rede ex aequo

Olá Visitante19.mar.2019, 23:03:33

Autor Tópico: Desabafos LGBT...  (Lida 318843 vezes)

 
Desabafos LGBT...
#4320

Offline joana99azevedo

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Olá querida amiga...


Basta fazer uma pequena pesquisa na Internet para encontrar algumas respostas... Procurei o significado de sonhar com mãe que já morreu e de acordo com o MysticBr:


"Neste caso sonhar com a mãe que já morreu viva é nada mais nada menos que uma ilusão dos seus desejos."


Ou seja... É apenas um desejo seu, estar novamente com a sua mãe.


Muita força! <3

    Desabafos LGBT...
    #4321

    Offline interrupted

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    Imaginem-se num local banal, onde têm de ir todas as semanas para vos ser prestado um serviço (o qual não me sinto à vontade para revelar) e aos poucos começam a reparar numa das especialistas desse local. Só reparam nessa pessoa mais tarde porque só a viram semanas depois... Por uma questão de ser assim que funciona o tal serviço, não estava a olhar para ela e ela estava a falar comigo, a perguntar-me sobre as coisas que mais gosto de fazer, se já tinha visto determinado filme, ao qual digo que não mas que tinha visto o dos Queen e que tinha odiado ouvir comentários homofóbicos durante a sessão ao que ela responde "a mim esse tipo de comentários causa-me urticária". A conversa continua a fluir sempre no bom sentido e eu só penso "evita contacto ocular com ela". O tempo passou a correr, falámos imenso, achei a voz dela super agradável e os temas decorreram tão naturalmente que me agradaram imenso. Quando tive de olhar para ela evitei ao máximo, fiz por olhar para o que estava atrás dela ou para baixo, tudo menos para a cara dela, já me estava a sentir atraída sem a ter analisado fisicamente.


    Passaram-se três semanas sem a voltar a ver, mas aquele pensamento corroía-me... As nossas conversas vinham-me à mente e eu nem o nome dela sabia, mas queria tanto saber... Já me estava a sentir "apanhada" antes de o estar. Quando a voltei a ver sorrimos imediatamente uma para a outra e a conversa continuou a fluir super naturalmente, ela lembrava-se da conversa da vez anterior e até de pontos que eu nem tinha dado tanta atenção, pelo que falámos sempre... Comecei a reparar mais nela e a perceber que afinal a aparência física combinava completamente com o resto, não eram só as conversas que eram atraentes, nem o conteúdo que ela aparentava ter, nem a forma como ela se expressava, nem apenas a voz, mas o físico dela, a cara, o sorriso, o formato dos olhos, o formato do corpo dela... Mas pensei "Acalma-te, estás num sítio onde tens de manter a postura, mantém a postura e esquece esses sentimentos supérfluos". Até que tive uma tontura que me abalou completamente, como um terramoto, e ela ajudou-me, conforme ela me ajuda a sentar eu agarro-me a ela e sento-me, mantenho os olhos fechados porque perdi a noção do espaço. Abro os olhos, a cara dela está a aproximadamente um palmo de distância de mim, olho-a nos olhos (talvez com um dos meus olhares mais penetrantes de sempre) e reparo naqueles olhos verdes, reparo nas sardas que nunca tinha reparado... Ela próxima de mim, sem se afastar, eu continuo naquela posição desconfortável em que estava agarrada a ela e ela a mim, estávamos ambas com uma mão a tocar nas costas da outra, as cabeças inclinadas... Ninguém se mexe... Continuamos assim. "O que faço?" penso eu. Afasto-me num sobressalto, ela faz o mesmo. Fomos em direções opostas. O olhar continua fixo uma na outra, o olhar foi a única coisa que permaneceu imóvel. Ela é a primeira a ceder, vai embora... Não a volto a ver. Fico num estado de completa incompreensão, perplexa, a tentar digerir tudo o que se tinha passado ali. Até que veio outra pessoa à sala que disse que ela não tinha avisado que tinha saído e que pedia desculpa por eu estar lá sozinha. Pelo menos já sabia o nome dela...


    Da vez seguinte, ela foi à sala onde eu estava e fez de conta que não me viu, não trocámos qualquer palavra ou gesto.


    Passou o Natal e a passagem de ano...


