rede ex aequo

Olá Visitante07.dez.2019, 04:07:35

Autor Tópico: História dos LGBT e LGBTs na história  (Lida 55962 vezes)

 
História LGBT
#120

Caio

  • Visitante

O meu primeiro contributo é sobre a experiência que retirou a homossexualidade do DSM-III, que é uma espécie de lista de doenças psiquiátricas. A experiência foi realizada pela psicóloga Evelyn Hooker, na sua própria casa e com o seu próprio esforço, e foi feita, de uma maneira muito simplificada, da seguinte maneira:

Foram escolhidos dois grupos de homens: um grupo inteiramente homossexual e outro inteiramente heterossexual. Esses dois grupos foram misturados e foram apresentados a um quadro de especialistas, que tinham como objectivo separar, através das características dos homens, os heterossexuais dos homossexuais. Escusado será dizer que o resultado da experiência foi que não havia qualquer diferença entre hetero e homossexuais, não tenho nenhum especialista conseguido identificar correctamente quem era e quem não era homossexual, não tendo também obviamente conseguido alguma patologia à homossexualidade.

Para quem quiser ler mais sobre o assunto, pode fazê-lo aqui.

Partilhem mais marcos e comentem !



Interessante! Não sabia dessa experiência  :)

    História LGBT
    #121

    Offline filipepaulo

    • *****
    • Membro Elite
    • 9 Julho 2011 - MOP + Porto Pride - foi liiiiiiido!
      • PortugalGay.pt
    um bom ponto de partida sobre este tema está na Wikipedia...

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Cronologia_dos_direitos_LGBT

    (ver links na wikipedia)

    Anexo:Cronologia dos direitos LGBT
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
    Direitos dos Homossexuais
     

    Está página é um indíce cronológico de fatos marcantes relacionados aos direitos dos homossexuais nos últimos séculos.

    12000 a.C.

    Os registros arqueológicos mais antigos apontam para 12000 AC na Era Paleolítica onde algumas pinturas de caverna e centenas de "batons" fálicos foram encontrados na caverna de Gorge d'Enfer[1] em Dordonha na França. Entre os exemplares encontrados destaca-se um dildo duplo supostamente utilizado para em relações sexuais entre mulheres.

    5000 a.C.

    Outros registros arqueológicos apontam para 5000 AC na Era Mesolítica onde o homo erotismo está representado em uma rocha encontrada em Addara[carece de fontes] na Sicília. Nessa inscrição em rocha, homens e mulheres dançam ao redor de duas figuras masculinas com ereção. Supõe-se que esse registro represente uma relação homo erótica.

    sec. XXVIII a.C.

    Em registros que apontam para século XXVIII a.C. (2800 a.C. mas também citado em outros artigos com data de 2500 a.C.) um poeta desconhecido escreve a mais antiga epopéia preservada pela história, a Epopéia de Gilgamesh. A epopéia inclui a primeira história de amor homo erótico retratada pelos personagens Gilgamesh e Enkidu[2][3][4]

    sec. XXVI a.C..

    No século XXVI a.C. (2600 a.C.) na Tumba do faraó Niuserré na 5ª dinastia do império egípcio, os cabeleireiros e manicures da grande casa, Nyankh Khnom e Khom Hotep,[5][6] foram retratados numa pintura onde insinua-se um beijo homossexual entre homens. Segundo estudiosos da história do Egito há de se considerar que o beijo entre homens não têm, necessariamente, uma conotação homoerótica, sendo muitas vezes manifestados como uma relação de amizade em várias civilizações até os dias atuais.[7]

    sec. XX a.C.

    A civilização Mochica da região dos Andes na América do Sul retratava a penetração per annum em 3% da coleção das cerâmicas coletadas pela Família Larco com datação estimada em 1000 a.C..[8][9] Há informações também de que várias esculturas em Ouro das civilizações pré-coloniais dos Andes que representavam a prática do homoerotismo foram derretidas com a chegada dos espanhóis no continente.[10]

    sec. VII a.C.

