Boa tarde caros ex-aequianos.
Ontem já madrugada fora vi a repetição do programa na RTPN e posso vos dizer que não fiquei deveras surpreendido com as opiniões expressas pelo Não. O que estava ali naquela bancada é um espelho de uma fracção da nossa sociedade, cuja personalidade se encontra condicionada por um certo tipo de educação católica conservadora que ainda hoje vigora em muitas famílias acima da classe média. Surpreendentemente, essa fracção da população inclui indivíduos licenciados e professores universitários, o que levanta questões sobre a capacidade do nosso ensino secundário formar alunos com capacidade crítica e mente aberta à realidade, nomeadamente a nível da Filosofia e da Psicologia. Como caso extremo, poderei referir que existe um grupo de professores universitários em Portugal que acredita que o mundo foi criado há seis mil anos atrás, tal como vem no Génesis. Ora o que me preocupou, foi ver naquela infame bancada um grupo considerável de jovens como eu, com uma atitude infantil e deselegante, mandando calar com frequência a bancada do sim, com gestos provocadores, e pior, com uma personalidade já condicionada ao conformismo de regras e conceitos inúteis e até perigosos nos dias que correm, não só em relação aos homossexuais, mas por ventura em relação ao papel social da mulher, por exemplo, ou à origem da vida e à Ciência.
O debate teve uma grave lacuna, que foi a ausência de um psiquiatra de renome que explicasse os conceitos de homossexualidade, bisssexualidade e incesto, e que referisse que os estudos científicos são favoráveis à adopção de crianças do mesmo sexo, e ainda que Freud, embora tivesse tido o méerito de fundar a Psicanálise, já se encontra desactualizado em muitos aspectos.
Todo o carácter inflamado da bancada do Não resulta da tentativa frustrada da imposição de um modelo de sociedade conformado às regras da ICAR, e que incluiria sérias dificuldades no acesso ao divórcio e ao aborto, condicionamentos à investigação científica e a presença do catecismo na educação. Eles não admitem, mas no fundo é o que muitos pretendem. E têm toda a legitimidade para o fazer, afinal vivemos numa sociedade democrática, apenas assumam-no publicamente.
Para finalizar esta breve exposição, achei interessante o argumento de um defensor do Não, onde se vitimizou afirmando que estavam a ocorrer descriminações em sentido contrário, em relação a quem não é LGBT, e de outra que se afirmou vítima de descriminação por fazer parte de uma família numerosa, isto tudo misturado com argumentos de que a Europa está em perigo. Ora está a suceder na Europa o contrário de que o senhor disse, especialmente no Reino Unido, onde a liberdade de expressão está a ser posta em causa para não ferir os islâmicos!
Já agora...
Taxas de Natalidade em 2008
Países onde existe casamento entre pessoas do mesmo sexo ou união civil entre pessoas do mesmo sexo:
Holanda: 10.53 births/1,000 population (2008 est.)
Bélgica: 10.22 births/1,000 population (2008 est.)
Canadá: 10.29 births/1,000 population (2008 est.)
Reino Unido: 10.65 births/1,000 population (2008 est.)
Espanha: 9.87 births/1,000 population (2008 est.)
Países onde não existe casamento entre pessoas do mesmo sexo, e nalguns casos, união de facto reconhecida pelo Estado:
Itália: 8.36 births/1,000 population (2008 est.)
Grécia: 9.54 births/1,000 population (2008 est.)
Portugal: 10.45 births/1,000 population (2008 est.)
Austria: 8.66 births/1,000 population (2008 est.)
Será que por causa do casamento entre pessoas do mesmo sexo os Portugueses se vão extinguir?