rede ex aequo

Olá Visitante15.set.2019, 07:31:24

Autor Tópico: Público ou privado?  (Lida 11016 vezes)

 
Público ou privado?
#0

Offline blueboy

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Eu passo a vida a discutir com os meus amigos o que seria melhor para o país. Se ao nacionalizarmos todos os serviços e indústrias fariamos com que houvesse uma distribuição mais igual dos rendimentos, ou se pelo contrário a privatização de tudo faria com que a competividade e diversidade promovesse o crescimento económico e por arrasto o social. Eu acredito pessoalmente que certos sectores como a saúde, educação, transportes e segurança social deviam ser responsabilidade do Estado, claro que em certas áreas haveria espaço para os privados, mas que estes não substituissem os serviços públicos. Acho que por serem sectores de extrema importância e que abrangem toda a gente deveria haver igualdade e acesso universal a eles, e sabemos que nos privados só quem tem dinheiro recebe o melhor, os outros contentam-se com os serviços que podem pagar. Basta vermos o caso dos E.U.A onde quem não tem um bom seguro de saúde está lixado, porque os hospitais públicos são poucos e de péssima condição, só mesmo para os "indigentes". Além disso as empresas privadas têm como principal função o lucro pessoal, ou seja fazem de tudo para impedir-vos de usar o seguro que pagaram (ver o filme Sicko de Michael Moore).

Podem também comentar o que acham em relação aos serviços públicos e privados no nosso país, que diferenças, o que preferem usar e o que mudariam.

Comentem  ;)
    Ainulindalë

    Público ou privado?
    #1

    Agamemnon

    • Visitante
    O post do blueboy assume inconscientemente a premissa de que os serviços quando são públicos não são pagos.

    Acesso universal e igualdade de acessos? Quem paga?

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      #2

      Offline Pulse

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      • After all, losing all hope was freedom.
      Sou mais a favor da nacionalização do que da privatização. Principalmente na área dos serviços, por exemplo acho um desperdício haver a nível nacional a autonomia por parte das escolas para escolherem os manuais escolares. Do meu ponto de vista os mesmos deveriam ser definidos pelo Ministério da Educação e a produção edição e distribuição dos mesmos ficaria a cargo do próprio Ministério, ou se quiserem melhor, que fosse contratada uma editora, através de concurso sendo escolhida aquela que oferecesse uma melhor relação qualidade/preço para o consumidor final.
        And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

        Público ou privado?
        #3

        Agamemnon

        • Visitante
        Sou mais a favor da nacionalização do que da privatização. Principalmente na área dos serviços, por exemplo acho um desperdício haver a nível nacional a autonomia por parte das escolas para escolherem os manuais escolares. Do meu ponto de vista os mesmos deveriam ser definidos pelo Ministério da Educação e a produção edição e distribuição dos mesmos ficaria a cargo do próprio Ministério, ou se quiserem melhor, que fosse contratada uma editora, através de concurso sendo escolhida aquela que oferecesse uma melhor relação qualidade/preço para o consumidor final.

        Porquê?

          Público ou privado?
          #4

          Offline Pulse

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          Sou mais a favor da nacionalização do que da privatização. Principalmente na área dos serviços, por exemplo acho um desperdício haver a nível nacional a autonomia por parte das escolas para escolherem os manuais escolares. Do meu ponto de vista os mesmos deveriam ser definidos pelo Ministério da Educação e a produção edição e distribuição dos mesmos ficaria a cargo do próprio Ministério, ou se quiserem melhor, que fosse contratada uma editora, através de concurso sendo escolhida aquela que oferecesse uma melhor relação qualidade/preço para o consumidor final.

          Porquê?

          Porquê o quê?  lol
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            Público ou privado?
            #5

            Agamemnon

            • Visitante
            Sou mais a favor da nacionalização do que da privatização. Principalmente na área dos serviços, por exemplo acho um desperdício haver a nível nacional a autonomia por parte das escolas para escolherem os manuais escolares. Do meu ponto de vista os mesmos deveriam ser definidos pelo Ministério da Educação e a produção edição e distribuição dos mesmos ficaria a cargo do próprio Ministério, ou se quiserem melhor, que fosse contratada uma editora, através de concurso sendo escolhida aquela que oferecesse uma melhor relação qualidade/preço para o consumidor final.

            Porquê?

            Porquê o quê?  lol

             lol Que és mais a favor da nacionalização!

              Público ou privado?
              #6

              Offline Pulse

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              • After all, losing all hope was freedom.
              Porque regra geral as empresas pertencentes ao estado acabam por conseguir vender bens ou serviços a preços mais baixos e justos para o consumidor, e porque pode haver de uma forma mais fácil uma adequação dos mesmos (dos custos) ao nível económico de cada um.
                And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

                Público ou privado?
                #7

                Agamemnon

                • Visitante
                Porque regra geral as empresas pertencentes ao estado acabam por conseguir vender bens ou serviços a preços mais baixos e justos para o consumidor, e porque pode haver de uma forma mais fácil uma adequação dos mesmos (dos custos) ao nível económico de cada um.


