rede ex aequo

Olá Visitante10.jul.2020, 00:59:44

Autor Tópico: Poesia  (Lida 111763 vezes)

 
Poesia
#20

Angel of darkness

  • Visitante
Lol...não digas isso...é que me inspiraste-me...não no sentido de que o conteúdo dos poemas é para ti!!!! mas no sentido de me fazer querer espremer a minha cabecinha para fazer mais qualquer coisa  :´

Miguel Torga, que não tem nada a ver com o estilo de coisas que escrevo e AINDA BEM!!!!!!!!, é simplesmente fenomenal! Uma vez li uma antologia dele e dava vontade de dormir com o livro e lê-lo antes de fechar os olhos, é senhor é do melhor que o mundo trouxe à vida!



    Poesia
    #21

    Offline be free

    • *****
    • Membro Ultra
    • Género: Feminino

    Lol...não digas isso...é que me inspiraste-me...não no sentido de que o conteúdo dos poemas é para ti!!!! mas no sentido de me fazer querer espremer a minha cabecinha para fazer mais qualquer coisa  :´



    hehehe...às vezes precisamos que puxem por nós e nos incentivem..continua!! é só o que te digo...escreves muito bem...aproveita esse dom que tens.

    Em relação a Miguel Torga, não o conheço muito bem...gosto de alguns poemas...tal como outros poetas/escritores, não os conheço muito bem...gosto de alguns poemas vá... ;D Para eu gostar de algum poema tenho que senti-lo digamos enquanto o leio..não estar relacionada com eles de alguma forma mas..não sei explicar ..senti-los...sentir emoção quando os leio...sentir alguma coisa de todo quando os leio...se o poema a mim não me diz nada nem me faz sentir nada ou pensar em nada..não funciona comigo  :P
      "Love doth know no fullness nor no bounds" - John Keats

      Poesia
      #22

      Offline Araujo

      • ****
      • Membro Sénior
      • Género: Feminino
      • Smile!
      Gritei “amor” ao mar
      Mas o grito perdeu-se nas ondas vazias
      Gritei “amor” ao céu
      Numa voz que a brisa calma abafou
      Gritei “amor” ao mundo
      Mas ninguém me ouviu, ninguém parou
      Porquê esperar, então,
      Que por gritar “amor” tu responderias?

        Poesia
        #23

        Offline carolas

        • *****
        • Membro Ultra
        • Género: Feminino
        17 de Maio

        Infelizmente a homofobia é vital
        numa sociedade desigual, anormal
        mas não faz mal porque nós somos lutadores
        portadores de uma força consciente, omnipresente
        Que não mente, apenas sente uma injustiça descomunal
        que não devia ser aceitável, pois não é saudavel
        mas é palpável no papel onde escrevo
        e descrevo esta mentalidade retrógrada
        que não evolui, só polui esta sociedade
        neste sistema de falsidade extrema

        Tens pena, aguenta
        enfrenta esses estupores ditadores
        abusadores do poder que não conseguem ver
        que nós também traímos, sofremos, amamos
        mas continuamos a ser alvo de chacota
        daí esta revolta liricista, bombista
        a todos esses opressores
        que nos fazem crer que nao é este o modo de viver
        entao porquê nascer ?

        Num mundo que quer proclamar a paz
        mas que nao é capaz de reivindicar a liberdade
        que faz parte da saudade
        pois não consegue resistir a esses tiranos
        que insistem em prosseguir com penas de morte
        enquanto nós assistimos de camarote
        sem dizer stop

        Estás a perceber ou precisas de um desenho para entender
        que não devemos condenar sentimentos
        por mais estranhos que pareçam
        ou pensam que eu tambem nao me debati
        resisti, tentei fugir
        mas não consegui, pois compreendi
        que é isto que eu quero, procuro e venero
        mas que por enquanto está no papel
        porque voçes ainda pensam como o Fidel
        que apesar de ser um fantasma
        continua a espalhar a sua mensagem
        condenável, mas imparável
        por um sistema programado
        que não irá ser parado
        até ser feita a revolução de Maio
        sem Mil Águas passadas, até hoje inacabadas


        Nao tragam armas para a revolução

        Só o amor é a solução

        Ou pelo menos é esta a nossa ilusão...

         

        O importante é não desistir de lutar

        E procurar repor a igualdade

        Não importa a idade , raça, religião ou sexo

        Vive o Amor e vive a Vida!