    630 A.c. - Aristocratas Dorianos da Grécia antiga assumem relações pederástas formais entre adultos nobres e homens adolescentes com o objetivo de educar a população e conter o crescimento populacional[carece de fontes].
    Os registros mais conhecidos da homossexualidade foram resgatados da história da Grécia e Esparta. Durante os séculos VII a.C. a VI a.C. a grécia antiga vivenciou grandes fatos históricos, representados através de sua arte onde a homossexualidade é abordada. Nesse período o poeta Álcman escreveu um coro às virgens[11] onde muitos historiadores acreditam haver uma simbologia de homo erotismo entre mulheres; a poetisa Safo[12] da Ilha de Lesbos, que alguns historiadores consideram como bissexual, escreve vários poemas que alcançam tanto homens como mulheres. Segundo o historiador grego Plutarco,[13] Sólon, homem de estado, legislador e poeta lírico de Atenas mantinha relações homossexuais com Pisístrato.[14] A homossexualidade também teve registos históricos reconhecidos de afeição e convivência nesse período.
    As relações pederastas se espalharam pela Grécia antiga, influenciando os esportes, a literatura, a política, a filosofia, as artes e a comunidade causando, segundo alguns estudiosos, um grande florescimento cultural; também é considerara e valorização da beleza muscular e a nudez atlética nesse período.[15][16]

    séc. VI a.C

    600 a.C. - O termo lésbica (Lesbos) é usado pela primeira vez[carece de fontes]. Ver etimologia da palavra lésbica.[17]

    séc. I a.C.

    45 a.C. a 140 d.C - Os textos do Antigo Testamento redigidos por diversos autores desconhecidos no período entre 45 a.C. e 140 d.C. e que são a origem da Bíblia e da Bíblia Hebraica, citam a homossexualidade em suas escrituras.[18] Entre os registros do antigo testamento, são reconhecidos os textos que consideram a homossexualidade como uma abominação (toeba), no caso a Lei da Santidade (Lv 18:22 e 20:13), originária dos cinco livros do Pentateuco que estipula a pena capital para ambos os culpados. No entanto, é apenas uma interpretação livre baseada na passagem referente a Sodoma, que condena a violação de estrangeiros por alguns habitantes locais. Outros registros do Antigo Testamento podem sugerir uma relação homo erótica, entre eles os casos de 'Davi e Jônatas', 'Isaque gostava de Esaú', em Gn 25:28 e 'Saul afeiçoou-se a Davi', em I Sm 16:21; contudo a opinião dos estudiosos sobre o assunto é que essas passagens expressam apenas uma relação de amizade entre eles.[19]

    séc. I d.C

    54 d.C. - Nero torna-se imperador de Roma. Nero casou dois homens através de uma cerimônia legal com ao menos uma esposa concordando com as mesmas cerimônias de um César. Essa interpretação é alvo de críticas de estudiosos sobre o assunto.

    séc. XIII

    O artigo 48 do Código de Gengis-Khan indicava a pena de morte para os homens que tivessem cometido sodomia.[20][21]

    séc. XVI

    1553 - Portugal criminaliza a sodomia através da instalação da Inquisição e de mudanças no Código Penal de Portugal. A criminalização da sodomia é estendida às colônias de Portugal.[22] As Ordenações Afonsinas declaram que a sodomia é o mais torpe, sujo e desonesto pecado ante Deus e o mundo, impondo ao infrator que seja queimado até virar pó, para que não reste memória de seu corpo e sepultura.[23]
    1533 - Rei Henrique VIII, Inglaterra proclama todas as atividades sexuais não-reprodutivas como crime. Além da proibição de relações homossexuais, também foram proibidas a masturbação, o sexo anal e o sexo oral. A criminalização das relações "não naturais" foi introduzida através do "Buggery Act" de 1533.[24] Há interpretações de que o "Buggery Act" não se aplicaria a relações homossexuais, contudo houve várias punições nesse sentido.[25]

    séc. XVII


    séc XVIII

    1791 - França descriminaliza a pederastia, termo utilizado para as relações homossexuais na França.[26]

