rede ex aequo

Olá Visitante12.nov.2019, 16:21:43

Autor Tópico: Escritores e Poetas da rede  (Lida 111834 vezes)

 
Escritores e Poetas da rede
#780

Offline sleepy_heart

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Gosto do amor simples, verdadeiro, sem jogos, sem gatos e ratos, sem toca e foge, sem o calculismo de quem quer responder logo mas faz esperar para não se dar, gosto do amor leve, do amor que bebe devagar e aprecia o momento, do amor demorado, mas não suspenso, gosto da constância, gosto da partilha, do encaixe dos tecidos profundos envolvidos pela alma, gosto de quem fica, também gosto de quem vai e gosto mais ainda de quem entra e não sai.
« Última modificação: 28 de Janeiro por sleepy_heart »

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    #781

    Offline newcoldheart

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    Gosto do amor simples, verdadeiro, sem jogos, sem gatos e ratos, sem toca e foge, sem o calculismo de quem quer responder logo mas faz esperar para não se dar, gosto do amor leve, do amor que bebe devagar e aprecia o momento, do amor demorado, mas não suspenso, gosto da constância, gosto da partilha, do encaixe dos tecidos profundos envolvidos pela alma, gosto de quem fica, também gosto de quem vai e gosto mais ainda de quem entra e não sai.

    Gosto muito de tudo isso também. E mais ainda da forma simples como o descreves!
      "Eye contact is a dangerous, dangerous thing. But lovely. God, so lovely."

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      #782

      Offline Fernando Pinheiro

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      • Sou bissexual e não-binário/Amo-te, Anocas.
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      Gaia Severa

      Vi algo que era insólito e ao mesmo tempo arrepiante; e que era a prova que a Natureza pode ser cruel e que são mesmo assim as coisas do foro físico do nosso Macrocosmo. Por vezes deambulo por Almada observando os Almadenses como se bichos raros se tratassem; vejo os cafés, as cavaqueiras, os restaurantes, os monumentos, a cultura, popular e erudita. Vejo tudo. Vejo até os mendigos inominados e os animais vagos que mais ninguém vê. Omnia video. Quando se contempla com minudência, tudo é apreendido. E é nestas deambulações por Almada que observei os pombos a comer nas montureiras ao pé de uma loja-de-conveniência chinesa. Inclusive, vi pombos a esquadrinhar com debiques um ossículo carnudo e róseo que tinha sido corroído por influência humana e por esta desperdiçado e atirado para o buraco mefítico dos caixotes verdes. Mas os animais irracionais e desprovidos de autoconsciência não desperdiçam comida, mesmo aquela que lhes é estranha. Isto foi há um tempo. Recentemente no dia 06 de Junho de 2018, vi algo similar, se a minha ideia que os columbos* só comiam grãos foi destruída, então a minha noção que as gaivotas só comiam peixe foi dilacerada. Quando ia ao Pingo Doce fazer compras vi uma cena formidável e truculenta. Era a predação acerca do Pingo Doce. Notei uma gaivota com o bico sanguinolento a debicar com ferocidade numa carcaça de um pombo morto. Eu olhei para ele e ele olhou para mim e parou de devorar. Lembrei-me dos velocirraptores do "Jurassic Park: Parque Jurássico" ou dos leões da "Vida Selvagem" mas em ponto pequeno pois eu como Homem sou muito mais perigoso para a gaivota do que ela para mim. Ela não comia e só voltou ao seu manjar columbino quando me fui embora. Mais tarde depois de eu ter feito as compras, a gaivota ainda estava lá e eu vi ela atirar-se volantemente e tentar caçar em vão os outros pombos que estavam a comer poeira do chão pensado erroneamente que eram grãos. É claro que a gaivota não foi bem-sucedida pois os pombos voaram para longe. Longe da gaivota esfaimada que provavelmente não tem onde comer no vasto rio Tejo cada vez mais conspurcado pelo Homem. É a sobrevivência. É sorumbático. É macabro. Mas é assim a Natureza. É assim o Universo.


      *columbo
      substantivo masculino
      (Neol.) Um pombo.
      Etimologia: Do latim "columbus", <<idem>>


      (Espero que gostem (ou odeiem...) este microconto. Façam críticas construtivas e honestas, de nada me serve as críticas desconstrutivas e desonestas como "é giro", "é horrível" ou "é pretensioso". Digam com precisão os defeitos ou as virtudes para assim eu poder melhorar no futuro.)


