rede ex aequo

Olá Visitante04.jul.2020, 22:55:18

Autor Tópico: Estado Novo  (Lida 14277 vezes)

 
Estado Novo
#40

Diotima

  • Visitante
Salazar foi um grande atraso de vida para o país. Na verdade ainda hoje estamos a pagar esse atraso cultural em relação aos outros países. Muitos dos nossos problemas estruturais ainda são consequência do salazarismo.

    Estado Novo
    #41

    Offline the end

    • *****
    • Membro Ultra
    • Género: Masculino
    Muitos problemas estruturais de Portugal atravessa outras épocas mais antigas do que o regime totalitário de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano.
    Lembram-se dos descobrimentos? Não havia iniciativa privada, tudo era gerido e sujeito a imposto pela máquina do Estado. Alguma coincidência com a actualidade?
    E os textos de Eça? Mais actual do que isso não é possível.
      Yes I can!

      Estado Novo
      #42

      Diotima

      • Visitante
      Sim, é verdade que muitos dos problemas estruturais já vêm mais de trás mas o Estado Novo e Salazar vieram agravar mais a nossa situação. É que quando comparamos Portugal dos anos 50 e 60 com os outros países é de ter muita vergonha. O Portugal rural, o orgulhosamente sós, a mentalidade de pobrezinhos bem patente na música "Uma Casa Portuguesa" da Amália, são mentalidades que vai demorar muito tempo a apagar. Mesmo que não pareça, essa mentalidade ainda tem resquícios, por exemplo nos nossos empresários, particularmente nos pequenos e médios empresários. E depois Portugal estava habituado a viver em autarcia. Hoje é difícil a muitos empresários viverem sem o protecionismo de então.
      « Última modificação: 2 de Agosto de 2013 por Diotima »

        Estado Novo
        #43

        V24

        • Visitante
        A minha mãe bem sabe a vida que teve antes do 25 de Abril e a miséria toda que testemunhou no Sul do país onde os senhores das herdades iam recrutar trabalhadores agrícolas à jorna e com pagamento miserável. No Norte há mais saudosismo porque quem tem o seu pequeno pedaço de terra sobrevive melhor.
        As pessoas com medo de exprimirem as suas ideias por mais simples que fossem. Os bufos...a delação. Uma coisa muito linda realmente.

        O Estado Novo foi um período de estagnação. Salazar orgulhava-se das reservas de ouro enquanto o povo tinha fome. As pessoas vinham para a cidade trabalhar para as fábricas para viverem amontoadas em barracas. Protesto laboral? Cala bem a boca que o patrão é o teu paizinho. É de sol a sol e não há conversa de aumentos.
        Inovação técnica? Para quê? Há mão-de-obra barata e submissa pronta a fazer o trabalho por menos dinheiro.
        Universidade? Sim se fores filho de gente importante senão vai para um curso técnico e cala-te.

        Havia menos corrupção? Talvez...mas isso pode-se corrigir num contexto democrático.
        Revolta-me quando as pessoas endeusam o Estado Novo...falam falam mas não aguentavam um ano daquilo.

          Estado Novo
          #44

          Offline _ricardo_

          • ****
          • Membro Sénior
          • Género: Masculino
          Basicamente grande parte do que está mal em Portugal é culpa desses cinquenta negros anos.

          Esses anos criaram um povo amedrontado, hipócrita, desconfiado, mais queixoso e lamuriento sobre o estado das coisas do que pronto a arregaçar mangas para as resolver. Exactamente à imagem das grandes intelectualidades que forjaram uma das piores páginas da história de Portugal, e das outras tantas que ainda hoje defendem os seus valores (?). Criou um país de velhos do Restelo, atrasado económica e socialmente, iletrado e orgulhoso da sua miséria.

          Desperdiçou uma geração inteira, forçada a ir para uma guerra estupidamente sem nexo ou a imigrar para fugir dela e escapar a uma morte ou invalidez quase certas. No fundo, criou-se um Portugal de fachadismos, de cinismos, de autómatos iletrados a proclamar as malfadadas Angolénossa, Viva Salazar ou os Orgulhosamente sós.
            "Great spirits have always found violent opposition from mediocrities. The latter cannot understand it when a man does not thoughtlessly submit to hereditary prejudices but honestly and courageously uses his intelligence." Albert Einstein

            Estado Novo
            #45

            Diotima

            • Visitante
            Como seria Portugal hoje se não tivesse havido um senhor chamado Salazar? ???

