António Lopes explicou o seu ponto de vista: “Falo de ligeireza pela forma superficial como os assuntos são abordados e amalgamados. Alguém que saiba um mínimo de História pode ali ver uma miscelânea de factos verdadeiros com outros de prova duvidosa, à mistura com erros históricos que podem levar os incautos a acreditar numa história que mereceria melhor e mais fundada reflexão.”

                                “Por outro lado, o filme é de uma ingenuidade extrema. Sendo apresentado como baseado em factos, surgem no situações óbvias, como o refúgio no Chateau Villete, ou até caricatas, como as vozes que Sophie ouve em Roslin. Não admira que em Cannes os espectadores se rissem.”

                                Na sala onde António Lopes viu o filme a hilaridade foi mais contida. Não se ouviu nenhuma risada geral, tal como não se sentiram expressões de arrepio, nem de espanto. Tudo o que se vê já vem no livro de Dan Brown e, ao contrário, a necessidade de empacotar as 536 páginas do romance obrigou a cortes de momentos de humor, como o da conversa entre ‘Robert Langdon’ e o editor ‘Faukman’, em que este se admira como, com tantos livros escritos a respeito do Santo Graal, esta teoria não seja mais conhecida. “Estes livros não podem competir com séculos de História estabelecida, especialmente quando essa História tem o aval do maior ‘bestseller’ de todos os tempos”, observa ‘Langdon’. ‘Faukman’ faz uma piada: “Não me diga que o Harry Potter é a respeito do Santo Graal!”. “Estava a referir-me à Bíblia”, atalha ‘Langdon’, no remate de um ‘gag’ do livro que não aparece no filme.


                                OPUS DEI EXIBICIONISTA

                                À falta de pormenores divertidos sobejam no filme as imagens de martírio exibicionista com que ‘Silas’, ‘o monge Opus Dei’, carrega a maldade da personagem, que logo na primeira cena dispara sobre o conservador do Museu do Louvre depois de lhe extorquir uma pista falsa e que, após umas imagens de martirização corporal, mata uma velha freira incauta e assustada. Estas cenas de automutilação com cilícios (cinto de arame com bicos apertado) e o chicote de cordas cheias de nós levam Filomena Santos a denunciar uma “visão desproporcionadíssima”.

                                “São cenas de violência erradas. Trata-se da uma criatura desequilibrada e masoquista. O exagero de sacrifício foi sempre condenado, sem pôr em causa a sua prática, que sempre existiu, como forma de co--redenção com Jesus.”

                                O que é então uma forma de sacrifício ‘razoável’? “Há mortificações que podem fazer-se por amor a Deus e que, apesar de custarem, não têm este sentido de autoflagelação. Há um creme gelado que, colocado sobre a pele, faz baixar muito a temperatura do corpo. Em dez minutos ficamos a tremer de frio. Há as operações mais dolorosas para se ficar bonita e isso é matéria que se pode oferecer a Deus. Deus criou-nos com corpo e alma e cuidar do corpo é bom.

                                Em contraponto com o exibicionismo do sacrifício, o filme poupa no poder obscuro da instituição, ao reduzir a imponente sede do Opus Dei em Nova Iorque, que tem mais de 20 andares e custou 47 milhões de dólares, a uma pequena casa de refúgio em Londres, onde o ‘monge’ vê da janela do 2.º andar o carro da Polícia que o vem prender. Essencial para Filomena Santos é que, retratado por Brown como uma seita, “o Opus não tem nada de secretismo”.

                                “O filme acentua as ideias do livro, segundo o qual o Opus Dei é uma seita secreta, com finalidades incorrectas e pessoas corruptas. Na realidade, as pessoas do Opus Dei são iguais a todas as outras. Quem não tem fé, se calhar até acha piada a este tipo de teorias e pode ser induzido em erro, porque ‘O Código Da Vinci’ não distingue a realidade da ficção. Cabe-nos combater o pior inimigo de todos, que é a ignorância, e mostrar o verdadeiro Opus Dei.”


                                CHAMADA AO CONHECIMENTO

                                O despertar para o conhecimento é também um aspecto positivo do filme para António Lopes, que começa por lhe arrasar algumas fragilidades: “A forma como se trata os Templários, ao mesmo tempo que se esquece um ponto fundamental da Capela de Roslin, que é a Coluna do Aprendiz, são pormenores que revelam fragilidades históricas gritantes. Temos de o encarar como obra de ficção e não de carácter histórico, como alguma publicidade quer fazer crer.”

