rede ex aequo

Olá Visitante31.out.2020, 03:50:20

Autor Tópico: E o transgenerismo?  (Lida 42256 vezes)

 
E o transgenerismo?
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Passemos à tradução:

"Usar gravata, calças largas e cabelo curto faz de mim uma transgénera, certo? Mas quando estou em ruptura com os papeis sociais atribuidos ao meu género?"
Não necessariamente.
Esse género não é sequer um papel social, ainda que efectivamente um papel social seja arbitrariamente atribuído aos géneros.
Um homem 'biológico' pode muito bem estar em total ruptura com o seu papel social de homem sem por isso ser trans.

Por outro lado, pouco importa o vocabulário , trans'sexual' ou trans'género', a sua variação varia não só de um país para o outro, mas também de uma região para outra, assim como de uma pessoa para outra. Daí a adopção do termo 'trans' compreendido por todos.
Por vezes transgénero é compreendido como trans que não fez ainda a operação de readaptação sexual, por outras como uma pessoa que fluctua dentro do género (de homens para mulheres de acordo com os tempos).
Estas discussões de base não são realmente uma perda de tempo, têm também a sua importância, agir não impede de reflectir nem de discutir nem o contrário.
______________________________________________________________________

Como o stef-ftm-gay já referiu, toda a ideia em torno de transgenerismo varia de pessoa para pessoa, mas eu sinceramente não considero que uma mulher que tenha cabelo curto, use calças largas ou até gravata seja transgénera. Muitas ulheres no emprego têm de usar gravata, muitas mulheres que vestem inclusive saia e se sentem de acordo com os padrões sociais femininos também a usam. Muitas mulheres que usam calças largas também não são transgéneras (senão a maioria das 'dreads'o era lol). Muitas mulheres que usam o cabelo curto também não são transgéneras. Lembro-me da fase da industrialização na história em que as mulheres se apresentavam no trabalho, naquela fase em que haviam substituído os homens nas fábricas na altura da guerra e da sua emancipação, em que usavam o cabelo 'à garçon' e efectivamente se apresentavam com um determinado tipo de farda muito peculiar. Ora não eram todas transgéneras (provavelmente 1% o seria ou até nenhuma).

Com isto onde pretendo chegar é que efectivamente tudo isso é importante. Todos esses pormenores têm, a meu ver, relevância no transgenerismo (e até na transexualidade, ainda que não sejam a mesma coisa obviamente). Mas o que realmente importa é toda a atitude, toda o sentimento da pessoa e toda a apresentação final a nível comportamental psicológico e social (ou seja, sentimento interno e apresentação externa). Os dois juntos, lá está, definirão a pessoa.
    Pertence ao fenómeno universal da natureza humana que o tétrico, o medonho e até o horrível brotem com irresistível beleza (Schiller)

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    Offline bluejazz

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    Lembro-me da fase da industrialização na história em que as mulheres se apresentavam no trabalho, naquela fase em que haviam substituído os homens nas fábricas na altura da guerra e da sua emancipação, em que usavam o cabelo 'à garçon' e efectivamente se apresentavam com um determinado tipo de farda muito peculiar. Ora não eram todas transgéneras (provavelmente 1% o seria ou até nenhuma).

    Acredito que na tua definição de transgenderismo não sejam, mas são-no na óptica da definição de transgenderismo de muitas pessoas e alguns colectivos. A questão é que o transgenderismo nesta última definição não implica necessariamente a auto-definição da pessoa como tal nem aspectos psicológicos conscientes ou inconscientes da pessoa no que diz respeito à sua identificação de género. É mais uma questão de avaliação dos comportamentos da pessoa perante aquilo que socialmente é esperado dela conforme o sexo com que nasceu. Neste caso a pessoa só é transgénera porque quebra estes modelos e regras e isto não tem necessariamente a ver com o facto de se sentir psicologicamente homem ou mulher ou sequer ambos. E aqui incluímos travestis e uma série de outras variantes deste tipo de situação e como são questões que dependem das convenções sociais o que hoje é transgénero neste âmbito, amanhã poderá não ser.

