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Olá Visitante29.fev.2020, 06:17:43

Autor Tópico: Sida, a praga gay?  (Lida 33083 vezes)

 
Sida, a praga gay?
#80

diafeliz

  • Visitante

"A Sida e a Comunidade Gay

Durante os primeiros anos desta epidemia fatal o vírus era principalmente transmitido no Ocidente durante a actividade homossexual masculina.
Gradualmente outros comportamentos (por exemplo: partilhas de seringas, transfusões sanguíneas, coito heterossexual) vieram juntar outros grupos aos homossexuais masculinos. Em primeiro lugar, a Sida matou milhares, provocando inúmeros casos de sofrimento por luto e perda de companheiros e amigos. Simultaneamente, reforçou sentimentos de hostilidade anti-gay na comunidade heterossexual, levando alguns países ao isolamento compulsivo dos doentes em "sidrómetros" semelhantes às antigas leprosarias. No entanto, foi este o grupo que no Ocidente se mostrou mais responsável e melhor se organizou em termos educacionais e de aconselhamento para as vítimas, mudando muitos dos seus comportamentos sexuais de risco. Foi assim que gradualmente a contaminação pelo vírus tem vindo a decrescer significativamente neste grupo, em contraste com o aumento noutros grupos (por ex. toxicodependentes) mais irresponsáveis. No entanto, notícias mais recentes oriundas da própria comunidade homossexual, referem um novo aumento de propagação da Sida, talvez por se ter instalado nalguns sectores gay uma falsa ilusão de segurança."

Fonte: Fonseca, L., Soares, C. & Vaz, J. (coords). (2003). A Sexologia – Perspectiva Multidisciplinar I. pp. 375-376. Coimbra: Quarteto Editores.

    Sida, a praga gay?
    #81

    Offline Blackdi

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    "A Sida e a Comunidade Gay

    Durante os primeiros anos desta epidemia fatal o vírus era principalmente transmitido no Ocidente durante a actividade homossexual masculina.
    Gradualmente outros comportamentos (por exemplo: partilhas de seringas, transfusões sanguíneas, coito heterossexual) vieram juntar outros grupos aos homossexuais masculinos. Em primeiro lugar, a Sida matou milhares, provocando inúmeros casos de sofrimento por luto e perda de companheiros e amigos. Simultaneamente, reforçou sentimentos de hostilidade anti-gay na comunidade heterossexual, levando alguns países ao isolamento compulsivo dos doentes em "sidrómetros" semelhantes às antigas leprosarias. No entanto, foi este o grupo que no Ocidente se mostrou mais responsável e melhor se organizou em termos educacionais e de aconselhamento para as vítimas, mudando muitos dos seus comportamentos sexuais de risco. Foi assim que gradualmente a contaminação pelo vírus tem vindo a decrescer significativamente neste grupo, em contraste com o aumento noutros grupos (por ex. toxicodependentes) mais irresponsáveis. No entanto, notícias mais recentes oriundas da própria comunidade homossexual, referem um novo aumento de propagação da Sida, talvez por se ter instalado nalguns sectores gay uma falsa ilusão de segurança."

    Fonte: Fonseca, L., Soares, C. & Vaz, J. (coords). (2003). A Sexologia – Perspectiva Multidisciplinar I. pp. 375-376. Coimbra: Quarteto Editores.


    Sidrómetros?!  :o Como é possível isso existir?!

    É pena este tipo de notícias/opiniões não serem veiculados pelos órgãos de comunicação de forma a que se comece, finalmente, a encarar o problema do HIV como um problema de todos e não apenas dos homossexuais.  :P

    Sida, a praga gay?
    #82

    Offline MindControl

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    "A Sida e a Comunidade Gay

    Durante os primeiros anos desta epidemia fatal o vírus era principalmente transmitido no Ocidente durante a actividade homossexual masculina.
    Gradualmente outros comportamentos (por exemplo: partilhas de seringas, transfusões sanguíneas, coito heterossexual) vieram juntar outros grupos aos homossexuais masculinos. Em primeiro lugar, a Sida matou milhares, provocando inúmeros casos de sofrimento por luto e perda de companheiros e amigos. Simultaneamente, reforçou sentimentos de hostilidade anti-gay na comunidade heterossexual, levando alguns países ao isolamento compulsivo dos doentes em "sidrómetros" semelhantes às antigas leprosarias. No entanto, foi este o grupo que no Ocidente se mostrou mais responsável e melhor se organizou em termos educacionais e de aconselhamento para as vítimas, mudando muitos dos seus comportamentos sexuais de risco. Foi assim que gradualmente a contaminação pelo vírus tem vindo a decrescer significativamente neste grupo, em contraste com o aumento noutros grupos (por ex. toxicodependentes) mais irresponsáveis. No entanto, notícias mais recentes oriundas da própria comunidade homossexual, referem um novo aumento de propagação da Sida, talvez por se ter instalado nalguns sectores gay uma falsa ilusão de segurança."

