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Olá Visitante15.jan.2021, 14:18:51

Autor Tópico: A minha história... A minha VERDADEIRA história..  (Lida 9300 vezes)

 
A minha história... A minha VERDADEIRA história..
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Offline Coeur Noir

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  • Género: Feminino
Olá a tod@s!

Desde já peço desculpa se criei um novo tópico incorrectamente, mas, dentro do que procurei, não encontrei um espaço para colocar este meu "desabafo"...

Estou perdida, como muitos que por aqui encontro, e sinto-me só neste caminho!
Bem sei que é algo comum a tantos, contudo é também comum sentir-mos os únicos na tempestade...
O curioso é que partilhamos as mesmas histórias, sem muitas vezes sabermos disso!
Histórias estas, com tantos sinais, com tantos alertas, com tantas respostas sobre nós, mas que contudo optamos ignorar anos e anos a fio...

Porque tenho consciência disto e porque me cansei de esperar estes 27 anos para entender quem é que afinal sou, concluí que estava na altura de partilhar PELA PRIMEIRA VEZ a minha história...
A minha VERDADEIRA história...



CAPÍTULO 1: O primeiro "crush"!


Tudo começou quando eu tinha 10 anos...

Era ainda uma criança, gostava de correr, saltar, cantar, trepar às árvores, esfolar joelhos... um típico "espírito livre"!
Como qualquer miúda, tinha amigos e amigas, embora predominantemente me desse com rapazes.
Achava as miúdas demasiado irritantes, sempre preocupadas com as suas bonecas, em fugir dos miúdos, a gritar sempre que viam uma abelha, de volta dos penteados... os rapazes por outro lado eram mais aventureiros, trepavam às árvores comigo, pregavam partidas às "contínuas", jogavam "à bola"... Enfim, eu era aquilo a que se chamava uma típica "maria-rapaz"!

Contudo aos 10 anos, ninguém se preocupa com isso! De aparência sou e sempre fui bastante feminina, o que dava para "enganar" bem!
A vida era perfeita: boa aluna (tudo 100%); muito sociável (quer com as crianças da minha idade, quer com os adultos); considerada por muitos precoce, pela maneira de falar e de me expressar; saudável e atlética; enfim, cheia de vida!

Mas tudo mudou um Setembro, quando tinha 10 anos...

A M., assim se chamava, tinha acabado de chegar à nossa turma... era uma típica "menina", com as suas saias rodadas, a sua fita no cabelo comprido e o seu sorriso luminoso... todos gostaram dela imediatamente! As raparigas queriam ser como ela, os rapazes (que já começavam a entrar naquela idade atrevida do "levantar das saias") não paravam de olhar... enfim, era uma novidade para todos!

Lembro-me que rapidamente se tornou numa "rainha", no centro de atenções de todos, naquilo a que chamaríamos hoje a "miúda popular"! Quando fazia festas para os amigos, todos queriam ir! E eu, claro, não era excepção...

Pela primeira vez, senti vontade de ter uma amiga! Comecei a substituir os "jogos à bola" ou os joelhos esfolados, por andar a brincar à apanhada com a M. ou a ouvir falar dos quantos vestidos tinha em casa... boring, certo? Errado! Cada vez que falava, não conseguia tirar os olhos dela!
Contudo, ao contrário daquilo que eu desejava, a M. não partilhava do mesmo interesse... para ela, eu não passava de mais uma "coleguinha" de turma... Queria fazer parte do seu núcleo de amigas, ir às suas festas, passar o recreio ao lado dela... mas nada!
O que nunca antes me tinha acontecido, estava agora a acontecer: não conseguia fazer uma amiga!

O tempo passou, e com o aproximar das férias de Verão e o mudar de escola (pois estávamos na 4ª classe), lá ganhei coragem (lembro-me que foi muito difícil) e pedi aos meus pais para me fazerem uma festa de aniversário maior que os anos anteriores! Isto tudo porque precisava de uma desculpa para convidar a M., e nada melhor do que convidar a turma toda! Preparei a melhor festa de sempre: fitas por todos os lados, jogos, bolos, balões e uns convites todos "catitas" que foram dados a cada um da turma!

Chega o Verão, chega a minha festa e eu não podia estar mais entusiasmada... presentes, bolos, amigos... nada disto ocupava a minha cabeça! Tudo o que eu conseguia pensar era: a M. vem!!!

Porque sabia que íamos para escolas diferentes, dei-me ao trabalho de lhe fazer um desenho (não é um dos meus melhores atributos) e de escrever um poema! Investi dias a fio na pintura, na colagem e sobretudo no poema! Queria que ela soubesse o quanto era importante para mim e coloquei o meu coração nas mãos!

Na festa, depois de todos estarem a divertir-se, encontrei um momento para lhe dar o meu presente (irónico, já que o aniversário era meu!). E foi nesta altura que o meu coração foi pela primeira vez despedaçado...

A M. não ligou nenhuma ao meu presente... riu-se, achou estranho, largou-o num canto e voltou para a festa... o resto do tempo, foi como se eu não existisse... senti-me sozinha e o que era suposto ser um dia feliz, tornou-se num dia miserável...
Desde esse dia, nunca mais vi a M.!

Esta pequena história poderia ser encarada como apenas um desgosto de criança, que foi rejeitada por outra, sem importância demais... contudo a verdade é que 17 anos depois ainda me lembro como se fosse ontem...

Lembro-me por exemplo, que passei vários dias triste, a chorar, com um nó no estômago...
Cheguei mesmo a pedir aos meus pais para ir para a sua escola, só para poder estar perto dela!
A minha mãe (a qual sempre tive uma relação mais do que próxima) chegou-me mesmo a falar comigo sobre o assunto... perguntou-me o que se passava e porque é que uma colega me deixava tão triste.
Contudo tudo o que eu conseguia dizer era que "sentia um aperto no coração e que não conseguia explicar porquê, mas que apesar de ela não me ligar nenhuma, gostava muito dela"!
Rapidamente a minha mãe, na sua boa intenção, disse-me que era normal sentir uma "amizade muito forte por uma amiga", mas que não devia ligar muito...
 
Durante anos, ignorei o impacto que este pequeno acontecimento teve em mim...
Voltei a falar do assunto à minha mãe quando comecei a questionar quem era, mas sempre ouvi: "todas temos uma amiga de quem gostamos um pouco mais do que devíamos quando somos novas; é normal, não significa nada!"

Mal eu sabia que era um despertar para um mundo novo...


CAPÍTULO 2: A adolescência...

Mudança de escola, mudança de vida!
De volta ao normal, continuei o meu percurso como uma criança feliz: rodeada de amigos, boa aluna, com uma família que me adorava, etc.
Assim comecei uma nova era: a da adolescência!

Contudo, como todos os adolescentes, a partir dos meus 12/13 anos, as hormonas dispararam, levando-me a um lado mais negro! As mudanças de humor eram constantes, sem razão aparente! Começava agora a preocupar-me com o mundo, as guerras, a vida, a morte... enfim, vivi um período muito "existencialista"!

Tudo isto era "típico da idade", ou assim me diziam os meus pais! Mas eu sentia-me cada vez mais diferente...

Aos 12 anos conheci a R. (de agora em diante irei apenas colocar iniciais por uma questão de privacidade).
Fomos colegas de carteira e rapidamente nos tornámos melhores amigas.
Fazíamos tudo juntas: aulas, recreio, fins-de-semana em casa uma da outra, lanches... enfim, até ficávamos doentes ao mesmo tempo! ;)
Sentia que a R. era a única pessoa que me compreendia, mesmo nos meus momentos mais negros.
Partilhávamos os mesmos gostos, tínhamos os mesmos interesses, pensávamos da mesma maneira!
E numa altura em que os rapazes mandam bilhetes às raparigas e as raparigas fingem não ter interesse, mas sorriem-lhes de volta, eu e a R. não podíamos estar mais a leste disto tudo! O nosso mundo éramos eu e ela, mais ninguém! Tinha uma "melhor amiga" e isso para mim era motivo para sorrir todos os dias! :)

Embora a R. fosse muito tímida, eu mantive a minha personalidade extrovertida, o que fazia com tivesse muitos "amigos", um dos quais o C., o miúdo novo!
Sendo o único rapaz maturo da escola, rapidamente se tornou num bom amigo e começou a passar mais tempo comigo. Apesar de simpático e divertido, a R. não tolerava a sua presença, o me levou a ter que me dividir pelos dois. O meu tempo era agora disputado por uma segunda pessoa, o que não agradou nada à R.