    Percebo que haveria mais clareza com definições estanques e separadas para todas as situações metidas no saco do transgenderismo, mas pela sua ligação entre si, o termo transgenderismo como é adoptado por muitas entidades é um termo "chapéu de chuva" e engloba uma série de situações mesmo que algumas bastante diferentes e nem sempre ligadas a questões de "identidade do género" no estrito senso da palavra (algumas estão somente ligadas a questões de género na perspectiva da sua representação social), mas com um elo de ligação muito claro entre si, que os permite agrupar apesar das suas diferenças entre si. Cabe a cada um aceitar ou não esta definição ou usar outras. Desde que todos nos entendamos sobre o que estamos a falar, penso que não há motivo para problemas de conflitos ou dificuldade de comunicação. Volto a dizer, mais que palavras, é preciso acção. Por eu chamar vermelho a uma cor e outra pessoa chamar encarnado não é por isso que não sabemos do que estamos a falar. Não estou a dizer que não se discuta, tudo pode ser discutido com validade, mas há preciosismos que tiram foco de prioridades, parece-me. Para mim corre-se esse risco com uma série de pessoas que em vez de agir noutros âmbitos deste tema, só falam destas questões.

    De qualquer modo, eu pessoalmente acho equilibrada a definição da APA e a definição da rede ex aequo (que é coincidente com a da APA) que foi escrita/preparada/revista por uma série de transgéneros portugueses. Haverá outras válidas para outras pessoas e não acredito que seja base para certos agentes andarem a guerrear outros como já tenho visto.
    « Última modificação: 2 de Abril de 2007 por bluejazz »
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      Certamente, bluejazz. O que eu fiz não foi deitar outras definições abaixo. Somente expus a minha pelo que me faz + sentido partir de dentro para fora, ou seja, seguindo o teu exemplo, se não nos sentissemos de determinada maneira não nos apresentariamos de determinado modo.

      Muitas pessoas vestem determinada roupa por tudo o que o seu meio permite. Países que aceitam, outros que não. Zonas que aceitam outras que não. Pessoas que aceitam, outras que não. Não por serem transgeneras mas porque a (sua) realidade o permite e porque é o seu conforto, a sua conformidade. Outras fazem-no porque, arrisco dizer, doutro modo seria impossível.

      Há, de facto, um leque enorme de variantes transgeneras mas continuo a defender que parte de nós ao revés do que virá eventualmente independente disso.

      Informei-me e há de facto já 3 definições universalizadas de transgenderismo, mas o que perturba é o facto da componente ideológica, verdadeira, pessoal, ficar para segundo plano quando é o mais importante!

      E acho que após ler o que passo a citar em seguida, qualquer transgenero é capaz de se revoltar:

      What is the relationship between transgender and sexual orientation?

      The great majority of cross-dressers are biological males, most of whom are sexually attracted to women. People generally experience gender identity and sexual orientation as two different things. Sexual orientation refers to one’s sexual attraction to men, women, both,or neither, whereas gender identity refers to one’s sense of oneself as male, female, or transgender. Usually people who are attracted to women prior to transition continue to be attracted to women after transition, and people who are attracted to men prior to transition continue to be attracted to men after transition. That means, for example, that a biologic male who is attracted to females will be attracted to females after transitioning, and she may regard herself as a lesbian.

      Será que conseguirão perceber porquê?

      (Já agora, querem que traduza essa página ou outras para que todos lhe tenham melhor acesso?)
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        #163

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        E acho que após ler o que passo a citar em seguida, qualquer transgenero é capaz de se revoltar:

        What is the relationship between transgender and sexual orientation?

        The great majority of cross-dressers are biological males, most of whom are sexually attracted to women. People generally experience gender identity and sexual orientation as two different things. Sexual orientation refers to one’s sexual attraction to men, women, both,or neither, whereas gender identity refers to one’s sense of oneself as male, female, or transgender. Usually people who are attracted to women prior to transition continue to be attracted to women after transition, and people who are attracted to men prior to transition continue to be attracted to men after transition. That means, for example, that a biologic male who is attracted to females will be attracted to females after transitioning, and she may regard herself as a lesbian.

