rede ex aequo

Olá Visitante18.out.2019, 20:38:15

Autor Tópico: E o transgenerismo?  (Lida 39206 vezes)

 
E o transgenerismo?
#180

Offline Boreas

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Por acaso já tinha pensado sobre o assunto depois de ter lido isto: http://en.wikipedia.org/wiki/Gender-neutral_pronoun

Em português, a única coisa que me ocorre que fosse na mesma linha do que temos, por muito estranho que fique seria eli i lhi.  :o
Elo,elu, lho, lhu etc já existem.
    Just live!!! WILL POWER HOPE COMPASSION LOVE

    E o transgenerismo?
    #181

    Offline SharkT

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    Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...


    Olá...

    Aqui vai...

    Na verdade ainda nao sou "transgender" pelo simples facto de ainda pertencer ao meu sexo biologico. ( I N F E L I Z M  E N  T E )
    E que por ter naascido no sexo errado procurei a ajuda dos profissionais.

    Mas respondendo a questão:

    Dificuldades... tudo o que é simples para uma pessoa que não tem este problema (!?)  ::)

    Exemplos:

    Estou num lugar publico (Shopping, Café, Restaurante, Bar, Disco...) Dá me vontade de ir a casa de banho, que pesadelo!! Porque?
    Porque nunca sabemos em que casa de banho entrar para nao arranjar problemas.

    1 - Queremos entrar na casa de banho do sexo que somos.
    2 - Por vezes temos que entrar na casa de banho do sexo que nascemos.

    Ouve-se muitas bocas do tipo "Está aqui a fazer o que? quer que chame o segurança?" ou então, pessoas quando entram e nos veem, saiem porque acham que elas se enganaram no WC.

    Uma vez no aeroporto tive a infelicidade de ter que ir ao WC, estava mesmo muito aflito, nao tinha solução. Entrei na Casa de banho, que sorte, estava vazia e ninguem me viu a entrar, quando derrepente ouço uma criança com uma mãe. Fiquei na casa de banho fechado no meu bloco até que eles se fossem embora, ia perdendo o embarque do avião, pois a criança estava a mudar de roupa, demorou imenso tempo.

    Isto pode nao parecer nada, mas para quem vive isto há muito mais de 10 anos, torna-se isurportavel.

    (...)

    Outro grande problema é a falta de informação e/ou a ignorancia da nossa sociedade.

    Em geral na sua maioria não sabem o que é um transexual nem um travesti e não respeitam homosexuais como pessoas.
    Veêm os travesti como Sexo, Desejo e Prostituição. Os Transexuais como a Roberta Close, os homosexuais como "pessoas diferentes".

    Há pessoas que tendem a esquecer que ser trans nao tem nada haver com a opção sexual, e que esta é só mais um conceito da nossa sociedade.

    Outra grande dificuldade é a longa avaliação médica, sim... entendo porque e até concordo, mas para quem realmente é ter que fazer estes testes todos num periodo tão longo, é um desafio constante.

    Podia tar aqui a tarde toda a escrever sobre os problemas que já tive... mas acho que estes são os mais comuns.


    Cumprimentos!



      E o transgenerismo?
      #182

      Offline jakejus1

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      estamos no século XXI... já é mais que tempo para o conceito de casa de banho unissexo generalizar-se


      O meu irmão quando esteve em França, disse que as casas de banho nas escolas que ele frequentou, eram unissexo. Os rapazes nos urinóis e as raparigas a passarem por trás. Há muita coisa que tentamos distinguir como pertencendo ao homem/mulher, mas que na realidade não tem lógica alguma. Os papéis em casa foi algo que foi criado pela sociedade, desde há muito tempo, mas que não significa que tenha de ser assim.

      Não quero mesmo ofender ninguém, e por favor a todo o T, não levem este comentário meu, como de mais algumas pessoas que não querem saber sobre o assunto e que não aceitam as coisas. Na realidade sou muito novo por estas bandas e conheço muito pouco sobre este assunto e nunca falai directamente com um Transgender para o perceber (se é que há necessidade disso, pois cada um é como se sente mais feliz), mas não consigo perceber uma certa parte do Transgenderismo. Acho que foi algo que a Sociedade acabou por criar. A questão das roupas também. Porque é que só as mulheres podem usar vestidos? Diga-se desde já que nos países orientais e em África e se calhar noutros, se usa túnicas/vestidos. Acho que não temos de nos achar do sexo oposto se por algum motivo quisermos vestir desse modo. A sociedade, e principalmente a cultura do país em que se vive, é que cria essas confusões na nossa cabeça. (Não quero ofender ninguém. Desculpem se estou a ser um ignorante...)