                                Mas há também aspectos positivos a salientar. “Desde logo, quando se afirma que Jesus era um homem extraordinário. Sendo eu agnóstico, não deixo de o referir, pelo facto de tornar a sua figura mais humana. Depois, para os que não acreditam cegamente no filme, há a possibilidade de se gerar um conhecimento a partir da investigação destes temas. Para os cristãos também surge como útil uma reflexão sobre a sua crença, as opções teológicas tomadas ao longo de séculos ou a deturpação de factos comprovados pela História.”

                                “Não deixa também de ser interessante uma viagem ao mundo do simbolismo. No entanto, há que não transformar a compreensão dos símbolos numa conspiração. É evidente que o filme tem a este nível diversos erros ou no mínimo abusos de interpretação. O duplo triângulo, no filme apresentado como a intersecção do masculino e do feminino, não é consensual e varia com a época. A Última Ceia, de Da Vinci, tem outros elementos de interpretação ao nível da História da Arte que destroem algumas especulações esotéricas.

                                Ainda ao nível do conhecimento, será interessante um mergulho na História templária, com exemplos marcantes em Portugal, ainda que não tão marcantes que justifiquem algumas especulações que por aí circulam. É verdadeira a passagem dos Templários por Jerusalém, é aceitável a sua demanda do Graal no Templo de Salomão, é verídico o seu poder político e económico, é real a repressão que sobre eles se abateu por ordem de um Papa colocado em Roma por um rei francês falido. Por isso, este pode também ser um aspecto positivo a considerar no filme. ‘O Código Da Vinci’ constitui, enfim, um alerta contra os fanatismos religiosos: apesar da sua ascendência, ‘Sophie’ não tem a possibilidade de caminhar sobre as águas.”

                                “A cena de Roslin, onde, depois de saber da sua secreta ascendência, sem prova possível por ter desaparecido o rasto de Maria Madalena e não haver hipótese de comparar ADN, Sophie tenta saber se é capaz de caminhar sobre a água, constitui um grande desafio à imaginação do espectador. De facto, como diz ‘Robert Langdon’, mestre de simbologia, “o que conta é aquilo em que se acredita”."

                                Correio da Manhã de 2006-05-20
                                  ~ Journey Towards Angel Wings ~

                                  "People should be allowed to fall in love with whoever they want. I mean, otherwise what's the point of living?..." - O&A

                                  "A vontade, se não quer, não cede; é como a chama ardente, que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la." - Dante Alighieri

                                  O Código Da Vinci
                                  #16

                                  Offline Scorpio_Angel

                                  • *****
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                                  E ainda [o nº max de caracteres não permitiu inserir tudo no último post] - tb pode conter spoilers:


                                  DAN BROWN

                                  Dan Brown é autor de vários ‘bestsellers’, entre os quais ‘O Código Da Vinci’, um dos romances mais vendidos de todos os tempos. Licenciado no Amherst College e Phillips Exeter Academy, onde trabalhou como professor de Inglês antes de se dedicar à escrita, publicou o primeiro romance, ‘Digital Fortress’, em 1998, rejeitando a autoria de obras anteriores assinadas sob pseudónimo (Danielle Brown), como ‘187 Homens a Evitar’, de 1995. É o 12.º na prestigiante lista das 100 maiores celebridades publicada em 2005 pela revista ‘Forbes’.


                                  RON HOWARD

                                  Nasceu no Oklahoma, EUA, em 1954. Aos dois anos fez a primeira aparição num episódio de TV, habituando-se aos ‘sets’. Com 15 anos, o menino prodígio saltou para trás das câmaras ao realizar uma curta--metragem, com a experiência acumulada como actor. Entrou em mais de 70 filmes e, antes de ‘O Código Da Vinci’, realizou obras como ‘Splash - A Sereia’, ‘Cocoon’ (1985), ‘Horizonte Longínquo’ (1992), ‘Apolo 13’ (1995) e ‘Cinderella Man’ (2005). Com ‘Uma Mente Brilhante’ ganhou os óscares de Melhor Filme e Melhor Realização.



                                  O QUE PRECISA SABER SOBRE...