        Será que conseguirão perceber porquê?

        (Já agora, querem que traduza essa página ou outras para que todos lhe tenham melhor acesso?)

        Penso que sem explicares o motivo dessa revolta muitas pessoas não conseguirão perceber o porquê dela.
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          #164

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          E acho que após ler o que passo a citar em seguida, qualquer transgenero é capaz de se revoltar:

          What is the relationship between transgender and sexual orientation?

          The great majority of cross-dressers are biological males, most of whom are sexually attracted to women. People generally experience gender identity and sexual orientation as two different things. Sexual orientation refers to one’s sexual attraction to men, women, both,or neither, whereas gender identity refers to one’s sense of oneself as male, female, or transgender. Usually people who are attracted to women prior to transition continue to be attracted to women after transition, and people who are attracted to men prior to transition continue to be attracted to men after transition. That means, for example, that a biologic male who is attracted to females will be attracted to females after transitioning, and she may regard herself as a lesbian.

          Será que conseguirão perceber porquê?

          (Já agora, querem que traduza essa página ou outras para que todos lhe tenham melhor acesso?)

          Penso que sem explicares o motivo dessa revolta muitas pessoas não conseguirão perceber o porquê dela.

          Tudo está correcto até ao ponto em que se fala da transição. Por ventura um transgénero, excepto um transexual, sofre alguma transição? Posso estar redondamente enganado, por isso pergunto. Relativamente à orientação sexual, há que frisar que aquele 'habitualmente' relativo à orientação sexual que premanece após a dita transição nao é assim tão habitual. Acontece de facto mas todo o processo de transição leva a alterações específicas, estando, claro, a falar na área da transexualidade, que, como bem dizem, é só um pedaço do transgenerismo.
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            Penso que o que o parágrafo diz é que dentro dos transgéneros aqueles que fazem "transição (ou seja, os transexuais), continuam, por regra, a sentir-se atraídos pelo(s) mesmo(s) sexo(s) por que se sentiam atraídos antes dessa "transição". Não vejo qual o problema... Quanto ao habitual, pessoalmente contesto a tua afirmação, porque empiricamente o que tem sido demonstrado (e por esse motivo o afirma a APA que é um orgão científico) é que a orientação sexual não muda per se (ou seja, não muda o sexo do objecto de atracção).
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              Bluejazz, concordo que se diga que manter-se a orientação sexual após transição seja o 'resultado' comum. Todavia restringirmo-nos a isso é muito mau porque todo o processo hormonal tem implicações específicas no corpo de cada um/a e o resultado poderá levar à alteração de comportamentos, sensações e, por exemplo, orientação sexual. Sei que não se pode conter tudo no mesmo saco numa única explicação, mas esta situação não é assim tão pequenina quanto isso e seria relevante debater.

              Quanto à transição per se, não há nada que distinga transexualidade de transgenerismo naquele ponto. Ora, eu compreendo (se fizer um esforço e partir do princípio que é isso em que a rede acredita) que efectivamente se estejam a referir aos transexuais. Porém, há quem não faça esse esforço e há quem não saiba nada sobre o assunto sequer. Tu saberás, eu também, outros também, mas lembra-te que a maioria não sabe e, para esses, tal explição não me parece clara.
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                Bluejazz, concordo que se diga que manter-se a orientação sexual após transição seja o 'resultado' comum. Todavia restringirmo-nos a isso é muito mau porque todo o processo hormonal tem implicações específicas no corpo de cada um/a e o resultado poderá levar à alteração de comportamentos, sensações e, por exemplo, orientação sexual. Sei que não se pode conter tudo no mesmo saco numa única explicação, mas esta situação não é assim tão pequenina quanto isso e seria relevante debater.

                Pois... mas nunca foi provado que as hormonas na adolescência ou enquanto adulto afectam a orientação sexual. Pelo contrário, sabe-se que não têm influência. As hipóteses que há ainda como possíveis são somente a nível de desenvolvimento intra-uterino quando o feto se está a desenvolver e é exposto a várias hormonas que determinam a forma como se desenvolve.