    Início do ano, lá estava eu de volta. Cumprimenta-me com um sorriso enorme e pelo meu nome, o qual tento retribuir cheia de nervosismo. Fui para a sala com ela, a tremer por todo o lado, no entanto pouco tempo estive sozinha com ela. Comecei a tratá-la por tu nesse dia, não percebi se ela se interessou ou não, no entanto, como ela sempre o fez, decidi fazê-lo, ou melhor, saiu-me assim (sou apologista de que quando não há diferença de idades devemos tratar o outro como nos trata). Nesse dia o nervosismo levou a melhor, sempre que ela falava comigo não conseguia responder em condições, respondia coisas completamente ao lado, dizia piadas secas... E quando estavam outras pessoas na sala ao mesmo tempo conseguia falar bem com as outras pessoas, mas com ela não, em nenhum momento. Mais para a frente, nesse dia, fiquei sozinha com ela e estava a sentir-me muito ansiosa e disse-lhe "Queria pedir-te desculpa, tanto por hoje como por..." ela interrompeu-me nesse momento "Relaxa, não penses nisso. Leva as coisas com calma..." e a partir daí não consegui ouvir mais nada, ela falou mais algum tempo, mas não faço a mínima ideia daquilo que foi dito. Quando ela ia embora disse-lhe "Olha..." e calei-me subitamente, ela olhou para mim à espera que eu fosse dizer mais alguma coisa, esperou até que perguntou "Está tudo bem contigo?", eu menti e disse que sim. Não levaram dois minutos até isso acontecer e eu ter um ataque de pânico e pedir ajuda a alguém, incrivelmente é a ela mesmo que chamam para me acudir. Dei-lhe a mão, mas só ficava mais nervosa, mais ansiosa, com os sintomas mais ampliados... Tentava olhar para a cara dela mas o sentimento era de completo pânico, comecei a chorar em desespero enquanto lhe apertava a mão o mais forte que podia (tenho quase a certeza que a magoei). Entretanto chegou outra pessoa para me acudir e mandou-a embora, porque ela também estava a ficar "stressada" (pela minha experiência há pessoas que quando assistem a um ataque de pânico entram também num estado semelhante, ela pareceu ser uma delas). Não a vi mais nesse dia.


    Na semana seguinte voltei a vê-la mas não fiquei sozinha com ela em momento algum. Estávamos na sala três pessoas (eu, ela e outra colega dela) em completo ar de brincadeira, com muitos risos, ela sempre muito simpática e com um ar muito carinhoso para mim. Dessa vez também me senti mal, mas estive com a colega dela a falar, não tive nenhum ataque de pânico no entanto esteve muito perto. Adorei falar com a colega dela, que até me falou da pessoa de quem estou a falar este tempo todo. No final, já na sala de espera, estava a falar com a colega dela e eu estava com lágrimas nos olhos porque me sentia super abalada por outros eventos (e esse não ajudava), e a tal passa porque ia embora. Disse até amanhã à colega e bom fim de semana para mim, com um sorriso na cara, mas eu reparei que ela não olhou muito. Eu só disse "Espera", ela parou logo, olhou para trás a sorrir e quando me viu com lágrimas nos olhos mudou a expressão dela, fui até ela e, ou ganhei muita força ou fui muito espontânea e perguntei "Posso dar-te um abraço?" a resposta foi "Oh! É claro que podes" e abraçou-me. Aquele abraço foi mágico! Ninguém largava, ela segurava-me com força, eu retribuía conforme era a minha necessidade naquele momento, ela, um pouco mais alta que eu, começou a dar-me festinhas na cabeça e eu só consegui apertar-me mais contra ela, senti-la ainda mais perto, eu tinha os olhos fechados, estava a sentir aquele momento por completo, ela começou a dar-me beijinhos na cabeça, eu sentia as lágrimas a escorrer e o abraço mais apertado do que estava no início. Deixei-me estar ali, deixei-me absorver sem pensar em mais nada, sem pensar na "plateia", naquele momento só importava aquilo. De repente saiu-me a palavra "Desculpa" e foi aí que o abraço acabou e ela me disse "Tu não me deves desculpa por nada. Só tens de te preocupar contigo e pensar em ti, tens de melhorar, tens de me prometer que vais ficar boa, prometes?" "Não te posso prometer isso" "Mas faz por isso. A mim custa-me muito ver-te assim", não lhe consegui responder. Esta pequena conversa pós abraço foi feita sem largarmos as mãos e a olhar profundamente nos olhos uma da outra, continuamos assim uns segundos, até que eu lhe sorri e larguei a mão, viramos ambas as costas e ela foi embora. Eu voltei-me para a colega dela que estava a sorrir e com os olhos a lacrimejar, que me perguntou "E eu? Não tenho direito a um abraço?".