    séc. XIX

    1807- John Church, (1780-1835) é ordenado clérigo e se torna, segundo alguns historiadores, o primeiro reverendo na Inglaterra a celebrar cerimônias de casamemtos entre pessoas do mesmo sexo. Foi condenado a prisão, dez anos após, por crime de sodomia.
    1813 - Estado da Baviera, na Alemanha, descriminaliza a prática homossexual entre homens.
    1830 - Brasil descriminaliza a sodomia nas relações sexuais, inclusive entre homens. Todas as referências à sodomia foram removidas com a introdução do novo Código Penal do Império do Brasil, assinada por Dom Pedro I.[27]
    1860 - Índia (e Paquistão), então colônia da Inglaterra, criminalizam a homossexualidade através da Seção 377 do Código Penal Indiano
    1867 - o jurista alemão Karl-Heinrich Ulrichs(1805-1825) é demitido em função de sua homossexualidade e, então, começa sua vida como uns dos primeiros ativistas políticos em prol dos direitos dos homossexuais.
    1871 - Alemanha criminaliza a homossexualidade através do Parágrafo 175 do Código Criminal.
    1897 - Magnus Hirschfeld, médico alemão e homossexual assumido, funda junto com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Wissenschaftlich-humanitäres Komitee ("Comité Científico-Humanitário") cujo objectivo era defender os direitos dos homossexuais e revogar o parágrafo 175 da lei alemã, que penalizava as relações homossexuais. Lançara um ano antes um panfleto intitulado Sappho und Sokrates oder Wie erklärt sich die Liebe der Männer und Frauen zu Personen des eigenen Geschlechts? (Safo e Sócrates ou como explicar o amor de homens e mulheres por pessoas do seu mesmo sexo?) objetivando explicar cientificamente a homossexualidade como algo natural.

    1900-1909

    1907 - Adolf Brand, lider ativista do Gemeinschaft der Eigenen, tentando reverter o Parágrafo 175, publica uma obra onde afirma que o chanceler imperial da Alemanha, o príncipe Bernhard von Bülow, seria homossexual. Brand é condenado a dezoito meses de prisão.

    1910-1919


    1920-1929

    16 de outubro de 1929 - Um Comitê Reichstag vota para cancelar o Parágrafo 175. A chegada ao poder pelos nazistas impede que a decisão entre em vigor.

    1930-1939

    1933 - Dinamarca descriminaliza a homossexualidade.
    1936 - A Secção 121 do código da URSS criminaliza o sexo anal entre homens
    1937 - O triângulo rosa é usado pela primeira vez nos campos de concentração nazistas.

    1940-1949

    1945 - Após a libertação dos presos dos campos de concentração pelas forças aliadas, os homossexuais lá internados não são libertados, mas obrigados a cumprir pena de acordo com as sentenças proferidas a partir do Parágrafo 175.

    1950-1959

    1950 - Alemanha Oriental reverte parcialmente as emendas feitas pelos nazistas no Parágrafo 175.
    1951 - Bulgária descriminaliza a prática homossexual.
    1954 - Alan Turing, matemático britânico, comete suicídio devido a depressão causada pelo tratamento legalmente forçado contra sua assumida homossexualidade, uma terapia à base de estrogênio visando castração química, que tem como efeito colateral o desenvolvimento de seios.
    1957 - África do Sul criminaliza qualquer acto erótico entre dois homens na presença de outras pessoas. Nessa altura as leis contra Sodomia herdadas do Reino Unido já eram especificamente definidas como sexo oral ou anal entre homens.

    1960-1969

    1961 - descriminalização na Checoslováquia e na Hungria.
    1962 - Illinois é o primeiro estado dos EUA a remover a proibição de práticas sexuais não-reprodutivas de seu código criminal.
    1968 - Alemanha Oriental diminui o poder do Parágrafo 175.
    1968 - Canadá remove de sua legislação todas as leis que condenavam as atividades sexuais não-reprodutivas.
    28 de Junho de 1969 - Os clientes do bar Stonewall Inn, em Nova Iorque, envolvem-se em confrontos com a polícia, em resposta a actos de intimidação. Considerado ponto de partida do moderno movimento pelos direitos dos homossexuais.
    1969 - Alemanha Ocidental diminui o poder do Parágrafo 175.
    1969 - Canadá regulamenta as práticas sexuais não-reprodutivas.

    1970-1979

    1972 - Noruega descriminaliza a homossexualidade.
    15 de Dezembro de 1973 - A direcção da Associação Americana de Psiquiatria (American Psychiatric Association, APA) procede a uma votação no sentido de suprimir a homossexualidade da lista de doenças mentais. Treze dos quinze membros da direcção pronunciam-se favoravelmente. A decisão será contestada por muitos psiquiatras, que exigem a sua anulação ou a realização de um referendo.
    Abril de 1974 - Um referendo interno promovido pela Associação Americana de Psiquiatria aprova com 58% dos votos a decisão da direcção em retirar a homossexualidade da lista de doenças mentais tomada no ano anterior.

