rede ex aequo

Olá Visitante15.nov.2019, 23:27:06

Autor Tópico: História dos LGBT e LGBTs na história  (Lida 55824 vezes)

 
História dos LGBT e LGBTs na história
#0

XATE

  • Visitante
     Safo

      Safo, poetisa nascida em Mitilene, na ilha de Lesbos, provavelmente por volta de meados do século VII a.C, de boa família, contemporânea do poeta Alceu. À semelhança deste ela parece ter deixado Lesbos em consequência de perturbações políticas na ilha; a crer na tradição Safo teria ido para a Sicília e talvez tenha morrido lá. A poetisa refere-se a si mesma como geraitera, "um tanto idosa", num dos seus poemas. Os siracusanos erigiram em sua cidade no século IV a.C, em homenagem a Safo uma estátua sua de autoria de Silânion, roubada mais tarde por Verres.

     A poetisa parece ter sido casada e ter tido uma filha chamada Cleis; tinha também irmãos, um dos quais, Cáraxo, ela censurou por causa de uma complicação amorosa com uma cortesã egípcia chamada Dorica (Heródoto, que se refere ao caso no livro II, 135 de sua "História", confunde Dorica com Rodópis). Segundo parece Safo reuniu em torno de si um grupo de mulheres, talvez com a intenção de cultivar a música e a poesia, ou para o culto de Afrodite. Alceu dirigiu-se a ela em uma ode, da qual chegaram até nós os primeiros versos e o início da resposta de Safo.

     Uma lenda difundida pelos poetas comicos gregos relata que, tendo-se apaixonado por um certo Fáon e vendo-se repelida por ele, Safo lançou-se ao mar do alto do penhasco de Leucás em frente à costa do Épeiros. Mas isso é mero romance. A poetisa escreveu nove livros de odes, epitalamios, elegias e hinos, dos quais sobrevivem apenas fragmentos (inclusive uma ode completa e quatro estrofes de outra). Safo escreveu em dialeto eólico, e muitos dos fragmentos foram preservados por gramáticos como exemplos desse dialeto.

     O assunto principal de seus poemas foi o amor, sempre expresso com simplicidade natural, às vezes com ternura, às vezes com ardor apaixonado. Ela usou em seus poemas uma grande variedade de metros, um dos quais, o sáfico, está associado especialmente a seu nome. A sua poesia foi muito apreciada na antiguidade, tendo sido elogiada por Platão, por muitos poetas da Antologia Grega e por "Longinos" no tratado sobre o Sublime (os dois últimos preservaram dois dos fragmentos mais longos). Suas estrofes foram imitadas literalmente por Catulo em seu poema 51 (Ille me par esse deo videtur). Horácio refere-se a ela nas Odes II, xiii, 24-25, e IV, ix, 11-12 (Vivuntque commissi calores Aeoliae fidibus puellae). Ovídio escreveu em suas Heroides uma epístola imaginária de Safo a Fáon (traduzida por Alexander Pope, 1707). Safo inspirou também muitas passagens de poetas ingleses, inclusive Swinburne ("Anactoria") e Frederick Tennyson."

 
 
"Safo, a grande poetisa de Lesbos, cujas obras o Papa Gregório VII, cheio de ódio mandou queimar, seus riquíssimos versos, numa fogueira, em praça pública, epitalâmios, himeneus, poesias, excomungando a mais célebre poetisa do mundo”

 
 
 
« Última modificação: 17 de Janeiro de 2012 por Temphis »

    Re:A História Dos Povos!
    #1

    XATE

    • Visitante
    A HOMOSSEXUALIDADE NA GRÉCIA ANTIGA
    Luiz Augusto de Freitas Guimarães*

    Antes de nos aprofundarmos no tema em questão, faz-se necessário definir o que significa homossexualidade.
    Recorrendo ao dicionário Aurélio da Língua Portuguesa encontramos homossexual como relativo à afinidade, atracção e/ou comportamento sexuais entre indivíduos do mesmo sexo. No entanto, a palavra homossexual é originária do século XIX a partir do grego homo (igual) e do latim sexus. Com isso enfatizamos que na Grécia Antiga tal expressão inexistia.
    Encontramos a pederastia, que para os gregos era o
    amor de um homem (geralmente com idade acima de trinta anos) por um adolescente (entre os catorze e os dezesseis anos). A relação sexual entre pessoas
    adultas do mesmo sexo não era comum e, quando ocorria, era reprovada, principalmente entre dois homens, pois havia a preocupação com a questão da passividade. Um homem não podia ter complacencias passivas com outro homem, muito menos se este fosse um escravo ou de classe inferior.
    A prática da homossexualidade dentro do contexto da
    pederastia não era excludente. Ou seja, o facto do
    homem ter a sua esposa não era impedimento para que se relacionasse com um adolescente. E nem o facto de se relacionar com o adolescente significava o fim do seu casamento. A pederastia dificilmente alterava a imagem do homem perante a sociedade, pois o amor ao belo, ao sublime e o cultivo da inteligencia e da cultura não tinha sexo. Condenável era a busca do sexo pelo sexo.
    Além da componente etária, a relação de pederastia
    incluía a questão do status social, nesse sentido o
    homem deveria ter ascendencia intelectual, cultural e
    economica sobre o adolescente. Afinal, ele complementaria a formação do jovem, iniciando-o nas
    artes do amor, no estudo da filosofia e da moral.
    Havia toda uma ritualização envolvendo a aproximação do homem que estivesse interessado por um adolescente.
    A corte era necessária para que a relação tivesse o carácter de bela e moralmente aceite.
    Os papéis nesse caso eram bem definidos, o homem
    (erastes) fazia a corte e o adolescente (erômeno) era
    o cortejado, podendo deixar-se conquistar ou não.
    O homem, ao cortejar, presenteava, prestava favores, ia ao ginásio ver o adolescente exercitar-se (e geralmente exercitava-se nu) e praticava com ele os exercícios físicos até a exaustão, uma vez que não
    possuía o mesmo vigor físico da juventude. O adolescente, por sua vez, deveria ser gentil e ao
    mesmo tempo por à prova o amor do pretendente. A
    conquista era incerta, pois caberia ao jovem a palavra
    final.
    Quando deveria acabar a relação de pederastia? Logo que aparecesse no adolescente os primeiros sinais de virilidade, a primeira barba, que por volta dos 17 ou 18 anos já era evidente. Permanecer nessa relação após o advento da virilidade era reprovável, principalmente para o homem, já que estaria se envolvendo com outro homem.
    A relação entre pessoas do mesmo sexo teve lugar
    também em Esparta, porém com um sentido um pouco diferente da vista em Atenas. Além das relações de pederastia, eram estimuladas as relações entre os componentes do exército espartano e tinha por objetivo torná-lo mais forte. O que levava os comandantes do exército a estimular esse tipo de relação era o facto de acreditarem que um amante, além de lutar, jamais abandonaria outro amante no campo de batalha. O Batalhão Sagrado de Tebas, famoso pelas suas vitórias, era formado totalmente por pares homossexuais.
    A homossexualidade feminina também teve o seu lugar na Grécia Antiga. E, embora a mulher não ocupasse lugar de destaque e, por isso, a escassez de registros, é da antiguidade grega que provém o termo lésbica, para indicar a mulher homossexual. Lesbos é o nome da ilha onde viveu Safo, a famosa poetisa, que não escondia a sua preferencia sexual pelo mesmo sexo. E, já que citamos Safo, vale nomear outros nomes conhecidos.
    Zeus, o deus grego, enamorou-se de tal forma pelo
    jovem Ganimedes, tal era sua beleza, que o levou para o Olimpo. Teseu seduziu não apenas donzelas no labirinto, mas também os monstros. Os filósofos
    Sócrates e Platão e o legislador Sólon foram pederastas no sentido aqui explicitado.
    Na Grécia Antiga, as relações entre homens, que hoje
    nomeamos de homossexualidade, eram quase sempre orientadas para finalidades específicas e
    ultrapassavam a simples busca do prazer sexual. A
    pederastia visava a formação do jovem, tanto em
    Esparta quanto em Atenas. No exército espartano o amor entre soldados fortalecia o exército. Em nenhum dos dois casos estava excluída a relação com uma mulher, no presente ou no futuro. É com o advento do cristianismo que essas relações passam a ser vistas como pecaminosas.

    Bibliografia
    AMES, Philippe e BÈJIN, André. Sexualidades
    ocidentais. São Paulo. Brasiliense: 1982.
    DOVER, Kenneth J. A homossexualidade na Grécia antiga.
    São Paulo: Nova Alexandria, 1978.
    FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 2 - o uso
    dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1984.
    SPENCER, Colin. Homossexualidade - uma história. São Paulo: Record, 1996.
    TANNAHIL, Reay. O sexo na história. Rio de Janeiro:
    Francisco Alves, 1980.