    (Continuará... Espero eu)





    Este meu longo desabafo tem duas vertentes, a primeira era porque precisava de por isto cá para fora, porque ando a pensar muito naquela pessoa e aquelas pequenas atitudes, que nada significam para alguém "normal" (quero dizer para alguém sem uma doença psiquiátrica), mexem imenso comigo. São dois meses em que vivo em constante receio que chegue aquele dia da semana porque não sei como vai ser, não sei se a vou ver, não sei se vou estar a sós com ela, não sei que vou dizer (porque quando estou a ter um episódio, ou surto, consigo dizer coisas muito inconvenientes), tenho medo de voltar a ter um ataque de pânico, de a tentar beijar, de me declarar quando na verdade isto é só uma "crush" (apesar de eu sentir isto super intensificado).
    A segunda vertente é ter 95% de certeza que ela é heterossexual, que só está a fazer o trabalho dela, que não pensa em mim dessa forma, que está a tentar agir como uma boa pessoa, que nem quer saber de mim para nada (a nenhum nível, nem como cliente), que diz que se preocupa e outras coisas semelhantes apenas por dizer, como muitas outras pessoas o fazem. Que senti aquele abraço de forma intensificada, que ela deve ser uma pessoa extremamente afetuosa que anda a espalhar carinho pelo mundo... O facto de ela se lembrar das conversas que temos e de as retomar em diversos pontos, mesmo quando não é ela que está comigo e que passa por lá (coisa que não entendo porque passa, talvez não tenha nada melhor para fazer), deve também ter a ver com a personalidade dela, há pessoas que têm excelente memória e apesar de estarem com dezenas de pessoas todas as semanas lembram-se de tudo que falaram com elas. Não sei...


    Não sei que achar, só sei que estou cheia de medo. Por um lado precisava de alguém que mexesse assim comigo, por outro lado sei que vou sair magoada.


    Obrigada a quem leu até ao fim.

      Desabafos LGBT...
      #4322

      Offline sleepy_heart

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      Imaginem-se num local banal, onde têm de ir todas as semanas para vos ser prestado um serviço (o qual não me sinto à vontade para revelar) e aos poucos começam a reparar numa das especialistas desse local. Só reparam nessa pessoa mais tarde porque só a viram semanas depois... Por uma questão de ser assim que funciona o tal serviço, não estava a olhar para ela e ela estava a falar comigo, a perguntar-me sobre as coisas que mais gosto de fazer, se já tinha visto determinado filme, ao qual digo que não mas que tinha visto o dos Queen e que tinha odiado ouvir comentários homofóbicos durante a sessão ao que ela responde "a mim esse tipo de comentários causa-me urticária". A conversa continua a fluir sempre no bom sentido e eu só penso "evita contacto ocular com ela". O tempo passou a correr, falámos imenso, achei a voz dela super agradável e os temas decorreram tão naturalmente que me agradaram imenso. Quando tive de olhar para ela evitei ao máximo, fiz por olhar para o que estava atrás dela ou para baixo, tudo menos para a cara dela, já me estava a sentir atraída sem a ter analisado fisicamente.


      Passaram-se três semanas sem a voltar a ver, mas aquele pensamento corroía-me... As nossas conversas vinham-me à mente e eu nem o nome dela sabia, mas queria tanto saber... Já me estava a sentir "apanhada" antes de o estar. Quando a voltei a ver sorrimos imediatamente uma para a outra e a conversa continuou a fluir super naturalmente, ela lembrava-se da conversa da vez anterior e até de pontos que eu nem tinha dado tanta atenção, pelo que falámos sempre... Comecei a reparar mais nela e a perceber que afinal a aparência física combinava completamente com o resto, não eram só as conversas que eram atraentes, nem o conteúdo que ela aparentava ter, nem a forma como ela se expressava, nem apenas a voz, mas o físico dela, a cara, o sorriso, o formato dos olhos, o formato do corpo dela... Mas pensei "Acalma-te, estás num sítio onde tens de manter a postura, mantém a postura e esquece esses sentimentos supérfluos". Até que tive uma tontura que me abalou completamente, como um terramoto, e ela ajudou-me, conforme ela me ajuda a sentar eu agarro-me a ela e sento-me, mantenho os olhos fechados porque perdi a noção do espaço. Abro os olhos, a cara dela está a aproximadamente um palmo de distância de mim, olho-a nos olhos (talvez com um dos meus olhares mais penetrantes de sempre) e reparo naqueles olhos verdes, reparo nas sardas que nunca tinha reparado... Ela próxima de mim, sem se afastar, eu continuo naquela posição desconfortável em que estava agarrada a ela e ela a mim, estávamos ambas com uma mão a tocar nas costas da outra, as cabeças inclinadas... Ninguém se mexe... Continuamos assim. "O que faço?" penso eu. Afasto-me num sobressalto, ela faz o mesmo. Fomos em direções opostas. O olhar continua fixo uma na outra, o olhar foi a única coisa que permaneceu imóvel. Ela é a primeira a ceder, vai embora... Não a volto a ver. Fico num estado de completa incompreensão, perplexa, a tentar digerir tudo o que se tinha passado ali. Até que veio outra pessoa à sala que disse que ela não tinha avisado que tinha saído e que pedia desculpa por eu estar lá sozinha. Pelo menos já sabia o nome dela...


