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Olá Visitante09.dez.2019, 13:08:29

Autor Tópico: História dos LGBT e LGBTs na história  (Lida 55995 vezes)

 
Lesbianismo na História
#80

Offline mdlfs

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Eu penso da seguinte forma: a minha personalidade tem muitas caracteristicas e ser gay é uma delas mas não é, de longe, a mais relevante ou especial que eu tenho...
se eu fosse hetero não me apresentaria dizendo "olá eu sou o Francisco e sou hétero" por isso limito-me a ser eu mesmo e se me chamam maricas ou outras coisas eu não nego mas simplesmente ignoro....
Na verdade acho que normalmente quem goza são pessoas que baseiam a sua personalidade em tradições ou devido à pressão social que há..... ou seja, não sou únicas.... eu, ao menos, não tenho dúvidas em relação ao facto de não haver mais ninguém como eu e sei que não me defino pela minha orientação mas também não me defino pelo que os outros querem que eu seja.....

    Lesbianismo na História
    #81

    Offline Scorpio_Angel

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    SEREM ÚNICOS LÉSBICOS/AS É UMA MÁ IDEIA DE GREGOS


    Safo já morreu há mais de dois mil anos, mas a culpa é toda dela. Se esta poetisa grega não tivesse fama de se apaixonar por outras mulheres, nunca Lesbos teria ganho destaque entre as mais de mil ilhas do Egeu. E lésbica não se teria tornado a palavra que a maioria das línguas europeias utiliza para designar as mulheres que se sentem atraídas pelo mesmo sexo. Para quem tem alguma noção de genealogia, não será de todo impossível imaginar que Dimitris Lambrou, um lésbico que iniciou agora uma cruzada contra o uso abusivo do gentílico da sua ilha, até descenda de Safo (a poetisa parece que chegou a casar-se e a ter uma filha). Mas dificilmente a antepassada remota aprovaria a sua luta: exigir que as associações de homossexuais deixem de usar a palavra lésbica é tão absurdo como inalcançável. Não se trata da apropriação de um termo por uma minoria, mas sim de uma palavra reconhecida em qualquer dicionário. Por exemplo, o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa não hesita em avançar com as duas acepções de lésbica: habitante da ilha de Lesbos; mulher que sente atracção por pessoa do mesmo sexo. É duvidoso que Lambrou imponha uma edição revista da obra do linguista brasileiro.

    Com os seus cem mil habitantes e um tamanho semelhante ao de duas ilhas da Madeira somadas, Lesbos é um daqueles postais de férias, com o azul do mar a contrastar com o branco das casas gregas. E muitos turistas seduzidos pela beleza do Egeu escolhem-na exactamente pela graça do nome e pela fama de Safo. Por isso, Lambrou e todos aqueles que o apoiam, invocando estarem fartos de serem gozados quando assumem a sua origem, estão a atentar contra um dos trunfos turísticos da sua terra.

    Mesmo que se sinta alguma compreensão pelo tal sofrimento dos lésbicos e lésbicas (ilhéus) e se evite a interpretação homofóbica da sua reivindicação, a sombra do linguisticamente correcto basta para repudiar a sua luta. Afinal, qualquer idioma está cheia de palavras que podem, em extremo, ser incómodas para alguém: em português, e do mesmo género, basta pensar em alarve, que não é mais que uma corruptela de árabe, e malta, cuja origem são os grupos de trabalhadores da ilha mediterrânica com esse nome que emigravam para trabalhar nos campos da Europa.

    Herdeiros de uma brilhante civilização que nos deu, entre outras coisas, muitas palavras (desde cosmos a átomo), os modernos gregos, de Lesbos e não só, têm-se envolvido em recentes batalhas por causa delas. Uma insegurança como nação que não se justifica. Se dependesse deles, a Macedónia seria para sempre FYROM, as iniciais em inglês de Antiga República Jugoslava da Macedónia. Percebe-se as preocupações políticas por trás dessa obsessão, bem mais até que a actual luta de Lambrou, o lésbico, mas convém que não exagerem. Afinal, o autor desta crónica chama-se Leonídio e basta teclar a palavra no Google para surgirem centenas de páginas sobre uma cidade do litoral grego com o mesmo nome. Que nenhum habitante de Leonídio ache abusivo que um português se chame assim.|


    Fonte: DN 5/5/08
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      Lesbianismo na História
      #82

      Offline Chesterfield_Blue

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      Na verdade, o termo mais correcto para designar uma mulher homossexual seria "lesbiana", mas a palavra "lésbica" está demasiado enraizada no vocabulário corrente.