Como de costume (se bem se lembram), os rumores eram o prato de cada dia... e não foi preciso muito tempo para começarem a surgir rumores sobre mim e o C. Para nosso total desconhecimento, de um dia para o outro éramos namorados... ou pelo menos assim a escola o pensava! E como um rumor pode iniciar uma cascata de acontecimentos...

De repente a R. deixa-me de falar, já não partilha a carteira comigo, já não almoça ao meu lado, já não me telefona para casa... Tornei-me num autêntico fantasma à sua volta! Fico confusa, triste, baralhada, deprimida... uma turbulência de emoções... tento tudo, mas não consigo arrancar uma palavra dela, um olhar, um momento que seja perto de mim... senti que era um bicho, o qual era queria estar longe!

Procurei conforto junto da minha mãe e contei-lhe o que se passava! Na conversa, surge a palavra ciúme, mas uma vez "uma coisa normal entre amigas" e concluí que a R. tinha ciúmes do C. Claro que na minha inocência, achava que ela gostava do C. mas era demasiado tímida para o reconhecer. Foi então que me lembrei de ser cupido!
Começou a minha maratona para juntar os "dois pombinhos" e recuperar a minha amiga, pois acima de tudo não a queria perder! Revelei-me um excelente cupido, a propósito... pena ser só para os outros! :p

Finalmente feliz da vida, porque eram oficialmente namorados (daqueles que se limitam a andar de mão dada na escola... coisas de miúdos!) Contudo, para meu espanto, agora nenhum dos dois me falava!
Confusos? Também eu fiquei...
Assim andou algum tempo, até ter o C. bem longe de mim! Andava triste e comecei a desenvolver sinais de depressão... não queria ir às aulas, andava sempre sozinha e chorava sempre que ouvia Queen (o nosso, meu e da R., grupo preferido da época)! Comecei a sentir aquele nó no estômago outra vez... fiquei doente!

Lembro-me que estive cerca de um mês e meio em casa (com o quê, não sei ao certo), mas cheguei a estar internada e tudo! Ao fim  de um mês, recebi uma carta... era a R!
Tinha sabido que eu estava doente e vinha desejar-me as melhoras...
Aproveitei a oportunidade para lhe responder de volta... Ainda hoje tenho uma cópia da carta... foi longa e cheia de erros ortográficos (lol). Mas o mais importante, foi uma das cartas mais sentidas que escrevi...
Em resumo dizia-lhe que tinha saudades e pedia-lhe desculpa se a tinha ofendido ou magoado sem dar conta.
Falei-lhe da conclusão a que tinha chegado sobre os ciúmes do C. e disse-lhe que não o queria para nada, que era todo dela! Acima de tudo tinha saudades da nossa amizade e queria isso de volta...

No fim-de-semana seguinte, tenho uma visita... a R. estava à porta do meu quarto!
Nem podia acreditar nos meus olhos, era um sonho! Só queria correr e abraçá-la, mas tive medo e remeti-me ao meu canto. Ao princípio foi estranho, nenhuma das duas sabia bem o que dizer. Até que quebrei o silêncio e perguntei-lhe se estava chateada...
Ficou espantada com a pergunta e respondeu-me que "não compreendia como é que eu não tinha entendido o que se passava... como estava completamente a leste de tudo, que não percebia nada de nada"... pois, exactamente isso que estão a pensar... fiquei ainda mais confusa!
Algures no meu discurso, pedi-lhe mais uma vez perdão por algum mal entendido e expressei as minhas saudades... dei-lhe um poema que lhe tinha escrito sobre a nossa amizade... yep, poesia parece ser o meu "modo operandis"!
Chorou e pediu-me desculpa! Mas eu continuava sem perceber nada! E depois disse-me algo que nunca esqueci...
"Adoro-te, mas não posso passar mais tempo contigo!"

Fiquei de rastos... Tentei perguntar porquê, mas nada! Estas foram as únicas palavras que lhe saíram da boca...
Mais uma vez, o meu coração ficou destroçado... Passei mais 2 semanas em casa, a maior parte do tempo a chorar!
Não conseguia compreender como é que duas pessoas que gostam tanto uma da outra não podiam estar juntas!
Sofri, mas o tempo sarou a ferida e enterrou os sentimentos!

Uns bons anos mais tarde, vim a saber por intermediário de terceiros, que a R. estava agora numa relação lésbica, apaixonadíssima e feliz. Sorri! Sorri por saber que ela estava bem... mas sem dar por isso sorri também por mim... por finalmente entender aquela frase...


CAPÍTULO 3: O terror do liceu!

Aos 15 anos mudei de casa e iniciei o liceu numa zona completamente nova...
Não conhecia ninguém e senti-me um pouco intimidada!

Contrariamente à pessoa que sempre fui até à época, um lado extremamente introvertido desenvolveu-se... Possivelmente devido ao montão de desilusões acumuladas nos anos que se passaram, ou mesmo à onda negativa de mortes de pessoas próximas (família e amigos)...
A verdade é que durante a minha adolescência tive uma reviravolta na minha personalidade e desenvolvi um medo aterrador de me entregar às pessoas (amizade, família, etc)... e logo quando tenho que começar uma vida nova, num lugar desconhecido... :(

O primeiro ano (10º) foi um ano normal... reajustei-me, integrei-me modestamente, fiz novas amizades, embora nunca muito intensas...
Estava numa escola onde todos já se conheciam desde os 2 anos (ou algo parecido) e eu, como outsider, não fui propriamente integrada no meio deles! Passei um ano banal, focada acima de tudo nos meus estudos... menos mal!

Contudo, o tempo passa, chega o 11º ano e as coisas mudam radicalmente!
O grupo dos "populares", perdeu um dos seus elementos (uma rapariga que mudou de escola), deixando como que uma "vaga" por preencher! (Eu sei que parece estranho, mas aquela escola funcionava assim...)
Não tinha qualquer interesse em preencher essa vaga, até porque já andava um pouco farta do conceito dos "populares" e não tinha paciência para tanta superficialidade... Contudo o destino reservou-me uma surpresa!

Um dia, no laboratório, fui colocada aleatoriamente (e para o resto do ano) ao lado de uma das "populares", a H.
Curiosamente, a rapariga que tinha mudado de escola era a sua melhor amiga e colega de carteira. Ora, havendo um lugar vazio na sala de aula, os professores acharam por bem colocarem-me ao seu lado... o que desencadeou uma série de eventos, como vão ver!

Fiquei apreensiva ao início, pois senti que era uma pessoa que nunca me iria dizer nada (já que a via como aqueles "tontos", "superficiais" dos seus amigos) e achei que iriam ser as aulas mais aborrecidas da minha vida!
Contudo, para minha grande surpresa, num espaço de poucas semanas a H. tornou-se na minha melhor amiga!
Apesar de não me dar com os seus amigos, passar tempo com eles tornou-se tolerável e mesmo indiferente, já que ela tornava tudo melhor à sua volta.
Com o tempo comecei a perceber que era uma pessoa diferente: sensível, inteligente, atenciosa, interessante, para além de excepcionalmente linda! (Err... pois... eu achava "excepcionalmente" linda... como aliás nunca tinha achado ninguém!)
Até à data nem sequer pensava nisso... tinha tido um namorico de Verão com um rapaz (uns beijinhos e mais nada), mas nem sequer tinha dado muita importância! Foi um pouco na "onda dos outros"; se todos têm namorados, porque não hei-de ter um também!!!