         

        Diz não ao preconceito e a tudo o que fomenta a discriminação

        Já disse e repito, essa não é a Solução

          "Rap is something we do, Hip Hop is something we live"

          Poesia
          #24

          Offline be free

          • *****
          • Membro Ultra
          • Género: Feminino
          Deixa-me ainda, amor, debruçar-me em teu rosto,
          para ver se te acordo ao menos um instante;
          e, ao cingir num abraço o teu corpo já morto,
          ver se voltas a ser o meu jovem amante...

          Dá-me só mais um beijo, o último de todos
          - mas que seja igualmente o beijo mais perfeito! -
          para que a tua alma, exilada do corpo,
          eu a possa guardar no fundo do meu peito...

          Hei-de beber-te assim a vida que te resta,
          julgar que inda conservo o que afinal perdi,
          enquanto noutro reino, entre sombras funestas,
          um implacável deus me separa de ti.

          Agora não duvido: esse deus é mais forte,
          piois tudo quanto é belo acaba à sua sombra.
          Porque sou imortal? Porque não vem a morte
          arrastar-me também para onde te encontras?

          Bíon  séc.III a.C Grécia  "Os dias do Amor- um poema para cada dia do ano" - compilação de poemas de amor...
            "Love doth know no fullness nor no bounds" - John Keats

            Poesia
            #25

            Angel of darkness

            • Visitante
            Se conseguires trepar a minha vedação,
            sem te esvaires em sangue, sem mentiras
            Podes ficar com tudo, até com o meu coração
            Eu não em importo que te deixes intimidar,
            Podes chamar-me manupilador ou assim
            Mas se queres ter-me, se me queres?
            Primeiro tens que em salvar de mim!

            lol por mim!

              Poesia
              #26

              Angel of darkness

              • Visitante
              Grostesco

              Por Cury, por Kennedy, pelo tempo em vão
              Eu te bano dos meus sonhos e do meu coração!
              Cheira-te a amor? Mas a mim cheira a queimado!
              Procura um pirómano em vez de mais um amado!

              Agora não rastejes, levanta-te
              Vira-me as costas e caminha
              Para onde, daqui, eu não sinta o teu pulso!
              E se morreres, eu não me culpo,
              Não ardas no mesmo inferno que eu
              Ou faço com que dele eu seja expulso!

              Estas apaixonado?
              (Tens apenas fome)
              Sentes-te magoado?
              (Uma vitima reagiu)
              És falso como o amor de Hussein e Bush
              Dizes ter coração bom, mas é de peluche…


              Não pregues a dor que não sentes a vítima que não és
              Só para teres fieis, iludidos, de volta dos teus pés.
              Lava as mãos cheias de culpa antes de dormir
              E enterras a verdade para ninguém saber que estas a mentir
              És desesperante! Nem as vítimas consegues esconder!

              Decode
              « Última modificação: 22 de Setembro de 2009 por Decode »

                Poesia
                #27

                Offline be free

                • *****
                • Membro Ultra
                • Género: Feminino
                Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
                ou flecha de cravos que propagam o fogo;
                te amo como se amam certas coisas escuras,
                secretamente, entre a sombra e a alma.

                Te amo como a planta que não floresce e leva
                dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,
                e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
                o estreitado aroma que subiu da terra.

                Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
                te amo directamente, sem problemas nem orgulho:
                assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

                a não ser deste modo em que não sou nem és,
                tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
                tão perto que se fecham teus olhos com meu sono.

                Pablo Neruda  "Cien sonetos de amor"
                  "Love doth know no fullness nor no bounds" - John Keats

                  Poesia
                  #28

                  Offline prettyinscarlet

                  • *****
                  • Membro Elite
                  • Género: Masculino
                    • facebook
                  Na vida tudo tem suas fases,
                  Hoje, uma alegria constante
                  Amanhã lagrimas, tristeza e desespero
                  Procura-se então a felicidade constante.

                  Dificil conquista esta
                  A felicidade assim tão curta
                  A tristeza enche nos de lagrimas
                  e depois nosso rosto enxuta

                  Mas o coração esse não
                  ficou despedaçado e magoado
                  A raiva que a tristeza trouxe
                  faz com que não sejas perdoado

                  E assim se foi embora a paixão
                  o carinho o amor
                  tentamos ficar com a amizade
                  e livramo nos do rancor

                  Fico triste por não ser entendido
                  não me sei exprimir
                  tenho pena do que sinto
                  mas não do que quero sentir.
                    Find a place without a single life

                    Poesia
                    #29

                    Dauphin

                    • Visitante
                    Invocação à Noite

                    Ó deusa, que proteges dos amantes
                    O destro furto, o crime deleitoso,
                    Abafa com teu manto pavoroso
                    Os importantes astros vigilantes:

                    Quero adoçar meus lábios anelantes
                    No seio de Ritália melindroso;
                    Estorva que os maus olhos do invejoso
                    Turbem d'amor os sôfregos instantes:

                    Tétis formosa, tal encanto inspire
                    Ao namorado Sol teu níveo rosto,
                    Que nunca de teus braços se retire!