      https://www.facebook.com/fernando.o.monstro/posts/1911370282246364



      « Última modificação: 22 de Março por Fernando Pinheiro »
        I'm bisexual and proud! xD Tu podes controlar o teu próprio destino e tomar as tuas próprias escolhas, podes fazer tudo, a única coisa que não podes controlar é a morte. https://www.facebook.com/FernandoEmanuelPinheiro/

        https://www.facebook.com/DracoMagnus27/

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        #783

        Offline sleepy_heart

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        Para um narrador - e, possivelmente, para qualquer pessoa que visse a cena de fora - aquele desviar do olhar era um sinal claro de que o interesse não era recíproco, no entanto, S. preferiu acreditar na possibilidade da reciprocidade. Talvez tenha tomado demasiada atenção às vozes internas: "Todos/as temos diferentes formas de reagir", "Pode não estar preparada/não ser a altura certa... quantas vezes temos o que é tão certo na altura mais errada?", etc. Demorou a entender o mesmo que o narrador sabe - que é o único que vê o quadro completo para o poder descrever ao detalhe: as figuras não saem do quadro para perceberem todos os tons existentes no mesmo. S. continua a não ver o quadro todo e, hoje em dia, a figura representada com ela naquela acção parece ter-se evadido de todas as novas pinturas onde S. é representada, mas já tem mais elementos introduzidos e entendidos pela passagem do tempo: o tempo traz todas as verdades que as personagens deixaram escapar algures nas suas histórias. Hoje S. sorri da sua ingenuidade - ou da esperança natural no ser humano - enquanto abana a cabeça lentamente e fecha os seus olhos ao lembrar-se desse momento: as peças, as certezas, os tons estavam todos lá e tu não os viste.


        (...)


        A frase comum "Até à próxima" foi acompanhada de uma última imagem pouco nítida pois o sol apresentava-se por trás de A. obrigando S. a semicerrar os olhos e de um breve sorriso que ainda captou no meio de toda aquela luz. O sol tem voltado várias vezes e a "próxima" de "Até à próxima" era tão hipotética quanto tudo o resto: com uma tendência maior para não acontecer do que para acontecer.


        (...)


        E é nisto, nesta ausência de sintonia quanto ao sentimento, essencialmente, que se perpetua um bloqueio numa - também ela - hipotética boa amizade, de partilha com bons elementos para ser bem nutrida e com a habitual partilha a que S. se terá acostumado e que terá visto desvanecer-se. J. terá tido razão ao afirmar precoce mas correctamente - com toda a certeza e com um conhecimento que até ao narrador terá escapado na própria altura - que muitas das vezes pensamos que fazemos parte de algo de que já não fazemos e que S. claramente já não fazia parte, fosse de que forma fosse. J. é como as personagens que aparecem durante pouco tempo no palco, deixam um ou outro aviso, ensinam algo importante sobre algo muito maior e com mais significado e saem de cena.
        « Última modificação: 6 de Outubro por sleepy_heart »

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          #784

          Offline Pat_Porto

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          Para um narrador - e, possivelmente, para qualquer pessoa que visse a cena de fora - aquele desviar do olhar era um sinal claro de que o interesse não era recíproco, no entanto, S. preferiu acreditar na possibilidade da reciprocidade. Talvez tenha tomado demasiada atenção às vozes internas: "Todos/as temos diferentes formas de reagir", "Pode não estar preparada/não ser a altura certa... quantas vezes temos o que é tão certo na altura mais errada?", etc. Demorou a entender o mesmo que o narrador sabe - que é o único que vê o quadro completo para o poder descrever ao detalhe: as figuras não saem do quadro para perceberem todos os tons existentes no mesmo. S. continua a não ver o quadro todo e, hoje em dia, a figura representada com ela naquela acção parece ter-se evadido de todas as novas pinturas onde S. é representada, mas já tem mais elementos introduzidos e entendidos pela passagem do tempo: o tempo traz todas as verdades que as personagens deixaram escapar algures nas suas histórias. Hoje S. sorri da sua ingenuidade - ou da esperança natural no ser humano - enquanto abana a cabeça lentamente e fecha os seus olhos ao lembrar-se desse momento: as peças, as certezas, os tons estavam todos lá e tu não os viste.


          (...)


          A frase comum "Até à próxima" foi acompanhada de uma última imagem pouco nítida pois o sol apresentava-se por trás de A. obrigando S. a semicerrar os olhos e de um breve sorriso que ainda captou no meio de toda aquela luz. O sol tem voltado várias vezes e a "próxima" de "Até à próxima" era tão hipotética quanto tudo o resto: com uma tendência maior para não acontecer do que para acontecer.


          (...)


          E é nisto, nesta ausência de sintonia quanto ao sentimento, essencialmente, que se perpetua um bloqueio numa - também ela - hipotética boa amizade, de partilha com bons elementos para ser bem nutrida e com a habitual partilha a que S. se terá acostumado e que terá visto desvanecer-se. J. terá tido razão ao afirmar precoce mas correctamente - com toda a certeza e com um conhecimento que até ao narrador terá escapado na própria altura - que muitas das vezes pensamos que fazemos parte de algo de que já não fazemos e que S. claramente já não fazia parte, fosse de que forma fosse. J. é como as personagens que aparecem durante pouco tempo no palco, deixam um ou outro aviso, ensinam algo importante sobre algo muito maior e com mais significado e saem de cena.