              Estado Novo
              #46

              Offline strings

              • ***
              • Membro Total
              • Género: Masculino
              • Don't tread on me
              Ainda não passou tempo suficiente para analisarmos essa época de forma desapaixonada e objectiva... a meu ver não há oitos nem oitentas. Foi um regime que em imensos aspectos deixou Portugal mais atrasado do que o que poderia estar, do proteccionismo económico à estagnação cultural e intelectual. Reprimiu liberdades básicas num contexto injustificável, particularmente no pós-guerra. Através do dito proteccionismo económico cartelizou indústrias de tal forma que a mobilidade social (ou falta dela) se aproximou por vezes de modelos feudais, com as repercussões que se conhecem nos direitos e na vivência das classes mais desfavorecidas. O acesso ao ensino para lá da instrução primária era um privilégio relativamente limitado. Globalmente, creio que o saldo foi negativo.

              Por outro lado a adesão à EFTA trouxe, na década de 60, as maiores taxas de crescimento económico que Portugal teve no século XX. A nova vaga de industrialização desta época melhorou objectivamente os índices económicos e o nível de vida base dos portugueses. As mudanças sociais que se verificaram na década de 60 no resto do Ocidente não passaram de todo desapercebidas em Portugal, e falou-se pela primeira vez da emancipação das mulheres. Os problemas de endividamento que Portugal hoje atravessa não foram sequer uma miragem durante todos os anos do Estado Novo; já desde o 25 de Abril fomos intervencionados três vezes pelo FMI. O crime era menos grave e o tecido social muito mais coeso, também fruto do consenso cultural que o Estado Novo promoveu, para melhor ou para pior. As províncias ultramarinas, apesar de se encontrarem intervencionadas militarmente, acompanharam o crescimento económico do país e em 1974 superavam quase todos estados africanos independentes (e por vezes o próprio Portugal Continental) em desenvolvimento e nível de vida, sendo a Guiné a única frente militar onde as expectativas portuguesas não eram francamente optimistas.

                Estado Novo
                #47

                Offline blueboy

                • *****
                • Associad@
                • Membro Vintage
                • Género: Masculino
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                Ainda não passou tempo suficiente para analisarmos essa época de forma desapaixonada e objectiva... a meu ver não há oitos nem oitentas. Foi um regime que em imensos aspectos deixou Portugal mais atrasado do que o que poderia estar, do proteccionismo económico à estagnação cultural e intelectual. Reprimiu liberdades básicas num contexto injustificável, particularmente no pós-guerra. Através do dito proteccionismo económico cartelizou indústrias de tal forma que a mobilidade social (ou falta dela) se aproximou por vezes de modelos feudais, com as repercussões que se conhecem nos direitos e na vivência das classes mais desfavorecidas. O acesso ao ensino para lá da instrução primária era um privilégio relativamente limitado. Globalmente, creio que o saldo foi negativo.

                Por outro lado a adesão à EFTA trouxe, na década de 60, as maiores taxas de crescimento económico que Portugal teve no século XX. A nova vaga de industrialização desta época melhorou objectivamente os índices económicos e o nível de vida base dos portugueses. As mudanças sociais que se verificaram na década de 60 no resto do Ocidente não passaram de todo desapercebidas em Portugal, e falou-se pela primeira vez da emancipação das mulheres. Os problemas de endividamento que Portugal hoje atravessa não foram sequer uma miragem durante todos os anos do Estado Novo; já desde o 25 de Abril fomos intervencionados três vezes pelo FMI. O crime era menos grave e o tecido social muito mais coeso, também fruto do consenso cultural que o Estado Novo promoveu, para melhor ou para pior. As províncias ultramarinas, apesar de se encontrarem intervencionadas militarmente, acompanharam o crescimento económico do país e em 1974 superavam quase todos estados africanos independentes (e por vezes o próprio Portugal Continental) em desenvolvimento e nível de vida, sendo a Guiné a única frente militar onde as expectativas portuguesas não eram francamente optimistas.

                Mas esses aspectos positivos que realças nao se teriam verificado também caso nao estivessemos numa ditadura?

                Mas concordo com muitos dos comentarios, os problemas estruturais de Portugal nao surgiram com o Estado Novo, alias, a Primeira Republica foi uma altura de grande instabilidade e atrasou imenso o pais, apesar das coisas boas que tambem trouxe. Para mim, o atraso sistematico deste rectangulo periférico é cronico e deve-se a uma tendencia para o conservadorismo, promovido em força pela querida ICAR, entre outros.
                  Ainulindalë

                   

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