      Imagine-se por exemplo, os Transgenders (tenho que estudar melhor os significados dos termos. Espero que usando a generalização não crie problemas) que querem mudar de género. Se formos a ver, no passado não havia meios tecnológicos/conhecimento capazes de fazer isso. Seria algo que seria impossível de se fazer. E custa-me mesmo acreditar que os T sintam mesmo necessidade  disso do fundo do coração. Eu talvez por curiosidade não me importasse de ser mulher. Sei lá. É sempre diferente. Mas por acaso sinto-me bem com o meu corpo e como sou. SIM, por vezes sinto necessidade, um pouco voluntária, outra talvez nem tanto, de me afeminar, mas acho que isso não necessita que me sinta mal comigo mesmo. (Não me considero Transgender).

      Eu vejo os T (não quero mesmo discriminar ninguém. Só quero tentar falar sobre o assunto) como um tipo de EMO/"góticos"/aqueles (a maioria) que se vestem todos de preto com piercings (http://pt.wikipedia.org/wiki/Emo). Vi muitos lá na minha escola e sentia que eles se vestiam ou eram daquela maneira, devido a bullying ou outros factores. Alguns acredito que até se auto-mutilavam. Acho que era como uma forma de se enquadrarem num grupo, de chocarem, ou de demonstrarem o seu sofrimento. Fiquei também a saber mais recentemente que alguns deles eram Gays.

      Não sei se me consegui expressar bem, mas acho que a maioria do transgenderismo se deve a factores psicológico negativos criados nas pessoas, por elas ou pela sociedade. E a verdade é que sinto que a mudança de sexo é algo extremo que nunca ninguém deveria fazer, porque não era suposto acontecer na natureza. (mas isto quase que parece um dos argumentos usados contra os LGB, por isso posso estar errado)... Nós somos o que somos, e devemos aceitá-lo. Devemos ser nós próprios, não interessa o que os outros digam. Aceitar o nosso corpo, saber respeitá-lo e amá-lo. É esta mensagem que queria transmitir a alguns Transgenderes, por achar que é por factores psicológicos, provavelmente induzidos pela sociedade, que eles tentam ser como são. Mas todo o respeito por vocês!

      DESCULPEM se estou a ser um super ignorante, mas peço-me que falem-me honestamente sobre o que sentem e me esclareçam as minhas dúvidas. Estou aqui para compreender, aceitar e respeitar. Estou aqui para crescer, tal como todos nós.

      Espero que não levem a mal. Beijos, abraços, muito amor e paz. Be yourself no matter what.
      « Última modificação: 23 de Maio de 2012 por jakejus1 »
        Courage doesn’t always roar. Sometimes courage is the quiet voice at the end of the day that says, “I will try again tomorrow.”—Mary Anne Radmacher

        E o transgenerismo?
        #183

        Offline bluejazz

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        A era do pós-gênero?
        21.09.2011 15:45

        O cartunista Laerte Coutinho, de 60 anos, que em 2009 decidiu passar a se vestir como mulher, usar brincos e pintar as unhas de vermelho, está dentro do banheiro masculino quando entra um velhinho. Ao se deparar com a figura de cabelos grisalhos lisos num corte chanel, saia e salto alto, em pé diante do mictório, o homem estaca. “Não se preocupe, o senhor não está no banheiro errado”, diz Laerte. E o idoso, resignado: “É, eu estou é na idade errada”.

        Laerte já foi chamado de crossdresser, denominação utilizada para o homem que gosta de, ocasionalmente, usar roupas femininas como fetiche. Talvez o crossdresser mais famoso da história tenha sido o cineasta norte-americano Ed Wood, que vez por outra vestia trajes de mulher. Sentia que lhe acalmavam o espírito. Wood, encarnado no cinema pelo ator Johnny Depp no filme homônimo de Tim Burton, em 1994, era casado e, ao que tudo indica, heterossexual. Só que o cartunista acha que não é crossdresser como Wood porque não tem mais em seu armário roupas de homem. Nem uma só cueca, nada. “Foi a primeira gaveta que esvaziei”, conta.

