rede ex aequo

Olá Visitante18.out.2019, 05:06:58

Autor Tópico: Transexualidade  (Lida 135721 vezes)

 
Transexualidade
#0

Offline chiloane

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Tenho que admitir que o tema da transsexualidade me incomoda um pouco, na medida em que me confunde. Não sei... Suponho que é mais fácil e mais natural para mim conceber a homossexualidade e a bissexualidade do que conseguir imaginar uma identidade de género diferente o sexo natural. Parece-me algo demasiado biológico, quando eu tenho uma tendencia em acreditar mais na construção social da identidade de género...
Conheço uma pessoa que é transsexual e sei que tem sofrido imenso ao longo da vida por causa desse facto.É uma situação que me comove, confunde e magoa imenso, por mais que tente ver o problema de uma forma natural e científica :-\
    "Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós"
    (Antoine de Saint-Exuperry) :):*

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    #1

    Offline cacao

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    É uma situação que me comove, confunde e magoa imenso, por mais que tente ver o problema de uma forma natural e científica :-\


    Para mim não é importante nenhum explicação ciêntifica. Existem uma série de transgéneros e transexuais em todo o mundo, penso que é mais importante respeito e compreensão do que perdermos tempo com explicações teóricas... ;) Afinal o importante é que cada um se sinta bem consigo mesmo e que sinta que os que estão á sua volta o respeitam e gostam por aquilo que ele é.

      Another one will bite the dust...

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      #2

      Offline chiloane

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      Tens razão, acho que essa é a atitude correcta e madura... E concordo inteiramente com essa postura simplificada e humanista...O importante não é saber explicar. :)
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        #3

        Offline cacao

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        O importante não é saber explicar. :)


         ;) É bem verdade não é? ou pelo mesmo explicar como às vezes tentam explicar, de forma metódica, fria e calculista.
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          #4

          Offline chiloane

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          é verdade... Mas também penso que é natural querermos ter uma explicação, apesar de ela por vezes nos transcender por completo o nosso entendimento e concepções... :)
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            #5

            Offline Strigo

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            Governo da Austrália aprova troca de sexo para criança de 13 anos
             
            A Corte de Justiça Familiar da Austrália deu permissão para que uma criança de 13 anos troque de sexo.

            A decisão é inédita no país e aprova, legalmente, o tratamento hormonal. O veredicto gerou muita polêmica entre os australianos.

            Alex (nome fictício usado durante o processo) é, biologicamente, uma menina, mas quer ser reconhecido como um menino.

            (...)

            http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2004/04/040414_alexaustraliaas.shtml

              Transexualidade
              #6

              Offline cacao

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              Hmmm :inq mas tinha mesmo só o sexo biológico de uma menina ou era hemafrodita? É que aos 13 anos parece-me uma idade imberbe para se decidir, ainda que seja melhor para se mudar de sexo...

              Desculpem parecer velha do Restelo, mas tenho muitos "senões" à mudança de sexo entre pessoas com menos de 16 anos. E confesso que tenho uma maior abertura quando a criança tem os dois sexos e a partir da puberdade opta por um dos sexos.

              Mas transexulidade na infância e puberdade deve ser um assunto com alguma delicadeza. Imagino que terão acompanhado muito bem este caso, mas se depois a meio da adolescência se arrepende?

              Alguns homossexuais durante a infância sentem-se transexuais e depois é apenas uma fase que resulta da Sociedade heterossexista em que vivemos. Existem vários estudos académicos que retratam este delicado assunto.

              Desculpem, apenas fui sincera...
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                #7

                daLua

                • Visitante
                Eu tb acho k se devia ir com calma... é k realmente pode ser só uma fase. E a criança chegou a essa conclusão sozinha ou alguém lhe andou a meter macaquinhos na cabeça?... mesmo k subliminarmente...
                Mesmo prás hormonas pode ser uma idade precoce... e nessa idade os efeitos da mudança hormonal são muito mais drásticos que numa pessoa adulta. Pra mim, hormonas só aos 16 e aos 18 cada um é responsavel pelas suas decisões...
                E se não é transexual, se está só baralhad@? E se acabar por se tornar realmente um transexual á pala de um tratamento baseado num diagnóstico errado?
                De qqr forma desejo-lhe boa sorte.

