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Olá Visitante29.fev.2020, 06:30:10

Autor Tópico: Pais - Reacções e Perguntas Comuns  (Lida 38995 vezes)

 
Pais - Reacções e Perguntas Comuns
#0

Offline bluejazz

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8. PAIS – REACÇÕES E PERGUNTAS

Na maioria dos casos, é um choque para os pais saber que @ filh@ é homossexual/bissexual. Quer seja pai ou mãe, quer tenha suspeitado de alguma coisa ou sido apanhad@ completamente desprevenid@, esta descoberta pode ser destabilizadora. O objectivo deste capítulo não é conseguir que os pais aceitem a homossexualidade/bissexualidade d@s filh@s sem dificuldade. Uma aceitação deste género necessita de tempo e requer que pais e filh@s cooperem, dialoguem e se questionem mutuamente. Existem, porém, questões e preocupações subjacentes a todos.


Questões frequentes/comuns

- Porque é que ele/a precisa de mo dizer?

Certos pais pensam que seria preferível não saber de nada. Mas, se ignorassem que @ filh@ é homossexual/bissexual, jamais ficariam a conhecê-l@ verdadeiramente. Um grande pedaço da sua vida ficaria escondido, sem nunca verem a pessoa que el@ é no seu todo. O facto do seu/sua filh@ lhe contar representa uma prova de confiança e amor.

- Porque nos faz isto?

Muitos pais sentem rancor pela homossexualidade/bissexualidade d@ filh@, como consequência do falso pressuposto que a homossexualidade é algo que se escolhe. De facto, os homossexuais/bissexuais não optam pela sua orientação sexual. Limitam-se a ser eles próprios: a homossexualidade/bissexualidade é a sua natureza genuína. A única escolha que a maioria dos gays, lésbicas e bissexuais dispõem, é a de ser ou não honest@s com a sua identidade.
Esconder sentimentos, a sua verdadeira identidade, provoca uma tensão enorme. Isto implica viver uma mentira, dia após dia. Que pais gostariam de ver @ filh@ viver assim?

- Onde é que falhámos?

A maior parte dos pais sente-se culpada pela homossexualidade/bissexualidade d@ filh@. Contudo, a educação não determina a orientação sexual: existem homossexuais/bissexuais em todo o tipo de famílias, de diferentes origens e estratos. Além disso, nenhuma experiência sexual condiciona a orientação sexual: geralmente, é apenas quando se apaixonam que percebem qual é a sua orientação sexual.
Só eles/as poderão determinar por quem se sentem atraíd@s. Hoje em dia, acredita-se que a orientação sexual de uma criança se define muito cedo ou mesmo à nascença. Para além disso, as verdadeiras “causas” da homossexualidade/bissexualidade são ainda desconhecidas. De qualquer modo, nem pais nem filhos são responsáveis por esta situação. Se é verdade que a homossexualidade/bissexualidade pode ser desconfortável a diversos níveis, pense também que pode trazer muitas alegrias.

- Será que ele/a vai ser posto de parte, ou ficar desempregad@?

Devemos responder isto: depende de onde decidir viver, o tipo de trabalho que pretender, o comportamento que tiver. Mas devemos acrescentar que as atitudes em relação à homossexualidade/bissexualidade estão a evoluir e a sociedade a tornar-se cada vez mais aberta em muitos países.

- Será que ele/a vai ficar só e sem “família” na velhice?

Talvez, mas isso acontece frequentemente. Aliás, muitas pessoas têm de se habituar à solidão ao envelhecer. E para além disso, @s lésbicas, gays e bissexuais incluem na sua concepção familiar não somente pessoas do seu sangue, mas também amigos e/ou parceir@s. Muitos estabelecem relações de longa duração e encontram na comunidade LGBT amig@s que @s apoiam calorosamente ao longo das suas vidas.

- Será que vai ser apanhad@ nas malhas da lei?      

Na maioria dos países ocidentais, as lésbicas, os gays e os bissexuais não são reprimid@s e em alguns países escandinavos chegaram inclusive a promulgar leis anti-discriminatórias.

- Deveríamos levar @ noss@ filh@ a um psicólogo?

A Associação Americana de Psiquiatria (seguida em 1996 pela Organização Mundial de Saúde) demarcou-se oficialmente ao afirmar que não é eticamente aceitável tentar mudar a orientação sexual de um homossexual. É presentemente consensual nos meios psiquiátricos a ideia de que a homossexualidade não é, ao contrário do que se supunha anteriormente, uma doença que pode e deva ser tratada. Todavia, muita gente, incluindo homossexuais, está tão impregnada pelos preconceitos da nossa sociedade que não conseguem aceitar a sua orientação sexual. Nestes casos, é aconselhável recorrer a ajuda psicológica ou psiquiátrica para conseguirem aceitar-se como são. @ interessad@ não pode estar chei@ de preconceitos.

- Deveríamos contar à família? Que dirão os vizinhos?

Esta é uma preocupação real. Os pais, que lutam ainda contra a própria recusa da homossexualidade/bissexualidade d@ filh@, temem que outros venham a descobri-la. É-lhes ainda difícil imaginar certas perguntas: “Ele/a tem namorad@?”, “Quando é que ele/a se casa?” e ainda mais sujeitar-se a brincadeiras homófobas. Neste tipo de situação, antes de mais, não conte nada a ninguém sem o consentimento d@ seu/sua filh@. De seguida, não o deverá dizer sem antes alcançar um estado em que consiga defender-se de si mesmo desta ideia. Vai demorar algum tempo a aceitá-lo e se não conseguir pensar positivamente transmitirá as suas tristezas e dúvidas aos outros. Quando estiver preparad@, ser-lhe-à mais fácil falar sobre o assunto.

- Nós aceitamos, mas é preciso andar a gritá-lo por aí?

Frequentemente, embora tenham aceite a homossexualidade d@ filh@, os pais não conseguem lidar com um comportamento mais aberto. Sentem-se mal perante manifestações públicas de afecto e/ou atracção por pessoas do mesmo sexo. Trata-se de uma consequência da nossa educação relativamente ao sexo em geral e à homossexualidade em particular. Se os heterossexuais podem afixar o seu afecto em público, não existe uma razão lógica para os homossexuais não o poderem fazer. A discrição é válida para tod@s.

Retirado da Brochura "Sê tu própri@" (a editar pela Rede Ex Aequo). Para uma versão preliminar visitar: http://ex-aequo.web.pt/brochura.html
    "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

    Pais - reacções e perguntas comuns
    #1

    Offline cacao

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    Fiz um copy paste e mandei-o num mail à minha mãe... ainda não me disse nada mas no fundo, lá bem no fundo sei que o leu.

    Gostava de lhe ter escrito uma introdução com palavras bonitas. Não o fiz. Copiei e colei a seco num mail com fundo branco.

    Se um dia a minha mãe viesse por aqui (o dia menos pensado dela quiças...) gostaria que encontrasse o que lhe gostaria de ter escrito ontem. Seria assim:

    Mãe,
    és a mais querida, sempre o foste. Obrigada por nunca me faltar.

    um beijo grande grande,
    saroco




      Another one will bite the dust...

      "Se não houvesse nem mar nem amor, ninguém escreveria livros." -  Duras

      "A felicidade é o livre uso das nossas capacidades". - V. Woolf

      Pais - reacções e perguntas comuns
      #2

      Offline sonja

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      Tenho pena de os meus pais não terem e-mail.
      Também não sei se teria coragem de lhes enviar o mail :´.

      Em todo caso é só para dizer que os meus velhotes (que eu adoro apesar de tudo) não gostaram da ideia da filha não casar e passaram por algumas das fases descritas. Eles não aceitaram.
      E eu não soube o que dizer/fazer, a não ser voltar a esconder-me.  :(
      Pode ser que algum dia...

      Sonja

        Pais - reacções e perguntas comuns
        #3

        Offline barthez

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        • k os números nunca te façam eskecer as pessoas
        Tá muito fixe essa cena de perguntas e respostas! :) :)

        Eu ainda não contei aos meus pais mas quando contar quero ter este texto à mão!!!
          "people should be allowed to fall in love with whoever they want! I mean... otherwise what's the point of living?!" once and again

          Pais - reacções e perguntas comuns
          #4

          nicsparks

          • Visitante
          Possivelmente, na altura que os meus pais souberam, fez-me falta este texto por perto :-/

          mas já está , já está!!! e estou contete por eles o saberem...apesar dos contras da situação.....

          :up :-* :up
           nics

            Re:Pais - reacções e perguntas comuns
            #5

            Offline Eurydice

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            Eu mandei as reacções e perguntas comuns á minha mãe, não que achasse necessário mas sei que apesar de ela aceitar e apoiar-me, sei que sofre pq eu tb sofro...sabe que não é fácil, e assim apoiamo-nos uma à outra :)

            Mas gostou mt, e mandou dar os parabens às pessoas que iniciaram e mantêm esse projecto :)

            Já dei a palavra :)
             ehehe
              Anna: Love bores you.
              Dan: No, it disappoints me.