                    Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
                    Até que eu desfaleça, até que expire
                    Nas ternas ânsias, no inefável gosto.

                                                Bocage

                      Poesia
                      #30

                      Offline Boreas

                      • *****
                      • Moderação Sénior
                      • Membro Vintage
                      • Género: Masculino
                      • "Tu és rato!"
                      Quebradas já as minhas correntes,
                      O fio da espada trespassa excruciantemente a minha alma.
                      Fino cordel de sangue desfiado ordenadamente
                      contra este chão de pedra austero.
                      E confrontado com a calidez do rubro veículo interrogo-me
                      Porquê tamanha frieza?

                      É então que me revolto e liberto das palavras,
                      talvez por conselho de amigo,
                      adentrando na essência límbica de que o humano é ser.
                      Lanço-me então na escuridão tacteando,
                      convicto que cegueira é o meu apego à luz da razão.

                      Passo lento e arriscado,
                      temeroso, bem diferente de um soldado
                      e pouco ciente dos obstáculos ao meu caminho.
                      Aqui vou desarmado ao encontro do meu destino.

                      E de passo sensato assim mesmo eu choco,
                      com este Adamastor danado de aspecto regrado
                      que me barra o progresso.

                      É o simples desejo da curiosidade que me aguça,
                      encontrar a abertura deste muro de betão armado.

                      O que estás do outro lado?


                      Acordei?
                      « Última modificação: 27 de Novembro de 2009 por Boreas »
                        Just live!!! WILL POWER HOPE COMPASSION LOVE

                        Poesia
                        #31

                        Offline deep green eyes

                        • *****
                        • Membro Vintage
                        • Género: Feminino
                        • Unicamente Perfeita e Perfeitamente Unica...
                        "Os Meus Versos

                        Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
                        Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
                        Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
                        Que a tempestade os leve aonde for!

                        Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
                        Que volte ao nada o nada de um momento!
                        Julguei-me grande pelo sentimento,
                        E pelo orgulho ainda sou maior!...

                        Tanto verso já disse o que eu sonhei!
                        Tantos penaram já o que eu penei!
                        Asas que passam, todo o mundo as sente...

                        Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!
                        Como se um grande amor cá nesta vida
                        Não fosse o mesmo amor de toda a gente!... "

                        Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
                          " Nunca faça florescer um sorriso dizendo te amo, para mais tarde fazer rolar uma lágrima dizendo me esqueça..." Anónimo
                          "O que mais me dói é saber que eu e você nunca seremos nós..." Anónimo

                          Poesia
                          #32

                          Offline Solitária

                          • *****
                          • Membro Ultra
                          • Género: Feminino
                          Passagem das horas - Álvaro de Campos

                          "Não sei sentir,não sei ser humano,
                          não sei conviver de dentro da alma triste,com os homens,meus irmãos na terra.
                          Não sei ser útil,mesmo sentindo ser prático,quotidiano,nítido.
                          Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
                          Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco,não sei qual,e eu sofri.
                          Eu vivi todas as emoções,todos os pensamentos,todos os gestos.
                          E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
                          Amei e odiei como toda a gente.
                          Mas para toda agente isso foi normal e institivo.
                          Para mim sempre foi a excepção,o choque,a válvula,o espasmo.
                          Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
                          Não sei se sinto demais ou de menos.
                          Seja como for a vida,de tão interessante que é a todos os momentos,
                          a vida chega a doer,a enjoar,a cortar,a roçar,a ranger,
                          a dar vontade de dar pulos,de ficar no chão,
                          de sair para fora de todas as casas,
                          de todas as lógicas,de todas as sacadas,
                          e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."

                            Poesia
                            #33

                            Hal

                            • Visitante
                            A minha amante - Judith Teixeira


                            Dizem que eu tenho amores contigo!
                            Deixa-os dizer!…
                            Eles sabem lá o que há de sublime
                            Nos meus sonhos de prazer…
                            De madrugada, logo ao despertar,
                            Há quem me tenha ouvido gritar
                            Pelo teu nome…

                            Dizem - e eu não protesto -
                            Que seja qual for
                            o meu aspecto
                            tu estás
                            na minha fisionomia
                            e no meu gesto!

                            Dizem que eu me embriago toda em cores
                            Para te esquecer…
                            E que de noite pelos corredores
                            Quando vou passando para te ir buscar,
                            Levo risos de louca, no olhar!

