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Olá Visitante07.dez.2019, 04:33:27

Autor Tópico: A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"  (Lida 36622 vezes)

 
A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
#140

Cardo

  • Visitante
pessoalmente acho o conceito de orgulho uma parvoice redonda. porquê ter orgulho de uma característica?.. Tenho uns lábios bonitos e um nariz grande, sou alta, etcetc.. mas nao sinto orgulho de nada disto. Sinto orgulho das coisas que alcancei na vida, das coisas pelas quais me esforcei e que ''conquistei'', ou seja, coisas que requerem esforço, persistencia e trabalho. Penso que a palavra orgulho deveria ser substituida por completo no mundo LGBT por algo como ''auto-confiança'', ''amor pelo próprio''. Orgulho, a meu ver, é marginalizante, porque é como se tivessemos a dizer que há algo de errado connosco mas que nos orgulhamos disso. Não, a mensagem que eu gostaria de transmitir é precisamente, que não há nada absolutamente nada de errado em nós, há uma diferença que não nos torna realmente diferentes e que deviamos ter a mesma confiança em nós que todo o resto das pessoas no mundo.
Ou seja, traduzindo isto para possíveis situações de discriminação/bocas no dia a dia, a reacção adequada não deveria ser ''Sou assim e tenho muito orgulho'', mas sim agir partindo do principio que é obvio que ter outra orientação sexual não é motivo para existir aquela discriminação/conversa e ficar a olhar para a pessoa cm um ar de ''nem estou a perceber o comentário, porque é absurdo'', pessoalmente penso que com esta atitude chegariamos mais longe do que com a cena toda do orgulho

Assino por baixo. Podemos e devemos mobilizar-nos para lutar pelos nossos direitos e agir com naturalidade em relação a quem somos...daí a fazer figuras pouco edificantes e usar linguagem reles em cartazes de marchas vai uma grande diferença. Quem quer respeito dá-se ao respeito.
A atitude que recomendas é muito melhor que um confronto em que ficam duas pessoas a reclamar uma com a outra e ninguém muda de opinião.

Assino por baixo para os dois comentarios.

Nada como agir com naturalidade!!! Orgulho? Tenho, basicamente de ser assim, completamente natural :).

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    #141

    Offline T-Rex

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    Penso que a palavra orgulho deveria ser substituida por completo no mundo LGBT por algo como ''auto-confiança'', ''amor pelo próprio''.

    Isso não é, basicamente, a mesma coisa que dizer que temos orgulho?...

    Eu tenho um bocado de pena que a palavra 'orgulho' esteja tão estigmatizada dentro dos círculos LGBT. Parece que ter orgulho, para algumas pessoas, é algo negativo, sinónimo de 'exibicionismo' (como se pode ver no título deste mesmo tópico :P ). Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu tenho tanto orgulho na minha orientação sexual como tenho do meu nariz: ambas são caracteristicas fora do meu controlo, mas são minhas e eu gosto muito delas. A diferença é que não tenho milhares de pessoas a dizer que sou uma má pessoa por causa do meu nariz, portanto não tenho necessidade nenhuma de dizer a essas pessoas "nah, o meu nariz nao tem mal nenhum, é parte de mim e tenho imenso orgulho nele" ("Nose pride!" lol). Já em relação à orientação sexual, tenho imensa gente a tentar  discriminar-me por causa dela... e aí sim, apetece-me responder-lhes de volta a dizer que tenho orgulho nela e que as outras pessoas nao têm direito nenhum de me rebaixar por causa disso.

    Ou seja, aqui o orgulho surge como resistência à parvoice homofóbica toda que existe na sociedade. A noção do "orgulho LGBT" não pode ser descontextualizada do contexto de onde surgiu. Surgiu da necessidade de contrariar a homofobia, não do exibicionismo. Ao dizer que temos orgulho não nos estamos a marginalizar, as outras pessoas é que nos marginalizam. A questão do orgulho surgiu precisamente para combater essa marginalização.

    a reacção adequada não deveria ser ''Sou assim e tenho muito orgulho''

    Porque não? Eu compreendo que haja pessoal que prefira a estratégia de ignorar (que é igualmente válida e também resulta), mas porque é que dar essa resposta é desadequado? Não vejo mal nenhum neste tipo de confrontos, até acho algo positivo: os homofóbicos devem ser confrontados com a sua própria parvoice. Se não o forem, ficam homofóbicos para sempre e as coisas não andam para a frente.

