rede ex aequo

Olá Visitante24.nov.2020, 11:38:18

Autor Tópico: Transexualidade  (Lida 149754 vezes)

 
Projecto Inclusão nas Tardes da Júlia - Quarta, 10 Nov às 14h na TVI
#500

Offline wilhelmina

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Boa tarde a tod@s e obrigada pela vossa resposta. No entanto gostaria de dizer algumas coisas:


“Por exemplo, a 17 de Maio deste ano a rede ex aequo organizou uma iniciativa para assinalar o Dia Internacional da Luta contra a Homofobia e a Transfobia. Houve o cuidado de dar o mesmo destaque à homofobia e à transfobia. Tudo o que passou para o público sobre este evento foi: "gays e lésbicas".”


Claro que esta confusão existe na cabeça das pessoas, porque em tudo o que li, (e muito mais tenho para ler e aprender), quer em Portugal quer noutros países da CE ou fora, como o EUA, para além dos casos que tenho conhecimento ao vivo e a cores, todos os transexuais, quase que me atrevo a dizer, sem excepção, são confundidos com homosexuais, devido ao seu comportamento natural e os maneirismos que estão de acordo dom a sua identidade cerebral e que são opostos ao sexo biológico com que nasceram.

“É que é muito difícil avançar com iniciativas relacionadas com a identidade de género sem o input de pessoas transexuais…”
 “É necessário maior envolvimento de pessoas transexuais e transgéneros com informação, experiência e voluntariado, a dar a cara e o corpo ao manifesto. Não tenho dúvidas de que é apenas uma questão de tempo até que surja tal personalidade, anónima ou não.”


Na verdade, tem havido mais informação sobre a transexualidade, na qual intervenho sempre que posso. No entanto, não posso deixar de referir todo o trabalho de informação que a Su Tavares, que penso fazer parte da rea, tem tentado fazer (quase sozinha), sobre a transexualidade, o que é, como se detecta, como se podem ajudar estas pessoas.


O que também verifico, é que a maioria das comunidades T (transexuais), estão escondidas dentro de um “gueto” e raras são as pessoas, que participam activamente em fóruns fora dessas comunidades, com medo de serem insultados e agredidos.


A Su Tavares resolveu, dentro do que lhe é possível, sair fora das comunidades T e divulgar este tema cá fora.
Já foi entrevistada na rádio e pelo ISCTE, tem passado imensa informação noutros locais da comunicação social. Apenas ainda não pode dar a cara. Porquê? Porque não se pode dar a luxo de perder o trabalho que tem, o que complica mais pela idade que tem.

Até há bem pouco tempo, no local trabalho dela, sempre pensaram que ela era homosexual masculino. Deixaram de pensar isso, quando souberam que ela tem namorada. Ficaram mais confusos ainda, porque sentem que ela tem algo diferente que lhes escapa.

E ela não conta porque a protecção no emprego para estas pessoas simplesmente não existe, na constituição Portuguesa a identidade de género não está prevista como factor discriminatório, à semelhança da raça, religião, orientação sexual.

E porque esta é uma lacuna grave, não há protecção para estas pessoas.

Por isso, ela ainda não pode dizer a ninguém no seu local de trabalho que tem disforia de género, que é mulher, que está a tomar hormonas e assim que puder faz a cirurgia de reatribuição de sexo. Mas, quando as mudanças físicas forem mais visíveis, então terá de falar com alguém responsável na empresa, correndo sempre o risco de ser despedida
.


A questão, Margarida T., é que as pessoas transexuais, em Portugal, não têm iniciativa completamente nenhuma. Nem fora nem dentro das associações e grupos LGBT. Compreendo, e faço-a também várias vezes, a crítica às associações LGBT que usam estas siglas e tantas vezes se esquecem do T. Mas a verdade é que não há assim tanto que possam fazer sem terem pessoas que pertençam a esse grupo a colaborar com elas. Tome-se o exemplo da rede que referes, do dia internacional da homo e transfobia. A rede bem pode dar o mesmo destaque a um como ao outro, que se depois, na prática, só tiver pessoas gay e lésbicas a colaborar no evento, a boa intenção não serve de nada. Depois à outra questão, que é não terem as pessoas transexuais a trabalhar do lado delas, e depois quando querem fazer alguma coisa por estas pessoas, fazem-no sem noção e sem informação nenhuma. Ou seja, sai porcaria...