                Quanto à transição per se, não há nada que distinga transexualidade de transgenerismo naquele ponto. Ora, eu compreendo (se fizer um esforço e partir do princípio que é isso em que a rede acredita) que efectivamente se estejam a referir aos transexuais. Porém, há quem não faça esse esforço e há quem não saiba nada sobre o assunto sequer. Tu saberás, eu também, outros também, mas lembra-te que a maioria não sabe e, para esses, tal explição não me parece clara.

                Se colocares aquele parágrafo descontextualizado creio que sim, que não será totalmente claro. Mas na realidade esta pergunta e sua respectiva resposta que citaste surge na sequência de várias anteriores onde se explica o que é incluído no título "transgénero" e se refere, entre outros dados, que a única situação onde existre "transição" nos transgéneros é com os transexuais. Há um contexto anterior que permite interpretar sem margem de dúvidas que neste parágrafo eles estão a referir-se aos transexuais: "os transgéneros que fazem transição".
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                  Bluejazz já testei com algumas pessoas e todos aqueles que nunca haviam tido contacto ficaram na mesma  :-\ Está pouco claro, acredita. (seria era talvez bom ter aquilo em português, não?:))
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                    #169

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                    No link que vos deixo encontra-se um inquérito anónimo sobre a discriminação a transgéneros (cross-dressers, travestis, transsexuais and so on) que poderá ser respondido até dia 31 de Outubro. Pretende analisar as condições de vida destas pessoas, independentemente de estar ou pretender tratamento médico, nos diferentes países da União Europeia.

                    Os resultados serão apresentados ao Conselho Europeu como forma de ajudar a combater a discriminação a que infelizmente ainda se está sujeito.

                    (Só é pena não estar nenhum em português(!!) mas se aguém quiser eu traduzo para facilitar a sua compreensão :))

                    « Última modificação: 15 de Outubro de 2007 por Wiegenkatze »
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                      #170

                      Offline τοRoyalSizeΚΞ

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                      (...)
                      Queria recomendar um livro do Gore Vidal chamado Myra Breckenridge que é a história deliciosa de um transexual que se faz passar pela viúva do homem que era antes... Lá no meio do livro, ela consegue dar a volta a um heterossexual.... Muito bom para pessoas com pouco sentido de humor que passam o tempo todo a criticar os outros!

                      A minha professora aconselhou-mo para um trabalho que estou a desenvolver. Parece que é a história de um transsexual que lida com uma nova percepção da sua orientação sexual e com uma nova percepção da sua identidade de género, após a transição.

                      Se alguém mo puder emprestar agradeço :)

                      Spoiler (clica para mostrar/esconder)
                      « Última modificação: 7 de Novembro de 2008 por thwRoyalSizeCX »

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                        #171

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                        City transgender beauty contests upset activists
                        By: Priyanjali Ghose - Date:  2010-01-19 - Place: Bangalor

                        The tremendous response to two beauty competitions fails to enthuse those working for rights of sexual minorities

                        More than 1,000 transgenders from the city are currently participating in two beauty contests being simultaneously run for them. While filmmaker Ganesh Kharwar's Nazakat Queen 2010, has attracted 1,200 participants, Laxmi Narayan Tripathy's contest called India Super Queen will showcase 18 contestants.

                        But the overwhelming response, possibly the greatest among cities in the country where such contests were held or are planned, has not made activists working for the rights of sexual minorities  happy.

                        Beauty is subjective

                        "I don't believe in judging people's beauty through these competitions as beauty is subjective," said Revathi, director of Sangama, an NGO dealing with sexual minorities. Added Akkai, Sangama's Information Divisional Co-ordinator and one of the judges in Tripathy's contest, "These shows may give exposure to the community, but you cannot discriminate anyone based on beauty. All of us hijras belong to different backgrounds and many are not fair or pretty. Such events may trigger jealousy."

                        Manjuamma, a 53-year-old hijra said, "How can you make out who is beautiful in such a short span of time? Moreover, God only made man and woman. We are extraordinary. It is as if through this competition, we are competing with ordinary women and trying to show the world we can look as beautiful as them."

