rede ex aequo

Olá Visitante10.abr.2020, 10:52:55

Autor Tópico: Poesia  (Lida 110439 vezes)

 
Poesia
#220

ritmo

  • Visitante
"Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco"

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

    Poesia
    #221

    Offline John Falstaff

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    • Novo Membro
    • Género: Masculino
    Charles Baudelaire
    PARFUM EXOTIQUE

    Quand, les deux yeux fermés, en un soir chaud d'automne,
    Je respire l'odeur de ton sein chaleureux,
    Je vois se dérouler des rivages heureux
    Qu'éblouissent les feux d'un soleil monotone;

    Une île paresseuse où la nature donne
    Des arbres singuliers et des fruits savoureux;
    Des hommes dont le corps est mince et vigoureux,
    Et des femmes dont l'oeil par sa franchise étonne.

    Guidé par ton odeur vers de charmants climats,
    Je vois un port rempli de voiles et de mâts
    Encor tout fatigués par la vague marine,

    Pendant que le parfum des verts tamariniers,
    Qui circule dans l'air et m'enfle la narine,
    Se mêle dans mon âme au chant des mariniers.

      Poesia
      #222

      Offline Sappho

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      Amor:
       
      Ensina-me o tempo que passa devagar
      a festa, o canto e o riso

      Embala-me
      até me dissolver no teu abraço
      como se só houvesse este momento
      em todos os momentos que hão de vir

      E dá-me as tuas mãos e o teu corpo
      para sentirmos de novo
      a fome e a ânsia de nos termos

      Ensina-me a vida
      e o espanto, encanto do começo
      e deixa-me o gosto de te amar.

       

      Ângela Leite in «Metáforas Sobre o Amor»
        I have the choice of being constantly active and happy or introspectively passive and sad. Or I can go mad by ricocheting in between.

        Sylvia Plath, The Unabridged Journals of Sylvia Plath

        Poesia = Jogo de palavras?
        #223

        Offline Spektrum

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        • [P]oiesis.
        Antes de mais, congratulo-te pelo tópico! ;) Acho sempre interessante um bom debate. Então se tiver um dos meus interesses à mistura, melhor ainda. :)

        Um bom jogo de palavras pode ser considerado poesia?
        Acham que aquilo que distingue a poesia é essencialmente uma boa sucessão de rimas?
        A poesia tem de ser um texto obscuro por natureza ou tem de ser claro o suficiente para o leitor perceber de que trata o poema sem andar com grandes rodeios?
        Respondendo às questões, e aproveitando para complementar o que o ErXdan enumerou, pois concordo em grande parte, penso que a poesia é o bom uso e abuso de todo e qualquer recurso de estilo. Desde a metáfora (que o ErXdan apresentou, p. ex.) às aliterações (frequentes em Álvaro de Campos), qualquer recurso estilístico que encha a mais simples frase de expressão, para mim, é Poesia.

        Embora aprecie a poesia cantada e os sonetos, não tomo uma boa sucessão de rimas como factor essencial à produção da mesma. Muita da poesia que conhecemos nem rima, e não é por isso que deixa de ser poesia. E muita dela é clara e objectiva, na sua subjectividade. Deixo o exemplo de um poema curto e claro, mas, ao mesmo tempo, tão cheio de sentimento.

        Ausência

        Num deserto sem água
        Numa noite sem lua
        Num país sem nome
        Ou numa terra nua

        Por maior que seja o desespero
        Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

                                  Sophia de Mello Breyner Andresen
          “Always be a poet, even in prose.”
          ― Charles Baudelaire

          Poesia
          #224

          Strings910

          • Visitante
          All that is gold does not glitter,
          Not all those who wander are lost;
          The old that is strong does not wither,
          Deep roots are not reached by the frost.

          From the ashes a fire shall be woken,
          A light from the shadows shall spring;
          Renewed shall be blade that was broken,
          The crownless again shall be king.

          J. R. R. Tolkien in The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring

            Poesia
            #225

            Offline MaL

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            • Novo Membro
            • Género: Feminino
            "Passing stranger! you do not know
            How longingly I look upon you,
            You must be he I was seeking,
            Or she I was seeking
            (It comes to me as a dream)

            I have somewhere surely
            Lived a life of joy with you,
            All is recall'd as we flit by each other,
            Fluid, affectionate, chaste, matured,

            You grew up with me,
            Were a boy with me or a girl with me,
            I ate with you and slept with you, your body has become
            not yours only nor left my body mine only,

            You give me the pleasure of your eyes,
            face, flesh as we pass,
            You take of my beard, breast, hands,
            in return,

            I am not to speak to you, I am to think of you
            when I sit alone or wake at night, alone
            I am to wait, I do not doubt I am to meet you again
            I am to see to it that I do not lose you."