        Por outro lado, as travestis, brinca Laerte, ficariam indignadas se ele dissesse ser uma, por não ter a -exuberância que se espera delas. Drag queen ele não é, porque não se veste como mulher para fazer performances. Usa vestidos e saias todo o tempo, para desenhar, pagar contas no banco ou ir até a esquina. Transexual também não, porque não tem interesse em fazer cirurgia de mudança de sexo e nem está insatisfeito com o próprio corpo “biológico”. Bissexual, sim, com certeza. “Nomenclaturas não me interessam. A busca por uma nomenclatura é uma tentativa de enquadramento. Sou uma pessoa transgênera e gosto do termo ‘pós-gênero’”, explica o cartunista.

        O fato é que não existe atualmente uma palavra para “enquadrar” Laerte. Tampouco há resposta definitiva para a questão: quantos gêneros existem na realidade? Só homem e mulher parecem não ser mais suficientes. Desde a quinta-feira 15, os australianos terão em seus passaportes a possibilidade de optar, além dos sexos “masculino” e “feminino”, por um gênero “indeterminado”. Cabem aí todas as possibilidades de definição de Laerte, ou qualquer outra que aparecer. A própria sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) já é utilizada por alguns grupos como LGBTIQ – adicionada de “intersex” e “questioning” (“em dúvida” ou “explorando possibilidades”).

        Com a mudança no passaporte, a Austrália na prática estende para todos os cidadãos o direito conquistado na Justiça em março do ano passado por Norrie May-Welby. Norrie, que nasceu homem, havia feito cirurgia de sexo para se tornar mulher, mas não se adaptou à nova condição. Recorreu à Justiça e se tornou a primeira pessoa do mundo a ser reconhecida como “genderless”, ou sem gênero específico. Após a decisão, Norrie May-Welby declarou: “Os conceitos de homem e mulher não cabem em mim, não são a realidade e, se aplicados a mim, são fictícios”. O sobrenome de Norrie, aliás, é um trocadilho com “may well be”, que em inglês significa “pode bem ser”.

        Para chegar à decisão, dois médicos o examinaram e concordaram que Norrie é psicológica e fisicamente andrógino. May-Welby comemorou a libertação da “gaiola do gênero” e sua história detonou uma discussão no país sobre a criação de direitos específicos para as pessoas sem gênero. Um problema prático é justamente a identificação em documentos oficiais. Para um homem transexual que fez a cirurgia de mudança de sexo, é possível em vários países mudar também os documentos. Mas o que fazer com os que não desejam ser identificados por gênero algum? “O caso de Norrie evidenciou a existência de pessoas que não desejam ter um sexo específico”, disse em dezembro John Hatzistergos, procurador-geral de New South Wales, o estado mais populoso da Austrália.

        Nascida mulher, a filósofa espanhola Beatriz Preciado, autora do livro Manifiesto Contrasexual, uma provocação intelectual que pretende subverter os conceitos de gênero e sexo é, ela própria, um ser híbrido que recusa qualquer definição. Preciado não se considera nem homem nem mulher nem homossexual nem transexual. Perguntada pelo jornal catalão La Vanguardia sobre seu gênero, Beatriz respondeu: “Esta pergunta reflete uma ansiosa obsessão ocidental, a de querer reduzir a verdade do sexo a um binômio. Dedico minha vida a dinamitar esse binômio. Afirmo a multiplicidade infinita do sexo”. Segundo a filósofa, a sexualidade humana é como os idiomas: pode-se aprender vários.

        Há psicólogos que concordam com Beatriz ao defender que uma coisa é o gênero e outra, completamente distinta, a atração sexual. Isso é o que torna possíveis os inúmeros casos relatados de indivíduos que fizeram cirurgia de mudança de sexo para se tornarem não heterossexuais, mas homossexuais. Explico: um homem, por exemplo, que se torna mulher não para ter relações com homens, como se poderia imaginar, mas com mulheres. Ou seja, que troca de sexo para ser gay.

        Aconteceu recentemente na Itália: Alessandro Bernaroli, de 40 anos, submeteu-se a uma mudança de sexo e tornou-se Alessandra em 2009, mas ele e a esposa não tinham a intenção de se separar, queriam permanecer juntos. O mais incrível é que acabaram alvos de um divórcio à revelia pela Justiça italiana, baseado no fato de o país não permitir legalmente casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Alessandra está recorrendo no tribunal de última instância e pode ir à Corte Europeia de Direitos Humanos se o seu direito de permanecer casada não for reconhecido.