    1980-1989

    1982 - Portugal descriminaliza a homossexualidade.
    1982 - Nos Estados Unidos da América, o estado de Wisconsin torna-se o primeiro do país para proibir discriminação contra homosexuais.
    1988 - Israel descriminaliza a homossexualidade.
    1989 - Dinamarca institui uniões civis homossexuais que garantem os mesmos direitos presentes no casamento entre pessoas de sexo diferente.

    1990-1999

    1991 - Hong Kong descriminaliza a homossexualidade.
    1992 - A Organização Mundial da Saúde deixa de considerar a homossexualidade como doença.
    1993 - Rússia revogada o artigo 121º do Código Penal, que criminalizava o sexo anal entre homens.
    1994 - Alemanha descriminaliza relacionamentos sexuais entre homens cancelando o Parágrafo 175.
    1995 - A Associação Japonesa de Psiquiatria deixa de considerar a homossexualidade como distúrbio mental.
    1995 - Os Talibãs tomam o poder no Afeganistão e criminalizam qualquer sexo fora do casamento, sendo vários homens executados por esta razão.

    2000-2009

    2001 - Portugal institui a união civil para casais homosexuais, que vivem há mais de dois anos juntas (conhecida em Portugal como União de Facto).
    2001 - Países Baixos legalizam o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
    2001 - A Associação Chinesa de Psiquiatria deixa de considerar a homossexualidade como um distúrbio mental.
    2003 - Bélgica legaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
    2003 - Arménia descriminaliza o sexo anal entre homens (lei herdada da URSS)
    Maio de 2004 - Nos Estados Unidos da América, o estado do Massachusetts torna-se o primeiro do país a permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.
    1 de Julho de 2004 - Cabo Verde deixa de criminalizar a homossexualidade com a adopção do novo código penal.[28]
    Dezembro de 2004 - Nova Zelândia institui união civil para casais constituídos por pessoas do mesmo sexo.
    5 de Junho de 2005 - Suíça aprova em referendo nacional lei que institui uniões de facto entre homossexuais, com 58% de votos a favor. A legislação não permite a adopção de crianças ou a possibilidade de recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida.
    Junho de 2005 - Câmara Baixa do Parlamento do Canadá vota a favor do projecto de lei que legaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em todo o país. Em Julho, o projecto é ratificado pelo Senado.
    Junho de 2005 - Congresso espanhol aprova lei que abre o casamento civil a casais constituídos por pessoas do mesmo sexo, bem como a possibilidade de adopção de crianças.
    1 de Dezembro de 2005 - O Tribunal Constitucional da África do Sul declara que é inconstitucional negar o casamento a casais constituídos por pessoas do mesmo sexo e ordena o Parlamento a alterar a lei no prazo de um ano no sentido de permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
    2 de Dezembro de 2005 - O Parlamento belga vota na sua maioria a favor de um projecto de lei que permite a adopção de crianças por casais constituídos por pessoas do mesmo sexo.
    Dezembro de 2005 - Celebram-se as primeiras uniões civis homossexuais no Reino Unido, na sequência de legislação aprovada em 2004.
    Dezembro de 2006 - Portugal reconhece casais do mesmo sexo para efeitos de obtenção de nacionalidade (em União de Facto com cidadão português) e assistência a funcionários do estado (ADSE).
    15 de Setembro de 2007 - Portugal passa a ter a mesma Idade de consentimento para actos entre pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, passando o abuso sexual de menores a ser neutro em termos de orientação sexual. Os casais homossexuais, para efeitos do Código Penal, passam a ser equiparados aos casais heterossexuais (incluindo casados). O homicídio por orientação sexual passa a ser categorizado como Homicídio qualificado e passa a ser punível quem fundar organização ou desenvolver actividades de propaganda organizada que incitem à discriminação ou quem incitar à discriminação por orientação sexual.
    25 de Setembro de 2007 - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em palestra na Universidade de Columbia, nega a existência de homossexuais no seus país.[29] Em 1º de agosto de 2007 cinco homens foram executados numa praça em Mashad por adultério e sexo homossexual.[30]
    28 de Novembro de 2007 - Brasil - Convocada a "I Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais" que acontecerá entre 8 e 11 de maio de 2008 em Brasília.[31]
    12 de dezembro de 2007 - Brasil - A presidente do supremo Tribunal Federal decide que o Sistema Único de Saúde - SUS não é obrigado a fazer cirurgia de mudança de sexo.[32]
    29 de julho de 2008 - Panamá - O presidente Martín Torrijos revoga o Artigo 12 do Decreto Nº 149 de 1949 que estabelecia uma pena três meses a um ano de prisão ou multa para quem praticasse a sodomia.[33]
    1º de maio de 2009 - A Suécia legaliza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.[34]
    Julho de 2009 - A Alta Corte da capital da Índia, Nova Déli, anula a Seção 377 do Código Penal Indiano que previa penalidades de até 10 anos de prisão para quem mantivesse uma relação homossexual.[35][36]