              "Thing to remember is if we're all alone,  then we're all together in that too. "

              Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
              #6

              Offline Planta xerófila

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              Guia de Orientação para Pais e Mães de Homossexuais

              O objetivo deste guia é orientar pais de filhos homossexuais. Ele é apresentado em forma de perguntas e respostas com questões práticas do dia-a-dia. São perguntas comuns formuladas por pai e mãe. Os pais, quando fazem uma pergunta sobre a homossexualidade do filho, trazem uma carga emocional acompanhada de muita vergonha e culpa. Esta situação é um reflexo, muitas vezes, de pura falta de informação. Quero alertar que este guia não contém verdades absolutas. A homossexualidade, apesar de existir desde que o Ser Humano apareceu na face da terra, ainda é pouco estudada pela Ciência. Tenho a preocupação aqui de separar mitos e verdades sobre a homossexualidade. Este guia é dinâmico e sempre será atualizado. Envie sua dúvida para mim através do e-mail jotapedrosa@armariox.com.br

              Este guia deve ser copiado, impresso, xerocado e distribuído a quem interessar. Se você já saiu do armário ou esta saindo e encontra-se numa boa com seus pais, imprima este guia e leia junto com eles. Pedimos apenas que nas cópias seja sempre citado este crédito:

              "Guia elaborado pelo psicólogo João Batista Pedrosa - CRP 06/31768.3 exclusivamente para o site www.armariox.com.br / Maio de 2003."

              1. O que é a homossexualidade?

              É a orientação do desejo (paixões e fantasias sexuais) para a pessoa do mesmo sexo. No caso do homossexual seu objeto de desejo é uma pessoa do mesmo sexo. Na natureza encontramos dois tipos de identidade de gênero; o masculino e o feminino. Porém, existem mais de dois tipos de orientação sexual. A grande maioria das pessoas tem a orientação sexual heterossexual, mas encontramos outras com a orientação homossexual ou mesmo bissexual. Isto ocorre por conta da diversidade da natureza.

              2. Homossexualidade é uma doença?

              A APA (Associação Americana de Psiquiatria) retirou a homossexualidade do seu "Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais” (DSM) em 1973, depois de rever estudos e provas que revelavam que a homossexualidade não se enquadra nos critérios utilizados na categorização de doenças mentais. A homossexualidade é, portanto, uma forma de orientação sexual. Em 1985, o Conselho Federal de Medicina do Brasil passa a desconsiderar o artigo 302.0 da classificação Internacional de Doenças, que considerava a homossexualidade uma doença. Em 1991, a Organização Mundial da Saúde passa a desconsiderar a homossexualidade como doença.

              3. O termo "homossexualismo" não é mais usado porque é da época em que gays e lésbicas eram considerados pessoas doentes?

              Sim, o sufixo "ismo" é usado para terminologia de palavras associadas a doenças. Por isso, hoje não se usa mais a palavra homossexualismo. O correto é usar homossexualidade ou homoafetividade, esta última para não dar a conotação meramente sexual.

              4. Homossexualidade é uma opção que a pessoa faz na vida ou uma orientação sexual que é independente da vontade da pessoa?

              Hoje já se sabe que ser gay ou ser lésbica não é uma opção. Este é mais um mito: as pessoas são gays por opção! Optar significa escolher em ser ou não ser gay. Assim como o heterossexual não escolhe em ser ou não ser heterossexual, o mesmo acontece com o homossexual. Existem vários fatores que determinam esta orientação, que é independe da vontade das pessoas, por isto não é uma opção. A ciência, os psicólogos e os médicos não chegaram ainda a uma conclusão. Acredita-se que fatores genéticos, culturais e sociais influenciam na fixação da orientação. A questão encontra-se em aberto.

              5. Existe cura para a homossexualidade?

              “Não há provas científicas que demonstrem que as terapias de reversão ou de cura são eficazes na modificação da orientação sexual de uma pessoa. Há, contudo, provas de que este tipo de terapia pode ter resultados destrutivos”. Quem escreveu esta frase foi o Dr. Rodrigo Munoz, Presidente da APA (Associação Americana de Psiquiatria). Em 1999, foi publicada uma resolução do Conselho Federal de Psicologia do Brasil que normatiza a conduta dos psicólogos frente a esta questão: "os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades".

              6. Quais as consequência psicológicas para o homossexual que se submete a "cura"?

              Alguns grupos religiosos no Brasil e no exterior pregam a cura da homossexualidade sem sucesso prático algum. A Associação Americana de Psicologia, a Associação Americana de Assistentes Sociais e a Associação Americana de Pediatras alertam que esta prática não é científica nem ética. E que a reversão põe em risco a saúde mental da pessoa, podendo causar danos irreparáveis aos pacientes. Esta tentativa de "cura" pode desencadear algum tipo de doença mental - se o paciente tiver alguma predisposição genética - bem como provocar depressão, baixa auto-estima, ansiedade, suicídio e comportamentos auto-destrutivos, como: uso de drogas, prática de sexo sem segurança, etc.

              7. É verdade que o índice de suicídio entre jovens homossexuais é maior do que entre jovens heterossexuais?

              Sim. Por motivos socias e culturais as famílias "abafam o caso". No Brasil não temos estatísticas, mas segundo pesquisa dos Arquivos Médicos de Pediatria e Adolescência dos Estados Unidos - 1999: a probabilidade de estudantes do ensino secundário que são gay, lésbica ou bissexual, tentarem cometer suicídio é pelo menos 3 vezes maior em relação aos seus colegas heterossexuais.

              8. Eu sinto culpa por ele ser homossexual. Todo pai e mãe sentem esta culpa?

              Os pais sentem realmente muita culpa. Para alguns é um verdadeiro castigo ter um filho homossexual. Os pais devem entender que quando se coloca um filho no mundo, este filho é um prolongamento do pai e da mãe. Ele é o resultado de uma mistura da herança genética (características físicas e psicológicas) e da herança geracional (crenças, costumes e comportamentos) que os pais passam para o filho. Sentir culpa ou vergonha por ter um filho homossexual leva-me ao raciocínio de que existe uma culpa anterior: ter vergonha e culpa deles mesmos, o pai e a mãe existirem. O amor de pai e de mãe para o filho deve ser incondicional, independente dele estar enquadrado nos padrões sócio-culturais: alto, gordo, negro, branco, feio, bonito, homossexual ou heterossexual. Amor incondicional significa amar os filhos independente do que eles são, sem impor nenhuma condição. Amar os filhos significa algo muito concreto; educá-los, orientá-los para a vida e aceitá-los tal como são. Finalmente amor paterno e materno significa cuidar da saúde física e emocional dos filhos que foram gerados.

              9. Quais são as preocupações que eu devo ter com o filho homossexual?

              Descobrindo que você tem um filho homossexual, você pai e mãe, inicialmente, informe-se. Se necessário procure ajuda de um profissional: um piscólogo ou um psicoterapeuta sexual.

              10. Ele pode ser feliz sendo homossexual?

              Ele poderá ter uma vida bem mais sofrida do que as maioria das pessoas mas, dependendo do apoio que receber, o sofrimento pode ser amenizado e o seu filho gay ou a sua filha lésbica terá uma vida saudável.

              11. Porquê o homossexual é discriminado na sociedade?

              Porque ele é diferente da maioria e encontra-se fora dos padrões estabelecidos pela sociedade. Na história da humanidade os homossexuais sempre foram perseguidos e mortos por serem diferentes.

              12. Como eu devo agir com ele?

              Com muita naturalidade. Ele precisa muito do seu apoio e acima de tudo atenção, carinho e afeto. Não se afaste do seu filho. Procure ter uma relação de confiança com ele. Tenha interesse na vida escolar: procure saber como vai indo na escola. Procure conhecer os amigos e o namorado dele. Pelo menos uma vez por semana, durante 30 minutos, sente-se com seu filho e converse com ele. Divida um pouco de seu tempo com ele. Esteja presente, não só provendo seus filhos de bens materiais, mas dando suporte emocional, dialogando e demonstrando seu carinho.

              13. Porquê eu devo aceitar a homossexualidade do meu filho gay ou da minha filha lésbica?

              Porque o filho não escolhe ser homossexual e porque ele ama muito você. Muitos pais protejem-se da homossexualidade dos filhos criando barreiras e sendo frios nas relações. É bem provável que seu filho ou sua filha estejam impedidos de demonstrarem carinho por você como conseqüência destas barreiras que você mesmo construiu.

              14. Eu sinto vergonha de ter um filho homossexual. O que eu faço para livrar-me deste sentimento tão ruim?

              Aproxime-se do seu filho, perceba a sensibilidade deste Ser Humano que você gerou. Você pai e mãe ficarão surpresos, pois descobrirão uma pessoa especial no seu filho. Não tenha medo de abraçar, beijar e acariciar seu filho. Agindo assim, ele se sentirá amado e você dará mais segurança para que ele possa enfrentar o mundo. Pai e mãe, sejam empáticos, entrem no sentimento do seu filho e trate-o como você gostaria de ser tratado caso tivesse sido homossexual. Você passará a ter orgulho do seu filho em vez de vergonha.

              15. Eu devo falar para amigos, professores, familiares e vizinhos que ele é homossexual?

              Não deve falar. Esta é um decisão que cabe ao seu filho. Aparecendo uma situação concreta e pública que envolva a homossexualidade dele, vocês devem decidirem juntos o que fazer.



                A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

                O c antes do e e do i não[/u] leva cedilha!!!!

                Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
                #7

                Offline Planta xerófila

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                • Membro Elite
                • Género: Feminino
                16. Como ele reaje quando descobre sua homossexualidade?