Mas com  a H. era diferente! Tudo o que fazia, tudo o que dizia, eu idolatrava!
Tornámo-nos como irmãs! Jantava lá em casa, íamos sair à noite, íamos para a praia a seguir às aulas, até uns cigarrinhos fumávamos às escondidas dos pais (ui, que rebeldes lol)... Ela contava-me tudo, desde os pensamentos mais íntimos, e vice-versa! A cumplicidade crescia... e a amizade também!

Tudo era perfeito, até ao dia em surgiu uma discussão aberta sobre homossexualidade na escola... questões foram levantadas perante todos, e eu pude ver o quando o meu núcleo estava infestado de preconceitos...
Deixou-me desiludida, pois desde pequena convivi com todo o tipo de pessoas e não percebi o porquê de tanto asco no que dizia respeito aos homossexuais!
Contudo, sem dar por isso, deixou-me também com outro sentimento: medo!

Pela primeira vez, e não entendendo o porquê, desenvolvi a paranóia de que todos iriam achar a minha relação com a H. "estranha" e que poderiam começar a questionar a minha orientação sexual...
Não porque me visse dessa "forma", mas porque bastava que os outros me olhassem assim... e se um rumor tivesse lugar, eu corria o risco de perder uma amizade que era tudo para mim!

Este medo teve, em mim, um efeito totalmente inesperado... um efeito introspectivo!
Comecei a questionar o porquê deste receio, se eu me achava "normal"! E pela primeira vez uma questão surgiu na minha cabeça: será que algum dia eu poderia ser lésbica? Ri-me da ideia, irritei-me, chorei e neguei totalmente a possibilidade, voltando à minha normalidade. Mas a verdade é que já lá tinha ficado o bichinho da dúvida...

Ganhei curiosidade sobre o assunto LGTB e comecei a pesquisar, dizendo sempre a mim própria que era no intuito de me educar e combater os meus preconceitos relativamente aos outros... ironicamente, quando mais me informava, mais comportamentos homofóbicos exibia: ria-me de piadas de gays; alimentava rumores sobre colegas gays e lésbicas; gozava com os estereótipos, etc.

Com tudo isto, uma ambiguidade cresceu dentro de mim. Sentia imenso terror sobre o assunto homossexualidade poder estar remotamente que fosse relacionado comigo, mas ao mesmo tempo não conseguia ignorar sinais sobre a minha relação de amizade com a H.
Cada vez mais pensava nela, ficava nervosa sempre que lhe telefonava, sem razão aparente, só porque queria ouvir a sua voz, sentia aquelas "borboletas" no estômago cada vez que estava ao pé dela, mas nunca tinha a capacidade de lhe chamar nada mais do que uma "amizade intensa".

Aprendi, por uma questão de sobrevivência, a reprimir tudo isto. E com medo que alguém desconfiasse (sobretudo a H.) arranjei um namorado imaginário! Falei dele à H., chegando mesmo a enviar emails a mim própria (em nome dele) só para ela os ver. Procurei sempre boas desculpas para que não se conhecessem e consegui viver uma relação fantasma durante cerca de 3 meses.
Foram 3 meses de pura tortura... Mentir à minha melhor amiga... Mentir a mim própria... E isto tudo com um crescer de sentimentos constante! Tortura p-u-r-a!

Quase no Verão, a H. despedaça-me o coração quando me conta que arranjou namorado!
Senti um ciúme nunca antes vivido por mim, mas continuava sem admitir o que fosse.
Enganava-me a mim própria dizendo que era um "ciúme normal de amizade" (se é que isso existe!) e fingia que nada era!
Nunca o conheci, nunca o vi... mas nem precisava! No segundo que ouvi o seu nome, passei a odiá-lo! Puro ciúme...
Por valorizar tanto a nossa amizade, apoiei este namoro a 100%, e continuem a reprimir mais e mais sentimentos.
O meu coração estava prestes a explodir, mas engoli cada vontade de dizer tudo o que pensava...

Chega o Verão e com ele mais um aniversário! Estupidamente, como qualquer adolescente apaixonada não correspondida, encontro a solução para a minha mágoa em algo totalmente irracional: no fundo de um montão de copos de shots na festa do meu aniversário... (Yep, inteligente... NOT!)
A única bebedeira que alguma vez apanhei na vida foi de caixão à cova...
Acordei no hospital, sem me lembrar de nada dessa noite, depois de ter estado em coma alcoólico...
E o pior disto tudo: acordei sozinha! A minha "melhor amiga" tinha me desertado no local mais assustador possível, sobretudo para quem não se lembra sequer como lá foi parar... e eu não percebia o porquê!

Passei o resto do Verão a tentar lembrar-me dessa noite, mas ainda hoje, foram 28h da minha vida (estive em coma 1 dia) que eu perdi.
A verdade é que algo aconteceu... e algo sério! Pois todo o tempo dessas férias, não ouvi nada da H.!
Nem uma sms a perguntar se estava bem, nem um telefonema, nem uma visita ao hospital... nada!

E assim cheguei a Setembro à escola para um 12º de solidão!
Após uma rejeição clara por parte da H. (embora sem nunca me ter dito o motivo), isolei-me!
Passei os intervalos fechada na casa de banho (literalmente) na esperança que o tempo passasse a correr e eu pudesse voltar para casa.
Uma depressão profunda começou a instalar-se e uma confusão enorme usurpou cada um dos meus pensamentos...
Porque é que tinha sido abandonada? Porque ninguém me explicava o que se tinha passado? O que me estava a acontecer? Porque é que tinha sido amaldiçoada por todos aqueles sentimentos "anormais"?

Nada fazia sentido para mim... e o medo dos intervalos, passou a medo de ir à escola, que passou a medo de sair de casa e por fim, medo de sair da cama e de acordar para a realidade...
Para sentir alguma coisa que não a dor da solidão, encontrei a dor física e comecei a magoar-me!
E, embora nunca tenha chegado àquele ponto de perigo de suicídio, rocei bem perto esse limite...
Foi uma das épocas mais negras da minha vida, em que toda a esperança se esvaneceu no ar...

Após muita luta, os meus pais lá me convenceram a ver um psicólogo e passados 3 meses (Março) ganhei coragem e fui enfrentar a minha vida!
Foi uma fase de muito crescimento e da qual estou muito orgulhosa de ter ultrapassado!
Aos poucos e poucos recuperei o meu "eu" de antigamente e recuperei a minha vida!
Entretanto mudei de escola, por decisão da psicóloga, e mesmo após ter faltado mais de 6 meses à escola, resolvi ser autodidacta e fui fazer os exames de candidatura à faculdade.
Passei com mérito (tive média acima de 18) e senti finalmente que o pesadelo tinha acabado.
Fiz novos amigos (alguns dos quais ainda o são hoje) e voltei a ganhar respeito por mim própria.
Estava pronta para uma nova fase na minha vida...

Só uns anos mais tarde, numa sessão de hipnose regressiva (um método utilizado por psicólogos certificados... nada daquelas coisas do cinema de por pessoas a cantar que nem uma galinhas, lol), tive um flash daquela noite perdida...
Revi-me sentada à beira-rio, com a H. ao meu lado, a sussurrar-lhe qualquer coisa ao ouvido...
Apesar de não saber o que era, hoje em dia não posso se não concluir, que lhe disse como me sentia... não me esqueço da reacção nos seus olhos... só pode ter sido isso!

E hoje em dia, a conclusão que chego disto tudo... uma declaração amorosa pode ter custado uma amizade... contudo, o acumular de sentimentos reprimidos quase me custou a vida... por duas vezes...


CAPÍTULO 4: Ilusões e Desilusões...

Universidade: aulas, festas, geeks, radicais, tatuagens, pierciengs, gordos, magros e tudo aquilo que está no meio... enfim, uma diversidade/novidade em constante crescimento!

Lembro-me do meu primeiro dia na faculdade... uma confusão de gente, as inscrições, as praxes, encontrar aquela sala de aula escondida no meio dos milhares de edifícios e andares... autêntico C-A-O-S!
Não conhecemos ninguém e todos já se parecem conhecer há anos... "Oh não!!! O liceu de novo?" :(
Como eu estava enganada...

