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Pais - Reacções e Perguntas Comuns

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bluejazz:
8. PAIS – REACÇÕES E PERGUNTAS

Na maioria dos casos, é um choque para os pais saber que @ filh@ é homossexual/bissexual. Quer seja pai ou mãe, quer tenha suspeitado de alguma coisa ou sido apanhad@ completamente desprevenid@, esta descoberta pode ser destabilizadora. O objectivo deste capítulo não é conseguir que os pais aceitem a homossexualidade/bissexualidade d@s filh@s sem dificuldade. Uma aceitação deste género necessita de tempo e requer que pais e filh@s cooperem, dialoguem e se questionem mutuamente. Existem, porém, questões e preocupações subjacentes a todos.


Questões frequentes/comuns

- Porque é que ele/a precisa de mo dizer?

Certos pais pensam que seria preferível não saber de nada. Mas, se ignorassem que @ filh@ é homossexual/bissexual, jamais ficariam a conhecê-l@ verdadeiramente. Um grande pedaço da sua vida ficaria escondido, sem nunca verem a pessoa que el@ é no seu todo. O facto do seu/sua filh@ lhe contar representa uma prova de confiança e amor.

- Porque nos faz isto?

Muitos pais sentem rancor pela homossexualidade/bissexualidade d@ filh@, como consequência do falso pressuposto que a homossexualidade é algo que se escolhe. De facto, os homossexuais/bissexuais não optam pela sua orientação sexual. Limitam-se a ser eles próprios: a homossexualidade/bissexualidade é a sua natureza genuína. A única escolha que a maioria dos gays, lésbicas e bissexuais dispõem, é a de ser ou não honest@s com a sua identidade.
Esconder sentimentos, a sua verdadeira identidade, provoca uma tensão enorme. Isto implica viver uma mentira, dia após dia. Que pais gostariam de ver @ filh@ viver assim?

- Onde é que falhámos?

A maior parte dos pais sente-se culpada pela homossexualidade/bissexualidade d@ filh@. Contudo, a educação não determina a orientação sexual: existem homossexuais/bissexuais em todo o tipo de famílias, de diferentes origens e estratos. Além disso, nenhuma experiência sexual condiciona a orientação sexual: geralmente, é apenas quando se apaixonam que percebem qual é a sua orientação sexual.
Só eles/as poderão determinar por quem se sentem atraíd@s. Hoje em dia, acredita-se que a orientação sexual de uma criança se define muito cedo ou mesmo à nascença. Para além disso, as verdadeiras “causas” da homossexualidade/bissexualidade são ainda desconhecidas. De qualquer modo, nem pais nem filhos são responsáveis por esta situação. Se é verdade que a homossexualidade/bissexualidade pode ser desconfortável a diversos níveis, pense também que pode trazer muitas alegrias.

- Será que ele/a vai ser posto de parte, ou ficar desempregad@?

Devemos responder isto: depende de onde decidir viver, o tipo de trabalho que pretender, o comportamento que tiver. Mas devemos acrescentar que as atitudes em relação à homossexualidade/bissexualidade estão a evoluir e a sociedade a tornar-se cada vez mais aberta em muitos países.

- Será que ele/a vai ficar só e sem “família” na velhice?

Talvez, mas isso acontece frequentemente. Aliás, muitas pessoas têm de se habituar à solidão ao envelhecer. E para além disso, @s lésbicas, gays e bissexuais incluem na sua concepção familiar não somente pessoas do seu sangue, mas também amigos e/ou parceir@s. Muitos estabelecem relações de longa duração e encontram na comunidade LGBT amig@s que @s apoiam calorosamente ao longo das suas vidas.

- Será que vai ser apanhad@ nas malhas da lei?      

Na maioria dos países ocidentais, as lésbicas, os gays e os bissexuais não são reprimid@s e em alguns países escandinavos chegaram inclusive a promulgar leis anti-discriminatórias.