                        Sexual expression

                        The criticism has not affected the morale of the participants or the organisers. Laxmi Narayan Tripathy, the first transgender to represent the Asia-Pacific region in UN General Assembly president's office as a civil society task force member and the CEO of  Twelve Noon Entertainment, which is organising India Super Queen, said, "Such events give us a chance to express our sexual identity and help build leadership qualities."

                        Snehaprabha, a participant, said, "We need more such platforms to showcase our talent. They can help us take up careers in acting and modelling." Another participant, Suma (23), a cross dresser, said that such events are also an effort to show that sexual minorities are also a part of the mainstream. "We are not saying one person is the best. We are saying we are as beautiful as any woman walking on other platforms like Ms India and Ms World," she said.

                          E o transgenerismo?
                          #172

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                          For Transgender People, Name Is a Message
                          By WILLIAM GLABERSON
                          Published: January 24, 2010


                          Katherine used to be Miguel. Olin had a girl’s name. And in October, Robert Ira Schnur, 70, became Roberta Iris Schnur, a Manhattan retiree with magenta lipstick and, she noted the other day, chipped silver nail polish.

                          “I wasn’t like other men,” she said.

                          Theirs are among hundreds of names a Manhattan court has changed over the last few years for transgender New Yorkers. That tally, specialists in the relatively new field of transgender law say, may make the borough’s workaday Civil Court one of the country’s biggest official name swappers — male names for female, vice versa and ambiguous.

                          Changing a name might seem like a minor matter for those who are changing their gender identities and, for some, facing challenges like finding knowledgeable doctors, trying hormones and experimenting with painful hair-removal procedures. But many who have gone through the switch say a name change sends an important message to the world, a message solidified and made official with a court’s approval.

                          In many courts around the country, what were once risky or shocking name-change requests are becoming more routine as the sting of gender taboo has lost a little of its edge. But in few places has this shift been more dramatic than in New York, where two recent and little-noticed rulings helped clarify the murky area not only of the law but also of modern gender identification. They have contributed to Manhattan’s becoming a capital of Joe-to-Jane proceedings. A rare network of some 200 lawyers now works on such cases filed in the Centre Street courthouse, and nearly 400 of their transgender clients so far have, more or less, become someone else.

                          “There is a long emotional, physical process that a lot of us have to go through,” said Katherine Cross, 22, of the Bronx, who got her new name in July. She said her transition included learning how to force her voice into a higher register and the basics of shopping for women’s clothing.

                          “For me,” she said, “the centerpiece was the name change.”

                          Efforts to extend legal rights to transgender people have increasingly been in the news, including the December announcement by Gov. David A. Paterson of New York to extend antidiscrimination protections to transgender state employees.

                          Over the last two years, volunteer lawyers from 19 big corporate law firms in New York City have worked on nearly 400 transgender name change cases, according to the advocacy group that is running the project, the Transgender Legal Defense and Education Fund. “In a way, it’s a big coming-out process — with a judge,” said the group’s executive director, Michael D. Silverman.

                          The lawyers have represented clients from every borough in the Manhattan court, with applicants ranging from occasional cross-dressers to people who have completed gender reassignment surgery. No one knows how many others have gone to the court on their own or with other lawyers. Indeed, the very number of transgender people in the country and the state is hard to pin down. One survey suggests there are 300,000 in New York State, but others dispute that.

                          The process of changing a name can be intimidating, said Kit Yan, a 25-year-old poetry slam artist and performer with a hint of facial hair who was born Laura. He failed twice when he tried on his own to get the law to recognize the name a friend suggested after seeing a cartoon character named Kit that looked like him, a little boy in a suit.

                          With a lawyer in May, Mr. Yan said, he felt relief when he heard “Laura” to summon him for the last time when his case was called. “It felt like giving away, say, an ugly Christmas sweater your mom made you,” Mr. Yan said.

                          The two recent rulings in New York courts helped clear the way for more such moments on Centre Street.

                          In one case, an appeals panel overruled a Manhattan civil court judge who had insisted on doctors’ notes giving reasons for name changes in transgender cases. The panel said there was “no sound basis in law or policy” for the requirement and noted that the law generally permits people to change their names unless there is some fraudulent intent involved.