    Fonte: Fonseca, L., Soares, C. & Vaz, J. (coords). (2003). A Sexologia – Perspectiva Multidisciplinar I. pp. 375-376. Coimbra: Quarteto Editores.


    Sidrómetros?!  :o Como é possível isso existir?!

    É pena este tipo de notícias/opiniões não serem veiculados pelos órgãos de comunicação de forma a que se comece, finalmente, a encarar o problema do HIV como um problema de todos e não apenas dos homossexuais.  :P

    Hum...não concordo muito...Acho que até as pessoas têm ideia que a sida não é exclusiva a homossexuais e até as projectos de prevenção o mostram. Distruibuição geral e gratuita de preservativos, temas abordados em escolas, universidades e até os jornais na altura foram do aumento de infecções em heterossexuais.

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      #83

      Offline Blackdi

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      Hum...não concordo muito...Acho que até as pessoas têm ideia que a sida não é exclusiva a homossexuais e até as projectos de prevenção o mostram. Distruibuição geral e gratuita de preservativos, temas abordados em escolas, universidades e até os jornais na altura foram do aumento de infecções em heterossexuais.

      Sim, não deixas de ter razão.

      Mas, se reparares, na sociedade em geral, ainda existe muito aquela ideia de que a SIDA é uma coisa de homossexuais e que só acontece aos outros.  :)
      « Última modificação: 11 de Junho de 2008 por Scorpio_Angel »

        Sida, a praga gay?
        #84

        Offline blueboy

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        Fonte: Fonseca, L., Soares, C. & Vaz, J. (coords). (2003). A Sexologia – Perspectiva Multidisciplinar I. pp. 375-376. Coimbra: Quarteto Editores.


        Sidrómetros?!  :o Como é possível isso existir?!

        É pena este tipo de notícias/opiniões não serem veiculados pelos órgãos de comunicação de forma a que se comece, finalmente, a encarar o problema do HIV como um problema de todos e não apenas dos homossexuais.  :P

        Hum...não concordo muito...Acho que até as pessoas têm ideia que a sida não é exclusiva a homossexuais e até as projectos de prevenção o mostram. Distruibuição geral e gratuita de preservativos, temas abordados em escolas, universidades e até os jornais na altura foram do aumento de infecções em heterossexuais.

        Concordo. Aliás, eu na escola sempre ouvi muito falar de Sida e muito pouco de homossexuais :P
          Ainulindalë

          Sida, a praga gay?
          #85

          Offline Equilibrium

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          Li há poucos dias num jornal, já não sei qual, que as campanhas de prevenção do HIV vão passar a ser direccionadas maioritariamente a grupos de risco (mencionaram meios homossexuais, de prostituição e de droga), dado que as estatísticas apontam uma descida considerável do número de infecções entre heterossexuais.

          Boas notícias, visto que o número de infecções tem vindo a baixar muito. E sendo que a maior parte da população é heterossexual, é relevante. E como não falaram da estatística homossexual, talvez se possa presumir que também tem descido embora com menos expressão.

          Espero que não voltem a espalhar a ideia de HIV e homossexuais estarem obrigatoriamente relacionados...
            It doesn't make sense not to live for fun, your brain gets smart but your head gets dumb.

            Sida, a praga gay?
            #86

            Offline Blackdi

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            Curiosamente, há uns dias atrás, ouvi o Daniel Sampaio no RCP referir-se a um estudo qualquer em que se demonstra que o número de infectados pelo HIV entre os homossexuais tem vindo a aumentar, talvez, segundo ele, pelo facto de os homossexuais acharem que, de alguma forma, estão mais protegidos.

