rede ex aequo

Olá Visitante17.out.2019, 21:20:12

Autor Tópico: Escritores e Poetas da rede  (Lida 110385 vezes)

 
Escritores e Poetas da rede
#780

Offline sleepy_heart

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Gosto do amor simples, verdadeiro, sem jogos, sem gatos e ratos, sem toca e foge, sem o calculismo de quem quer responder logo mas faz esperar para não se dar, gosto do amor leve, do amor que bebe devagar e aprecia o momento, do amor demorado, mas não suspenso, gosto da constância, gosto da partilha, do encaixe dos tecidos profundos envolvidos pela alma, gosto de quem fica, também gosto de quem vai e gosto mais ainda de quem entra e não sai.
« Última modificação: 28 de Janeiro por sleepy_heart »

    Escritores e Poetas da rede
    #781

    Offline newcoldheart

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    Gosto do amor simples, verdadeiro, sem jogos, sem gatos e ratos, sem toca e foge, sem o calculismo de quem quer responder logo mas faz esperar para não se dar, gosto do amor leve, do amor que bebe devagar e aprecia o momento, do amor demorado, mas não suspenso, gosto da constância, gosto da partilha, do encaixe dos tecidos profundos envolvidos pela alma, gosto de quem fica, também gosto de quem vai e gosto mais ainda de quem entra e não sai.

    Gosto muito de tudo isso também. E mais ainda da forma simples como o descreves!
      "Eye contact is a dangerous, dangerous thing. But lovely. God, so lovely."

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      #782

      Offline Fernando Pinheiro

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      • Sou bissexual e não-binário/Amo-te, Anocas.
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      Gaia Severa

      Vi algo que era insólito e ao mesmo tempo arrepiante; e que era a prova que a Natureza pode ser cruel e que são mesmo assim as coisas do foro físico do nosso Macrocosmo. Por vezes deambulo por Almada observando os Almadenses como se bichos raros se tratassem; vejo os cafés, as cavaqueiras, os restaurantes, os monumentos, a cultura, popular e erudita. Vejo tudo. Vejo até os mendigos inominados e os animais vagos que mais ninguém vê. Omnia video. Quando se contempla com minudência, tudo é apreendido. E é nestas deambulações por Almada que observei os pombos a comer nas montureiras ao pé de uma loja-de-conveniência chinesa. Inclusive, vi pombos a esquadrinhar com debiques um ossículo carnudo e róseo que tinha sido corroído por influência humana e por esta desperdiçado e atirado para o buraco mefítico dos caixotes verdes. Mas os animais irracionais e desprovidos de autoconsciência não desperdiçam comida, mesmo aquela que lhes é estranha. Isto foi há um tempo. Recentemente no dia 06 de Junho de 2018, vi algo similar, se a minha ideia que os columbos* só comiam grãos foi destruída, então a minha noção que as gaivotas só comiam peixe foi dilacerada. Quando ia ao Pingo Doce fazer compras vi uma cena formidável e truculenta. Era a predação acerca do Pingo Doce. Notei uma gaivota com o bico sanguinolento a debicar com ferocidade numa carcaça de um pombo morto. Eu olhei para ele e ele olhou para mim e parou de devorar. Lembrei-me dos velocirraptores do "Jurassic Park: Parque Jurássico" ou dos leões da "Vida Selvagem" mas em ponto pequeno pois eu como Homem sou muito mais perigoso para a gaivota do que ela para mim. Ela não comia e só voltou ao seu manjar columbino quando me fui embora. Mais tarde depois de eu ter feito as compras, a gaivota ainda estava lá e eu vi ela atirar-se volantemente e tentar caçar em vão os outros pombos que estavam a comer poeira do chão pensado erroneamente que eram grãos. É claro que a gaivota não foi bem-sucedida pois os pombos voaram para longe. Longe da gaivota esfaimada que provavelmente não tem onde comer no vasto rio Tejo cada vez mais conspurcado pelo Homem. É a sobrevivência. É sorumbático. É macabro. Mas é assim a Natureza. É assim o Universo.


