rede ex aequo

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Autor Tópico: Eventos do Orgulho LGBT 2004  (Lida 18497 vezes)

 
Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
#60

Serei eu mesma?

  • Visitante
Eu não sai do armário e sinto o orgulho.
Há uns anos, quando tive consciencia de que havia algo de diferente em mim, que era homossexual, se calhar cheguei a sentir algum desprezo por mim mesma.... do genero, tanta gente no mundo, porquê logo eu??!! E na altura não percebia o significado do orgulho referido por tant@s... Hoje sinto-me bem por ser como sou! Sinto-me orgulhosa! Por ter ultrapassado obstaculos colocados por mim mesma, por me aceitar como sou, por ser quem sou, por sentir que de algum modo posso dar o meu contributo para que outr@s também possam sentir o mesmo, mesmo dentro do armário! (quando era miuda muitas vezes amuava e fechava-me no armário... ;D hoje em dia é mais dificil)
Tudo isto para dizer que percebo perfeitamente o significado de orgulho, subscrevo as palavras da bluejazz, mas mais do que explicar o seu significado, senti-lo faz realmente a diferença!

Claro que mesmo assim nem todos os dias penso do mesmo modo, há dias dificeis, há noticias e medidas que me aborrecem e desiludem e quando me sinto menos orgulhosa, dou uma voltinha pelo forum, por alguns blogs e deixo-me contagiar pela alegria de poder seguir o meu caminho! ::)


    Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
    #61

    Offline barthez

    • *****
    • Associad@ Honorári@
    • Membro Vintage
    • Género: Feminino
    • k os números nunca te façam eskecer as pessoas
    a mim tb sempre me fez (e faz) impressão a palavra ORGULHO... :inq isso porque considero realmente a minha homossexualidade como uma característica minha igual às outras... :D

    mas percebo que o significado não é acharmos que somos melhores que os outros mas sim uma espécie de oposição à vergonha... porque acho, x-pression, que há muita gente com vergonha de ser gay e mesmo alguns que não tem vergonha (como eu) ainda tem medo de assumir abertamente com medo das consequências da homofobia (do tipo, eu não tenho vergonha de ser assim mas quero evitar levar uma carga de porrada ou ouvir bocas homófobas ou dar um ganda desgosto a alguém) :(

    e... claro... PRIDE soa muito melhor... ;) :P
      "people should be allowed to fall in love with whoever they want! I mean... otherwise what's the point of living?!" once and again

      Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
      #62

      Offline x-pressiongirl

      • ****
      • Membro Sénior
      • Género: Feminino
      • Olá, nós somos os ursinhos maus!
        • sembikini
      Como disse, esta palavra tem um significado muito abrangente, e a meu ver denota sempre uma superioridade imaginária, típica dos que se sentem inferiorizados.
      achas q há arrogancia em quem pede para ser tratado como igual?!?
      Se pedimos para ser tratados de forma igual, estamos a reivindicar uma certa diferença. Pelas respostas de alguns gays, percebo que esse "orgulho" é mesmo um veneno.