            Sinceramente, não sei em quem acreditar, porque uns dizem que está a aumentar, outros dizem que está a diminuir.  :P Toda a gente apresenta estudos na comunicação social, mas o curioso é que nunca referem as fontes. Será que devemos acreditar mesmo no que dizem ou tudo não passará de mera especulação?  ???

            Sida, a praga gay?
            #87

            Offline paulosabino

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            Curiosamente, há uns dias atrás, ouvi o Daniel Sampaio no RCP referir-se a um estudo qualquer em que se demonstra que o número de infectados pelo HIV entre os homossexuais tem vindo a aumentar, talvez, segundo ele, pelo facto de os homossexuais acharem que, de alguma forma, estão mais protegidos.

            Sinceramente, não sei em quem acreditar, porque uns dizem que está a aumentar, outros dizem que está a diminuir.  :P Toda a gente apresenta estudos na comunicação social, mas o curioso é que nunca referem as fontes. Será que devemos acreditar mesmo no que dizem ou tudo não passará de mera especulação?  ???

            Quanto a mim o que realmente é importante é que a SIDA compromete gravemente a saúde de pessoas independentemente da sua orientação sexual ou género.Tenho amigos infectados com HIV, e isso não se deveu à sua orientação sexual, mas sim porque confiaram a vida a alguém ao invés de optarem por sexo seguro. Seguro ou mais seguro só mesmo a prevenção.. cura não há! :(
              - Vai chover...   
               - Vai tu!!!!!!!!!!

              Sida, a praga gay?
              #88

              Offline Blackdi

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              Curiosamente, há uns dias atrás, ouvi o Daniel Sampaio no RCP referir-se a um estudo qualquer em que se demonstra que o número de infectados pelo HIV entre os homossexuais tem vindo a aumentar, talvez, segundo ele, pelo facto de os homossexuais acharem que, de alguma forma, estão mais protegidos.

              Sinceramente, não sei em quem acreditar, porque uns dizem que está a aumentar, outros dizem que está a diminuir.  :P Toda a gente apresenta estudos na comunicação social, mas o curioso é que nunca referem as fontes. Será que devemos acreditar mesmo no que dizem ou tudo não passará de mera especulação?  ???

              Quanto a mim o que realmente é importante é que a SIDA compromete gravemente a saúde de pessoas independentemente da sua orientação sexual ou género.Tenho amigos infectados com HIV, e isso não se deveu à sua orientação sexual, mas sim porque confiaram a vida a alguém ao invés de optarem por sexo seguro. Seguro ou mais seguro só mesmo a prevenção.. cura não há! :(

              Sim, de facto tens toda a razão. O que importa mesmo é a prevenção...

              Sida, a praga gay?
              #89

              hysteria

              • Visitante
              Curiosamente, há uns dias atrás, ouvi o Daniel Sampaio no RCP referir-se a um estudo qualquer em que se demonstra que o número de infectados pelo HIV entre os homossexuais tem vindo a aumentar, talvez, segundo ele, pelo facto de os homossexuais acharem que, de alguma forma, estão mais protegidos.

              Sinceramente, não sei em quem acreditar, porque uns dizem que está a aumentar, outros dizem que está a diminuir.  :P Toda a gente apresenta estudos na comunicação social, mas o curioso é que nunca referem as fontes. Será que devemos acreditar mesmo no que dizem ou tudo não passará de mera especulação?  ???

              Quanto a mim o que realmente é importante é que a SIDA compromete gravemente a saúde de pessoas independentemente da sua orientação sexual ou género.Tenho amigos infectados com HIV, e isso não se deveu à sua orientação sexual, mas sim porque confiaram a vida a alguém ao invés de optarem por sexo seguro. Seguro ou mais seguro só mesmo a prevenção.. cura não há! :(

              Exactamente. Prevenção acima de tudo.

