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Olá Visitante19.nov.2019, 08:13:19

Autor Tópico: Citações de livros  (Lida 25172 vezes)

 
Citações de livros
#140

Offline sleepy_heart

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  • Género: Feminino
   Shimamura encarava a coisa seriamente. Se pretendia ter apenas relações de amizade com ela era porque tinha razão para preferir ficar à beira, em vez de mergulhar a fundo.
   Mas por detrás de tudo isto agia uma espécie de encantamento, produzia-se uma soberania dominadora, bastante semelhante àquela que o havia fascinado em frente do espelho, com o seu fundo de noite, no comboio. É certo que Shimamura pressentia as complicações que uma ligação com uma jovem de condição tão equívoca podia arrastar; mas era sobretudo a uma espécie de irrealidade que ele cedia, a esta curiosa sensação de diáfana transparência que ela havia suscitado nele, tão próxima da poesia do estranho reflexo que tinha contemplado no espelho; (...)


   Este ballet, a que jamais assistira tornava-se para ele uma espécie de arte ideal, um sonho de um outro mundo (...). Para quê arriscar-se a presenciar realizações decepcionantes, enfrentar o ballet concretizado em espectáculo, se a sua imaginação lhe oferecia o espectáculo incomparável e infinito da dança sonhada?

"Terra de neve" de Yasunari Kawabata

    Citações de livros
    #141

    Offline Lilium¥

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    • Género: Feminino
    Este país (Portugal) preocupa-me, este país dói-me. E aflige-me a apatia, aflige-me a indiferença, aflige-me o egoísmo profundo em que esta sociedade vive. De vez em quando, como somos um povo de fogos de palha, ardemos muito, mas queimamos depressa.


    Jornal de Letras, Artes e Ideias (1999)
    José Saramago
      “Ora che ho perso la vista ci vedo di più."

      Citações de livros
      #142

      Offline Lilium¥

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      • Género: Feminino

      Viagem


      "Aparelhei o barco da ilusão
      E reforcei a fé de marinheiro
      Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
      O mar.. .
      (Só nos é concedida
      Esta vida
      Que temos;
      E é nela que é preciso
      Procurar
      O velho paraíso
      Que perdemos.)
      Prestes, larguei a vela
      E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
      Desmedida,
      A revolta imensidão
      Transforma dia a dia a embarcação
      Numa errante e alada sepultura...
      Mas corto as ondas sem desanimar.
      Em qualquer aventura.
      O que importa é partir, não é chegar."


      Miguel Torga, Câmara Ardente
        “Ora che ho perso la vista ci vedo di più."

         

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