E como disse noutro tópico, digo-o agora aqui: quando se fala em que as pessoas transexuais trabalhem pela causa transexual, não se fala em qualquer tipo de exposição. Há muito trabalho que se pode fazer na sombra, até para permitir que quem dê a cara tenha o input das outras por trás. É isto que se chama representação, não uma pessoa a falar por todas, mas a dizer apenas a sua opinião pessoal, como vemos repetidamente. E a verdade é que nem esse trabalho de background as pessoas estão dispostas a fazer...

Quanto à Su Tavares, ela não faz parte da rede ex aequo (tanto quanto sei, nem se enquadra no limite de idade que a rede, como associação de jovens, tem de impor), mas sim da Opus Gay - associação que mescla atitudes transfóbicas com uma ou outra iniciativa de apoio à comunidade transexual (situação que espero ver melhorada pela Su, a curto-médio prazo). Ao que me tem parecido até agora, ela é apenas mais uma com vontade de trabalhar, mas com mais vontade de o fazer sozinha que de se juntar a quem quer fazer o mesmo. Infelizmente, a sensibilização que é necessária fazer sobre os transexuais não se faz com blogs de noticias, nem na zona de comentarios dos sites de jornais, nem nada que o valha. É necessária união entre as pessoas transexuais, e essa união não existe. É preciso chamar a atenção das pessoas, e depois dizer-lhes o que pensamos, o que nos incomoda, aquilo que precisamos... Não esperar que seja dada essa atenção e ir lá dizer qualquer coisa. Não esperar que alguém nos procure para lhes dizermos o que temos a dizer.

Refiro mais uma vez o GRIT, que como único grupo de transexuais em Portugal, tem-se esforçado a dar visibilidade ao tema: e os seus integrantes também já falaram bastante na comunicação social, seja em jornais, televisão ou rádio. Participaram em estudos e tentaram motivar outros para o fazerem. Tentam dar visibilidade ao tema dentro da comunidade LGBT (que é procurada por alguns transexuais que andam perdidos e não sabem onde procurar ajuda, e precisam encontrar gente igual a eles), mas também fora, onde reina a total ignorância sobre o tema. Mas o grupo continua a ter um número muito limitado de participantes. Olhando para o que já fizemos, pergunto o que faríamos se tivéssemos um número decente de voluntários! É isso que cada transexual que quer fazer alguma coisa devia pensar, para depois experimentar juntar-se a nós...
« Última modificação: 2 de Dezembro de 2010 por Templarius »

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    #501

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    Sim, a at ajudava toda a gente, e não vejo mal nenhum nisso, desde que não misturasse conceitos nem reivindicações (como a campanha stp faz). Muita gente foi encaminhada para os seus processos através da at, como também deves saber, algumas (poucas) por mim própria. E sei que, nos poucos anos em que estive na at antes dela acabar, o trabalho que foi feito foi sobre transexualidade. Anteriormente não sei. Deves saber então também que foi a at a apresentar a primeira proposta de lei de identidade de género em Portugal. E foi-o precisamente à ILGA Portugal. E esse foi o fim da proposta.
    Isto e a posição tomada pela ILGA Portugal quando da entrada da orientação sexual para o artº 13º da Constituição Portuguesa (que como deves saber acedeu em trocar a entrada da orientação sexual se a ILGA Portugal desistisse da ideia da identidade de género ao que ela anuiu) sempre me puseram algumas reticências em relação à ILGA Portugal, pois nunca se retratou.
    Acho que reivindicações, devemos reivindicar as nossas, pois temos necessidades muito exclusivas. Mas a nossa exclusão deve parar aí. Não tenhamos a mesma posição de discriminação contra as outras pessoas transgénero que grande parte da comunidade LG e hetero têm para connosco. Afinal a realidade é que temos parte dos problemas em comum.

    Como novidades temos entretanto:
    Proposta conjunta de alteração de nome e género aprovada

    Lei para transexuais aprovada no Parlamento
     

    Identidade de Género segue agora para Cavaco Silva
    « Última modificação: 26 de Novembro de 2010 por Transfofa »

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      #502

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      Aprovado diploma para simplificar mudança do registo civil de sexo e nome dos transexuais
      Lusa - 26.11.2010

      O Parlamento aprovou hoje as iniciativas do Governo e do Bloco para simplificar a mudança do registo civil de sexo e do nome dos transexuais, com votos favoráveis da esquerda e de 12 deputados do PSD, ao contrário da sua bancada.