                            Não entendem dos meus amores contigo -
                            Não entendem deste luar de beijos…
                            - Há quem lhe chame a tara perversa,
                            Dum ser destrambelhado e sensual!
                            Chamam-te o génio do mal -
                            O meu castigo…
                            E eu em sombras alheio-me dispersa…

                            E ninguém sabe que é de ti que eu vivo…
                            Que és tu que doiras ainda,
                            O meu castelo em ruína…
                            Que fazes da hora má, a hora linda
                            Dos meus sonhos voluptuosos -
                            Não faltes aos meus apelos dolorosos
                            - Adormenta esta dor que me domina!

                              Poesia
                              #34

                              Kgirl

                              • Visitante
                              "Passei toda a noite", Alberto Caeiro


                              Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela, 
                              E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.   
                              Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, 
                              E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.   
                              Amar é pensar.
                              E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
                              Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. 
                              Tenho uma grande distração animada.
                              Quando desejo encontrá-la
                              Quase que prefiro não a encontrar,
                              Para não ter que a deixar depois.
                              Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.   
                              Quero só Pensar nela.
                              Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
                               
                               

                                Poesia
                                #35

                                Offline withoutimagination

                                • ****
                                • Membro Sénior
                                • Género: Feminino
                                  • Até ao limite da honra...
                                Segredos de Amor - Casimiro de Abreu

                                Eu tenho uns amores - quem é que os não tinha
                                Nos tempos antigos? - Amar não faz mal;
                                As almas que sentem paixão como a minha
                                Que digam, que falem em regra geral.
                                - A flor dos meus sonhos é moça e bonita
                                Qual flor entreaberta do dia ao raiar,
                                Mas onde ela mora, que casa ela habita,
                                Não quero, não posso, não devo contar!

                                Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
                                Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
                                As tranças compridas, qual livre bacante,
                                O pé de criança, cintura de anel;
                                - Os olhos rasgados são cor das safiras
                                Serenos e puros, azuis como o mar;
                                Se falam sinceros, se pregam mentiras,
                                Não quero, não posso, não devo contar!

                                Oh! ontem no baile com ela valsando
                                Senti as delícias dos anjos do céu!
                                Na dança ligeira qual silfo voando
                                Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
                                - Que noite e que baile ! - Seu hálito virgem
                                Queimava-me as faces no louco valsar,
                                As falas sentidas que os olhos falavam
                                Não posso, não quero, não devo contar!

                                Depois indolente firmou-se em meu braço,
                                Fugimos das salas, do mundo talvez!
                                Inda era mais bela rendida ao cansaço
                                Morrendo de amores em tal languidez!
                                - Que noite e que festa! e que lânguido rosto
                                Banhado ao reflexo do branco luar!
                                A neve do colo e as ondas dos seios
                                Não quero, não posso, não devo contar!

                                A noite é sublime! - Tem longos queixumes,
                                Mistérios profundos que eu mesmo não sei:
                                Do mar os gemidos, do prado os perfumes,
                                De amor me mataram, de amor suspirei!
                                - Agora eu vos juro... Palavra! - não minto
                                Ouvi-a formosa também suspirar;
                                Os doces suspiros que os ecos ouviram
                                Não quero, não posso, não devo contar!

                                Então nesse instante nas águas do rio
                                Passava uma barca, e o bom remador
                                Cantava na flauta: - "Nas noites d'estio
                                O céu tem estrelas, o mar tem amor!" -
                                - E a voz maviosa do bom gondoleiro
                                Repete cantando: - "viver é amar!" -
                                Se os peitos respondem à voz do barqueiro...
                                Não quero, não posso, não devo contar!

                                Trememos de medo... a boca emudece
                                Mas sentem-se os pulos do meu coração!
                                Seu seio nevado de amor se intumesce...
                                E os lábios se tocam no ardor da paixão!
                                - Depois... mas já vejo que vós, meus senhores,
                                Com fina malícia quereis me enganar.
                                Aqui faço ponto; - segredos de amores
                                Não quero, não posso, não devo contar!


                                  Poesia
                                  #36

                                  Hal

                                  • Visitante
                                  Enquanto não superarmos
                                  a ânsia do amor sem limites,
                                  não podemos crescer
                                  emocionalmente.

                                  Enquanto não atravessarmos
                                  a dor de nossa própria solidão,
                                  continuaremos
                                  a nos buscar em outras metades.
                                  Para viver a dois, antes, é
                                  necessário ser um.