                Sida, a praga gay?
                #90

                Offline sufia

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                Mas, se reparares, na sociedade em geral, ainda existe muito aquela ideia de que a SIDA é uma coisa de homossexuais e que só acontece aos outros.  :)

                   A minha mae vira s pra mim:"Tu tem cuidado, voçês andam tds uns com os outros... Olha q estive a ler sobre SIDA.. e etc... Nao t ponhas a pau...bla bla bla!! (Isto tudo com um tom d "nojo" e tal, dito tipo, como q  a insinuar q eu andava com esta e cm aquela,quando nem nca tive relaçoes com nguém.. lolé!)(É q ja dormi em casa de ppl gay..entao pensa q n durmi em casa,por issu fui fazer coisas feias com "gajas"
                  Portanto,isto pa dizer q é um tal de generalizar e rotular, e pensam q todas as pessoas daquele "Bando" se comportam daquela maneira!!
                  O meu irmao,hetero, e q m apoia a 100%, ja tev rlaçoes e ela nao lhe disse uma unica palavra acerca d SIDA!!
                « Última modificação: 14 de Junho de 2008 por bluejazz »

                  Sida, a praga gay?
                  #91

                  diafeliz

                  • Visitante
                  Existe um livro (do qual já falei nalgum tópico há algum tempo atrás) que se chama "Testemunhos" e foi editado pela Comissão Nacional de Luta Contra a Sida. Este livro é isso mesmo, é composto por vários testemunhos reais e encontra-se disponível online no site www.sida.pt (é só procurar por lá, por exemplo inserir o título no motor de busca e ele acaba por aparecer).

                  Este livro é daqueles que nos deixam de "garganta seca", mas ao mesmo tempo com uma esperança enorme... Por isso, retirei do livro o mais importante de cada um dos testemunhos (no meio de tantos testemunhos acho que só dois são de homossexuais, o que mostra que não se pode (nem deve) associar a Sida unicamente à homossexualidade).

                  Isabel (Heterónimo), 25 anos, 6 de Fevereiro de 2002: “Disse-lhes que não acontece só aos outros, e que não é por amor que um dia acordamos e já não estamos iguais.” “Basta um homem olhar para nós e dar-nos carinho, para nos sentirmos as mulheres mais felizes deste mundo. Nunca pensei em me proteger, não pensei em absolutamente nada.” “Um dos conselhos que a minha médica de família me deu foi, sempre que fosse ao hospital, informar a equipa técnica de que eu era portadora do VIH, a fim de que esta se pudesse proteger. E eu, assim fiz. As duas perguntas a seguir eram: ou és prostituta ou és toxicodependente. Respondia que não, que não tinha nada a ver com isso, e que tinha sido infectada através de uma relação com o meu namorado.” “Quando digo que sou seropositiva há dez anos, as pessoas não acreditam. Com esse bom aspecto?! Ainda têm aquela imagem da SIDA associada a uma pessoa débil, magra, e eu tenho oitenta e cinco quilos! Ainda hoje, ninguém diz que tenho SIDA. Quando vou a uma consulta, e me chamam, toda a gente fica espantada: “Aquela também?”. Apenas olhando para mim, ninguém acredita.” “Custa-me tanto não ter ninguém ao pé de mim quando estou com quarenta graus de febre e tenho que me levantar e ir tratar da minha vida. O ano passado necessitava de ser internada com urgência, o meu fígado já estava a dar de si, mas só pude quando os meus filhos entraram de férias. Paguei a uma ama, ela levou-os de férias, e só então fui internada. As minhas férias foram no hospital, mas procuro sempre reagir.”

                  Afonso Pedro, 34 anos, 3 de Janeiro de 2002: “Falar sem dar a cara, é dar um passo em frente e outro atrás.” “As pessoas precisam de saber como as coisas são, para conseguirem calcular os riscos que correm. É a mesma coisa que eu atravessar uma estrada, existir um buraco, e não avisar quem vem atrás de mim.” “Quando uma pessoa acaba de saber que é seropositiva, fica completamente absorvida por isso. O Afonso que gostava de livros ou de música, esse Afonso deixa de existir. Só existe um que é seropositivo, que vai morrer em breve, e que não sabe o que é que há-de fazer.” “A consequência dos meus erros foi esta doença. Se irei morrer dela, não sei. Não quero pensar muito nisso. Já não tenho aquela atitude que tinha ao princípio: de fatalidade, de sentir que tudo tinha acabado, que não existia amanhã. Claro que sinto uma certa tristeza. O VIH condiciona a minha vida em muita coisa.”

                   Rosa Miguel (Heterónimo), 45 anos, 6 de Setembro de 2001: “A vida vive-se por ciclos. Este é o meu terceiro ciclo.” “Eu senti que podia escolher: ou revoltava-me e começava a fazer todo o tipo de disparates, que também os sei fazer, ou aceitava e ia em frente. Fui em frente na procura do meu caminho e da minha felicidade.” “Penso que para os outros é difícil lidar porque começam, imediatamente, a imaginar a pessoa doente. Por outras palavras, já estão a sofrer. Gostam de nós.”