      Re:A História Dos Povos!
      #2

      XATE

      • Visitante
      O antigo Egipto é também um referente comum na nossa
      cultura. A informação de relacionamentos entre pessoas
      do mesmo sexo não está suficientemente documentada
      apesar de que vários egiptólogos e historiadores tem
      feito suposições sobre a vida sexual dos Faraós que
      permitiria considerá-los de costumes amplos com
      relação a preferências sexuais, incluindo o incesto
      entre as muitas opções possíveis. A Tumba de
      Niankhkhnum e Khnumhotep, descoberta por Mounir Basta
      em 1964, é talvez a única prova da existência de
      relacionamentos entre indivíduos do mesmo sexo; foi
      construída para última morada de dois homens da V
      dinastia que são representados em abraços afectuosos.

      A maioria dos investigadores tem desconhecido a
      existência de relacionamentos sexuais entre indivíduos
      do mesmo sexo no continente africano, tanto no passado
      como na actualidade. Esta Quimera, como outras sobre o
      continente negro, baseia-se em casos que não se podem
      globalizar a todo um continente. Algumas das
      sociedades pré europeias propunham conceitos de
      sexualidade muito diferentes á simplificação
      colonialista mas por serem culturas fundamentalmente
      orais, muito poucos são os documentos que persistiram.
      Apesar disso, nas tradições Yoruba pode-se ver como os
      deuses se encontram intimamente sem atender às
      convenções judaico cristãs, e onde os conceitos de
      androginia, homossexualidade, bissexualidade e
      heterossexualidade vão e vem de acordo com os períodos
      da vida dos seus deuses (orishas); podemos encontrar
      patakis (relatos ligados à adivinhação do Dilogun e de
      Ifá) onde Orishas como Oggun, Shangó, Inle e Olokún
      mostram aspectos da sua sexualidade que os impediriam
      de possuir um lugar decente no panteão
      católico. O mundo mágico tinha uma grande importância
      nalgumas culturas africanas, e talvez por isso, mesmo
      na actualidade, continuam a reconhecer como sacerdotes
      (1) aqueles que se relacionam intimamente com os dois
      sexos considerando que vão mais além das limitações da
      dualidade biológica. Mas tudo isto é negado nos
      discursos pós colonialistas africanos onde é comum a
      consideração de que a homossexualidade (2) é uma
      herança dos brancos e por isso a ser erradicada do
      continente, copiando simplesmente os controles sociais
      herdados dos colonialistas e considerando anómalo o
      que presuma diminuir a carne para os canhões.

      No norte do continente americano foram os berdache que
      melhor mostraram a diferença dos conceitos com o
      sistema promovido pelos conquistadores. A sua presença
      é relatada desde a chegada dos espanhóis. A
      sobrevivência desta opção de vida até à actualidade
      deve-se em parte à importância dentro das comunidades
      indígenas de ter, no grupo familiar, alguém que possa
      assumir os papéis de guerreiro e caçador assim como o
      dos trabalhos específicos das mulheres, e também, por
      se ocuparem do campo religioso e da saúde da
      comunidade. É importante notar como a actual
      assimilação dos berdache pelo movimento GLBT os
      reduziu a drag queens, submissão que não tinha sido
      conseguida em meio milénio de presença europeia no
      continente. No sul do continente também existe
      referência nas cerâmicas das culturas prévias à
      chegada de Cristóvão Colombo; nelas os actos sexuais
      entre indivíduos de sexo masculino são comuns. Também
      tem sido documentada a preocupação de várias tribos
      amazónicas de incluir nas equipas de caça indivíduos
      do sexo masculino que possam interpretar vários dos
      papéis femininos.

      A Oceânia é rica em tradições de sexualidade fora da
      norma ocidental. Na Austrália fundamenta-se na
      importância dada ao esperma para reproduzir aspectos
      sociais. Nalgumas comunidades as crianças de sexo
      masculino, ao deixarem de ser amamentadas, são
      penetradas para receberem as características ocultas
      pelo leite das mulheres, um processo que dura até ao
      período de iniciação como homens. Noutros grupos
      também se observou que os pretendentes devem ser
      penetrados pelos pais das donzelas que cortejam como
      requisito prévio a estabelecer relações plenas com
      elas, por motivos simbólicos similares, a aceitação e
      transmissão dos nexos através do esperma.

      O continente asiático é também prolífero em tradições
      de sexualidade fora da norma judaica cristã. Como caso
      particular apresenta-se a particularidade da
      Tailândia, um dos poucos países asiáticos que nunca
      foi colonizado, e onde se faz uma diferenciação na
      representação do objecto, o fonema nasce da união do
      conceito do objecto com o sexo biológico do seu
      proprietário. Mas apesar desta dualidade, na expressão
      da sexualidade, é comum que as pessoas assumam um
      matrimonio normalizado (pelos critérios ocidentais)
      mas que considerem que a expressão total da
      sexualidade possa dar-se unicamente relacionando-se
      com indivíduos do mesmo sexo (Chia 1999). Outro caso,
      talvez mais comentado, é o da sociedade japonesa
      prévia à chegada dos portugueses e da evangelização
      católica; são vários os testemunhos literários e
      existem também algumas obras plásticas homoeróticas.
      Os diários do Padre Luis Fróis são também de menção,
      ao relatarem a evangelização do Japão em companhia do
      Padre Francisco Xavier, e ao apresentarem referência
      aos sermões com advertências ao pecado abominável que
      cometiam os Samurais.

      (1) Em Gays: Guardians of the Gates, An Interview with
      Malidoma Somé, Bert H. Hoff.
      (2) Apresenta-se aqui o termo homossexualidade por ser
      o utilizado e fazer referência aos discursos
      desactualizados que consideram as preferências sexuais
      minoritárias aberração e doença.


        Re:A História Dos Povos!
        #3

        xate

        • Visitante
        HISTÓRIAS DA SEXUALIDADE MASCULINA PARA
        ALÉM DA NORMA

        Para abrir este aspecto de uma investigação bastante
        discutível, quis-se juntar um pouco mais de lenha ao
        fogo, e recordar dois heróis bíblicos, David e
        Jónatas. O seu relacionamento é apresentado na Nova
        Bíblia dos Capuchinhos, da seguinte forma:

        Em Samuel 18.1;... o coração de Jonatas ficou
        estreitamente unido ao de David, e Jonatas começou a
        amá-lo como a si mesmo.

        Em Samuel 18.3 e 18.4:David e Jonatas
        estabeleceram um pacto, pois amava a David como a si
        mesmo. Por isso, Jonatas tirou o manto que levava e
        deu-o a David, bem como a sua armadura, a sua espada,
        o seu arco, e o seu cinturão.

        A que se referem estes dois excertos das Sagradas
        Escrituras? Poderiam identificar algum tipo de
        situação a considerar hoje em dia como União de Facto?
        Essa dúvida é comum a muitos investigadores,
        especialmente dos comprometidos com o movimento GLBT.
        É uma dúvida ajuizada pois é documentado, em
        civilizações vizinhas, no tempo e no espaço, os
        relacionamentos profundos entre guerreiros, que
        abrangiam interacção sexual. De qualquer forma, depois
        de tantos anos de censura, não seria de esperar
        encontrar uma referência clara e positiva de tal na
        Bíblia, livro basilar da Igreja Católica. Apesar
        disso, estes dois heróis podem recordar-se por terem
        posto de lado as considerações morais e sociais da sua
        época, talvez mais robustas que o próprio Golias, e
        por terem estabelecido um relacionamento profundo que
        enriqueceu as suas vidas e cujos laços sobreviveram às
        pressões da sociedade onde viviam, e continuam a ser
        recordados por isso. É interessante referir a reflexão
        do Rabino Yehuda Berg, (1) director do Kabbalah Center
        de Israel, que considera que o amor entre estes dois
        homens era o amor verdadeiro, sublinhando um troço do
        canto de luto de Davi (II Livro de Samuel, 1.28): Jonatas, meu irmão, que angústia sofro por ti!
        Como eu te amava! O teu amor era uma maravilha para
        mim, mais excelente que o das mulheres.

        As referências sobre aspectos da sexualidade fora das
        actuais normas abundam na Grécia Clássica razão pelo
        que tem sido referente obrigatório de toda
        investigação sobre o assunto. Mas é interessante notar
        que nesta civilização o que se desenvolveu foi uma
        forma complexa de relacionamento, chamada pederastia,
        que aceitava o estabelecimento temporal de laços
        profundos entre indivíduos do mesmo sexo e de idades
        diferentes (Erastos e Erosmenos). Parece ser que a
        pederastia teve um papel essencial na civilização
        grega pois assumia em grande parte a educação dos
        futuros cidadãos. A família não tinha como incumbência
        a educação dos jovens, estes eram entregues a cidadãos mais velhos que se responsabilizavam em apoiar a educação que era
        recebida nos espaços comunitários. Muitos dos documentos que sobreviveram até aos nossos dias,
        literatura, frescos, jóias, esculturas, objectos utilitários e decorativos, documentam a procura da perfeição grega, mostrando sem pudor o corpo masculino sem coberturas, e muitas vezes em relacionamentos eróticos com indivíduos do mesmo sexo mas de idades diferentes. É abundante na sua mitologia os relatos de relações fora do padrão normativo do relacionamento sexual de hoje em dia e, inclusivamente, deificaram amantes do mesmo sexo.