        Lesbianismo na História
        #83

        Offline Scorpio_Angel

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        Gregos de Lesbos querem proibir uso do termo 'lésbica'



        O SEXO OU A PÁTRIA?


        A ilha da polémica. Lesbos, terceira maior ilha grega, com 90 mil habitantes, está na origem do termo lésbica, que designa as mulheres lá nascidas e as que assumem a sua homossexualidade. Entre as primeiras, e respectivos familiares, há quem não goste da partilha. O duelo de significados segue amanhã num tribunal de Atenas


        Grupo de residentes na ilha grega de Lesbos leva lésbicas a tribunal

        Para muitos - ou, pelo menos, para muitas - será a sétima maravilha do Mediterrâneo. Para todos, é a sétima maior ilha do Mediterrâneo. Lesbos, pedaço de terra (1630 quilómetros quadrados) alojado no Nordeste do mar Egeu, deve a sua fama à interpretação dos poemas de Safo, mulher a quem se atribuem amores homossexuais e que se calcula ter ali nascido entre 630 e 612 a. C., mais precisamente em Eressos, cidade costeira.

        Tendo Lesbos, segundo a mitologia, sido o deus patrono da ilha grega, e assim dado nome aos seus habitantes, Safo foi quem a celebrizou no mundo, inspirando a aplicação do termo lésbica para designar mulheres homossexuais. Sobre o mito, então, outro mito se criava: o de Lesbos como "santuário" das lésbicas. A abençoá-lo, a coincidência simbólica de dois picos montanhosos de altitude semelhante, como seios, dominarem o seu terreno de origem vulcânica e hoje coberto, a 40%, por oliveiras e árvores de outros frutos e, a metade dessa percentagem, por florestas de pinheiros e carvalhos. Há acasos fantásticos.

        Claro está que, do ponto de vista turístico, a ideia (de alguém, não se sabe quem) trouxe proventos. Mas, como todas as ideias vivas, também trouxe maus ventos. Por um lado, a ilha ter-se-á convertido, para algumas lésbicas de todo o mundo, no que o túmulo de Jim Morrison representa para alguns fanáticos dos The Doors, ou seja, um local de visita obrigatória. Por outro, a sua colagem a uma orientação sexual que esse mesmo mundo nunca confiou verdadeiramente ao domínio da "normalidade" tornou-se um peso contínuo sobre os ombros de alguns habitantes, em particular de alguns homens casados e respectivas mulheres, pais e respectivas filhas, irmãos e respectivas irmãs.

        Espanta é que, tendo isto tanto tempo, e estando o planeta numa era de abolição de fronteiras (geográficas, raciais, religiosas, sexuais, etc.), tal peso venha hoje, em pleno século XXI, à tona judicial e, logo, mediática. Mas aconteceu, recentemente. Foram três os naturais de Lesbos que levaram um grupo de defesa dos direitos homossexuais a tribunal por usar a palavra lésbica para definir mulheres que desejam sexualmente mulheres. Um deles, Dimitris Lambrou, queixou-se de que a irmã "não pode dizer que é lésbica", explicando não ser o recurso à justiça "um acto agressivo contra as mulheres homossexuais", mas apenas uma reivindicação para que aquele grupo, especificamente, retire a incómoda referência do seu título (chama-se Comunidade Lésbica e Homossexual da Grécia).

        A justificação de Lambrou radica na História. "A nossa designação geográfica foi usurpada por certas mulheres que não têm ligação de espécie alguma a Lesbos", reclama. Para ele, nem mesmo Safo as... safa: "Ela não era gay, mas, mesmo que fosse, como podem as pessoas da ilha ser consideradas, por isso, homossexuais? Nós somos lésbicos há milhares de anos, ao passo que essa conotação é recente." O caso vai à barra de Atenas a 10 de Junho. Portugal que se cuide, não vá o Diabo tecê-las...

        Humor à parte, é de amor que se fala. De amor próprio. De amor à liberdade. De ambos os lados: se umas (e uns, em sua defesa) lutam por se desprender de um estigma, outras (e outros, em sua defesa) lutam por se desprender de outro. Umas querem ser lésbicas no significado afectivo/sexual, outras querem sê-lo no significado patriótico. Umas querem o contrário das outras. Uma palavra divide-as. Pelos vistos, uma palavra também pode valer mais que mil imagens.