    2010-2019

    15 de julho de 2010 - Argentina - O Senado da Argentina aprova a lei que autoriza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo no país. A Argentina torna-se o décimo país no mundo e o primeiro país da América Latina a aceitar o casamento de pessoas do mesmo sexo.[37]
    15 de Março de 2011 - Portugal - Foi publicada a lei Nº7/2011 que simplifica o processo de mudança de nome e sexo legal. O processo passa a ser administrativo e passa a ser requerido fundamentalmente um "relatório que comprove o diagnóstico de perturbação de identidade de género, também designada como transexualidade, elaborado por equipa clínica multidisciplinar de sexologia clínica em estabelecimento de saúde público ou privado, nacional ou estrangeiro." [38]
      PortugalGay.pt - desde 1996 o site para todos os LGBTH em Português.

      Os escândalos do Príncipe Francisco José de Bragança (e Sissi era lésbica)
      #122

      Offline Adónis

      • ****
      • Membro Sénior


      Em 1902 o príncipe Francisco José de Brangança, no exílio em Viena, foi enviado a Londres na comitiva imperial às cerimónias da coroação do rei Eduardo VII. Foi surpreendido pela polícia inglesa numa casa de alterne frequentado por marujos, com dois rapazes, um de 15 anos e outro de 17 anos, que conhecera graças a um intermediário de 24 anos. Foi julgado pelo tribunal de Southwork, em Londres, mas absolvido pelo júri de Old Bailey. A testemunha alegava que vira o príncipe a praticar sexo com um dos rapazes através da fechadura, mas a defesa alegou que era impossível ver toda a cama pelo buraco. Os dois rapazes e o intermediário foram condenados a vários meses de prisão por conspiração. Contudo, na Áustria, o príncipe viu-se envolvido noutro escândalo homossexual.


      Por um mero acaso veio ter às minhas mãos o livro Du similisexualisme dans les armées et de la prostitution homosexuelle (militaire et civile) à la Belle Époque, de Edward I. Prime-Stevenson.

      Uma precisão:

      O livro agora citado (233 páginas), publicado recentemente em francês, reúne apenas dois dos treze capítulos da obra de Prime-Stevenson, The Intersexes: a History of Similisexualism as a Problem in Social Life (um "tijolo" de 641 páginas, que ocupou o autor uma dezena de anos), publicada entre fins de 1909 ou começos de 1910, em Itália, com uma tiragem de apenas 125 exemplares.

      A editora Arno Press, dos Estados Unidos, considerou a obra suficientemente importante para a reimprimir em 1975, mas o resultado traduziu-se, pela má qualidade do processo de reprodução ou do próprio original, num livro de lisibilidade execrável. Assim, a edição original, hoje raríssima, atinge preços astronómicos no mercado de livros antigos. Diga-se que The Intersexes nunca teve tradução em qualquer língua até à presente edição (abrégée) francesa, a primeira publicação em língua estrangeira, devida ao empenho de Jean-Claude Féray.

      Duas palavras sobre Edward Irenaeus Prime-Stevenson (1858-1942). Escritor e jornalista americano, autor de diversas obras, viajou pelo mundo e viveu a segunda metade da sua vida em Itália (nomeadamente em Florença), tendo morrido em Lausanne, de um ataque de coração. Com o pseudónimo de Xavier Mayne, publicou em 1906, Imre: A Memorandum, um romance de temática homossexual, ainda disponível nos alfarrabistas e o referido The Intersexes, uma defesa da homossexualidade do ponto de vista científico, legal e histórico.