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    #142

    Offline JDelgado

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    Penso que a palavra orgulho deveria ser substituida por completo no mundo LGBT por algo como ''auto-confiança'', ''amor pelo próprio''.

    Isso não é, basicamente, a mesma coisa que dizer que temos orgulho?...

    Eu tenho um bocado de pena que a palavra 'orgulho' esteja tão estigmatizada dentro dos círculos LGBT. Parece que ter orgulho, para algumas pessoas, é algo negativo, sinónimo de 'exibicionismo' (como se pode ver no título deste mesmo tópico :P ). Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Eu tenho tanto orgulho na minha orientação sexual como tenho do meu nariz: ambas são caracteristicas fora do meu controlo, mas são minhas e eu gosto muito delas. A diferença é que não tenho milhares de pessoas a dizer que sou uma má pessoa por causa do meu nariz, portanto não tenho necessidade nenhuma de dizer a essas pessoas "nah, o meu nariz nao tem mal nenhum, é parte de mim e tenho imenso orgulho nele" ("Nose pride!" lol). Já em relação à orientação sexual, tenho imensa gente a tentar  discriminar-me por causa dela... e aí sim, apetece-me responder-lhes de volta a dizer que tenho orgulho nela e que as outras pessoas nao têm direito nenhum de me rebaixar por causa disso.

    Ou seja, aqui o orgulho surge como resistência à parvoice homofóbica toda que existe na sociedade. A noção do "orgulho LGBT" não pode ser descontextualizada do contexto de onde surgiu. Surgiu da necessidade de contrariar a homofobia, não do exibicionismo. Ao dizer que temos orgulho não nos estamos a marginalizar, as outras pessoas é que nos marginalizam. A questão do orgulho surgiu precisamente para combater essa marginalização.

    a reacção adequada não deveria ser ''Sou assim e tenho muito orgulho''

    Porque não? Eu compreendo que haja pessoal que prefira a estratégia de ignorar (que é igualmente válida e também resulta), mas porque é que dar essa resposta é desadequado? Não vejo mal nenhum neste tipo de confrontos, até acho algo positivo: os homofóbicos devem ser confrontados com a sua própria parvoice. Se não o forem, ficam homofóbicos para sempre e as coisas não andam para a frente.

    Concordo 100%com tigo
      Mesmo na mais escura da escuridão, haverá sempre uma luz a brilhar para nos guiar.
      Basta saber encontra-la

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      #143

      Offline BrunoMCP

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      • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
      Orgulho é a rejeição da vergonha e afirmação perante a sociedade.

      Quem diz que o orgulho é disparate pode ainda não ter compreendido plenamente o conceito, e/ou não estar completamente à vontade com a sua própria identidade.
      A melhor forma de alguém se sentir representado pela marcha é estar presente numa.

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        #144

        Offline l.e.artist

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        Orgulho é a rejeição da vergonha e afirmação perante a sociedade.

        Quem diz que o orgulho é disparate pode ainda não ter compreendido plenamente o conceito, e/ou não estar completamente à vontade com a sua própria identidade.
        A melhor forma de alguém se sentir representado pela marcha é estar presente numa.
        Concordo.
        Para mim o orgulho em ser gay, é fazer parte de uma comunidade que durante a história tem lutado muito pelos seus direitos e pela aceitação na sociedade. E actualmente as pessoas esquecem-se de como era antigamente, e acham que não precisam de continuar a lutar por novos direitos, porque ainda temos um longo percurso. Porque mesmo no nosso país, por exemplo ser gay em Faro e ser gay em Lisboa é totalmente diferente, e quando não há visibilidade nada muda. E em tempos de crise económica e social as coisas ainda pioram.

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          #145

          V24

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          Orgulho é a rejeição da vergonha e afirmação perante a sociedade.

          Quem diz que o orgulho é disparate pode ainda não ter compreendido plenamente o conceito, e/ou não estar completamente à vontade com a sua própria identidade.
          A melhor forma de alguém se sentir representado pela marcha é estar presente numa.
          Concordo.
          Para mim o orgulho em ser gay, é fazer parte de uma comunidade que durante a história tem lutado muito pelos seus direitos e pela aceitação na sociedade. E actualmente as pessoas esquecem-se de como era antigamente, e acham que não precisam de continuar a lutar por novos direitos, porque ainda temos um longo percurso. Porque mesmo no nosso país, por exemplo ser gay em Faro e ser gay em Lisboa é totalmente diferente, e quando não há visibilidade nada muda. E em tempos de crise económica e social as coisas ainda pioram.