- Deveríamos levar @ noss@ filh@ a um psicólogo?

A Associação Americana de Psiquiatria (seguida em 1996 pela Organização Mundial de Saúde) demarcou-se oficialmente ao afirmar que não é eticamente aceitável tentar mudar a orientação sexual de um homossexual. É presentemente consensual nos meios psiquiátricos a ideia de que a homossexualidade não é, ao contrário do que se supunha anteriormente, uma doença que pode e deva ser tratada. Todavia, muita gente, incluindo homossexuais, está tão impregnada pelos preconceitos da nossa sociedade que não conseguem aceitar a sua orientação sexual. Nestes casos, é aconselhável recorrer a ajuda psicológica ou psiquiátrica para conseguirem aceitar-se como são. @ interessad@ não pode estar chei@ de preconceitos.

- Deveríamos contar à família? Que dirão os vizinhos?

Esta é uma preocupação real. Os pais, que lutam ainda contra a própria recusa da homossexualidade/bissexualidade d@ filh@, temem que outros venham a descobri-la. É-lhes ainda difícil imaginar certas perguntas: “Ele/a tem namorad@?”, “Quando é que ele/a se casa?” e ainda mais sujeitar-se a brincadeiras homófobas. Neste tipo de situação, antes de mais, não conte nada a ninguém sem o consentimento d@ seu/sua filh@. De seguida, não o deverá dizer sem antes alcançar um estado em que consiga defender-se de si mesmo desta ideia. Vai demorar algum tempo a aceitá-lo e se não conseguir pensar positivamente transmitirá as suas tristezas e dúvidas aos outros. Quando estiver preparad@, ser-lhe-à mais fácil falar sobre o assunto.

- Nós aceitamos, mas é preciso andar a gritá-lo por aí?

Frequentemente, embora tenham aceite a homossexualidade d@ filh@, os pais não conseguem lidar com um comportamento mais aberto. Sentem-se mal perante manifestações públicas de afecto e/ou atracção por pessoas do mesmo sexo. Trata-se de uma consequência da nossa educação relativamente ao sexo em geral e à homossexualidade em particular. Se os heterossexuais podem afixar o seu afecto em público, não existe uma razão lógica para os homossexuais não o poderem fazer. A discrição é válida para tod@s.

Retirado da Brochura "Sê tu própri@" (a editar pela Rede Ex Aequo). Para uma versão preliminar visitar: http://ex-aequo.web.pt/brochura.html

cacao:
Fiz um copy paste e mandei-o num mail à minha mãe... ainda não me disse nada mas no fundo, lá bem no fundo sei que o leu.

Gostava de lhe ter escrito uma introdução com palavras bonitas. Não o fiz. Copiei e colei a seco num mail com fundo branco.

Se um dia a minha mãe viesse por aqui (o dia menos pensado dela quiças...) gostaria que encontrasse o que lhe gostaria de ter escrito ontem. Seria assim:

Mãe,
és a mais querida, sempre o foste. Obrigada por nunca me faltar.

um beijo grande grande,
saroco




sonja:
Tenho pena de os meus pais não terem e-mail.
Também não sei se teria coragem de lhes enviar o mail :´.

Em todo caso é só para dizer que os meus velhotes (que eu adoro apesar de tudo) não gostaram da ideia da filha não casar e passaram por algumas das fases descritas. Eles não aceitaram.
E eu não soube o que dizer/fazer, a não ser voltar a esconder-me.  :(
Pode ser que algum dia...

Sonja

barthez:
Tá muito fixe essa cena de perguntas e respostas! :) :)

Eu ainda não contei aos meus pais mas quando contar quero ter este texto à mão!!!

nicsparks:
Possivelmente, na altura que os meus pais souberam, fez-me falta este texto por perto :-/

mas já está , já está!!! e estou contete por eles o saberem...apesar dos contras da situação.....

:up :-* :up
 nics

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