      Importa recordar que, para lá das exaustivas pesquisas de Prime-Stevenson, o livro viu a luz do dia pouco tempo depois do imenso "escândalo" registado na Alemanha, envolvendo a entourage do imperador Guilherme II. Entre os muitos visados figuravam o general conde Kuno von Moltke, comandante militar de Berlim e ajudante de campo do Kaiser e o príncipe Philip von Eulenburg, também íntimo do imperador. Eram acusados de promover orgias homossexuais com oficiais e soldados dos vários regimentos da capital. O caso, que chegou a tribunal, teve na sua génese intrigas políticas (como habitualmente), estalou após a substituição do chanceler Otto von Bismarck e criou um sentimento de profunda insegurança e de mal-estar na Alemanha, país então relativamente liberal em matéria de costumes, apesar do incrível parágrafo 175 do Código Penal germânico, que vigorou de 1871 a 1994 (!!!), e que condenava as relações homossexuais.

      À eclosão da Primeira Guerra Mundial, desencadeada na sequência do atentado em Sarajevo, em 1914, que vitimou o arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Áustro-Húngaro, não foi alheio o clima depressivo então vivido na Alemanha e que levou não só à queda de Guilherme II e do Segundo Reich, em 1918, como ao desmoronamento do Império Austríaco e do Império Russo.

      É da história que os grandes escândalos ou pseudo-escândalos sexuais arrastam sempre consigo os regimes que os permitem ou promovem. Diga-se, num parêntese, que a durabilidade do Estado Novo se deveu, também, ao facto de Salazar nada se importar com as práticas sexuais dos cidadãos portugueses. Desde que não se ultrapassassem os limites impostos pelo "decoro" da ordem pública (e para isso uma polícia zelava atentamente), o que decorria entre quatro paredes nada preocupava o Ditador, que teve sempre, nos seus governos, ministros com amantes do sexo oposto ou do mesmo sexo, como aliás sabem os sobreviventes da época.

      O livro agora em apreço (um extracto do original, como dissemos) é uma obra extraordinariamente bem documentada, com a conveniente fundamentação científica (pelo menos para o tempo em que foi escrita), e com um carácter objectivo, demonstrando igualmente os profundos conhecimentos que o autor, por experiência própria ou convivência alheia, e por investigação histórica, possuía sobre a matéria.

      Para os apreciadores de ópera, regista-se uma curiosidade trazida por Stevenson. A célebre ópera Un Ballo in Maschera, de Verdi, composta a partir da peça de teatro Le Bal masqué, de Daniel Auber, que tem por tema o assassinato do rei Gustavo III da Suécia por Ankerström, devido a pensar que a sua mulher era amante do rei, não teve como móbil o ciúme do marido, presumivelmente enganado, mas tratou-se de uma conspiração contra o monarca, homossexual e grande general, movida no círculo dos amigos (e inimigos) homossexuais do soberano. Na altura, por razões óbvias, o tema passou a ser, na peça e na ópera, uma intriga de carácter heterossexual.

      Para os portugueses, um acontecimento pouco divulgado. Em 1902, o príncipe Francisco José de Bragança (1879-1919), filho de D. Miguel (II), no exílio em Viena, foi enviado a Londres, na comitiva imperial às cerimónias da coroação do rei Eduardo VII. A polícia inglesa surpreendeu-o num bordel frequentado por marujos, na companhia de dois rapazes, um de 15 e outro de 17 anos, que lhe haviam sido arranjados por um intermediário de 24 anos. Julgado pelo tribunal de Southwork, em Londres, o príncipe foi finalmente absolvido pelo júri de Old Bailey. Em resultado do escândalo, foi privado dos seus direitos cívicos e obrigado a demitir-se de tenente do regimento de Hussardos do imperador Francisco José.

      Ainda relacionado com Portugal, entre os numerosos bailes e festas da Belle Époque europeia, realizados em Berlim, Viena, Paris, Londres, Roma ou Nápoles, e que reuniam homossexuais, travestidos ou não, anota o autor um célebre baile que teve lugar em Berlim, no hotel König von Portugal, em Outubro de 1889, e que foi largamente descrito no jornal "Morgen Post".