        MARCOS CRUZ
          ~ Journey Towards Angel Wings ~

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          Lesbianismo na História
          #84

          Offline BrokenAngel

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          • Membro Ultra
          • ---AloneAgain---
            • Silent Words in the Darkness
          Lesbos foi o centro de uma civilização no 6º século a.C, tendo sido o lar dos poetas Safo e Alceu. Em 428 a.C., Lesbos juntou-se à Liga de Delos numa revolta mal-sucedida contra Atenas. Aristóteles e Epicuro também moraram aqui.

          Grupo Safo???

          : )
            E quando o futuro não está nas nossas mãos? Deixamo-nos ir? Tentamos ser donos? Resignamo-nos?

            Silent Words in the Darkness 

            Homossexualidade na História do Mundo
            #85

            Kiko20

            • Visitante
            Este tópico é muito interessante.


            Li algures que o D.Pedro I foi bissexual alguém sabe mais alguma coisa sobre este assunto?

              Homossexualidade na História do Mundo
              #86

              Ogait

              • Visitante
              A do Jacinto e Apolo já conhecia, é linda ::)

              Tb existe a historia do Ganímedes e Zeus, Zeus apixonou se por ele, raptou o e levou o pro Olimpo  :)
              http://pt.wikipedia.org/wiki/Gan%C3%ADmedes_(mitologia)

                Homossexualidade na História do Mundo
                #87

                renegade

                • Visitante
                Obrigado pelo link. Aqui está um tópico em que me interessa saber mais.

                Lembro-me de um prof meu na faculdade (o João José Alves Dias, companheiro de longa data do falecido prof. A.H. de Oliveira Marques) especular em torno da possível homosexualidade do D. Afonso VI. Este é o tal que foi deposto pelo irmão (que viria a ser coroado como D. Pedro II) e pela Rainha, que conseguiu anular o casamento com o pobre D. Afonso por, julgo, o rapaz não ter o vigor necessário para o consumar...É aqui que entra a especulação sobre a homossexualidade do rei - além de ter visto a sua incapacidade física publicitada, o rei era conhecido por passear pelo bas-fond de Lisboa em companhias masculinas em grandes pândegas... Li a biografia do D. Afonso VI (publicada talvez no ano passado pelo Círculo de Leitores) e não encontrei referências a essa hipótese. Talvez tudo não passasse de uma liberdade interpretativa do prof.

                Outro era o William Beckford, inglês que viveu e passeou por cá no final do século XVIII e que se envolveu com o filho do Marquês de Marialva entre outros rapazes. O Marquês de Marialva pai tinha-o em grande conta, até o queria casar com a filha!, o que sugere que a homossexualidade era, se não bem vista, pelo menos bem tolerada pela mais alta nobreza portuguesa com acesso à corte nesta época. Esta história pode ler-se no livro das viagens do Beckford por Lisboa, publicado pela Antígona.
                Mas há muitos outros exemplos, eu é que não os conheço.
                « Última modificação: 15 de Dezembro de 2008 por renegade »

                  Homossexualidade na História do Mundo
                  #88

                  Fetch!

                  • Visitante
                  Como os homossexuais foram retratados ao longo do tempo por Hollywood;

                  The Celluloid Closet

                  The Celluloid Closet (1995) is a documentary film directed and written by Rob Epstein and Jeffrey Friedman.. The documentary interviews various men and women connected to the Hollywood industry to comment on various film clips and their own personal experiences with the treatment of LGBT characters in film. From the sissy characters, to the censorship of the Hollywood Production Code, the coded gay characters and cruel stereotypes to the progress made in the early 1990s.

                  http://en.wikipedia.org/wiki/The_Celluloid_Closet

                  O documentário pode ser visto na íntegra no Daily Motion em 5 partes; absolutamente imperdível!!!  :D

                  Aqui fica a primeira parte;



                  E a segunda;



                  O resto; http://www.dailymotion.com/relevance/search/the+celluloid+closet
                  « Última modificação: 22 de Janeiro de 2010 por Fetch! »

                    Homossexualidade na História do Mundo
                    #89

                    Offline Blackdi

                    • *****
                    • Membro Vintage
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                    • "Na vida nada acontece por acaso."
                      • Criatura da Noite
                    Obrigado pelo link. Aqui está um tópico em que me interessa saber mais.