        Há três anos, então aos 81, a escritora Jan Morris, que deixara de ser James através de uma cirurgia em 1972, decidiu casar novamente com sua companheira de toda a vida, Elizabeth Tuckniss. Eles tiveram cinco filhos juntos e nunca se separaram de fato, mesmo após a cirurgia. Por exigências legais, porém, haviam se divorciado logo depois de James se tornar Jan. James Morris, o primeiro jornalista a anunciar a conquista do Everest, diz, em seus relatos autobiográficos, que se transformou em Jan, mas nunca se sentiu homossexual, e sim “erroneamente equipado”. Achava que deveria ter nascido mulher e fez a cirurgia para corrigir o equívoco divino – o que não significava que quisesse abrir mão do amor de Elizabeth.

        “Esses casos comprovam que gênero e atração sexual podem ser coisas separadas. É muito complicado, há pessoas que nunca se conformam em ser enquadradas em um gênero”, diz o psicólogo Anthony Bogaert, professor do Departamento de Ciências Sanitárias da Brock- University, no Canadá. “Gênero é uma construção complexa. Ser macho ou fêmea, assumir papéis mais femininos ou mais masculinos, não vai necessariamente indicar que tipo de pessoa atrairá sexualmente um indivíduo. Homens com características mais -femininas, por exemplo, ou até transexuais, não necessariamente tenderão a se relacionar com pessoas do mesmo sexo.”

        Apesar das diferenças que estabelece entre gênero e orientação sexual, Bogaert considera discutíveis experiências como a do casal canadense Kattie Witterick e David Stocker, que, revelou-se ao mundo em maio, pretende manter o sexo de seu bebê, chamado apenas de Storm (tempestade), como um segredo de família. Isso significa que Storm crescerá sem gênero definido. Acossada por críticas de psicólogos, a mãe justificou-se dizendo ter tomado a decisão por causa da pressão sofrida por Jazz, seu filho mais velho, um garoto que gosta de usar tranças e sempre vestiu roupas de menina, para que “agisse como menino”.

        Caso parecido aconteceu há dois anos na Suécia com o bebê “Pop”, gênero não revelado, que aos 2 anos podia escolher se queria usar vestidos femininos ou roupas de garoto. “Nós queremos que Pop cresça o mais livremente possível, queremos evitar que seja forçado/a a assumir um gênero específico ditado pelo exterior”, explicou a mãe da criança. “É cruel trazer uma criança ao mundo com uma estampa azul ou cor-de-rosa pregada na testa.”

        Uma pré-escola na Suécia, a Egalia, baniu os termos “ele ou ela” para se referir aos pequenos alunos, que não são tratados como “meninos” ou “meninas”, mas como “amiguinhos”. Na brinquedoteca, a cozinha, com suas panelas e outros utensílios, supostamente “de predileção” nata das meninas, fica ao lado das peças de Lego e brinquedos de montar, normalmente “preferidos” pelos meninos, para que as crianças não tenham “barreiras mentais” e se sintam livres para escolher entre as duas brincadeiras. O sistema é chamado de “educação neutra em gênero”, mas já há quem tenha apelidado a ideia de “loucura dos gêneros”.

        Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp, a antropóloga Regina Facchini vê, no entanto, alguns aspectos positivos em não se enfatizarem gêneros e fortalecer estigmas na educação de crianças. “Em termos individuais, acho impossível criar uma criança sem gênero. Mas intervir no social, na escola, e não no sujeito, pode ser interessante.” A pesquisadora lembra que, no Brasil, os parâmetros curriculares aconselham fazer o possível para não estabelecer diferenças entre gêneros. Até mesmo em coisas pequenas, mas que denotam estereótipo, como, por exemplo, dar para os garotos a função “masculina” de carregar coisas pesadas.

        “Existem discussões candentes hoje em dia. Os banheiros das escolas atendem os alunos transexuais? Agora, a identidade de gênero existe. Desde o momento que a criança botou a cabeça para fora, ela vai sendo construída, a partir das expectativas criadas em torno dela pelos pais, pela sociedade. Essa é uma realidade”, diz a antropóloga. “Sem dúvida, quanto menos a escola enfatizasse gêneros, menos seria traumático para algumas crianças. Assim como também seria positivo ensinar que existem várias formas de masculino e feminino que devem ser respeitadas. O que existe na maior parte dos lugares é o oposto disso.”

        Até os 7 anos, o paulista Leo Moreira Sá, caçula de nove irmãos, brincava com os amigos no quintal, todos meninos, usando um short sem camiseta. No dia que ele conta ser o mais chocante de sua vida, a mãe vestiu-o com o uniforme da escola, uma sainha com blusa. Ele reclamou: “Mas isso é roupa de menina”. Ela olhou-o profundamente nos olhos e pronunciou a frase que o marcaria dali por diante: “Você É uma menina”.