      A afirmação de Stevenson  de que Elizabeth de Áustria (Sissi), mulher de Francisco José, era lésbica, é, de certo modo, uma revelação, pois tal não consta geralmente das várias biografias da imperatriz. Todos conhecem a profunda afeição de Sissi por seu primo o rei Ludwig II da Baviera, homossexual público e notório, que considerava a soberana como a única pessoa que o compreendia. E também é sabido o profundo interesse de Elizabeth pelos desportos mais masculinos, como, por exemplo, o hipismo ou o trapezismo. Stevenson menciona uma relação da imperatriz com duas cavaleiras do famoso circo alemão Renz, então instalado em Viena, concretamente Emilie Loiset e Elise Petzold. Este caso é mencionado no livro Sissi ou la fatalité, de Jean des Cars.

      Aludindo à prostituição masculina nas principais cidades do mundo, junto dos grandes hoteis, em ruas específicas, parques, urinóis, bares, jardins, proximidade de quartéis, pensões de curta permanência, estações de caminho de ferro, cais marítimos ou fluviais, etc.,  Stevenson menciona, em especial,  São Petersburgo, Moscovo, Londres, Amesterdão, Bruxelas, Paris, Marselha,  Bordéus, Toulouse, Estocolmo, Hamburgo, Berlim, Breslau, Munique, Madrid, Viena, Lisboa, Budapeste, Belgrado, Sofia, Constantinopla, Florença, Roma, Nápoles, Palermo, Milão, Turim, Veneza, Genève e Zurique. Quanto a Lisboa, é sempre oportuno recordar uma passagem de Raul Brandão no Volume II das suas Memórias (Edição Jornal do Fôro, pág. 361): «Lisboa foi sempre, como Nápoles, uma cidade de pederastas...».

      O uso de fardas, prioritariamente de militares (mas também, hoje em dia, de polícias, de seguranças e dos profissionais de muitas outras actividades), constituiu, ao longo dos tempos, uma sedução para os homossexuais, e até para os heterossexuais, para já não falar das mulheres. Este livro detém-se demoradamente sobre esse aspecto.

      Os soldados constituíram sempre um dos mais substanciais contingentes de recrutamento dos homófilos (até o próprio Luiz Pacheco nos fala disso no seu livro O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor). Mas de todas as fardas, aquela que mais suscitou o interesse homossexual foi a dos marinheiros. Stevenson recorda-nos o facto na sua obra, pretendendo fornecer explicações quase de carácter científico (e cita, como bissexuais praticantes, os navegadores portugueses Vasco da Gama e Fernão de Magalhães), não só pela passagem longo tempo no mar, como por aquilo a que ele chama "uma condição inconscientemente adquirida"; mas todas as obras relacionadas com a matéria se referem, mais ou menos desenvolvidamente, não só ao poder de atracção sexual dos marinheiros sobre os civis, como às próprias relações entre marinheiros.

      No entanto, talvez o opus magnum, pelo menos na literatura contemporânea, sobre relações homossexuais entre marinheiros ou entre estes e civis, seja o célebre romance Querelle de Brest, de Jean Genet, imortalizado no cinema, e para sempre na História, por Rainer Werner Fassbinder. Sem esquecer uma obra precursora, Bom-Crioulo (1895), do brasileiro Adolfo Caminha. Ou a novela Billy Budd (1891), de Herman Melville (publicada postumamente em 1924 e só com edição autorizada em 1962), sobre a qual Benjamin Britten compôs a ópera homónima em 1951, depois revista em 1964).

      Regista o livro, no último capítulo, diversos casos de chantagem  a que foram submetidos vários homossexuais, nomeadamente para extorsão de dinheiro mas também por motivos políticos, e o suicídio de muitas figuras de relevo, designadamente na esfera castrense, por receio de que as suas inclinações fossem tornadas públicas.

      São ainda abordados vários casos de lesbianismo, que a história menciona com muito menos destaque, dado que as relações entre mulheres sempre foram mais discretas ao olhar do público.