      *columbo
      substantivo masculino
      (Neol.) Um pombo.
      Etimologia: Do latim "columbus", <<idem>>


      (Espero que gostem (ou odeiem...) este microconto. Façam críticas construtivas e honestas, de nada me serve as críticas desconstrutivas e desonestas como "é giro", "é horrível" ou "é pretensioso". Digam com precisão os defeitos ou as virtudes para assim eu poder melhorar no futuro.)


      https://www.facebook.com/fernando.o.monstro/posts/1911370282246364



      « Última modificação: 22 de Março por Fernando Pinheiro »
        I'm bisexual and proud! xD Tu podes controlar o teu próprio destino e tomar as tuas próprias escolhas, podes fazer tudo, a única coisa que não podes controlar é a morte. https://www.facebook.com/FernandoEmanuelPinheiro/

        https://www.facebook.com/DracoMagnus27/

        Escritores e Poetas da rede
        #783

        Offline sleepy_heart

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        Para um narrador - e, possivelmente, para qualquer pessoa que visse a cena de fora - aquele desviar do olhar era um sinal claro de que o interesse não era recíproco, no entanto, S. preferiu acreditar na possibilidade da reciprocidade. Talvez tenha tomado demasiada atenção às vozes internas: "Todos/as temos diferentes formas de reagir", "Pode não estar preparada/não ser a altura certa... quantas vezes temos o que é tão certo na altura mais errada?", etc. Demorou a entender o mesmo que o narrador sabe - que é o único que vê o quadro completo para o poder descrever ao detalhe: as figuras não saem do quadro para perceberem todos os tons existentes no mesmo. S. continua a não ver o quadro todo e, hoje em dia, a figura representada com ela naquela acção parece ter-se evadido de todas as novas pinturas onde S. é representada, mas já tem mais elementos introduzidos e entendidos pela passagem do tempo: o tempo traz todas as verdades que as personagens deixaram escapar algures nas suas histórias. Hoje S. sorri da sua ingenuidade - ou da esperança natural no ser humano - enquanto abana a cabeça lentamente e fecha os seus olhos ao lembrar-se desse momento: as peças, as certezas, os tons estavam todos lá e tu não os viste.


        (...)


        A frase comum "Até à próxima" foi acompanhada de uma última imagem pouco nítida pois o sol apresentava-se por trás de A. obrigando S. a semicerrar os olhos e de um breve sorriso que ainda captou no meio de toda aquela luz. O sol tem voltado várias vezes e a "próxima" de "Até à próxima" era tão hipotética quanto tudo o resto: com uma tendência maior para não acontecer do que para acontecer.


        (...)


        E é nisto, nesta ausência de sintonia quanto ao sentimento, essencialmente, que se perpetua um bloqueio numa - também ela - hipotética boa amizade, de partilha com bons elementos para ser bem nutrida e com a habitual partilha a que S. se terá acostumado e que terá visto desvanecer-se. J. terá tido razão ao afirmar precoce mas correctamente - com toda a certeza e com um conhecimento que até ao narrador terá escapado na própria altura - que muitas das vezes pensamos que fazemos parte de algo de que já não fazemos e que S. claramente já não fazia parte, fosse de que forma fosse. J. é como as personagens que aparecem durante pouco tempo no palco, deixam um ou outro aviso, ensinam algo importante sobre algo muito maior e com mais significado e saem de cena.
        « Última modificação: Há 2 semanas por sleepy_heart »

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          #784

          Offline Pat_Porto

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          Para um narrador - e, possivelmente, para qualquer pessoa que visse a cena de fora - aquele desviar do olhar era um sinal claro de que o interesse não era recíproco, no entanto, S. preferiu acreditar na possibilidade da reciprocidade. Talvez tenha tomado demasiada atenção às vozes internas: "Todos/as temos diferentes formas de reagir", "Pode não estar preparada/não ser a altura certa... quantas vezes temos o que é tão certo na altura mais errada?", etc. Demorou a entender o mesmo que o narrador sabe - que é o único que vê o quadro completo para o poder descrever ao detalhe: as figuras não saem do quadro para perceberem todos os tons existentes no mesmo. S. continua a não ver o quadro todo e, hoje em dia, a figura representada com ela naquela acção parece ter-se evadido de todas as novas pinturas onde S. é representada, mas já tem mais elementos introduzidos e entendidos pela passagem do tempo: o tempo traz todas as verdades que as personagens deixaram escapar algures nas suas histórias. Hoje S. sorri da sua ingenuidade - ou da esperança natural no ser humano - enquanto abana a cabeça lentamente e fecha os seus olhos ao lembrar-se desse momento: as peças, as certezas, os tons estavam todos lá e tu não os viste.