        Foram anos de rebeldia, bullying e inadaptação escolar até que Leo, então Lou Moreira, entrou para as Ciências Sociais da USP e descobriu na literatura algumas respostas para suas dúvidas. Ainda assim, continuava a se sentir inadaptada. Entrou para um grupo ativista de lésbicas, mas não se sentia bem aceita por ser considerada “masculina demais”. O melhor momento para ela então foi a atuação, nos anos 1980, como baterista da banda de punk-rock As Mercenárias, look andrógino, cabelo descolorido curtíssimo e ar desafiador.

        Em 1995, Lou era casada com uma garota quando viu na rua a travesti Gabriella Bionda, a Gabi. “Pensei: ‘que mulher linda’”, conta. Gabi olhou para ela e falou: “Que ‘viadinho’ bonitinho”. Foi o início da relação surpreendente entre a lésbica e o travesti, que duraria nove anos e tornaria a dupla figurinha carimbada na noite paulistana. O curioso é que houve um período que Gabi “montava” Lou para que esta parecesse mais feminina, mas, nos últimos anos, ela vem se transformando em Leo. Aos 53 anos, planeja, inclusive, fazer a cirurgia de retirada dos seios e, futuramente, de mudança de sexo.

        Não que tenha decidido se pretende se relacionar amorosamente com homem, mulher ou outro gênero. “No momento, não estou me relacionando com ninguém, estou pensando só na cirurgia”, diz Leo, para quem Gabi ainda é o amor de sua vida. “A Gabi é minha alma gêmea, meu espelho invertido. Estar com aquela mulher com corpo de homem quebrou certos limites da minha sexualidade. Na cama, éramos o casal mais versátil que se possa imaginar. Hoje, desfruto de um leque muito amplo de possibilidades. Nada está fechado.”

        Leo, que toma hormônios, criou barba e possui uma aparência exterior masculina, rejeita assumir a identidade de homem. Não gosta do termo “transexual”, mas prefere se nomear assim, à falta de outro. “Adoraria não precisar assumir gênero algum”, admite o ator, que integra o grupo de teatro dos Sátyros, em São Paulo, cujas montagens costumam incluir transexuais e travestis no elenco. “Vivi à margem durante muitos anos. Agora, ao contrário, essa sensação de não pertencimento ao mundo me faz feliz, sinto-me um ser humano integral, completo. Vou operar para fazer um ajuste, para me sentir mais cômodo com meu próprio corpo. Mas assumir um gênero, para quê?”

        http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-era-do-pos-genero-2/
          "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

          E o transgenerismo?
          #184

          nuninhaa.

          • Visitante
          transsexualismo não é um estado de espirito mas sim uma condição médica , tal como a diabetes , a partir de ai façam as vossas próprias conclusões.

            E o transgenerismo?
            #185

            Offline bluejazz

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            DSM-V To Rename Gender Identity Disorder 'Gender Dysphoria'
            The newest edition of the psychiatric diagnostic manual will do away with labeling transgender people as "disordered."
            BY Camille Beredjick
            July 23 2012 8:00 PM ET

            The newest edition of the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, or DSM, will replace the diagnostic term “Gender Identity Disorder” with the term “Gender Dysphoria,” according to the Associated Press.

            For years advocates have lobbied the American Psychiatric Association to change or remove categories labeling transgender people in a psychiatric manual, arguing that terms like “Gender Identity Disorder” characterize all trans people as mentally ill. Based on the standards to be set by the DSM-V, individuals will be diagnosed with Gender Dysphoria for displaying “a marked incongruence between one’s experienced/expressed gender and assigned gender.”

            “All psychiatric diagnoses occur within a cultural context,” said Jack Drescher, a member of the APA subcommittee working on the revision. “We know there is a whole community of people out there who are not seeking medical attention and live between the two binary categories. We wanted to send the message that the therapist’s job isn’t to pathologize.”

            Homosexuality was diagnosed in the DSM as an illness until 1973, and conditions pertaining to homosexuality were not entirely removed until 1987. According to Dana Beyer, who helped the Washington Psychiatric Society make recommendations on matters of gender and sexuality, the new term implies a temporary mental state rather than an all-encompassing disorder, a change that helps remove the stigma transgender people face by being labeled “disordered.”

            “A right-winger can’t go out and say all trans people are mentally ill because if you are not dysphoric, that can’t be diagnosed from afar,” Beyer told the AP. “It no longer matters what your body looks like, what you want to do to it, all of that is irrelevant as far as the APA goes.”