                Quanto à primeira, é falsa: por vezes são mais baratos para o consumidor directo, mas isso é porque são financiados por impostos. Não são mais baratos se contabilizares essa parcela.  ;)

                Quanto à segunda, e falsa e ilusória: 1) não há adequação de custos a nada. 2) Estás a assumir que necessidade te dá direito a exigir qualquer coisa dos outros.  ;)

                  Público ou privado?
                  #8

                  Offline Pulse

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                  Porque regra geral as empresas pertencentes ao estado acabam por conseguir vender bens ou serviços a preços mais baixos e justos para o consumidor, e porque pode haver de uma forma mais fácil uma adequação dos mesmos (dos custos) ao nível económico de cada um.


                  Quanto à primeira, é falsa: por vezes são mais baratos para o consumidor directo, mas isso é porque são financiados por impostos. Não são mais baratos se contabilizares essa parcela.  ;)

                  Quanto à segunda, e falsa e ilusória: 1) não há adequação de custos a nada. 2) Estás a assumir que necessidade te dá direito a exigir qualquer coisa dos outros.  ;)

                  Mas os próprios impostos existem de qualquer maneira, portanto que sejam para alguma coisa. Segundo existe adequação de custos sim, existem diversos serviços que adequam os seus preços em função do rendimento das famílias, por exemplo alguns infantários em que os pais pagam consoante os rendimentos que recebem e o que eu estou a assumir é que não deveria de haver diferenças de oportunidades devido a diferenças económicas.
                    And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

                    Público ou privado?
                    #9

                    Agamemnon

                    • Visitante
                    Porque regra geral as empresas pertencentes ao estado acabam por conseguir vender bens ou serviços a preços mais baixos e justos para o consumidor, e porque pode haver de uma forma mais fácil uma adequação dos mesmos (dos custos) ao nível económico de cada um.


                    Quanto à primeira, é falsa: por vezes são mais baratos para o consumidor directo, mas isso é porque são financiados por impostos. Não são mais baratos se contabilizares essa parcela.  ;)

                    Quanto à segunda, e falsa e ilusória: 1) não há adequação de custos a nada. 2) Estás a assumir que necessidade te dá direito a exigir qualquer coisa dos outros.  ;)

                    Mas os próprios impostos existem de qualquer maneira, portanto que sejam para alguma coisa. Segundo existe adequação de custos sim, existem diversos serviços que adequam os seus preços em função do rendimento das famílias, por exemplo alguns infantários em que os pais pagam consoante os rendimentos que recebem e o que eu estou a assumir é que não deveria de haver diferenças de oportunidades devido a diferenças económicas.

                    Ah! Mas o preço não são os custos!  ;)

                    Quanto à questão dos impostos, infelizmente, tens razão no nosso sistema político. Não é verdade que um corte nos serviços oferecidos pelo estado traga um corte na despesa pública, apesar de aumentar alguma resistência fiscal. Mas o nosso sistema democrático não é muito amigo de um Estado pequenino.  :-\

                      Público ou privado?
                      #10

                      Gonçalo ROMÃO

                      • Visitante
                      Depende. Como em Portugal os serviços públicos são uma miséria, penso que fosse melhor a privatização. Mas mesmo no geral, gosto mais da privatização, até porque quem investe numa determinada empresa, parte-se do princípio que está interessad@ em oferecer um bom serviço que dê lucro. Os serviços públicos têm sempre que existir, o Estado tem que ter uma entidade responsável por cada área (saúde, transportes, etc.)

                        Público ou privado?
                        #11

                        Offline tal-go

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                        • Um sonho...o Mundo.
                        Gostava de saber por que é que os privados do ramo X são mais facilmente desculpabilizados do que os públicos do ramo X. No fundo, dentro do mesmo sector o grau de exigencia é muito maior no público, como se o público tivesse um conjunto infinito de meios e de recursos.
                        Pulse, concordo a 100% contigo.

                          Público ou privado?
                          #12

                          Agamemnon

                          • Visitante
                          Gostava de saber por que é que os privados do ramo X são mais facilmente desculpabilizados do que os públicos do ramo X. No fundo, dentro do mesmo sector o grau de exigencia é muito maior no público, como se o público tivesse um conjunto infinito de meios e de recursos.
                          Pulse, concordo a 100% contigo.

                          Se o grau de exigência é diferente convém lembrares-te que enquanto um privado usa os seus recursos e estabelece relações com base num contrato, o pública retira coercivamente recursos dos cidadãos para financiar os seus projectos. Por outras palavras, enquanto num privado tens opção de não usar e não pagar, no público pagas sempre!

                            Público ou privado?
                            #13

                            Offline johny.n.1986

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                            • bang bang, I shot you down!
                            Gosto deste tópico.