      O Parlamento aprovou hoje, em votação final global, o texto final relativo à proposta do Governo e do projecto de lei do Bloco de Esquerda, com os votos favoráveis do PS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes e com os votos contra do PSD e do CDS.

      No entanto, da bancada social-democrata 12 deputados votaram favoravelmente: Luísa Roseira, Paulo Mota Pinto, José Eduardo Martins, Luís Campos Ferreira, António Leitão Amaro, Pedro Rodrigues, Emídio Guerreiro, Vânia de Jesus, Sérgio Vieira, Celeste Amaro, Carina João e Paulo Cardoso anunciaram que irão apresentar uma declaração de voto. Outros nove deputados do PSD abstiveram-se. A deputada social-democrata Francisca Almeida anunciou que a bancada do PSD entregou uma declaração de voto sobre esta proposta, na qual os deputados da bancada laranja tinham liberdade de voto. Na bancada socialista, as deputadas Rosário Carneiro e Teresa Venda votaram contra e também vão entregar uma declaração de voto.

      A proposta final, elaborada por um grupo de trabalho constituído por todos os partidos, no âmbito da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, incorporou algumas das preocupações transmitidas durante as audições – entre os quais médicos e associações de defesa dos direitos dos homossexuais e transexuais -, nomeadamente a questão das equipas que podem fazer o diagnóstico de perturbação de identidade de género.

      A lei regula “o procedimento de mudança de sexo no registo civil e correspondente alteração de nome próprio”, sendo aplicável a pessoas portuguesas “a quem seja diagnosticada perturbação de identidade de género”. Este pedido pode ser efectuado em qualquer conservatória do registo civil, apresentando um relatório que comprove o diagnóstico” desta perturbação, “também designado de transexualidade, elaborado por equipa clínica multidisciplinar de sexologia clínica”, que deve ser subscrito “pelo menos por um médico e um psicólogo”.

      Na declaração de voto que entregou na Assembleia da República, a bancada do PSD considera que o diploma agora aprovado não se limitou a “uma mera desjudicialização do processo”, mas pretendeu “tornar o processo de mudança do registo do sexo menos rigoroso e, sobretudo, menos garantístico”.

      http://www.publico.pt/Sociedade/aprovado-diploma-para-simplificar-mudanca-do-registo-civil-de-sexo-e-nome-dos-transexuais_1468280

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        #503

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        Em relação à notícia saída no Público e publicada aqui na íntegra, deico aqui um apelo para que tod@s vão aos comentários e escrevam (pode ser como incógnitos) o vosso repúdio sobre a escolha da foro para ilustrar o artigo (foto de dois homens sentados num banco abraçados) que nada mais faz que perpetuar a colagem da transexualidade à homossexualidade. Eu já deixei o meu comentário, espero pelos vossos.

        Vamos nessa, a nossa luta também é feita destes pormenores.


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        #504

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        Em relação à notícia saída no Público e publicada aqui na íntegra, deico aqui um apelo para que tod@s vão aos comentários e escrevam (pode ser como incógnitos) o vosso repúdio sobre a escolha da foro para ilustrar o artigo (foto de dois homens sentados num banco abraçados) que nada mais faz que perpetuar a colagem da transexualidade à homossexualidade. Eu já deixei o meu comentário, espero pelos vossos.

        Vamos nessa, a nossa luta também é feita destes pormenores.


        Pois, o Público é aquela coisa fantástica...

        Já noutra notícia sobre a mesma lei, ilustraram com a imagem de uma prostituta (!!). Andei a enviar e-mails para a redacção, direcção e provedor do leitor e não responderam nem alteraram a imagem  >:(

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          #505

          Offline corema

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          Vamos nessa, a nossa luta também é feita destes pormenores.


          Pois, o Público é aquela coisa fantástica...

          Já noutra notícia sobre a mesma lei, ilustraram com a imagem de uma prostituta (!!). Andei a enviar e-mails para a redacção, direcção e provedor do leitor e não responderam nem alteraram a imagem  >:(

          Ia dar o mesmo exemplo que tu... Quando saiu esse artigo sobre transexualidade ilustrado com uma prostituta, também lhes escrevi!
          Acho que não sabem como escolher um foto adequada, não percebem nada de transexualidade...