            From a legal perspective, the classification of Gender Identity Disorder is extremely harmful to some trans people, but surprisingly beneficial to others.

            In one legal case, says San Francisco psychiatrist Dan Karasic, a trans woman from Utah risks losing the children she fathered before her transition. Because she is trans, a lawyer has argued that her GID is a “severe, chronic mental illness that might be harmful to the child.”

            But in other cases, a GID diagnosis justifies insurance coverage for gender reassignment surgery and other medical procedures that sometimes accompany a transition. Having a diagnosis is the difference between a necessary medical procedure and something that can be perceived as cosmetic surgery that insurance won’t cover, Drescher says.

            Others argue that GID should stay in the DSM in some form because it provides a solid legal defense for transgender people who have experienced discrimination based on their gender identity.

            “Having a diagnosis is extremely useful in legal advocacy,” said Shannon Minter, legal director of the National Center for Lesbian Rights. “We rely on it even in employment discrimination cases to explain to courts that a person is not just making some superficial choice ... that this is a very deep-seated condition recognized by the medical community.”

            Mental health professionals who work with trans clients are also pushing for a revised list of symptoms, so that a diagnosis will not apply to people whose distress comes from external prejudice, adults who have transitioned, or children who simply do not meet gender stereotypes.

            http://www.advocate.com/politics/transgender/2012/07/23/dsm-replaces-gender-identity-disorder-gender-dysphoria


            Transgender advocates seek new diagnostic terms
            Written by Lisa Leff, AP writer
            Jul 23, 2012

            The nation’s psychiatric establishment is overhauling its diagnostic manual for the first time in almost two decades.

            Advocates have spent years lobbying the American Psychiatric Association to rewrite or even remove categories typically used to diagnose transgender people, arguing that terms such as “Gender Identity Disorder” and “Transvestic Fetishism” promote discrimination by broad-brushing a diverse population with the stigma of mental illness.
            “The label of mental defectiveness really places a burden on trans people to continually prove our competence in our affirmed roles,” Kelley Winters, a Colorado scholar who has helped lead the push for changes, said.

            Although the association’s new Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders is not scheduled to be printed until the end of the year, the updates are taking shape after three rounds of proposed changes.

            Professionals who have been part of or closely observing the amendment process say the latest wording, while not going as far as many advocates wanted, respects the broader shift in society’s understanding and acceptance of what it means to be transgender since the last major revision of the manual was published in 1994.

            “All psychiatric diagnoses occur within a cultural context,” New York psychiatrist Jack Drescher, a member of the APA subcommittee working on the issue, said. “We know there is a whole community of people out there who are not seeking medical attention and live between the two binary categories. We wanted to send the message that the therapist’s job isn’t to pathologize.”

            The most symbolic change under consideration so far for the manual’s fifth edition, known as the DSM-V for short, is a new name for “Gender Identity Disorder,” the diagnosis now given to adults, adolescents and children with “a strong and persistent cross-gender identification.”

            In the manual’s next incarnation, individuals displaying “a marked incongruence between one’s experienced/expressed gender and assigned gender” would be diagnosed instead with “Gender Dysphoria,” a term that comes from the Greek word for emotional distress.

            Switching the emphasis from a disorder that by definition all transgender people possess to a temporary mental state that only some might possess marks real progress, according to Dana Beyer, a retired eye surgeon who helped the Washington Psychiatric Society make recommendations for the chapter on “Sexual and Gender Identity Disorders.”

            “A right-winger can’t go out and say all trans people are mentally ill because if you are not dysphoric, that can’t be diagnosed from afar,” Beyer said. “It no longer matters what your body looks like, what you want to do to it, all of that is irrelevant as far as the APA goes.”

            Persuading the psychiatric profession to redefine who and who does not qualify for its care has historical precedent as a civil rights issue.

            In 1973, the APA, responding to pressure from the gay and lesbian community, concluded that same-sex attraction was a normal part of human experience, not an illness.

            Although it took another 14 years for all conditions related to homosexuality to be lifted from the DSM, the earlier shift is regarded as a major milestone in the gay rights movement, one that paved the way for gays to adopt children, get married and serve in the military.

            Like gay men and lesbians before them, transgender people have seen the APA’s language cited to their disadvantage.

            Dan Karasic, a San Francisco psychiatrist who has offered suggested changes to the DSM-V through his affiliation with the World Professional Association for Transgender Health, cited a Utah case in which he has been asked to prepare expert witness testimony involving a transgender woman who is at risk of losing the children she fathered before her transition.