                    Lembro-me de um prof meu na faculdade (o João José Alves Dias, companheiro de longa data do falecido prof. A.H. de Oliveira Marques) especular em torno da possível homosexualidade do D. Afonso VI. Este é o tal que foi deposto pelo irmão (que viria a ser coroado como D. Pedro II) e pela Rainha, que conseguiu anular o casamento com o pobre D. Afonso por, julgo, o rapaz não ter o vigor necessário para o consumar...É aqui que entra a especulação sobre a homossexualidade do rei - além de ter visto a sua incapacidade física publicitada, o rei era conhecido por passear pelo bas-fond de Lisboa em companhias masculinas em grandes pândegas... Li a biografia do D. Afonso VI (publicada talvez no ano passado pelo Círculo de Leitores) e não encontrei referências a essa hipótese. Talvez tudo não passasse de uma liberdade interpretativa do prof.


                    Não, estas suspeitas não se resumem a uma mera liberdade interpretativa do teu professor.  ::)

                    Apesar de ninguém o afirmar com todas as letras, muitos historiadores suspeitam de uma possível homossexualidade de Afonso VI. Quando li Catarina de Bragança de Isabel Stilwell (recorde-se que D.Catarina era irmã de D.Afonso VI e D.Pedro II), a autora também fez referência por diversas vezes ao facto de Afonso ser visto em grandes pândegas acompanhado quase sempre por companhias masculinas.

                    Além disso, factos históricos também referem que era comum rapazes serem vistos logo pela manhã a sairem do quarto do príncipe.

                    Um terceiro aspecto que também poderá ser considerado bastante relevante é o facto de Afonso ter ficado completamente destroçado aquando da usurpação do trono por parte do irmão Pedro e do exílio forçado do seu grande 'amigo', companheiro e Primeiro-Miinistro Luís Conti.

                    Homossexualidade na História do Mundo
                    #90

                    Mr.

                    • Visitante
                    A Homossexualidade na Corte de D.João VI


                    Nas comemorações do bicentenário da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, 21 de janeiro, uma revelação bombástica: D.João VI era homossexual! Ao todo são tirados do armário seis ilustres personagens da história pátria: quatro gays e duas lésbicas, todos vivendo na Corte do Rio de Janeiro. Além de mais dez "castrati" da Capela Real...


                    HOMOSSEXUALIDADE NA CORTE DE D.JOÃO VI
                    Luiz Mott
                    Professor Titular de Antropologia da UFBa


                    Para celebrar o bicentenário da chegada da Família Real ao Brasil, após realizar exaustivas pesquisas em bibliotecas e arquivos nacionais e de Portugal, o historiador Luiz Mott, realiza exposição na sede do Grupo Gay da Bahia, ?A HOMOSSEXUALIDADE NA CORTE DE D.JOÃO VI?, onde são tirados do armário seis ilustres personagens da história pátria e citados também dez ?castrati? italianos que cantavam na corte real, cuja sexualidade continua enigmática. O objetivo da exposição é resgatar a presença da homossexualidade na história do Brasil, quebrando o complô do silencio contra o ?amor que não ousava dizer o nome?.


                    D.João VI, segundo alguns historiadores, seria gordo, feio, devorador de franguinhos, covarde, ?corno manso?, despreparado para ser rei. Outros resgataram sua prudência e habilidade política, como pioneiro da modernização do Brasil, fundador de nossa primeira universidade, do Banco do Brasil e da indústria nacional. Diversos ilustres viajantes, inclusive sua nora, a Imperatriz Leopoldina, destacaram a grande bondade e amabilidade do filho da Rainha Louca: generoso, sensível, coração mole. Certa vez, de dentro de sua carruagem, ouvindo os gritos de uma escrava sendo açoitada, alforriou-a intempestivamente para livrá-la das chibatas de seu senhor.