                É motivo de grande sofrimento e contradição para um pequeno Ser Humano, que já na infância percebe os primeiros sinais da sua homossexualidade: a menina que se sente atraída pela professora ou o menino que sente uma admiração especial por uma figura masculina do seu convívio, etc. A contradição ocorre porque a mensagem emocional e cultural que ele recebe é que sentir atração por pessoas do mesmo sexo não é bom. Esta mensagem conflita com sua orientação sexual que começa a manifestar-se. Os psicólogos já evidenciaram que, já na infância, há intensos conflitos internos (confusão de sentimentos) e externos (repressão sócio-familiar) sofridos pelo homossexual. Estes conflitos gerarão um grande estresse emocional, que pode acompanhar o homossexual pelo resto da vida.

                17. Quais serão as consequências se eu rejeitar a homossexualidade dele?

                Não existe nada mais desumano do que um pai ou uma mãe rejeitar um filho. Seja por qual motivo for. Tirando os casos em que a mãe, por exemplo, apresenta um quadro ligado a algum tipo de distúrbio mental é compreensiva a rejeição, mas quando os pais estão na sua mais perfeita condição psicológica, torna-se chocante a rejeição. Na minha experiência, como psicólogo, eu idenfiquei dois tipos de rejeição: a explícita (menos comum) e a implícita (mais comum). As duas trarão danos, em menor ou maior grau, ao desenvolvimento emocional do seu filho. A explícita ocorre quando os pais, explicitamente, rejeitam o filho: espancamento, expulsão de casa, desqualificação pública do filho por ser homossexual, piadas, insinuações, etc. A implícita ocorre quando os pais não verbalizam a rejeição, mas o rejeitado sente a rejeição através do comportamento não-verbal dos pais e de suas atitudes. Os pais adotam a "política do silêncio" e fazem de conta que não sabem de nada. Afastam-se do filho. Nos dois casos o estresse emocional irá instalar-se comprometendo, em alguns homossexuais: primeiro o seu desenvolvimento cognitivo, fazendo com que tenham problemas de aprendizagem escolar; segundo o seu processo de socialização, comprometendo a sua inserção no grupo social que convive; e terceiro o seu desenvolvimento emocional e afetivo, podendo ser potencializados vários distúrbios psico-sociais.

                18. Quais serão as consequências se eu aceitar a homossexualidade dele?

                Você terá um filho com mais equilíbrio emocional e a possibilidade do sucesso dele nas relações pessoais e profissionais serão maiores. Você fará com que aumente a auto-estima dele. Sua convivência será menos estressante e mais harmônica. Você terá ao seu lado uma pessoa mais feliz, mais segura de si, solidária com você e com os outros. Quando você precisar de algo será a primeira pessoa que certamente lhe dará suporte e muito provavelmente não lhe abandonará na sua velhice. Os homossexuais, pela própria discriminação que sofrem durante toda a vida, são pessoas que desenvolvem uma sensibilidade mais apurada nos seus relacionamentos e geralmente são mais solidários.

                19. Porquê hoje em dia existem tantos homossexuais? Sempre existiu a homossexualidade?

                Sim, a história da humanidade, em todos os seus períodos, sempre registrou a existência da homossexualidade. Há o mito de que: hoje em dia existem mais gays! O que acontece realmente é que hoje em dia, principalmete a partir do final de década de 60, no ocidente, a questão da homossexualidade ganhou mais visibilidade, ou seja está aparecendo mais. Isto ocorreu por conta da organização dos gays e lésbicas em vários países. Estão acontecendo, também, pequenos avanços nas legislações e nas políticas dos governos do ocidente em relação ao reconhecimento das relações gays e a proteção ao homossexual. Estes fatos fazem com que as pessoas sintam-se mais seguras e assumam publicamente sua homossexualidade ou saiam do armário como atualmente se diz. Antigamente, como ainda hoje, a maioria dos gays e lésbicas reprime a homossexualidade assumindo um casamento heterossexual para se proteger, para ser aceita pela família, pela sociedade e ter sucesso profissional.

                20. Além de gay e lésbica existem outros nomes que eu não entendo direito, como Travesti e Drag Queen, o que são?

                O mundo da sexualidade humana é bastante complexo e apresenta uma enorme diversidade, muito além do modelo heterossexual predominante, que visa a reprodução e a perpetuação da espécie humana. Ao longo da história da humanidade surgem vários padrões de manifestações da sexualidade. E no futuro aparecerão novos padrões. Isto acontece devido a inteligência humana, a plasticidade e a inventividade do cérebro humano que é capaz de transformar e criar .

                Para explicar esta pergunta, eu vou reproduzir um texto do site www.abalo.com.br assinado pelo Eduardo Moraes. Ele coloca de forma clara as várias manifestações da sexualidade humana com exemplos bem atuais da nossa realidade.

                Caso tenha interesse por outros termos, consulte também nosso Glossário. Clique aqui.

                Drag Queens: Homens, geralmente gays, que se vestem de mulher para trabalhos, telegramas animados, shows ou simplesmente para dar pinta. Tem como característica o exagero, transformando-se numa mulher "absurda", de cabelos coloridos, roupas extravagantes e maquiagens carregadas. Exemplos de drags: Nany People, Dimmy Kieer e Sissi Girl. Há dentro deste segmento uma subcategoria, as Top Drags que são aquelas que procuram se aproximar das modelos de passarela, usam roupas curtas e/ou sensuais, geralmente são magras, mostram muito o corpo e a maquiagem é exagerada. Exemplos de top drags: Veronika, Nadarc e Márcia Panthera. Nos shows geralmente fazem a linha "bate cabelo".

                Transformistas: Gays, que se vestem de mulher, se aproximando o máximo possível da figura feminina, sem os exageros de maquiagem. Muitas vezes para shows onde a dublagem é mais valorizada; concursos de beleza e algumas fazem cover de seus ídolos como Madonna, Britney Spears, Lisa Minelli, Maria Bethânia, Clara Nunes, etc. Exemplos de transformistas: Silvetty Montilla, Luiza Gasparelly, Léo Áquila, Michelle X, Andréia Gasparelly e Marcela do Nascimento.

                Caricatas: Gays, que se vestem de mulher, fazendo uma representação caricatural, escrachada e bastante divertida. Seus shows/esquetes são com músicas em velocidade alterada e comicidade explícita. Exemplos de caricatas: Kaika Sabatella, Pandora Boat, Suzi Brasil, Black Negona, Lola Batalhão, Thalia Bombinha e Rose Bom Bom.

                Drag Kings: Mulheres, geralmente lésbicas, que se vestem de homem, para irem às festas ou se divertirem.

                Andróginos: Homens ou mulheres que possuem aparência ou modo indefinidos, entre masculino e feminino, os dois gêneros se fundem em seu visual. Exemplo de andrógino: Victor Piercing.

                Crossdressers: Primeiramente o crossdresser era o homem heterossexual que se vestia de mulher para fazer sexo com mulher, mas como tudo se transforma, hoje se definem crossdressers homens heterossexuais, bissexuais ou gays cujo fetiche é vestir-se com roupas femininas para fazer sexo e/ou sentir-se como mulheres. O que difere estes dos casos acima, é que eles não assumem publicamente esta identidade. Em todos estes casos, eles se vestem (montam) como o sexo oposto para seus determinados fins e depois de tiradas as roupas, voltam a levar uma vida normal como gay ou homem.

                Mas há aqueles que realmente modificam o corpo, vivendo fisicamente a imagem do sexo oposto, como os travestis e os transexuais.

                Travestis: O travesti é um homem que não só se veste como adquire formas femininas através de hormônios, silicone e/ou cirurgias reparatórias, mas não sentem desconforto com seu sexo anatômico, não abandonam algumas funções sexuais masculinas, pois em muitos casos fazem o papel ativo em suas relações sexuais, principalmente as profissionais. Também fazem shows onde as de maior destaque são chamadas de Divas. Exemplos de travestis: Rogéria, Laura de Vison e Thelma Lipp.

                Transexuais (Transgêneros ou Disfóricos(as) de Gênero): São pessoas que nasceram com um sexo biológico, mas psicologicamente não aceitam sua condição sexual. Ou seja, elas possuem a genitália mas sentem intimamente que pertencem ao sexo oposto ao seu sexo anatômico. Um transexual masculino é anatomicamente um homem, mas sente-se como uma mulher desde a infância e o transexual feminino é justamente o contrário. Durante a vida, procuram se aproximar fisicamente do seu sexo psicológico, principalmente através de hormônios. Tem casos que esta não aceitação do sexo, fazem com que o transexual não goste nem de se tocar sexualmente. Este conflito por vezes só é superado pela operação de readequação genital (troca de sexo). Aí sim, a pessoa encontrará um equilíbrio com seu sexo biológico e psicológico, achando assim seu verdadeiro "eu". Muitos mitos quanto a este tipo de cirurgia já caiu por terra. Antigamente dizia-se que o transexual que operava ficava louco, que não sentia orgasmo e coisas do gênero. Hoje os avanços científicos fazem com que, após a cirurgia, os transexuais levem uma vida normal, sem loucura e até mesmo sentindo orgasmos, pois se hoje, uma cirurgia de miopia é completamente diferente de anos atrás, devido a evolução científica, por que com a cirurgia de mudança de sexo seria diferente? Exemplos de transexuais: Roberta Close, Maitê Schneider e Gretta Starr.

                A sexualidade humana é por demais complexa e estamos bem longe de sabermos tudo o que este ser mutante chamado homem é capaz de fazer, querer, ser.