                          In the other decision, a Westchester judge made an exception to a general requirement that name changes and home addresses be advertised in newspapers, saying the safety issues for people in gender transition were obvious in a world that can be hostile.

                          The publication requirement insisted upon by some of the Manhattan judges has fed an eerie subculture of readers, many of them prisoners, who follow the newspaper notices. One man forced to advertise that he was becoming a woman received several seductive letters with prison return addresses. “Hello Angel!” said one of the letters. “I am not afraid to take new roads,” said another.

                          At the gray Manhattan courthouse, where matters like debt collection are the bulk of the work, officials said they were aware of numerous transgender name-change cases.

                          But those petitions are mixed in with more traditional name-change filings, like applications from immigrants Anglicizing their names. Name-change cases over all increased at the court to 3,109 in 2009 from 202 in 1995, but officials said they did not keep count of the reasons for the requests.

                          Gender switches would not necessarily draw much attention at the courthouse, said the court’s supervising judge, Jeffrey K. Oing. New York being New York, he said, the threshold for surprise can be high. There was a “buzz in the courthouse,” he conceded, after one man renamed himself Jesus Christ.

                          But the judge said he was not surprised to hear that transgender people had found a receptive audience in many of the 10 Civil Court judges in Manhattan. “I like to think that we live in a very open society here in New York County,” he said.

                          Still, routine changing of gender identification can be startling to some. The Rev. Jason J. McGuire, executive director of New Yorkers for Constitutional Freedoms, which helped defeat the gay-marriage proposal in Albany, said the courts might be ahead of the public on gender issues.

                          “Oftentimes, the courts are used to advance an agenda,” he said, adding that the name changes created loopholes people could use to hide for any number of reasons.

                          Some of the Centre Street petitioners said they did in fact want to obliterate their old identities. The newly named Em Whitney, a 23-year-old with a toothy smile and a button nose, said the change was part of a long gender journey that began when he was a Texas child with a girl’s name and a fascination with androgynous characters like Peter Pan and Shakespeare’s Puck.

                          Mr. Whitney, who has written for The New York Observer newspaper and sometimes introduces himself as Emerson, said daily experiences like presenting a driver’s license could be a minefield. “Showing someone a picture and a name of someone who doesn’t exist drove me crazy,” he said.

                          Ms. Schnur, the retiree who changed her name in October, took out some old identification cards to make a similar point. The pictures of the man with thinning hair never seemed right, she said.

                          “I always knew that I wasn’t what other people thought I was,” she said.

                          http://www.nytimes.com/2010/01/25/nyregion/25namechange.html?pagewanted=2&hpw
                          « Última modificação: 14 de Março de 2010 por Fetch! »

                            E o transgenerismo?
                            #173

                            Offline τοRoyalSizeΚΞ

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                            • Género: Masculino
                            Apesar de cada vez mais darmos passos pela igualdade, os direitos conseguidos passam pelos direitos reconhecidamente como afectantes aos LGB. Ainda falta fazer bastante nos direitos dos Transgénero. A ILGA Internacional desenvolveu e lançou o estado do Mundo quanto a direitos LGBTI, e apesar de reconhecermos Portugal em várias cláusulas, como a protecção dos homossexuais no trabalho ou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo (entre outras), não existe ainda praticamente nada referente à população T:

                            Falta-nos uma Lei de Identidade de Género - os transsexuais conseguem apenas por jurisprudência renovar os seus documentos;
                            Falta-nos a protecção da Identidade de Género/Transgénera no Código de Trabalho (Acesso/Discriminação/Assédio) - a nível federal apenas concedida especificamente na Croácia, Hungria, Sérvia, Suécia e Austrália;
                            Falta-nos uma protecção da Identidade de Género/Transgénera no Código Penal (Violência/Crimes de Ódio) - apenas Estados Unidos e Uruguai, dos dois apenas pena agravante por Crime de Ódio;
                            Falta-nos a proibição constitucional por discriminação com base na Identidade de Género/Transgénera;
                            A protecção e acesso de pessoas transgénero nas Forças Armadas - Espanha.
                            E o reconhecimento da Identidade de Género/Transgénera para pedido de asilo.

