rede ex aequo

Olá Visitante16.out.2019, 11:22:49

Autor Tópico: Revelar a orientação sexual/afectiva a outras pessoas menos próximas  (Lida 2151 vezes)

 
Revelar a orientação sexual/afectiva a outras pessoas menos próximas
#0

Offline paulosabino

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Coloco esta questão porque faz parte de situações que se repetem comigo frequentemente.  Não há dúvida que temos muito mais a dar a conhecer sobre nós além da nossa orientação sexual/afectiva, que é apenas mais uma entre muitas características que temos, contudo será uma das características sobre a qual nos pode interessar com maior relevância saber o que os outros pensam sobre ela(por mim falo).

Se revelar a nossa orientação sexual/afectiva às pessoas com as quais já convivemos há muito ou desde sempre é um passo importante que geralmente contribui para o nosso bem estar, no caso dos que como eu já a deram a conhecer à família, amigos e colegas de trabalho acham importante revelar logo nos primeiros contactos com alguém que conhecem a vossa orientação sexual/afectiva?

Não é para mim muito fácil manter este assunto fora de muitas das conversas com os outros. É normalíssimo numa conversa com alguém, especialmente quando se conhece, seja um amigo dos amigos, um novo colega de trabalho ou outros, surgirem perguntas como onde vives, se vives sozinho, casado ou solteiro.

Ainda há duas semanas um utente do espaço onde trabalho após de me ver várias vezes a conversar com uma mesma amiga me perguntou se era a minha namorada. Nessa como na maioria das situações semelhantes respondi que não e que tinha é namorado. Caíu um pouquinho de neve mas pronto, a pessoa continuou a falar-me bem( podia ser pior!)


E vocês o que fazem nestas situações com pessoas menos próximas mas que quer queiramos ou não fazem parte das nossas vidas?

- O novo patrão que nos deixa sair mais cedo a nosso pedido e que nos pergunta sorridente, "vais ver dela não é?"
- O novo vizinho que mete conversa e a quem a nossa aliança convida a perguntar sobre a "vizinha".
- O novo colega de trabalho que extasiado com o novo amor partilha connosco a sua alegria e que acaba por perguntar " então e tu não tens miúda?"
- O amigo do nosso amigo que nos vê todos os dias com o nosso namorado e pergunta "são irmãos?.  etc etc etc

São pequenas grandes situações com as quais somos confrontados com frequência, e por mais que achemos que a nossa privacidade fica apenas entre os amigos e família, pelo menos a confrontação exterior temos, a forma como reajimos é que poderá ser diferente.

O assumir é limitado ao grau de ligação que têm com os outros? É relativamente aberto?
Digam de vossa justiça!! :)
« Última modificação: 8 de Março de 2009 por paulosabino »
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    #1

    Offline Sharingan

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    Eu sou-te sincero.

    Eu tenho de adquirir alguma confiança com as pessoas antes de contar e tenho de perceber que elas estao de alguma maneira prontas para ouvir aquilo...

    Ainda há uns dias, numa conversa com uma cozinheira de um cafe onde vou almoçar, ela disse-me entao mas e raparigas?

    Ao que eu respondi "Não me interessam, por agora"

    E ela disse "Então mas tu gostas de raparigas não é"?

    E eu respondi, apenas Não com um sorriso na cara.

    Claro que pensei se havia de dizer ou não, mas no momento e como não gosto mesmo de mentir, respondi a verdade.

    Já me vai sucedendo isto, vou contando às pessoas à minha volta (apenas aquelas que acho que estão prontas) e felizmente não me tem corrido mal....

    Sinto-me muito mais livre assim... Muito melhor comigo mesmo.

      Revelar a orientação sexual/afectiva a outras pessoas menos próximas
      #2

      Offline paulosabino

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      Eu tenho de adquirir alguma confiança com as pessoas antes de contar e tenho de perceber que elas estao de alguma maneira prontas para ouvir aquilo...

      Ainda há uns dias, numa conversa com uma cozinheira de um cafe onde vou almoçar, ela disse-me entao mas e raparigas?

      Ao que eu respondi "Não me interessam, por agora"

      E ela disse "Então mas tu gostas de raparigas não é"?

      E eu respondi, apenas Não com um sorriso na cara.