                  Transexualidade
                  #8

                  Offline Strigo

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                  A mudança de sexo é sempre um assunto delicado e creio que em qualquer idade há homossexuais, travestis ou outras pessoas que se julgam transexuais sem o serem. Claro que a infância e adolescência são as alturas de maiores mudanças, mas por isso mesmo esta decisão foi certamente muito mais ponderada que se se tratasse de um adulto.

                  E confesso que tenho uma maior abertura quando a criança tem os dois sexos e a partir da puberdade opta por um dos sexos.
                  E será realmente mais seguro essa "opção" nestes casos? Quem garante que mais tarde não se vão arrepender?

                  Eu acho que uma decisão destas é sempre muito ponderada, claro que não foi apenas pela maneira de se vestir e por se sentir atraído por raparigas, não se pode julgar o caso por um pequeno resumo do mesmo, que nem me parece estar bem feito.

                  Terão considerado os prós e contras e concluído que esta era a melhor hipótese.  Há um risco de suicídio elevado, principalmente na puberdade:

                  Responder
                  Mas Louise Newman, porta-voz da Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists, afirmou que a decisão foi sensata.

                  "O grau de estresse é tão grande que as mudanças hormonais durante a puberdade seriam dolorosas demais para essa criança tolerar."

                  Claro que não se pode garantir a 100% que é a opção certa, mas convém lembrar que as mudanças no corpo são irreverssíveis nos dois sentidos, se não começar os tratamentos agora há características femininas que podia ter evitado.

                  Eu acho que se for possível determinar se uma pessoa é transsexual, quanto mais cedo começarem o tratamento, melhor.

                    Transexualidade
                    #9

                    daLua

                    • Visitante
                    Eu acho que se for possível determinar se uma pessoa é transsexual, quanto mais cedo começarem o tratamento, melhor.
                    Nem imaginas a quantidade de esquizofrénicos (aparentemente transexuais) que um dia acordam prá vida, vêem-se ao espelho e já não se reconhecem... e aí, só têm k se aguentar á jarda, já k o erro não pode ser desfeito...
                    Claro k no caso da verdadeira transexualidade, quanto mais cedo começar o tratamento melhor... o problema é saber mesmo que se trata disso.
                    Ainda muitos cirurgiões, endocrinologistas e psiquiatras pôem muitos obstáculos a esse tipo de terapia, pk sabem k um diagnostico de transexualidade tem uma margem de erro muito grande, e no fundo estariam a arriscar a vida do paciente e a própria carreira médica.

                      Transexualidade
                      #10

                      Offline cacao

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                      E confesso que tenho uma maior abertura quando a criança tem os dois sexos e a partir da puberdade opta por um dos sexos.
                      E será realmente mais seguro essa "opção" nestes casos? Quem garante que mais tarde não se vão arrepender?

                      É que esses casos não se trata de transexualidade, Strigo, mas intersexualidade... é a terminologia correcta e peço desculpa por não a ter colocado logo desde o início.

                      Responder
                      Mas Louise Newman, porta-voz da Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists, afirmou que a decisão foi sensata.

                      "O grau de estresse é tão grande que as mudanças hormonais durante a puberdade seriam dolorosas demais para essa criança tolerar."


                      Eu acho que se for possível determinar se uma pessoa é transsexual, quanto mais cedo começarem o tratamento, melhor.

                      Pois eu acho que antes dos 16 anos é uma atitude insensata e irreversível. O  número de verdadeiros transexuais em todo o mundo não é um número elevado, e visto que é um processo muito delicado e irreversível só poderia ser feito na idade adulta.
                        Another one will bite the dust...

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                        #11

                        Offline Strigo

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                        É que esses casos não se trata de transexualidade, Strigo, mas intersexualidade... é a terminologia correcta e peço desculpa por não a ter colocado logo desde o início.