                                  TEMPLÁRIOS

                                  Instituída em 1118, em Jerusalém, perto das ruínas do Templo de Salomão, a Ordem Militar do Templo tinha por objectivo a defesa dos lugares santos então conquistados. Segundo as lendas de cavaleiros como a Távola Redonda, atribui-se-lhe também a procura da Arca da Aliança e do Santo Graal. Indiscutível é que a ordem cresceu por toda a Europa ocidental, reunindo riqueza e funcionando como um banco para os reis. A sua influência incomodou o Papa e sobretudo o rei Filipe, o ‘Belo’, de França que devido às dívidas decidiu a sua extinção. Em Portugal, os templários fixaram-se em Tomar e os seus bens transitaram para a Ordem de Cristo.


                                  OPUS DEI

                                  Fundado em 2 de Outubro de 1928, em Madrid, durante um retiro espiritual de fiéis católicos conduzido pelo já beatificado padre Josemaria Escrivá de Balaguer, o Opus Dei funciona desde 1947 sob a aprovação pontifícia e ganhou em 1982, já da parte de João Paulo II, o estatuto de prelatura pessoal que lhe permite reunir leigos e sacerdotes na mesma missão apostólica. Os seus membros dividem-se em numerários com votos de celibato e supranumerários, leigos, casados ou não. Em Portugal existe desde 1946 e reúne personalidades de destaque como os banqueiros Jardim Gonçalves e Teixeira Pinto e o político Mota Amaral.


                                  MAÇONARIA

                                  Com raízes na antiguidade, a Maçonaria tem como ideal a procura da verdade e foi buscar os rituais e classificações aos aprendizes, companheiros e mestres que construíram o Templo de Salomão, no séc. X a.C.. Em Portugal, existe há 280 anos. A primeira loja foi aberta pelo inglês Dugood em 1727. Em 1806 foi aprovada a primeira constituição do Grande Oriente Lusitano (GOL) que tinha como grão-mestre o general Freire de Andrade. Actualmente, além do GOL, que tem por grão-mestre António Reis, existe a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP conduzida por Alberto Trovão do Rosário e a Maçonaria Feminina liderada por Maria Belo.


                                  IGREJA PORTUGUESA FALA EM "PURA FICÇÃO"

                                  “Pura ficção” é a expressão usada pela Igreja católica portuguesa para classificar ‘O Código Da Vinci’. Mas nem todos comungam da mesma visão do assunto. Há os que fogem do ‘Código’ como o diabo da cruz. Recusam ler o livro ou ver o filme e, até, comentá-lo. Outros, porém, abordam a questão com naturalidade, sem tabus, considerando que a melhor resposta é a defesa da verdade.

                                  Contactado pelo CM, D. Marcelino, bispo de Aveiro, foi taxativo: “Não vou ler o livro nem ver o filme”, disse. “ Tenho coisas mais importantes para fazer, não vou em fantasias”, acrescentou o bispo. E mais não disse D. Marcelino. Outros sacerdotes nem sequer aceitaram comentar o assunto.

                                  Bem diferente a posição de D. Januário, bispo das Forças Armadas, que recusa alinhar em radicalismos: “Já li o livro há muito tempo e sou capaz de ir ver o filme” disse. “Trata-se de uma obra que não corresponde minimamente à verdade. É pura fantasia. Fala-se num segredo, mas qual segredo? Com que base? Onde estão as provas? Quem souber um pouco de Filosofia e de História é capaz, até, de ficar escandalizado. Tem afirmações tão gratuitas, tão levianas, que é o mesmo que dizer que o D. Afonso Henriques foi a um baile ao Parque dos Príncipes (Paris)”, acrescentou.

                                  Para D. Januário, “a Igreja não deve virar as costas aos factos. E o facto é que o livro vendeu milhões. Em lugar de pedir aos fiéis para não comprarem o livro ou ver o filme, a Igreja deve, isso sim, tomar uma posição em defesa da verdade, de uma forma natural e fundamentada.”

                                  Uma opinião partilhada pelo padre Luís Borga: “A Igreja não deve ignorar nem entrar em pânico. O que estamos a assistir são situações normais, que vão continuar a acontecer. Há que encará-las com normalidade, com um olhar e sentido crítico, não apelando ao boicote”. “Não li o livro nem vou ler. Não é significativo de coisa nenhuma, além de que tenho pouco interesse por livros policiais ou de suspense. O filme também não faz parte das minhas prioridades”, disse.


