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Olá Visitante17.fev.2020, 22:52:46

Autor Tópico: Dualidade - Sentir-se Masculino & Feminino  (Lida 1746 vezes)

 
Dualidade - Sentir-se Masculino & Feminino
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Olá. Após algum tempo ausente estou de volta ao fórum, e venho falar-vos de algo que me inquieta desde sempre, e vi-me obrigado a reprimir o meu verdadeiro eu para me encaixar nos role models e estereótipos da sociedade que "do que um rapaz gay deve ser".
Cheguei a viver momentos horrorosos de bullying por parte da família e no meio escolar...Não foi fácil digerir essas coisas.

Eu desde cedo sempre senti um lado mais feminino em mim (querer pintar o cabelo, unhas, usar makeup, usar saias, vestidos, etc) , em termos de expressão de género, algo ambíguo, não uma aparência somente-feminina ou somente-masculina, porque combina feminilidade e masculinidade simultaneamente. Sinto um duelo dentro de mim, um mix de masculino e feminino, depende dos dias do estado de espirito, e ainda não sei lidar bem com isso.
Gostava de conhecer pessoas que também se sintam assim, trocar experiências, histórias de vida, ter apoio, ganhar coragem para passar a ser quem sempre fui e como sempre me senti.

De todas as vezes que tentei ser eu, as pessoas cortavam-me as pernas, literalmente obrigavam-me a comportar-me como o típico macho-alfa. Ainda me lembro perfeitamente da primeira vez em que decidi alisar o cabelo, usar maquilhagem e pintar as unhas: <<Um colega de turma fez questão de usar isso como motivo de chacota, e de eu querer ser uma maria! >>, tanto em meio escolar como em casa nada foi fácil de digerir, a minha própria progenitora dizia-me <<Tu és um homem ou um gato? Os homens não se pintam, nem usam verniz, pareces uma maria, toda vaidosa, se soubesses o quão bonita ficas, já te pintaste hoje, Maria? Devias ter vergonha (num mau sentido claro)>>, inclusive chegaram ao ponto de me obrigar a tirar o verniz senão não tinha a semanada, fazendo manipulação e jogo psicológico comigo.
E, a primeira vez em que decidi aparar os pêlos das pernas foi uma cena de filme, um horror, por pouco não apanhei tareia, e literalmente queriam internar-me porque eu estava louco da cabeça, que nenhum homem no seu perfeito juízo faria isso.
O meu progenitor chegou a dizer-me <<Sabes o que é tu me pareces, uma mulher, tu fazes de propósito para que as pessoas façam pouco de ti, tens a cabeça toda trocada!>>

Isso foi tão duro, que mesmo após a minha vinda para Lisboa (sou natural da Ilha da Madeira) as diversas vezes que tentei ser eu próprio, não correram nada bem, muitos dos rapazes com quem estive criticavam-me pela forma de eu andar (deve-se a um problema de saúde, que me deixou sequelas para a vida), por ter o cabelo pintado, pelas roupas que vestia, pela forma de agir, etc.
Foi isso e ainda uma ex-amiga minha ter-me dito: <<Sabes o que pareces, um gay que escancarou a porta do armário? És uma b**** histérica, não podes ser assim, andar vestido e te comportares como queres na rua, socialmente, as pessoas vão se afastar de ti, vão gozar de ti, ninguém te vai dar emprego assim, ninguém te vai respeitar, vão te chamar de p*** , não usar o que queres fora de casa, guarda isso para ti, e faz o que queres só dentro de quatro paredes, porque assim como tu queres ser, digo-te nenhum homem vai te querer.>> Essa situação que me aconteceu ainda contribui ainda mais para eu decidir ignorar essa parte de mim, e viver consoante aquilo que os outros esperavam de mim. E de facto, à medida que o tempo foi passando os traumas com os rapazes que ia conhecendo, sempre a mesma coisa, decidi reprimir-me. E tentar ter uma imagem do típico rapaz masculino, sem tiques, e etc.