      Da vez seguinte, ela foi à sala onde eu estava e fez de conta que não me viu, não trocámos qualquer palavra ou gesto.


      Passou o Natal e a passagem de ano...


      Início do ano, lá estava eu de volta. Cumprimenta-me com um sorriso enorme e pelo meu nome, o qual tento retribuir cheia de nervosismo. Fui para a sala com ela, a tremer por todo o lado, no entanto pouco tempo estive sozinha com ela. Comecei a tratá-la por tu nesse dia, não percebi se ela se interessou ou não, no entanto, como ela sempre o fez, decidi fazê-lo, ou melhor, saiu-me assim (sou apologista de que quando não há diferença de idades devemos tratar o outro como nos trata). Nesse dia o nervosismo levou a melhor, sempre que ela falava comigo não conseguia responder em condições, respondia coisas completamente ao lado, dizia piadas secas... E quando estavam outras pessoas na sala ao mesmo tempo conseguia falar bem com as outras pessoas, mas com ela não, em nenhum momento. Mais para a frente, nesse dia, fiquei sozinha com ela e estava a sentir-me muito ansiosa e disse-lhe "Queria pedir-te desculpa, tanto por hoje como por..." ela interrompeu-me nesse momento "Relaxa, não penses nisso. Leva as coisas com calma..." e a partir daí não consegui ouvir mais nada, ela falou mais algum tempo, mas não faço a mínima ideia daquilo que foi dito. Quando ela ia embora disse-lhe "Olha..." e calei-me subitamente, ela olhou para mim à espera que eu fosse dizer mais alguma coisa, esperou até que perguntou "Está tudo bem contigo?", eu menti e disse que sim. Não levaram dois minutos até isso acontecer e eu ter um ataque de pânico e pedir ajuda a alguém, incrivelmente é a ela mesmo que chamam para me acudir. Dei-lhe a mão, mas só ficava mais nervosa, mais ansiosa, com os sintomas mais ampliados... Tentava olhar para a cara dela mas o sentimento era de completo pânico, comecei a chorar em desespero enquanto lhe apertava a mão o mais forte que podia (tenho quase a certeza que a magoei). Entretanto chegou outra pessoa para me acudir e mandou-a embora, porque ela também estava a ficar "stressada" (pela minha experiência há pessoas que quando assistem a um ataque de pânico entram também num estado semelhante, ela pareceu ser uma delas). Não a vi mais nesse dia.


      Na semana seguinte voltei a vê-la mas não fiquei sozinha com ela em momento algum. Estávamos na sala três pessoas (eu, ela e outra colega dela) em completo ar de brincadeira, com muitos risos, ela sempre muito simpática e com um ar muito carinhoso para mim. Dessa vez também me senti mal, mas estive com a colega dela a falar, não tive nenhum ataque de pânico no entanto esteve muito perto. Adorei falar com a colega dela, que até me falou da pessoa de quem estou a falar este tempo todo. No final, já na sala de espera, estava a falar com a colega dela e eu estava com lágrimas nos olhos porque me sentia super abalada por outros eventos (e esse não ajudava), e a tal passa porque ia embora. Disse até amanhã à colega e bom fim de semana para mim, com um sorriso na cara, mas eu reparei que ela não olhou muito. Eu só disse "Espera", ela parou logo, olhou para trás a sorrir e quando me viu com lágrimas nos olhos mudou a expressão dela, fui até ela e, ou ganhei muita força ou fui muito espontânea e perguntei "Posso dar-te um abraço?" a resposta foi "Oh! É claro que podes" e abraçou-me. Aquele abraço foi mágico! Ninguém largava, ela segurava-me com força, eu retribuía conforme era a minha necessidade naquele momento, ela, um pouco mais alta que eu, começou a dar-me festinhas na cabeça e eu só consegui apertar-me mais contra ela, senti-la ainda mais perto, eu tinha os olhos fechados, estava a sentir aquele momento por completo, ela começou a dar-me beijinhos na cabeça, eu sentia as lágrimas a escorrer e o abraço mais apertado do que estava no início. Deixei-me estar ali, deixei-me absorver sem pensar em mais nada, sem pensar na "plateia", naquele momento só importava aquilo. De repente saiu-me a palavra "Desculpa" e foi aí que o abraço acabou e ela me disse "Tu não me deves desculpa por nada. Só tens de te preocupar contigo e pensar em ti, tens de melhorar, tens de me prometer que vais ficar boa, prometes?" "Não te posso prometer isso" "Mas faz por isso. A mim custa-me muito ver-te assim", não lhe consegui responder. Esta pequena conversa pós abraço foi feita sem largarmos as mãos e a olhar profundamente nos olhos uma da outra, continuamos assim uns segundos, até que eu lhe sorri e larguei a mão, viramos ambas as costas e ela foi embora. Eu voltei-me para a colega dela que estava a sorrir e com os olhos a lacrimejar, que me perguntou "E eu? Não tenho direito a um abraço?".