                                  MAÇONARIA SABE O QUE TEM 'A CHAVE'

                                  ‘A Chave de Salomão’ é o título do livro de Dan Brown, americano de 41 anos, que se seguirá a ‘O Código Da Vinci’, editado em 2003 e agora passado a filme. A Maçonaria já sabe das suas linhas e, de acordo com António Lopes, as expectativas são óbvias:

                                  “O autor já nos mostrou do que é capaz quando identifica ‘Sophie’ com a última descendente de Jesus e Maria Madalena. Também já afirmou que tudo o que nos apresenta são ‘factos’ mesmo que qualquer historiador ali não veja provas. Ao que sei está a escrever uma obra onde a Maçonaria é o tema central, talvez para contrapor à imagem que transmite da Opus Dei. Ao que também sei a imagem não é lisonjeira e surge baseada em suposições. Não seria de esperar outra coisa. Escrever sobre uma matéria complexa como a Maçonaria, sem ser da Maçonaria, só pode dar origem ou a asneira ou a especulação, tal como no Código.”

                                  Evidente, entretanto, é que as ordens maçónicas não cairão no descuido do Opus Dei que, avisado do teor de ‘O Código Da Vinci’, achou que o livro era tão inverosímil que ninguém lhe iria ligar. "


                                  Correio da Manhã de 2006-05-20
                                    ~ Journey Towards Angel Wings ~

                                    "People should be allowed to fall in love with whoever they want. I mean, otherwise what's the point of living?..." - O&A

                                    "A vontade, se não quer, não cede; é como a chama ardente, que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la." - Dante Alighieri

                                    O Código Da Vinci
                                    #17

                                    Peixinho

                                    • Visitante
                                    Imagino-no excessivamente industrial, i é, mainstream.  Mas sobretudo pesa o que me disseram do livro e toda a histeria que se criou à volta do mesmo.

                                     :up
                                    Eu vi o filme, não achei nada de extraordinário! Estou de acordo contigo Eyre criou-se uma grande histeria tanto em torno do livro, como do filme.

                                      O Código Da Vinci
                                      #18

                                      centro_da_gravidad

                                      • Visitante
                                      Eu ja tinha lido o livro há imenso tempo, por isso ver o filme fez-me recordar um pouco da historia. Na minha opiniao achei o filme bastante bom de se ver, estava muito bem conseguido e gostei de ver a actuação da descendente de Jesus Cristo :P
                                      Obviamente que certas partes foram cortadas, mas tb é uma adaptação, se pusessem tudo tudo o filme tinha umas 10 horas.
                                      Quanto ao livro eu achei-o incrivelmente bom, tanto pela historia como pela forma como estava escrito..o suspense e tudo o mais. Acho que é bem merecedor do histerismo de que foi alvo  :)

                                        O Código Da Vinci
                                        #19

                                        Offline Holly Golightly

                                        • ***
                                        • Membro Total
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                                          • Evidentemente, o absurdo.
                                        Fui ver o filme ontem e ainda não consegui decidi se o levo suficientemente a sério para o odiar completamente.

                                        Achei-o primário, intelectualmente primitivo e escansalosamente óbvio. As cenas de anamnese (sobretudo aquela que mostra como as personagens saíram do avião no hangar em Londres) ou as encaramos de um ponto de vista benevolente, estilo 'oh, tão querido, um filme para crianças/atrasados mentais que não percebem nada por si próprios e tem que se lhes explicar tudinho, acabando com a elipse narrativa que por acaso até é especificidade do cinema pela possibilidade sugestiva da construção sequencial dos planos', isto, claro, se nos apanharem num dia bom, porque se estivermos francamente mal dispostos há-de ser mais 'devem-estar-a-chamar-me-estúpid@ de certeza'.

                                        Depois, os lugares comuns Star Wars Style 'Luke-i-am-your-father' já se tornaram tão tremendamente cliché que ou funcionam num filme assumidamente kitsch (tipo Kill Bill), ou então só podem ser catalisadores de uma perda vertiginosa e irremediável de dramaticidade, de maneira que junto o meu riso ao dos senhores em Cannes, quando viram a cena da revelação da identidade do descendente vivo de Cristo, num campo-contracampo supostamente clássico, supostamente sério-dramático-ganda-filme, mas tecnicamente híbrido e, sobretudo, cinematograficamente desinteressante.

                                        A única coisa de que (supreendentemene) até gostei foi a Audrey Tatou, que eu sempre guardei com um carinho especial nos lugares cimeiros da minha lista de ódios de estimação, e que no filme até está gira.
                                          Lilac Wine, it's sweet and heady (like my love)

                                           

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