            Walt Whitman

              Poesia
              #226

              Offline pedrosilvaesc

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              Que acham de se fazer um concurso de poesia nos grupos locais?

                Poesia
                #227

                Offline pink panther

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                “I carry your heart with me (I carry it in my heart)I am never without it (anywhere
                I go you go,my dear; and whatever is done by only me is your doing,my darling)
                I fear no fate (for you are my fate,my sweet)I want no world (for beautiful you are my world,my true)
                and it's you are whatever a moon has always meant and whatever a sun will always sing is you

                here is the deepest secret nobody knows
                (here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life; which grows
                higher than the soul can hope or mind can hide)
                and this is the wonder that's keeping the stars apart

                I carry your heart (I carry it in my heart)”
                ― E.E. Cummings
                  i love girls who love girls who love boys who love boys

                  Poesia = Jogo de palavras?
                  #228

                  Offline Malayka

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                  Eu faço poesia, adoro, é uma forma de expressar e soltar a mente e por vezes cria-se uma obra prima (=
                    Esperando o melhor, preparada para o pior.

                    Poesia = Jogo de palavras?
                    #229

                    Offline nevertoolatetobehappy

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                    • Be yourself. Be happy. Be nice.
                      • Tiny Ripple Hope
                    Não vejo poesia como um jogo de palavras, mas sim como uma das formas de expressão mais honestas e difíceis ao dispor do Homem. Está (muito) longe de ser fácil escrever um bom poema, com ou sem rimas. :P

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                      "Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light not our darkness that most frightens us."

                      Poesia = Jogo de palavras?
                      #230

                      iNd

                      • Visitante
                      Acho que poesia e' bem mais que um jogo de palavras. A poesia pode rimar ou nao. Ate pode ser em prosa. A poesia tem que ir ao mais fundo de nos. Dizem que poetas e psicologos (mas tambem romancistas) poem em palavras aquilo que nos nao sabemos exprimir. O indizivel, quase.

                      Ha muitos poetas populares, alguns fazem apenas jogos de palavras que nao tem qualidade nenhuma. Uma das raras excepcoes foi o Aleixo. Tambem nao gosto das rimas do rap.

                      O meu poeta preferido e' o Mario de Sa-Carneiro. Mas tambem o Fernando Pessoa, claro.
                      « Última modificação: 3 de Novembro de 2014 por iNd »

                        Poesia
                        #231

                        Nutopia

                        • Visitante

                          Poesia
                          #232

                          Hiraeth

                          • Visitante


                           [smiley=enamorado.gif]

                            Poesia
                            #233

                            diabo_a_quatro

                            • Visitante
                            Desaparecido


                            "Sempre que leio nos jornais:
                            «De casa de seus pais desapar’ceu...»
                            Embora sejam outros os sinais,
                            Suponho sempre que sou eu.

                            Eu, verdadeiramente jovem,
                            Que por caminhos meus e naturais,
                            Do meu veleiro, que ora os outros movem,
                            Pudesse ser o próprio arrais.

                            Eu, que tentasse errado norte;
                            Vencido, embora, por contrário vento,
                            Mas desprezasse, consciente e forte,
                            O porto do arrependimento.

                            Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
                            - Livre o instinto, em vez de coagido.
                            «De casa de seus pais desapar’ceu...»
                            Eu, o feliz desaparecido!"

                            Carlos Queirós
                            In Desaparecido e Outros Poema

                              Poesia
                              #234

                              sleepy_heart

                              • Visitante
                              Há serenidade no amor,
                              eu apenas não o conhecia bem antes de te conhecer.

                              Não me dás voltas às entranhas nem me aceleras o coração. Ele espera.
                              Sintomatologia assim não é de amor, é de paixão.

                              Nem o meu corpo implora pelos teus dedos
                              Nem por fora a passarem pela pele
                              Nem por dentro a enterrarem-se na carne do prazer. Ela espera.

                              É a minha alma que se transforma quando te vê e não o meu corpo.
                              Despes-me por dentro as roupas que ninguém me soube tirar
                              Enquanto me despiam com a ânsia de estarem perante um tesouro...
                              não viram que o melhor tesouro não se vê nem se apalpa.

                              Apagaram as luzes
                              ou desviaram o olhar
                              para fugirem dos meus olhos no momento de me treparem por dentro
                              Poucas foram as que me olharam nos olhos.