O meu namorado. na altura quando o conheci tinha o cabelo comprido, e ele não gostava muito disso. E pouco depois de o conhecer, a minha amiga obrigou-me a cortar o cabelo porque tive de voltar à ilha dado uma emergência familiar, e que eu devia comportar-me como homem para não ter chatices nenhumas. Senti-me tão revoltado com isso, mas infelizmente tive de aceitar, porque se fosse para a ilha de cabelo grande, a minha família iria criar atritos comigo.
Conheci o meu namorado através do manhunt, e no perfil dele dizia que não gostava de rapazes efeminados, travestis, b*****, etc etc. Outra vez a mesma coisa, lá voltei eu a reprimir eu mesmo, durante alguns meses . Porque tinha de ser o típico rapaz masculino, sem tiques, nem trejeitos afeminados. Entretanto participei no debate do programa "E se fosse consigo? - A homofobia" e através do programa muita gente me contactou, das quais uma rapariga, que depois de me conhecer, melhor quis fazer uma sessão de fotos por achar que eu teria potencial para fazer algum trabalho fotográfico ou em televisão, e fez questão de levar-me às compras. Após ver o resultado final, apesar de ter adorado as fotos, senti um vazio, que faltava ali um pedaço de mim, senti-me incompleto, tenho uma dualidade dentro de mim ser masculino e feminino ao mesmo tempo.

E certo dia, passados cinco/seis meses de o conhecer o meu namorado ganhei coragem e contei-lhe a verdade, esperava uma reação péssima, mas acabou por revelar-se positiva, apesar de ele ter ficado um bocadinho abalado ao início. Ele apenas tinha medo de deixar de sentir a mesma atração que sente por mim, por eu estar vestido de forma diferente. Mas apoiou-me e apoia-me, e diz-me que eu devo decidir ser quem sou, ser quem me faz feliz, o meu verdadeiro eu. E fui capaz de desconstruir os preconceitos que ele tinha por pessoas fora da norma padrão, porque quem ele gosta, é do meu eu, do meu intimo, e não daquilo que eu decido ser ou usar.
Eu por um lado gostei desta ultima mudança de visual (aquando da sessão de fotos em 2016)  que fiz, mas sinto um vazio falta qualquer coisa, sinto a necessidade de demonstrar a parte feminina que há em mim, olho-me ao espelho e falta uma parte de mim, sinto que estou a seguir padrões e que tenho que me vestir tipo menino x, e não tenho a liberdade para ser algo que me sinta EU e me identifique. E sempre tive medo de passar por bullying outravez e de isso não ser bem aceite pelas pessoas envolventes a mim e amigos próximos.

Recentemente, tenho me deparado com mudanças de humor repentinas, ora estou feliz, bem, depois fico triste, sensível, choro, depois estou a rir às gargalhadas que nem um parvo. Por vezes nem me compreendo. Ainda não me sinto totalmente à vontade com o sentir-me feminino e querer extrapolar essa energia que esta cá guardada durante muito tempo... É algo que será aos poucos e gradual. Tenho tentado fazer algumas coisas, comprado algumas roupas novas, mas ainda não as tive coragem de usar na rua, tenho medo de alguém fazer-me mal. Quero adoptar um estilo de "no clothing gender", roupa agénero.

E algo de que gostava muito e acho que me faria bem, (falta apenas ter confiança) seria, um dia vir (quem sabe neste carnaval) a vestir-me drag queen, sinto que preciso de libertar esta tensão, esta energia feminina que há em mim, sentir aquele poder que as mulheres têm...  e fazer algo de bom e positivo com isso, mostrar que não há nada de errado com todos os que se sentem assim, o outro lado que há em mim.

O que tem sido difícil nisto, é que nunca tive liberdade nem espaço para poder demonstrar tal, mas agora tenho e ainda não consegui ganhar coragem e ter confiança em mim, talvez por ter pouca auto-estima e confiança seja ainda mais difícil de enfrentar isto tudo, preciso de aceitar-me a gostar de mim assim, e saber lidar com esta dualidade. Outra coisa que ainda me faz impressão é as pessoas julgarem o livro pela própria capa, desde quando sou pior pessoa ou a minha capacidade de trabalho diminui por eu decidir viver como eu mesmo, decidir vestir o que gosto, comportar-me e usar o que faz sentido para mim. Eu simplesmente não vejo género nas roupas, desde que goste e me sinta bem com elas importa. E foi muito mau para mim estes anos todos não poder me exprimir  nem ser eu mesmo. E cheguei a um ponto em que estou farto de viver aquilo que os outros esperam que eu seja, e quero passar a ser EU, sem filtros. Há dias em que me sinto feminino e masculino, há dias em que me sinto masculino e noutros feminino.

Obrigado a todos,
André.
« Última modificação: 31 de Janeiro de 2017 por SuperMan-SuperWords »
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    Dualidade - Sentir-se Masculino & Feminino
    #1

    JoãoSalvado

    • Visitante
    Olá André,

    Senti-me muito relacionado com o teu texto. Eu também tive (e tenho) momentos em que me relacionava mais com um papel feminino. A verdade é que desprezo o papel masculino que tenho de representar diariamente e que me impede de ser mais eu.