                            Regra geral, os serviços devem ser privatizados caso a entidade privada que os opera seja capaz de prestar o dito serviço a um custo inferior. Tal é comum, considerando que estes privados possuem um know-how especializado (ex: na construção, na operação de uma concessão de água, de uma central termo-eléctrica, etc) enquanto o Estado não possui, tipicamente, ora o know-how específico, ora as economias de escala que lhe permitam custos inferiores. Sob esta óptica, é defensável ser-se apologista das Privatizações.

                            Olhemos, no entanto, para a vida real, e ser-nos-á possível identificar problemas:

                            1. Partilha de risco entre Públicos e Privados: Grande parte das privatizações é feita sob o regime de contratos de concessão, atribuídos a privados que vencem um determinado concurso público. Uma prática comum nestas coisas é aquilo que a teoria económica acabou por apelidar the winner's curse, um optimismo excessivo dos privados que concorrem a estes concursos, e que encabeçam nas suas propostas alguns pressupostos demasiado optimistas, que garantem que o custo de prestar o serviço fique bastante abaixo das receitas obtidas (e empoladas pelo seu optimismo). Esse optimismo advém, não só da natureza do homem, como da existência de sistemas de compensação short-term, linkados ao binómio "ganhar concurso vs perder concurso".
                            Entretanto, o tempo passa, e o privado vê que os pressupostos inicialmente delineados são irrealistas. A receita que o privado obtém é agora insuficiente para cobrir o custo. E agora? "Bem", pensa o Privado. "Vou fazer chantagem com o Estado e, ameaço-o que caso ele não me dê fundos adicionais, eu deixo de prestar o serviço". Imaginem agora se esta lógica fosse aplicada a uma concessão de água, a um hospital ou uma auto-estrada, alvos comuns de privatização. Deixavamos de ter água, deixávamos de ter prestadores de serviços de saúde e deixávamos de nos poder deslocar.
                            A chantagem funciona, o Estado vê-se obrigado a dar fundos adicionais ao Privado (apesar de a fonte de problema ter sido o seu optimismo inicial) e a eficiência social da privatização vai ao ar.

                            2. A máxima económica da "Maximização da Utilidade": Utilidade em Economia, significa bem-estar. Segundo os economistas, nós tomamos decisões que maximizam o nosso bem-estar.
                            Para um privado, a maximização da sua utilidade significa que ele deve maximizar o seu lucro (isto não é 100% correcto, mas não me vou por com detalhes económicos). Uma maneira de aumentar o lucro é aumentando o preço pelo qual o Privado presta o serviço. Caso consideremos um sector com pouca/alguma concorrência (vários prestadores do mesmo serviço, igualmente acessíveis à população em termos de distância), a prática de aumento de preços será mais viável se os outros prestadores de serviço também a pratiquem. Esta lógica é justificativa das práticas de cartel/ conluio, tipicamente associadas aos produtores de petróleo.
                            Todavia, esta mesma prática é incompatível com o value for money das privatizações, i.e., o Estado poderá prestar o serviço por um preço inferior, mantendo lucro positivo.
                            Pensemos agora que um sector é totalmente dominado por Privados, i.e., o Estado não participa como prestador do serviço nem existe um elevado número de players no sector. Neste caso, os Privados poderiam aumentar livremente o preço do serviço, mesmo que este seja um bem essencial (ex: água). Como evitar esta situação? Será suficiente a imposição de limites legais aos preços praticados? Na minha opinião, não, na medida em que o Privado poderá facilmente entrar em conluio e ameaçar o Estado de que cessará a prestação do serviço se este se opuser ao aumento generalizado do preço praticado. Agora imaginem que deixaríamos de ter água potável ou energia... Para evitar estas situações, convém que o Estado intervenha sempre na operação e prestação do serviço, de modo a evitar que os Privados ganhem um poder de negociação excessivo.

                            Em suma, caso o Estado não limite a rentabilidade do Privado, este tenderá a praticar preços demasiado elevados para o bem em causa.
                            Caso o Estado não imponha tais medidas que limitam a rentabilidade do Privado (ex: subida excessiva do preço da água), o Privado pode, de um dia para o outro, deixar de disponibilizar o serviço.
                            O Estado pode fazer um contra-ataque, e ameaçar o Privado de que a pausa na disponibilização do serviço será prejudicial à imagem e reputação do Privado no sector. Mas se a mesma prástica for seguida por outros Privados, o impacto na imagem é comparativamente baixo.
                            Logo, é importante assegurar concorrência (perfeita) nos sectores privatizados ou, de igual modo, a presença do Estado enquanto accionista de empresas estrategicamente importantes.

                            It's a wild world
                              With my feet on the air and my head on the ground

                              Público ou privado?
                              #14

                              Agamemnon

                              • Visitante
                              Gosto deste tópico.