            “The argument is that one criteria for terminating parental rights is if one parent has a severe, chronic mental illness that might be harmful to the child,” Karasic said. “A lawyer is apparently using that to argue that because the person is trans and has a diagnosis of GID, she should have her parental rights terminated.”

            But while there are parallels, achieving what the APA did for gays four decades ago is more complicated for people who identity as transgender, an umbrella term that encompasses transsexuals, cross-dressers and others whose self-concepts otherwise do not align with the male or female label they were given at birth. Unlike sexual orientation, the accepted protocols for treating many patients expressing profound discomfort with their given gender call for medical intervention.

            Since at least the 1980s, for example, a diagnosis of Transsexualism or Gender Identity Disorder has been used by doctors, mental health professionals and a growing number of health insurers to justify access to hormones or surgery for patients who decide to physically transition to a new sex. Eliminating it from the DSM-V therefore could make it more difficult for self-identified transsexuals to qualify for treatment.

            “Let’s say someone born a woman walks into my surgical office and says, ‘I would like my breasts removed.’ What’s the diagnosis?” Drescher said. “The procedure is a mastectomy, but if there is no diagnosis, it is cosmetic surgery and your insurance won’t pay for it.”

            As work on the DSM-V moves forward, lawyers who specialize in representing transgender clients have found themselves in the uncomfortable position of arguing that Gender Identity Disorder needs to stay in the manual in some form. Shannon Minter, legal director of the National Center for Lesbian Rights, said while it’s true the diagnosis has been used against some, it also has benefitted others.

            “Having a diagnosis is extremely useful in legal advocacy,” Minter said. “We rely on it even in employment discrimination cases to explain to courts that a person is not just making some superficial choice ... that this is a very deep-seated condition recognized by the medical community.”

            Along with pushing for a less-loaded name for Gender Identity Disorder, activists and mental health professionals who work with transgender clients also want to see the symptoms revised so the diagnosis is not applied to people whose distress stems from external prejudice, adults who have successfully transitioned to a different gender or children based on sex stereotypes such as aversion to “rough-and-tumble-play” or “typical feminine clothing.”

            Kenneth Zucker, a Canadian psychiatrist who chairs the APA Sexual and Gender Identity Disorders Work Group, predicted that with more transgender people coming out at younger ages, and little scientific understanding of what causes someone to be transgender, the debate is likely to continue.

            “All of us who work in this field are seeing a huge increase in the number of people who come to see us who have Gender Dysphoria,” Zucker said. “There is clearly a clinical need for there to be specialists in this area, and apart from the philosophical musings, having a diagnosis facilitates that.”

            Download a PDF of the current issue of Wisconsin Gazette and join our Facebook community.

            http://www.wisconsingazette.com/breaking-news/transgender-advocates-seek-new-diagnostic-terms.html
              "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

              E o transgenerismo?
              #186

              beforesunset

              • Visitante
              O transgenerismo é muito mais parecido com a transexualidade do que as pessoas gostam de afirmar.

              Nao me parece que as pessoas transgenero ou transexuais (falo enquanto tal) tenham um problema mental ou seja "um fenomeno que tenha de ser explicado". Como ouvi uma vez relativamente à homossexualidade: "E porque é que não descobrem a causa da heterossexualidade?". Provem tudo do mesmo: Construções SOCIAIS de papéis de género que servem para a REPRODUÇÃO!

              Ninguem nasce mulher, torna-se - lá dizia Simone de Beauvoir. O mesmo aplicava para os homens. Geralmente quebro a barreira entre os géneros, ms não me faz um alien...todos nos o podemos fazer se o experimentarmos e nos permitirmos experimentar.

              Parece-me, tambem, que a transexualidade e o transgenerismo resultam, assim, do nosso envolvimento com a sociedade em que estamos e as regras de genero impostas por ela.

              Porque:

              vagina -> cromossoma xx -> vai-se "sentir" mulher  -> vai agir de forma feminina -> vai vestir roupa feminina -> sente-se atraído por homens
              pénis -> cromossoma xy - > vai-se "sentir" homem -> vai agir de forma máscula - > vai vestir roupa masculina -> sente-se atraído por mulheres


              Não faz sentido nenhum ser uma regra, as excepçoes são várias, e foi criado com o intuito de nos programar a todos em seres ignorantes e só reprodutores.