        Os romanos adoptaram grande parte dos costumes e
        tradições gregas com algumas adaptações. O
        relacionamento íntimo entre indivíduos do mesmo sexo
        não foi tão profundo, sendo o aspecto da sensualidade
        o mais desenvolvido. Apesar disso houve casos
        documentados que podem servir para demonstrar
        relacionamentos profundos que incluíram contacto
        sexual e cohabitação durante extensos períodos.

        Não querendo estender demasiado a informação sobre
        gregos e romanos, apresentam-se algumas histórias que
        podem ser consideradas emblemáticas:


        (1) Comunicação enviada através de
        iberoamerica@kabbalah.com em 12 de Julho de 2001,
        titulada Parashat Pinjás, em onde diz:... en
        la historia del Rey David. Yonatán, el hijo de Saúl
        sabía que si mataba al Rey David él podría ser Rey
        (como hijo de Saúl). Sin embargo él amaba tanto a
        David que ni siquiera el Reinado le importaba. Eso es
        amor verdadero; cuando estamos dispuestos a
        perder todo por amor. Por ello, David dijo,Mi
        amor por ti es mayor que mi amor por las
        mujeres.

        Alexandre Magno

        É um dos heróis mais celebrados.
        Os troços esquecidos da sua vida foram reinventados
        recentemente pela caneta de Mary Renault. A educação
        de Bagoas (um castrado persa) para o prazer dos seus
        senhores e a sua transformação em favorito do jovem
        Alexandre III de Macedónia mostram a existência de uma
        arte erótica que se perdeu e cujo vazio foi tomado na
        actualidade pela Ciência com a Sexualidade (Guash
        2000).


        Júlio César

        Este imperador, talvez o mais popular dos Césares,
        teve vários parceiros do mesmo sexo. O mais conhecido
        é o Rei Nicomedes porque o caso chegou até ao Senado
        como explicação do apoio do imperador à filha do rei,
        Nysa.

          Re:A História Dos Povos!
          #4

          xate

          • Visitante
          O Andrógino

          "De início havia três sexos humanos, e não apenas dois, como no
          presente, o masculino e o feminino, mas a estes acrescentava-se um terceiro, composto dos dois anteriores, e que desapareceu, ficando-lhe tão somente o nome. Os andróginos, seres esféricos na sua forma e movimentação, tornaram-se robustos e audaciosos, chegando até mesmo a ameaçar os deuses, com sua tentativa de escalar o Olimpo. Face ao perigo iminente, Zeus resolveu cortar o andrógino em duas partes, encarregando seu filho Apolo de curar as feridas e virar o rosto e o pescoço dos operados para o lado em que a separação havia sido feita, para que o homem, contemplando a marca do corte, o umbigo, se tornasse mais humilde e, em consequencia, menos perigoso. Deste modo,
          o senhor dos imortais não só enfraqueceu o ser humano, mas fê-lo
          carente; porque cada uma das metades pos-se a buscar a outra
          contrária, numa ansia e num desejo de se re-unir para
          sempre. Eis aí, consoante a Platão, a origem do amor, que as
          criaturas sentem umas pelas outras: o amor tenta recompor a natureza primitiva, fazendo de dois um só, e, desse modo, restaurar a antiga perfeição. É conveniente, porém, acrescentar que não havia tão somente o andrógino, mas também duas outras fusões, igualmente separadas por Zeus; a saber, de mulher com mulher e de homem com homem, o que explica, no discurso de Aristófanes, a homossexualidade masculina e feminina."

          MITOLOGIA GREGA – Volume III

          (Capítulo I – Introdução ao mito dos heróis; páginas 34 e 35)

            A História da Homossexualidade
            #5

            xate

            • Visitante
            :) Arooooooooooooo a tod@s :)


            Ando-me a divertir imenso a ler textos sobre a história da homossexualidade, "muito por culpa" de uns meninos do outro lado do oceano. E espero ainda ter mais material, graças ao migo Andrew :)


             :) Desculpem a expressão, mas :)


             :) Acho que é bem  :) partilhar :)


            Por isso faço o convite, se vocês também têm acesso a documentos, partilhem ;)

              Re:A História da Homossexualidade
              #6

              xate

              • Visitante
              Gays e aceitação social
              Uma trajetória contra o preconceito
              Theo André
               
               
              A História caminha a passos largos no desenvolvimento da causa gay. As punições em nome da religião e as discriminações em nome da ciência e da moralidade mostram cada vez mais a sua falta de embasamento. Hoje as sociedades estão compreendendo que a homossexualidade não é boa nem má, sendo apenas uma condição natural que esteve sempre presente em toda a história da humanidade. A cronologia abaixo mostra que a história levará inevitavelmente a uma fase de aceitação da diversidade. Os factos relacionados evidenciam avanços e recuos, mas o saldo positivo solidifica a supremacia dos direitos humanos.
               
               
              1476 (09 de abril) - Leonardo da Vinci comparece perante o tribunal de Florença para responder à acusação de sodomia, juntamente com um tal de Baccino alfaiate, Jacopo Saltarelii ourives, Bartolomeo de Pasquino ourives e Lionardo de Tornabuoni que, como Saltarelli, vestia-se de negro. A pena legalmente prevista, a morte na fogueira. Acabaram absolvidos por falta de provas. Ninguém testemunhou contra os cinco homossexuais, especialmente para não se indispor com Lourenço de Médicis, soberano da cidade toscana e primo de Tornabuoni. A absolvição permitiu que Leonardo da Vinci vivesse mais 43 anos deixando um acervo incomparável de obras artísticas, científicas e culturais. Uma fogueira chegou perto de privar o mundo de um dos homens mais extraordinários de todos os tempos. Quem passou pelas amarguras da homossexualidade foi também o seu contemporaneo, Michelangelo Buonarntti. Viveu uma vida de asceta e de trabalho, dilacerando-se entre as paixões que lhe permiti­ram criar o "Juízo Final" da capela Sistina no Vaticano e sua religiosidade de cristão convicto. Dele é a frase, "O meu contentamento é a melancolia".
              1521 - As Ordenações Manuelinas, o mais antigo Código Penal aplicado no Brasil previa a pena de morte na fogueira, confisco de bens e a infamia sobre os filhos e descendentes do condenado por sodomia  
              1823 - No Brasil a Constituição do Império, no seu Código Penal determinava: "toda pessoa, de qualquer qualidade que seja, que pecado de sodomia por qualquer maneira cometer, seja queimado, e feito por fogo em pó, para que nunca de seu corpo e sepultura possa haver memória, e todos os seus bens sejam confiscados para a Coroa de nosso Reino, posto que tenha descendentes; pelo mesmo caso seus filhos e netos ficarão inábiles e infames, assim como daqueles que cometeram crime de Lesa Majestade".
              1830 - Um novo e avançado Código Criminal, inspirado nos ideais iluministas franceses, é sancionado no Brasil. Nele elimina-se a figura jurídica da sodomia.
              1846 - Para aplacar a grande grande quantidade de uranistas (homossexuais), o Rio de Janeiro, por iniciativa oficial, importa prostitutas européias.
              1869 - O médico austro-húngaro Karoly Maria Benkert cria o termo homossexual que passa a ser usado amplamente, passando o homossexualismo a ser tratado como categoria científica, uma "anomalia" a ser estudada pela ciência.
              1897 - Surge o Comité Científico Humanitário, primeiro grupo dedicado à defesa dos direitos de homossexuais. O seu fundador é o médico Magnus Hirschfeld, alemão de origem judaica.
              1917 - Na Rússia bolchevique, o governo extingue antigas leis contra actos homossexuais.
              1920 - Magnus Hirschfeld abre em Berlim, o Instituto de Ciências Sexuais, que se mantém único e foi altamente comentado pelo mundo.
              1928 - Em uma tese defendida na Faculdade de Medicina de São Paulo o médico-legista Viriato Fernandes Nunes alertava: "Toda perversão sexual atenta violentamente contra as regras sociais" e "estes criminosos tem perturbadas as suas funções psíquicas".
              1930 - Homossexuais são encaminhados ao Laboratório de Antropologia Criminal de São Paulo. São alvo de pesquisas biológicas.
              1930 - Comissão legislativa cria um projecto de novo Código Penal para o Brasil, que previa que os "actos libidinosos entre indivíduos do sexo masculino serão reprimidos, quando causarem escandalo público, impondo-se a ambos os participantes detenção de até um
              ano". Este código não foi aprovado e no Código Penal de 1940 a recomendação não foi incluída.
              1935 - Equipe do Laboratório de Antropologia do Instituto de Identificação do Rio de Janeiro, estuda a constituição morfológica de 184 homossexuais visando identificar caracteres biotipológicos.
              1942 - Entre 50 mil e 80 mil homossexuais são presos nos campos de concentração na Alemanha. Os nazis os estigmatizam com um triângulo rosa nos uniformes de trabalho.
              1946 - Nasce, ao fim da Segunda Guerra, a Associação dos Homossexuais Holandeses. Conhecida pelo discurso de vanguarda, a associação continua em actividade.
              1948 - Alfred Charles Kinsey, biólogo e estatístico norte-americano, publica Sexual behavior in human male (Comportamento sexual do macho humano). Kinsey é responsável pelo chamado "mito dos 10%". Ele surpreendeu o mundo inteiro ao concluir que um em cada dez homens é homossexual, propagando a idéia de que a homossexualidade é muito mais comum do que se pensava.
              1954 (7 de junho) - Suicida-se Alan Turing, matemático homossexual e inventor da Colossus, precursora do moderno computador, com a qual os ingleses decodificaram os códigos secretos de Adolf Hitler e mudaram o rumo da Segunda Guerra. Em 1952 Turing havia sido preso pela polícia inglesa acusado de indecência (homossexualidade), tendo que interromper as suas
              pesquisas e ser submetido a tratamento correctivo à base de hormonas.
              1955 - O teólogo anglicano Derrick S. Bailey publica o primeiro desafio sério contra a condenação bíblica da homossexualidade, intitulado Homossexuality and western Christian tradition (Homossexualidade e tradição cristã ocidental). É nesse livro que aparece a tese de que Sodoma e Gomorra foram destruídas não por causa das práticas homossexuais, mas por falta de hospitalidade.
              Tal explicação produziu um grande alívio entre os
              homossexuais.
              1961 - O filme britanico Victim torna-se o primeiro filme em língua inglesa onde é pronunciada a palavra "homossexual". Pela primeira vez um homem diz a outro:"I love you".
              1968 - Activistas homossexuais fazem demonstrações públicas, uma na convenção da Associação Médica Americana, em São Francisco, e outra na Escola de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Colúmbia, onde se realizava um congresso sobre homossexualidade. Usam panfletos, fazem protestos e apelos ao senso público de justiça para colocar suas posições.
              1968 (6 de outubro) - Troy Perry, ex-pastor pentecostal, funda a primeira denominação evangélica gay, com o pomposo nome de Universal Fellowship of Metropolitan Community Churches (UFMMC). Nessa altura, Perry, de 28 anos, divorciado da esposa, já havia sido excluído da Igreja de Deus, carismática, pela sua conduta homossexual. A Universal Felloship é tida como a maior organização que congrega homens e mulheres homossexuais, com cerca de 300 igrejas em pelo menos dez países, inclusive, por último, o Brasil.
              1969 (28 de junho) - Nove detectives à paisana entram no bar Stonewall, no bairro Greenwich Village, em Nova York, expulsam cerca de 200 fregueses que lá estavam e prendem o gerente, um porteiro e três travestis. Ao se retirarem do bar com os detentos, encontram uma multidão irritada, que começa a atirar-lhes pedras e garrafas. Os policias entrincheiram-se dentro do bar até chegada de reforços. O tumulto envolve a polícia e cerca de 400 manifestantes, e só acaba 45 minutos depois. Os distúrbios de Stonewall dão origem ao Gay Power (poder gay) e marcam o início do protesto público contra a discriminação de homossexuais. A data 28 de junho passa a ser "o dia do orgulho gay".
              1969 (16 de julho) - Três semanas depois dos distúrbios de Stonewall, uma igreja episcopal de Nova York abre as suas portas para o segundo encontro de planejamento do Gay Power. Nessa altura o homossexual Robert Williams já tinha sido ordenado pastor episcopal.