De volta ao meu "eu" normal, extrovertida e divertida, não levei muito tempo a conhecer metade da universidade (literalmente) e travar boas amizades! Ao fim de uma semana, foi como se já lá andasse há anos! E fiz duas grandes amigas! Num ápice, tornámo-nos inseparáveis; de tal modo que parecíamos siamesas! Visto de fora deveria ser mais do que irritante tanta cumplicidade, eheh! Enfim, estava a viver um sonho, sem preocupações, sem angústias e muita, mas mesmo muita, loucura e animação! ;)

Iniciava uma etapa fantástica na minha vida!
Sentia-me livre, sem limites impostos contra a minha vontade, com garra para conquistar o mundo... sentia-me eu própria! Rapidamente o meu passado, e todo o peso que acarretava, foram enterrados bem fundo no meu coração... já não havia necessidade de pensar mais sobre "certos assuntos"...

Num belo fim-de-semana em Dezembro desse ano, estamos as três "manas siamesas" a passar uns dias numa casa de férias, quando surge uma questão no ar: "Então e tu, namorados?"
Naturalmente a resposta que me veio à cabeça foi: "Não tenho e nem estou muito preocupada em ter! Ando bem assim! Qual é o mal de estar sozinha...?"
Mas algo inesperado aconteceu... Disse que andava interessada neste rapaz e que já tínhamos saído umas quantas vezes... (LIAR!)
A verdade é que o T. era um grande amigo que tinha conhecido no fim do liceu e que gostava bastante de mim!
Saíamos muitas vezes, embora nunca me passasse pela cabeça ser senão sua amiga!
Mas isso não me impediu de dizer o contrário às "manas siamesas"!

Este foi o primeiro passo para o abismo... um que ainda nem imaginava...
A pressão e as perguntas relativamente ao T. aumentaram, e eu ia dando ideia que aquilo ia no bom caminho.
Eventualmente, e após alguma insistência por parte dele (tiro-lhe o chapéu perante tanta perseverança), lá avancei e começámos a namorar...
A memória do nosso primeiro beijo ficará para sempre comigo... infelizmente não por ser maravilhoso e excitante, mas porque não senti nada... lembro de gostar muito da sua companhia, das suas conversas, das suas piadas e acima de tudo, do seu excelente coração... mas aquela "dor de barriga" que sentimos só de ouvir o seu nome... inexistente!
Contudo, a minha imaturidade, a minha ansiedade e, hoje vejo que também, o meu egoísmo, levaram-me a ignorar tudo isto e acreditar que não iria ter importância, pois mais tarde ou mais cedo, todos esses sentimentos iriam surgir!

Uns meses passaram, e sem dar por isso estava numa relação "normal", onde exibia comportamentos iguais aos dos meus pares, o que me fez sentir muito integrada.
Não vou negar que gostava de me sentir amada, até porque o T. era realmente um excelente namorado, para não falar de um grande amigo! Passar o meu tempo na sua companhia parecia mais do que perfeito, já que nos entendíamos muito bem.
Mas (e como há sempre um "mas"), uma pedrinha entre nós começou a crescer e dar espaço a uma avalanche: o sexo!
Até à data, a virgindade era a minha melhor amiga (lol), à qual eu me mantinha bastante leal! :P
Contudo, com o evoluir da relação, situações mais íntimas foram surgindo mais e mais vezes...
Embora o T. tenha sido sempre um cavalheiro, muito respeitador e carinhoso, comecei a sentir alguma pressão em fazer algo que eu claramente não queria... E como sempre ouvira "faz apenas aquilo que te sentes bem" no que respeitava a sexo, achei que ainda não estava preparada e expliquei isto ao T.
Foi uma conversa sincera e produtiva, mas com um revés: mais uma vez levou-me a pensar nos "porquês"!

Porque é que não quero dormir com ele? Afinal de contas não é que não pense em sexo... Mas porque é que não me imagino com ele? O que isto significa para mim? Será que estou com medo? Será que é demasiado cedo para mim? Ou será que é outra coisa qualquer...
O maior problema foi que não tinha com quem falar disto, pois todos assumiram que éramos sexualmente activos!
E porque não deixá-los pensar assim... ao menos não levantam questões... no fundo, tinha vergonha...

Após muita ponderação achei que deveria tentar, só para ver o como me faria sentir... mas na hora "H", não consegui... sentia demasiada repulsa (algo que nunca lhe confessei) só de me imaginar naquela situação, e recuei!
Foi o princípio do fim... imediatamente percebi que aquela repulsa tinha mais significado do que aquele que eu lhe queria atribuir... e conclui que não o amava... pelo menos não da maneira como "deveria"!

Ao fim de um tempo e de muita coragem, fiz finalmente o correcto: acabei tudo!
Após um longo período de egoísmo da minha parte, tomei a atitude correcta e procurei salvar o que restava de uma bela amizade... Sofri, chorei, por um lado porque tinha magoado alguém quem gostava muito e respeitava, mas por outro, porque estava confusa... muito confusa!

Mais uma vez, por uma questão de sobrevivência, remeti todas as minhas dúvidas e angústias para aquele cantinho do meu coração no qual não tencionava remexer nunca! (Como se isso mais tarde tivesse no meu controlo...)

O tempo passou... e como dizem os ditados populares, "o tempo cura tudo"... e "curou"!
Passado uns meses, conheci outro rapaz, um italiano P., pelo qual me apaixonei... desta vez era a sério!
Achava-o perfeito e nada me impediu de iniciar uma relação sexual saudável com ele!
Pensava que estava finalmente no "bom caminho" e todas as preocupações passadas, não passavam de memórias...
Deixei-me levar e ele levou o meu coração... levou-o e despedaçou-o!
Aprendi uma lição valiosa nesta relação: não prescindir de tudo por alguém, pois no momento que acabámos, não me restava nada...
Nos anos seguintes da faculdade, tive mais dois namorados (curiosamente ambos estrangeiros)! :P
Relações sempre intensas, mas pouco duradouras (máximos 8 meses)!
Nunca me senti desconfortável com eles e mantive sempre relações sexuais saudáveis e felizes!
Mas a verdade é que passado algum tempo, sentia sempre que faltava algo... e pensei: falta amor!

Nesta altura passei por um mau bocado: o "primeira desgosto amoroso", a perda de um amigo (acidente de automóvel), uma discussão imperdoável que me destruiu a minha amizade com uma das "manas siamesas" e um leque de acontecimentos que levou a mais uma fase de solidão!
A diferença é que desta vez podia falar de tudo abertamente, pois "era normal" passar por estas coisas quando crescemos...
Foi uma fase atribulada, da qual aprendi uma nova palavra: Desilusão!

***

Perdi um ano de faculdade por razões de saúde... e quando regressei, tudo tinha mudado!
Aproveitei esta oportunidade para começar de novo... nada de namorados, nada de relações!
Era altura de me focar em mim própria e passar a conhecer-me melhor... só assim iria saber o que queria para mim!
Estava agora a investir nos meus estudos, em novas amizades, e em conhecer-me intrinsecamente!
E foi quando algo inesperado me aconteceu... (fazendo justiça à famosa frase, "é quando menos esperamos, que tudo acontece")!

Novamente reintegrada com sucesso no núcleo da faculdade, travei amizades, algumas das quais ainda perduram pelos dias de hoje. E uma delas foi pela "Red R.", uma ruiva intensa (ruivas, a minha perdição), meia obscura, e extremamente cativante! Apesar de ter namorado, a R. passava mais tempo comigo do com ele. E novamente estava numa amizade forte e muito cúmplice!
Tudo corria "normalmente", até ao dia em fiquei a dormir lá em casa!
Numa das "minhentas" maratonas de estudo pré-exame, as horas passaram e optámos por eu ficar resto da noite!