                        Cacao, eu percebi a que te referias, mas ponho em dúvida que nesses casos o diagnóstico seja mais simples. Alguém que apresente genitália feminina e masculina não será propenso a escolher o sexo que lhe parecer trazer mais facilidades, ou a sofrer  pressões de familiares no sentido do sexo que preferiam que essa pessoa tivesse e por isso julgarem-se de um género que depois dos ajustamentos cirúrgicos descobre não ser o seu género psicológico?

                        Será realmente mais fácil determinar a identidade de género dessas pessoas do que dos transexuais, em que normalmente todas as pressões são no sentido contrário às suas pretensões?

                        E, já agora, não será a transexualidade uma forma de intersexualidade, como alguns defendem, em que o único órgão em desacordo com o sexo aparente do corpo é o cérebro?

                        Eu compreendo muito bem as reservas em relação ao tratamento de uma pessoa tão nova, é terrível se se faz uma mudança radical e irreversível e depois se descobre que foi um erro. Mas também é terrível atravessar a puberdade no sexo errado e ficar-se com características também irreversíveis para o resto da vida, quando tal podia ser evitado.

                        Se não há dúvidas que existem crianças transexuais e que quanto mais cedo começarem o tratamento hormonal (de preferência aos 10 anos) mais o seu corpo se assemelhará ao sexo desejado, a única questão será a capacidade dos psicólogos distinguirem entre os transexuais e os que não o são.

                        Nem imaginas a quantidade de esquizofrénicos (aparentemente transexuais) que um dia acordam prá vida, vêem-se ao espelho e já não se reconhecem... e aí, só têm k se aguentar á jarda, já k o erro não pode ser desfeito...


                        Em que te baseias para dizer que esse número é elevado? Não tenho acesso a dados concretos, só mesmo de pesquisa na net, mas por exemplo esta página fala em menos de 1% de arrependimento e pouco mais de 1% de suicídios após as operações, sendo que parece não haver ligação directa entre os suicídios e as operações. Noutra página falam em taxas de suicídio de 36%  entre transexuais não tratados.

                        Convém referir também que operações erradas foram e continuam a ser feitas em grande número em intersexuais (a maioria dos casos de transexualidade não são naturais mas criados por estas operações).  Isto acontece porque os médicos e pais decidem fazer as operações no sentido de um dos sexos quando a criança é demasiado nova, normalmente ainda bebé, para evidenciar a sua identidade de género. Acaba por ser questão de pura sorte corpo e mente estarem de acordo.

                        No caso apresentado do rapaz australiano há muito mais segurança na sua identidade. Especialistas e tribunal não tomaram concerteza uma decisão tão polémica de ânimo leve.

                        Risco de erro existirá sempre, mas nos termos em que é feito actualmente o tratamento a transexuais parece-me mais fácil o erro de excluir um transexual, considerando que não o é, que o contrário.
                        E os riscos de negar o tratamento estão longe de ser desprezáveis.

                        Fazendo uma analogia com uma situação que sempre me preocupou:
                        Se estiverem sozinhos com uma pessoa a precisar de 1ºs socorros e não souberem como os prestar o melhor é mesmo ficarem quietos, é pior carregar a culpa de fazer uma asneira. Mas se souberem como os prestar, mesmo não tendo 100% a certeza de estarem certos (e quando é que se tem?) ficariam parados com medo de errarem?

                          Transexualidade
                          #12

                          Offline cacao

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                          Strigo,

                          Responder
                          E, já agora, não será a transexualidade uma forma de intersexualidade, como alguns defendem, em que o único órgão em desacordo com o sexo aparente do corpo é o cérebro

                          Concordo que alguns académicos[?] vejam a transexualidade como uma forma de intersexualidade, mas essa visão é meramente interpretativa. Como deves de saber... :)

                          Aí entraríamos numa intersexualidade somática e uma intersexualidade psicosomática. A mais fácil de lidar e acreditar será sempre a somática porque é vísivel, a outra, como tantas outras coisas da psique será relegada para segundo plano.

                          Não levanto entraves a essa definição de intersexualidade psicosomática = transexualidade. Ainda que ache que a transexualidade nos faça cair no perpetuar de papéis dicotómicos mulher-homem porque todos os T's que conheci querem à força assemelhar-se fisicamente com o sexo biológico oposto, e confesso que é algo que me faz confusão.