      Claro que pensei se havia de dizer ou não, mas no momento e como não gosto mesmo de mentir, respondi a verdade.

      Já me vai sucedendo isto, vou contando às pessoas à minha volta (apenas aquelas que acho que estão prontas) e felizmente não me tem corrido mal....

      Sinto-me muito mais livre assim... Muito melhor comigo mesmo.

      Eu também tenho que ter alguma confiança com as pessoas ;D se for alguém que nunca vi e provavelmente nunca voltarei a ver será um caso a pensar, mas falava mesmo de exemplos como o que deste, de alguma forma essa senhora faz parte da tua vida, no dia-a-dia, e no entanto mesmo não sendo uma pessoa próxima achaste que deverias ter dito NÃO!

       Se a tua resposta fosse outra seria compreensível, pois também depende a quem respondemos e da situação em que nos encontramos, mas é muito bom, na minha opinião,  ver que há quem esteja em situação mais confortável para o fazer e faça questão de dizer a verdade em mais circunstâncias passadas além circulo de amigos, família e colegas de trabalho. Não será isto também um contributo para a mudança de mentalidades através da visibilidade? :up

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        #3

        Offline Sharingan

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        Ainda há uns dias, numa conversa com uma cozinheira de um cafe onde vou almoçar, ela disse-me entao mas e raparigas?

        Ao que eu respondi "Não me interessam, por agora"

        E ela disse "Então mas tu gostas de raparigas não é"?

        E eu respondi, apenas Não com um sorriso na cara.

        Claro que pensei se havia de dizer ou não, mas no momento e como não gosto mesmo de mentir, respondi a verdade.

        Já me vai sucedendo isto, vou contando às pessoas à minha volta (apenas aquelas que acho que estão prontas) e felizmente não me tem corrido mal....

        Sinto-me muito mais livre assim... Muito melhor comigo mesmo.

        Eu também tenho que ter alguma confiança com as pessoas ;D se for alguém que nunca vi e provavelmente nunca voltarei a ver será um caso a pensar, mas falava mesmo de exemplos como o que deste, de alguma forma essa senhora faz parte da tua vida, no dia-a-dia, e no entanto mesmo não sendo uma pessoa próxima achaste que deverias ter dito NÃO!

         Se a tua resposta fosse outra seria compreensível, pois também depende a quem respondemos e da situação em que nos encontramos, mas é muito bom, na minha opinião,  ver que há quem esteja em situação mais confortável para o fazer e faça questão de dizer a verdade em mais circunstâncias passadas além circulo de amigos, família e colegas de trabalho. Não será isto também um contributo para a mudança de mentalidades através da visibilidade? :up

        Spoiler (clica para mostrar/esconder)

        Infelizmente ela já lá não está. Despediram-na e contrataram uma rapariga nova...

        Mas ela continuou a mandar-me mensagens a saber de mim...

        Foi a única pessoa que quando me viu triste ao meu canto foi ter comigo, se preocupou e eu comecei a chorar porque não aguentava mais. E ela deu-me um abraço, ali .

        Adoro-a mesmo =D

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          #4

          Offline Azula

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            • Hábitos Alimentares e Sexualidade
          Sim, se o assunto vier à tona ou for pedagógico pertinente dizê-lo.

          Por exemplo, se me perguntarem algo relacionado com o namorado, naturalmente digo que não tenho namorado mas sim namorada  ;) Isto serve 2 propósitos: instrui as pessoas para a realidade/banalidade da homossexualidade e porque quero que todas as pessoas que conheça (e que à partida poderão vir a integrar o meu círculo mais próximo) me conheçam como sou, saibam da realidade, porque sou assumida.

          Obviamente que não acho que as pessoas não assumidas o devam dizer. Quando estiverem preparadas, cada qual a seu tempo, aí penso que será benéfico e natural falaram da sua orientação, se lhes for perguntado ou acharem a situação pertinente.




            Acreditas no trabalho da rede ex aequo e queres participar activamente na vida da associação? Torna-te sóci@! ;-) Consulta http://www.rea.pt/inscricao.htm

            A finalidade humana deveria ser a de amar a Vida - todos os problemas se extinguiriam se admitíssemos esta realidade.