                                  Fernando Pessoa

                                    Joaquim Paço de Arcos e o 25 de Abril
                                    #37

                                    Offline Ian Smith

                                    • *
                                    • Novo Membro
                                    • Banido
                                    Duzentos capitães! Não os das caravelas,
                                    Não os heróis das descobertas e conquistas,
                                    A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
                                    Como um altar
                                    Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
                                    À terra inteira!
                                    (Ó esfera armilar.
                                    Que fazes hoje tu nessa bandeira?)
                                    Ó marujos do sonho e da aventura,
                                    Ó soldados da nossa antiga glória,
                                    Por vós o Tejo chora,
                                    Por vós põe luto a nossa História!
                                    Duzentos capitães! Não os de outrora...
                                    Duzentos capitães destes de agora,
                                    (Pobres inconscientes)
                                    Levando hílares, ufanos e contentes
                                    A Pátria à sepultura,
                                    Sem sequer se mostrarem compungidos
                                    Como é dever dos soldados vencidos.
                                    Soldados que sem serem batidos
                                    Abandonaram terras, armas e bandeiras,
                                    Populações inteiras
                                    Pretos, brancos, mestiços
                                    (Milagre português da nossa raça)
                                    Ao extermínio feroz da populaça,
                                    Ó capitães traidores dum grande ideal
                                    Que tendo herdado um Portugal
                                    Longínquo e ilimitado como o mar
                                    Cuja bandeira, a tremular,
                                    Assinalava o infinito português
                                    Sob a imensidade do céu,
                                    Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
                                    Um Portugal em miniatura,
                                    Um Portugal de escravos
                                    Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
                                    Ó tristes capitães ufanos da derrota,
                                    Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
                                    Para vossa vergonha e maldição
                                    Vossos filhos mais tarde ocultarão
                                    Os vossos apelidos d'ignomínia...
                                    Ó bastardos duma raça de heróis,
                                    Para vossa punição
                                    Vossos filhos morrerão
                                    Espanhóis!

                                    10 de Junho de 1975 (antigamente Dia da Raça).
                                    Joaquim Paço D'Arcos

                                      Poesia
                                      #38

                                      anjo azulado

                                      • Visitante
                                      o mar está vazio
                                      a estrada não anda
                                      a praça partiu
                                      o tempo é que manda

                                      as cadeiras se calam
                                      a noite está a dormir
                                      as ruas falam
                                      que aqueles olhos ainda estão pra vir

                                      as paredes estão descaidas
                                      as luzes morrem na solidão
                                      as ruas procuram saidas
                                      na esperança de que te encontrarão

                                      as horas ficam desesperadas
                                      o café precisa de te ver
                                      as pedras precisam das tuas pisadas
                                      para poderem viver

                                                                 Anjo Azulado
                                      « Última modificação: 7 de Fevereiro de 2010 por anjo azulado »

                                        Poesia
                                        #39

                                        Offline bluesoul

                                        • *
                                        • Novo Membro
                                        • Género: Feminino
                                        Porque Não Me Vês - Fausto Bordalo Dias


                                        Meu amor adeus
                                        Tem cuidado
                                        Se a dor é um espinho
                                        Que espeta sozinho
                                        Do outro lado
                                        Meu bem desvairado
                                        Tão aflito
                                        Se a dor é um dó
                                        Que desfaz o nó
                                        E desata um grito
                                        Um mau olhado
                                        Um mal pecado
                                        E a saudade é uma espera
                                        É uma aflição
                                        Se é Primavera
                                        É um fim de Outono
                                        Um tempo morno
                                        É quase Verão
                                        Em pleno Inverno
                                        É um abandono
                                        Porque não me vês
                                        Maresia
                                        Se a dor é um ciúme
                                        Que espalha um perfume
                                        Que me agonia
                                        Vem me ver amor
                                        De mansinho
                                        Se a dor é um mar
                                        Louco a transbordar
                                        Noutro caminho
                                        Quase a espraiar
                                        Quase a afundar
                                        E a saudade é uma espera
                                        É uma aflição
                                        Se é Primavera
                                        É um fim de Outono
                                        Um tempo morno
                                        É quase Verão
                                        Em pleno Inverno
                                        É um abandono

                                           

                                          Tópicos relacionados

                                            Assunto / Iniciado por Respostas Última mensagem
                                          15 Respostas
                                          20256 Visualizações
                                          Última mensagem 18 de Abril de 2008
                                          por source_code
                                          6 Respostas
                                          5629 Visualizações
                                          Última mensagem 8 de Outubro de 2013
                                          por eddiessc
                                          30 Respostas
                                          4330 Visualizações
                                          Última mensagem 2 de Maio de 2018
                                          por carolinalg