Como é costume, nós raparigas partilhamos cama sem pudores! É algo aceite pela sociedade facilmente e à falta de melhor sítio para dormir, não podia ser mais prático. E este caso não foi excepção!
Naive (como tem sido recorrente), deito-me ao seu lado e preparo-me para dormir.
Ora bem, numa cama de corpo e meio, não havia muito espaço de manobra, pelo que me deitei de barriga para cima, quietinha.
Apesar de cansadas, a conversa invadiu o momento e entre muito nonsense (queimadas do estudo e acordadas às 3-4 da manhã, é no que dá), entrámos em assuntos mais sérios. A Red R. começou a falar do namorado e como as coisas não andavam bem e eu ouvia...
Os meus olhos estavam agora a começar a fechar e o sono a chegar.
Fecho os olhos, digo boa noite e preparo-me para dormir profundamente.
De repente o meu coração dispara!
Encostando a cabeça ao meu pescoço e colocando o braço e a perna sobre mim, tinha a Red R. colada ao meu corpo!
Conseguia sentir a sua respiração perto da minha e o bater do seu coração ecoava por todo meu corpo.
Estava completamente paralisada e mais do que acordada! Não conseguia sequer respirar!
Assim adormeceu... e eu sem saber o que fazer!
Senti o cheiro dos seus longos cabelos ruivos e acabei por me render ao cansaço!

A manhã chegou e a Red R. ali estava, tal qual tinha adormecido, ainda no seu mundo dos sonhos.
Os seus olhos começavam agora a querer abrir e eu, nervosa, fingi que ainda estava dormir.
Senti o seu corpo saltar para longe do meu, como se de um susto se tratasse, e o meu coração voltou a disparar.
O dia passou normalmente, mais estudo, mais conversa e mais nada... Optei por não ligar muito ao que se tinha passado... afinal de contas a Red R. andava carente e eu estava muito cansada.

Após um longo dia de intenso estudo, regresso a minha casa, deito-me e preparo-me para dormir.
E foi nesta altura que tudo mudou...
Não consigo dormir! Não consigo deixar de pensar na noite anterior e como aquele toque suave do seu corpo colado ao meu e o cheiro doce dos seus cabelos ruivos me fizeram sentir... estava em êxtase! Sonhava com a sua presença ao meu lado e tudo o que desejava era mais uma noite assim...

O tempo passou. Cada vez passávamos mais tempo juntas, e noites daquelas repetiram-se! De uma forma ou de outra, acordava sempre com ela agarrada a mim e a fugir de manhã. Era um sonho, mas um pesadelo ao mesmo tempo.
Tentei fingir que não era nada... afinal de contas a Red R. tinha namorado e devia estar habituada a fazer aquilo sempre que dormia com ele... "era um reflexo", pensei!
Mas por mais que me tentasse convencer disso, as minhas fantasias não paravam de crescer...

Evitei enquanto pude, pensar sobre o assunto e no que aquilo tudo significava para mim.
Com o tempo, esta situação tornou-se impossível de ignorar. Comecei a sonhar de tal maneira acordada, que me apercebi que nutria de sentimentos bem mais fortes do que uma simples amizade.
No início censurei a possibilidade dentro de mim, mas eventualmente rendi-me ao facto de estar apaixonada.
Foi um pesadelo. Por um lado não podia andar mais feliz, pois o amor é um sentimento que nos preenche. Por outro lado, todos os meus preconceitos (os quais desconhecia até à data) emergiram.
"Gostar de uma rapariga, eu? Não pode! Que há de errado comigo? Isto não é normal!"
Depois veio a fase de negação...
"Naa, isto deve ser outra coisa qualquer... por certo os arrepios devem ser porque estou doente!" (Sim, doente de amor, duh!)
Até que as evidências eram mais fortes e não consegui negar mais.
Estava apaixonada pela minha melhor amiga... e agora?! P-Â-N-I-C-O!

Foi altura do medo ocupar cada centímetro do meu cérebro!
Sabia que era uma relação impossível e, o mais provável, não correspondida, mas sentia-me completamente seduzida pela sua presença!
Optei por me afastar um pouco e tentar entender o que se passava comigo.
Ganhei um interesse súbito por tudo o que era LGTB: sites, filmes, livros, etc. (Aliás, foi nesta altura que encontrei este fórum, embora tenha sempre permanecido incógnita!)
Queria educar-me, queria aprender a contornar os meus auto-preconceitos e começar a aceitar este novo lado em mim!
Mas era tão confuso... afinal eu tinha tido namorados, relações sexuais das quais tinha gostado, etc, etc!
Teria sido tudo uma mentira?! Ou era isto a mentira? Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Aos pouco, aceitava cada vez melhor que este era um sentimento que tinha vindo para ficar.
Não conseguia deixar de pensar na Red R. e como tinha saudades! Mas afastar-me era a coisa certa...

No meio de tanta confusão, lembro-me que ao mesmo tempo senti-me, pela primeira vez na minha vida, COMPLETA!
Muito passou a fazer sentido, sobretudo o meu passado...
Mas ainda era difícil aceitar tamanha surpresa!

O meu afastamento da Red R. levou, obviamente, a uma intriga por parte dela. E um dia, talvez já farta das desculpas que eu lhe ia arranjando para não estar com ela, resolve aparecer em minha casa!
Estávamos sozinhas. Sentadas na minha cama, começámos a falar.
Procurei, dentro mim, coragem para lhe dizer o que sentia, mas a falta de esperança numa correspondência, dissuadiu-me!
Contudo, tínhamos saudades uma da outra, o qual a Red R. fez questão de exprimir, pedindo-me que não me isolasse dela. Rendi-me... afinal, apesar de ter sido necessário, não aguentava muito mais tempo longe daqueles cabelos ruivos!  ;)
Foi uma longa tarde, de muita conversa. Tínhamos muito que compensar, pois não nos víamos há algum tempo.
As horas passaram e, de sentadas na cama, passámos a estar deitadas uma ao lado da outra.
Estávamos de barriga para baixo, com os pés e os dedos das mãos a tocarem-se, numa expressão de carinho.
Tínhamos os narizes tão próximos que conseguia sentir o calor da sua respiração.
Fiquei nervosa, naturalmente. Mas como já tinha interiorizado que dali iria apenas ter uma amizade, engoli seco e disse que tinha que me ir embora e tratar de uns assuntos... (LIAR!)
Quando me preparava para me levantar, a Red R. agarrou-me e pediu-me que me deitasse ali ao lado por uns momentos... "tinha saudades e gostava de estar deitada ao meu lado"... "não havia mal nenhum nisso"...
Oh se havia, pelo menos para mim! Mas aquilo que fazemos quando gostamos de alguém... lá sacrifiquei a minha saúde mental, para lhe fazer a vontade!
Fechei os olhos e virei a cabeça para o lado contrário... ao menos não conseguia ver aqueles lábios tentadores...
A Red R. começou a fazer-me festas nas costas, no pescoço, no cabelo e eu deixei-me levar pela sensação de carinho!
Ali estávamos, num momento bem ternurento, alienadas de tudo o mais...

De repente, a Red R. salta da cama. A minha mãe tinha acabado de abrir a porta do quarto!
Ansiosa, arrumou as suas coisas e disse que tinha que ir ter com o namorado... (right!)
E eu ali fico... mais uma vez agarrada!
A minha mãe ainda me chegou a perguntar, em tom de curiosidade, o que estávamos a fazer ali deitadas. Pergunta à qual um "nada, estávamos só a conversar" não convenceu... ainda levei com uma boca do género "pareceram-me um pouco íntimas, aquelas festas..." (chamem-lhe estúpida!)
Bom, com isto tudo, agora sim! Estava CONFUSA!
Donde veio aquele carinho todo... seria apenas saudades de uma amiga?
Bom, vou acreditar que sim, pensei! Afinal o contrário continuava a soar mais do que impossível!

Uns dias depois, voltámos a encontrar-nos! Estávamos em grupo, na faculdade.
Não me perguntem como chegámos lá, pois não me recordo, mas algures na conversa surge o assunto homossexualidade. Penso que tinha havido uma manifestação recente ou assim...
Seja como for, ali estávamos todos a falar do mundo LGTB e a expressarmos as nossas opiniões.
Como calculam fiquei curiosa em saber a opinião dos meus amigos e gostei de descobrir que para eles aquilo era um assunto banal. A opinião era unânime: LGTB, hetero, ou que for, o que interessa é amar!

