A ideia que se faz dos bairros sociais e dos seus habitantes, quer seja no Porto, Braga, quer seja em Lisboa, como de resto noutras partes do mundo onde existem, permanece prisioneira do outro, diferente em sentido desvalorizado, porque pobre, menos culto, menos dotado de um conjunto de atributos dos grupos sociais valorizados, quiçá marginalizado ou excluído devido a um conjunto de factores que frequentemente o empurram para estas situações. De resto, a fisionomia dos bairros sociais começa por obedecer a algumas particularidades, que se manifestam ao nível da localização, da qualidade da arquitectura e materiais de construção, das condições de salubridade, das infra- estruturas envolventes, das populações a que se destinam e dos modos de vida que lhes estão associados. A situação poderá ainda complexificar-se quando vivem à mistura diferentes grupos étnicos como o caso dos ciganos ou dos imigrantes a quem são atribuídas culturas e modos de vida distintos, podendo estes, ora chocar com os hábitos e os interesses uns dos outros, ora ser um elemento de inter-relação, o que nem sempre parece ser o caso.
Este conjunto de elementos exerce, decerto, uma forte influência ao nível das relações inter-pessoais e sociais.