    Existe uma diferença, no entanto: Pelo que percebi, esta fase da tua vida preferes misturar os dois géneros, enquanto que eu prefiro manter os dois em separado, e expressá-los em alturas diferentes conforme me sinta ( é comum num dia sentir-me masculino e no outro feminino, se bem que não existe uma possibilidade de prever quando se poderá dar esta troca em mim).

    Lamento imenso que tenhas passado pelas situações que passaste. Infelizmente a nossa sociedade é um sistema para o qual somos apenas números e nada mais. Eu também sofri bastante de bullying no escola.

    Se quiseres falar podes mandar-me uma mensagem, responderei assim que me for possível.

    Um abraço!

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      Olá André,

      Senti-me muito relacionado com o teu texto. Eu também tive (e tenho) momentos em que me relacionava mais com um papel feminino. A verdade é que desprezo o papel masculino que tenho de representar diariamente e que me impede de ser mais eu.

      Existe uma diferença, no entanto: Pelo que percebi, esta fase da tua vida preferes misturar os dois géneros, enquanto que eu prefiro manter os dois em separado, e expressá-los em alturas diferentes conforme me sinta ( é comum num dia sentir-me masculino e no outro feminino, se bem que não existe uma possibilidade de prever quando se poderá dar esta troca em mim).

      Lamento imenso que tenhas passado pelas situações que passaste. Infelizmente a nossa sociedade é um sistema para o qual somos apenas números e nada mais. Eu também sofri bastante de bullying no escola.

      Se quiseres falar podes mandar-me uma mensagem, responderei assim que me for possível.

      Um abraço!

      Olá João, obrigado pela tua resposta.
      Há dias em que me sinto feminino e masculino, há dias em que me sinto masculino e noutros feminino. Exato é tal e qual como dizes, é imprevisível, eu não adormeço a pensar <<Amanhã vou ser feminino!>>, simplesmente sinto-me assim, consoante o humor e estado de espírito.
      Exato é verdade, isso ainda me custa muito, quero ser eu em qualquer lugar, mas tenho medo, que me maltratem, de sofrer bullying,violência. Isto terá de ser algo gradual e aos poucos e poucos.

      Obrigado, enviei-te mensagem.
       
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        #3

        JoãoSalvado

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        Entendo André, e nesse caso posso dizer que se passa o mesmo comigo. É algo a que demoramos a habituar-nos (se é que alguma vez nos habituamos, pois há dias em que estas emoções surgem com muita força), mas com o tempo tudo se faz.

        Um abraço!

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          #4

          Offline carolinalg

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          Genderfluid? :)
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            Carolina, sim genderfluid/andrógino
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              #6

              Offline Spektrum

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              Eu desde cedo sempre senti um lado mais feminino em mim (querer pintar o cabelo, unhas, usar makeup, usar saias, vestidos, etc) , em termos de expressão de género, algo ambíguo, não uma aparência somente-feminina ou somente-masculina, porque combina feminilidade e masculinidade simultaneamente. Sinto um duelo dentro de mim, um mix de masculino e feminino, depende dos dias do estado de espirito, e ainda não sei lidar bem com isso.
              Por vezes, sinto algo semelhante, mas mais subtil.

              Eu tenho expressão de género feminina, e identifico-me como mulher lésbica, mas por vezes vivo na dualidade de parecer andrógina ou ligeiramente masculina, ou de parecer mais feminina. Há dias em que opto por usar cabelo apanhado e as roupas mais neutras/masculinas que tenho no guarda-roupa e ter comportamentos mais masculinos, como sentar com as pernas abertas e andar com as mão nos bolsos das calças, por vezes as pessoas confundem-se com o meu género. Outros dias visto-me como uma rapariga normal, solto e arranjo o cabelo, até posso usar maquilhagem básica (não gosto muito de usar maquilhagem), e tenho comportamentos mais femininos, como cruzar a perna.

              Nunca valorizei muito este aspecto, se calhar até me posso enquadrar na definição de genderfluid, mas eu acho que sou uma pessoa e da mesma forma que tenho dias em que acordo feliz e outros em que acordo triste, também tenho dias em que me sinto mais feminina e outros mais masculina. São características minhas, não me identifico com nada.