                              Tu, sem precisares de me saciar para me sentir saciada,
                              Apenas com a tua presença conseguiste despertar-me a alma
                              E há tanto tempo que ela dormia um sono profundo

                              Não precisaste de me despir por fora nem de me tocar o corpo por dentro
                              Quando a minha alma viu a tua percebeu que vales mais por dentro que todas as modelos por fora
                              O corpo pode ser tentador e belo mas é um acessório
                              Pudesse eu ter um abraço teu;
                              Pudesse eu despir a roupa e mergulhar no corpo de todas as mulheres bonitas para além de ti.
                              Escolheria o teu abraço.

                              O meu corpo sente tanto como carne de talho – sei que por ti jamais será tocado.
                              Não me interessa mais a multiplicidade orgástica que sentia no jogo de carne com carne
                              Porque os melhores orgasmos tenho-os dentro da alma quando me sorris.

                              « Última modificação: 3 de Agosto de 2016 por sleepy_heart »

                                Poesia
                                #235

                                sleepy_heart

                                • Visitante
                                Há noites que não acabam nem cansam
                                Tal é a ânsia de um novo amanhecer
                                E enquanto as estrelas dançam
                                Vou a casa e volto para a rua só para a ver
                                Essa lua, destemida, brilhando sem se intimidar pelo negrume do mundo e da vida
                                Oferece luz a quem caminha, nas ruas da noite por ela iluminada
                                Aguardo com sono a mudança da roupagem do ontem para amanhã
                                Não sei de nada, sem ontem nem hoje não há data
                                E daqui a nada a lua que não se apaga vai para outro lugar
                                E o sol trará com ele luz para substituir o luar
                                E neste jogo de trocas e baldrocas, nada se troca, na verdade, tudo vai e vem
                                Adormeço, estremeço quando acordo num banco de jardim
                                Logo percebo que não quis ir à cama para ter um dia de uma noite de um dia sem fim


                                « Última modificação: 18 de Agosto de 2016 por sleepy_heart »

                                  Poesia
                                  #236

                                  sleepy_heart

                                  • Visitante
                                  Ofélia esperava à janela
                                  De jantar na mesa
                                  E ele sem vir
                                  Noutra mesa estava,
                                  Na do café,
                                  Sem a sentir.

                                  Fernando entretido a escrever
                                  Arte com prazer, na companhia de absinto
                                  Não dava pelo tempo correr
                                  Ditados da alma sobre "sinto" e "não sinto"
                                  Acredito que nem ele soubesse o que queria dizer

                                  Um dos muitos dos que eram ele
                                  Escrevia a Lídia
                                  E enquanto não se decidia
                                  Enlacemos, desenlacemos,
                                  O jantar arrefecia

                                  Outro tal se ia perdendo na natureza
                                  Sem filosofia nem princesas
                                  Não se encontrava mas achava que não se perdia
                                  Sendo poeta negava poetas
                                  Era tudo isso a que se permitia

                                  E Álvaro, que revisitou Lisboa
                                  Percebeu que não era nada na tabacaria
                                  Mas tudo acabou bem ao reencontrar Esteves
                                  E de sorriso em sorriso
                                  Sem ideal nem esperança o universo de refez

                                  Ofélia, casada com tantos num só
                                  Nem um tinha para ela só
                                  Jantava só e esperava à janela
                                  Pessoa, de tantas pessoas, deixou poemas de amor sem saber amar a única mulher.

                                  (sleepy_heart)
                                  « Última modificação: 28 de Agosto de 2016 por sleepy_heart »

                                    Poesia
                                    #237

                                    maybe1day

                                    • Visitante
                                    "Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto. E eu imaginava esta pessoa, imaginava que ela também estivesse lá pensando em mim. Bom, espero que se você for essa pessoa e estiver lendo isto, saiba que sim, é verdade, estou aqui! Sou estranha como você."

                                      Poesia
                                      #238

                                      strong

                                      • Visitante
                                      "Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto. E eu imaginava esta pessoa, imaginava que ela também estivesse lá pensando em mim. Bom, espero que se você for essa pessoa e estiver lendo isto, saiba que sim, é verdade, estou aqui! Sou estranha como você."

                                      Frida?? ADORO a frida...

                                        Poesia
                                        #239

                                        sleepy_heart

                                        • Visitante
                                        E eis que a castidade por vezes invade de forma mais grave o corpo nu presente mas tão ausente de si do que mastros empunhando certas vontades! Mecanismos cerebrais que não deixam ir nem vir(se) porque o coração é feito de carne viva e não quer que outras carnes do mesmo corpo se enlacem na dança louca e frenética que o sexo sem amor é. Orgasmos? Orgasmos? Bloqueios. Bloqueios não os têm os asnos, esses, sim, animais, jorram de si o que têm por não saberem dar mais.
                                        « Última modificação: 11 de Setembro de 2016 por sleepy_heart »

                                           

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