                   Ricardo (Heterónimo), 21 anos, 11 de Setembro de 2001: “Eu amava a pessoa, confiava nela, logo não precisava de usar preservativo.” “Muito pessoal lá da escola vai para uma festa, começa a curtir, depois segue-se o “vamos até minha casa ver um filme” e, no meio do filme, passam ao acto. Sem pensar minimamente nas consequências. Quantas pessoas não poderão estar infectadas com o vírus sem o saberem? Quantas? Sobretudo na faixa dos quatorze aos vinte anos. Eu aposto que muitas delas, das duas uma: ou têm sorte ou têm o vírus.” “As doenças transmissíveis por via sexual ficam a descoberto. Foi o que se passou comigo, e é o que se passa hoje em dia com o pessoal da minha idade. Esquecem-se que a outra pessoa teve relações com outra, e que esta teve com outra, e assim por diante.”

                  Manuel (Heterónimo), 37 anos, 6 de Fevereiro de 2002: “Viver com VIH é sinónimo de ter que crescer.” “Eu sei que é uma estupidez pensar que as pessoas inspiram confiança, eu também julgo que não inspiro desconfiança a ninguém e, no entanto, sou seropositivo.” “Por vezes, isso implica ter que tirar os rótulos das embalagens ou pôr os medicamentos dentro de outras embalagens para que ninguém se aperceba do que estou a fazer. É muito difícil.”

                   Júlia (Heterónimo), 35 anos, 30 de Janeiro de 2002: “A coragem que tenho para enfrentar a minha vida vem dos meus filhos.” “Quando ela nasceu, encontrámo-nos e fomos registá-la. Nesse mesmo dia, confessou que não queria viver comigo porque não estava para apanhar a doença.” “Vim para uma terra que não é a minha, para curar o meu filho, e aparece uma “coisa” que é mais perigosa, nem sei explicar, como é que eu apanhei isto? Só me queria suicidar.” “Lá em África, eu nunca senti este tipo de dificuldades… Nós cultivávamos as coisas e comíamos, mesmo que não houvesse dinheiro para comprar na loja, tudo o que se manda para a terra , cresce, é diferente… Se não vestirmos as crianças, não há problema nenhum, porque está calor.”

                  Filipe (Heterónimo), 27 anos, 29 de Novembro de 2001: “O tempo faz com que eu percebesse que não é a doença que nos prende, somos nós que nos prendemos à doença.” “Antes de saber da minha seropositividade, sempre que via alguém nessa situação, tinha medo, punha-a de parte, ficava retraído. Por isso, estava com medo que me fizessem o mesmo, mas enganei-me. Nunca ninguém me rejeitou por estar infectado, sinto-me exactamente igual aos outros.” “O tempo é tudo, dá-me volta à cabeça, é o que mais me angustia. Há tanta coisa que eu gostava de fazer com ela, só penso se vou ter tempo para tudo. Eu sei que hoje a esperança de vida de um seropositivo é maior, mas há tanta coisa por fazer e falar, mesmo em relação ao VIH.”

                   Maria (Heterónimo), 38 anos, 22 de Janeiro de 2002: “A motivação é a chave de todas as portas.” “Na prostituição, as mulheres procuram proteger-se, trazem consigo preservativos, só que a maioria dos homens não os quer. Quando confrontados directamente com a questão da SIDA, dizem que a eles não lhes irá acontecer.” “É um privilégio ter um sítio onde podemos partilhar a nossa vida, e onde existe identificação. Identificarmo-nos com os outros, acrescenta sentido à vida.”

                   Joaquim (Heterónimo), 27 anos, 6 de Dezembro de 2001: “A ideia que eu tinha de Portugal é que era um país de jardins, um país bom.” “Perguntei-lhe: “Porque é que não me disseste antes?”. Ela respondeu-me: “Tinha medo que se te dissesse, tu não aceitasses ficar comigo”. “Claro que não aceitaria ficar contigo! Poderia ter-te apoiado, mas ficar contigo, não!” Foi assim. Não desconfiei de nada. Pensava que ela estava bem. Tinha bom aspecto, era gordinha. Tinha uma filha pequenina que vivia com os pais. Nunca desconfiei que ela tivesse aquela doença.”“A malta angolana não gosta de usar o preservativo. Não gosta daquela coisa de borracha, a borracha só estorva! Angolano gosta de carne com carne. Também dizem que isso da SIDA é doença para os ricos, para quem está cheio de dinheiro, está hoje com uma, amanhã com outra.”