Bom, unânime, não! Para meu grande espanto (o que até à data não tinha sido manifestado), a Red R. de repente mostra sentimentos negativos muito fortes no que respeita a lésbicas. Foi de tal maneira, que chocou todos os presentes... é que nem o politicamente correcto roçou (o que nestes assuntos era a prática comum). "Eles podem fazer o que quiserem, não me aquece nem me arrefece, mas elas... elas, que nojo!" E frases semelhantes!
Apesar de isto me deixar em choque, revoltada, confusa e profundamente triste, não tive coragem de intervir.
Deixei essa tarefa para os restantes... Escusado será dizer que um debate intenso surgiu disto tudo!

Mais uma vez a palavra desilusão pairava na minha cabeça... não bastava saber que nunca iria ser correspondida no meu sentimento, mas que o mesmo era considerado "nojento" pela minha melhor amiga... tinha o coração despedaçado!
Donde viria tanta raiva, tanto asco? Não compreendia...

Nos tempos que se seguiram, uma certa distância nasceu entre nós. Continuávamos a passar muito tempo juntas, mas a cumplicidade tinha desaparecido...
Até que chega o fim do ano (lectivo) e, em mais uma maratona de estudo pré-exames, vindo do nada, a Red R. diz-me que tinha acabado tudo com o namorado de há 4-5 anos! Fiquei surpresa, pois parecia ser uma relação para durar (daquelas que os pais já se conhecem todos e já se começa a falar de filhos).
Ainda tentei perguntar o que se tinha passado, mas apenas me respondeu que nunca iria resultar. E assim ficou a conversa!

O Verão chegou e como de costume, o nosso grupo foi acampar! Desta vez para o grande festival do Sudoeste (atenção isto foi antes de se tornar a atracção predilecta dos betinhos da linha, que na minha opinião estragaram o espírito do festival).
Detentora de uma tenda grande, 2 pessoas ficaram de dormir na mesma tenda que eu... A Red R. e mais uma amiga nossa. Até aqui tudo ok, já que a tenda dava para 6 pessoas e havia mais do que espaço.
Contudo, uma noite, a dita amiga "amigou-se" com um rapaz do grupo e "dormiu fora".
Por uma questão de espaço, eu e a Red R. ficámos a dormir cada uma na sua ponta da tenda. (Só para terem noção, tínhamos cerca de 2-3 metros entre nós!)
Mas não foi este espaço todo que impediu a Red R. de se ir chegando, chegando e chegando aos pouco, até que estava literalmente me cima de mim... e quando digo em cima, leia-se "EM CIMA"!
Deitada sobre o meu corpo, mais uma vez se encostou ao meu pescoço e deixou-se adormecer.
Escusado será dizer que essa noite não dormi!!! Procurei afastá-la gentilmente, mas sem efeito!
Apesar de desejar aquilo e muito mais, não conseguia deixar de ouvir o eco das suas palavras de "nojo" sobre homossexuais e isso deixou-me cheia de medo.

O porquê não sei, mas no dia seguinte quando acorda, olha para mim e salta para o outro lado da tenda...
A cena repete-se! Desta vez perguntou-me chateada porque é que não a tinha afastado, já que "claramente, se tinha aproximado durante o sono" (ya, right). Como se a culpa fosse minha... enfim!
Senti que estava a lidar com o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde... de noite uma coisa, de dia outra... ufa, complicado!
Foi ali que delineei o meu limite! Começava a sentir-me usada... como se de uma experiência se tratasse!
E achei que merecia mais respeito! Afinal de contas não sou nenhuma cobaia à mercê das hormonas alheias...
Sofri, chorei, sofri mais um bocadinho, chorei mais um pouco e depois ultrapassei esta paixão!

Vim a saber mais tarde que a Red R. voltou para o namorado passado uns tempo, apenas para terminar tudo (agora definitivamente) uma vez mais, um mês depois!
Continuámos "amigas" no ano lectivo seguinte, embora a fossa na amizade fosse crescendo mais e mais, o que levou a um afastamento total eventualmente.

Hoje, olho para este episódio e reparo o quanto foi importante para mim!
Despertei dentro de mim algo que desconhecia e que fez sentir mais completa.
Fui obrigada a confrontar sentimentos de preconceito e de auto-discrimicação.
Descobri aquilo que pretendia da minha vida relacional, quer de um amigo, quer de alguém que ame!
Aprendi mais uma vez isto tudo com base numa desilusão, mas saí mais forte!
Enfim, entre as ilusões e desilusões da faculdade, desvendei um lado meu novo e o qual me viria trazer muitas experiências no futuro... restava saber se boas ou más...


CAPÍTULO 5: O dia em que te conheci...

Último ano da Faculdade! A ansiedade de terminar a fase de estudante, a acumulação de experiências e sabedoria, o medo da independência, acompanhado paradoxalmente pelo desejo da liberdade... tudo sentimentos típicos de quem entra naquilo a que se chama idade (definitivamente) "adulta"!

Por esta altura, "amor" era apenas mais uma palavra no meu dicionário...
Embora tenha sido sempre uma romântica inabalável, sentia que não havia coração que aguentasse uma emoção desta magnitude. Aquele aperto quando se deseja e ama alguém era simplesmente insuportável.
Para mim era agora algo garantido: não me ia meter nisso outra vez! (Como se isso estivesse no meu controlo...)

Ano Novo de 2006-2007 e eu sem saber o que fazer! Três convites para festas "promissoras", mas zero vontade para ir a qualquer uma que fosse. As mesmas caras, as mesmas perguntas ("Então, não trazes ninguém?"; "Como anda isso de namorados?"; "Tenho um amigo que te quero apresentar..."), as mesmas respostas ("Não"; "Não tenho ninguém em vista"; "Passo...").
Não me interpretem mal, adorava os meus amigos, mas estava definitivamente a precisar de ar fresco!
E sabem que mais, cuidado com aquilo que desejam!

Dois dias antes do fim do ano, recebo um e-mail de uma amiga de infância com a qual já não tinha contacto desde o liceu. Apesar dos nossos caminhos terem seguidos independentes, eis que ela resolve reatar laços e convida-me para a sua festa  de ano novo na sua casa de praia. "Era mesmo disto que estava a precisar", pensei, e não hesitei um segundo em responder que sim. Afinal, nada como rever amigos de pequenos para nos lembrarmos dos tempos em que todos éramos inocentes e a vida era um simples paraíso!
Como sempre, prever o futuro não é o meu forte... E este era um futuro cheio de surpresas...

Pijama, saco-de-cama, escova dos dentes, roupa a preceito para a festa (ao contrário de muitas raparigas, viajo leve, sem necessidade de levar a casa às costas por dois dias) e uma vontade enorme de respirar sem pressões e interrogatórios!
Pego no carro, num bom CD e estou pronta para uma viagem de hora e meia. Pelo caminho, enquanto aprecio a paisagem, penso em todas aquelas resoluções que fazemos no início do ano, que ansiamos cumprir, mas que nunca resultam: deixar de fumar (até resultou), cuidar melhor da minha saúde, começar um novo hobby, passar mais tempo com os pais e não utilizar a casa como um hotel, onde só se dorme, focar-me na faculdade, etc, etc.
Faço o balanço do ano, da vida, e decido ali mesmo: não te atrevas a apaixonar este ano!

Finalmente chego. Conhecia talvez 5 pessoas e estava ansiosa por conhecer as restantes. (Caras novas!)
Começo por matar saudades dos que não via fazia anos e senti-me em casa. Entretanto, novas caras surgem e nada como uma boa conversa para quebrar o gelo. Como já disse antes, nunca tive muita dificuldade em "socializar" e desta vez não iria ser excepção. Mais pessoas chegam. A festa está a ganhar forma.