      (Continuará... Espero eu)





      Este meu longo desabafo tem duas vertentes, a primeira era porque precisava de por isto cá para fora, porque ando a pensar muito naquela pessoa e aquelas pequenas atitudes, que nada significam para alguém "normal" (quero dizer para alguém sem uma doença psiquiátrica), mexem imenso comigo. São dois meses em que vivo em constante receio que chegue aquele dia da semana porque não sei como vai ser, não sei se a vou ver, não sei se vou estar a sós com ela, não sei que vou dizer (porque quando estou a ter um episódio, ou surto, consigo dizer coisas muito inconvenientes), tenho medo de voltar a ter um ataque de pânico, de a tentar beijar, de me declarar quando na verdade isto é só uma "crush" (apesar de eu sentir isto super intensificado).
      A segunda vertente é ter 95% de certeza que ela é heterossexual, que só está a fazer o trabalho dela, que não pensa em mim dessa forma, que está a tentar agir como uma boa pessoa, que nem quer saber de mim para nada (a nenhum nível, nem como cliente), que diz que se preocupa e outras coisas semelhantes apenas por dizer, como muitas outras pessoas o fazem. Que senti aquele abraço de forma intensificada, que ela deve ser uma pessoa extremamente afetuosa que anda a espalhar carinho pelo mundo... O facto de ela se lembrar das conversas que temos e de as retomar em diversos pontos, mesmo quando não é ela que está comigo e que passa por lá (coisa que não entendo porque passa, talvez não tenha nada melhor para fazer), deve também ter a ver com a personalidade dela, há pessoas que têm excelente memória e apesar de estarem com dezenas de pessoas todas as semanas lembram-se de tudo que falaram com elas. Não sei...


      Não sei que achar, só sei que estou cheia de medo. Por um lado precisava de alguém que mexesse assim comigo, por outro lado sei que vou sair magoada.


      Obrigada a quem leu até ao fim.

      Obrigada a ti pela partilha... o episódio e si e, principalmente, a forma como o contaste fizeram-me suspirar e dou por mim a sorrir e com os olhos em lágrimas em simultâneo. Tudo o que mexe connosco pode ser assustador mas tenta ao máximo não "sabotar" essa história que espero que tenha muito mais "linhas" e que termine de forma muito feliz! :) Muito boa sorte para ti!!! :) E obrigada, mesmo, por esta taquicardia tão boa ao ler-te! Escreves com muita emoção! Isso é maravilhoso!
        Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

        Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

        Desabafos LGBT...
        #4323

        Offline sleepy_heart

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        • Género: Feminino
        Interrupted, como está tudo? Como está essa história?  :-*
          Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

          Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

          Desabafos LGBT...
          #4324

          Offline interrupted

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          Interrupted, como está tudo? Como está essa história?  :-*


          Obrigada por perguntares. Peço desculpa pela demora a responder mas aqui vão os acontecimentos mais recentes.


          Na semana seguinte ao abraço ela estava constantemente a entrar e a sair da sala onde eu estava, sempre a perguntar à pessoa que estava comigo se era preciso alguma coisa ali, se ela podia ajudar e diziam-lhe sempre que não. Estávamos sempre a trocar olhares profundos, daqueles que parece que estamos a ver completamente a outra pessoa e que a outra pessoa nos está a ver a nós e que não estamos com medo disso, simplesmente deixamos acontecer.


          Na semana a seguir continuou a entrar na sala e a perguntar se era preciso alguma coisa, até que lhe disseram que sim. Sentir o toque dela... Não fiquei sozinha com ela em nenhum momento, mas os olhares não paravam, sentia que estávamos as duas a fazer um enorme esforço para não continuarmos naquela troca de olhares, para não dizermos nada, afinal, não estávamos sozinhas... Ela acabou por ficar mais tempo do que era preciso, a inventar coisas para fazer. Quando ela saiu a outra pessoa que estava na sala comentou que ela tinha demorado muito para fazer uma coisa rápida.