              Não existem só estas pessoas no universo: desde pessoas intersexo (li uma investigaçao que estimava que 60% das pessoas do mundo nascem intersexo - com alguma variaçao "biologica"/"cromossomatica" do que esta regra diz - geralmente o que acontece é ir à faca antes do bebe ter direito a opiniao sobre o seu corpo...tudo para caber num dogma que não respeita a diferença) a pessoas transgénero (alguma variação de se sentir mulher e/ou homem e/ou outro genero qualquer) ou transexuais (nao sao intersexo e ora sentem ser mulheres, tendo anatomia "considerada de homem" ora sentem ser homens, tendo anatomia "considerada de mulher"), homossexuais, bissexuais, assexuais, mulheres que se comportam e/ou vestem de forma masculina e vice versa, etc etc etc

              Aliás, não é "sentir ser mulher" ou "sentir ser homem", a partir do momento em que sentes ser de um género, és desse. Se não o sentes, não és de nenhum. Acho que maioria das pessoas no mundo e mesmo neste fórum simplesmente não são de nenhum género, porque nunca pensaram no assunto (a mim aconteceu-me isso).


              E atenção que transgéneros e genderqueer não estão sós nem somos poucos, aliás, em sitios como o tumblr somos a maioria :D  Recomendo este blog: http://genderqueer.tumblr.com/ e este site: http://genderfork.com/
              « Última modificação: 21 de Setembro de 2012 por beforesunset »

                E o transgenerismo?
                #187

                Offline bluejazz

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                Não existem só estas pessoas no universo: desde pessoas intersexo (li uma investigaçao que estimava que 60% das pessoas do mundo nascem intersexo - com alguma variaçao "biologica"/"cromossomatica" do que esta regra diz - geralmente o que acontece é ir à faca antes do bebe ter direito a opiniao sobre o seu corpo...tudo para caber num dogma que não respeita a diferença)

                Também estudei o assunto da intersexualidade/intersexo, numa perspectiva das questões de género/biologia, e a prevalência que conheço é de 1% a 0,01% (com variações deste valor conforme o tipo de intersexualidade) na população. Aliás esse valor de 60% é muito, muito elevado para ser real (ainda mais tendo em conta que muitas das pessoas intersexuais por inerência dessa característica - dependendo de qual é o seu tipo de intersexualidade - são inférteis, isso implicaria também uma taxa de infertilidade na população em geral muito elevada também, quando os valores que temos de infertilidade em geral é entre os 10-20%).
                  "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

                  E o transgenerismo?
                  #188

                  Offline BrunoMCP

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                  • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
                  Até gosto da utilização de "genderqueer" como termo guarda-chuva.

                  Alguém identifica-se com estes conceitos? mas principalmente, alguém aprecia ou gosta ou consegue gostar de alguém que se enquadre nestes estes conceitos?

                  Eu considero-me nongendered/genderless/agender/neutrois, se for a guiar-me por esse fofíssimo artigo da Wikipedia.
                  Tudo isso inserido no conceito de genderqueer.
                  Desde pequeno que não me faz sentido a existência de géneros.
                  É de certa forma reconfortante a existência de palavras que definam a minha posição.

                  Uma coisa que me faz comichão: sendo genderqueer, até que ponto me posso considerar transgénero, tendo em conta as definições portuguesas?
                  « Última modificação: 4 de Agosto de 2014 por BrunoMCP »

                    Princesas Impossíveis - Pessoas Trangêneras
                    #189

                    Offline Fernando de Oliveira Lúci

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                    • Novo Membro
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                    Olá, como vão? Este é um documentário que fiz sobre pessoas trans e travestis. Foi meu TCC. Apresentei e tirei 10. Pra quem tiver interesse sobre o tema, segue o link do vídeo:
                    https://www.youtube.com/watch?v=Qz4ZANLcwPU

                      Princesas Impossíveis - Pessoas Trangêneras
                      #190

                      Offline Dreamer

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                      Adorei! Esse documentário mostra bem a realidade brasileira e as opiniões dxs brasileirxs, já tinha visto outros videos do género englobando o mesmo tema e o mesmo país mas este superou quase todos.

                      Aqui em Portugal penso que a realidade dxs transgéneros seja um pouco diferente (não tão focada na prostituição/vida noturna), a nivel de preconceito e dificuldade na transição parece ser idêntico ao Brasil. A unica grande diferença a meu ver é que em Portugal existe menos violência fisica.

                      No minuto 25:27 a transgénero diz: "a minha mãe até hoje faz oração para eu virar menino" . É interessante o comportamento de alguns familiares que tentam de diversas formas anular/reverter as orientações sexuais e as "correções de género".


                      Parabéns @Fernando de Oliveira Lúci !  :up [smiley=feliz.gif]
                        Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.
                        Jean Cocteau

                         

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