                          Porque efectivamente, adoptam traços, maneiras de estar, roupas, formas de falar, etc. - iguais ao outro sexo e eu luto para que as pessoas se dêm conta que muitas desses traços são socialmente construídos.

                          Talvez me possas explicar porque os T's recorrem a esse perpetuar de papéis? :)

                          Porém continuo a dizer que mudanças de sexo só se deveriam fazer a partir dos 16 anos. Até porque a argumentação do corpo a transformar-se e o stress que lhe advêm são comuns a muitos milhões de jovens em todo o mundo e não exclusivamente aos transexuais.

                          De todas as formas os estudos que apresentaste têm muitas variáveis parasitas não controladas. O facto de não haverem muitos T's operados significa que para um estudo terão de procurar uma amostra muito díspara. Um aqui, outro ali, aquele outro ali ao fundo... etc. Isso irá enviesar a amostra porque os estudos devem procurar uma população com as mesmas características. Ir buscar, por exemplo, 120 pessoas transexuais operados é alargar a amostra a uma dimensão geográfica muito grande, logo essas pessoas viverão em realidades diferentes e terão características muito diferentes umas das outras.

                          Talvez por isso não dê credibilidade a estudos feitos com amostras tão díspara. Não são muitas vezes sensíveis, válidos e fiéis... três características importantes para um estudo desta natureza.

                          Tirando a construção social para o lado, o que é que faz uma pessoa sentir-se verdadeiramente do sexo oposto?


                            Another one will bite the dust...

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                            Transexualidade
                            #13

                            Offline bluejazz

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                            Desculpem meter a colherada, mas há interssexuais que não querem ser de um sexo ou do outro, querem ser como são... e eu sou a favor do movimento nos EUA que quer proibir operação correctiva feita a intersexuais quando bebés, porque dá origem a muitos erros... tais como ou o género errado ou não deverem mexer em nada sequer.

                            As pessoas têm de começar a habituar-se à ideia da existência (que sempre houve) de pessoas com características (genitais, gonadas, etc) de ambos os sexos que podem não querer escolher um género psicológico, mas ser eles próprios, o quer que sejam.

                            Neste sentido o quebrar dos esteriótipos de género que temos culturais também ajuda estas pessoas a poderem ser elas próprias sem ser algo de muito estranho, quer a nível de comportamentos, quer a nível físico... eu sei que faz muita confusão, mas também faz porque fomos educados para acreditar que determinadas categorias são absolutamente naturais e fixas e o que foge é "anormal". Se calhar não é anormal, não só em termos de comportamento (o que é ser feminino e masculino), porque existe - e se se tenta normalizar só essa tentativa mostra que esse normal não é tão normal, porque de outro modo viria de modo espontâneo -, assim como também não tem de ser visto como "anormal" e ter essa estigmatização a variante minoritária na parte física que são os intersexuais.
                              "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

                              Transexualidade
                              #14

                              Offline Strigo

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                              Cacao, peço desculpa por só responder agora, precisava de um tempo livre porque posso levar tempos absolutamente absurdos para escrever (já nem olho para o relógio para não me assustar :P)

                              Responder
                              Ainda que ache que a transexualidade nos faça cair no perpetuar de papéis dicotómicos mulher-homem porque todos os T's que conheci querem à força assemelhar-se fisicamente com o sexo biológico oposto, e confesso que é algo que me faz confusão.

                              Porque efectivamente, adoptam traços, maneiras de estar, roupas, formas de falar, etc. - iguais ao outro sexo e eu luto para que as pessoas se dêm conta que muitas desses traços são socialmente construídos.

                              Talvez me possas explicar porque os T's recorrem a esse perpetuar de papéis?

                              Porquê "à força"? Não podem estar a ser tão naturais (ou tão artificiais, se preferires, já que sem dúvida muita coisa serão construções sociais) como a restante população na sua forma de ser e a vestir o que gostam?


                              Responder
                              Porém continuo a dizer que mudanças de sexo só se deveriam fazer a partir dos 16 anos. Até porque a argumentação do corpo a transformar-se e o stress que lhe advêm são comuns a muitos milhões de jovens em todo o mundo e não exclusivamente aos transexuais.