                              Regra geral, os serviços devem ser privatizados caso a entidade privada que os opera seja capaz de prestar o dito serviço a um custo inferior. Tal é comum, considerando que estes privados possuem um know-how especializado (ex: na construção, na operação de uma concessão de água, de uma central termo-eléctrica, etc) enquanto o Estado não possui, tipicamente, ora o know-how específico, ora as economias de escala que lhe permitam custos inferiores. Sob esta óptica, é defensável ser-se apologista das Privatizações.

                              Eu acrescento às tuas palavras que a própria dinâmica das organizações públicas é diferente das privadas, e o risco moral abunda.  ;)

                              Olhemos, no entanto, para a vida real, e ser-nos-á possível identificar problemas:

                              1. Partilha de risco entre Públicos e Privados: Grande parte das privatizações é feita sob o regime de contratos de concessão, atribuídos a privados que vencem um determinado concurso público. Uma prática comum nestas coisas é aquilo que a teoria económica acabou por apelidar the winner's curse, um optimismo excessivo dos privados que concorrem a estes concursos, e que encabeçam nas suas propostas alguns pressupostos demasiado optimistas, que garantem que o custo de prestar o serviço fique bastante abaixo das receitas obtidas (e empoladas pelo seu optimismo). Esse optimismo advém, não só da natureza do homem, como da existência de sistemas de compensação short-term, linkados ao binómio "ganhar concurso vs perder concurso".
                              Entretanto, o tempo passa, e o privado vê que os pressupostos inicialmente delineados são irrealistas. A receita que o privado obtém é agora insuficiente para cobrir o custo. E agora? "Bem", pensa o Privado. "Vou fazer chantagem com o Estado e, ameaço-o que caso ele não me dê fundos adicionais, eu deixo de prestar o serviço". Imaginem agora se esta lógica fosse aplicada a uma concessão de água, a um hospital ou uma auto-estrada, alvos comuns de privatização. Deixavamos de ter água, deixávamos de ter prestadores de serviços de saúde e deixávamos de nos poder deslocar.
                              A chantagem funciona, o Estado vê-se obrigado a dar fundos adicionais ao Privado (apesar de a fonte de problema ter sido o seu optimismo inicial) e a eficiência social da privatização vai ao ar.


                              Médio. Creio que cometes um erro. Uma das causas da Winner's Curse é, tipicamente, o mau processamento de informação. O objecto é o mesmo, o licitador é que não conhece todas as características relevantes. Assim, os custos ex-post não são fruto da ineficiência do Winner. Por isso a eficiência económica não foi ao ar (excepto se assumirmos que, com mais informação, outro licitador conseguisse ser mais eficiente). Aumentarem-se as transferências neste caso não é uma falha da privatização, mas um reajustar face ao objecto.

                              2. A máxima económica da "Maximização da Utilidade": Utilidade em Economia, significa bem-estar. Segundo os economistas, nós tomamos decisões que maximizam o nosso bem-estar.
                              Para um privado, a maximização da sua utilidade significa que ele deve maximizar o seu lucro (isto não é 100% correcto, mas não me vou por com detalhes económicos). Uma maneira de aumentar o lucro é aumentando o preço pelo qual o Privado presta o serviço. Caso consideremos um sector com pouca/alguma concorrência (vários prestadores do mesmo serviço, igualmente acessíveis à população em termos de distância), a prática de aumento de preços será mais viável se os outros prestadores de serviço também a pratiquem. Esta lógica é justificativa das práticas de cartel/ conluio, tipicamente associadas aos produtores de petróleo.
                              Todavia, esta mesma prática é incompatível com o value for money das privatizações, i.e., o Estado poderá prestar o serviço por um preço inferior, mantendo lucro positivo.

                              Essas análises assumem igual utilidade para o consumidor se um bem for fornecido pelo Estado que se for fornecido por um público. Mas há todo um conjunto de factores não directamente económicos que devem ser tidos em conta, nomeadamente a natureza coerciva das receitas públicas ou os efeitos a longo-prazo do dinamismo da iniciativa privada, etc.

                              Pensemos agora que um sector é totalmente dominado por Privados, i.e., o Estado não participa como prestador do serviço nem existe um elevado número de players no sector. Neste caso, os Privados poderiam aumentar livremente o preço do serviço, mesmo que este seja um bem essencial (ex: água). Como evitar esta situação? Será suficiente a imposição de limites legais aos preços praticados? Na minha opinião, não, na medida em que o Privado poderá facilmente entrar em conluio e ameaçar o Estado de que cessará a prestação do serviço se este se opuser ao aumento generalizado do preço praticado. Agora imaginem que deixaríamos de ter água potável ou energia... Para evitar estas situações, convém que o Estado intervenha sempre na operação e prestação do serviço, de modo a evitar que os Privados ganhem um poder de negociação excessivo.