          É teu? :-)

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            #785

            Offline sleepy_heart

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            Ao amares uma mulher de uma cidade que amas não haverá guia turístico que te convença que a cidade tem ruas com nomes que não têm o nome dela, todas as calçadas te levarão ao interior do que sentes, os edifícios têm a sua silhueta e as suas pontes apresentam a melhor analogia de quem fica apesar da incerteza que é o amor: por muitas chegadas e partidas e por muitos caminhos desencontrados que haja a passar por cima delas permanecem intactas como quem permanece entre o que foi e o que está para vir sem sair do seu lugar.
            « Última modificação: Há 3 semanas por sleepy_heart »

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              #786

              Offline Escoffier

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              Na vida há momentos em que nos perdemos, ficamos com os olhos presos entre dois caminhos que nos chamam repletos de promessas e facilitismos que sabemos serem irreais e incapazes de serem realizados. Ficamos assim parados… Fico assim parada… O tempo passa e com ele surge a necessidade de tomar uma decisão, pensada ou não, que me faça continuar com o curso normal de uma vida em tudo agora atípica. Avanço…

              Um…
              Dois…
              Três…
              Quatro…

              Conto os passos como fazia em criança no caminho para a escola, nas minhas costas a luz começa a desaparecer e vejo-me envolta por estas paredes frias e feias. Por mais que deseje neste momento já não sou capaz de voltar atrás, já não posso ir para o local em que escolhi deixar-te ficar. Volto-me e já nada vejo… Tu desapareceste como sempre fizeste…

              Vinte e cinco…
              Vinte e seis…

              De ombro junto a parede ouço-te, do outro lado no outro caminho, ouço-nos! Os nossos sorrisos, as nossas promessas, a forma que o meu nome tem quando dito por ti… Paraliso, de mãos na parede procuro ver-nos, estou repleta de pessoas e tu és quem procuro, tu que estás envolto em “e se”. E se não tivesse desistido? E se as tuas antigas promessas fossem reais? E se… E se no fim fossemos felizes?
              Não me afasto da parede, ouço as minhas lágrimas quando voltas a partir o meu coração e os sorrisos quando voltas a fazer com que confie em ti, as pessoas que passam por mim não tem a capacidade de me afastar de nós. De me afastar de vós… Aquela ao teu lado não sou mais eu, aquela é alguém que decidiu lutar contra as dificuldade que se impuseram a um amor que eu achava não ser mais real. Vejo outros caminhos, outras possibilidades de ter alguém, vejo outros futuros, outros sorrisos que não serão teus… Porque não me consigo afastar desta fria, áspera e ensanguentada parede? Porque me empurro contra ela como quem procura uma passagem para uma felicidade perdida? Tropeço e caio, tento aprender a amar de novo, tento ver para além do que me deste, dói cada ferida que o meu corpo carrega. Estas cicatrizes que mesmo longe marcas neste corpo que embora não queira admitir ainda é teu… E se eu conseguir voltar atrás?
              Corro…

              Um…
              Dois…
              Três…
              Quatro…

              O grito arrasta o meu corpo, volto a cair quando todas as forças do tempo me puxam para o meu lugar, para o caminho que afinal fui eu que escolhi. Vejo os sorrisos de quem conheci apagarem-se à medida que me desconhecem, à medida que o tempo se afasta e se desfaz a cada passada que dou. Cada dolorosa e irreal passada! Vejo a luz, ouço a tua voz, vejo-nos juntos de novo. Tento gritar mas ouço o meu adeus, o que te disse quando não foste capaz de me fazer ficar, vejo as lágrimas que derramei e dói ver como me fizeste sofrer.
              “Diz algo… Não fiques simplesmente ai”
              Não falas… Partes… Aqui estou eu no local em que tudo começou, dois caminhos, duas escolhas que me assustam. De joelhos perco a força da decisão que tomei e tu partes… Tu partes sempre faça eu o que fizer… E se quisesses ficar?
              “Existe fatalismo no amor”, sei que te disse isso um dia, “nunca em tempo algum se ama sem se perder, as fasquias são altas quando colocamos a felicidade do outro acima da nossa própria capacidade de viver!”
              Olho os caminhos, levanto-me, recomponho a roupa tão rasgada como o meu metafórico coração. Olhas para mim com confusão… A tua voz chega lenta, suave, perdida…
              “Desculpa”
                Surely all art is the result of one's having been in danger, of having gone through an experience all the way to the end, where no one can go any further.

                Escritores e Poetas da rede
                #787

                Offline sleepy_heart

                • ****
                • Membro Sénior
                • Género: Feminino


                Que culpa tenho eu, querida,

                de sentires sem eu sentir?

                E que culpa tenho eu de sentir

                por quem por mim não sente

                o que sentes tu por mim?



                E que culpa tem de quem por quem sinto

                de sentir por ela o que por ti não sinto?



                E que culpa tenho eu, outra querida,

                de sentir por ti o que por mim não sentes

                fazendo-te lembrar que por ti não sente

                quem por quem tu sentes o que por ti sinto?



                Não vos parece, então,

                queridas,

                que todas somos vítimas de andar o amor perdido

                de malfadado em malfadado coração?

                Que culpa temos todas nós

                de ser origens e destinos

                trocados de um tonto amor

                que corre por aí sem bússola

                desvairado, desencontrado,

                sem os pontos cardeais

                fazendo-nos sentir tão perdidas quanto ele?



                   

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