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            #506

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            Em relação à notícia saída no Público e publicada aqui na íntegra, deico aqui um apelo para que tod@s vão aos comentários e escrevam (pode ser como incógnitos) o vosso repúdio sobre a escolha da foro para ilustrar o artigo (foto de dois homens sentados num banco abraçados) que nada mais faz que perpetuar a colagem da transexualidade à homossexualidade. Eu já deixei o meu comentário, espero pelos vossos.

            Vamos nessa, a nossa luta também é feita destes pormenores.


            Pois, o Público é aquela coisa fantástica...

            Já noutra notícia sobre a mesma lei, ilustraram com a imagem de uma prostituta (!!). Andei a enviar e-mails para a redacção, direcção e provedor do leitor e não responderam nem alteraram a imagem  >:(

            Ia dar o mesmo exemplo que tu... Quando saiu esse artigo sobre transexualidade ilustrado com uma prostituta, também lhes escrevi!
            Acho que não sabem como escolher um foto adequada, não percebem nada de transexualidade...

            Nem disso nem de cenas LGBT em geral. Já alertei o Público por 2 vezes sobre publicação de factos falsos aquando da discussão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. As respostas deles são sempre brilhantes.

            Nos Prémios Media 2010, na parte das questões do público, referi essa situação da ilustração da prostituta. Estava lá a S. José Almeida do Público, espero que tenha servido de alguma coisa...

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              #507

              Caio

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              É claro que fizeram de propósito. Lamentável!

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                #508

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                O Público retirou a foto que tinha posto, substituindo-a por uma de um cartório notarial. Tod@s que lá foram deixar o testemunho da sua rejeição pela foto que lá estava estão de parabens. Desta vez a votória foi nossa.

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                #509

                Offline Symphonic

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                O Público retirou a foto que tinha posto, substituindo-a por uma de um cartório notarial. Tod@s que lá foram deixar o testemunho da sua rejeição pela foto que lá estava estão de parabens. Desta vez a votória foi nossa.

                Parece que comentários resultam melhor do que tentar contactá-los por e-mail. Temos de fazer isto mais vezes! :)

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                  #510

                  Offline timmy

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                  Eu contactei-os por mail e sei que mais gente o fez também. Acho que foi o resultado de ambas as abordagens :)

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                    #511

                    Offline τοRoyalSizeΚΞ

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                    Eu contactei-os por mail e sei que mais gente o fez também. Acho que foi o resultado de ambas as abordagens :)
                    Eu deixei comentário e também enviei email.
                    Estamos todos de parabéns^^



                    Não percebo os seguintes pontos, alguém mos consegue explicar? (Ou alguém tem o link directo para o texto da lei aprovada?) É que sem a explicação do que é o próprio artigo fica difícil :-\

                    (...)
                    “Artigo 69.º
                    (...)
                    o) A mudança de sexo e a consequente mudança de nome próprio;
                    (...)
                    4 - Os factos referidos na alínea o) do n.º 1 apenas são averbados:
                    a) Aos assentos de nascimento dos filhos maiores da pessoa que mudou de sexo, a requerimento daqueles;
                    b) Ao assento de nascimento do outro cônjuge com consentimento deste prestado através de declaração perante oficial do registo civil ou de documento autêntico ou autenticado.

                    (...)

                    Artigo 104.º
                    (...)
                    g ) A alteração do nome próprio resultante da mudança da menção do sexo.
                    (...)


                    Artigo 123.º
                    [...]
                    1 - O estabelecimento da filiação, a alteração de nome consequente, a mudança de sexo e a consequente alteração de nome próprio, o nome dos avós, a adopção plena e o casamento dos pais podem ser integrados no texto do assento de nascimento ao qual tenham sido averbados, a requerimento verbal dos interessados ou dos seus representantes legais, mediante a realização de novo assento de nascimento.
                    (...)


                    Artigo 214.º
                    (...)
                    3 - Dos assentos a que se mostre efectuado qualquer averbamento de mudança de sexo e consequente alteração de nome próprio, só podem ser passadas certidões de cópia integral ou fotocópias a requerimento do próprio, dos seus herdeiros e das autoridades judiciais ou policiais para efeitos de investigação ou instrução criminal.
                    (...)
                    6 - As autoridades judiciais ou policiais e o IRN, I. P., podem sempre requerer certidão de qualquer registo ou documento, exceptuados os casos previstos no n.º 3.


                    Artigo 217.º
                    (...)
                    5 - No caso de registo cancelado decorrente de procedimento de mudança de sexo considera-se interessado apenas o próprio, os seus herdeiros e as autoridades judiciais ou policiais para efeitos de investigação ou instrução criminal.