                              Em suma, caso o Estado não limite a rentabilidade do Privado, este tenderá a praticar preços demasiado elevados para o bem em causa.
                              Caso o Estado não imponha tais medidas que limitam a rentabilidade do Privado (ex: subida excessiva do preço da água), o Privado pode, de um dia para o outro, deixar de disponibilizar o serviço.
                              O Estado pode fazer um contra-ataque, e ameaçar o Privado de que a pausa na disponibilização do serviço será prejudicial à imagem e reputação do Privado no sector. Mas se a mesma prástica for seguida por outros Privados, o impacto na imagem é comparativamente baixo.
                              Logo, é importante assegurar concorrência (perfeita) nos sectores privatizados ou, de igual modo, a presença do Estado enquanto accionista de empresas estrategicamente importantes.

                              It's a wild world


                              Oh... Porque deixaria o privado de disponibilizar o serviço? O que é um poder de negociação excessivo na prática? Qual o mal de se aumentar a mark-up em alguns sectores? As respostas em alguns modelos económicos parecem simples, mas eu acho-as longe de triviais!  ;)

                                Público ou privado?
                                #15

                                Offline johny.n.1986

                                • *****
                                • Membro Ultra
                                • Género: Masculino
                                • bang bang, I shot you down!
                                Gosto deste tópico.

                                Regra geral, os serviços devem ser privatizados caso a entidade privada que os opera seja capaz de prestar o dito serviço a um custo inferior. Tal é comum, considerando que estes privados possuem um know-how especializado (ex: na construção, na operação de uma concessão de água, de uma central termo-eléctrica, etc) enquanto o Estado não possui, tipicamente, ora o know-how específico, ora as economias de escala que lhe permitam custos inferiores. Sob esta óptica, é defensável ser-se apologista das Privatizações.

                                Eu acrescento às tuas palavras que a própria dinâmica das organizações públicas é diferente das privadas, e o risco moral abunda.  ;)

                                Olhemos, no entanto, para a vida real, e ser-nos-á possível identificar problemas:

                                1. Partilha de risco entre Públicos e Privados: Grande parte das privatizações é feita sob o regime de contratos de concessão, atribuídos a privados que vencem um determinado concurso público. Uma prática comum nestas coisas é aquilo que a teoria económica acabou por apelidar the winner's curse, um optimismo excessivo dos privados que concorrem a estes concursos, e que encabeçam nas suas propostas alguns pressupostos demasiado optimistas, que garantem que o custo de prestar o serviço fique bastante abaixo das receitas obtidas (e empoladas pelo seu optimismo). Esse optimismo advém, não só da natureza do homem, como da existência de sistemas de compensação short-term, linkados ao binómio "ganhar concurso vs perder concurso".
                                Entretanto, o tempo passa, e o privado vê que os pressupostos inicialmente delineados são irrealistas. A receita que o privado obtém é agora insuficiente para cobrir o custo. E agora? "Bem", pensa o Privado. "Vou fazer chantagem com o Estado e, ameaço-o que caso ele não me dê fundos adicionais, eu deixo de prestar o serviço". Imaginem agora se esta lógica fosse aplicada a uma concessão de água, a um hospital ou uma auto-estrada, alvos comuns de privatização. Deixavamos de ter água, deixávamos de ter prestadores de serviços de saúde e deixávamos de nos poder deslocar.
                                A chantagem funciona, o Estado vê-se obrigado a dar fundos adicionais ao Privado (apesar de a fonte de problema ter sido o seu optimismo inicial) e a eficiência social da privatização vai ao ar.


                                Médio. Creio que cometes um erro. Uma das causas da Winner's Curse é, tipicamente, o mau processamento de informação. O objecto é o mesmo, o licitador é que não conhece todas as características relevantes. Assim, os custos ex-post não são fruto da ineficiência do Winner. Por isso a eficiência económica não foi ao ar (excepto se assumirmos que, com mais informação, outro licitador conseguisse ser mais eficiente). Aumentarem-se as transferências neste caso não é uma falha da privatização, mas um reajustar face ao objecto.

                                2. A máxima económica da "Maximização da Utilidade": Utilidade em Economia, significa bem-estar. Segundo os economistas, nós tomamos decisões que maximizam o nosso bem-estar.
                                Para um privado, a maximização da sua utilidade significa que ele deve maximizar o seu lucro (isto não é 100% correcto, mas não me vou por com detalhes económicos). Uma maneira de aumentar o lucro é aumentando o preço pelo qual o Privado presta o serviço. Caso consideremos um sector com pouca/alguma concorrência (vários prestadores do mesmo serviço, igualmente acessíveis à população em termos de distância), a prática de aumento de preços será mais viável se os outros prestadores de serviço também a pratiquem. Esta lógica é justificativa das práticas de cartel/ conluio, tipicamente associadas aos produtores de petróleo.
                                Todavia, esta mesma prática é incompatível com o value for money das privatizações, i.e., o Estado poderá prestar o serviço por um preço inferior, mantendo lucro positivo.

                                Essas análises assumem igual utilidade para o consumidor se um bem for fornecido pelo Estado que se for fornecido por um público. Mas há todo um conjunto de factores não directamente económicos que devem ser tidos em conta, nomeadamente a natureza coerciva das receitas públicas ou os efeitos a longo-prazo do dinamismo da iniciativa privada, etc.