          Nisso concordo a crise económica tende a promover um retrocesso nos direitos e liberdades individuais.

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            #146

            Offline bookerdewitt

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            Quando as pessoas começam a falar em marchas de orgulho hetero só demonstram uma grande falta de contextualização histórico social que por sua vez também é necessária para entender os fundamentos das Gay Prides, sejam elas em que zona do mundo forem porque dizer que a Gay Pride em Portugal é uma imitação da Americana é a mesma coisa que tirar a legitimidade aos movimentos estudantis de todo o mundo porque são uma imitação do Maio de 68 na França.

            Eu consigo perceber ambos os lados da questão e eu própria não sou uma pessoa particularmente virada para as Prides, mas acho que é importante saber reconhecer o seu valor e não fazer oposições um bocado infantilizadas e provocadoras como Prides Hetero e afins. Para percebermos a necessidade das gay pride basta termos capacidade de abstração suficiente para percebermos que ainda somos cidadãos de segunda.

            Acho que o objectivo de uma Pride não passa tanto por dizermos que somos iguais mas sim que existimos, estamos aqui, somos seres humanos independentemente das nossas igualdades ou diferenças. As pessoas acusam-nos de acentuarmos ainda mais as nossas diferenças com esses eventos, e daí? Para provarmos que merecemos respeito e igualdade enquanto seres humanos temos que nos normalizar?temos que provar que somos "bem comportadinhos"? Todas as pessoas têm as suas idiossincrasias, não precisam de se comportar como humanóides formatados para que as reconheçam como seres humanos com os mesmos direitos.

            Sugiro que vejam um documentário chamado "Stonewall Uprising" que em termos de contextualização é óptimo, por isso vou deixar aqui o trailer :)
            https://www.youtube.com/watch?v=NZUZKtko4R0
              "Don’t you want to be alive before you die?"

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              #147

              Offline muntyak

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              Não concordo com marchas/paradas de orgulho gay nos moldes que são normalmente feitas. Acho que tais marchas e eventos só acentuam a discriminação porque fazem com que as pessoas LGBT sejam vistas como um "grupo" de pessoas extravagantes e muito diferentes... É que parece que em vez de festejarem o "orgulho" vão fazer demonstrações carnavalescas, em nudez parcial ( ??? :wor ), com trajes exuberantes e só se vêem os típicos extremos estereotipados do "mundo" gay, ou seja homens muito femininos ou travestis, e ainda todo o tipo de exibição de fantasias sexuais (bondage, SM, etc.) e ainda demonstrações "carnais" deliberadas em público. Isto para não falar em todo o tipo de bandeiras, ícones e símbolos que só servem para criar uma segregação entre homos e heteros...  :-X Eu gostava que tais marchas servissem para afirmar que as pessoas LGBT são na verdade cidadãos como os outros que têm vidas normais, com famílias e amigos, e fora da típica boémia dos clubes gays e círculos gays "fechados", porque seria uma abordagem neutral que surtiria impacto e efeitos nas políticas e leis. Os países do leste europeu e tantos outros ao redor do mundo estão cada vez mais longe de terem leis igualitárias precisamente porque vêem os gays como um grupo social à parte, de costumes "estranhos" incompatíveis com a moral do país, e ainda para mais com as ditas influências ocidentais que costumam aclamar. A igualdade começa com a semelhança e não com a diferenciação acentuada que é mostrada neste tipo de marchas. Na minha opinião o orgulho gay é um conceito válido mas é para ser mostrado e vivido de outra forma e perspectiva, nomeadamente através de eventos que incluíssem o resto da população, dando a conhecer o lado mais banal e que nos torna a todos seres humanos.
                Love, light, liberty