                              Claro que a puberdade é difícil para toda a gente, mas a maior parte das pessoas vê o corpo formar-se para as características adultas, um transexual vê o corpo deformar-se.


                              Responder
                              De todas as formas os estudos que apresentaste têm muitas variáveis parasitas não controladas.

                              Pela página que indiquei não dá para concluir como foi feito o estudo, acho portanto difícil concluir a sua fiabilidade com base apenas na página.
                              Não me parece, no entanto, assim tão difícil fazer um estudo fiável. O que torna um estudo mais válido em termos de amostra? Uma grande percentagem de indivíduos entrevistados em relação ao total do grupo que se quer estudar. No caso dos transexuais que fizeram tratamento e operações essa percentagem pode ser teoricamente 100%, pois são pessoas identificadas, de que se possui os contactos.


                              Responder
                              Tirando a construção social para o lado, o que é que faz uma pessoa sentir-se verdadeiramente do sexo oposto?

                              Sinceramente não sei responder.
                              No meu caso tive consciência da transexualidade muito cedo, diria que com 2 ou 3 anos, altura em que a construção social não tem, em princípio, grande peso.  Seria portanto mais uma questão de corpo, que sempre senti estar errado?
                              Conheço uma pessoa que fez mastectomia (retirada dos seios) antes de saber que era transexual ou o que era a transexualidade, apenas sabia que aquilo não estava certo, não lhe pertencia e provocava angústia.

                              Mas numa reportagem que vi lembro-me de uma transexual dizer que quando era criança, por desconhecer que havia diferença física entre os sexos, afirmava ser rapariga. Teria de ser a construção social a fazê-la sentir rapariga, já que pensava que os corpos eram iguais?

                              Se for provado que o cérebro dos transexuais é do sexo oposto ao físico deixará de haver questões sobre o papel da construção social na identificação de uma pessoa como transexual.
                              Mas nesse caso o que será o género? Enquanto não se souber isso é difícil responder...

                                Transexualidade
                                #15

                                Offline cacao

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                                Cacao, peço desculpa por só responder agora

                                No worries... :)

                                Porquê "à força"? Não podem estar a ser tão naturais (ou tão artificiais, se preferires, já que sem dúvida muita coisa serão construções sociais) como a restante população na sua forma de ser e a vestir o que gostam?

                                Devo ser eu que penso de maneira diferente. Se fosse um homem em pouco seria diferente na minha maneira de vestir, acho que dou para os dois lados e não predominantemente para um :)


                                Claro que a puberdade é difícil para toda a gente, mas a maior parte das pessoas vê o corpo formar-se para as características adultas, um transexual vê o corpo deformar-se.

                                Deformar-se parece-me muito pesada a palavra. O corpo sofre uma transformação nunca uma deformação mesmo que não te identifiques com ele. E as raparigas que tem o peito muito grande, por exemplo, não poderão sentir o mesmo, mas nunca uma deformação...

                                cacao:
                                Responder
                                De todas as formas os estudos que apresentaste têm muitas variáveis parasitas não controladas.

                                O que torna um estudo mais válido em termos de amostra? Uma grande percentagem de indivíduos entrevistados em relação ao total do grupo que se quer estudar. No caso dos transexuais que fizeram tratamento e operações essa percentagem pode ser teoricamente 100%, pois são pessoas identificadas, de que se possui os contactos.

                                :) Não tem a ver com pessoas identificadas ou não. Apenas quando as amostras são díficeis de conseguir por serem um número reduzido da população alarga-se a uma população muito mais vasta, e logo terás uma série de variáveis parasitas por controlar porque já não pertencem à mesma população. Por exemplo, se entrevisto uma pessoa de uma localização geográfica muito distante os meus resultados poderão sair enviezados. O mesmo se pode aplicar para o grupo social, estudos académicos, idade, estrato económico, crenças religiosas, etc. Terás muitas mais variáveis que controlar se tiveres de recorrer a pessoas que distem muito entre si.

                                Cacao:
                                Responder
                                Tirando a construção social para o lado, o que é que faz uma pessoa sentir-se verdadeiramente do sexo oposto?