                    (...)


                    (...)
                    Artigo 70.º
                    (...)
                    i) A mudança de sexo de qualquer dos cônjuges e a correspondente mudança de nome próprio, desde que haja consentimento do outro cônjuge, prestado por declaração perante o oficial do registo civil ou através de documento autêntico ou autenticado.
                    2 - [Revogado pelo Decreto-Lei n.º 247-B/2008, de 30 de Dezembro].
                    (...)
                    Neste caso, se o cônjuge não consentir então o companheiro transsexual não pode pedir a mudança de sexo e de nome no registo, nem fazer a transição? São obrigados a divorciar-se?


                    Artigo 6.º
                    Disposições finais
                    1- A presente lei aplica-se a todos os pedidos de mudança do registo do sexo efectuados a partir da sua entrada em vigor, independentemente da existência de processos judiciais pendentes ou de ter havido decisão judicial sobre a matéria em data anterior à vigência da presente lei.
                    E aqui, quer dizer que os processos que se encontram a decorrer neste momento será anulados e deixam de existir? Ou quer dizer que para além de as pessoas que já estão com processos a decorrer têm de esperar que os mesmos acabem apesar de poderem pedir a mudança de nome e sexo no registo quando a lei entrar em vigor? ???

                    2 – O Estado Português reconhece a alteração de registo do sexo efectuada por pessoa de nacionalidade portuguesa que, tendo outra nacionalidade, tenha modificado o seu registo do sexo perante as autoridades desse Estado.
                    Se um transsexual luso-moldavo não conseguir a mudança desejada no registo na Moldávia o estado português não poderá conceder-lhe essa mudança no registo? ???
                    « Última modificação: 1 de Dezembro de 2010 por τοRoyalSizeΚΞ »

                      Transexualidade
                      #512

                      Offline Transfofa

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                      Vou responder só ao mais rápido pois estou limiitada por tempo. O restante podes ler a lei, ver a que se referem os artigos em questão. Tens de ver o artº 104, por exemplo, ler o que o artigo diz e veres que alterações sofre com as alíneas que mudam com esta lei. tens de ver a lei geral e ver nos artigos em questão o que muda na sua redacção. Mais logo, se tiver tempo e se ninguém tiver respondido entretanto posso tentar explicar.

                      O artº 70º diz que, se o cônjuge não consentir, não lhe será alterado na documentação o novo nome e género da pessoa transexual. Ou seja, imagina que uma pessoa transexual é casada. Faz a transição e tal, altera a documentação, mas o cônjuge dessa pessoa só altera a sua própria documentação se quiser, ou seja, se concordar. É isso que a lei estipula, não tem a ver com a transição em si, nem com o facto de estar casado. A outra pessoa (cônjuge) é que pode não querer ter na sua documentação que está casada com uma pessoa do mesmo género quando casou com uma do género oposto.

                      O Artº 6º diz que esta lei entra em vigor para toda a gente, independentemente de terem processos em andamento ou mesmo de já estarem terminados. Atenção, processos nos tribunais. Portanto se alguém tiver um processo de alteração de nome e género a decorrer num tribunal, se quiser, anula esse processo e faz a alteração por esta lei, em vez de continuar à espera dos tribunais. Também uma pesso que tenha tido o seu processo indeferido num tribunal, pode com esta lei fazer um pedido e, desde que apresente os requesitos, alterar nome e género.

                      Um transexual luso-moldavo, se mudar a documentação na Moldávia, vê essa alteração reconhecida pelo estado português. Se não a mudar lá, como é nacional, pode fazê-lo aqui, desde que preencha os requesitos.

                      Transexualidade
                      #513

                      Offline τοRoyalSizeΚΞ

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                      Vou responder só ao mais rápido pois estou limiitada por tempo. O restante podes ler a lei, ver a que se referem os artigos em questão. Tens de ver o artº 104, por exemplo, ler o que o artigo diz e veres que alterações sofre com as alíneas que mudam com esta lei. tens de ver a lei geral e ver nos artigos em questão o que muda na sua redacção. Mais logo, se tiver tempo e se ninguém tiver respondido entretanto posso tentar explicar.
                      Obrigado :)