                Re:A História da Homossexualidade
                #7

                Offline Proust

                • **
                • Membro Júnior
                • Género: Masculino
                Aqui deixo uma lista resumida de alguns autores / investigadores nacionais, brasileiros e outros que estudaram o tema da homossexualidade na história, tendo todos obras ou/e artigos dedicados ao assunto:

                1) Josiah Blackmore
                2) Gregory S. Hutcheson
                3) Asdrúbal de Aguiar  
                4) Ronaldo Vainfas
                5) Luiz Mott
                6 )Susana T. Pereira Bastos
                7) Alberto Pessoa
                8) João Alves Dias

                Para quem estiver interessado, desejo muitas e boas  :book
                  "Os Antepassados cantaram o seu caminho através de todo o mundo (..) caçaram, comeram, fizeram amor, dançaram, mataram: por onde passaram deixaram um trilho de música" (Bruce Chatwin)

                  Re:A História da Homossexualidade
                  #8

                  Offline Azuth

                  • *****
                  • Membro Elite
                  • Género: Feminino
                    • No one is there!
                   :) Obrigada pelas dicas Proust ;)


                  1970 - O movimento radicaliza-se com a criação da
                  Frente de Libertação Gay, em Londres. Dois anos
                  depois, a primeira marcha do Orgulho Gay reúne 2 mil
                  participantes.
                   
                  1973 (15 de dezembro) - A American
                  Psychological Association (APA) retira a homossexualidade da sua lista de disfunções, que até então era um desvio sexual. E anteriormente a isso era considerado um distúrbio de personalidade (até 1968). A decisão foi tomada sob pressão muito forte da parte dos líderes dos movimentos favoráveis à homossexualidade e num ambiente de intimidação.
                   
                  1974 (abril) - Reúne-se a assembleia da American Psychological Association para referendar a decisão da tomada quatro meses antes. Dos cerca de 10 mil votantes, 40% opõem-se à decisão de "normalizar" a homossexualidade. Os 60% restantes votam a favor. O resultado, afirma o psiquiatra Ronald Bayer, "não foi uma conclusão baseada na aproximação da verdade científica ditada pela razão, mas, antes, foi uma acção exigida pela emoção ideológica da época".
                  Esse comentário tem muito valor especialmente porque Bayer era simpático à causa homossexual. Trabalhos como os da Dra. Evelyn Hooker, apresentados nos Encontros da American Psychological Association, em 1954, e Western Psychological Association, em 1956, também eram favoráveis à revisão de conceitos, pois concluíam que os homossexuais eram tão bem resolvidos e ajustados como os heterossexuais.
                   
                  1976 - Dois anos depois de os luteranos terem organizado os Luteranos Interessados, outros grupos de homossexuais foram formadas no cristianismo: a Afirmação, entre os metodistas unidos; o Integridade, entre os episcopais; o Dignidade, entre os católicos; o Afinidade, entre os adventistas do sétimo dia; a Convenção de Lésbicas Católicas; os Amigos dos Assuntos que Interessam a Lésbicas e Gays, entre os quacres; e a Associação para Assuntos de Lésbicas e Gays, na Igreja de Cristo Unida.

                  1976 - O pastor episcopal de renome e escritor de sucesso Malcoln Boyd revela sua condição de homossexual por meio do documento Off the mask.

                  1977 (janeiro) - A Igreja Episcopal de Nova York ordena a primeira pastora assumidamente lésbica.
                  1977 - Tem início o San Francisco's International Gay and Lesbian Film Festival.

                  1977 - Os homossexuais peruanos em Lima e os húngaros em Budapeste, realizam as primeiras paradas do orgulho gay.
                   
                  1978 - Letha Scanzoni e Virginia Ramey Mollenkott publicam Is the homossexual my neighbor? um livro a favor dos homossexuais cristãos, que conseguiu obter lugar nas prateleiras de livrarias cristãs e elogios da parte de críticos seculares e cristãos em revistas sérias, como Christianity Today, The Christian Century, The Journal of the Evangelical Theological Society e The Christian Ministry.

                  1979 - Uma pesquisa realizada pelo periódico Medical Aspects on Homosexuality entre 10 mil psiquiatras revela uma preocupante discrepancia entre a posição oficial da Associação Americana de Psiquiatria e a opinião de muitos dos seus membros. Dos entrevistados, 60% disseram que os homossexuais eram menos capazes de "relacionamentos maduros e amorosos" do que os heterossexuais. E 69% disseram "sim" à pergunta: "A homossexualidade geralmente representa uma adaptação patológica?"


                  Re:A História da Homossexualidade
                  #9

                  Offline Emanem

                  • *****
                  • Membro Elite
                  • Género: Feminino
                  • Será loucura? Não... é paixão!



                  Decidi imprimir tudo para ler com calma. Obrigada Xate!  ::)
                    Abraça a vida com paixão, vence com ousadia, pensa com classe! Ri, chora, ama! Melhor que tudo é viver cada segundo sem medo! O que importa mesmo é sermos felizes! :)

                    Re:A História da Homossexualidade
                    #10

                    Offline Azuth

                    • *****
                    • Membro Elite
                    • Género: Feminino
                      • No one is there!



                    Decidi imprimir tudo para ler com calma. Obrigada Xate!  ::)


                     :-[ Xate não gosta que lhe agradeçam (nem de receber elogios), fica embaraçada  :-[ acho que é o meu eu tímido a manifestar-se  :-[

                     ;D Obrigada Emanem, por me lembrares que me tenho esquecido um pouco (é favor) deste tópico  ;D

                     :)  :-*

                    Re:A História da Homossexualidade
                    #11

                    Offline HLuso

                    • *****
                    • Membro Elite
                    • Género: Masculino
                    • Nós somos as palavras que escrevemos....
                    Mais importante que imprimir estes fantáticos textos (aliás tb o fiz)..é mesmo divulga-los...são excelentes!!!!!
                      Nascer HOMOSSEXUAL num Pais tão homofobico, foi destino!!!....Alguem ainda ha-de cantar este fado...!!!;)

                      Re:A História da Homossexualidade
                      #12

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                      1990 - A médica norte-americana Judith Reisman põe por terra todas as conclusões e os métodos do biólogo Alfred Kinsey, com a publicação do livro Kinsey, sex and fraud: the indoctrination of a people.
                      Uma das descobertas de Reisman é que 25% dos homens que Kinsey pesquisou eram prisioneiros, em especial criminosos sexuais. Isso quer dizer que os dados do livro Comportamento sexual do macho humano, publicado 42 anos antes, não foram tomados de uma população que representava com exactidão os homens americanos. O livro de Reisman e estudos subsequentes desautorizaram, ainda que tardiamente, o mito de que 10% da população masculina dos EUA seriam homossexuais.
                       
                      1990 - Troy Perry, fundador da primeira denominação cristã homossexual (outubro de 1968) publica seu segundo livro: Don't be afraid anymore.
                      O primeiro (The Lord is my shepherd and he knows I'm gay) saiu 18 anos antes.
                       
                      1991 (agosto) - O pesquisador norte-americano Simon Le Vay, estudando as células do hipotalamo de homossexuais e heterossexuais masculinos e femininos, descobriu que elas tinham tamanhos diferentes para cada grupo. Foram realizadas, ao todo, 41 autópsias de pacientes falecidos em consequencia da Sida. Entre mulheres, homens heterossexuais e homens homossexuais.
                      O pesquisador concluiu, que as células do hipotalamo
                      dos homossexuais, tem um tamanho menor do que as obtidas nas autópsias do hipotalamo de homens e mulheres heterossexuais. Tal descoberta remonta a uma relação directa entre orientação afectivo-sexual e a conformação celular do hipotalamo. É importante salientar que o hipotalamo é a região do cérebro responsável pela elaboração das emoções e dos sentimentos eróticos. A pesquisa, que foi publicada na revista Science, não é conclusiva como comprovação da teoria genética, pois não há como provar que as células do hipotálamo dos homossexuais estudados já eram de tamanho inferior desde o nascimento ou "diminuíram" posteriormente. Por outro lado, não se tem notícia de redução de tamanho nesses grupos celulares, e este trabalho, mesmo não sendo conclusivo, suporta a hipótese de que a homossexualidade pode ser "inata".
                       
                      1991 - A Organização Mundial de Saúde também passa a desconsiderar a homossexualidade como doença.

                      1993 (julho) - A revista Science publicou uma pesquisa que estava sendo desenvolvida pelo instituto Nacional do Cancro, dos Estados Unidos, sob a coordenação do professor Dean Hamer. Hamer selecionou 76 homens homossexuais, e passou a estudar os seus familiares paternos e maternos. O resultado do estudo mostrou que entre os familiares paternos do pesquisado havia a incidência de 2% de pessoas homossexuais, índice que crescia para 7,5% quando se tratava do lado materno. Isso levantou a hipótese de que a homossexualidade estaria vinculada a um factor genético do lado materno, mais directamente relacionado com o cromossoma X. A equipa de Hamer também seleccionou, posteriormente, 40 pares de irmãos homossexuais, que não tinham características semelhantes. Dentre essas 40 duplas, 33 deles, ou seja, 82,5%, tinham a mesma sequência de DNA de uma parte do cromossoma X da mãe. (Castro, 1994)
                       
                      1993 - Os produtores Teodoro Maniaci e Francine Rzenik filmam um documentário de 90 minutos sobre o Exodus International (entidade de apoio ao homossexual que deseja abandonar seu estilo de vida), sob o título One nation under God (Uma nação sob Deus). O filme reproduz entrevistas com homossexuais que tentaram inutilmente assumir o estilo heterossexual com o auxílio de ministérios como o do Êxodus. O propósito do documentário é provar, só com o peso dos testemunhos e da emoção, que nenhum homossexual jamais poderá viver de outro modo.

                      1993 (12 de março) - O vereador Ronildo dos Santos, da cidadezinha de Coqueiro Seco, no estado de Alagoas, após confessar-se bissexual num programa de rádio, passou a sofrer ameaças de morte, tendo sido afastado da Câmara Municipal e depois sequestrado e assassinado. Ele foi decapitado, tendo os órgãos sexuais mutilados, as pernas quebradas e os dedos e unhas da mão arrancadas. A sua cabeça foi encontrada boiando num rio, sem olhos, língua e orelha e com dois tiros no ouvido. O seu nome foi conferido ao Prémio da Associação Bissexual da Austrália, em 1993.
                       
                      1994 - Greg Louganis assume oficialmente a sua homossexualidade durante os IV Gays Games, em New York. Em 1982, ele foi campeão olímpico de saltos ornamentais e o primeiro a receber nota 10 de todos os jurados numa competição internacional.

                      1994 - John Boswell, autor do mais importante livro em defesa da homossexualidade, morre de Sida.

                      1994 - O canal PBS projeta o documentário de Teodoro Maniaci e Francine Rzenik na sua série "Pontos de Vista". Pela primeira vez, os Estados Unidos são expostos aos argumentos dos homossexuais cristãos que zombam da idéia de que alguém pode mudar a sua orientação sexual, mesmo por Cristo.

                      1995 - Com 14 anos de atraso, saem as duas primeiras refutações ao livro Christianity, social tolerance and homosexuality do professor homossexual John Boswell. Thomas E. Schimidt publica Straight & narrow? Compassion and clarity in the homosexual debate. E Marion Soards publica Scripture and homosexuality: Biblical authority and the Church today. O primeiro foi publicado pela
                      Intervarsity Press. Porque morreu no ano anterior,
                      Boswell não teve oportunidade de ler esses dois
                      livros.

                      1996 - Doze anos depois de abandonar a Metropolitan Community Church e o estilo gay, Joe Dallas, aos 42 anos, publica A strong delusion, o livro de Joe Dallas é de um valor inestimável, sobretudo porque trata os homossexuais com respeito e as Escrituras Sagradas com mais respeito ainda. Dallas conhece e cita uma quantidade enorme de autores comprometidos com o movimento cristão gay. A strong delusion é dedicado à liderança de Êxodus Internacional, com o seguinte recado: "Fiquem firmes".
                       
                       

                      Re:A História da Homossexualidade
                      #13

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                      1996 - Uma organização municipal de Londres
                      publicou um livro chamado "As Cores do Arco Iris", que dizia: "homossexualidade e heterossexualidade -ambas são igualmente válidas". A partir deste guia, de 160 páginas, a oposição à política de algumas
                      administrações regionais de Londres (quase todas em mãos dos trabalhistas da época) cresceu e levou à inclusão do parágrafo 28, na lei que rege a conduta municipal.
                       
                      1997 - A 1º Parada GLBT, no Brasil, reúne 2.000 pessoas em São Paulo.
                       
                      1998 - Em 1988, na Inglaterra a lei que disciplina as municipalidades incluiu uma cláusula - a de número 28 - pondo fim a qualquer acção nas salas de aula para exortar a aceitabilidade da relação homossexual como sendo uma relação familiar.
                       
                      1998 (outubro) - Matthew Sheppard, 22 anos, caloiro da Universidade de Wyoming, é assassinado com requintes de crueldade por dois colegas homofóbicos nos Estados Unidos. Ele foi sequestrado à mesa de um bar e levado num camião até uma área deserta, na periferia da cidade. No local, Russel Henderson, 21 anos e Aaron McKinney, 22, sob os olhares das namoradas, bateram e feriram-no a golpes de murros e facas, enquanto ele implorava pela vida.

                      1998 - Arqueólogos austríacos encontraram na fronteira da Áustria com a Itália, nos Alpes, um corpo congelado datando de 14000 anos atrás. Tratava-se de um guerreiro da idade da pedra, que estava perambulando pelos Alpes quando deve ter sido pego por uma nevasca e sucumbiu. Graças às baixas temperaturas, o guerreiro, que pelas tatuagens pode também ser identificado como chefe da tribo, foi preservado intacto. Estudos minuciosos concluíram que se tratava de um homossexual, pois haviam resquícios de esperma, com características sanguíneas diferentes da sua, no seu recto. Isto remete que a homossexualidade era natural na espécie humana (assim como é nos leões) antes do
                      aparecimento da cultura Judaico-Cristã.
                       
                      1999 (maio) - Sete casais homossexuais unem-se civilmente, pela primeira vez na Alemanha, na cidade de Hamburgo, a única a aceitar legalmente este tipo de união.

                      1999 (13 de junho) - A Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano condena um padre e uma freira norte-americanos, Robert Nugent e Jeannine Gramick, a cessarem as suas atividades no movimento de homossexuais católicos. A notificação, datada de 31 de maio e publicada nesta data, determina que os religiosos não deverão mais ocupar-se com a pastoral dos homossexuais e não serão eleitos, "por tempo indeterminado", para
                      ocupar cargos nas suas ordens religiosas. De acordo com o documento, a sanção foi resultado das opiniões "ambíguas" defendidas pelos religiosos - autores de dois livros sobre catolicismo e homossexualidade - e que desde 1984 tornaram-se posições "disformes" a respeito da doutrina católica. A causa da sanção foram as afirmações dos dois religiosos norte-americanos com relação à "malícia intrínseca dos actos homossexuais e a desordem da inclinação homossexual", como sustentam os documentos do Vaticano de 1976 e 1987, reafirmados pelo Catecismo. A notificação afirma que o padre Nugent e a freira Gramick "mostraram uma clara compreensão conceitual dos ensinamentos da Igreja sobre a homossexualidade, porém se abstiveram de difundir qualquer adesão a este ensinamento". O texto do Vaticano acrescenta ainda que "algumas declarações dos religiosos eram incompatíveis com os ensinamentos da Igreja e que a divulgação desses erros por meio das suas publicações e das suas actividades estavam a
                      preocupar os bispos dos Estados Unidos".

                      1999 (4 de julho) - Em Kohln, na Alemanha cerca de 600 mil pessoas participam da passeata gay. Eles protestam contra a discriminação sexual e exigem plena igualdade de direitos. Ao ritmo de música "techno", os gays alemães e de outras partes da Europa desfilam em carros alegóricos cantando e dançando pelas ruas do centro da histórica cidade alemã. Entre as várias personalidades presentes na parada, que comemora os 30 anos da luta pelos direitos dos homossexuais, estava a ministra da Saúde Pública, Andrea Fischer (Partido Verde). "A minha presença tem por objectivo destacar que
                      também o governo considera necessário melhorar os
                      direitos das lésbicas e homossexuais masculinos", disse a ministra.

                      1999 - Publicado nos Estados Unidos um dos trabalhos mais completos sobre a natureza homossexual:
                       
                      - Biological Exuberance - Animal Homosexuality and
                      Natural Diversity. O livro de de Bruce Bagemihl é uma revisão bibliográfica formidável, sobre os trabalhos "esquecidos" nas gavetas de Zoólogos de todo mundo. Bagemihl analisou 450 espécies, principalmente de mamíferos e aves, todas praticantes, em maior ou menor grau, de hábitos
                      homossexuais. O livro mostra que as relações
                      homossexuais na natureza não são confusão do instinto, aberração ou falta de femeas. A maioria dos animais homossexuais são assim porque são. Existem alguns casos, como o dos leões, em que há vantagens na relação macho macho. Sendo bissexuais os leões criam os filhotes juntos,
                      aumentando a taxa de sobrevivencia de seus genes.
                      Bagemihl também assinala que o homossexualidade animal é muito comum em quase todas as espécies de mamíferos, às vezes até 27% dos indivíduos de uma população da mesma espécie. O livro dispensa comentários.

                      1999 (13 de outubro) - A França aprova o chamado Pacto de Solidariedade Civil, uma polémica lei que concede mais direitos a casais não-casados, sejam hétero ou homossexuais.

                      1999 - Site da internet de conteúdo nazista, hospedado no provedor StarMedia, coloca no ar 18 receitas para confecção de bombas caseiras. O site fornece detalhes sobre como montar as bombas além de orientar seus autores a evitar acidentes. Há ainda um "manual do terrorista" ensinando como se comportar e não deixar pistas de seus actos. Entre diversos ataques a negros, judeus, homossexuais e nórdicos, a página faz apologia a Adolf Hitler e traz fotos do líder alemão junto com imagens de judeus mortos.

                      2000 (01 de janeiro) - Na Bélgica começa a vigorar uma lei aprovada em 1998 que permite a união de pessoas do mesmo sexo

                      Re:A História da Homossexualidade
                      #14

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                      1980 - Pelo menos oito livros a favor da posição homossexual já estão no mercado:

                      - Homosexuality and the western Christian tradition

                      - Homosexual behavior among males

                      - Jonathan loved David

                      - Homosexuality and counseling

                      - The Church and the homosexuality

                      - The Lord is my shepherd and he knows I'm gay

                      - Time for consent

                      - Another kind of love

                      A maioria deles foi publicada por editoras importantes (Westminster Press, SCM Press e Thomas Moore Press).

                      1981 (setembro) - John Boswell, por muitos anos professor de História na Universidade de Yale, publica Christianity, social tolerance and homosexuality. O professor apresenta dois argumentos básicos:

                      1) a Igreja nem sempre desaprovou a
                      homossexualidade;

                      2) os textos bíblicos que parecem condenar a homossexualidade na verdade não se referem
                      à homossexualidade, mas a várias outras formas de
                      imoralidade.

                      Boswell, porém, além de homossexual, não é "nem um linguista, nem um especialista em literatura, mas um historiador", como observa Elodie Ballantine Emig, a sua contestadora.

                      1981 (9 de setembro) - A Universal Fellowship of Metropolitan Community Churches, denominação que abriga gays no seu seio, fundada 13 anos antes por Troy Perry, solicita a sua filiação no Conselho Nacional de Igrejas (americano). Embora ecumenico e liberal, o Conselho nega o pedido e explica que qualquer tentativa de filiação seria uma "burrice
                      impertinente".
                       
                      1987 - O biólogo americano W.J. Tennent publicou um artigo intitulado "Nota sobre a Aparente Queda dos Padrões Morais da Lepidoptera". Após descrever a homossexualidade das borboletas de Marrocos, afirmou:
                       
                      "Talvez seja um sinal dos tempos o facto de a
                      literatura entomológica estar no caminho da decadencia moral e das ofensas sexuais". O cientista achou a imoralidade nas borboletas.
                       
                      1987 - Em Amsterdam, Holanda, é inaugurado o Homomonument, criado por Karin Daan. O monumento tem três triângulos rosa de granito, em homenagem às vítimas de homofobia.

                      1989 - A pastora Sylvia Pennington publica uma crítica mordaz ao movimento de ex-homossexuais com o título:

                      Ex-gays? There are none!  

                      O livro contém histórias de homens e mulheres que tentaram inutilmente mudar da homossexualidade para a heterossexualidade. Este é o primeiro ataque pesado a qualquer movimento cristão de auxílio aos
                      homossexuais. A partir daí o debate entre os
                      "homossexuais cristãos" e os "ex-homossexuais"
                      torna-se comum em programas de televisão e na
                      imprensa.
                       
                      1989 - A Dinamarca torna-se o país pioneiro em permitir o casamento gay. Actualmente o país garante todos os benefícios sociais ao casal, só proibindo a adopção de crianças.

                      Re:A História da Homossexualidade
                      #15

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                      b]2000 (01 de janeiro) [/b] - Na Bélgica começa a vigorar uma
                      lei aprovada em 1998 que permite a união de pessoas do
                      mesmo sexo.

                      2000 (21 de janeiro) - É lançado o livro "Violação dos
                      Direitos Humanos e Assassinatos de Homossexuais no
                      Brasil", feito pelo Grupo Guei da Bahia com o
                      patrocínio da Unesco e entidades alemãs. Segundo
                      denúncia a publicação, o Brasil é campeão mundial em
                      assassinatos de gueis e São Paulo o Estado onde mais
                      se mata homossexuais. De acordo com o levantamento do
                      GGB, que serve de base para o livro, em 1999 foram
                      assassinados no País 169 gueis, travestis e lésbicas.
                      Em 1998 foram 116 mortes. Para se ter uma idéia de
                      como esse número é alarmante, nos Estados Unidos,
                      ocorreram nos últimos dois anos 150 casos de
                      assassinatos de homossexuais. Das 169 mortes de 1999,
                      31 foram em São Paulo, 26 em Pernambuco e 19 no Rio de
                      Janeiro

                      2000 (12 de janeiro) - Atendendo à determinação de uma
                      Corte Européia, a Grã-Bretanha anuncia o fim imediato
                      de sua antiga proibição contra homossexuais no
                      Exército. "Como não é requerida legislação primária ou
                      secundária, a homossexualidade não será mais uma
                      barreira nas forças armadas da Grã-Bretanha", disse o
                      secretário de Defesa Geoff Hoon, na Câmara dos Comuns.
                      Entretanto, continuam proibidas manifestações de
                      carinho entre os "parceiros" no meio da tropa.

                      2000 (06 de fevereiro) - Na Praça da República em São
                      Paulo, o adestrador de cães Edson Neris e o amigo
                      Dario Pereira Netto são surpreendidos, de mãos dadas,
                      por uma gangue de skinheads da organização neonazista
                      auto denominada Carecas do ABC. São atacados e Neris
                      morre. Seu amigo consegue escapar.

                      2000 (10 de fevereiro) - Na Câmara dos Comuns, na
                      Inglaterra, foi aprovada a redução da maioridade dos
                      homossexuais de 18 anos para 16 anos, colocando-os no
                      mesmo plano dos héteros que para relações sexuais já
                      são maiores naquela idade.

                      2000 (22 de fevereiro) - O bancário brasileiro Joaquim
                      de Abreu de 47 anos, vítima de um atentado cometido
                      por quatro skinheads em São Paulo, pede asilo nos EUA.
                      A Corte de Imigração de São Francisco, na Califórnia,
                      em audiência prevista para o dia 20 de março, vai
                      decidir sobre a concessão do asilo. Ele é garçom num
                      restaurante e milita no movimento guei da cidade. No
                      pedido de asilo, os advogados de Abreu descrevem o
                      Brasil como "uma sociedade homofóbica que não pode
                      garantir a segurança dos cidadãos". A juíza Beverly
                      Philips aceitou a inclusão nos autos de um relatório
                      sobre o assassinato de Édson da Silva, morto por
                      skinheads dia 6 na Praça da República, para subsidiar
                      sua decisão. O pedido de asilo é bancado pela Comissão
                      de Direitos Humanos da influente Ong americana
                      International Gays and Lesbians.

                      2000 (20 de abril) - Edimburgo, recebeu a primeira
                      delegacia de polícia do Reino Unido para homossexuais,
                      com agentes especialmente treinados para atender as
                      vítimas de delitos homofóbicos.

                      2000 (29 de abril) - Animados com a lei de união civil
                      entre homossexuais aprovada no Estado de Vermont
                      (EUA), milhares de casais homossexuais se reúnem nos
                      degraus do Lincoln Memorial para uma gigantesca
                      cerimônia de casamento coletiva. A manifestação é uma
                      tentativa de pressionar a opinião pública a estender o
                      direito às uniões civis entre gueis a todo o país.
                      Cerca de mil casais homossexuais trocam alianças e
                      votos diante de amigos e parentes como parte do
                      protesto de final de semana pelos direitos de gueis,
                      lésbicas e bissexuais que culminará, no dia seguinte,
                      com a Marcha do Milênio.

                      2000 (09 de junho) - Homossexuais brasileiros
                      conquistam direito à pensão no INSS. A Instrução do
                      INSS é resultado de uma decisão do Tribunal Regional
                      Federal que manteve a liminar concedida pela juíza
                      federal da 3º Vara Previdenciária de Porto Alegre,
                      Simone Barbisan Fortes. A ordem impede a discriminação
                      de homossexuais no caso de pagamento de
                      auxílio-reclusão e pensão por morte de companheiro do
                      mesmo sexo.

                      2000 (10 de junho) - Em entrevista ao pequeno jornal
                      de Milão "Il Foglio", o padre italiano Gianni Baget
                      Bozzo defende uma "homossexualidade casta" e reconhece
                      ter experimentado sentimentos homossexuais. declara
                      que "dando ênfase à castidade, a Igreja pode admitir a
                      homossexualidade".
                      2000 (24 de junho) - Cerca de 350 mil homossexuais
                      participam em Berlim do tradicional desfile do
                      Christopher Street Day. O desfile, sob o lema "nossa
                      diversidade avança", parte de Kurfuerstendamm, a
                      avenida comercial de Berlim ocidental, até a entrada
                      de Brandeburgo, no centro da cidade. Os manifestantes
                      desfilam dançando e cantando, acompanhados por 80
                      carros de som. Alguns com roupas mínimas, outros
                      vestidos de lantejoulas e adornos de plumas. Gueis,
                      lésbicas e travestis se reunirão ontem à noite em
                      torno da coluna da Vitória, no centro da capital, para
                      continuar a festa, acompanhados por uma queima de
                      fogos com as cores do arco-íris, símbolo do movimento
                      guei.
                      2000 (24 de junho) - Paris celebra o Dia do Orgulho
                      Guei e a tradicional manifestação é realizada com a
                      participação de políticos de direita e esquerda, entre
                      os quais o candidato socialista à Prefeitura de Paris,
                      Bertrand Delanoe, homossexual declarado. Os jornais
                      parisienses divulgam uma pesquisa informando que
                      aumenta na França a tolerância para com os
                      homossexuais. Segundo o trabalho, mais da metade dos
                      franceses, precisamente 56%, revelaram que viveriam
                      sem traumas se tivesse um filho homossexual. Há cerca
                      de cinco anos, em resposta à mesma questão, a
                      porcentagem era de 41%.

                      2000 (01 de julho) - Começa a vigorar, assinada em
                      abril pelo governador do Estado de Vermont (EUA),
                      Howard Deam, a lei de união civil entre homossexuais,
                      que garante 300 direitos, entre os quais os de
                      assistência médica, herança e pensão em caso de morte
                      de um dos membros.

                      2000 (15 de julho) - Na Arábia Saudita três homens são
                      condenados e decapitados por práticas homossexuais e
                      podofilia. Os juízes consideraram que eles violaram a
                      sharia, severa lei baseada no Corão, para a qual o
                      homossexualismo é crime.

                      2000 (29 de julho) - A Corte Européia de Direitos
                      Humanos condenou a Grã-Bretanha a pagar uma
                      indenização de cerca de US$ 50.000 a um homem guei
                      para cobrir as custas do processo e danos morais por
                      sentenciá-lo com base numa legislação que discrimina
                      homossexuais. De acordo com o Ato de Ofensas Sexuais
                      da Grã-Bretanha, sexo entre gueis não é permitido
                      quando feito por mais de duas pessoas, não importa o
                      local.
                      2000 (17-19 de agosto) - Realiza-se o "III Juiz de
                      Fora Rainbow Fest". Ele passa a ser o carro chefe de
                      uma organização séria que já nasce vitoriosa: o MGM -
                      Movimento Guei de Minas - organização social que surge
                      a partir do evento e que tem como objetivo o combate à
                      discriminação e ao preconceito contra os gueis, além
                      de promover a cidadania dos homossexuais e a luta
                      pelos seus direitos.
                      2000 (12 de setembro) - Há muito tempo na vanguarda
                      dos direitos dos homossexuais, a Holanda aprovou uma
                      lei que converte "a relação entre pessoas do mesmo
                      sexo" em casamento completo, com direito a divórcio e
                      adoção de filhos. O projeto foi aprovado no Parlamento
                      por 107 votos a 33.
                      2000 (2 de dezembro) - Aprovada na Alemanha, pela
                      Câmara Alta do Legislativo (Bundesrat), Lei que
                      permite que casais de pessoas do mesmo sexo tenham
                      direitos e deveres semelhantes aos pares
                      heterossexuais. Com a iniciativa - que partiu da
                      coalizão que sustenta o governo - milhares de
                      homossexuais passaram a ter o direito de herança, de
                      adoção do sobrenome do parceiro e de uma pequena
                      tutela para administrar o cotidiano dos filhos que os
                      companheiros trouxerem para a união. Eles só não podem
                      adotar filhos. Os homossexuais podem, porém, trazer
                      para a Alemanha seus parceiros estrangeiros. Esta lei
                      significa uma grande conquista para os homossexuais,
                      considerando que até o final dos anos 60 eles ainda
                      eram condenados a penas de prisão por perversão
                      sexual.
                      2000 - O censo demográfico mostra que a sociedade
                      brasileira ainda tem muito a evoluir. A opção sexual
                      dos brasileiros é desconsiderada, a contagem dos
                      negros é questionada e os mendigos passaram em branco
                      nas perguntas. O silêncio da pesquisa ao deixar de
                      questionar a orientação sexual, irá dificultar a
                      elaboração de políticas de assistência social e a
                      superação de preconceitos contra os homossexuais no
                      País.

                      Re:A História da Homossexualidade
                      #16

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                      Pre-Historic Sex Life

                      The pre-historic era doesn’t have much information available, taking in to account the kind of communication humans used to have. Specially when dealing with this issue, we have to resort to rupestre pictures that can help us understand how was the common behavior among our ancestors.
                      As we can see through different images, they had sexual intercourse with animals, homosexual relations and more than two people at the same time. Link: http://www.arterupestre-c.com/1000.htm.

                      There is o­ne sculpture that is emblematic, found in 1908, after lots of research and different epochs being affirmed as the real o­nes about this sculpture, now they believe it was done around 24,000-22,000 BC.

                      It shows a woman with a large stomach that overhangs but does not hide her pubic area. A roll of fat extends around her middle, joining with large but rather flat buttocks, there’s no face and seems that at this place there is a hat or even hair rolled up o­n the head.

                      Her genital area would appear to have been deliberately emphasized with the labia of the vulva carefully detailed and made clearly visible, perhaps unnaturally so, and as if she had no pubic hair. This, combined with her large breasts and the roundness of her stomach, suggests that the "subject" of the sculpture is female procreativity and nurture and the piece has long been identified as some sort of fertility idol.

                      The fact that numerous examples like that of a female figure. All generally exhibiting the same essential characteristics - large stomachs and breasts, featureless faces, minuscule or missing feet - have been found over a broad geographical area ranging from France to Siberia. That suggests that some system of shared understanding and perception of a particular type of woman existed during the Paleolithic.

                      Recebido por e-mail.

                      A História da Homossexualidade
                      #17

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                      David M. Halperin, How to do the History of Homosexuality, The University of Chicago Press, Chicago / London, 2002

                       

                      "Whatever change I have undergone during the past ten years is recorded in the essays that follow", afirma Halperin en el prólogo de la compilación de los ensayos producidos luego de  One Hundred Years of Homosexuality (1990) and Saint Foucault (1995).

                       

                      El libro incluye cuatro artículos publicados previamente "Forgetting Foucault" (pp. 24-46), "The First Homosexuality" (48-80), "Historicizing the Subject of Desire" (pp. 81-103), "How to Do the History of Male Homosexuality" (104-137), precedidos por "In Defense of Historicism" (pp. 1-23). La recopilación plantea lo que es llamado homosexualidad desde una perspectiva historiográfica más que histórica: cómo escribir la historia de la homosexualidad más que como escribir la historia de la homosexualidad. Halperin sería un filósofo historiador que pule y mejora las  tesis de la historiografía de la sexualidad. A ese fin, los capítulos centrales,  "In Defense of Historicism" y ´How to Do the History of Homosexuality´, procuran resituar las prácticas eróticas griegas en su contexto original restaurando su peculiaridad, ayuntando los estudios helenísticos con los de la sexualidad homoerótica contemporánea.   

                       

                      How to do the History of Homosexuality? ordenaría los procedimientos del sistema productivo de la cultura norteamericana angloparlante. La coherencia y potencia lógica de sus argumentos apunta, fundamentalmente, al público informado e interesado de la franja de San Francisco a New York. Este proceso emprendido por Halperin de buscar, seleccionar y organizar información procurando mejorar la comprensión de la propia experiencia para la toma de decisiones de la industria cultural mencionada, sería una empresa de gestión del conocimiento. ´Cambio cultural´, uno de los más de veinte nombres propuestos para ´gestión del conocimiento´, sería la definición adecuada para la empresa del historiógrafo y filósofo Halperin.   

                       

                      "Not an entirely invention of my own", Halperin describe su proyecto "explicitly genealogical rather than biological or behavioral" basado en cuatro modelos identificados mundialmente por los historiadores y sociólogos en la conducta homoerótica: intergeneracional, roles, transgenéricos, homosexual. Rechaza que hubiera algo como una historia de la homosexualidad masculina, asevera, sino, más bien, cuatro diferentes pero simultáneas categorías o tradiciones de discurso tocantes a lo que definimos homosexualidad. 

                       

                      En 1947, Alfred Kinsey fundó esta perspectiva rechazando la taxonomía antigua e inaugurando la taxonomía moderna en la sociología de la conducta sexual. Los biólogos advierten, puntualizó Kinsey, la unicidad y variabilidad de los individuos de cualesquiera población. Un biólogo, en este caso un historiador de la sexualidad, estaría primariamente interesado en el conocimiento de la variación en series de individuos, representativas en el decurso histórico de la sociedad humana.   

                       

                      La utilidad y fecundidad de las hipótesis implicadas en esta tesis de gestión del conocimiento son la inclusión en el mercado intelectual de los estudios culturales de las minorías sexuales sumados a los estudios helenísticos. La gestión del conocimiento propuesta por Halperin procuraría rehabilitar una perspectiva construccionista modificada que admitiría y acomodaría  fácilmente a estas historiografías.

                       

                      El pasado es una dimensión social, asevera el filósofo Alfred Schutz,  y las estructuras históricas están determinadas social y biográficamente. La alteridad del pasado es el fundamento de la historiografía, afirma coincidentemente Halperin, y su perspectiva genealógica provee una respuesta adecuada.

                       

                      Cuando Halperin revisó y refinó la tesis propuesta en "One Hundred Years of Homosexuality" -la hetero y la homosexualidad carecen de determinación biológica y, más bien, son construidas socialmente- nos hizo presente el énfasis contemporáneo en el cuerpo como un generador más que un receptor de significado.   

                       

                      El cuerpo es una cosa además del signo para la inscripción de significados sexuales y de género. En lugar de considerar al cuerpo como lo verdaderamente real al modo de los científicos positivistas, o lo que permanece fuera del lenguaje, del significado, la subjetividad, el discurso, la representación y el poder, según el modo sentimental de los postestructuralistas, sería más provechoso considerarlo al modo constructivista de Donna Haraway como un actor semiótico material en la estructura de producción corporal, asevera rá Halperin.   Esta tesis rediseñaría y rehabilitaría la existencia del cuerpo, cuerpo erótico fuese hetero u homosexual, como un continuo transhistórico.

                       

                      Pero la propuesta de gestión del conocimiento de Halperin omite el análisis del pánico moral asociado al heterosexismo y la homofobia que ha infligido e inflige heridas al desarrollo psicosocial de ese cuerpo.   Fuese constructivista o esencialista, el  silencio sobre la historia de este aspecto del cuerpo humano de convertirse en persona homosexual falta a la ética profesional. Moldeado y constreñido por una industria que procura el control de su mercado cultural, el libro de Halperin exhibe esta lacra contemporánea.

                       

                      ¿Qué resulta, entonces, para los historiógrafos de más allá de las márgenes de San Francisco, Harvard, Yale y Chicago, esto es, Sebreli, Salessi, Rapisardi & Modarelli y Bazán de  Buenos Aires y Rosario?.   

                       

                      La propuesta de gestión del conocimiento del filósofo e historiador Halperin objetivaría a la persona sexual en un individuo hetero u homosexual que desconoce el placer pervertido de la victimización. También para Rapisardi y Modarelli, historiadores de la periferia académica argentina, desaparecen los cuerpos, el corazón y la vida, del varón gay mayor robado de su billetera y reloj por un oficial de policía y de la madre que expulsa al exilio a su hijo gay. Para Bazán desaparecen los de quienes fueron atormentados por la Inquisición, o buscaban encuentros en las calles de una ciudad provincial, o los de los cadetes del Colegio Militar implicados en una escandalosa revelación publica. Para Salessi, asimismo, la desaparición de los es legitimada en la higiene, la patología y la criminología de fines del siglo XIX.

                       

                      La historiografía de Halperin y estas historiografías estarían elaboradas para públicos separados por el vacío cultural de quienes resienten su sordidez junto a quienes disfrutan su marginalidad. La desolación de las historias factualistas argentinas es la conversa del artefacto de la erudición helenística de Halperin.

                       

                      Este crédito de la propuesta de gestión del conocimiento de Halperin adolece a los fines de una política pública como a los de la ética profesional de la historiografía de la sociedad a cuyo cambio está asomado. La gestión del conocimiento de una historia de la homosexualidad respecto a escribir historias sobre la homosexualidad, continúa siendo una alternativa en desarrollo incumplido.   

                       

                      Cabe un comentario final sobre la elocuente, ingeniosa y perturbadora imagen de la sobrecubierta, así la califica Halperin, donde el filósofo historiador contempla absorto un busto de mármol. Pues ese juicio nace de una sensibilidad estética adulterada por una imagen que mimetiza a su propuesta historiográfica: la imagen de la sobrecubierta es un fotomontaje.

                      A História da Homossexualidade
                      #18

                      Offline Web_boss

                      • ****
                      • Membro Sénior
                      • Género: Masculino
                        • Simplesmente Gay
                      Existem imagens de relações homo masculinas e femininas em:

                      - gravuras rupestres
                      - vasos persas
                      - vasos e templos hindus

                      A História da Homossexualidade
                      #19

                      Offline Azuth

                      • *****
                      • Membro Elite
                      • Género: Feminino
                        • No one is there!
                       :) Web_boss

                      que agradável ver alguém a lembrar-se deste tópico ;)

                      Sempre li e ouvi, quando se falava de história referirem-se como os nossos antepassados! :)


                      Mas, os nossos antepassados também eram gays e lésbicas ;)

                       

                      Tópicos relacionados

                        Assunto / Iniciado por Respostas Última mensagem
                      121 Respostas
                      10810 Visualizações
                      Última mensagem 11 de Fevereiro de 2016
                      por haka
                      69 Respostas
                      6163 Visualizações
                      Última mensagem 20 de Maio de 2013
                      por addy
                      3 Respostas
                      1182 Visualizações
                      Última mensagem 15 de Agosto de 2014
                      por senhorcolcheia
                      7 Respostas
                      1112 Visualizações
                      Última mensagem 18 de Setembro de 2014
                      por rk
                      12 Respostas
                      2461 Visualizações
                      Última mensagem 25 de Janeiro de 2015
                      por woman_angel