                  A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

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                  Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
                  #8

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                  21. Ele terá dificuldade em conseguir ou manter-se no emprego?

                  Vai depender muito da postura dele. O preconceito ainda é muito grande nas empresas e ele deve preparar-se para enfrentá-lo Se for uma pessoa qualificada na profissão que exerce e tiver uma postura que leve os colegas de trabalho a respeitá-lo haverá sucesso. Se já saiu do armário, é necessário que ele respeite os limites dos colegas de trabalho e estabeleça também os seus limites para se impor. A maioria dos homossexuais não assume sua condição no ambiente de trabalho, por conta do preconceito.

                  22. Devo conhecer o namorado dele?

                  Sim, deve. Se você aceita-o e ele está na adolescência é importante você conhecer. Você deve estar pensando, para que conhecer? Bem, você quer conhecer a nomorada do seu filho hetero, não é verdade? Muitos pais que conheço externam este desejo. Por que não conhecer a namorada da sua filha lésbica ou o namorado do seu filho gay, por exemplo? Saiba com quem seus filhos estão se envolvendo.

                  23. Como deve ser a minha primeira conversa sobre a sua homossexualidade?

                  Pai e mãe, antes da conversa, siga este modelo de passo-a-passo que eu desenvolvi para orientá-los.


                  --------------------------------------------------------------------------------


                  MODELO DOS 7 PASSOS

                  Para aceitação da homossexualidade do seu filho(a)

                  *Criando pelo psicólogo João Batista Pedrosa*



                  Passo 1. Procure Sensibilizar-se:

                  A formação educacional, religiosa e emocional em nossa sociedade leva cada um de nós a rejeitar a homossexualidade. Provavelmente a sua também foi assim. Portanto, é o momento de você desarmar-se e abrir sua mente para a questão. Pense neste momento que, para o filho homossexual, ser mais ou menos feliz, dependerá também do apoio que terá dos pais. Questione toda formação moral que você recebeu com relação à homossexualidade. Reflita sobre as perguntas abaixo:

                  Será que a homossexualidade é mesmo um bicho de 7 cabeças?

                  As pessoas homossexuais são realmente sem-vergonhas?

                  É verdadeira a imagem que, muitas vezes, as pessoas que repudiam o homossexual e alguns meios de comunicação passam de que o gay e a lésbica são pessoas depravadas, promíscuas e desqualificadas enquanto Seres Humanos?

                  Seu filho homossexual tem esta orientação sexual por livre escolha? Você acredita sinceramente?

                  Com toda rejeição que ainda existe na sociedade, será que seu filho ou sua filha "escolheu" ser homossexual para enfrentar toda essa barra do preconceito?

                  Será que Deus, com toda sua bondade condena mesmo o homossexual?

                  E se fosse você que estivesse no lugar do seu filho, o que você queria que seus pais fizessem com você? Aceitação? Rejeição? Abandono? Expulsar você de casa? Cortar sua mesada? Tirar você de um bom cólegio, pois não querem mais investir em você, pois avaliam que você será um fracasso na vida?

                  Mãe tranque-se no seu quarto e durante 40 minutos reflita sobre as questões acima. Se seu marido estiver aberto para a questão faça esta reflexão junto com ele, troquem idéias sobre as quetões acima.

                  Passo 2. Procure Informação:

                  Como é um assunto tabu você deve ir à fonte correta para colher informações, pois é necessário que você informe-se tendo uma visão histórica, social e psicológica da homossexualidade. As principais fontes de informações são: livros (veja bibliografia do site Armário X), homossexuais que já estão em harmonia com sua orientação ou saíram do armário, psicólogo, psicoteraputa sexual, educador e pais de outros homossexuais. Escolha muito bem onde colher informações, dependendo da fonte sua cabeça pode ser confundida ainda mais.

                  Passo 3. Procure Compreender:

                  Compreender significa alcançar o significado da homossexualidade com inteligência. Compreender é você, racionalmente, ir fundo na questão, atinar, perceber e entende por que ocorre este fenômeno com seu filho. Compreender é sair da superficialidade e aprofundar. Não busque conclusões definitivas, mas aqui é importante o exercício de pensar e refletir.

                  Passo 4. Provoque Diálogo:

                  Se ele deu dicas de que é homossexual, se alguém falou para você, se ele mesmo falou ou insinuou, se você acha que ele é, ou se ele procurou você, chegou a hora de conversar com seu filho. Alguns pais preferem falar juntos. A prática tem indicado que a forma abaixo é mais efetiva. Geralmente a mãe tem uma ligação mais forte com o menino e a menina. Eu sugiro três momentos de diálogo.

                  4 Primeiro Momento: mãe com filho.

                  4 Segundo Momento: pai com filho.

                  4 Terceiro Momento: ambos com filho.

                  Desta forma, seu filho e você ficarão menos estressados e o diálogo flui melhor. Perceba também que a relação entre mãe e filho é diferente da relação entre pai e filho. Existem particularidades e papéis. São momentos diferentes. Por uma questão de formação cultural, o pai pode ser machista e recusar-se a falar com o filho e não aceitá-lo. Neste caso mãe, vá em frente, o seu apoio já é muito importante para o seu filho!

                  Passo 5. Procure Interagir:

                  Ufa ! o mais difícil já passou. Mas, vamos em frente! Interagir significa agir mutuamente, relacionar-se sem barreiras com o seu filho. Você já quebrou a grande barreira, ele sabe que você sabe, agora é a hora da aproximação verdadeira entre pais e filhos. Ele já sente o seu apoio. Você, pai e mãe, não podem imaginar o alívio e a felicidade do seu filho. Ele pode contar com os pais. Ele agora poderá encher a boca e dizer para os colegas: Meu pai e minha mãe são os meus melhores amigos! Posso contar com eles! As mudanças no seu filho serão perceptíveis: será uma pessoa mais segura, mais comunicativa, menos tímida, mais atirada para a vida, fará planos para o futuro, irá buscar novos desafios no trabalho, sua auto-estima será elevada, cuidará mais do corpo e da saúde. Enfim, ele terá gosto em curtir esta bela aventura que é a vida.

                  Passo 6. Procure Acompanhar:

                  Demonstre interesse pela vida social, escolar e afetiva do seu filho. Agora ele não terá vergonha de apresentar seus amigos para os pais. É hora de você saber quem são os amigos do seu filho. Na adolescência é fundamental este acompanhamento. Estes amigos influenciarão muito seu filho, seja ele homossexual ou heterossexual. Serão modelos de conduta. Promova um jantar ou churrasco e peça para seu filho convidar os amigos que ele mais gosta. Peça para ele chamar também o namorado ou alguém que ele paquera. Durante este evento converse com as pessoas. Depois deste congraçamento, sente com seu filho e fale o que você achou das pessoas, sinceramente. Algumas você vai achar legais outras não. Veja qual é a opinião dele. Será que seria demais eu pedir que você, pai e mãe, se auto-convidem pedindo para o seu filho levá-los para um bar ou danceteria gay? É isso mesmo, conheça o local que seu filho frenqüenta. Alguns pais que foram conhecer relataram-me: Nossa, fiquei surpreso, pensei que fosse tão diferente. Encontrei uns jovens tão bonitos e descontraídos. O ambiente era tão saudável. Gostei tanto que vou voltar!

                  Passo 7. Proporcione Suporte:

                  Proporcionar suporte significa criar condições para que seu filho, principalmente na adolescência ou saíndo dela, possa ter uma vida saudável, desenvolvendo-se plenamente enquanto Ser Humano. Faz-se necessário que você estimule a independência financeira dele, oriente-o para que estude, tenha uma profissão e trabalhe. Do ponto de vista afetivo, tenha sempre o seu ombro amigo para acolher o seu filho ou a sua filha na hora que precisarem.
                    A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

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                    Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
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                    24. Será que é melhor reprimir a homossexualidade ou "fazer de conta" que não sei de nada?

                    Estes são os piores caminhos que você pode trilhar. Prepare-se e fale com seu filho amigavelmente. Pais que tentaram coagir o filho, chantagear, agridir fisicamente, e com um discusso moralista querer torná-lo heterossexual não tiveram sucesso. Eu não conheço nenhum caso e entre meus colegas psicólogos deconheço algum relato de sucesso. Fazer de conta que nada sabe também não é indicado. Procure compreender o ponto de vista dele, investigue sobre o assunto, cheguem a um acordo e estabeleçam você e ele regras civilizadas de convivência. Siga o Modelo dos 7 Passos da questão 23.

                    25. O que realmente significa ser ativo ou passivo nas relações sexuais do gay?

                    Os que preferem ser ativos gostam de penetrar o seu pênis no ânus dos que preferem ser passivos. Os versáteis são os gays que são ativos em algumas relações e passivos em outras, não têm uma preferência. Por conta da nossa cultura machista, muitos gays supervalorizam sua condição de ativo e gostam de desqualificar os passivos. Alguns gays e pessoas que desconhecem a realidade do gay associam ser passivo com ser feminino, o que não é verdade. Existem muitos gays ativos que são efeminados bem como existem muitos gays passivos masculizados. Além do uso das genitálias para fazer sexo, há muita troca de carinho nas suas relações sexuais. Tanto os gays como as lésbicas são pessoas muito afetuosas nas suas relações.

                    26. É verdade que todo gay é muito promíscuo, transa com muita gente?