Chega mais um carro, traz caras conhecidas, traz caras novas... uma em particular... I. era o seu nome... I. é um nome que jamais esquecerei...

Lembro-me que à medida que se aproximava não conseguia tirar os meus olhos dela: o andar elegante e provocador, o estilo espampanante, mas ao mesmo tempo cativante, aqueles olhos verdes acompanhados pelo sorriso mais doce e inocente alguma vez visto... estava viciada!
Internamente agito a cabeça e limpo esta imagem do meu cérebro. Afinal tinha acabado de fazer a minha primeira resolução do ano: deixar o coração descansar!

Curiosamente tive a apresentação mais bizarra da minha vida. Aliás, tudo o que circundou a I. revelou-se sempre peculiar e único, desde o primeiro dia que nos conhecemos.
Por razão que ainda hoje desconheço, fui apresentada em tom de arranjinho... "Esta é a minha amiga, tem esta e aquela qualidade, tem um sentido de humor igual ao teu e está livre".
Sim, fiquei boquiaberta! Como é que ela sabia que eu poderia estar interessada? (Não sabia...)
Riu-se e acrescenta: "Até que faziam um bonito casal..." Ah, ah! Não teve piada... o constrangimento era mais que grande!
Contudo, enquanto eu já sentia um suor na palma das mãos, a I. sorriu e deu-me dois beijinhos, como se nada fosse... Senti o coração saltar uma batida (literalmente)!
A piada continuou (sinceramente não partilhava o mesmo sentido de humor da minha amiga) e agora estávamos a ser apresentadas a outros amigos como um casal. (Estranho, certo?)
Enfim, ignorei a situação, até porque a I. parecia não se importar com as piadinhas, ri-me e deixei o assunto arrefecer.

Não foi preciso muito tempo para que a festa voltasse ao "normal" e os devaneios da minha amiga passassem ao esquecimento... pelo menos para todos os outros... eu estava ainda a sonhar acordada... um casal... I wish!
Mais uma abanadela de cabeça, para chocalhar as ideias e acordar para a realidade. Está na altura de entrar na festa!

Circulei, falei, diverti-me, conheci uma panóplia de pessoas... Tentei evitar falar muito com a I., pois sabia que despertava algo em mim com o qual não queria lidar. "Mas há forças maiores que se erguem." Eventualmente começámos a falar e não parámos mais.
A comida ia passando, as bebidas iam enchendo os copos, a música ia subindo de volume, as pessoas iam chegando... mas tudo isso nos passou ao lado. Para nós só existia aquele pequeno mundo da nossa conversa.
(Lembro-me que de vez em quando lá vinha uma "tirada" da minha amiga, menos própria "Não falam com mais ninguém", "Já se largavam", etc, etc. Confesso que se tornou irritante, mas é do seu feitio de cupido! E aos amigos perdoamos muita coisa!)

Procurei resistir, mas sucumbi!
Estava encantada e o que mais desejava era que aquele momento durasse para sempre!
Sentia vontade de saltar tudo aquilo e atirar-me de cabeça. Mas mantive a minha calma, a minha tranquilidade, o meu estado "cool".
A conversa puxou mais conversa, e com o passar das horas, parecia que já nos conhecíamos desde sempre.
Descobrimos que os nossos pais se conheciam da faculdade, que passámos férias nos mesmos locais em pequenas, que tínhamos um montão de amigos em comum, mas que curiosamente nunca nos tínhamos falado antes.
(Referiu que se lembrava de mim, "que nunca mais se tinha esquecido da minha cara", aparentemente num encontro casual numa loja, havia uns dois anos, em que ela estava com essa minha amiga... mas eu não me recordava... como é possível não ter reparado nela antes, quando ela até se lembrava do que eu tinha vestido?! Pitosga!)

As horas passaram, e a cumplicidade cresceu como nunca antes visto.
A I., apesar de muito tímida, confessou-me mais tarde que ficou à vontade comigo mal me conheceu.
Na altura vi-a como uma pessoa carente, mas muito afectiva; uma pessoa ingénua, por vezes com a inocência de uma criança; uma pessoa insegura, mas com uma vontade enorme de se mostrar ao mundo; uma pessoa cheia de força, mas que não se valorizava o suficiente.
Contudo junto de mim nada destas características pareciam manifestar-se.
Rapidamente contou-me episódios privados da sua vida, partilhou comigo histórias pessoais, os seus sonhos, os seus desejos...
Cumplicidade é sem dúvida a palavra proeminente dessa noite!

Falámos, dançámos, rimo-nos e acabámos o ano sentadas na areia, frente ao mar, sob um intenso fogo-de-artifício.
Estava a viver um sonho!
Seis da manhã e ainda acordadas... (As horas nunca fizeram muito sentido perto da I.)
Rendidas pelo cansaço, e sendo as únicas acordadas, chegara a hora de ir dormir.
Numa casa grande, com milhares de quartos, apenas já sobrava uma cama de casal!
Tínhamos todos acordado não dar muito trabalho aos donos da casa e cada um iria levar o seu saco-de-cama e dormir em cima das camas. Mas I. não sabia do seu!
Arranjei uns cobertores para mim, ofereci-lhe o meu saco-de-cama (sim, uma autêntica "cavalheira") e finalmente demos descanso aos nossos corpos.
Contudo a noite estava gelada e aparentemente o meu saco-de-cama (polar) não era suficientemente quente para a I.
Já deitadas, começou a aproximar-se lentamente, dizendo que estava frio.
Deitada de barriga para cima, com o coração a mil à hora, tenho agora os seus pés a aquecerem-se nos meus, com o braço sobre o meu corpo e a cabeça encostada à minha... (Onde é que eu já vi este filme?)
Lembro-me que tive vontade de lhe dar um beijo logo ali, mas a I. tinha uma respiração tão suave que me embalou no sono. (Isso, ou fui a maior cobarde à face da Terra!)
E ali ficámos... duas pessoas, acabadas de se conhecer, numa cama enorme, encostadas a um canto, agarradas uma à outra, como se fizéssemos isso todos os dias!

No dia seguinte, já o dia ia alto, acordámos lentamente com o movimento da casa.
Acordei primeiro e pensei "Mais uma que vai saltar para bem longe, mal abrir os olhos". Redondamente enganada!
Acorda e sussurra um bom dia por entre os lábios, com um sorriso suave e o ar tranquilo de quem dormiu descansada.
Ficamos ali um bocado, em tom de apreciação do que vemos à nossa frente, sem dizer muito. (Mais um momento em que aquele beijo ficou-se por um sonho!)
Até que de repente entra a nossa amiga quarto a dentro e literalmente salta em cima da cama!
Deixou-nos com o coração nas mãos de susto e, em mim, com uma vontade enorme de lhe bater! (Just Kiddin'!)
A I. aninhou-se a mim, debaixo dos cobertores e escondeu-se. Perante isto, foi inevitável ouvir um conjunto de "bocas" por parte da nossa amiga, as quais deixo a cargo da vossa imaginação...

O dia começou lento! Um duche longo, um pequeno-almoço tardio, seguido do banho de piscina mais gelado da minha vida... Novo duche bem quente, para sobreviver ao choque da água gelada!
Senti os olhares da minha amiga, sempre que nos via juntas, como se soubesse de algum segredo de estado.
Mas mais uma vez, estava focada na I. Pensava no quanto não me queria ir embora, no quanto o final do dia se aproximava e o regresso a casa era inevitável.

E assim foi... Trocámos telemóveis, ficámos de falar em breve e cada uma seguiu o seu caminho.
De regresso a casa, volto no meu carro sozinha!
Fico triste por não ter mais a sua companhia. Só a queria ter ali ao meu lado e levá-la comigo para casa...
Entretanto apercebo-me que íamos na mesma direcção grande parte do caminho.
Embora sem coragem, lá lhe consegui enviar uma mensagem para o telemóvel: "Tenho pena que o dia tenha chegado ao fim. Gostava que tivesses vindo comigo no carro... Beijinho"
Recebo uma mensagem de volta: "Se soubesse que íamos na mesma direcção não tinha hesitado em ir contigo. Podia pedir para trocarmos de carro, mas estou rodeada de malas... Adorei ter-te conhecido. Temos que combinar qualquer coisa em breve. Beijinhos de saudades".
Olho para o carro da frente e, entre as malas, vejo-a voltada para trás a sorrir para mim.
Aquele sorriso aqueceu-me o coração!
Não havia dúvidas... estava apaixonada!