                                Sinceramente não sei responder.
                                No meu caso tive consciência da transexualidade muito cedo, diria que com 2 ou 3 anos, altura em que a construção social não tem, em princípio, grande peso.

                                Desculpa, Strigo, mas com 2 ou 3 anos és de certo modo assexuado, ainda não desenvolveste psicologicamente estruturas ou processos mentais que te permitam identificar com um ou outro sexo. Terás sim alguma noção pela construção socio-familiar onde estarás inserido, mas nada mais.

                                Quando digo assexuado, não me refiro 100% assexuado, mas ainda estás na fase da descoberta e com uma predominância a nível sexual embrionária.

                                Não quero pôr em causa o que dizes, e acredito se me disseres que te sentes rapaz desde muito cedo, mas aos 2 ou 3 anos ainda não atingiste certos estados e não tens as estruturas mentais desenvolvidas para que tenhas consciência de uma série de coisas...

                                Conheço uma pessoa que fez mastectomia (retirada dos seios) antes de saber que era transexual ou o que era a transexualidade, apenas sabia que aquilo não estava certo, não lhe pertencia e provocava angústia.

                                Mas uma mastectomia faz uma pessoa ser transexual?!! Muitos transexuais nunca a chegam a fazer porque se sentem bem. E as lésbicas, bissexuais ou hetero que fazem mastectomia ou redução parcial do peito ficam transexuais?!!

                                Quantas mulheres se operam por estética ou por questões de saúde ao peito?

                                Mas numa reportagem que vi lembro-me de uma transexual dizer que quando era criança, por desconhecer que havia diferença física entre os sexos, afirmava ser rapariga. Teria de ser a construção social a fazê-la sentir rapariga, já que pensava que os corpos eram iguais?

                                Não tenho dados e sem saber que idade tinha aproximadamente será muito díficil. Se tivesse 2 ou 3 anos compreenderia o seu desconhecimento, mas a partir, por exemplo, dos 5 ou 6 anos e não saber que existem diferenças entre os sexos parece algo patológico... E até ponho em causa a sua transexualidade se não viveu uma sexualidade saudável a um nível básico...

                                Se for provado que o cérebro dos transexuais é do sexo oposto ao físico deixará de haver questões sobre o papel da construção social na identificação de uma pessoa como transexual.

                                Desculpa, strigo, mas não acredito que existam assim tantas diferenças significativas. Estou segura que existirão diferenças, sim, mas acho que é mais aquilo que nos aproxima entre os sexos do que aquilo que nos dista.

                                Mas nesse caso o que será o género? Enquanto não se souber isso é difícil responder...

                                Aqui tendo para a construção social, damn it!! ;)
                                  Another one will bite the dust...

                                  "Se não houvesse nem mar nem amor, ninguém escreveria livros." -  Duras

                                  "A felicidade é o livre uso das nossas capacidades". - V. Woolf

                                  Transexualidade
                                  #16

                                  Offline Strigo

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                                  Devo ser eu que penso de maneira diferente. Se fosse um homem em pouco seria diferente na minha maneira de vestir, acho que dou para os dois lados e não predominantemente para um :)

                                  Eu também acho que se fosse mulher em pouco seria diferente na minha maneira de vestir ;)


                                  Deformar-se parece-me muito pesada a palavra.

                                  Não demasiado pesada para descrever o que se sente, acredita. Foi nesse sentido que a utilizei.


                                  Não tem a ver com pessoas identificadas ou não. Apenas quando as amostras são díficeis de conseguir por serem um número reduzido da população alarga-se a uma população muito mais vasta, e logo terás uma série de variáveis parasitas por controlar porque já não pertencem à mesma população. Por exemplo, se entrevisto uma pessoa de uma localização geográfica muito distante os meus resultados poderão sair enviezados. O mesmo se pode aplicar para o grupo social, estudos académicos, idade, estrato económico, crenças religiosas, etc. Terás muitas mais variáveis que controlar se tiveres de recorrer a pessoas que distem muito entre si.