                    Assim com existem muitos heterossexuais promíscuos, existem muitos gays também. Muitos gays não conseguem ter uma relação estável com seu companheiro. O motivo principal é o preconceito social. Isto faz com que o gay tenha uma maior mobilidade nas suas relações, criando maiores oportunidades de encontros e namoros. Isto não significa que todo gay é necessariamente promíscuo.

                    27. Porquê na televisão (programas de humor e novelas) sempre aparece um gay cheio de trejeitos, falando "mole", usando roupas exageradas e fantasiados de mulher? O gay é assim mesmo?

                    Não. A maioria dos gays não apresenta este padrão de comportamento, mas a sociedade ao longo dos tempos vem apresentando o gay em forma de caricatura de um ser feminino. Para o dicionário Aurélio Caricato significa [Do italiano. caricato, 'carregado (nos defeitos)'.] Adj. 1. Ridículo, burlesco, grotesco, caricaturesco. 2. Teatr. Diz-se do ator cômico que interpreta caricaturas. • S. m. 3. Esse ator. Foi uma forma encontrada pela sociedade de admitir que o homossexual existe, porém ele é apresentado como um palhaço que faz ri, divertido, ingênuo, assexuado e não representando, portanto, perigo para a sociedade. Os meios de comunicação reforçam este esteriótipo amaneirado. Na TV brasileira quem não conhece; Capitão Gay, Pitbicha e Pitoca, Haroldo, Alfredão, Vera Verão, etc. São personagem adoradas pelas crianças, pois são espalhafatosas, com gestos largos, exageradas, divertidas e coloridas. Como os gays não têm outras referências de padrão comportamental fortes na mídia, muitos adotam a caricatura como referência comportamental no seu dia-a-dia, como mecanismo de diminuir a rejeição da sua pessoa na sociedade. Se por um lado são "aceitos" por outro são ridicularizados e não são levados a sério. São motivo de piadas e chacotas.

                    28. O que devo fazer quando alguém atacar ou discriminar meu filho?

                    Você deve defendê-lo e prepará-lo para que ele se proteja também. Como? Utilize o seu bom senso e converse abertamente com ele sobre esta possibilidade real de ataque. Aliás, ele será motivo de piadas e chacotas, mesmo que não apresente um comportamento caricato ou efeminado. Se ele der alguma dica, mesmo sem querer será atacado. Por exemplo, ele será cobrado com relação às namoradas e dependendo da postura dele, as piadas e insinuações virão. Com muita criatividade e com o nosso jeitinho peculiar de brasileiro, se ele tiver uma boa auto-estima e seu apoio, saberá contornar muito bem a situação e não será humilhado publicamente.

                    29. E se eu mandar meu filho para um psicólogo, será que ele não pode dar um jeito de mudar meu filho para que seja heterossexual?

                    Se este psicólogo guiar sua prática profissional pela ciência e for uma pessoa ética ele tentará não mudar a orientação do seu filho, mas sim harmonizar seu filho com a orientação sexual dele, minimizando assim os possíveis danos psicológicos existentes.

                    30. Ele será uma pessoa fracassado na vida por ser homossexual?

                    Se ele estiver em harmonia com sua orientação poderá ser um pessoa de sucesso na profissão que exerce, seja ele torneiro mecânico, médico, motorista ou vendedor. Caso contrário, poderá ser uma pessoa pouco comunicativa e retraída, levando desvantagem nesta sociedade tão competitiva em que vivemos.

                    31. Ele é menos inteligente do que as pessoas heterossexuais?

                    Não existe evidência científica nenhuma na relação entre inteligência x homossexualidade. No caso concreto do transgênero existem alguns estudos que apontam que eles teriam um Quociente de Inteligência - QI acima da média.

                    32. É verdade que as pessoas que são heterossexuais, querendo viram homossexuais?

                    Desconheço qualquer relato sobre esta questão. Existem, porém, algumas particularidades. A pesquisadora norte americana Dra. Angela Pattatucci, em seus estudos, aponta que algumas mulheres heterossexuais, em determinadas fases da vida, apresentam comportamentos bissexuais e setem-se atraídas por outras mulheres. Mas, em seguida, voltam a terem um comportamento exclusivamente heterossexual. Já o bissexual clássico apresenta o comportamento homossexual e heterosexual em alternância, demonstando sempre uma preferência maior por uma determinada orientação. Acredita-se que a manifestação bissexual é muito pouco freqüente. Os mitos; o mundo é gay!, a maioria das pessoas são bissexuais! não apresentam base científica nenhuma.

                    33. É verdade que crianças que são criadas por pais ou pessoas homossexuais serão homossexuais também?

                    Mais um mito. A literatura registra vários casos, principalmente nos Estados Unidos e na Holanda, de casais de gays e lésbicas que adotaram crianças com poucos dias de vida e que a grande maioria destas crianças tiveram orientação sexual heterossexual.

                    34. É verdade que crianças heterossexuais que brincam com crianças homossexuais irão tornar-se homossexuais também?

                    Não é verdade. Apesar da ciência não apresentar ainda um consenso sobre a questão da orientação sexual, existem teses e trabalhos científicos que indicam que a orientação sexual teria uma forte origem genética e que ocorreria no momento da concepção. Existe a famosa tese do "gen gay" Xq-28 que é a vigésima oitava região do braço q (longo) do cromossomo X (da mãe), onde o cientista norte americano Dr. Dean Hamer decobriu um locus (marcador) genético conectado à orientação homossexual em alguns homens gays. Outros trabalhos divergem, indicando que a orientação sexual forma-se na primeira infância sobre a influência de fatores sociais, educacionais e psicológicos.

                    35. É verdade que todo homossexual é muito agressivo e desequilibrado?

                    Assim como existem muitos heterossexuais desequilibrados, existem também muitos homossexuais. Qualquer pessoa que sofre algum tipo de rejeição, preconceito e não recebe carinho e atenção dos pais na infância e na adoslescência, é forte candidata à desarmonia nas relações sociais.

                    36. Meu filho é adolescente e falou-me que é gay. Eu aceitei, pois acho que é uma fase na vida dele. Penso que logo ele irá procurar as garotas. É assim mesmo?

                    Não, não é assim. Para o Dr. John Money, cientista da Universidade Johns Hopkins - EUA, "a orientação sexual é algo que temos para sempre e é melhor que nos acostumemos com isso". Para ele, é por volta dos 2 anos de idade que a orientação sexual heterossexual ou homossexual é fixada no cérebro. Se seu filho é gay e for pressionado por você, por grupos de amigos heterossexuais ou parentes, ele poderá procurar meninas, namorar e até casar, mas continuará sendo gay. Casado terá uma vida dupla e clandestinamente continuará tendo relações homossexuais. Em alguns casos, os que entram num casamento heterossexual sofrerão bastante e procurarão ser fiéis às esposas. Geralmente apegam-se, por um período, a uma seita ou religião que condenam a homossexualidade. Com o passar do tempo, não aguentando a pressão de não poder manifestar sua orientação sexual, cedem e passam a manter relações homossexuais escondidas. Existe aqui uma particularidade; alguns adolescentes transam com meninos e meninas, por um curto período, mas logo passam a transar só com meninas apresentando um padrão exclusivamente heterossexual para o resto da vida.

                    37. É verdade que todos os gays procuram "profissões femininas" ?

                    Não é verdade. Os gays e as lésbicas estão presentes em todas as profissões. Entretanto, o sociólogo Frederick L. Whitam, da Universidade do Arizona - EUA, comparou experiências infantis de 375 homens homossexuais na Guatemala, Brasil, Filipinas, Tailândia, Peru e Estados Unidos. Ele chegou a várias conclusões e uma delas é que: Mesmo em diferentes sociedades, os homossexuais se parecem em relação a certos interesses comportamentais e escolhas ocupacionais. O que acontece é que, muitas vezes, por conta do preconceito alguns gays escolhem profissões junto ao público feminino onde o nível de rejeição à homossexualidade é menor, por exemplo cabeleireiro e maquiador.
                      A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

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                      Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
                      #10

                      Offline Planta xerófila

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                      38. É verdade que quando a criança mostra uma tendência para ser homossexual, se os pais reprimirem, chamando a atenção ou mesmo batendo na criança, com o tempo esta tendência desaparecerá?

                      Não é verdade. Esta criança sofrerá muito e desenvolverá algum tipo de distúrbio psicológico ou psiquiátrico. O reflexo virá na adolescência e na idade adulta. Poderá tornar-se violento e cair na marginalidade.

                      39. O que devo fazer: se pegar ele namorando, escutar uma conversar ao telefone, pegar uma carta de amor, ou alguém falar para mim que ele é homossexual?

                      Prepare-se e fale no momento adequado com ele. Siga as orientações da questão de número 23 (Modelo dos 7 Passos).

                      40. Devo falar sobre sexo seguro e Aids com ele?

                      Faz parte do seu papel, enquanto pai e mãe, proteger seus filhos e orientá-los com relação às questões sexuais, independente dele ser homossexual ou heterossexual. Fale de forma franca e aberta. Se achar que é um assunto que lhe causa desconforto, compre um livro e entregue para ele, ou encaminhe-o para uma palestra ou ainda peça para alguém de sua confiança abordar o assunto.

                      41. Será que ele vai afastar-se de mim se eu falar sobre sua homossexualidade?

                      Se você aceitar sua condição de homossexual acolhendo-o, certamente que não.

                      42. Meu primeiro filho foi muito esperado por nós. Queríamos muito que fosse uma menina. Todo o enxoval foi cor-de-rosa. Para nossa decepção nasceu um menino. Ele hoje é um jovem gay. Será que este nosso desejo influenciou para que ele fosse gay?