                A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                #148

                Offline bookerdewitt

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                Não concordo com marchas/paradas de orgulho gay nos moldes que são normalmente feitas. Acho que tais marchas e eventos só acentuam a discriminação porque fazem com que as pessoas LGBT sejam vistas como um "grupo" de pessoas extravagantes e muito diferentes... É que parece que em vez de festejarem o "orgulho" vão fazer demonstrações carnavalescas, em nudez parcial ( ??? :wor ), com trajes exuberantes e só se vêem os típicos extremos estereotipados do "mundo" gay, ou seja homens muito femininos ou travestis, e ainda todo o tipo de exibição de fantasias sexuais (bondage, SM, etc.) e ainda demonstrações "carnais" deliberadas em público. Isto para não falar em todo o tipo de bandeiras, ícones e símbolos que só servem para criar uma segregação entre homos e heteros...  :-X Eu gostava que tais marchas servissem para afirmar que as pessoas LGBT são na verdade cidadãos como os outros que têm vidas normais, com famílias e amigos, e fora da típica boémia dos clubes gays e círculos gays "fechados", porque seria uma abordagem neutral que surtiria impacto e efeitos nas políticas e leis. Os países do leste europeu e tantos outros ao redor do mundo estão cada vez mais longe de terem leis igualitárias precisamente porque vêem os gays como um grupo social à parte, de costumes "estranhos" incompatíveis com a moral do país, e ainda para mais com as ditas influências ocidentais que costumam aclamar. A igualdade começa com a semelhança e não com a diferenciação acentuada que é mostrada neste tipo de marchas. Na minha opinião o orgulho gay é um conceito válido mas é para ser mostrado e vivido de outra forma e perspectiva, nomeadamente através de eventos que incluíssem o resto da população, dando a conhecer o lado mais banal e que nos torna a todos seres humanos.

                Eu consigo perceber em parte o que queres dizer  :) Só que tenho alguns problemas com a ideia de termos de mostrar que somos "como os outros" com vidas "normais" para nos verem como seres humanos que merecem equidade social. Independentemente de nos identificarmos ou não a Pride acaba por ter contornos carnavalescos precisamente porque é uma celebração de reconhecimento, não é propriamente uma manifestação nos moldes convencionais
                  "Don’t you want to be alive before you die?"

                  A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                  #149

                  Offline T-Rex

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                    • Um gajo trans a falar de cenas
                  Só que tenho alguns problemas com a ideia de termos de mostrar que somos "como os outros" com vidas "normais" para nos verem como seres humanos que merecem equidade social.
                  Exato! Mete-me alguma confusão essa ideia de que, se sairmos um bocado do que é "normativo" nesta sociedade, então já não merecemos ser tratados com dignidade. Para mim isso não faz absolutamente sentido nenhum. Cada um deve ser livre de ser como é, independentemente de se encaixar no que a sociedade acha que é "normal" ou não. Um homem super "efeminado", de saia, maquilhagem e tiques tem tanta legitimidade para estar nas marchas a reivindicar os seus direitos como um homem completamente "normativo" - e a presença de pessoas mais "extravagantes" não prejudica a luta pelos nossos direitos! Nós deviamos incentivar a diversidade, não reprimi-la. A luta pelos direitos LGBT é uma luta pelos direitos de todas as pessoas LGBT, não apenas das pessoas bonitinhas que não chamam atenção e que encaixam bem na sociedade.

                  Mais curioso ainda é o facto de eu, que já participei em várias marchas, nunca ter visto nem metade dos cenários "carnavalescos" que as pessoas descrevem. A coisa mais "sexualmente explicita" que alguma vez vi numa marcha deve ter sido... sei lá, dois homens de tronco nu a marchar de mãos dadas. Que de sexualmente explicito nem tem nada, mas foi o mais "próximo" que me lembrei neste momento. Drag queens também nem vê-los, acho que consigo contar pelos dedos de uma mão o numero de travestis que vi nas marchas a que fui. E acho mal. Acho que deviam haver mais pessoas "extravagantes" e "nao normativas" nas marchas. Porque essas pessoas existem, e deviam sentir-se suficientemente confortáveis para aparecer nas marchas tal como são. Eu acho que o facto de haverem tão poucas pessoas nao normativas nas marchas é mau sinal, é sinal que essas pessoas ainda sentem que não podem ou devem aparecer nas marchas; se calhar por terem medo de sofrer as consequências de se assumirem publicamente (os medos habituais, homofobia, transfobia, tretas da sociedade); e além disto ainda têm de aturar pessoas dentro da própria comunidade LGBT a dizerem-lhes que não deviam aparecer nas marchas? A dizer que são elas as culpadas de não sermos levados a sério? A dizer que são demasiado extravagantes para participar num evento que, supostamente, comemora a tolerância, aceitação e diversidade? Não consigo deixar de ver uma enorme hipocrisia neste tipo de mindset.

                  O espírito da luta pelos direitos LGBT devia ser mais "eu tenho direito à dignidade porque sou um ser humano" e não tanto "eu tenho direito à dignidade porque me encaixo bem na sociedade e sou muito normalzinho e igual a voces". Hoje em dia quase que parece que ser "diferente" é uma coisa má, se és diferente, não apareças na marcha, vais dar-nos mau nome, não mereces ser visto em público à minha beira. Tretas.