                            Homofobia do estado
                            « Última modificação: 20 de Maio de 2010 por thwRoyalSizeCX »

                              E o transgenerismo?
                              #174

                              Offline Miguel★

                              • *****
                              • Membro Elite
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                              Olá,

                              Eis um tema muito pouco falado no fórum, quando sei que existem pessoas transgender no fórum e/ou outras que podem/querem falar sobre o assunto...

                              Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...

                              Sobre o transgenderismo recomendo também uma leitura dos conteúdos neste link: http://rea.pt/transgenerismo.html

                              Fico a aguardar respostas e comentários... :curtain


                              Finalmente encontrei este tópico. Ora bem, para já adorei a definição no site da REA. Está muito explícita e até me ajudou ainda mais a esclarecer-me.

                              Eu acho que tenho de admitir que sou transgénero. Eu poderia ser, além de homossexual, um metrossexual. Mas, no meu caso, ainda seria redutor dizer isso porque a metrossexualidade está somente associada a aspectos físicos. E verdade seja dita, no meu caso, os traços psicológicos são consideráveis. A maior parte das minhas amizades é no feminino, por alguma razão. Identifico-me com a mulher, adoro-a, sem nunca a desejar sexualmente. É como se pertencesse ao seu grupo, embora eu seja contra catalogar pessoas. Identifico-me mais com a beleza feminina, com a forma de estar, de falar, de agir, de pensar, tudo no feminino. E eu reparo nisso em mim eventualmente. Por exemplo, não gosto de pêlos ou barba, sento-me de uma maneira peculiarmente pouca masculina, gosto de usar pulseiras e aneis, gosto de usar maquilhagem e não uso a que gostaria, gosto de apreciar as roupas femininas que costumam ser justas, tanto que compro sempre roupas justas na secção masculina, coisas do género. O mundo masculino pouco me atrai. Lembro-me de ter 17 anos e de estar completamente obcecado com este assunto, pensando mesmo até na mudança de sexo. Acabei por me aceitar, sempre com reservas em relação ao meu verdadeiro eu. Acaba por ser um processo complicado, porque nunca se deixa de ser o que se é, não é verdade? Não se pode lutar contra a nossa essência, embora eu tenha-o feito. E, ultimamente, isto tem-se acentuado devido ao meu problema amoroso, uma situação que me desgastou, em que eu fui rejeitado exactamente por ser quem sou. Sinto que fui e sou sempre prejudicado por ser assim e por procurar quem não me pode corresponder. Ou seja, digamos que procuro coisas tendo em conta que sou de uma forma mas que afinal sou de outra. Parece complicado e é. Ando a pensar em recorrer à psicologia para me ajudar e vou aproveitar para expor este caso de transgenerismo. Mais do que tudo, preciso de certezas. A discriminação contra pessoas efeminadas/masculinizadas (consoante o sexo), portanto, contra transgéneros começa pelas pessoas LGBT (nem todas é claro), escusado será dizer também pelas pessoas não-LGBT. A mim sinceramente não me afecta porque não são elas que me pagam as contas, mas há pessoas que se vão abaixo por causa disso e entristece-me vê-las consumirem-se por causa de uma coisa que não controlam, que não escolheram. Acima de tudo, trata-se de algo involuntário, e não de uma escolha. Às vezes, preferia ter nascido noutra era (no caso de ter mesmo de nascer assim), num século mais avançado, quando as coisas fossem encaradas de forma mais natural, porque nascer desta forma, agora, e encarar preconceito por todos os lados é uma verdadeira prova de fogo.
                              Fica o meu testemunho.
                              « Última modificação: 25 de Janeiro de 2011 por JM Star »

                                Notícias LGBT (que não se enquadram noutros tópicos)
                                #175

                                Offline filipepaulo

                                • *****
                                • Membro Elite
                                • 9 Julho 2011 - MOP + Porto Pride - foi liiiiiiido!
                                  • PortugalGay.pt
                                Memorial contra Transfobia no Porto
                                  PortugalGay.pt - desde 1996 o site para todos os LGBTH em Português.