                      Não. A força de seu desejo certamente não influenciou na orientação sexual que é algo muito concreto e forte que toda pessoa traz consigo.

                      43. Todo gay é efeminado e toda lésbica é masculinizada?

                      É um mito muito presente nos debates. Posso afirmar qua a maioria dos gays são pessoas másculas e a maioria das lésbicas são bastante femininas. Existe uma parcela de gays efeminados ou caricatos (que imitam as mulheres) como existe uma parcela de lésbicas masculinizadas e caricatas também. A caricatura foi absorvida pela cultura homossexual como uma forma de descontração para aliviar o estresse emocional. É também a forma que alguns gays encontram para serem aceitos socialmente, já que a própria sociedade e a mídia estimulam este tipo de comportamento. Nesta questão existe também a abordagem da orientação sexual e os hormônios que têm influência no grau de masculinização e feminilização das pessoas. Encontramos gays extremamente femininos (não caricatos) bem como gays extremamente masculinos. O mesmo raciocínio aplica-se para as lésbicas. E encontramos também homem heterossexual efeminado e mulher heterossexual masculinizada. Estes dois últimos padrões são raros. De qualquer forma, devemos aprender a conviver com a diversidade de comportamentos, respeitando a maneira de cada pessoa comportar-se. Imaginem como o mundo seria chato se fossem estabelecidos padrões rígidos de comportamentos e todos tivessem que segui-los ao pé da letra.

                      44. No colégio minha filha sofre muita discriminação dos colegas por ser lésbica. Como devo orientá-la?

                      Esteja muito próximo dela e acompanhe de perto o seu desenvolvimento escolar. Converse com os professores e a direção da escola. Possivelmente você terá alguns problemas relacionados com a homofobia (rejeição a homossexualidade), que é bem presente também entre os professores. Apoie sua filha e ensine-a a proteger-se diante das situações concretas que aparecerem. Ganhe a confiança da sua filha e sempre converse com ela sobre o assunto. Não existe uma receita, mas existe um fundamento: Aceite-a e nunca abandone sua filha nestas situações.

                      45. Devo receber a namorada dela em nossa casa?

                      Sim, deve. Observe quem é esta pessoa que estar saindo com sua filha. Seu parâmetro de avaliação será sempre: retidão de caráter e honestidade. Sinta esta pessoa e veja se é uma boa ou má companhia para sua filha. Converse sobre este assunto com ela.

                      46. Ouvir falar que a velhice dos gays é muito triste. Eles ficam sozinho e ninguém mais sente interesse por eles?

                      O homossexual, assim como o heterossexual, pode ter uma vida afetiva e sexual muito ativa na velhice. Vai depender muito da sua saúde física e mental. É verdade que tanto para o homossexual como para o heterossexual a velhice na nossa sociedade é muito difícil. No caso do gay e da lésbica a situação se agrava por conta do preconceito e do afastamento da família que já ocorreu há muitos anos; ou eles mesmos se afastam da convivência familiar, montando uma rede de amigos que substituirá a família genética. Porém, existe um fenômeno interessante entre os gays que é pouco comum entre as lésbicas e os heterossexuais. Eu, enquanto psicólogo, estou estudando esta questão para melhor entendimento. Existe uma parcela considerável de gays que sentem-se atraídos sexualmente por homens bem mais velhos, os chamados coroas, que estão na faixa dos 40 até 80 anos de idade. Não é raro encontrar jovens gays de 20, 25 ou 32 anos namorando apaixonadamente os coroas. Em São Paulo, na capital, existem bares e boites que possuem um público predominantemente de coroas, onde os casais gays encontram-se para um bom papo regado a chope. A vida dos gays que entram na chamada terceira idade pode ser bem animada.

                      47. É verdade que o garoto que é criado sem a presença do pai poderá ser gay?

                      Não é verdade. Não existe relação entre homossexualidade x ausência do pai. Pelo menos é o que indicam as pesquisas. Claro que o menino precisa na primeira infância de uma figura masculina para modelo. Não tendo o pai, ele naturalmente se identificará com alguém do seu convívio; poderá ser o tio, o vizinho, o avô, o porteiro do prédio, etc.

                      48. O professor de meu filho de 12 anos é gay assumido. Será que ele não pode influenciar o meu filho e ele pode tornar-se gay?

                      Precisamos entender que as pessoas são gays, não se tornam gays. Se o seu filho tiver a orientação homossexual, mesmo que ainda não explicitada, este professor poderá despertar esta orientação no seu filho, mesmo sem contato físico nenhum com ele. Seu filho pode apaixonar-se pelo professor, o que é comum nesta fase. Mas, se seu filho for heterossexual, portanto gostar de mulher, não existe qualquer possibilidade deste professor gay ter a capacidade de mudar a orientação sexual dele.

                      49. Do ponto de vista da ciência, o que já se sabe hoje sobre orientação sexual?

                      Alguns gays, lésbicas e grupos homossexuais organizados apresentam uma certa barreira com relações as questões científicas referentes à homossexualidade, argumentando que estas descobertas podem ser usadas para manipulações de todo tipo contra os homossexuais. Em particular os estudos da biologia e da genética são vistos com reservas por eles. Preferam conclusões mais subjetivas, humanitárias e filosóficas sobre a homossexualidade. É uma posição que deve ser respeitada. Eu, enquanto psicólogo, acredito no pensamento científico e acho que ele pode ser utilizado em benefício do homossexual. Penso que a ciência é um instrumento fundamental para guiar minha atividade profissional. Como estaria hoje a humanidade se não fossem as descobertas científicas? A humanidade já avançou muito na medicina, na informática, na engenharia, etc., melhorando nossa qualidade de vida. Do ponto de vista científico, sabe-se muito pouco ainda sobre a homossexualidade. Um dos motivos é a falta de verba e pesquisa nesta área. E o motivo é simples, o preconceito que existe no próprio meio científico contra o homossexual. As poucas pesquisas realizadas ou que estão em andamento são feitas, na maioria, por cientistas gays. É o caso do renomado cientista Dr. Simon LeVay do Institudo Salk-EUA. Algumas questões já foram evidenciadas e muitas estão sem uma conclusão definitiva ainda. Abaixo relaciono o que já se sabe hoje sobre orientação sexual homossexual. Estas questões foram elencadas por Chandler Burr no livro de sua autoria chamado Criação em Separado - Como a Biologia nos faz Homo ou Hetero.

                      1. Os biólogos se referem à característica como um dimorfismo estável, expresso através do comportamento. Dimorfismo significa o aparecimento de 2 formas diferentes de uma determinada característica, dentro de um mesmo grupo. Por exemplo, a orientação sexual pode ser heterossexual ou homossexual entre os Seres Humanos. Este fenômeno é um dimorfismo. Ele é estável, ou seja, fixo e permanente ao longo das gerações.

                      2. Esta característica fixa existe sob forma de duas orientações básicas internas (heterossexual e homossexual), que são invisíveis. Estima-se que mais de 90% da população tem a orientação majoritária (heterossexual) e menos de 10% (um estudo confiável faz o cálculo de 7,89%) tem a orientação minoritária (homossexual), embora ainda haja debates a respeito do percentual exato, não existindo um consenso.

                      3. Apenas um número reduzido de pessoas (não se sabe quanto) é, de fato, orientado igualmente das duas maneiras (bissexuais).

                      4. Estudos da história da arte sugerem que a incidência das duas diferentes orientações (heterossexual e homossexual) tem sido constante há cinco milênios.

                      5. A orientação sexual de uma pessoa não pode ser identificada apenas por meio de uma rápida olhada. As pessoas que têm a orientação homossexual são tão diversas em aparência, raça, religião, e em todas as outras características das que têm a orientação sexual heterossexual.

                      6. Como a característica é interna e invisível, a única maneira de identificar a orientação sexual de uma pessoa é observar o comportamento dela ou os reflexos que o expressam.
                        A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

                        O c antes do e e do i não[/u] leva cedilha!!!!

                        Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
                        #11

                        Offline Planta xerófila

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                        7. Em si mesmo, a característica não é um comportamento. A característica é a orientação sexual neurológica expressa, em certos momentos, através das atitudes das pessoas. Um homossexual pode assumir, quase sempre, um comportamento heterossexual, devido à repressão social. Mas, neurologicamente a característica da sua orientação sexual e homossexual. Esta orientação, depois de fixada neurologicamente, não irá mudar.

                        8. Nenhuma orientação sexual é doença física ou mental. Nenhuma delas é patológica.

                        9. Nenhuma orientação sexual é escolhida pelo indivíduo. Ela é fixada independente da sua vontade.

                        10. Sinais da orientação sexual são detectados na mais tenra infância. Alguns pesquisadores apontam que tanto a orientação sexual heterossexual como a homossexual são fixadas entre 2 ou 3 anos de idade. Há divergências. Outros cientistas defendem a idéia que ela é definida da seguinte forma: uns acham que antes do nascimento, outros acham que aos 2 anos de idade e uma terceira opinião de que é além dos 2 anos, mais tardiamente. Entretanto todos concordam que ocorre até o final da infância.

                        11. Estudos sobre adoção mostram que a orientação de uma criança adotada não tem relação com a dos pais adotivos, demonstrando que o carácter (características individualizadas de uma pessoa) não é enraizado pelo ambiente.