            Revelar a orientação sexual/afectiva a outras pessoas menos próximas
            #5

            Offline Riccia

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            • Género: Feminino
            • "Pì ad ogni riccio ti caccia nu capriccio!!!"
            Hum... Confesso que depende mais do meu estado de espírito no momento do que da pessoa a quem me dirijo. Se bem que a pessoa também acaba sempre por influenciar o estado de espírito, ou não... [smiley=confuso.gif] Não sei, depende. Não sei bem do quê, mas depende lol Respondo com naturalidade, mas umas vezes apetece-me mais conversar que outras... mais com umas pessoas que com outras... e voltei ao mesmo [smiley=confuso.gif] lol

            Não será isto também um contributo para a mudança de mentalidades através da visibilidade? :up

            Visibilidade, naturalidade e mais umas quantas dades que desaguam na verdade :P
              "Chitsujo, seijaku, shinjitsu: Konran kara chitsujo ga umare. Soon kara seijaku ga umareru. Shinjitsu wa ai o umu."

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              #6

              Offline Moss Deb

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              A minha preocupação foi sempre que as pessoas importantes/próximas soubessem primeiro e através de mim. Não por ser uma questão que considere privada, pois não considero orientação só por si algo privado, mas para poder partilhar o que daí advém e incluir essas pessoas (importantes) com plenitude na minha vida e não haver um afastamento. Alguém vê um heterossexual esconder ou omitir a sua orientação sexual, sistematicamente, no dia-a-dial? Eu não...

              Privado para mim é quem eu gosto, o que me faz rir, chorar, etc. Quem (não próximo/não importante) só souber a minha orientação sexual não sabe nada de mim, tal como eu não sei nada da vida da esmagadora maioria das pessoas que conheço, apesar de saber que estas são heterossexuais.

              Neste contexto, se tiver de pesar entre as pessoas terem conhecimento da minha orientação e reduzir a minha qualidade de vida (nas pequenas grandes coisas) com mentiras/esquemas prefiro mil vezes que saibam, pois, se não são importantes para mim porque razão vou restringir a minha vida por eles/ou pelo que eles pensam?

              Se argumentarem comigo que não se assume pelo receio (legítimo) da discriminação, nas mais diferentes formas, e vinda dos vários círculos de pessoas que constituem a nossa rede social: família, amigos, colegas, chefes, etc, não discuto! Agora, o conceito da orientação sexual ser algo privado, pertencente à esfera íntima da pessoa? Não consigo partilhar dessa opinião...
              « Última modificação: 10 de Março de 2009 por Moss Deb »

                Revelar a orientação sexual/afectiva a outras pessoas menos próximas
                #7

                petala

                • Visitante
                Nessas coisas sou bastante reservada...A minha resposta é unicamente uma ninguém têm nada haver com isso,só a mim me diz respeito...
                Esse tipo de assuntos ao patrão não dirá respeito já que em nada têm haver com o campo profissional e com o meu desempenho no trabalho.
                Para pessoas que conheço sem serem minhas amigas,também não lhes diz minimamente respeito,portanto nada têm a saber...
                Essas coisas não são para se andar por ai a dizer,se é que me fazo entender...alias sou bastante ou tento ser bastante reservada na minha vida por assim dizer e na orientação,ninguém vai pagar os meus impostos,nem a minha casa,nem as minhas dividas portanto a minha vida só a mim me diz respeito,senão não seria a minha vida mas sim a vida de terceiros! :P

                  Revelar a orientação sexual/afectiva a outras pessoas menos próximas
                  #8