                                Pensemos agora que um sector é totalmente dominado por Privados, i.e., o Estado não participa como prestador do serviço nem existe um elevado número de players no sector. Neste caso, os Privados poderiam aumentar livremente o preço do serviço, mesmo que este seja um bem essencial (ex: água). Como evitar esta situação? Será suficiente a imposição de limites legais aos preços praticados? Na minha opinião, não, na medida em que o Privado poderá facilmente entrar em conluio e ameaçar o Estado de que cessará a prestação do serviço se este se opuser ao aumento generalizado do preço praticado. Agora imaginem que deixaríamos de ter água potável ou energia... Para evitar estas situações, convém que o Estado intervenha sempre na operação e prestação do serviço, de modo a evitar que os Privados ganhem um poder de negociação excessivo.

                                Em suma, caso o Estado não limite a rentabilidade do Privado, este tenderá a praticar preços demasiado elevados para o bem em causa.
                                Caso o Estado não imponha tais medidas que limitam a rentabilidade do Privado (ex: subida excessiva do preço da água), o Privado pode, de um dia para o outro, deixar de disponibilizar o serviço.
                                O Estado pode fazer um contra-ataque, e ameaçar o Privado de que a pausa na disponibilização do serviço será prejudicial à imagem e reputação do Privado no sector. Mas se a mesma prástica for seguida por outros Privados, o impacto na imagem é comparativamente baixo.
                                Logo, é importante assegurar concorrência (perfeita) nos sectores privatizados ou, de igual modo, a presença do Estado enquanto accionista de empresas estrategicamente importantes.

                                It's a wild world


                                Oh... Porque deixaria o privado de disponibilizar o serviço? O que é um poder de negociação excessivo na prática? Qual o mal de se aumentar a mark-up em alguns sectores? As respostas em alguns modelos económicos parecem simples, mas eu acho-as longe de triviais!  ;)

                                Oba! Picadinha económica! :P

                                Relativamente ao primeiro comentário, sim, o moral hazard está subjacente às privatizações. Pode ser interpretado sob a óptica de o Estado pretender mitigar o risco a que está exposto, pondo a operação de determinado activo sujeita a privatização. Uma maneira fácil de vender isto é "martelando" a imagem transmitida dos fundamentos do projecto.
                                De facto e, considerando que a fiscalização das parcerias público-privadas tende a incidir na óptica do concorrente, e não do concedente, os cadernos de encargos apresentam-se como uma peça fácil de "vender" direitos de concessão a privados, mitigando os potenciais riscos/ suprindo falta de know-how ou qualquer tipo de "deseconomia" que o Estado possua na sua operação.
                                O problema e, tal como previamente referido, é que a experiência revela que o Estado raramente consegue um hedging perfeito, na medida em que estes processos têm tipicamente subjacentes cláusulas de Reequilibrio Económico Financeiro que obrigam o Estado a cobrir shortfalls de situações contingentes (muitas das vezes advindas do seu próprio martelanço). Conclusão: não existe, ao abrigo dos regimes de concessão aplicados na última década, um eficiente processo de alocação de risco a privados.

                                Relativamente ao segundo comentário, admito que a winner's curse não é o conceito correctamente aplicável ao exemplo que se pretendia demonstrar. Encaixa-se melhor na primeira. Optimismo excessivo é o conceito correcto. Todavia, faço notar que este pode advir tanto do Público, como do Privado. Daí que isto seja um wild world.

                                Relativamente ao terceiro, nota que estás a interpretar o conceito de utilidade na óptica do consumidor, e não do produtor. Entrando em detalhes, a curva de utilidade que aqui pretendia expor referia-se à do gestor, ignorando problemas de agência entre gestor e accionista. No fundo e, clarificando, interpreta isto como a maximização do TSR.
                                Automaticamente, a questão do "dinamismo empresarial" ou qualquer outra iniciativa de maximização de utilidade "social" (corrige-me se não era aqui que querias tocar), não coincide (e acaba por se contradizer) com o argumento (não tão extremo quanto isso) que eu pretendia referir e que se refere à "ganância" (?) dos privados e respectivo objectivo de maximização de lucro, na medida em que esta maximização acaba por ser antagónica com o objectivo de social wealth. Poderá aqui argumentar-se com as práticas de responsabilidade social, and so on and so forth, mas isso é irrelevante (para não dizer outra coisa).