                        12. Estudo com gêmeos idênticos (que possuem genes idênticos) apresentam uma possibilidade acima da média de se compartilhar a mesma orientação sexual, comparados com pares de indivíduos selecionados aleatoriamente. Nos gêmeos idênticos a probabilidade de compartilharem a orientação homossexual, por exemplo, é acima de 12% (média mínima) e superior a 50% (média elevada). Enquanto, nos pares aleatórios de indivíduos a média está pouco abaixo de 8%.

                        13. A incidência da orientação homossexual é espantosamente maior na população masculina; cerca de 27% mais elevada do que na feminina.

                        14. Pesquisas científicas indicam que a orientação homossexual tem origem nas famílias, é passada de pais para filho num padrão indefinido, mas geneticamente característico.

                        15. Este padrão resulta do chamado "efeito maternal". A orientação homossexual, como foi expressa nos homens pesquisados pelo Dr. Hamer, parece ser passada pela mãe. Este "efeito maternal" foi descoberto por este cientista geneticista molecular o Dr. Dean Hamer.

                        Quero deixar claro que os 15 pontos colocados acima são evidências. Não há conclusões ainda. As pesquisas são muito embrionárias.

                        50. Pai e mãe, vocês permitem que eu deixe uma mensagem, enquanto psicólogo e estudioso do assunto?

                        Bem, não preocupem-se em demasia na busca da origem da homossexualidade e por que aconteceu com seu filho? Deixem esta tarefa para os cientistas e os estudiosos do assunto. Como escreveu um gay considerado um dos maiores gênios da humanidade chamado Leonardo da Vinci: Nada pode ser encontrado na natureza que não seja parte da ciência. Os cientistas cuidarão disto. Qual a parte que cabe a vocês, pai e mãe?

                        Primeiro façam um esforço tremendo para despir-se de todos os preconceitos e dogmas que carregam dentro de seus corações e mentes. Relaxem, não levem a "coisa" com muita seriedade e de forma "pesada", tenham senso de humor!

                        Segundo simplesmente AMEM seu filho gay e sua filha lésbica, pois eles são um prolongamento de vocês. Se vocês negam seus próprios filhos, não aceitando-os por inteiro, vocês estão negando a si próprios enquanto Seres Humanos.

                        Obrigado pela leitura deste guia e desejo momentos de muitas emoções e felicidades entre vocês e seu filho gay ou sua filha lésbica. Alguma dúvida, depoimento ou sugestão escreva neste meu e-mail jotapedrosa@armariox.com.br que terei a maior satisfação em responder.
                          A cynic is one who knows the price of everything and the value of nothing.

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                          Re:Pais - Reacções e Perguntas Comuns
                          #12

                          Offline Planta xerófila

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                          mais um textinho q me veio cair no mail ::)

                          Onde foi que eu errei?
                          Os pais não deveriam se culpar pela orientação (homo)sexual de seus
                          filhos
                          http://mixbrasil.uol.com.br/id/psi/familia/familia.asp

                          por Sergio Gomes da Silva (sergiogsilva1@bol.com.br) 30/4/2004

                          A idéia de que se errou na educação de um filho quando da descoberta de sua (homo)sexualidade, é encarada por muitos pais e mães em nossos dias com grande sofrimento.

                          De um modo ou de outro, os pais continuam acreditando que há um erro de sua parte quando seu filho ou filha "descobre" ser homossexual ou lésbica, gerando, em alguns casos, grandes conflitos, atitudes de violência e ódio para com os seus filhos, ou a busca de procedimentos médicos ou psicoterápicos para a correção do "erro dos pais". Muitos pais dizem preferir ver o filho morto a vê-lo com alguém do mesmo sexo. Questionam-se onde na educação dada aos seus filhos, que ocorreu o "grande erro", como se isto reflectisse o seu próprio como educador, como pai ou mãe, como homem ou como mulher.

                          Não foi por menos que fui procurado por uma internauta há alguns meses, me solicitando ajuda ou indicação psicoterápica para si e para seus pais, que não aceitavam seu namoro com outra pessoa do mesmo sexo.

                          Não foi por menos, também, que há mais de cem anos, em um mundo totalmente tomado por uma rígida moral sexual que ditava as normas a serem seguidas e perseguidas, que a mãe de um jovem homossexual
                          procurou Freud lhe solicitando ajuda para aquilo que nem ela mesma conseguia enunciar ou dar nome. Ao que Freud respondeu:

                          "Eu apreendo de sua carta que seu filho é um homossexual. Estou muito impressionado pelo fato de que a senhora não mencionou este termo nas
                          informações que deu sobre ele. Posso perguntar-lhe por que evitou esta palavra? Homossexualidade, seguramente, não é uma vantagem, mas não é nada de que tenhamos que ter vergonha. Não é vício, degradação e não pode ser classificada como uma doença. Consideramos a homossexualidade como uma variação da função sexual, produzida por uma certa parada no desenvolvimento sexual. Muitos indivíduos
                          altamente respeitáveis, nos tempos antigos e modernos foram homossexuais (Platão, Michelangelo, Leonardo da Vinci etc.). É uma grande injustiça perseguir a homossexualidade como um crime e também uma crueldade. [...] Perguntando-me se posso ajudá-la, a senhora pergunta, suponho, se posso abolir a homossexualidade substituindo-a
                          pela heterossexualidade normal. A resposta é: de maneira geral, não podemos prometer isto. Em um certo número de casos, somos bem sucedidos, desenvolvendo os germes das tendências heterossexuais que estão presentes em todo homossexual. Na maioria dos casos isto não é
                          possível. [...] O que a análise pode fazer por seu filho, caminha na linha diferente. Se ele é infeliz, neurótico, dilacerado por conflitos, inibido em sua vida social, a análise pode trazer-lhe harmonia, paz de espírito, plena eficiência, quer ele permaneça homossexual ou mude".

                          Como se pode ver, não é de hoje que pais e mães se perguntam onde foi que erraram. Do mesmo modo, não é de hoje que, apesar de bem mais aceita do que há cem anos, a homossexualidade ainda torna-se alvo de queixas para muitos jovens e adultos.

                          Ninguém vem ao consultório queixando-se de "heterossexualismo".
                          Ninguém procura o analista porque se descobriu gostando de uma pessoa do sexo oposto. A homossexualidade só se torna queixa, porque a
                          sociedade em que vivemos transformou a vida de pessoas com esta determinada característica desejante em um verdadeiro inferno.
                          Baseado no amor romântico do século XVIII, que tinha no casal heterossexual a única possibilidade de vida familiar, e pautada conseqüentemente na idéia de família e de parentalidade ou filiação, transformamos o desejo homossexual em queixa e sintoma. Aliás, a
                          queixa até pode ser por conta do sentimento para com o outro do mesmo sexo, mas somos nós, sociedade, que aprendeu a aceitar menos as escolhas afetivas e sexuais do outro, que infringimos no sujeito todo
                          o sofrimento psíquico em se conviver com a marca patogênica que se tornou comum associar a chamada homossexualidade.

                          Conforme diz o psicanalista Jurandir Freire Costa, em seu livro "A inocência e o vício", a linguagem amorosa em nossa cultura desde sempre foi essencialmente a linguagem do amor romântico, desde o primeiro flerte até o berçário. Nunca fomos capazes de associar a
                          figura do casal romântico a dois jovens do mesmo sexo; a única imagem que construímos em torno do casal gay foi a imagem da degenerescência, da promiscuidade, da sexualidade fútil e descartável, da doença, após o advento da Aids, ou da jocosa figura
                          do gay ou lésbica típicos cujo estereótipo faz com que os pais mais uma vez se perguntem onde foi que erraram, e os jovens gays e lésbicas permaneçam desamparados sem terem referências na construção
                          de sua sexualidade.

                          Sem modelos tais como os do casal hetero (como a adolescente que leva seu namorado para conhecer seus pais, ou o reforço da família no namoro do filho adolescente), buscam no mundo das aparências as
                          únicas referências na construção de suas subjetividades.

                          Não é a toa que dos leigos aos analistas menos desavisados, fazem que a regra da identificação sexual gerada no imaginário social da exclusão, seja justamente a de um determinado traço da personalidade ou de uma estrutura psíquica. Neste caso, prefiro mais uma vez, o argumento do psicanalista Jurandir Freire: o que é estrutura psíquica
                          da homossexualidade pode muito bem ser compreendida como resposta psíquica ou estratégia defensiva daquele diante das injunções morais desqualificantes, produzidas pelo preconceito e pela discriminação, ideários hegemônicos da intolerância e da violência.

                          Da vida cotidiana aos programas de TV, o adolescente gay ou lésbica não encontram modelos onde se espelhar, e quando encontram, vem de forma caricaturada pela mídia veiculada em novelas, programas de auditório ou humorísticos de televisão, tais como os programas Casseta e Planeta e Zorra Total exibidos pela Rede Globo de Televisão. Este último, apenas a título de ilustração, tem nos
                          personagens de Jorge Dória e Lúcio Mauro Filho, a perfeita encarnação da imagem do "gay típico" consumida e satirizada ao enfaro nas noites de sábado. Um personagem caricato, efeminado, explicitamente sexualizado e afetado, leva o pai às raias da loucura e da vergonha, fazendo com que este sempre se questione onde foi que errou.