                    A conturbada vida conjugal de D.João VI com Carlota Joaquina foi um dos capítulos mais explorados em sua biografia: desde a noite de núpcias, com a violenta mordida na orelha real desferida pela feia donzela espanhola, passando pelos seus nove filhos, dos quais quando menos cinco são atribuídos a aventuras extra-conjugais da ?Messalina de Portugal?, Carlota Joaquina, incluindo esta inconfidência do respeitado historiador potiguar, Tobias Monteiro, senador, chefe de Gabinete de Rui Barbosa e Secretário do Presidente Campos Sales, portanto, cidadão acima de qualquer suspeita, que no seu livro História do Império (1939), diz com todas as letras: ? O rei D.João VI era masturbado pelo seu favorito, o Tenente General Francisco Rufino de Souza Lobato?. E acrescenta que ao ser surpreendido em pleno ato homoerótico pelo Padre Miguel, capelão da Fazenda de Santa Cruz, local de repouso e férias da família real, ao divulgar ter testemunhado atos de intimidade homoerótica entre o Rei e seu favorito, este sacerdote foi prontamente exilado para Angola. O favorito de D.João VI, Francisco Rufino, além da patente militar, teve carreira avantajada: de simples criado íntimo Del rei, foi elevado a Barão e Visconde de Vila Nova da Rainha, sendo a pessoa de maior confiança do monarca: era seu guarda-roupa, porteiro da Real Câmara, encarregado do manto real, ?tesoureiro do bolsinho?, guarda de suas jóias e tapeçarias. Um versátil ?factótum?.

                    Alem de D.João VI e de seu favorito Tenente Coronel Francisco Rufino, certamente o gay mais notório da Corte foi Ministro dos Negócios, Marinha e dos Domínios Ultramarinos, o 5º Conde de Galveas, D. João de Almeida de Melo e Castro, (1756-1814), apelidado depreciativamente de ?Dr.Pastorinhas? por D.Carlota Joaquina, sua concorrente na disputa dos serviços sexuais de ?brejeiros e vagabundos? do porto do Rio de Janeiro. Foi o fundador do primeiro laboratório químico no Brasil. Um seu contemporâneo, assim o menciona: ?O Conde de Galveas [é portador de] um vicio antigo e porco [a que ninguém] é estranho; pois sendo homem e casado, desconhece inteiramente sua mulher, e nutre a sua franqueza com brejeiros e sevandijas [vagabundos e aproveitadores]. Por causa deste vicio, em que está mui debochado, tem padecido muitos ataques, que o paralisam totalmente; mas ele confessa que não pode passar sem a sua diária!?[Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, ?Cartas escritas do Rio de Janeiro à sua família em Lisboa, de 1811 a 1821 ? Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 1934, pag. 78.]

                    Duas resolutas mulheres da Corte Joanina são apontadas como lésbicas nas principais coletâneas internacionais dedicadas ao amor sáfico: a Imperatriz Leopoldina e sua dama de companhia, a inglesa Maria Graham, cuja coleção de cartas revela seus profundos sentimentos amorosos. Leopoldina de Habsburgo, retratada pelos biógrafos como possuidora de aparência masculina e hábitos varonis, assim escreveu à amiga inglesa: ?Nenhuma pessoa do mundo será capaz de me forçar a deixar de vos ver diariamente e dizer de viva voz, que sou, para toda a vida, vossa amiga afetuosa e dedicada...? No meu livro O Lesbianismo no Brasil (1987), comento que ?o amor romântico entre mulheres no século XIX era tão reprimido pela moral vitoriana, que muitas vezes não passou de uma espécie de masturbação literária ou epistolar. Mesmo sendo obrigadas a se casar, há forte indícios que muitas mulheres célebres, como a Rainha Maria Antonieta, a rainha Cristina da Suécia, e a própria Imperatriz Leopoldina, foram adeptas do ?amor que não ousava dizer o nome.?

                    Outro célebre homossexual vivendo na Corte Real de D.João VI a partir de 1816 foi o músico austríaco Sigismund Neukomm, aluno predileto de Haydn, compositor, organista virtuose, teórico, critico, regente, professor inclusive do jovem D.Pedro I, o qual segundo uma de nossas as principais experts na historia musical do Brasil, a profa. Cleofe Person de Mattos, ?só não teve melhor carreira no império Habsburgo por ser homossexual.? Neukomm foi quem primeiro transcreveu as modinhas brasileiras como tema musica clássica. Uma contribuição fundamental de um gay para o cancioneiro nacional.