                  Mas já estou a ressabiar bem mais do que tinha planeado quando comecei a escrever este post, LOL.

                  Eu gosto das marchas. Já participei em algumas e pretendo continuar a participar. Acho que as marchas não são apenas um evento de reivindicação de direitos mas também de celebração dos direitos que já alcançamos e é uma boa oportunidade para dar alguma visibilidade a minorias que, durante o resto do ano, caem no esquecimento.

                  A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                  #150

                  Offline bookerdewitt

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                  «(...)Porque essas pessoas existem, e deviam sentir-se suficientemente confortáveis para aparecer nas marchas tal como são(...)»

                  «(...)O espírito da luta pelos direitos LGBT devia ser mais "eu tenho direito à dignidade porque sou um ser humano" e não tanto "eu tenho direito à dignidade porque me encaixo bem na sociedade e sou muito normalzinho e igual a voces"(...)»

                  Concordo muito com isto que disseste T-Rex :)

                  Spoiler (clica para mostrar/esconder)
                  « Última modificação: 18 de Junho de 2014 por bookerdewitt »
                    "Don’t you want to be alive before you die?"

                    A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                    #151

                    Offline JDelgado

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                    Concordo com o T-Rex

                    Spoiler (clica para mostrar/esconder)

                    Eu por acaso na primeira vez que fui a marcha de Lisboa fiquei um bocado desiludido neste aspecto, acho que a nossa marcha ainda é muita fraquinas nesse aspecto, ainda há muito preconceito em relação as pessoas mais diferentes, o que na minha opinião acaba por ser um reflexo do machismo e da homo/transfobia que ainda existe no seio da população lgbt a nível nacional


                    Eu acho importante estas marchas, não só como forma de renvidicação de direitos como uma celebração dos mesmos e da diversidade tanto a nível de orientação sexual, como de identidade e expressão de genero. É importante porque da visibilidade a essas pessoas, alerta para a descriminação, e o facto de as pessoas virem assim para as ruas é uma incebtivo pode ser um apio para todas as oucras que se querem assumir e que muitas vezes vivem a ambientes fechados, e alem disso muitas das pessoas que vão a estas marcha tem como esse local um dos poucos onde se podem expressar e assumir aquilo que são.

                    Custa-me muito ouvir e ler algumas opiniões sobre quem deve ou não deve aparecer nas marchas, por elas são feitas para toda a gente e não para alguns. E mais; quem anda ai apontar o dedo as pessoas "mais extravagantes" devia se informar mais um bocadinho sobre historia LGBT como e porque  que surgiram estas marchas e da elevada importância que as pessoas ditas extravagantes tiveram na lutas dos direitos LGBTs, é triste e revoltante  ver essas pessoas que tiverem um papel importante serem agora atacadas e escluidas pelas pessoas que eles propios defenderam
                      Mesmo na mais escura da escuridão, haverá sempre uma luz a brilhar para nos guiar.
                      Basta saber encontra-la

                      A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                      #152

                      V24

                      • Visitante
                      Eu não vou a marchas. Sou perfeitamente normal. O meu código é não admitir que ninguém me critique ou tente rebaixar por causa daquilo que gosto...é só isso que é preciso fazer.
                      Agora se vão encolher-se a um canto a chorar por causa do homofóbico mau, e só se sentem fortes em bandos...
                      Well...à vontade é um país livre

                        A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                        #153

                        Offline T-Rex

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                          • Um gajo trans a falar de cenas
                        Agora se vão encolher-se a um canto a chorar por causa do homofóbico mau, e só se sentem fortes em bandos...
                        Well...à vontade é um país livre

                        A união faz a força ;) Eu também sou perfeitamente "normal" (o que quer que entendas por "normal" anyway), nao entendo o que é que as marchas têm a ver com o ser "normal" ou não.

                        Se bem que a ideia das marchas não é chorar num canto por causa do big bad homophobe, é precisamente o contrário, é mostrar que não vamos aturar as tretas homo/bi/transfóbicas que nos atiram à cara, e dizer isso mesmo publicamente. Além das razões habituais: dar visibilidade, reivindicar direitos, celebrar as conquistas, etc.