      O livro de Prime-Stevenson (a edição integral) tem o mérito de analisar nos seus treze capítulos a vida sexual nos principais países da Europa, e não só, com uma objectividade e um conhecimento da matéria que deve ter espantado os leitores da época, dado que cem anos atrás apenas se esboçavam os primeiros estudos científicos sobre a sexualidade, que tiveram o primeiro grande investigador em Siegmund Freud. Devem-se aos alemães  Kraftt-Ebing (1840-1902) e Magnus Hirschfeld (1868-1935), aos ingleses Edward Carpenter (1844-1929) e  Havelock Ellis (1859-1939) e ao americano Alfred Kinsey (1894-1956), entre outros, os principais estudos pioneiros sobre um assunto que tem preocupado a humanidade desde os seus primórdios.

      A título de curiosidade, diga-se que a palavra "homossexual" (e, por oposição, heterossexual) se deve ao austríaco Karl-Maria Kertbeny, (1824-1882), consagrada num capítulo que escreveu para a obra de Gustav Jäger (1832-1917), Die Entdeckung der Seele (A Descoberta da Alma).


      Fonte: http://domedioorienteeafins.blogspot.pt/

        Os escândalos do Príncipe Francisco José de Bragança (e Sissi era lésbica)
        #123

        Offline Imaterial

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        Mais uma vez, leituras interessantes. Relativamente ao pequeno excerto sobre o estado novo, publiquei no Noticias LGBT um artigo que diz que não era bem assim

        http://publico.pt/sociedade/noticia/o-estado-novo-dizia-que-nao-havia-homossexuais-mas-perseguiaos-1392257
          It all starts when you sink into his arms and ends with your arms on his sink

          História dos LGBT e LGBTs na história
          #124

          Offline Spektrum

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          • [P]oiesis.
          Não sei se este é o tópico mais apropriado, mas penso poder aqui obter uma resposta mais fiável. Li rumores sobre a homossexualidade de Franz Kafka, nunca pesquisei muito o tema, no entanto gostaria de saber a vossa opinião acerca da questão. Serão rumores ou existe algo concreto que o possa provar?
            “Always be a poet, even in prose.”
            ― Charles Baudelaire

            História dos LGBT e LGBTs na história
            #125

            Offline Blackdi

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              • Criatura da Noite
            Não sei se este é o tópico mais apropriado, mas penso poder aqui obter uma resposta mais fiável. Li rumores sobre a homossexualidade de Franz Kafka, nunca pesquisei muito o tema, no entanto gostaria de saber a vossa opinião acerca da questão. Serão rumores ou existe algo concreto que o possa provar?

            Devo confessar que pouco ou nada sabia acerca de Franz Kafka, mas a tua questão suscitou-me alguma curiosidade e decidi investigar um pouco mais.  :)

            De facto, o pouco que se conhece da sua história de vida, mostra um homem com uma relação difícil com as mulheres. Desfez 2 ou 3 noivados, nunca casou e as relações afetivas com as mulheres sempre foram um mar de frustrações.

            No plano oposto, há uma reiterada referência a um suposto grande amigo, Max Brod, amizade essa que o levou a entrar na Faculdade de Química, após o pai proibi-lo de versar Filosofia.

            Claro que tudo isto não significa que F. Kafka fosse homossexual, mas também não deixa de ser verdade que suscita algumas dúvidas.

            História dos LGBT e LGBTs na história
            #126

            PsyGirl_Av

            • Visitante
            Não sei se este é o tópico mais apropriado, mas penso poder aqui obter uma resposta mais fiável. Li rumores sobre a homossexualidade de Franz Kafka, nunca pesquisei muito o tema, no entanto gostaria de saber a vossa opinião acerca da questão. Serão rumores ou existe algo concreto que o possa provar?


            Responder
            Whether or not Kafka actually engaged in homosexual relations, based on earlier studies and Friedländer’s accounts it is entirely plausible that Franz Kafka was gay and was physically repelled by women. His long engagement to Felice Bauer was never consummated and he described their rare attempts at physical intimacy as “punishment.” In his accounts of his visits to brothels he indicated that he was attracted to the older and less attractive women.  And in one of his letters he reports that as a young man he was attracted only to the woman he could not be with. Kafka’s “spires of shame and guilt” are like that of any closeted, gay man in a homophobic culture struggling to understand his sexuality, except that in Kafka’s case his sadomasochistic, homosexual, perverse fantasies were also a source of his creativity. Friedländer certainly recognizes and emphasizes the creative force of the fantasies.


            Fonte: http://www.momentmag.com/book-review-franz-kafka-the-poet-of-shame-and-guilt/

               

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