          Nas semanas seguintes não estive com ela, só nos cumprimentávamos quando nos víamos, ela perguntava-me como estava e ficávamos a sorrir uma para a outra. Durante essas duas semanas comecei a pensar que talvez o melhor fosse esquecer o assunto, ela já não estava a fazer por passar tempo comigo. E comecei a concluir que era tudo da minha cabeça. Que eu queria tanto ver aquilo que estava a deixar levar-me por algo que não estava a acontecer.


          Até que veio ontem... Ontem, antes de ir para lá estava completamente descontraída, sem pensar em nada, já estava a esquecer o assunto e a pensar que de facto não valia a pena perder mais tempo com falsas esperanças, que a oportunidade estava perdida. Mas ontem foi ela... Só eu e ela na sala, quando percebi fiquei nervosa. Evitei qualquer contacto visual com ela, tentei não lhe dar conversa. Ela estava a fazer o trabalho dela e eu muito calada, a sentir as mãos dela em mim. Começou a falar, não gostei do que ela disse (na verdade eu levei para um lado que não era de todo o que ela estava a dizer, levei para um sentido negativo e não era esse o sentido), de resto foi tudo conversa banal, sem grande conteúdo, o que não é habitual quando estou com ela. A verdade é que não facilitei, só conseguia dar respostas secas e monossilábicas. Quando dei por mim tinha uma lágrima a escorrer-me pela cara, ela perguntou que se passava e eu disse-lhe que não era nada, que já ia passar, que já ia ficar bem. Ela tentou distrair-me, mas eu estava a ficar cada vez mais irritada... Havia alguma coisa negativa a apoderar-se de mim e disse-lhe que não tinha gostado do que ela tinha dito no início e enunciei todos os motivos de não ter gostado, ela defendeu-se (com uma clareza fenomenal e com uma linguagem de fazer inveja), explicou-me tudo muito bem e eu percebi que realmente eu é que estava a levar tudo para um lado muito negativo. Ficámos a olhar uma para a outra, comecei a chorar, estendi a minha mão e perguntei se podia, ela agarrou-me a mão e sentou-se num banco ao meu lado. Ficámos ali, de mão dada, ali a acariciar-me a mão com a dela, eu parei de chorar e só conseguia olhar para ela, não conseguia pensar em mais nada, de repente o meu cérebro ficou vazio, era só ela, mais ninguém, mais nada... Ela começa a tocar-me no cabelo, a passar os dedos pelo meu cabelo e eu só a pensar "Por favor, para ou eu perco a cabeça". Estivemos aproximadamente 5 minutos (ou talvez mais) de mão dada, a olhar profundamente nos olhos uma da outra, nenhuma cedia. Ela levantou-se, disse-me para me deitar, pousou a minha mão em cima da minha barriga e pegou na minha outra mão e fez o mesmo. Em contacto direto com a minha pele começou a fazer círculos na zona abdominal, com as duas mãos, com dois dedos, muito suavemente, começou a descer, senti os dedos dela na minha barriga, a percorrer cada milímetro, muito devagar, muito suavemente. Não sei onde estava a minha cabeça nesse momento, mas já não estava neste planeta. Contornava a barriga e voltava a subir, estava com o olhar fixo no que estava a fazer, e eu a olhar para as mãos dela a tocarem-me e perguntou-me "E isto ajuda?", ao que me perguntei "Ajuda em quê?". Ela olhou para mim e disse "Concentra-te só na tua respiração e no meu toque, em mais nada", foi aí que dei conta que estava com uma respiração bastante alterada, não dava para enganar sobre o meu estado... Ela continuava a tocar-me milímetro a milímetro, eu a tentar controlar a respiração para não ser tão óbvio de como me estava a sentir. Até que a porta abriu... Ela levantou-se muito rápido, foi embora sem olhar para trás e sem dizer nada.


          E é neste ponto que a história está.

            Desabafos LGBT...
            #4325

            Offline Mónicaf

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            • I think its important that people don´t feel alone
            Interrupted, como está tudo? Como está essa história?  :-*


            Obrigada por perguntares. Peço desculpa pela demora a responder mas aqui vão os acontecimentos mais recentes.


            Na semana seguinte ao abraço ela estava constantemente a entrar e a sair da sala onde eu estava, sempre a perguntar à pessoa que estava comigo se era preciso alguma coisa ali, se ela podia ajudar e diziam-lhe sempre que não. Estávamos sempre a trocar olhares profundos, daqueles que parece que estamos a ver completamente a outra pessoa e que a outra pessoa nos está a ver a nós e que não estamos com medo disso, simplesmente deixamos acontecer.