CAPÍTULO 6: A relação mais intensa que vivi...

(Continua...)

CAPÍTULO 7: O presente controverso

(Continua...)



Nota da moderação: Informamos que o nome próprio aqui mencionado foi editado por questões de privacidade e salvaguarda da identidade de terceiros. Obrigado pela atenção.
« Última modificação: 8 de Dezembro de 2011 por Coeur Noir »
    "I wish ignorance was painful!"

    A minha história... A minha VERDADEIRA história..
    #1

    Frozzen

    • Visitante
    Tive a ler a tua história!... há muitas coisas com que me posso identificar, outras não... mas é horrivel ter que reprimir e o medo constante também... chamas-lhe bem ''um instinto de sobrevivencia'' e quando se é pequeno não se tem simplesmente, numa sociedade como a nossa, a força suficiente para encarar isso tudo sem medos, é impossível. O medo de ser rejeitado pelos amigos, pela familia, pela pessoa de quem gostamos, é algo terrivel pelo que se tem q passar...Eu também descobri aos 12 anos e sei muito bem o que é isso. Como continua a tua história??
     :)

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      #2

      Offline teddyJ

      • *****
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      • Género: Masculino
      achei a tua história muito interessante e eu próprio me identifico com alguns episódios que viveste, sobretudo na infância. por outro lado, também tomei consciência daquilo que sou por volta dos 12, 13 anos, por isso percebo-te bem... espero que hoje estejas em paz contigo e te sintas confortável com aquilo que és :)
      fico à espera de saber que mais aconteceu.
        Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light.

        A minha história... A minha VERDADEIRA história..
        #3

        Offline RavenHeart

        • *****
        • Membro Ultra
        • Género: Feminino
        • Escapist, paradise seeker
        Para quando o capitulo 4? xD
          I studied silence to learn the music, I joined the sinful to regain innocence

          A minha história... A minha VERDADEIRA história..
          #4

          Offline Coeur Noir

          • *
          • Novo Membro
          • Género: Feminino
          Obrigado a todos pelos vossos comentários!

          Frozzen: aprendi ao longo meus 27 anos que o Medo pode ser o nosso pior inimigo... soa a cliché, mas é a mais pura verdade!

          teddyJ: tomara ter tomado consciência aos 12 anos, como tu... talvez tivesse sido bem mais feliz!

          RavenHeart e restantes: aqui fica o capítulo 4 (Editado no primeiro post)!
            "I wish ignorance was painful!"

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            #5

            Offline nezitah

            • *****
            • Membro Ultra
            • Género: Feminino
            gostei mesmo muito da tua história..mesmo muito..e tem muitas cenas em comum comigo :)

            espero que continues a escrever :) vou ter muito gosto em ler..gosto muito de saber que outras pessoas também tiveram assim sentimentos enquanto pequenas como eu..
              I will never walk alone

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              #6

              Offline RavenHeart

              • *****
              • Membro Ultra
              • Género: Feminino
              • Escapist, paradise seeker
              Estou a gostar muito, tens uma maneira fantástica de agarrar o leitor. :)
              Devias experimentar escrever contos or something :)
                I studied silence to learn the music, I joined the sinful to regain innocence

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                #7

                Frozzen

                • Visitante
                A tua história é mesmo cativante... e vá-se lá perceber alguma raparigas... Também ja tive um caso em particular, em que amei realmente a rapariga e ela, quando lhe apetecia aproximava-se quando lhe apetecia afastava-se, mas ao mesmo tempo parecia mostrar indícios de gostar de mim (e isto n sao aquelas interpretaçoes de quem gosta) mas sim situações bastante obvias, particularmente depois de o alcool ajudar um bocado... Enfim. Estou ansiosa por saber mais  =)
                Acho muito louvável partilhares a tua história connosco e acho que vai ajudar muitas pessoas =)

                  A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                  #8

                  Offline zita

                  • ****
                  • Membro Sénior
                  • Género: Feminino
                  ansiosa pelo capitulo 5!!!


                    A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                    #9

                    Offline teddyJ

                    • *****
                    • Membro Ultra
                    • Género: Masculino
                    ansiosa pelo capitulo 5!!!



                    concordo! :)
                      Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light.

                      A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                      #10

                      Offline nezitah

                      • *****
                      • Membro Ultra
                      • Género: Feminino
                      assino por baixo :)
                        I will never walk alone

                        A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                        #11

                        Offline Yawp

                        • *****
                        • Membro Ultra
                        • Género: Outro
                        Uma história extremamente interessante :) Que venham os próximos capítulos!  :up
                          "For those of you who don´t know, a YAWP is a loud cry or yell." in Dead Poets Society.

                          A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                          #12

                          Offline Coeur Noir

                          • *
                          • Novo Membro
                          • Género: Feminino
                          Olá a tod@s!

                          Gostava primeiro que tudo de agradecer os vossos comentários e mensagens privadas.
                          Sem dúvida dão-me a coragem para continuar a escrever e por isso Obrigado!

                          Queria ser mais assídua, mas infelizmente por mais que por vezes precisemos, a vida não pára.
                          Peço-vos um pouco de paciência, já que estou a escrever directamente no fórum, e é escrito na hora!

                          Por enquanto deixo-vos mais um capítulo (5) daquilo que é, para mim, o meu coração expresso em palavras!
                            "I wish ignorance was painful!"

                            A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                            #13

                            Frozzen

                            • Visitante
                            Fiquei tao contente quando vi que tinhas voltado a escrever!... Deixas-me completamente colada ao ecrã...=)

                              A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                              #14

                              Offline thehip

                              • *****
                              • Membro Ultra
                              • Género: Feminino

                              Completamente pasmada com o quão fantástica a tua história é. (Tens mesmo imenso jeito para escrever).
                              Apesar de a minha vida ainda não ter sido lá muito vivida, identifico-me bastante com algumas coisas às quais fazes referência.

                              Quero imenso o próximo capitulo!

                              Muitos Parabéns.

                                A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                                #15

                                Offline nezitah

                                • *****
                                • Membro Ultra
                                • Género: Feminino
                                estou ansiosa pelo resto :)
                                  I will never walk alone

                                  A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                                  #16

                                  Offline zita

                                  • ****
                                  • Membro Sénior
                                  • Género: Feminino

                                  Completamente pasmada com o quão fantástica a tua história é. (Tens mesmo imenso jeito para escrever).

                                  Quero imenso o próximo capitulo!

                                  Muitos Parabéns.

                                  subscrevo!!!

                                    A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                                    #17

                                    Offline _Pipoca_

                                    • *****
                                    • Membro Ultra
                                    • Género: Feminino
                                    Completamente fascinada :o

                                    Voltaria a ler a tua história vezes sem conta, é linda!

                                    Identifiquei-me com a I. também sou assim ;)

                                      A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                                      #18

                                      Offline Yawp

                                      • *****
                                      • Membro Ultra
                                      • Género: Outro
                                      Fiquei tao contente quando vi que tinhas voltado a escrever!... Deixas-me completamente colada ao ecrã...=)


                                      Eu digo exactamente a mesma coisa. Grande história de vida :)
                                      Continuarei a segui-la com grande entusiasmo!
                                        "For those of you who don´t know, a YAWP is a loud cry or yell." in Dead Poets Society.

                                        A minha história... A minha VERDADEIRA história..
                                        #19

                                        Offline teddyJ

                                        • *****
                                        • Membro Ultra
                                        • Género: Masculino
                                        tens que continuar a escrever  ::)
                                          Happiness can be found, even in the darkest of times, if one only remembers to turn on the light.

                                           

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