                      O artº 70º diz que, se o cônjuge não consentir, não lhe será alterado na documentação o novo nome e género da pessoa transexual. Ou seja, imagina que uma pessoa transexual é casada. Faz a transição e tal, altera a documentação, mas o cônjuge dessa pessoa só altera a sua própria documentação se quiser, ou seja, se concordar. É isso que a lei estipula, não tem a ver com a transição em si, nem com o facto de estar casado. A outra pessoa (cônjuge) é que pode não querer ter na sua documentação que está casada com uma pessoa do mesmo género quando casou com uma do género oposto.
                      Não deveria haver obrigatoriedade nesse aspecto?? ??? Não me parece correcto que o cônjuge (ou qualquer outra pessoa) não consinta e se interponha na correcta delineação da identidade de uma pessoa, nem me parece correcto que o estado legitimize isso.

                      O Artº 6º diz que esta lei entra em vigor para toda a gente, independentemente de terem processos em andamento ou mesmo de já estarem terminados. Atenção, processos nos tribunais. Portanto se alguém tiver um processo de alteração de nome e género a decorrer num tribunal, se quiser, anula esse processo e faz a alteração por esta lei, em vez de continuar à espera dos tribunais. Também uma pesso que tenha tido o seu processo indeferido num tribunal, pode com esta lei fazer um pedido e, desde que apresente os requesitos, alterar nome e género.
                      Got it  ;)

                      Um transexual luso-moldavo, se mudar a documentação na Moldávia, vê essa alteração reconhecida pelo estado português. Se não a mudar lá, como é nacional, pode fazê-lo aqui, desde que preencha os requesitos.
                      Got it  ;)

                        Transexualidade
                        #514

                        Offline Transfofa

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                        • Membro Júnior
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                          • Pagina da Edu
                        A liberdade tem destas coisas, é muito complicado a resolução deste tipo de problemas. Tal como se deve reconhecer o nosso género real, não o atribuído a nescença, temos de pensar noutra coisa, até que ponto seria legítimo forçarmos uma pessoa a alterar a sua documentação contra a vontade dessa mesma pessoa? De qualquer modo, não me parece que vão existir muitos casos em que exista conflicto. Ou o cônjuge aceita continuar casado com uma pessoa que mudou de género ou se divorcia. Nos casos em que aceite continuar casado, não serão todos a levantarem este tipo de problemas, portanto a existirem serão casos pontuais. É minha opinião que quem deve resolver este tipo de problemas serão os interessados, que falem entre si e seja o que resolverem as restantes pessoas terão de aceitar.

                        O nº 1 artº 69º do Código do registo civil diz que, ao assento de nascimento são especialmente averbados: o) A mudança de sexo e a consequente mudança de nome próprio; o resto já explanámos antes.

                        O nº 1 do artº 104 diz que o nome fixado no assento de nascimento só pode ser modificado mediante autorização do conservador dos registos centrais. o nº 2 consagra as excepções, que na alínea g) A alteração do nome próprio resultante da mudança de sexo. Portanto esta alteração não está sujeita a essa autorização prévia, libertando assim os conservadores para o poderem fazer.

                        O nº1 do artº 123º acrescenta só a mudança de sexo a consequente alteração do nome à redacção anterior. Na prática autoriza um novo assento de nascimento pelas causas descritas.

                        O artº 214 diz quem pode pedir certidões de cópia integral do assento. Só nós, os nossos herdeiros, ou autoridades policiais ou judiciais para investigação ou processo criminal.

                        O 217 acrescenta que só podem pedir certidões referentes a alterações de sexo e nome o próprio, os herdeiros e autoridades policiais e judiciais.

                        E acho que está tudo...
                        « Última modificação: 2 de Dezembro de 2010 por Transfofa »