              Acho que o mais importante é sentires-te bem contigo próprio e gostares daquilo que és/pareces. O julgamento dos outros não deve afectar a forma como te sentes. Por vezes é útil saber usar a máscara, isto é, se estás numa situação em que é esperado que tenhas uma expressão de género masculina, como um jantar em família ou uma entrevista de emprego, porque não adaptares-te ao que é esperado e passares despercebido pela situação de forma a que não ouças ataques ou comentários depreciativos com isso? Isto não significa que estejas a ser falso contigo próprio, mas sim a usares a adaptabilidade que tens para tirar os melhores resultados da situação. O mais importante é agires em conformidade com o que sentes e queres.
              « Última modificação: 2 de Fevereiro de 2017 por Spektrum »
                “Always be a poet, even in prose.”
                ― Charles Baudelaire

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                #7

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                Eu desde cedo sempre senti um lado mais feminino em mim (querer pintar o cabelo, unhas, usar makeup, usar saias, vestidos, etc) , em termos de expressão de género, algo ambíguo, não uma aparência somente-feminina ou somente-masculina, porque combina feminilidade e masculinidade simultaneamente. Sinto um duelo dentro de mim, um mix de masculino e feminino, depende dos dias do estado de espirito, e ainda não sei lidar bem com isso.
                Por vezes, sinto algo semelhante, mas mais subtil.

                Eu tenho expressão de género feminina, e identifico-me como mulher lésbica, mas por vezes vivo na dualidade de parecer andrógina ou ligeiramente masculina, ou de parecer mais feminina. Há dias em que opto por usar cabelo apanhado e as roupas mais neutras/masculinas que tenho no guarda-roupa e ter comportamentos mais masculinos, como sentar com as pernas abertas e andar com as mão nos bolsos das calças, por vezes as pessoas confundem-se com o meu género. Outros dias visto-me como uma rapariga normal, solto e arranjo o cabelo, até posso usar maquilhagem básica (não gosto muito de usar maquilhagem), e tenho comportamentos mais femininos, como cruzar a perna.

                Nunca valorizei muito este aspecto, se calhar até me posso enquadrar na definição de genderfluid, mas eu acho que sou uma pessoa e da mesma forma que tenho dias em que acordo feliz e outros em que acordo triste, também tenho dias em que me sinto mais feminina e outros mais masculina. São características minhas, não me identifico com nada.

                Acho que o mais importante é sentires-te bem contigo próprio e gostares daquilo que és/pareces. O julgamento dos outros não deve afectar a forma como te sentes. Por vezes é útil saber usar a máscara, isto é, se estás numa situação em que é esperado que tenhas uma expressão de género masculina, como um jantar em família ou uma entrevista de emprego, porque não adaptares-te ao que é esperado e passares despercebido pela situação de forma a que não ouças ataques ou comentários depreciativos com isso? Isto não significa que estejas a ser falso contigo próprio, mas sim a usares a adaptabilidade que tens para tirar os melhores resultados da situação. O mais importante é agires em conformidade com o que sentes e queres.

                Muito obrigado pelo teu feedback Spektrum compreendo aquilo que me dizes. Em relação a usar a máscara, compreendo o teu ponto de vista, porém acho que devo ser quem eu me sinto naquele momento, já vivi demasiados anos, a ser aquilo que as pessoas esperavam que eu fosse, a ser o que os outros queriam, deixei de ser eu, e viver consoante os outros. Acho que se houver abertura para tal, as pessoas devem ser quem elas são, usar uma saia ou vestido, não vai fazer de mim pior pessoa, ou pior funcionário. Muito pelo contrário, estou a ser eu mesmo, verdadeiro e acaba por diminuir a frustração que teria se não me deixassem comportar como eu me sinto naquele dia/momento.

                Eu vivi a minha vida até agora numa mentira praticamente e acho que está mais do que na hora de eu viver o meu eu, como me sinto, como sou. Reprimir, só me iria deixar infeliz e com mais complexos. Eu de momento já tenho questões emocionais suficientes para resolver comigo mesmo, não preciso de ter mais uma, a palavra de ordem é descomplicar, tenho de me soltar e ser verdadeiro comigo.
                Quem não gosta paciência, não olhe, não nasci para agradar a ninguém. Só peço uma pequena coisa, respeito, se as pessoas me respeitarem e forem boas para comigo, eu seriei igual para com elas.
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                  #8