                          Para indivíduos que procuram ajuda profissional, de norte a sul do país, o que podemos fazer enquanto profissional psi no Brasil é, por um lado, nos engajar na busca da diminuição do preconceito e da discriminação entre os nossos pares, e de outro, fazer com que a família e o paciente aprenda a crer que no campo da sexualidade, a anormalidade não é predicativa das relações homoeróticas.

                          É preciso um esforço, para aprender a ser sujeito neste mundo, porque é possível se viver no mundo como um sujeito que ainda não encontrou espaço para viver sua sexualidade do modo tão comum como é vivida a afetividade e a sexualidade heterossexuais.

                          E ser sujeito neste mundo é muito oneroso, para alguns. Ser sujeito é amar, odiar, ter medo, sofrer com a morte dos nossos entes queridos, é fazer amigos, e também perdê-los, é perder noites de sono pela prova na faculdade que obteve nota baixa, é perder horas no trânsito, receber broncas do chefe e ainda ter que produzir muito para ganhar um salário no fim do mês, é pagar contas, é chorar diante das impossibilidades de nossos sonhos, é realizar ou não nossos ideais de
                          eu, é apaixonar-se e perder a quem se ama, é fazer sexo e ter com quem dividir o espaço na mesma cama, mas também é sentir esse espaço vazio em noites solitárias e frias de outono ou inverno, e mais um
                          sem fim de exemplos que se arrastariam por aqui, que faz parte da constituição de nossas subjetividades. Aprender a amar e fazer sexo com quem se ama, por exemplo, é apenas uma pequena parte da constituição de nossas subjetividades. Daí o fato de escolhermos uma mulher ou homem como nosso objeto de amor, é escolha erótica de cada um. Portanto, os pais não deveriam se sentir culpados diante da escolha e do desejo do filho, pois eles já fizeram a escolha deles.
                          Ensinar-lhes a ser um ser humano ético, ter caráter, dignidade e respeito pela pessoa humana, vale muito mais do que julgá-los pela escolha afetiva e sexual que fizeram. Do mesmo modo, é assim que o adolescente ou adulto em nossa sociedade deveria se situar no mundo.
                          No caso da adolescência, vale um comentário a mais: se nada em nossa natureza é fixo e imutável, muito menos o é na adolescência, onde estamos no ponto de maturação para aprendermos a ser adultos dignos.

                          Portanto, essa é a nossa tarefa enquanto profissional psi: ajudar o nosso paciente a aprender a se situar no mundo, a aceitar as contingências de sua própria vida e conviver com a descoberta fervilhante de suas pulsões sexuais, visto que, no campo da sexualidade, somos sempre grandes aprendizes da inefável natureza humana.


                          P.S.: Vale a pena, para pais e mães de gays e lésbicas, lerem o livro "Agora que você já sabe", lançado há alguns anos, e que se presta bem a essa questão.

                          Sergio Gomes da Silva é Psicólogo Clínico, e Especialista em Sexualidade Humana e Direitos Humanos.

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                            #13

                            Offline Phoenix

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                            ADOLESCENTES GAYS - COMO AS MÃES ESTÃO ENCARANDO A QUESTÃO
                            por Regina Valadares

                            - Ninguém quer ter um filho ou uma filha homossexual. Por mais esclarecidos que sejam os pais, a notícia cai sempre como uma bomba. Desperta culpa, suscita raiva, vergonha, tristeza..."Não queria ter uma filha gay", diz Loreta*, 49 anos, arquiteta. Há cinco anos, quando Renata*, 19, chamou-a no quarto para conversar e contou que era lésbica, ela caiu no choro."Tudo que consegui dizer foi:'Eu queria que você casasse e me desse netos!' "Levou três meses para parar de chorar e mais um ano até entender que não era culpa  dela."Ficava me torturando:'Será que foi a minha separação? Será que fui superprotetora? Onde foi que errei?'"
                            A reação de Loreta é comum. Segundo a psicóloga carioca Adriana Nunan, autora de Homossexualidade: do Preconceito aos Padrões de Consumo, os pais geralmente acham que fizeram alguma coisa errada e que, por culpa deles, o filho ou filha optou por esse caminho. "Mas não é algo que se escolhe ou que pode ser ensinado", afirma Adriana. "A idéia de que uma mãe dominadora e um pai ausente geraram a homossexualidade do filho é baseada em teorias antigas que já foram 'desconfirmadas'. Se fosse assim, após períodos de guerra, quando os homens se afastam de suas famílias para lutar, veríamos um aumento significativo de homossexualidade. Isso, naturalmente, não ocorre." De qualquer forma, vem o questionamento. O bancário Maurício*, 57 anos, soube há três meses que seu filho mais velho é gay. "Não entendo o que aconteceu. Não foi comigo que ele aprendeu isso. Jogo futebol todo fim de semana, nado, não tenho amantes, sou bem-casado e gosto de fêmeas. Ele não seguiu o meu exemplo." Zeca* tem 17 anos, se assumiu há dois e só agora teve coragem de contar em casa. "Para amenizar, disse que
                            era bi. Minha mãe começou a chorar e meu pai perdeu a fala. Com certeza não ficaram felizes com a notícia. Mesmo assim, sei que me aceitaram, sinto-os mais próximos de mim", conta. Embora Maurício sofra muito com a novidade, está se esforçando para se conformar. "Não entendo, mas estou resignado", confessa. Há dois anos fiz uma cirurgia cardíaca. Preferia ter morrido a passar por esse problema na família, mas fazer o quê? É melhor do que se ele fosse drogado, né?"
                            O desespero é tanto que a maioria dos pais, ao receber a notícia, acaba se surpreendendo com a própria reação. "Bati na minha filha até nós duas cairmos no chão, exaustas", conta Sônia*, 47 anos, professora de inglês. Há um ano, sua única filha, Luana, 15, contou que gostava de outra mulher. Foi uma facada no meu coração. Tive que convencer meu marido a não colocá-la para fora de casa e, desde então, eles não se falam. Até hoje não sei o que aconteceu. Se Deus quiser, vai passar, é só moda, uma fase", diz, com o olhar vago de quem já não acredita muito nas próprias palavras. "Não é fase, muito menos doença. E não há nada que se possa fazer a respeito, a não ser ajudá-la a lidar com os preconceitos que terá que enfrentar", comenta Adriana Nunan. Entre eles, brincadeiras grosseiras, olhares incriminadores e até violência física... Há movimentos e ONGs batalhando para que a sociedade olhe com respeito esses cidadãos. Mas, se ser aceito em casa já é difícil, imagine no mundo lá fora... "Tinha calafrios imaginando que poderiam chamar meu filho de bichinha", diz Vânia*, 38 anos, comerciante. Ela tentou de tudo para que ele "largasse mão dessa bobagem" e voltasse a ser homem. "Minha mãe chamou até um exorcista!", conta Danilo*, 17 anos, que saiu do armário há quatro. "Jogou minhas roupas fora e substituiu por outras que achava mais masculinas. Disse que meu problema era não ter encontrado uma moça legal e que ela mesma ia arranjar uma namorada pra mim! Só sossegou quando o psicólogo falou que não era possível me fazer mudar e que, se me amava, tinha que me aceitar como sou." Muitas vezes, a notícia é apenas uma confirmação, pois os pais já intuíam, mesmo que inconscientemente. Nem por isso deixam de tentar convencer o filho de que está enganado. Vânia levou dois anos para aceitar. Não queria que ele sofresse, temia que fosse se meter com gente esquisita, mas conheço seus amigos, são pessoas ótimas, e quem não sofre neste mundo?" Sônia, por sua vez, ainda está tentando. "Não vou me afastar de Luana, eu a amo muito, mas ainda não consegui digerir essa história."
                            Os pais têm todo o direito de pedir um tempo para acomodar suas emoções, diz Lidia Aratangy, psicóloga de casais e de família. "O filho amadureceu a idéia, pensou o que ia dizer, escolheu o momento, por isso tem que permitir que a mãe e o pai façam o mesmo caminho." Ela enfatiza que, mesmo sem entender, os pais podem acolher se mostrando abertos para ouvir mais do que falar. Edith Lopes Modesto, escritora e fundadora do primeiro grupo de pais de homossexuais pela internet, considera esse o momento em que os filhos mais precisam dos pais. "Paradoxalmente, é quando estes estão menos capacitados a apoiá-los." Ela, que viveu na pele essa experiência, tem certeza de que nada pode ser mais útil do que a verdade. Ajuda, também, parar de buscar a causa e focar na dificuldade de aceitar a diferença. "É outra forma de amar, de ser, de viver a sexualidade", diz Bianca Alfano, coordenadora do departamento de psicologia da ONG Arco-Íris, no Rio de Janeiro, que oferece atendimento psicológico gratuito a toda a população GLBT (gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais) e familiares. Porque é extremamente sofrido para o adolescente se perceber diferente. Uma pesquisa americana revela que o índice de suicídio entre jovens gays é três vezes mais alto que entre os heterossexuais. Ao contar em casa, afirma Adriana, a pessoa pretende ser aceita na sua totalidade, isto é, quer parar de fingir ser algo que não é, deseja compartilhar seus sentimentos e idéias abertamente, sem estar constantemente preocupada com a avaliação dos outros. Mais que tudo, esse filho ou filha quer o amor da família. E poder contar com ele é o melhor começo.
                            *Os nomes foram trocados a pedido dos entrevistados

                            fonte: http://claudia.abril.com.br/edicoes/532/fechado/familia_filhos/conteudo_110881.shtm
                                  

                               

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