      há uma coisa q me espanta entao... como é q tu participas num evento, o qual nem entendes... se n sabes o q defendes, vais só para passear pela av. da liberdade?!
      Eu nunca disse que não entendia o porquê deste evento. Porque, na verdade, entendo-o, penso que faz algum sentido relembrar a revolta de Stonewall e mostrar à sociedade e a nós mesmos que não somos só meia dúzia de pessoas, que somos muitos e que é importante reivindicarmos alguns direitos que não temos plenamente, enquanto homossexuais (temos quase todos, mas ainda há algumas coisas que nos faltam). Da mesma forma que participo em manifestações por um ensino superior universal e gratuito, porque sinto que há coisas que nos faltam enquanto estudantes também, participo na Marcha Gay.
      É importante para muitos gays que acabam de "sair do armário" sentirem-se unidos, eu senti muito isso na primeira marcha em que participei. Mas não me senti orgulhosa, senti-me alegre. É importante este sentimento de pertença, as pessoas gostam destes rituais que nos aproximam de pessoas com interesses similares. Por exemplo, odeio futebol mas compreendo que para uma pessoa que goste de futebol seja diferente assistir a um jogo em casa, ou no próprio estádio. Na marcha gay é a mesma coisa.
      O que me faz confusão é mesmo a palavra orgulho, e não a marcha, porque essa faz todo o sentido Marcha do Orgulho Gay é um nome um tanto perigoso e pretensioso. Participo na Marcha e continuarei a participar enquanto tiver vontade para fazê-lo porque identifico-me com as causas pelas quais a comunidade gay tem vindo a lutar, apesar de considerar que a palavra Orgulho está ali a mais.
      saudações x-pressivas  :-*
      x-pressiongirl  8)
        "In Europe, it doesn't matter if you're a boy or a girl. We make love with anyone we find attractive."
        M. Dietrich
        "Apareço para ter sexo contigo às cinco. Se me atrasar, começa sem mim"
        Tallulah Bankhead
        "O que eu uso na cama? Chanel nº 5, é claro"
        M. Monroe  http://sembikini.blogspot.com

        Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
        #63

        Offline barthez

        • *****
        • Associad@ Honorári@
        • Membro Vintage
        • Género: Feminino
        • k os números nunca te façam eskecer as pessoas
        é engraçado... mas eu acho que realmente senti (mais o ano passado, que foi a primeira vez que tive na marcha, do que este ano) orgulho durante a marcha... orgulho de tar ali, de mesmo com medo de ser filmada conseguir desfilar, orgulho por não me deixar abater com o facto de ser homossexual, orgulho de não querer viver a vida escondida, orgulho em mostrar que não sou anormal... :D

        agora que penso bem foi isso que senti... ORGULHO! :P 8)
          "people should be allowed to fall in love with whoever they want! I mean... otherwise what's the point of living?!" once and again

          Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
          #64

          moon_angel

          • Visitante
          a mim tb sempre me fez (e faz) impressão a palavra ORGULHO... :inq isso porque considero realmente a minha homossexualidade como uma característica minha igual às outras... :D



          sera q se devia substituir a palavra orgulho, por NATURAL?!

          nao soaria tao bem, mas eu sinto NATURALIDADE em ser homossexual.. :)

            Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
            #65

            Offline Web_boss

            • ****
            • Membro Sénior
            • Género: Masculino
              • Simplesmente Gay
            A Opus Gay apareceu há puoco tempo a dizer num jornal, creio que era o Publico, que so em Lx e arredores proximos havia 100 mil homo e bis inscritos na associação, e depois a marchar aparecem so 400 pessoas... da que pensar...

            É falso. Segundo números da PSP presentes estiveram 3500 pessoas. A marcha cresceu em relação ao ano passado e correu muito bem. Mal foi a cobertura mediática para a qual a Opus Gay muito contribui para estragar infelizmente.

            E falar de 100.000 inscritos na associação é-me impossível crer nesses números, mas enfim, lá sabem, se isso foi dito realmente (embora eu também tenha lido o Público e não vi essas afirmações lá).


            Isso dos 100 mil ñ foi recente, ja li ha muito tempo atras, mas como achei um numero grande demais ficou-me na memória, isso ja tem tempo.
            Por outro lado, na TV vi que tinham ido paenas 400 pessoas e não 3500, lembro-me de na TVI ate ter falado uma membro da ex-aequo

            Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
            #66

            Offline C0XINHA

            • *****
            • Associad@
            • Membro Ultra
            • Género: Feminino
            • .: A vida é dura para quem é mole :.
            Responder
            sera q se devia substituir a palavra orgulho, por NATURAL?!

            lol

            "marcha do natural lgbt" e com o calor todo vamos todos ainda + nus huhuhu :P
              "Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso, ando cada vez mais só." CFA

              Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
              #67

              Offline bluejazz

              • *****
              • Associad@ Honorári@
              • Membro Vintage
              • Género: Feminino
                • Homofobia
              Isso dos 100 mil ñ foi recente, ja li ha muito tempo atras, mas como achei um numero grande demais ficou-me na memória, isso ja tem tempo.
              Por outro lado, na TV vi que tinham ido paenas 400 pessoas e não 3500, lembro-me de na TVI ate ter falado uma membro da ex-aequo

              Justamente o que dizia, os nºs da TVI não são verídicos. E na TVI não apareceu uma só pessoa da rede ex aequo a falar, mas duas (excepto que uma não foi identificada). ;)
                "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

                Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
                #68

                Offline Planta xerófila

                • *****
                • Membro Elite
                • Género: Feminino
                x-pression... q sei eu q nunca sequer vi uma marcha, mas nao me parece sinceramente q ela tenha o proposito de recordar os eventos de stonewall, o q faz isso é a escolha do dia... acho q n é uma preocupaçao de quem nela participa, sinceramente...
                qt ao resto do teu post, entao assim já concordo ctg... nao tinha percebido q estavas a falar apenas do significado perigoso da palavra (q tb acho q o tem), pensei q estavas a implicar q alem da palavra, era tb o sentimento q unia as pessoas no evento.
                  A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

                  O c antes do e e do i não[/u] leva cedilha!!!!

                  Re:Eventos do Orgulho LGBT 2004
                  #69

                  moon_angel

                  • Visitante
                  Responder
                  sera q se devia substituir a palavra orgulho, por NATURAL?!

                  lol

                  "marcha do natural lgbt"


                  devia ser mais MARCHA NATURAL GAY! :) lol

                    Re:Notícias LGBT
                    #70

                    Offline Lingo

                    • **
                    • Membro Júnior
                    A Interrogação do Orgulho ou a Afirmação do Arco Íris?

                    Sobre a Marcha Gay em Lisboa

                     

                    Quero dizer a Esther Mucznick que julgava começar bem o dia quando li, a 25 de Junho passado, o seu artigo de opinião no Público intitulado Orgulho (?) “Gay”. Julgava que sim, por sempre ter considerado úteis as palavras com que nos tem presenteando em representação da sua comunidade. Conciliados o seu nome e o título do referido artigo, precipitei-me ao achar que alguém com essa capacidade de representação a todos, “cidadãos de um país livre e democrático” como diz, trouxesse um bocadinho de luz sobre a tanta escuridão em que ultimamente nos temos perdido e agrilhoado ao falar de orientações sexuais. Depois o café que acompanhava a minha leitura foi azedando e pedi um outro, ou para ver se conseguia ler em jeito mais doce o que dizia ou para me certificar se estaria suficientemente acordado para tentar encontrar sentido na incoerência e na desadequação das suas palavras. Não consegui. Tenho francas dúvidas sobre a exactidão da sua percepção de liberdade e de democracia: jamais me aventuraria a dizer que não se sente livre e democrata, mas sei que a forma como o exprime em registo escrito de nada vale. Pior: no caso das considerações que tece ao movimento lésbico, gay, bissexual e transgender (LGBT) está seguramente distante da história e dos propósitos que o têm regido. O que dá origem ao seu artigo é algo que seguramente não percebeu: diz e muito bem que há direito a que nos manifestemos mas, tão curiosamente, desaprova de seguida que o façamos. Porque receia um (virtual) desacato da ordem com base numa movimentação pública onde certamente nunca esteve, mas onde certamente também nunca a desordem se instalou, como saberia se por lá alguma vez tivesse estado. O que tentamos em cada marcha, isso sim, é que essa ordem se faça realmente inclusiva, que de uma vez por todas nos coloque lado a lado, e que o espaço se tinja de cores, para que o céu não volte a constelar-se das cinzas em que acaba(ra)m na história alguns (e não poucos) que tenta(ra)m o direito à figuração nessas cores. Disto saberá certamente mais do que eu, até porque evoca a história nas suas palavras. Mas não sei se sabe que são essas angustiantes e hediondas imagens de cinzas que muit@s de nós lembram, também ao marchar pelas ruas de uma cidade, quando revemos a história da comunidade que a senhora representa. Não sei se sabe que muitos de nós marcham transportando consigo um triângulo rosa, gerado nessas terríveis cinzas (e em tributo aos que as consubstanciaram) que não queremos voltar a vislumbrar no céu de Lisboa ou de qualquer outro lugar. Lembre-se, por favor, que a “ordem” que a tranquiliza, pode reverter-se e aniquilar (pela viva alma do fogo e do crime e/ ou pela violentíssima regra do silêncio) muitos de nós, que ao querem apenas dizer “também estamos aqui”, podem ser desfeitos num pó, que tem muito mais de terreno e de quotidiano do que de celeste e contra o qual não vamos deixar de lutar.

