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Olá Visitante10.abr.2020, 09:10:44

Autor Tópico: Um novo modelo gvernamental  (Lida 1625 vezes)

 
Um novo modelo gvernamental
#0

Offline Pulse

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  • After all, losing all hope was freedom.
Boas,

Gostava de saber a vossa opinião sobre a pertinência da manutenção do actual modelo governamental. Aquilo a que assistimos, pelo menos em portugal, é a uma democracia representativa em que pouco daquilo que são os reais problemas das pessoas se vêm representados ou debatidos pelos organismos governamentais e em que o único momento em que os cidadãos têm de demonstrar a sua vontade é no momento de voto, sendo que até para ter eleições antecipadas é uma dor de cabeça... E agora ainda mais, já que temos um PR e um PM do mesmo partido...
Aquando da manifestação da "Geração à Rasca" alguém propôs a mudança para um modelo de democracia directa ou de democracia participativa, qual é a vossa opinião em relação a isto, acham que a mudança melhoraria de alguma forma a situação dos portugueses? Ou podemos ir ainda mais além e discutir se ainda é necessário que existam governos...  ::)
    And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

    Um novo modelo gvernamental
    #1

    Offline strings

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    Acho que o maior problema é o de mentalidade por parte dos Portugueses: esta coisa de pensar que democracia é meramente ir desenhar-se uma cruzinha de 4 em 4 anos é tremendamente redutora daquilo que deve ser o papel do cidadão. O cidadão deve ser informado em todas as questões pertinentes, deve seguir as questões com afinco e acutilância, deve ser racional nas suas decisões políticas e deve ser capaz de pegar o touro pelos cornos quando é preciso, em vez de se refastelar, ficar a dizer mal sem grande critério e depois ou abster-se, ou efectuar o 'voto útil' (termo bastante disparatado para descrever o voto tendencialmente inútil). Se os Portugueses actualmente não fazem isso é porque não querem: temos comunicação social, temos internet e temos liberdade de associação. Os Portugueses têm vários meios para exprimir a sua opinião para além do boletim de voto.

    Posto isto, outras medidas poderiam ajudar. Acho que uma das razões pela qual a mentalidade de 'activismo democrático' é tão difundida nos EUA diz respeito não só à escala de democracia como à não-abstracção da democracia. É um país onde os magistrados são eleitos, os xerifes são eleitos, e os representantes de cada distrito na legislatura têm uma relação de íntima proximidade com as pessoas que representam, em vez de serem escolhidos semi-anonimamente por máquinas partidárias. Aliando isto ao ritmo menos pausado dos actos eleitorais (o Congresso americano vai a votos de dois em dois anos), temos uma maior e melhor representatividade. Se toda a democracia pluralista ocidental se limitasse ao voto de x em x anos, os Afro-Americanos nunca teriam conquistado o que conquistaram na década de 1960.

    Também há a questão da União Europeia, que é o fruto de uma mentalidade do imediato pós-guerra de que a emoção desenfreada, motor dos fascismos e companhia que deram no que deram, tem de ser regulamentada pela  racionalidade de uma burocracia supostamente desinteressada (mentalidade que transcende mesmo a política - falo enquanto músico). O resultado é uma Comissão Europeia que, para além de andar a tratar culturas milenarmente díspares com o mesmo tamanho de calçado, não é sequer democraticamente eleita, tendo o Parlamento Europeu a mera função de regulador. Neste aspecto valorizo bastante a voz do eurodeputado britânico Daniel Hannan, que com invulgar coragem e assustadoras exposições factuais tem criticado o funcionamento do actual modelo europeu, que pouco mais é do que uma versão mais subtil e pró-banqueiros da URSS.

    As questões da democracia directa e do anarquismo já dizem mais respeito aos cafés 'in' e aos departamentos universitários. Temos modelos de anarquismo sem pés nem cabeça (basicamente tudo o que seja anarco-colectivismo) e modelos de anarquismo cujas possibilidades teóricas, por mais válidas que sejam, ignoram completamente as circunstâncias práticas (agorismo, ala radical da Escola Austríaca, etc.). Depois o dizer que os próprios cidadãos devem ser os políticos porque é aos cidadãos que diz respeito a política é como dizer que os taxistas é que devem ser engenheiros mecânicos. 

      Um novo modelo gvernamental
      #2

      Offline forjaz

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      • Quoniam unicum non iterabile.
      Penso que, embora já a tenha publicado noutro tema, fica aqui bem contextualizada esta minha opinião sarcástica

      Não há dúvida que a Grécia continua a ser um país exemplar. Não só foi o berço do desabrochar da especulação filosófica no ocidente, dando ao mundo insignes mestres, como foi lá que se encetaram os primeiros passos do sistema que é o menos mau de todos os sistemas políticos: a democracia.

      Nesse particular há a salientar que os Gregos do século de Péricles foram de tal forma luminares das civilizações vindouras que o modelo democrático que hoje se pratica em muitos lugares é semelhante ao daquele tempo: a democracia não é para todos.

      No século de ouro da Grécia antiga, ficavam fora do sistema democrático as mulheres, os metecos (comerciantes) os estrangeiros e os escravos.

      Mudados os nomes e dada às mulheres a hipótese de intervir no governo da polis, não havendo já escravos (até porque me recuso a usar terminologias demagógicas da cassete esquerdista), resta dizer que este facto de a democracia não ser para todos é actual, (deixo para depois, se para tanto houver pachorra, o justificar desta afirmação).

      Só que nestes tempos nossos coevos, os gregos estavam a democratizar o país no sentido de que estavam a estender a uma larga maioria da população os benefícios que nos restantes países (v.g. Portugal) são apanágio de uma minoria oportunista, parasitária  e com foros de aristocracia pindérica.

      Aqui, nesta terrinha abençoada, todos sabemos como há quem se abarbate com chorudos proventos de dúzias de títulos e funções que se na prática de trabalho produzido são zero. Mas os réditos provenientes são efectivos. Não esqueçamos que já se chegou ao ponto de um governo ter criado um ministério apenas e só porque na distribuição das pastas uma ministra do governo anterior ficara sem ministério. Em vez de se arranjar ministro para um ministério, fez-se o contrário, chegando-se ao cúmulo de a titular do cargo, ela própria, nas entrevistas que então deu, deixar transparecer que não estava certa da utilidade e funções do seu ministério.

      Democraticamente os Gregos nosso coetâneos foram mais liberais no distribuir dos “bolos” estendendo a uma larga faixa da população as benesses do fausto que se vivia nesta Europa com os dotes só conhecidos até agora ao Midas.

      Realmente aquelas mirificas leis do trabalho, do acesso às reformas, aos benefícios sociais, as excepções a todo o tipo de impostos e mais uma série de usos avulsos, faziam da Grécia um paraíso na terra.

      Portanto, para concluir, mais uma vez os Gregos deram exemplo de democracia ao distribuir por muitos (ainda não todos) os benefícios da fartura de que noutros países só uma minoria usufrui, ascendendo a eles por critérios dúbios ou nem tanto. Por mérito é que não é.
      Oxalá Portugal os imite!

      P.S. Gostei daqueles números que foram revelados: 27 motoristas para um só carro, 4 jardineiros para 3 árvores  e os cabeleireiros reformarem-se aos 50 as mulheres aos 55 os homens, por ser uma profissão de alto risco.
      « Última modificação: 28 de Junho de 2011 por forjaz »
        Forja de Vulcano

         

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