                    D.João VI foi grande amante e mecenas da música erudita, tanto que contratou diversos castrati italianos, aos quais pagava com verba de seu próprio ?bolsinho? dez destes eunucos são citados na tese de doutorado de Alberto José Vieira Pacheco: Cantoria Joanina: A prática vocal carioca sob influência da corte de D. João VI, castrati e outros virtuoses, (Unicamp, 2007). Muito embora não se saiba ainda qual a orientação sexual destes mutilados sexuais, por suas roupas, maquiagens e maneirismos, vestindo-se de mulher nos palcos e cantando com voz feminina, os castrati eram fatalmente identificados na época com a cultura gay.

                    http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/01/410255.shtml

                      Homossexualidade na História do Mundo
                      #91

                      Offline Blackdi

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                      A Homossexualidade na Corte de D.João VI


                      Nas comemorações do bicentenário da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, 21 de janeiro, uma revelação bombástica: D.João VI era homossexual! Ao todo são tirados do armário seis ilustres personagens da história pátria: quatro gays e duas lésbicas, todos vivendo na Corte do Rio de Janeiro. Além de mais dez "castrati" da Capela Real...


                      HOMOSSEXUALIDADE NA CORTE DE D.JOÃO VI
                      Luiz Mott
                      Professor Titular de Antropologia da UFBa


                      Para celebrar o bicentenário da chegada da Família Real ao Brasil, após realizar exaustivas pesquisas em bibliotecas e arquivos nacionais e de Portugal, o historiador Luiz Mott, realiza exposição na sede do Grupo Gay da Bahia, ?A HOMOSSEXUALIDADE NA CORTE DE D.JOÃO VI?, onde são tirados do armário seis ilustres personagens da história pátria e citados também dez ?castrati? italianos que cantavam na corte real, cuja sexualidade continua enigmática. O objetivo da exposição é resgatar a presença da homossexualidade na história do Brasil, quebrando o complô do silencio contra o ?amor que não ousava dizer o nome?.


                      D.João VI, segundo alguns historiadores, seria gordo, feio, devorador de franguinhos, covarde, ?corno manso?, despreparado para ser rei. Outros resgataram sua prudência e habilidade política, como pioneiro da modernização do Brasil, fundador de nossa primeira universidade, do Banco do Brasil e da indústria nacional. Diversos ilustres viajantes, inclusive sua nora, a Imperatriz Leopoldina, destacaram a grande bondade e amabilidade do filho da Rainha Louca: generoso, sensível, coração mole. Certa vez, de dentro de sua carruagem, ouvindo os gritos de uma escrava sendo açoitada, alforriou-a intempestivamente para livrá-la das chibatas de seu senhor.

                      A conturbada vida conjugal de D.João VI com Carlota Joaquina foi um dos capítulos mais explorados em sua biografia: desde a noite de núpcias, com a violenta mordida na orelha real desferida pela feia donzela espanhola, passando pelos seus nove filhos, dos quais quando menos cinco são atribuídos a aventuras extra-conjugais da ?Messalina de Portugal?, Carlota Joaquina, incluindo esta inconfidência do respeitado historiador potiguar, Tobias Monteiro, senador, chefe de Gabinete de Rui Barbosa e Secretário do Presidente Campos Sales, portanto, cidadão acima de qualquer suspeita, que no seu livro História do Império (1939), diz com todas as letras: ? O rei D.João VI era masturbado pelo seu favorito, o Tenente General Francisco Rufino de Souza Lobato?. E acrescenta que ao ser surpreendido em pleno ato homoerótico pelo Padre Miguel, capelão da Fazenda de Santa Cruz, local de repouso e férias da família real, ao divulgar ter testemunhado atos de intimidade homoerótica entre o Rei e seu favorito, este sacerdote foi prontamente exilado para Angola. O favorito de D.João VI, Francisco Rufino, além da patente militar, teve carreira avantajada: de simples criado íntimo Del rei, foi elevado a Barão e Visconde de Vila Nova da Rainha, sendo a pessoa de maior confiança do monarca: era seu guarda-roupa, porteiro da Real Câmara, encarregado do manto real, ?tesoureiro do bolsinho?, guarda de suas jóias e tapeçarias. Um versátil ?factótum?.