                                  E o transgenerismo?
                                  #176

                                  Offline marte

                                  • ***
                                  • Membro Total
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                                  • artur
                                  Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...
                                  Olá! Sou transgénero (ftm), de momento à procura dos meios para fazer a transição.

                                  A minha maior dificuldade esta semana foi fazer uma conta facebook ;D não sabia o que pôr em "sexo".

                                  Mas a sério, a maior dificuldade está cá dentro. Quando entrei na puberdade principalmente, quando se perde aquele ar "androgíneo". E durante a adolescência havia muita frustração, deixei de comer para ficar sem o período (mas recuperei 6 meses depois, sem grandes consequências) entre outras formas que tinha de me magoar a mim próprio como forma de escape.
                                  Hoje estou muito melhor mas continua a ser difícil lidar com sentimentos de "dysphoria", que é uma mistura de aflição e desespero, todas as manhãs quando me visto por exemplo, ou quando me chamam "senhora" ou "menina", ou quando me corrigem na forma como uso pronomes e adjectivos para me referir a mim mesmo, uma série de situações.

                                  Para além disso, a maior dificuldade cá fora é quando tenho que utilizar uma casa-de-banho pública :P quando entro na feminina, põe-se tudo a olhar. Mas como tenho um ar ainda muito de gaja não quero arriscar entrar na masculina.

                                  Não estou "out" para ninguém. Só contei a uma amiga. Ela parecia estar a reagir bem, mas depois virou-se contra mim. Não creio que me odeie, mas certamenta não me apoia.

                                  Anywei estas imagens estão excelentes  ;D

                                    E o transgenerismo?
                                    #177

                                    Offline aero

                                    • *****
                                    • Membro Ultra
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                                    Cláudio Ramos andou por Lisboa vestido de noiva



                                    Foi para o programa 'Querida Júlia' da SIC, e a propósito do casamento do príncipe William e Kate Middleton, que o comentador do 'Jornal Rosa' trajou de branco... (DN)


                                     :inq :inq :inq

                                      E o transgenerismo?
                                      #178

                                      Offline Boreas

                                      • *****
                                      • Moderação Sénior
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                                      • "Tu és rato!"
                                      Bom, ninguém o pode acusar de falta de originalidade... crossdressing jornalistico.  lol lol
                                        Just live!!! WILL POWER HOPE COMPASSION LOVE

                                        E o transgenerismo?
                                        #179

                                        Malibu

                                        • Visitante
                                        SUÉCIA: Novo pronome de género neutro é introduzido

                                        «A Suécia acrescentou oficialmente o pronome neutro de género "hen", que pode ser usado em vez de "ele" ("han" em sueco) e "ela" ("hon") e é definido como "um pronome pessoal de género neutro alternativo a ele e ela".» (PortugalGay.pt)

                                        está a gerar polémica, claro:

                                        «Na página do Instituto da memória e língua sueca, Språkrådet, há a informação de que muitas pessoas têm manifestado suas opiniões sobre o "hen". Segundo o instituto algumas pessoas acham que o novo pronome preenche uma lacuna na língua, porém outros não gostam da ideia, achando desnecessário e sem futuro. Alguns são totalmente contra, achando que essa igualdade de géneros  trata-se de uma invenção com motivos políticos.» (brassar.se)

                                        que acham? sendo que a função da linguagem é descrever a realidade e há quem não se enquadre no binarismo de género vigente, este novo pronome não me parece assim tão despropositado. só não consigo imaginar um equivalente em português, por mais que puxe pela cabeça


                                        Não acho despropositado. Acho até de uma grande importância, pois o mundo não é a preto e branco apenas. Como referiste, há quem não se enquadre nem numa categoria nem noutra, então é uma questão de facilitar, penso, a descrição de uma realidade.
                                        Também acho que deveria ser algo existente noutros idiomas, como é o caso do português (ainda que não me ocorra também um equivalente que seja).

                                           

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                                          Última mensagem 29 de Fevereiro de 2012
                                          por Boreas