          (...)


          A frase comum "Até à próxima" foi acompanhada de uma última imagem pouco nítida pois o sol apresentava-se por trás de A. obrigando S. a semicerrar os olhos e de um breve sorriso que ainda captou no meio de toda aquela luz. O sol tem voltado várias vezes e a "próxima" de "Até à próxima" era tão hipotética quanto tudo o resto: com uma tendência maior para não acontecer do que para acontecer.


          (...)


          E é nisto, nesta ausência de sintonia quanto ao sentimento, essencialmente, que se perpetua um bloqueio numa - também ela - hipotética boa amizade, de partilha com bons elementos para ser bem nutrida e com a habitual partilha a que S. se terá acostumado e que terá visto desvanecer-se. J. terá tido razão ao afirmar precoce mas correctamente - com toda a certeza e com um conhecimento que até ao narrador terá escapado na própria altura - que muitas das vezes pensamos que fazemos parte de algo de que já não fazemos e que S. claramente já não fazia parte, fosse de que forma fosse. J. é como as personagens que aparecem durante pouco tempo no palco, deixam um ou outro aviso, ensinam algo importante sobre algo muito maior e com mais significado e saem de cena.


          É teu? :-)

            Escritores e Poetas da rede
            #785

            Offline sleepy_heart

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            Para um narrador - e, possivelmente, para qualquer pessoa que visse a cena de fora - aquele desviar do olhar era um sinal claro de que o interesse não era recíproco, no entanto, S. preferiu acreditar na possibilidade da reciprocidade. Talvez tenha tomado demasiada atenção às vozes internas: "Todos/as temos diferentes formas de reagir", "Pode não estar preparada/não ser a altura certa... quantas vezes temos o que é tão certo na altura mais errada?", etc. Demorou a entender o mesmo que o narrador sabe - que é o único que vê o quadro completo para o poder descrever ao detalhe: as figuras não saem do quadro para perceberem todos os tons existentes no mesmo. S. continua a não ver o quadro todo e, hoje em dia, a figura representada com ela naquela acção parece ter-se evadido de todas as novas pinturas onde S. é representada, mas já tem mais elementos introduzidos e entendidos pela passagem do tempo: o tempo traz todas as verdades que as personagens deixaram escapar algures nas suas histórias. Hoje S. sorri da sua ingenuidade - ou da esperança natural no ser humano - enquanto abana a cabeça lentamente e fecha os seus olhos ao lembrar-se desse momento: as peças, as certezas, os tons estavam todos lá e tu não os viste.


            (...)


            A frase comum "Até à próxima" foi acompanhada de uma última imagem pouco nítida pois o sol apresentava-se por trás de A. obrigando S. a semicerrar os olhos e de um breve sorriso que ainda captou no meio de toda aquela luz. O sol tem voltado várias vezes e a "próxima" de "Até à próxima" era tão hipotética quanto tudo o resto: com uma tendência maior para não acontecer do que para acontecer.


            (...)


            E é nisto, nesta ausência de sintonia quanto ao sentimento, essencialmente, que se perpetua um bloqueio numa - também ela - hipotética boa amizade, de partilha com bons elementos para ser bem nutrida e com a habitual partilha a que S. se terá acostumado e que terá visto desvanecer-se. J. terá tido razão ao afirmar precoce mas correctamente - com toda a certeza e com um conhecimento que até ao narrador terá escapado na própria altura - que muitas das vezes pensamos que fazemos parte de algo de que já não fazemos e que S. claramente já não fazia parte, fosse de que forma fosse. J. é como as personagens que aparecem durante pouco tempo no palco, deixam um ou outro aviso, ensinam algo importante sobre algo muito maior e com mais significado e saem de cena.


            É teu? :-)

            É.

               

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