            Na semana a seguir continuou a entrar na sala e a perguntar se era preciso alguma coisa, até que lhe disseram que sim. Sentir o toque dela... Não fiquei sozinha com ela em nenhum momento, mas os olhares não paravam, sentia que estávamos as duas a fazer um enorme esforço para não continuarmos naquela troca de olhares, para não dizermos nada, afinal, não estávamos sozinhas... Ela acabou por ficar mais tempo do que era preciso, a inventar coisas para fazer. Quando ela saiu a outra pessoa que estava na sala comentou que ela tinha demorado muito para fazer uma coisa rápida.


            Nas semanas seguintes não estive com ela, só nos cumprimentávamos quando nos víamos, ela perguntava-me como estava e ficávamos a sorrir uma para a outra. Durante essas duas semanas comecei a pensar que talvez o melhor fosse esquecer o assunto, ela já não estava a fazer por passar tempo comigo. E comecei a concluir que era tudo da minha cabeça. Que eu queria tanto ver aquilo que estava a deixar levar-me por algo que não estava a acontecer.


            Até que veio ontem... Ontem, antes de ir para lá estava completamente descontraída, sem pensar em nada, já estava a esquecer o assunto e a pensar que de facto não valia a pena perder mais tempo com falsas esperanças, que a oportunidade estava perdida. Mas ontem foi ela... Só eu e ela na sala, quando percebi fiquei nervosa. Evitei qualquer contacto visual com ela, tentei não lhe dar conversa. Ela estava a fazer o trabalho dela e eu muito calada, a sentir as mãos dela em mim. Começou a falar, não gostei do que ela disse (na verdade eu levei para um lado que não era de todo o que ela estava a dizer, levei para um sentido negativo e não era esse o sentido), de resto foi tudo conversa banal, sem grande conteúdo, o que não é habitual quando estou com ela. A verdade é que não facilitei, só conseguia dar respostas secas e monossilábicas. Quando dei por mim tinha uma lágrima a escorrer-me pela cara, ela perguntou que se passava e eu disse-lhe que não era nada, que já ia passar, que já ia ficar bem. Ela tentou distrair-me, mas eu estava a ficar cada vez mais irritada... Havia alguma coisa negativa a apoderar-se de mim e disse-lhe que não tinha gostado do que ela tinha dito no início e enunciei todos os motivos de não ter gostado, ela defendeu-se (com uma clareza fenomenal e com uma linguagem de fazer inveja), explicou-me tudo muito bem e eu percebi que realmente eu é que estava a levar tudo para um lado muito negativo. Ficámos a olhar uma para a outra, comecei a chorar, estendi a minha mão e perguntei se podia, ela agarrou-me a mão e sentou-se num banco ao meu lado. Ficámos ali, de mão dada, ali a acariciar-me a mão com a dela, eu parei de chorar e só conseguia olhar para ela, não conseguia pensar em mais nada, de repente o meu cérebro ficou vazio, era só ela, mais ninguém, mais nada... Ela começa a tocar-me no cabelo, a passar os dedos pelo meu cabelo e eu só a pensar "Por favor, para ou eu perco a cabeça". Estivemos aproximadamente 5 minutos (ou talvez mais) de mão dada, a olhar profundamente nos olhos uma da outra, nenhuma cedia. Ela levantou-se, disse-me para me deitar, pousou a minha mão em cima da minha barriga e pegou na minha outra mão e fez o mesmo. Em contacto direto com a minha pele começou a fazer círculos na zona abdominal, com as duas mãos, com dois dedos, muito suavemente, começou a descer, senti os dedos dela na minha barriga, a percorrer cada milímetro, muito devagar, muito suavemente. Não sei onde estava a minha cabeça nesse momento, mas já não estava neste planeta. Contornava a barriga e voltava a subir, estava com o olhar fixo no que estava a fazer, e eu a olhar para as mãos dela a tocarem-me e perguntou-me "E isto ajuda?", ao que me perguntei "Ajuda em quê?". Ela olhou para mim e disse "Concentra-te só na tua respiração e no meu toque, em mais nada", foi aí que dei conta que estava com uma respiração bastante alterada, não dava para enganar sobre o meu estado... Ela continuava a tocar-me milímetro a milímetro, eu a tentar controlar a respiração para não ser tão óbvio de como me estava a sentir. Até que a porta abriu... Ela levantou-se muito rápido, foi embora sem olhar para trás e sem dizer nada.