                          Transexualidade
                          #515

                          Offline Siul

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                          • Novo Membro
                          Ois
                          eu ainda nao contei para os meus pais
                          ainda nao tive coragem de mandar um email
                          eu acho que muita gente tem uma ideia errada
                          dos transexuais,pois as vezes confundem com
                          travestis e homens que gostam de se vestir de mulher
                          as vezes,e tem aqueles transexuais que viram mulheres realmente
                          femininas,mas existem aqueles que ainda sao um pouco maria rapaz
                          (eu,por exemplo me vejo como uma menina,mas nunca tive vontade
                          de usar saias,maquiagem,brincar com barbies,mas sempre me senti menina,
                          me imaginava com cabelo mais comprido,usando uma roupa mais feminina,etc)
                          mas eu prefiro muito mais camiseta e jeans do que um vestido,entao nao
                          sei se por isso quando comecar a terapia poder achar que nao sou tenho mesmo
                          disforia de genero,mas sempre me vi como menina,os meus modos e jeito de agir eu
                          diria que nao sao nem muito masculinos nem muito feminino
                          tem essa menina aqui,acompanho o vlog dela,ela ficou muito bonita sem cirurgia nenhuma,
                          aqui o video da transicao dela:http://www.youtube.com/watch?v=hlk3nNya93M&feature=relatedainda nao tive tempo de ler todo esse topico,mas tenho algumas duvidas sobre o assunto,
                          como,eu vi uma menina no youtube que conseguiu os hormonios depois de uns 3 meses de terapia,
                          eh o tempo normal ou varia de pessoa para pessoa?com 15/16 anos eu posso usar hormonios?

                            Transexualidade
                            #516

                            Offline τοRoyalSizeΚΞ

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                            • Género: Masculino
                            A liberdade tem destas coisas, é muito complicado a resolução deste tipo de problemas. Tal como se deve reconhecer o nosso género real, não o atribuído a nescença, temos de pensar noutra coisa, até que ponto seria legítimo forçarmos uma pessoa a alterar a sua documentação contra a vontade dessa mesma pessoa? De qualquer modo, não me parece que vão existir muitos casos em que exista conflicto. Ou o cônjuge aceita continuar casado com uma pessoa que mudou de género ou se divorcia. Nos casos em que aceite continuar casado, não serão todos a levantarem este tipo de problemas, portanto a existirem serão casos pontuais. É minha opinião que quem deve resolver este tipo de problemas serão os interessados, que falem entre si e seja o que resolverem as restantes pessoas terão de aceitar.
                            (...)
                            Não creio que deva ficar ao critério do cônjuge, porque afinal de contas a sua documentação passará a ser falsa, a pessoa com quem se casou para todos os efeitos deixa de existir naqueles termos, ou melhor, e de um ponto de vista mais humano, nunca existiu.

                            Outra coisa, esses casos podem ser pontuais ou praticamente inexistentes, mas se existe legislação é porque existirão, e se existirem existe o dever de se regular justamente. A própria transsexualidade é pontual, e no entanto cá estamos nós a viver todas estas conversas e reivindicações.

                            Transfofa, obrigado pela explicação :)

                            Também li com atenção a resposta ao Dr. Décio e fiquei elucidado para várias coisas, no entanto também me serviu para constatar que em matéria de transsexualidade quase cada pessoa tem a sua própria opinião, e falando com vários transsexuais e não só também o constato.
                            Há quem inclua a transsexualidade em transgenerismo, há quem as separe; há quem inclua transsexualidade em transgenerismo fazendo depois distinções menores; há quem acredite que um transsexual sê-lo-á para sempre, há quem defenda que não; há quem considere a transsexualidade uma doença, há quem não a considere doença; há quem a considere doença física, há quem a considere uma doença mental.
                            A partir daqui basta fazer as combinações possíveis e tentar ver quantos pontos de vista podem existir.

                            Será que existe um acordo ou definições estáticas sobre a transsexualidade? Às vezes parece que cada colectivo faz a sua própria coisa, o que só ajuda a propagar confusão nas cabeça de quem o tenta compreender.

                              Transexualidade
                              #517

                              Offline Transfofa

                              • **
                              • Membro Júnior
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                              Bem, tens a tua opinião. Há que respeitá-la.

                              Como vês, tens teorias para todos os gostos. O melhor que fazes é leres todas, pensares um bocadinho em cada uma, e encontrares qual a que se coaduna com a tua maneira de pensar.

                              Para mim, a única coisa que todas têm em comum é que uma pessoa transexual tem uma identidade de género oposta à sua genitália. E é essa a definição que adoptei. Quanto ao resto, cada uma das hipóteses que descreves dava para estarmos aqui meses e meses a debater e o mais provável era cada pessoa continuar a pensar da maneira que sempre pensou, pois cada um de nós tem a sua maneira de pensar e uma sensibilidade própria.

                              Por exemplo, eu advogo a saída da transexualidade do transgenderismo e não considero a transexualidade como doença nenhuma, embora considere que pode provocar.

                              O problema é que, como cada pessoa pensa de uma maneira, quando vai escrever, por exemplo, a definição na net, escreve-a de acordo com o que pensa (obviamente). O melhor que fazes é encontrares a tua própris definição.

