A minha saída do armário... hehe
Confesso que ainda não saí totalmente do armário. Moro no interior norte, e a família é homofóbica, por isso tenho de gerir um bocado mais esse assunto...
Ainda assim, vale a pena contar como foi.
A primeira vez que saí do armário para alguém foi no 1º ano da universidade, depois de ter ficado com a certeza de que sou gay. Estava com uma depressão jeitosa, não me conseguia aceitar, por causa do que sabia estar para acontecer. Estava prestes a explodir, já andava com pensamentos suicidas e tudo. Até que desabafei com o que viria a ser o meu melhor amigo.
Estava à espera que me desse uma carga de porrada, ele é um bocadinho homofóbico (mais "homo-céptico", como eu lhe costumo chamar). Mas limitou-se a dizer "E...?" É a melhor resposta que se pode ter, ter alguém ao nosso lado que simplesmente não se interessa por esse pormenor. Soube imensamente bem, saíu-me um peso gigante de cima das costas. E, ao mesmo tempo, foi uma enorme frustração...

Estava à espera de que corresse pior, de uma guerra, ou coisa assim, mas ele foi 5 estrelas. Fomos tomar café (eu foi chá, estava uma pilha de nervos), conversámos um bocado. Excelente, a sério.
Tive mais, mas esse foi o melhor. Geralmente cada vez que saio do armário para alguém é uma grande sensação de liberdade, em especial se posso passar a ser eu próprio (embora muitas vezes o pessoal me ache demasiado "fora do armário", a minha boca passa a ser um bocado explícita demais...

).
A única excepção a esta regra foram os meus pais. Saíu-me na mesma o peso das costas, mas o que veio a seguir (e ainda existe) foi e é horrível. É demasiado mau para ser verdade. Voltava a fazê-lo, porque precisava de o fazer, e porque a honestidade sempre foi algo que prezei bastante. Mas é muito complicado, sobretudo para tentar manter um relacionamento...
Cumps.
Miguel