                  Offline elan

                  • ****
                  • Membro Sénior
                  • Género: Feminino
                  A orientação sexual não pertence necessariamente à esfera íntima da pessoa, uma vez que tem repercussões directas na nossa vida social e em todas as decisões importantes que façamos na mesma, em companhia de alguém e até mesmo sozinhos. Imaginem que adoptam individualmente uma criança, concerteza a determinada altura, a criança, conscientemente ou não, vai expressar publicamente o conhecimento que tem da sua vida familiar...
                  É claro que se não existisse discriminação e se a homossexualidade fosse encarada socialmente com a naturalidade da heterosexualidade, e àquela não estivesse subjacente uma conotação negativa que a sociedade no geral lhe incute...não faria sentido sequer pensarmos se pertence ou não à esfera privada. Nessa altura em hipótese... casar-nos-íamos, e o nome da outra pessoa constaria no nosso bilhete de identidade, uma identificação pública, iríamos optar por um regime no casamento, em que a outra pessoa iria publicamente beneficiar do mesmo, perante um notário, uma instituição, nos descontos salariais do emprego, faríamos escrituras sem questões, partilhariamos o seio familiar de outra forma (obviamente poderiam não gostar de nós pelo nosso feitio mas não por sermos homossexuais), seriamos respeitados e acarinhados como conjuge num funeral , pagaríamos os nossos impostos em conjunto sem admiração, reservaríamos um quarto de hotel sem perguntarem se as camas são juntas ou separadas, e no nosso trabalho convidariam o esposo ou esposa para um jantar de Natal sem constrangimentos.
                  Ora muitas destas coisas podem também acontecer hoje em dia, com a descriminação que existe, a qual felizmente é variavel de pessoa para pessoa, e esse tipo de situações não é algo que seja passivel de "ocultar" em muitas delas, é uma opção da pessoa fazer essa omissão mas complicado se queremos usufruir de um determinado estatuto na familia e na sociedade e permitir que a pessoa com quem estamos possa ser respeitada pelo seu verdadeiro estatuto e não apenas como uma grande amizade.
                  Tudo isto para dizer que não é possivel dizer que a nossa orientação pertence à esfera privada, quando se tomam decisões e posições mais abrangentes que a sobrevivência e que isso só faz sentido porque temos medo do que pode advir da nossa visibilidade. Quando digo temos, incluo-me a mim própria.

                  Há medida que a vida vai avançando queremos o melhor para o nosso companheiro / companheira, e é necessário uma data de manobras, desde seguros de saúde e de vida no nome da outra pessoa, testamento, contas comuns ou tranferências constantes, união-de-facto, adopção cheia de clausulas, etc etc, para que simplesmente a pessoa com quem estamos possa usufruir de um património e continuar um projecto de vida comum, para  que depois de desaparecermos deste mundo nada lhe seja retirado. Tudo isto é muito triste mas actualmente estamos desprotegidos, numa situação vulnerável que embora tenda a ser corrigida, é um processo moroso. Uma luta. Então voltando às questões que enumerei, é muito difícil que no meio de tantas manobras seja possivel dizer "eu sou homossexual e ninguém tem nada a ver com isso". Eu posso dizer que a forma como faço sexo não diz respeito a ninguém, mas a minha orientação sexual diz respeito a tantas pessoas quantas as que interferem directamente na minha vida, da minha mulher ou da minha familia.

                  Relativamente ao tópico, é dificil ter a coragem do paulosabino, e cada qual tem o seu tempo de maturação e de avaliação das condicionantes da sua vida, que lhe permitam ou não ter uma atitude de abertura com o mundo. Eu pessoalmente considero dificil que comente, caso não me questionem, a minha orientação sexual sobretudo com pessoas da esfera social dos meus pais, pois embora eles saibam e apoiem, compreendo ser-lhes dificil o que os casais amigos mais conservadores possam achar e como tal tento contornar essa situação para que não sejam penalizados, pois sei que socialmente não se sentem bem com a situação. Contudo tenho esperanças que isso melhore, que estas questões sejam na minha familia debatidas com mais fluidez.

                  Em relação ao trabalho e aos vizinhos, não escondo mas também não faço questão de vincar a minha orientação. Se me perguntarem... respondo claramente.
                  Quando há algum homem interessado, respondo claramente mas com educação, pois afinal ninguém à partida adivinha. Agora, se vir que é um "bronco" que há partida vai fazer disso uma escandaleira, digo simplesmente que tenho um compromisso.
                  Quanto às pessoas não tão conhecidas, que amigavelmente perguntam se não vou casar etc, depende do grau de conhecimento que tenho com essas pessoas, quando não é nenhum, acho que não lhes compete fazer essa questão daí que respondo "talvez um dia", mas caso a pessoa, se tiver cruzado comigo algumas vezes e já tenha havido conversas anteriores é possivel que diga directamente.  :)
                  « Última modificação: 10 de Março de 2009 por elan »

                     

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