                                Relativamente ao quarto, sem dúvida que se formos tentar achar respostas olhando unicamente para modelos económicos, acabamos por fircar ceguinhos. Mas acho bastante naife ignorar-se que o fim da prestação de serviço é um cenário irrealista.
                                O que é um poder de negociação excessivo? Neste caso, diria que é o facto da operação e distribuição de bens essenciais estar na mão de entidades que visam a maximização do valor accionista, e não do bem-estar social. São estes 2 conceitos coincidentes? (pergunta retórica).
                                Entrando na óptica operacional do processo de negociação, o método tipicamente aplicável é o de se tentar ir além do preço de reserva da outra parte. Se eu fosse Privado e estivesse a negociar com o Estado um eventual Reequilibrio de uma concessão, porque negaria a possibilidade de deixar de prestar o serviço? Nota que quando digo "deixar", estou a ser um tanto ao quanto "matreiro", na medida em que a) é algo que eu podia fazer; b) é algo que o Estado não deveria deixar acontecer, mas não possui os meios que me impeçam de deixar de prestar o serviço, pelo menos a curto prazo. Agora imagina a rebelia social que isto geraria.

                                Quanto a aumentar mark-up, tem problemas se considerarmos bens essenciais. Não são estes os que são tipicamente privatizados? O aumento de mark-up a níveis que excedem grandemente os da inflação não acaba por negar o acesso de bens essenciais a uma crescente fatia da população? Não é isto significado de redução de IDH e pobreza sócio-económica? I guess it is...

                                E sim, a aplicação directa de modelos económicos a estas questões tem um information content pobre; não obstante consegue ser esclarecedor. 

                                Agora que releio isto, fiquei a pensar que transpareci uma visão demasiado socialista do problema, o que não se coaduna com a minha visão da Economia. Mas, pensando um pouco mais, estamos a falar de serviços essenciais; ora não fossem eles operados pelo Estado.
                                  With my feet on the air and my head on the ground

                                  Público ou privado?
                                  #16

                                  Offline forjaz

                                  • ***
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                                  • Quoniam unicum non iterabile.
                                  Tenho a convicção de que o Estado devia ter apenas a função subsidiária, deixando tudo o resto à iniciativa privada.
                                  Legislando apenas os limites da concorrência para que não imperasse a lei da selva e abstendo-se da tentação de ser patrão, o Estado só tinha a ganhar.
                                  Para já é uma falsa ideia a de que o Estado patrão beneficia a sociedade, além de que, investindo dinheiro que não é seu, o Estado-patrão parte em desigualdade positiva perante as empresas com que concorre num determinado sector, não fazendo, assim, jogo limpo, logo sem idoneidade moral para retaliar quem depois comete fraudes.
                                  Obviamente que neste postulado não se pode ser dogmatista. Pode haver casos pontuais que, pela excepcionalidade da situação, levem a admitir que um determinado sector esteja sob a alçada do  Estado até que a situação excepcional se resolva e tudo retorne à normalidade.
                                  Mas o que me leva a estes considerandos é o caso da educação, após ter lido num jornal on-line um comentaria a uma notícia acerca dos exames nacionais.
                                  Quem comentou insinuava que os alunos do esnsino privado tinham boas notas porque os professores cometiam fraudes ajudando os alunos e que, portanto, o sucesso era uma falsidade.
                                  Esquece-se quem escreveu tal alarvice que os alunos que  têm frequentado o ensino particular são, no geral, pessoas que depois se continuam a destacar no ensino superior, onde a coisa, apesar de não estar perfeita, ainda fia mais fino.
                                  O que faz as boas notas dos alunos do ensino privado é a perseverança dos professores, verdadeiros profissionais que estão ali por mérito da sua carreira e não por compadrio nem por exibirem cartão de determinada cor, porque os pais que pagam têm o direito de ver justificado o seu investimento; é a sua não abstenção ao trabalho a não ser por verdadeira necessidade; é privilegiarem a exigência e a disciplina e não o laxismo e a anarquia; é nivelar por cima e no caso de dificuldades compensar as lacunas dos alunos com mais estudo e não com o recurso à descida dos objectivos; é mostrar trabalho e não encher quadros com estatísticas  para encher o olho.
                                  Frequentei o ensino privado e uma hora livre por falta de um professor era uma raridade tal que nem dela ficou a lembrança, porque a turma era devidamente acompanhada nessa situação por um professor que compensava o que faltava.
                                  É obvio que também há no ensino oficial excelentes alunos e que esses até têm o grande mérito de sobressaírem no meio da mediocridade que o Estado, a quem muitos querem entregar o ensino todo, tem promovido.
                                  Os defensores do ensino totalmente estatizado nem se dão conta de que estão a cair num grave engodo, porque quando se nega a libertado de ensino está-se a querer formatar as mentes para serem submissas a um modelo, o mesmo é dizer, está-se a coarctar a liberdade de pensar e a criar uma classe de pessoas amorfas que  sem espírito critico se deixem guiar pelos detentores do poder.
                                  Só uma escola plenamente livre pode educar para a liberdade.
                                  « Última modificação: 28 de Junho de 2011 por forjaz »
                                    Forja de Vulcano

                                    Público ou privado?
                                    #17

                                    Offline johny.n.1986

                                    • *****
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                                    Concordo com o que dizes mas acho que a questão do ensino privado também deriva de uma tripla correlação positiva entre a condição económica dos pais, estabilidade familiar e o trabalho de casa dos pais em incentivar os filhos a estudar.
                                      With my feet on the air and my head on the ground

                                      Público ou privado?
                                      #18

                                      Offline forjaz

                                      • ***
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                                      Claro Johny, eu também não quis fazer um tratado em defesa do ensino privado.