                                  Volto a referir que não se sabe como foi feito o estudo, mas prefiro que tenha sido como tu pensas a ser localizado numa zona que nada tem a ver com a minha realidade, nesse caso as variáveis parasitas seriam muito maiores, se vistas do meu ponto de vista.
                                  Claro que o melhor para uma determinada pessoa ou grupo seria saber os dados para a sua zona, situação económica, religião, etc, mas quantos estudos são tão detalhados?
                                  Este parece-me ter muito mais hipóteses de ser fiável do que por exemplo os de suicídios de jovens homossexuais, várias vezes referidos neste fórum.

                                  Mas mesmo com parasitas, 1% não permite grandes variações e é um número muito pequeno, principalmente se tivermos em conta os factores contra que se encontram muitas vezes presentes mesmo depois de finalizado o tratamento (complicações pós-operatórias, resultados pouco satisfatórios a nível estético e/ou funcional, dificuldades em mudar os documentos, em arranjar emprego, problemas com a família, com a religião, etc)


                                  Desculpa, Strigo, mas com 2 ou 3 anos és de certo modo assexuado, ainda não desenvolveste psicologicamente estruturas ou processos mentais que te permitam identificar com um ou outro sexo.

                                  A identidade sexual é considerada definida aos 2 anos de idade, nas várias páginas que encontrei agora no google procurando por "identidade sexual" e "idade". Discordas disto ou apenas da capacidade da própria criança para reconhecer essa identidade?



                                  Citado de: Strigo a Ontem às 17:49:08
                                  Responder
                                  Conheço uma pessoa que fez mastectomia (retirada dos seios) antes de saber que era transexual ou o que era a transexualidade, apenas sabia que aquilo não estava certo, não lhe pertencia e provocava angústia.

                                  Mas uma mastectomia faz uma pessoa ser transexual?!! Muitos transexuais nunca a chegam a fazer porque se sentem bem. E as lésbicas, bissexuais ou hetero que fazem mastectomia ou redução parcial do peito ficam transexuais?!!

                                  Mas onde disse eu que a mastectomia tornava alguém transexual? Apenas referi este caso por me parecer que pode reforçar a hipótese de a transexualidade ser principalmente algo físico, já que ele se sentiu desconfortável com o seu corpo a ponto de o mudar (tornando-o, no fundo, mais masculino) ainda antes de se aperceber que era transexual.

                                  Transexuais que nunca chegam a fazer mastectomia por se sentirem bem? Onde viste isso? A não ser que tivessem seios muito pequenos, sinceramente acho estranho. E fizeram as outras operações?


                                  Estou segura que existirão diferenças, sim, mas acho que é mais aquilo que nos aproxima entre os sexos do que aquilo que nos dista.

                                  O que nos aproxima entre os sexos não é visto como questão sexual, o cerne da questão é saber o que de facto nos afasta.

                                  Fiquei na dúvida se consideras o género como sendo apenas construção social. Expilicas?  :)

                                  (Ai as horas! :P)

                                    Transexualidade
                                    #17

                                    Offline cacao

                                    • *****
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                                      • Mais sobre mim...

                                    Deformar-se parece-me muito pesada a palavra.

                                    Não demasiado pesada para descrever o que se sente, acredita. Foi nesse sentido que a utilizei.

                                    ... Mas não deixa de ser demasiado negativa... Prefiro transformação em vez de deformação, por essa optica poderia dizer-se deformossexuais...

                                    Este parece-me ter muito mais hipóteses de ser fiável do que por exemplo os de suicídios de jovens homossexuais, várias vezes referidos neste fórum.

                                    Não estou a falar em outros estudos, mas poderei pô-los em causa da mesma forma. Sem embargo, sendo a homossexualidade estatisticamente 10% da população geral, a minha amostra apresenta menos variáveis parasitas nesse sentido porque não tenho de recorrer a uma população muito alargada.

                                    Por exemplo, poderei fazer um estudo sobre o suícidio em jovens homossexuais apenas em um liceu porque em 1500 alunos  por exemplo, a estatística diz-me que pelo menos 150 alunos serão homossexuais. Mas se for estudar a transexualidade a quantas escolas terei que ir para conseguir uma amostra de 150 alunos. A 1500 escolas? Segundo números estatísticos e ciêntificos, sim!