                      Alem de D.João VI e de seu favorito Tenente Coronel Francisco Rufino, certamente o gay mais notório da Corte foi Ministro dos Negócios, Marinha e dos Domínios Ultramarinos, o 5º Conde de Galveas, D. João de Almeida de Melo e Castro, (1756-1814), apelidado depreciativamente de ?Dr.Pastorinhas? por D.Carlota Joaquina, sua concorrente na disputa dos serviços sexuais de ?brejeiros e vagabundos? do porto do Rio de Janeiro. Foi o fundador do primeiro laboratório químico no Brasil. Um seu contemporâneo, assim o menciona: ?O Conde de Galveas [é portador de] um vicio antigo e porco [a que ninguém] é estranho; pois sendo homem e casado, desconhece inteiramente sua mulher, e nutre a sua franqueza com brejeiros e sevandijas [vagabundos e aproveitadores]. Por causa deste vicio, em que está mui debochado, tem padecido muitos ataques, que o paralisam totalmente; mas ele confessa que não pode passar sem a sua diária!?[Luiz Joaquim dos Santos Marrocos, ?Cartas escritas do Rio de Janeiro à sua família em Lisboa, de 1811 a 1821 ? Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 1934, pag. 78.]

                      Duas resolutas mulheres da Corte Joanina são apontadas como lésbicas nas principais coletâneas internacionais dedicadas ao amor sáfico: a Imperatriz Leopoldina e sua dama de companhia, a inglesa Maria Graham, cuja coleção de cartas revela seus profundos sentimentos amorosos. Leopoldina de Habsburgo, retratada pelos biógrafos como possuidora de aparência masculina e hábitos varonis, assim escreveu à amiga inglesa: ?Nenhuma pessoa do mundo será capaz de me forçar a deixar de vos ver diariamente e dizer de viva voz, que sou, para toda a vida, vossa amiga afetuosa e dedicada...? No meu livro O Lesbianismo no Brasil (1987), comento que ?o amor romântico entre mulheres no século XIX era tão reprimido pela moral vitoriana, que muitas vezes não passou de uma espécie de masturbação literária ou epistolar. Mesmo sendo obrigadas a se casar, há forte indícios que muitas mulheres célebres, como a Rainha Maria Antonieta, a rainha Cristina da Suécia, e a própria Imperatriz Leopoldina, foram adeptas do ?amor que não ousava dizer o nome.?

                      Outro célebre homossexual vivendo na Corte Real de D.João VI a partir de 1816 foi o músico austríaco Sigismund Neukomm, aluno predileto de Haydn, compositor, organista virtuose, teórico, critico, regente, professor inclusive do jovem D.Pedro I, o qual segundo uma de nossas as principais experts na historia musical do Brasil, a profa. Cleofe Person de Mattos, ?só não teve melhor carreira no império Habsburgo por ser homossexual.? Neukomm foi quem primeiro transcreveu as modinhas brasileiras como tema musica clássica. Uma contribuição fundamental de um gay para o cancioneiro nacional.

                      D.João VI foi grande amante e mecenas da música erudita, tanto que contratou diversos castrati italianos, aos quais pagava com verba de seu próprio ?bolsinho? dez destes eunucos são citados na tese de doutorado de Alberto José Vieira Pacheco: Cantoria Joanina: A prática vocal carioca sob influência da corte de D. João VI, castrati e outros virtuoses, (Unicamp, 2007). Muito embora não se saiba ainda qual a orientação sexual destes mutilados sexuais, por suas roupas, maquiagens e maneirismos, vestindo-se de mulher nos palcos e cantando com voz feminina, os castrati eram fatalmente identificados na época com a cultura gay.

                      http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/01/410255.shtml



                      Muito interessante.  :) Não fazia a mais pálida ideia que existissem suspeitas de homossexualidade na corte de D.João VI.

                      Homossexualidade na História do Mundo
                      #92

                      Kiko20

                      • Visitante
                      Em Portugal é difícil fazer um História da Homossexualidade devido em parte ao terramoto de 1755, já que grande parte dos documentos estavam em Lisboa (sim, já nessa altura Lisboa concentrava tudo)... por exemplo, seria mais fácil provar a nossa descoberta da Austrália ou da América se não tivesse ocorrido o terramoto... mas em relação à homossexualidade, creio que se comenta sobre o Infante D. Henrique. Em tempos idos, era comum os homossexuais irem para o clero ou assumirem o celibato.

                        Homossexualidade na História do Mundo
                        #93

                        mike J

                        • Visitante
                        É verdade que no tempo da Grécia Antiga um homem podia casar-se com outro homem e as relações sexuais entre dois homens era uma coisa comum e aceitável e praticado por muitos principalmente membros da alta sociedade? :o era muito bom se eu tivesse sido desse tempo.