                    Ainda me restava uma esperança: a de que o ponto de interrogação que colocava a seguir à palavra “orgulho” nos esclarecesse. Mais uma vez, enganei-me: interrogou, mas respondeu mal. Também não sei se sabe que de há longa data muit@s de nós (activistas, investigadores, quem quer que seja que pensa e reflecte sobre a necessidade de afirmarmos a nossa existência) vem tentando fazer perceber que a semântica que reveste a citada a palavra não é pacífica. Se por um lado nos debatemos com a inexistência de um vocábulo português que dê a “pride” um sentido idiomático tão dignificante e elucidativo quanto encontramos na origem lexical desta última palavra (e bem vinda seja se nos oferecer alternativas), por outro continuamos a encontrar sentido na utilização de “orgulho”. Não se choque, minha senhora, porque o único sentido que lhe atribuímos é o de nos sentirmos tão pouco envergonhados como devem sentir-se (nomeados seus) “ciganos, deficientes, negros ou judeus” e (acrescento) qualquer ser humano. É pena, pois, que diga que a diferença é característica da democracia, que é uma realidade irrecusável e que, mais adiante, queira cobri-la com uma burca. Que queira defender o que, por decorrência lógica, não se defende: a diferença contemplada numa lei igual para todos. Ao contrário do que julga ser uma solução, não é um todo coerente que queremos, mas um todo que se pinta de cores, esbatidas como num arco-íris, de que temos feito bandeiras. Nas anteriores marchas teria visto muitas destas bandeiras, e se olhasse mais de perto, perceberia que nenhuma das seis cores que as pintam se sobrepõe às restantes. Não há uma cor mais saliente que nos distinga e se algum defeito as bandeiras têm é a de não poderem ser de tamanho infinito para que nela caibam as categorias identitárias que nomeia no seu artigo e todas as outras que a estas se queiram juntar. O que sabemos é que a nossa “escultura interior” se valida com os outros: estou em profundo desacordo consigo quando pretende que nos fechemos nesse interior, porque francamente me parece que dentro de mim mais beleza pode existir se moldada num beijo sem vergonha, numa conversa sobre as minhas alegrias e dificuldades conjugais, nos problemas e nas conquistas dos meus filhos, na plenitude que a todos nós deve ser oferecida, orientações sexuais à parte. É apenas essa troca que queremos tornar pública, politicamente legitimada e celebrada numa marcha que socialmente nos enriquece e nos torna efectivamente visíveis. Acho que melhor entenderia o que “participativo” quer dizer se entendesse que é nesta plenitude humana que queremos, justamente, participar. Há um último desajuste, quando nos fala da necessidade de cumprimento da lei: é que também nós, LGBT’s, a queremos cumprida, desde que contemplativa dessa realidade multicolor. A lei deve servir, acima de tudo e em meu entender, para assegurar que tod@s sejamos felizes (ou pelo menos, não envergonhados) em torno do que queremos ser. É assim que gostaria de ver conciliadas igualdade e diferença. Acho que é assim que o movimento LGBT quererá também.  


                    Nuno Santos Carneiro


                    Psicólogo

                    Doutorando da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto