rede ex aequo

Olá Visitante14.jul.2020, 18:18:14

Autor Tópico: Textos da autoria dos membros de Braga  (Lida 5278 vezes)

 
Textos da autoria dos membros de Braga
#0

the_mist

  • Visitante
Bem... criei este tópico (não sei se foi a melhor opção), porque gosto de escrever e também porque é uma boa forma de cada um apresentar a maneira como melhor se exprime.

Num momento de puro cansaço perante uma sociedade preconceituosa e porque era necessário escrever um texto livre para Português, deu-me para escrever algo "Diferente..."... Espero que gostem... e já agora deixem os vossos comentários.


Diferente...

                Estamos em pleno século XXI e, diga-se de passagem, nunca se viveram dias melhores. Não falo da política, nem do desporto, nem tão pouco dos temas que exacerbam mentes corruptas, que o “sal já não consegue salgar”. O assunto é de outra ordem, de outros caprichos, de outro emblemático problema. Aqueles que outrora foram aclamados como “o peito ilustre lusitano” e dos quais foram exaltadas inúmeras qualidades, viveram sempre na via do defeito. O defeito de expelir a dissemelhança, desaprovar a desigualdade, desprezar o que é diferente. Podê-lo-ia repetir vezes sem conta, de outros modos, mas estaria a ser diferente. Diferente de quê? Ou diferente de quem?

                A nossa sociedade vive de padrões. Padrões preconceituosos que definem a liberdade de cada um de nós no seu meio. Todos podemos ser diferentes, mas nunca diferentes. Contraditória a expressão, mas não a sua explicação. É certa e plenamente aceite a existência de mulheres “donas de casa”, e de homens “trolhas”, que, passo a redundância, são diferentes. Mas será tão certa e aceite, uma situação onde se invertam os papéis? É claro que não. Diferente não. Ou porque ela simplesmente não é homem, e o lugar dela não é nas obras, ou porque ele é um “pau mandado” e faz tudo o que a mulher quer.

                Evidentemente que o “Zé Povinho” não se apraza apenas com uma mera imposição de carácter laboral. O condicionamento da liberdade vai mais longe. Debrucemo-nos sobre a moda. Todos podemos escolher a roupa que usamos, os sapatos que calçamos, e tudo o que esteja relacionado com o nosso estilo perante a vida. De forma alguma eu me atreveria a colocar anteriormente “podemos escolher livremente”. E porquê? Porque estamos mais uma vez condicionados aos olhos da sociedade. Porque sabemos que se forem ultrapassados determinados limites, far-se-á troça ou simplesmente desprezar-se-á o que não é igual.

                Poderia escrever, deste texto, várias páginas a exemplificar o quão gratificante é viver nesta sociedade. Facilmente se detecta a ironia neste pensamento, que mais não é que o desabafo de um vulgar mortal num mundo de comuns mortais. “I have a dream…” dizia Martin Luther King. Será que em cada um dos Portugueses também há? Será que Portugal ainda tem sonhos? Ou estamos condenados à imortalidade da via do defeito? Eu tenho um sonho. Ser diferente e continuar a ser gente…
« Última modificação: 10 de Junho de 2008 por bricbrac »

    Diferente...
    #1

    Offline Reborn

    • *****
    • Membro Ultra
    • Género: Masculino
    Eventualmente chegarás a um ponto da tua vida em que já não terás uma perspectiva irónica sobre estes assuntos. Certo é que faz parte da natureza humana julgar os outros, observar, deduzir, concluir, tudo coisas contra as quais não te podes insurgir. As pessoas apontam o dedo ao que não cabe numa gaveta, mas também os animais irracionais excluem os deficientes. O preconceito depura a sociedade das impurezas, hoje lutamos por sermos aceites como não-heterossexuais, ontem lutavamos pela abolição da escravatura e pelos direitos da mulher.
     Existe um grande desafio pela frente, gerações que queremos ver educadas de certo modo, o nosso modo e não o que elas entenderem. Isto vai para além do que tu queres para os outros, vives em sociedade e o teu individualismo terá de se sujeitar ao que os outros têm e querem para ti.
    Isto para dizer que tu ou qualquer outro podem apenas sonhar com o fim do preconceito. De hoje a cem anos a descriminação por orientação sexual ou identidade de género podem ser problemas ultrapassados, mas o preconceito também estará lá a actuar num outro sentido, e serão pessoas o seu alvo. Ao longo dos séculos os alvos revezam-se, mas o preconceito não tem descanço.
                 

      Sou, o verbo que me prerrogo, complemento de outro sujeito.

      Textos da autoria dos membros
      #2

      After_Eight

      • Visitante
      Quando as linhas do tempo se cruzam em tempos que nem sempre são os nossos

      “Tu não me percebeste e eu não te entendi.... Não perdemos nada mas falhamos a oportunidade.... Talvez tivesse mesmo de ser assim, não sei...mas sei que aprendi mais em seis meses do que em longos momentos neste viver de um destino marcado. E será por isso, que o chão continua a fugir-me dos pés quando penso em ti como se o mundo parasse de girar e o universo me engolisse num aperto de saudade flamejante mascarada num desespero errante por não te ter ao meu lado e te poder dar um beijo cúmplice.
      A princípio pensei que tudo isto passava e que o mês não chegaria ao fim sem que já nem sequer me lembrasse das tuas feições... enganei-me redondamente! Tudo isto ficou e foi de algum modo diferente...é uma energia qualquer que a ti me liga, que faz com que me lembre perfeitamente do teu ser como se acordasse todos os dias a teu lado...a cor dos teus olhos...o sorriso no teu rosto e o cabelo comprido refletido nesse olhar malandro meio oriental.
      Já percebi que será inesquecível... não sei se o será pra ti mas no fundo acredito que sim! Posso parecer presunçoso ao atrever-me indagar tal laivo recondito de intimidade na esperança inabalavel que te identifiques comigo mas, no verdadeiro clamor de momentos vividos e compartilhados de tão cúmplices que foram, que quase me recuso a acreditar que um indelével sentimento tenha pautado todos eles. Não somos perfeitos nem nunca seremos... não era este o tempo ideal pra que tudo desse certo e conjugassemos os dois uma energia astral. Pode até não vir, podemos inclusivé não o reconhecer mas aqui dentro sinto que acontecerá. Não sei quando nem como mas acho que será um dia... pelo menos assim o espero. E talvez por isso é que olho derretidamente todos os dias para flor que compramos juntos e dela cuido com tanto afinco e carinho, acho que é na esperança que faças o mesmo com a tua porque isso significa que continamos a valorizar e temer pela vida que temos dentro um do outro...”



      Gosto de escrever e faço-o muitas vezes... tendo sido lançado o desafio partilho convosco um das dezenas de textos que tenho escrito quando assim me apraz fazer. Uns com mais sentido que outros, mais ou menos intimistas, o que importa e podermos expressar-nos livremente das mais variadas formas. Escrever permite-me transpor aquilo que não consigo falar, que não consigo materializar em actos, que muitas vezes nem sei como pensei sequer...é quando escrevo que me sinto mais livre, mais vivo, mais eu...

        Textos da autoria dos membros de Braga
        #3

        Uncool

        • Visitante
        Eros:

        Se o amas prova-o! Se o sentes descreve! Se é verdade afirma-o!

        Eu:
        Como quereis que o faça? Por palavras? Oh, diria que ele é bom, é um homem indubitavelmente bom! Ele não tem maldade, não é como eu, não tem mesquinhez nem inveja ou rasto de perversão. Ele é a pessoa que mais perto dos deuses está, as vezes penso se não terá ele os pés na terra e a cabeça junto dos deuses. Ele não fala, ele verbaliza sabedoria e carinho! Ele não observa, ele vislumbra e ama tudo á sua volta e, assim, tudo à sua volta é amor e sabedoria! O mundo dele é belo, é belo demais, como não haveria eu, pobre e comum mortal, de me enamorar por ele?
        « Última modificação: 7 de Abril de 2009 por Uncool »

          Textos da autoria dos membros de Braga
          #4

          Offline Cali

          • ****
          • Associad@
          • Membro Sénior
          • Género: Masculino
          • El Poder y la Superación
          eu sei que devia ter escrito em portugues e desde ja peço desculpa, mas é que para mim, a melhor forma de me expresar, é atraves da lingua hispanica/castelhana, uma vez que é a minha lingua mae... e porque eu, no que diz respeito ao vocabulario portugues...sou um bocado fraco...

          mas pronto... ca vai a minha contribuiçao...
          espero que percebam...




          Por allá, en lo más lejano que se puede  ir… en la tierra donde el dios supremo indio se vuelve un eterno y constante reloj… existe un ser inigualable…

          Ese ser, mágico y eternamente bello…deslumbra a todo aquel que se aventura por los suaves toques.
          Ella, mi ser mitológico… de piel del color de la ardiente malagueta,  del ocaso, cuando el sol se aleja de esta tierra y regresa al supuesto mundo conocido; de cabellos como la negra noche que nos estremece y nos ciega. Labios tan carnales como los propios pecados cristianos hacen parte de su bello y majestuoso rostro;  sus ojos del color del café y brillantes como la inocente picardía proporcionan las más bellas ilusiones y realidades que el ser humano puede deleitar…

          Siguiendo el viaje eterno por su entidad, llegamos  a sus delicadas y fuertes manos, las cuales nos dan las más agraciadas caricias, pero también los más destructores significados de mi realidad. Manos que nunca se cansan de seguir lidiando con las adversidades del mundo.

          ¡La he visto deambular por los suaves y peligrosos ríos del Orinoco, esperando a que alguien “sacié” sus pliegues!!!

          El viento danza entre sus cortantes y negros cabellos a medida que la luna los reluce con su constante mirada…

          Un puro cubano se “estrecha” entre sus labios y el humo, cargando sus penas se va yendo al compas del céfiro. Sus hermosas y firmes zancas la van llevando a donde la razón emocional le indica, sin ninguna… exactitud.

          Al aproximarse la alborada…ella, mira hacia tras, con sus ojos profundos y grandes, que transmiten un incomprensible reflejo… 
          …y mal derrama una lagrima, este ser se desvanece…solamente dejando para tras la no existencia.                   
          « Última modificação: 7 de Abril de 2009 por Cali »
            No hay mal que por bien no venga

            Textos da autoria dos membros de Braga
            #5

            jtrapa

            • Visitante
            é um texto algo pequenino... mas sentido  :)

            O Universo à minha medida


            "Qual é o tamanho do Universo? É o tamanho do TEU mundo! E qual é o tamanho do teu mundo? É o tamanho dos teus sonhos!"

            Qual é afinal o tamanho dos meus sonhos? O tamanho dos meus sonhos... São uns olhos... Uns lábios... Olhar-te nos olhos, Beijar-te nos lábios... Sentir o calor, o calor da tua pele junto da minha... Sentir que procuras mais o carinho que te posso dar do que o sexo que te posso oferecer... Sentir que precisas da minha amizade, não do meu prazer!!! Afinal, que é a amizade senão o mais puro do amor?? Dás, sem esperar... Procuras e encontras... Enfim... A amizade pura é o verdadeiro AMOR, é o verdadeiro sonho do Homem... Um dia alguém me disse: 'Se tiveres que escolher entre um amigo e um amor, escolhe o amigo, porque o comum amor não passa de paixão, e passa, enquanto o amigo fica para sempre!!' Eu construo o meu Universo na amizade... E tu?"

              Textos da autoria dos membros de Braga
              #6

              EVA Pilot

              • Visitante
              Fecha os olhos como se fosses morrer,
              Aperta-me contra o teu peito e sente...
              ...bate, o meu coração, por enquanto e para ti.
              Não te mexas, apenas pensa: não é real!
              Encosta os teus lábios na minha testa,
              sente como está quente, sente-me a arder
              Mas fica frio, por favor, mantém-te gélido...

              Se é para morrer, morremos os dois!
              Por favor, não me deixes vivo
              e leves a minha única razão para viver!
              Se é para viver eternamente...que seja agora,
              Rapaz, apenas di-lo que eu nunca arrefecerei!

              Eu nunca esquecerei como foi ver-te,
              eu pensei “ele vai matar-me...e eu a ele”
              E assim ultrapassamos os mortais...
              eles vão caminhando para a morte, iludidos,
              Nós erguemo-nos acima dela, juntos
              Diz-me que saltas e eu salto contigo...
              porque nós não caimos, nós voamos!

                Textos da autoria dos membros de Braga
                #7

                Offline yoggi

                • *****
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                • L'Homme sans gravité.
                  • Blog
                Eu apenas vivo, apenas respiro, apenas como, apenas choro, apenas bebo, apenas sorrio, apenas amo, apenas canto, apenas escrevo, apenas dou, apenas sinto, apenas abraço, apenas grito, apenas luto, apenas durmo, apenas agarro, apenas construo, apenas defendo, apenas voo, apenas cumprimento, apenas igualo, apenas descomponho, apenas desrespeito, apenas procuro, apenas considero, apenas acompanho, apenas defino, apenas estudo, apenas valho, apenas devo, apenas gosto, apenas quero, apenas mereço, apenas preciso, apenas moro, apenas posso, apenas estou, apenas chamo, apenas tenho. Muitas penas de mim. Ora apenas pequenos momentos, ora apenas grandes momentos. Uns a seguir aos outros.  
                « Última modificação: 5 de Julho de 2009 por yoggi »
                  Eu tenho a luz das estrelas na palma da mão, mas tudo o que eu mais kero é o teu coração.

                  Textos da autoria dos membros de Braga
                  #8

                  Offline eugemeos

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                  • Novo Membro
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                  • mãos nas algibeiras
                  Houve quem pedisse um pouquinho das minhas letras; em nome do gesto, aqui vos deixo umas rápidas linhas acabadas de escrevinhar - uma dessas "message in a bottle", das que que se confiam ao mar, quando já ninguém resta para nos ouvir...
                  ___________________________________________________________________________________________
                  BALADA PARA UM JOVEM MARINHEIRO

                  Se o dia ensinou ao dia, não foi senão que sem máscaras, nada prometo, nada te faço crer – escapa-se-me o nome próprio, irrealizo-me a teus olhos; bem certo, o que fica é toda uma ilusão de permanência – pois eu nunca lá estou. Bifurcada companhia e repulsiva, sou bem lesto a perder o que me dás; a memória esquece muito, a memória esquece depressa. Não existe ponte entre os dias – apenas este vir a mim, descrente de futuro, este acordar de uma miragem de dia anterior, um ritual de insónias e perguntas intermináveis. Já a ti, a vida deu prumo para acreditar: quisera a tua fé, quisera a tua paixão; ninguém me atina nexo, ninguém me espera à chegada – é solidão aos gritos, é tempo que passa sem proveito. Não me queiras saber certezas: tenho as mãos vazias; o que escrevo, letra a letra, vai-se apagando vagarosamente, até não mais restar do que um novo início – é já outra a prometida efemeridade; tenho diários em branco. Não sou de mim, eu morro muitas vezes: e há-os que enlutam, há-os que esquecem – os que ficam, ignorando a inutilidade; títere da sorte, cúmulo da negação: se ficares, podes não acordar comigo. Houvesse paixão e esqueceria as perguntas: um apagão de interrogativas, um retorno à inocência – aceitar a vida e quem sabe, amá-la em todas as suas manifestações. Isto te digo hoje, numa expulsão de verdade compulsiva; mas amanhã, se noutra maré tomado, já bem diferente te parecerei e tão ausente destes cenários como se os nunca houvesse experimentado – é de mim, acredita: é de mim. Como é de mim, na paixão pelos homens, este ilusório interesse, sentido à força para espantar a solidão; de ti nada colhi senão a ausência que queria preenchida – e foram juras falsas e jogos de máscaras noite dentro: tudo para adiar vexatórias confrontações com a miséria. Ainda que o saiba, o coração não aprende: há rotas em que preferir-me só não entranha – por isso vou de porto em porto, indistinguindo rostos e esquecendo princípios, fingindo interesse, na esperança da paixão que me amarre ao cais contra o vendaval, de fazer um curto-circuito ao numinoso. Outros, como eu, aproximar-se-ão para roçar-me ao corpo a sarna da solidão – e não lhes conhecerei nunca o sentido. Aos poucos, avesso a estes miserabilismos, o orgulho contra-atacará, destilando nova maresia que me leve ao isolamento; amar-me-ei só, por uns tempos, enquanto embevecido pelas letras e pelas espirais do absurdo. Pensarei no narcisismo, questionarei os seus comércios com a minha contínua solidão – perceberei, enfim, que não sei querer além de mim próprio, que os perderá a minha absorção de egolátra iludido, que os converterei em extensões da minha própria mimalhice de lunático. E não sei de paixões, afinal. Há, no entanto, doenças de que me recordo com arrebatamento; talvez paguemos o delírio da divindade com falsas moedas de cigano. Jung e as suas ideias romanticidas; matá-lo-ei um destes dias. Por sobre todos os desejos, esta frialdade nuclear – houvesse paixão. Nada a explicar – apenas, apenas paixão. 

                    Textos da autoria dos membros de Braga
                    #9

                    Offline Ferrero

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                    • Membro Sénior
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                    • Making Quality Confections A Part Of Everyday Life
                    Houve quem pedisse um pouquinho das minhas letras; em nome do gesto, aqui vos deixo umas rápidas linhas acabadas de escrevinhar - uma dessas "message in a bottle", das que que se confiam ao mar, quando já ninguém resta para nos ouvir...
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                    BALADA PARA UM JOVEM MARINHEIRO

                    Se o dia ensinou ao dia, não foi senão que sem máscaras, nada prometo, nada te faço crer – escapa-se-me o nome próprio, irrealizo-me a teus olhos; bem certo, o que fica é toda uma ilusão de permanência – pois eu nunca lá estou. Bifurcada companhia e repulsiva, sou bem lesto a perder o que me dás; a memória esquece muito, a memória esquece depressa. Não existe ponte entre os dias – apenas este vir a mim, descrente de futuro, este acordar de uma miragem de dia anterior, um ritual de insónias e perguntas intermináveis. Já a ti, a vida deu prumo para acreditar: quisera a tua fé, quisera a tua paixão; ninguém me atina nexo, ninguém me espera à chegada – é solidão aos gritos, é tempo que passa sem proveito. Não me queiras saber certezas: tenho as mãos vazias; o que escrevo, letra a letra, vai-se apagando vagarosamente, até não mais restar do que um novo início – é já outra a prometida efemeridade; tenho diários em branco. Não sou de mim, eu morro muitas vezes: e há-os que enlutam, há-os que esquecem – os que ficam, ignorando a inutilidade; títere da sorte, cúmulo da negação: se ficares, podes não acordar comigo. Houvesse paixão e esqueceria as perguntas: um apagão de interrogativas, um retorno à inocência – aceitar a vida e quem sabe, amá-la em todas as suas manifestações. Isto te digo hoje, numa expulsão de verdade compulsiva; mas amanhã, se noutra maré tomado, já bem diferente te parecerei e tão ausente destes cenários como se os nunca houvesse experimentado – é de mim, acredita: é de mim. Como é de mim, na paixão pelos homens, este ilusório interesse, sentido à força para espantar a solidão; de ti nada colhi senão a ausência que queria preenchida – e foram juras falsas e jogos de máscaras noite dentro: tudo para adiar vexatórias confrontações com a miséria. Ainda que o saiba, o coração não aprende: há rotas em que preferir-me só não entranha – por isso vou de porto em porto, indistinguindo rostos e esquecendo princípios, fingindo interesse, na esperança da paixão que me amarre ao cais contra o vendaval, de fazer um curto-circuito ao numinoso. Outros, como eu, aproximar-se-ão para roçar-me ao corpo a sarna da solidão – e não lhes conhecerei nunca o sentido. Aos poucos, avesso a estes miserabilismos, o orgulho contra-atacará, destilando nova maresia que me leve ao isolamento; amar-me-ei só, por uns tempos, enquanto embevecido pelas letras e pelas espirais do absurdo. Pensarei no narcisismo, questionarei os seus comércios com a minha contínua solidão – perceberei, enfim, que não sei querer além de mim próprio, que os perderá a minha absorção de egolátra iludido, que os converterei em extensões da minha própria mimalhice de lunático. E não sei de paixões, afinal. Há, no entanto, doenças de que me recordo com arrebatamento; talvez paguemos o delírio da divindade com falsas moedas de cigano. Jung e as suas ideias romanticidas; matá-lo-ei um destes dias. Por sobre todos os desejos, esta frialdade nuclear – houvesse paixão. Nada a explicar – apenas, apenas paixão. 

                    =) marabilhouso! :P
                      "Os betos giros podem parar de fingir que são hetero" in WC da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa - Porto

                      Textos da autoria dos membros de Braga
                      #10

                      Offline R-lig

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                      • Membro Sénior
                      • Género: Masculino
                      Eh! criaram um tópico que não está a ser dinamizado,embora a ideia seja muito boa!
                      Vamos lá gente! Queremos ver o espírito criativo do povo que está em igualdade!
                      Qual objectivo de um texto criativo? transmitir uma ideia, mas o que é essa ideia? é um modo de ver as coisas que pode ser ou não comum a mais gente. Esse modo de ver as coisas pode ser genuíno ou forçado, no caso da fantasia. Qual a vantagem de transmitirmos aos outros uma perspectiva diferente de um assunto? --> uma base de comparação diferente para aquilo que sabemos! Se temos mais bases de comparação, alargamos os horizontes, treinamos a mente para uma infinidade de visões, e não temos palas dos lados dos olhos!
                      Convenci alguém a partilhar algo? Vá!!!
                       ;) ;) ;) 8-)

                        Textos da autoria dos membros de Braga
                        #11

                        Offline Reborn

                        • *****
                        • Membro Ultra
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                        O objectivo de um texto criativo é difícil de precisar. Tem um objectivo para quem o escreve, atinge um objectivo em quem o lê. O uso que faço da escrita exorcisa o sentimento, tendencialmente os "maus" e os afectos ao prazer. Sou dado a descrições, sou muito pictórico na percepção do que tenho do real. Vou-te fazer a vontade e deixar o seguinte, sobre perda e arrependimento, o tipo de sentimento que nos faz velhos, donde mortais. :p


                        Arrependimento

                        Não há palavras para realidade tamanha.
                        No mais repousado dos sonos permeia
                        Todas as camadas vítrias da alma, à noite
                        Que se entranha, escorrendo, esse horror.

                        Raiz semeada por mão alheia,
                        Aquela que maior o Destino escolhe.
                        E não havendo coragem, embora não olhe,
                        Desabrocha esse Cristo na cruz
                        Entre folhagem de fátua chama.

                        Vindo pérfido por detrás
                        Sussurrando nas costas o medo frio ao pescoço.
                        Confessa que me ama, e quanta a saudade,
                        De verter esse tanto sangue, com quanta quantidade,
                        Implodindo o peito em esforço!
                        Emoldura-me a cabeça, beija-me a testa,
                        Essa fervente onírica promessa.

                        Se fossemos só nós, se tivéssemos sido
                        Algo mais que este eterno passado.
                        Tivesse eu querido! Meter-me nessa mão,
                        Confrontar o Destino e acompanhar a sorte
                        No caminho poente dessa margem sem sentido,
                        Onde quis o Universo que no coração pulsasse pequena a morte.

                                     

                          Sou, o verbo que me prerrogo, complemento de outro sujeito.

                          Textos da autoria dos membros de Braga
                          #12

                          Offline jamessaints

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                          «Fritar

                          De modo a que haja uma melhor compreensão deste blog, fica aqui a minha definição pessoal de Fritar:

                          - Algo que acontece sempre que alguém está a entrar num estado de nervosismo tal, que parece que uma das suas veias cerebrais vai rebentar.

                          - Pode também ser muito menos dramático que a descrição anterior sendo, apenas, algo que acontece quando existe uma fixação de alguém no que quer que seja.

                          O dicionário define o verbo desta forma:

                          - Cozinhar em azeite ou manteiga, na frigideira, até alourar.

                          - Causar raiva ou incómodo.

                          - Gostar de dar nas vistas.

                          Se alguém estiver, porventura, familiarizado com o termo, aceito sugestões para a definição do mesmo, tendo em vista um melhor entendimento entre todos nós.»


                          Se quiserem continuar a fritar sobre diversos temas sigam o meu blog  ;)

                          http://porquefrito.blogspot.com/

                          Textos da autoria dos membros de Braga
                          #13

                          aleal

                          • Visitante
                          Hipocrisia caridosa

                          Nunca sabemos quando a vida nos vai pregar uma partida. Se tudo nela fosse previsível concerteza que mudaríamos muitas vezes de rumo para evitar enfrentar a dura realidade de que, de facto, só somos donos de 95% da nossa vida... Quando menos pensamos somos surpreendidos por pessoas que nunca julgamos que nos pudessem surpreender... Depois da surpresa chega a altura fatídica em que alguns do alto da sua prepotente e insignificante sabedoria e poder, julgam os outros com ceptros de insulto, ódio e discriminação.

                          Nunca sabemos quando é que a diferença vai bater à nossa porta, quando podemos ser nós próprios a passar para o lado de lá da barricada. As diferenças (de género, orientação sexual, etnia, estrato social (fig.) , religião) são parte constituinte do mundo que é o todo.
                          Aceitar os outros como eles são assemelha-se por vezes a algo transcendente como se de uma coisa sobre-humana se tratasse, como se não fôssemos todos da mesma espécie, todos humanos constituídos de corpo e sentimentos.

                          A igualdade e a liberdade não deveriam ser elementos pelos quais se tenha que lutar; deviam antes ser dados adquiridos desde sempre. Infelizmente não é isso que se passa na sociedade hodierna. Há preconceito mas "tolera-se" ou "aceita-se" quem é diferente - este tolerar ou aceitar não é mais do que uma tentativa de camuflar o preconceito, de disfarçar que no fundo o que se quer dizer é "não fazes falta ao mundo  sua aberração!"

                          Somos muito prestáveis e solícitos quando se trata de enviar ajuda humanitária para os países de terceiro mundo, que de facto precisam, mas estamos a enviar ajuda para pessoas que não conheçemos por isso não custa muito. Uma "obra de caridade essencial" dizem alguns de peito inchado. E respeitar o nosso próximo como ele é? Sem o julgar ou condenar? Não seria essa uma "obra de caridade" mais imediata e tão prioritária como a ajuda aos que estão longe? Não quero com isto dizer que a ajuda ao 3º mundo não seja importante e prioritária, mas é necessário que começemos a acabar com a "hipocrisia caridosa" que é mandarmos uns pacotes de arroz e massa para o Darfur e não respeitarmos o nosso vizinho(a) do lado só porque ele é negro (a) ou cigano(a) ou muçulmano(a) ou homossexual, emitindo por vezes juízos de valor sem fundamento absolutamente nenhum.

                          Reflictamos sobre estas coisas e pensemos se não será hora de estarmos atentos aos sinais dos tempos que se nos revelam. Deixo-vos com a letra de uma música já com uns 40 anos:

                          "Não te deixes dormir em outras eras
                          Porque não vens p'ra a rua vender primaveras
                          Mesmo que tu não queiras tua pátria é o mundo
                          Os teus irmãos são todos: és vagabundo"

                          http://www.problemasdopneuma.blogspot.com/
                          « Última modificação: 4 de Março de 2011 por aleal »

                             

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