                  Offline Spektrum

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                  Em relação a usar a máscara, compreendo o teu ponto de vista, porém acho que devo ser quem eu me sinto naquele momento, já vivi demasiados anos, a ser aquilo que as pessoas esperavam que eu fosse, a ser o que os outros queriam, deixei de ser eu, e viver consoante os outros. Acho que se houver abertura para tal, as pessoas devem ser quem elas são, usar uma saia ou vestido, não vai fazer de mim pior pessoa, ou pior funcionário.
                  Eu concordo contigo, acho que ninguém deve ser julgado pelo que é/parece/sente/quer. Acho que fazes bem em viver em concordância com o que sentes, isso revela um enorme querer e força de vontade. No entanto, e por mais triste que pareça, a sociedade não é tolerante (por mais que diga que sim!) com este género de coisas. Ainda existem muitos comentários depreciativos. A competência de alguém não deve ser avaliada pelo seu aspecto, mas ainda se excluem candidatos com base na aparência e na postura que apresentam. Mas nem toda a gente pensa assim, felizmente. Há sempre alguém que nos apoia e compreende, não estamos sozinhos.

                  Espero que encontres um meio em que possas ser quem tu verdadeiramente és e te sintas confortável e feliz! :) Força! *
                    “Always be a poet, even in prose.”
                    ― Charles Baudelaire

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                    #9

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                    Eu concordo contigo, acho que ninguém deve ser julgado pelo que é/parece/sente/quer. Acho que fazes bem em viver em concordância com o que sentes, isso revela um enorme querer e força de vontade. No entanto, e por mais triste que pareça, a sociedade não é tolerante (por mais que diga que sim!) com este género de coisas. Ainda existem muitos comentários depreciativos. A competência de alguém não deve ser avaliada pelo seu aspecto, mas ainda se excluem candidatos com base na aparência e na postura que apresentam. Mas nem toda a gente pensa assim, felizmente. Há sempre alguém que nos apoia e compreende, não estamos sozinhos.

                    Espero que encontres um meio em que possas ser quem tu verdadeiramente és e te sintas confortável e feliz! :) Força! *

                    Totalmente verdade Spektrum o que dizes. Infelizmente as coisas ainda são assim, só o tempo ajuda, aliado à vontade de criar-se mudança de consciências e mentalidades. Exato acredito que tudo na vida acontece com um propósito, e poderemos tirar alguns ensinamentos de tudo o que nos vai acontecendo ao longo da nossa caminhada.
                    Também espero com o tempo encontrar esse meio, em que não só eu, mas todos possamos ser quem somos sem medo, nem desconforto, sermos livres e sem mascarás nem filtros. :D
                    Obrigado.
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                      Totalmente verdade Spektrum o que dizes. Infelizmente as coisas ainda são assim, só o tempo ajuda, aliado à vontade de criar-se mudança de consciências e mentalidades. Exato acredito que tudo na vida acontece com um propósito, e poderemos tirar alguns ensinamentos de tudo o que nos vai acontecendo ao longo da nossa caminhada.
                      Também espero com o tempo encontrar esse meio, em que não só eu, mas todos possamos ser quem somos sem medo, nem desconforto, sermos livres e sem mascarás nem filtros. :D
                      Obrigado.

                      A seu tempo, tudo evoluirá a nosso favor. :) Temos uma das sociedades mais tolerantes, no que toca à expressão/direitos LGBT+. Eu sei que se ouvem sempre umas boquitas aqui e ali, uns olhares de lado e ainda existe discriminação, mas existem países em que a realidade é muito pior, em que existe violência, não só verbal, como física, há países em que algumas questões LGBT+ ainda são criminalizadas... sei que o nosso país não é perfeito, e ainda tem muito que melhorar, mas orgulho-me de tudo o que foi trabalhado e alcançado nos últimos anos. Hoje, se o quiser, posso casar com a mulher que amo e ter um@ filh@ com ela. Quando eu era miúda, isso era um tema tabu e impensável na sociedade da altura. E hoje, tudo mudou. Acredito que, daqui a outros tantos anos, a nossa realidade vá ser (ainda) mais inclusiva e tolerante.

                      E da mesma forma que acredito nisto, também acredito que, um dia, viverás tal como sentes e desejas. Até lá, continua a lutar por isso, as mentalidades vão-se mudando com pequenas coisas e todos nós assumimos um papel preponderante nisso. Tu estás a fazer o teu, e isso terá os seus resultados. Coragem, SuperMan-SuperWords! ;) E sabes que, no matter what, tens sempre aqui, no fórum, pessoas que te compreenderão e apoiarão.
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                        Última mensagem 31 de Janeiro de 2016
                        por Bc