                                    Coloquei em bold porque é aqui que quero chegar quando falo de arranjar amostras para estudos. Quando a amostra é pouco frequente existem uma série de variáveis parasitas que não existirão em estudos em que se consegue uma amostra da mesma população. Entendes? :)

                                    Desculpa, Strigo, mas com 2 ou 3 anos és de certo modo assexuado, ainda não desenvolveste psicologicamente estruturas ou processos mentais que te permitam identificar com um ou outro sexo.

                                    A identidade sexual é considerada definida aos 2 anos de idade, nas várias páginas que encontrei agora no google procurando por "identidade sexual" e "idade". Discordas disto ou apenas da capacidade da própria criança para reconhecer essa identidade?

                                    Discordo. Referia-me à identidade sexual vivida pela criança. Obviamente que a criança terá identidade sexual ou de género, algumas vezes, até antes do seu nascimento, mas porque lhe é "incutida" pelos pais e não porque ela - criança - se sinta com identidade sexual ou de género aos dois anos.

                                    A [pouca] memória que temos de quando temos 2 ou 3 anos é como se fossem fotografias. Recordamos apenas algumas imagens, mas não dilemas pessoais ou sociais, não temos ainda estruturas mentais desenvolvidas que nos permitam pensar uma série de coisas.

                                    Só para teres uma ideia com 2 ou 3 anos ainda estamos a desenvolver as nossas capacidades linguísticas, ainda não sabemos uma série de palavras que nos permitam pensar, entendes?!! Quanto mais pensar numa identidade sexual ou de género com essa idade...

                                    Bem sei que não precisamos de ter conhecimento das noções técnicas para nos sentirmos isto ou aquilo, mas isso é uma coisa e outra totalmente diferente é pensarmos ou termos consciência - no sentido de termos pensamento - sem termos os chegado já ao que nos permita pensar ou falar - sou da opinião que ambos estão subordinados um ou outro mas poderemos pensar e falar antes de pensar e falar? Logo como poderás dizer que tinhas consciência de algo numa idade tão pequena quando ainda não desenvolveste certas skills que ter permitam chegar lá?...

                                    Transexuais que nunca chegam a fazer mastectomia por se sentirem bem? Onde viste isso? A não ser que tivessem seios muito pequenos, sinceramente acho estranho. E fizeram as outras operações?

                                    Strigo, nem todos os transexuais se querem operar. Nem todos os transexuais vivem a sua identidade de género da mesma forma.

                                    Transexuais F-M que tenham o peito pequeno podem perfeitamente optar por não se operar, e se tiverem o peito um pouco maior também podem optar por não se operar. Penso que dentra da transexualidade diferentes pessoas a viverão de diferentes maneiras.


                                    Estou segura que existirão diferenças, sim, mas acho que é mais aquilo que nos aproxima entre os sexos do que aquilo que nos dista.

                                    O que nos aproxima entre os sexos não é visto como questão sexual, o cerne da questão é saber o que de facto nos afasta.

                                    Fiquei na dúvida se consideras o género como sendo apenas construção social. Expilicas?

                                    Não será vista como uma questão sexual a que nível? Obviamente não me refiro à morfologia corporal... De todas as formas nunca entendi estudos de tipificação dos sexos.

                                    O género não é apenas filho da construção social, não pretendo defender um reducionismo behaviorista defendido há quase 100 anos atrás por Watson...

                                    ... Até porque a Psicologia nunca poderá estudar 100% a importância do social na vida de todos nós porque não é de todo deotológico... ;)
                                      Another one will bite the dust...

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                                      Transexualidade
                                      #18

                                      StarCaos

                                      • Visitante
                                      è uma opção q se pode tomar.è só preciso ter cabeça e dinheiro.
                                      E algumas ficam perfeitas mulheres.

                                        Transexualidade
                                        #19

                                        ana

                                        • Visitante
                                        Responder
                                        E algumas ficam perfeitas mulheres.
                                        e o contrário também e verifica. Vi no canal odisseia um programa que terminou com uma reunião de amigos (todos já tinham sido mulheres) em que a transformação alcançada era no minimo espantosa.

                                           

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