                              Transexualidade
                              #518

                              Offline Azula

                              • *****
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                              Será que existe um acordo ou definições estáticas sobre a transsexualidade? Às vezes parece que cada colectivo faz a sua própria coisa, o que só ajuda a propagar confusão nas cabeça de quem o tenta compreender.

                              Royal, como assim? Como já vimos existem diversas definições que variam consoante organismos, colectivos, pessoas, umas estáticas e outras mais maleáveis - esta questão vai sempre gerar confusão/debate até que as ciências (ou não) avancem no sentido de clarificar a transsexualidade. Até lá, diria que seria de bom senso seguir as recomendações da WPATH.

                              Não posso também deixar de desabafar que existe uma pretensão de diagnosticar em todo o lado, de criar entidades clínicas e de que só assim as coisas se compreendem - e contra mim falo, que estudo Psicologia, mas continuo a ter imensas dúvidas e a debater-me com questões relacionadas com a problemática T, indo muitas vezes parar à questão ancestral do "e se a sociedade nunca se tivesse formatado em binarismos, teríamos transsexuais?" 
                              Também não gosto nada do termo Perturbação de Identidade de Género (a ID está lá, o sexo é que não), pelo que uso Disforia de Género, que não é uma doença, e para mim faz-me sentido pensar o transsexual como alguém cuja identidade de género e sexo biológico não correspondem havendo consequentemente disforia de género; Contudo, e uma vez tratada a disforia, fosse qual fosse o mecanismo, cessaria a transsexualidade de existir, estaríamos perante um homem/mulher? De volta ao binarismo, eu sei, mas também não consigo encaixar a cena das identidades trans...
                                Acreditas no trabalho da rede ex aequo e queres participar activamente na vida da associação? Torna-te sóci@! ;-) Consulta http://www.rea.pt/inscricao.htm

                                A finalidade humana deveria ser a de amar a Vida - todos os problemas se extinguiriam se admitíssemos esta realidade.

                                Transexualidade
                                #519

                                Offline Transfofa

                                • **
                                • Membro Júnior
                                • Género: Feminino
                                  • Pagina da Edu
                                Se me é permitido meter o bedelho, penso que a divisão da humanidade num binarismo de género é o resultante da nossa biologia. Para efeitos de reprodução da espécie (propagação dos nossos genes), a natureza construiu-nos assim. Não fomos nós que nos auto-construimos. O restante faz parte da diversidade, mas parece-me que todas as variações que existem estão em algum grau em sintonia com este binarismo. Por outras palavras, imagine-se o homem coma graduação zero e a mulher com a graduação 180. Toda a diversidade que existe pode perfeitamente ser encaixada entre estes dois valores, pois como se sabe nas formas de vida não existe a graduação absoluta. Ora segundo este ponto de vista, a sociedade meramente reflecte este binarismo, não sendo portanto uma construção social. Os papéis de género sim, são construções sociais. Portanto, se houvesse mais do que dois géneros (por exemplo, um terceiro que fosse necessário existir entre o homem e a mulher para que a reprodução em termos de espécie fosse bem sucedida) não tinha problema nenhum em imaginar a existência de transexuais nessas circunstâncias, considerando, obviamente, que a transexualidade é tão natural como qualquer outro atributo humano.

                                Ora se não se considerar a transexualidade como doença, penso que não se pode falar de tratamento. Eu prefiro pensar que uma pessoa transexual corrige determinadas partes do seu corpo que sente estarem erradas, até onde a medicina o consegue fazer hoje em dia. Não é perfeito, mas é melhor do que há 100 anos atrás. E como não é doença, uma pessoa transexual é-o desde que nasce até que morre, tenha ou não consciência de que o é.  O repúdio pela denominação vem mais da discriminação e negativismo associados à transexualidade do que pela transexualidade em si. Basta pensarmos nisto; se as pessoas transexuais em vez de terem uma conotação negativa e marginal fossem socialmente consideradas como tendo um estatuto elevado na sociedade, as mesmas pessoas que recusam esse atributo continuariam a recusá-lo? A mim parece-me que não

                                Por isso eu afirmo que sou uma mulher, transexual sim, mas indubitavelmente mulher, mulher independentemente de me situar dentro ou fora dos estereotipos, mulher transexual e sem vergonha de o ser.

                                Os meus dois cêntimos para esta conversa...

                                 

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