                        A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                        #154

                        Thought

                        • Visitante
                        Não concordo com marchas/paradas de orgulho gay nos moldes que são normalmente feitas. Acho que tais marchas e eventos só acentuam a discriminação porque fazem com que as pessoas LGBT sejam vistas como um "grupo" de pessoas extravagantes e muito diferentes... É que parece que em vez de festejarem o "orgulho" vão fazer demonstrações carnavalescas, em nudez parcial ( ??? :wor ), com trajes exuberantes e só se vêem os típicos extremos estereotipados do "mundo" gay, ou seja homens muito femininos ou travestis, e ainda todo o tipo de exibição de fantasias sexuais (bondage, SM, etc.) e ainda demonstrações "carnais" deliberadas em público. Isto para não falar em todo o tipo de bandeiras, ícones e símbolos que só servem para criar uma segregação entre homos e heteros...  :-X Eu gostava que tais marchas servissem para afirmar que as pessoas LGBT são na verdade cidadãos como os outros que têm vidas normais, com famílias e amigos, e fora da típica boémia dos clubes gays e círculos gays "fechados", porque seria uma abordagem neutral que surtiria impacto e efeitos nas políticas e leis. Os países do leste europeu e tantos outros ao redor do mundo estão cada vez mais longe de terem leis igualitárias precisamente porque vêem os gays como um grupo social à parte, de costumes "estranhos" incompatíveis com a moral do país, e ainda para mais com as ditas influências ocidentais que costumam aclamar. A igualdade começa com a semelhança e não com a diferenciação acentuada que é mostrada neste tipo de marchas. Na minha opinião o orgulho gay é um conceito válido mas é para ser mostrado e vivido de outra forma e perspectiva, nomeadamente através de eventos que incluíssem o resto da população, dando a conhecer o lado mais banal e que nos torna a todos seres humanos.

                        Gostei muito do que foi dito, acho que estas marchas, deviam ser bastante divulgadas, junto das escolas e etc de forma a incluir todo o tipo de pessoas, sendo algo mais discreto e "sério"

                          A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                          #155

                          Offline JDelgado

                          • *****
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                          Todas a marchas tem um manifesto e no final existem vários colectivos que fazem um discurso no final onde é dito quais as razão de la estar e por que lutam.

                          Também acho que podia haver maior divulgação da marcha de forma a incentivar mais participantes, e podia ser mais falada a nível de comunicação social

                          Em relação as pessoas discretas, não concordo porque a marcha foi feita mesmo para as pessoas saírem do armário e demonstrarem aquilo que são sem qualquer tipo de problema, caso contrario a marcha não fazia qualquer tipo de sentido, pois um dos objectivos da marcha é mesmo esse, lutar contra a normatividade imposta da sociedade em relação a orientação sexual, identidade e expressão de genro, e mostrar e dar visibilidade que existem diversas forma de se viver a sexualidade e diversas forma de identidade e expressão de genro.

                          Não é suposto uma pessoa identificar-se com toda a gente que vai a marcha, cada um vai e representa-se a sim propio, sendo que pode haver pessoas com que uma pessoa se identifique mais e outras que se identifique mesmo, por isso é que é bom existir diversidade de pessoas nas marcha
                            Mesmo na mais escura da escuridão, haverá sempre uma luz a brilhar para nos guiar.
                            Basta saber encontra-la

                            A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                            #156

                            Cardo

                            • Visitante
                            Marcha do orgulho gay, não me identifico com a mesma, e não é por não participar na mesma que deixarei, ou que terei menos voz ativa na defesa dos direitos humanos dos LGBT, porque prefiro fazer esse ativismo diariamente, junto de amigos, familia, colegas de trabalho, e na rua.

                            Ouve alguém que me disse que eu devia ter homofobia internalizada pelo facto de não me identificar com a marcha LGBT, e por não participar nela, mas, se formos por ai haveria muito a falar.

                            Gosto que as pessoas Trans, bi, homo, poli, tri, o que sejam, defendam as suas caracteristicas com naturalidade. Fora disso para mim não faz qualquer sentido.

                            Agora dizerem que eu ser um homofóbico por não participar na marcha e acima de tudo por não viajar na mesma é descabido. 

                            Existe espaço para todos na sociedade LGBT, os que se identificam com e os que não se identificam com... Que tal respeitarmos as ideias de cada um? Fariamos a diferença, porque calariamos um preconceito dentro de outro preconceito ;).

                              A questão do "orgulho" e do "exibicionismo"
                              #157

                              V24

                              • Visitante
                              Cada um que faça o que desejar. Aliás cada vez mais deixo de querer saber. Sejam muito felizes, sinceramente.
                              Desde que não me chateiem, é naquela xD

                                 

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