                                      Obviamente que a condição económica das familias condiciona o acesso ao ensino privado de qualidade. Mas também é preciso corrigir a ideia de que todos os estabelecimentos de ensino estão dependentes dos subsidios do Estado. No caso que frequentei, nem a ponta de um chavelho lá entrava de dinheiros públicos, sendo que os pais não tinham qualquer especial isenção de impostos por os filhos não usarem o ensino público. E eu, como muitos, nem sequer era filho de gente rica. Os meus pais eram operários texteis, embora nesse tempo os texteis ainda serem signficativos e porque em casa complementavamos com produção pecuária e agricola e economia familiar, o que, como se sabe, dá trabalho a que muitos hoje em dia são alérgicos.

                                      Depois, meu caro Johny, está errada toda a premissa que foi muito divulgada no governo anterior. Perante a incompetência e inoperancia de todo um ministério, disse-se à saciedade, aliás, até à nausea, que o ensino privado era subsidiado para ter condições de luxo, oferecendo aos educandos opções extracurriculares como equitação, natação, esgrima, música e outras. Ora não só não é verdade que assim seja, como se o fosse não consistir isso em nenhum crime, porquanto essas opções são custeadas fora parte e opcionalmente pelos pais que, por enquanto, ainda são livres de fazer do seu dinheiro o que muito bem entendem.

                                      Todos sabem que no momento em que o governo anterior iniciou essa cruzada, o que interessava era desviar as atenções para as verdadeiras causas da crise que levavam Portugal a afundar-se a pique. Mas pior que isso, mesmo que nessa cruzada houvesse algo de meritório e justo, o que mais surpreendía era o método, magistral atestado à incompetencia de uma governação: em vez de se nivelar por cima o ensino, procurando que uma racional gestão de recursos levasse a qualidade do público a ombrear com o privado, pretendeu-se fazer o contrário: minar o privado em nome da defesa do ensino público.

                                      Só faltava encetar uma nova fase, que talvez surgisse se de novo os Portugueses caissem na esparrela de votar PS: Criar o Governo empresas públicas, ou as célebras e encapotadas PPP para serem geridas por senhores que fosse necessário arrumar chorudamente, para no seu lugar vago encaixar mais meia dúzia de compadres e clientes fieis.

                                      Uma coisa é preciso sublinhar: À luz da legislação, ainda são os pais que têm o dever de educar os seus filhos, o que inclui o direito de escolher para eles a forma, a orientação e o local em que a educação escolar deve ser ministrada. Um Estado que não promova esta liberdade não é um estado democrático.

                                      Falaste depois, caro Johny, noutro ponto importante que é o investimento pessoal dos pais na cultura dos filhos. E falo propositadamente em cultura e não só em ensino, dado que aquela ultrapassa este. De facto é necessário reconhecer que muitas vezes nem são as avultadas condições económicas que motivam os pais a preocuparem-se e a investir na educação dos filhos, mas sim o cuidado em lhes dar uma educação esmerada. Quantos talentos ficaram por desenvolver, quantas aptidões por cultivar, quantas secretas ambições ficaram no recondito das vontadades, porque os pais se alhearam da educação dos filhos! Despejam-nos nas escolas e pretendem que de lá saia um produto acabado sem a minima intervenção deles. Por isso sempre hei-de exaltar aqueles pais, casos há até de humilde condição social e económica, que são capazes de mover céus e terra para que os filhos tenham, a par com as condições razoáveis para crescer harmonica e salutarmente, o acesso a uma sólida e abrangente cultura, reconhecendo que o bem estar económico não é tudo e que a cultura é um bem inestimável e a mais sólida e segura forma de promoção integral do homem.

                                      Mas, no contexto actual, salvo raras e honrosas excepções, não é isso que se vê, pelo que digo, citando o titulo do livro do Dr. Daniel Sampaio: "Inventem-se novos pais".
                                        Forja de Vulcano

                                        Público ou privado?
                                        #19

                                        Offline Miguel★

                                        • *****
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                                        Privatização não!

                                        Ensino e saúde não são negócios. Passos Coelho, tome notas e esqueça essas ideias neoliberais sem cabimento. Isto é Portugal, não é propriamente o Luxemburgo.

                                         

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                                        Última mensagem 18 de Dezembro de 2010
                                        por Miguel★
                                        0 Respostas
                                        1181 Visualizações
                                        Última mensagem 15 de Abril de 2010
                                        por LFernandow
                                        Música Erudita

                                        Iniciado por Til « 1 2 ... 6 7 » Música, Rádio e Dança

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                                        Última mensagem 8 de Março de 2018
                                        por carolinalg