            E é neste ponto que a história está.
            Possível romance?! ;) Não acompanhei a história ao pormenor. Mas que simpática essa menina , pelo que interpretei das tuas palavras.
            Pareces me muito tímida e receosa, tal como eu, mas a parte da mão e do toque dela na tua barriga deu me uma lágrima feliz :)

              Desabafos LGBT...
              #4326

              Offline Tractor

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              Olá , vou usar este fórum que tanto trollei para desabafar . Ninguém quer saber mas aqui vai:
              Conheci uma pita ( prometo  que ela é maior de idade) na internet, decidi meter conversa e ela respondeu wow choque. Começamo-nos a dar bem muito rápido e decidimos ter um primeiro encontro que correu muito bem ,
              Fds já estou farta de escrever . Resumindo , encontramos-nos várias vezes de forma intensa num espaço de um mês e meio e ela basicamente disse que queria uma relação aberta .
              Tipo .. hello?  Querida ? Fiquei muito chateada porque mesmo que fosse a primeira opção dela, que seria segundo o paleio dela, não mereço ser tratada como lixo.
              Estou revoltada.
                O trator (AO 1945: tractor) é um tipo de máquina que exerce tracção, possibilitando a execução de trabalho produtivo com conforto ao operador, multiplicando a força humana.
                Normalmente projetado para arrastar vários tipos de alfaias ou implementos de uso específico, um mesmo tractor com diferentes.

                Desabafos LGBT...
                #4327

                Offline interrupted

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                Continuação da história:


                Comecei a querer saber mais sobre ela, não sabia bem como o fazer, decidi recorrer às redes sociais mas não queria dar demasiado nas vistas, ou seja, não queria fazer um pedido de amizade em meu nome, não queria que ela soubesse que "andei atrás dela", que consegui descobrir o último nome dela... Investiguei o máximo que pude num perfil de facebook semi privado. Fiquei com algumas suspeitas... Uma amiga minha pediu para a seguir no instagram (perfil que ela tem privado) mas ela nunca aceitou. Mais tarde a mesma amiga pediu para seguir o que eu achava ser o ex namorado dela no instagram (também perfil privado), ele aceitou... Resultado? São namorados.
                Mais uma vez investi o meu tempo iludida numa rapariga heterossexual, que ainda por cima tem namorado há anos... Deixei-me levar por falsas esperanças, por coisas que aparentemente são banais no mundo da heterossexualidade...


                Vi-a duas vezes depois de saber isso, a primeira ela não me falou, o que me fez ficar na dúvida que ela sabia de alguma coisa, mas como ia saber se a minha amiga nunca aceitou o pedido do namorado dela? Será que ela ainda estava chateada comigo pelo que tinha acontecido da última vez? Da segunda vez ela falou-me bem e percebi que ela estava a provocar alguns dos momentos que costumavam acontecer entre nós, como os olhares e algumas conversas... Eu não consegui olhar para ela, não consegui falar com ela sem ser no contexto profissional que me levou lá. Ela perguntou-me várias vezes que se passava, aproximou-se de mim, mas eu não conseguia e acaba por a afastar, por sentir um certo asco do que se estava a passar. Por me ter deixado iludir e não me ia deixar iludir mais. E mesmo que eu estivesse certa, e que em algum momento ela tivesse tido segundas intenções, eu não volto a descer tão baixo, mereço mais que isso. Fiquei magoada, agora se foi comigo ou com ela? Não sei...


                É assim que termina esta história. Tinha esperança que o desenrolar fosse mais emocionante mais foi só mais uma desilusão na minha vida, mais uma hetero a dar falsas esperanças e que provavelmente é "inocente" ao ponto de nem ter noção de que as estava a dar. É por estas e por outras que odeio ser homossexual. Não podia ser mais fácil?

                  Desabafos LGBT...
                  #4328

                  Offline marshaia

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                  • ''Be like a proton, and be positive''
                  Ao longo da nossa vida, do nosso dia a dia, vamos conhecendo n pessoas, reparamos em algumas noutras nem tanto...
                  Andar no secundário e ser lésbica é complicado, porque não podemos chegar simplesmente à beira de uma rapariga e dizer: Olá, és mesmo gira! Podemos sair um dia destes?
                  Às vezes dou por mim a ter inveja daqueles rapazes que se quisessem poderiam simplesmente chegar à beira da rapariga e convidá-la para sair, mesmo que ela rejeitasse nunca seria chocante, porque é o 'normal', um rapaz pedir a uma rapariga para sair.
                  Entro e saio da escola sem ser notada, acho que nunca ninguém por quem eu me interessasse iria sentir o mesmo por mim.
                    Can I run to somewhere beautiful where nobody knows my name?

                     

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