                          Homossexualidade na História do Mundo
                          #94

                          Offline castlox

                          • *****
                          • Membro Elite
                          • Género: Masculino
                          É verdade que no tempo da Grécia Antiga um homem podia casar-se com outro homem e as relações sexuais entre dois homens era uma coisa comum e aceitável e praticado por muitos principalmente membros da alta sociedade? :o era muito bom se eu tivesse sido desse tempo.

                          N sei se isso será inteiramente verdade. O que sei é q a homossexualidade era algo comum. Aliás a maioria dos rapazes iniciava a sua vida sexual com um professor. (N me lembro da história completa. Mas é algo do género)

                            Homossexualidade na História do Mundo
                            #95

                            Offline daemon

                            • ****
                            • Membro Sénior
                            • Género: Feminino
                            É verdade que no tempo da Grécia Antiga um homem podia casar-se com outro homem e as relações sexuais entre dois homens era uma coisa comum e aceitável e praticado por muitos principalmente membros da alta sociedade? :o era muito bom se eu tivesse sido desse tempo.
                            Não. Não se casavam. Na Grécia Antiga, as relações entre homens, aconteciam quase sempre orientadas para a formação do jovem cidadão (relações pederastas) e não exactamente orientadas ao prazer.
                            O sexo homossexual de um cidadão com outro homem de classe social inferior era tido como normal desde que o fosse o cidadão o activo.
                            Sexo entre cidadãos não era exactamente condenado mas o cidadão passivo ficava um bocado mal visto porque a sua masculinidade passava a estar em causa.
                              कर्म Toda a acção provoca uma reacção equivalente no sentido inverso

                              Gays e a evolução nos seculos...
                              #96

                              Soueu20

                              • Visitante
                              Gays e Séculos.

                              Anos: 1700´s. Homossexuais são aberrações vivas, abominações diante de Deus, que precisam ser extirpadas, por meio de fogueiras ainda acesas, pela Inquisição, em países como Portugal. Lisboa é a capital mundial do terror gay…

                              Anos: 1800´s. O Código Napoleônico declara que homossexuais têm direito de se manifestar, sem serem tratados como criminosos. Podem ser depravados, mas devem ter protegida a liberdade para expressar sua devassidão. Paris se torna a primeira grande meca gay da modernidade.

                              Anos: 1900´s. A psicanálise freudiana assevera: homossexuais não são delinqüentes, nem devassos, mas sim doentes que não prescindem de tratamento. Dêem-lhes clínica e não presídios. Viena se torna o grande manicômio simbólico dos per-vertidos (*) da sexualidade.

                              2000. Após consenso internacional, bem demonstrado na declaração da Associação Psiquiátrica norte-americana (de 1973), científica e oficialmente, de que a homossexualidade não constitui crime, nem desequilíbrio, nem distúrbio mental, mas, tão-somente, uma manifestação singular da sexualidade humana, Nova York e São Francisco, mas também Paris, Londres, São Paulo, Rio de Janeiro, Amsterdã, Compenhague e praticamente todas as grandes metrópoles da Terra são convertidas em núcleos fervilhantes e livres do universo gay.

                              2100. A homoafetividade estará sendo considerada tão natural como a heteroafetividade, e todas as cidades, de pequeno a grande porte, de todas as nações civilizadas e democráticas do planeta, serão oásis tranqüilos para as manifestações de amor entre iguais.

                              Paz

                                Gays e a evolução nos seculos...
                                #97

                                Agamemnon

                                • Visitante
                                 lol lol lol lol lol lol lol lol lol lol lol


                                Os brasileiros e a suas filosofias da história! :)

                                 :-* Welcome back!

                                  Gays e a evolução nos seculos...
                                  #98

                                  Apollo

                                  • Visitante
                                  A História do Amor e da sexualidade é muito mais complexa que  a banha de cobra vendida pela comunicação social e por alguns autores menores da moda.

                                    Gays e a evolução nos seculos...
                                    #99

                                    Offline daemon

                                    • ****
                                    • Membro Sénior
                                    • Género: Feminino
                                    No comments...
                                      कर्म Toda a acção provoca uma reacção equivalente no sentido inverso

                                       

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