rede ex aequo

Olá Visitante28.set.2020, 02:32:27

Autor Tópico: Poesia  (Lida 113955 vezes)

 
Poesia
#240

sleepy_heart

  • Visitante
Para aqueles/as devaneios que acontecem em segundos na rua: relacionando com redes sociais e redes sociais virtuais.

Olhei e tentei fazer contacto visual
Mas os teus olhos focavam o ecrã
Provavelmente numa qualquer rede social

Questionei o teu nome
Mas deduziste que o sabia e nem fizeste caso
Por ser tão óbvia a identidade online

Beijei-te na imaginação
Mas não sentiste sequer o sopro do vento
Por estares noutra dimensão

Eu fiz log off do online para te encontrar
Mas tu estás a um metro de mim no log in virtual
Eu fiz log off do online para te abraçar
Mas tu só queres o Pikachu e o Bulbasaur
Eu quis "desonliner-me" do mundo virtual
Para um espaço real entre ti e mim encontrar







    Poesia
    #241

    sleepy_heart

    • Visitante
    Dentes inexistentes para que não roam a placenta acolhedora
    Nem o cordão umbilical de ligação
    Acabam por nascer a posteriori
    No mundo cá fora
    E tanto há que roer, desde gelados até ao momento de f****
    Na vida, assim despida, mas não de complexos
    E onde uns roem a alma, outros mordem corpos nus
    E as marcas desaparecem como qualquer outra que não deixe cicatriz;

    E quão difícil deve ser para quem andou connosco dentro
    Imaginar que se nos afundem barcos pelo nosso mar aberto,
    Qual mar vermelho, qual Moisés... que já há poucos,
    e se nos penetram, só se for por mera coincidência.
    « Última modificação: 2 de Outubro de 2016 por sleepy_heart »

      Poesia
      #242

      sleepy_heart

      • Visitante
      E a alma triturada que opção tem? Tantas, não vês?
      Podes comê-la à colherada,

                                                                                                                             atirá-la à parede a ver se cola.

      Acender-lhe um fósforo e verificar se explode.

                                                              Tentar prender-lhe um cordel, duvidando que segure, mas sempre ficas entretido/a uns segundos.


      Ou leva-a na mesma dentro de ti sem lhe fazeres nada.

      Um dia pode ser que volte a secar e não escorra por ti abaixo.                Um dia volta a ganhar consistência e deixa de ser essa papa mole

      que trazes contigo.

                                                         Mas olha, um conselho, que deixe de ser papa mas...



                                                                   que não se torne cimento impenetrável.
      « Última modificação: 4 de Outubro de 2016 por sleepy_heart »

        Poesia
        #243

        sleepy_heart

        • Visitante
        Lume brando, onde já pegou fogo ardente
        Água natural, em vez de aguardente
        De alma em alma, coração marcado a tinta permanente
        Onde já só ela permanece, nomes que ficaram,
        Corpos que vieram, se vieram, e se foram,
        Sentimentos ainda pouco gastos, tão gastos de si,
        Calma, maré vazia, alma cheia de tudo e de nada,
        Cheia de si e não afundada.

          Poesia
          #244

          lírica

          • Visitante
          Entre mim e mim, há vastidões bastantes
          para a navegação dos meus desejos afligidos.

          Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
          Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

          Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
          só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

          Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
          Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
          e este abandono para além da felicidade e da beleza.

          Ó meu Deus, isto é minha alma:
          qualquer coisa que flutua sobre este corpo efémero e precário,
          como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…


          A Autora de:
          (...)Mas a vida, a vida, a vida,
          a vida só é possível
          reinventada.

            Poesia
            #245

            sleepy_heart

            • Visitante
            Foi de mim ou do perfume?
            Teria eu outro aroma e poderia ter sido diferente?
            De que flores gostas?
            E porque gostas delas?
            A essência, o aroma, ou a aparência?
            Os olhos, os lábios, o sorriso...
            Terias gostado de tudo isso
            Se eu tivesse outro perfume?
            E as palavras? Doces ou amargas?
            Como preferes o café?
            E se eu tocasse piano, ou jambé?
            O ritmo e o compasso de espera que não houve?
            O amor é sentido nos sentidos,
            e depende só disso.
            Vou para longe, mas e os cheiros?
            Não, não creio que o mesmo perfume noutra pessoa tenha o mesmo efeito.
            A pele, é a mistura do perfume com o cheiro da pele.
            Todas são diferentes.
            O cheiro natural comanda? Comandará? Quem saberá?

              Poesia
              #246

              Offline Spektrum

              • *****
              • Membro Vintage
              • Género: Feminino
              • [P]oiesis.
              Presságio
               
              O amor, quando se revela,
              Não se sabe revelar.
              Sabe bem olhar p'ra ela,
              Mas não lhe sabe falar.
               
              Quem quer dizer o que sente
              Não sabe o que há de dizer.
              Fala: parece que mente...
              Cala: parece esquecer...
               
              Ah, mas se ela adivinhasse,
              Se pudesse ouvir o olhar,
              E se um olhar lhe bastasse
              P'ra saber que a estão a amar!
               
              Mas quem sente muito, cala;
              Quem quer dizer quanto sente
              Fica sem alma nem fala,
              Fica só, inteiramente!
               
              Mas se isto puder contar-lhe
              O que não lhe ouso contar,
              Já não terei que falar-lhe
              Porque lhe estou a falar...

              Fernando Pessoa
              24/04/1928
                “Always be a poet, even in prose.”
                ― Charles Baudelaire

                Poesia
                #247

                Offline Sinvastatina

                • **
                • Membro Júnior
                • Género: Feminino
                • Vegetariana, Praticante de Yoga, Adoro ler.



                [size=17px !important]Their frail deeds might have danced in a green bay,
                Rage, rage against the dying of the light.

                Wild men who caught and sang the sun in flight,
                And learn, too late, they grieved it on its way,
                Do not go gentle into that good night.

                Grave men, near death, who see with blinding sight
                Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
                Rage, rage against the dying of the light.

                And you, my father, there on that sad height,
                Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
                Do not go gentle into that good night.
                Rage, rage against the dying of the light.
                [/size]
                Dylan Thomas
                « Última modificação: 1 de Abril por Sinvastatina »

                  Poesia
                  #248

                  Offline unfold

                  • *
                  • Novo Membro
                  MAR
                  Mar, metade da minha alma é feita de maresia
                  Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
                  Que há no vasto clamor da maré cheia,
                  Que nunca nenhum bem me satisfez.
                  E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
                  Mais fortes se levantam outra vez,
                  Que após cada queda caminho para a vida,
                  Por uma nova ilusão entontecida.

                  E se vou dizendo aos astros o meu mal
                  É porque também tu revoltado e teatral
                  Fazes soar a tua dor pelas alturas.
                  E se antes de tudo odeio e fujo
                  O que é impuro, profano e sujo,
                  É só porque as tuas ondas são puras.


                  Sophia de Mello Breyner Andresen
                    Non non non.

                     

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