                  Daniel (Heterónimo), 32 anos, 17 de Dezembro de 2001: “As pessoas vinham ter comigo, diziam que se estivessem no meu lugar faziam “isto e aquilo”, mas eu, apesar da minha revolta dizia: não, isso não resolve nada.” “Tinha dezanove anos, como é que não tinha o direito à vida, como as outras pessoas? Já não me bastava ser hemofílico, como também tinha que ser seropositivo. A revolta contra tudo e todos foi mesmo muito grande.” “Ainda no outro dia, fui a um programa de televisão, e as pessoas quando se dirigiram a mim demonstraram que acreditam muito nas minhas capacidades. Dizem-me, inúmeras vezes, que sou uma pessoa de muita coragem.” “Já perdi tanta coisa na minha vida, tenho medo de perder ainda mais. No entanto, nem estas sensações fazem com que eu cruze os braços. Enquanto eu cá estiver, vou fazer os possíveis para aproveitar tudo o que a vida tem para me oferecer.”

                  Madalena (Heterónimo), 35 anos, 5 de Março de 2002: “Quando soube que estava infectada estava a pensar engravidar.” “As nossas vidas deram uma grande volta. Deparámo-nos com várias dificuldades, sobretudo a nível profissional e pessoal. Após os resultados, as empresas para quem trabalhávamos não nos renovaram o contrato.” “Esta situação teve o seu lado positivo, pois ficamos a perceber com quem podemos contar e isso contribui para estabelecer o nosso equilíbrio. Hoje, eu e o André, temos um enorme desafio pela frente: ter um filho.”

                  Vicente (Heterónimo), 53 anos, 24 de Janeiro de 2002: “O vírus? O vírus não me afecta muito. É mais uma coisa.” “Ao princípio, pensava que honestidade era não roubar nada a ninguém. Hoje em dia, entendo que não é só isso, a honestidade é a facilidade que a pessoa tem de ser verdadeira com ela própria.” “Antes, não me apercebia do que era estar tranquilo, do que era estar sereno, do que era viver, ao fim e ao cabo. Não me apercebia de pequenas coisas que agora aprecio. Hoje, olho para trás, e considero tudo tão mesquinho, pá!”

                  Paulo (Heterónimo), 28 anos, 12 de Janeiro de 2002: “Comigo, bastou uma vez.” “Quando pensava no assunto, preocupava-me sobretudo o facto dos outros virem a saber que eu estava infectado. Tinha medo de que me discriminassem.” “Não é o ser seropositivo que me revolta, mas sim a forma como fui infectado. Hoje, quando olho para trás e penso nas atitudes do Miguel, tenho a certeza de que ele me infectou de propósito.” “«Deixa estar, eu confio em ti. Eu sei que tu não tens nada». Por um instante, fiquei sem reacção. Porém, virei-me para ele e, ainda petrificado, ripostei: «Mas eu não confio em ti». Mal ele imaginava que eu estava infectado!”

                   Henrique (Heterónimo), 38 anos, 29 de Janeiro de 2002: “Cresci num microcosmos, no qual vigora a lei do mais forte.” “O ambiente é um bocado violento. De volta e meia, havia pancada e, quando lutava, protegia a pele das mãos e os nós dos dedos com ligaduras, porque quando o soco é para a boca, o sangue espirra para todos os lados. Para além disso, sabia que havia malta com o VIH e procurava ser mais reservado, não me irritar precisamente com esses.” “Se uma pessoa entra numa prisão agarrada à droga, é quase certo que sai de lá infectada. O pessoal não se consegue acalmar, não quer esperar cinco minutos para desinfectar uma seringa, para além de que conheci muita gente que não consumia heroína, mas que saiu infectado por causa de tudo o que lá se passa.” “Só queria paz. Hoje, há certas coisas que eu vejo de maneira diferente do que via das primeiras vezes que fui condenado. Sei que a melhor hipótese que tenho de tentar ser feliz é abandonar o meu estilo de vida. Há pessoas que levam um estalo e aprendem logo, mas há outras que não, têm de levar mais, percebe? Foi o que se passou comigo. E não tenho jeito nenhum, talento nenhum, para dizer estas coisas a um juiz.”

                  Carlo (Heterónimo), 22 anos, 17 de Dezembro de 2001: “Quando chegar a hora, não posso ter medo de estar a gostar muito de viver.” “Tudo isto é desagradável, tudo isso é difícil e sempre que acontece mando cá para fora: ‘Que ***** pá, fogo! Tenho 22 anos! Com 22 anos, meu, com 22 anos a tomar esta medicação toda? Se nem os meus avós, com 70 ou 80 anos, tomam uma coisa destas’.” “Tenho um amigo que quando eu fiz 19 anos, nunca mais me esqueço, esteve comigo cinco minutos, deu-me um abraço e disse-me: ‘Carlo, quando tu não tiveres força para subir, faz força para não descer’.” “Sei que tenho um filho, sei que tenho de lutar, que não posso desistir, é daquelas coisas de senso comum, que não posso desistir. Mas se eu for pensar poeticamente, vou, até ao último minuto, deitar tudo cá para fora, muito apressadamente, porque não tenho tempo. Sou daquelas pessoas que posso dizer à boca cheia que não tenho tempo, não tenho tempo nenhum.”

                  Eugénia (Heterónimo), 43 anos, 27 de Fevereiro de 2002: “Sou exactamente igual aos outros.” “Estava tão horrorizada com aquilo que me tinha acontecido, que senti que nunca mais iria ter homem algum. Cheguei a estar com nove médicos à minha volta e apenas um dizia que era possível a criança não nascer infectada.” “Claro que as limitações custam. Mas quem não as tem? Não posso fazer amor com o meu companheiro sem preservativo, já não posso ter um filho com ele, mas para quê martirizar-me?”

                  Victor Santo António, 62 anos, 27 de Setembro de 2001: “Assumi um lema: ‘Correr para viver’. Corro pela vida.” “Correr é a forma de eu estar na vida, a força que eu arranjo para enfrentar e resolver os meus problemas. O facto de correr é quase tudo, dá-me equilíbrio, físico e psicológico.” “Quando lanço um anúncio ‘gay seropositivo procura contactar com outro seropositivo’, não aparece ninguém, não há qualquer resposta. Quando faço um anúncio sem dizer nada, aparecem, mas não perguntam se sou seropositivo ou não.”

                  Helena (Heterónimo), 46 anos, 27 de Setembro de 2001: “Toda a minha vida estive rodeada de gente, todos me procuravam, enquanto fui uma mulher cheia de vida.” “Estava sempre a dizer-lhes: ‘Tenham cuidado, não façam nada de que se arrependam, previnam-se e olhem que não é só da gravidez’. Eu nunca fui mãe, mas sentia-me um bocadinho responsável e por isso tentava protegê-los.” “Quando o contrato terminou, liguei à minha directora a perguntar quando é que o iam renovar. A resposta do outro lado foi simplesmente: ‘Tenho muita pena, mas não te posso aceitar’. Tinham-lhe contado.”

                  Fernando (Heterónimo), 52 anos, 7 de Dezembro de 2001: “Hoje, quando olho para trás, já muito aconteceu.” “Nesse tempo, não se falava sobre o preservativo, e muito menos havia o hábito de usá-lo. Se uma pessoa fosse a uma farmácia pedir um preservativo, tomavam nota de quem é que tinha ido comprá-lo, e isso era um enorme obstáculo à sua compra.” “Os doentes com SIDA eram vistos pela sociedade, e não só a portuguesa, como não sendo produtivos e, assim sendo, não valia a pena investir neles. Restava deixá-los morrer, com dignidade, ou sem ela.” “De qualquer modo, penso que o mais importante foi ter aceite que era seropositivo e, posteriormente, saber adaptar-me aos vários desafios que a vida me propôs.” “O saber que se é seropositivo é muitíssimo doloroso, é muitíssimo forte, é como uma bomba nuclear que rebenta dentro de nós, mas depois dessa bomba rebentar e de se ficar em farrapos, é preciso juntar o que restou e reconstruir a vida.”

                  « Última modificação: 15 de Junho de 2008 por vss »

                    Sida, a praga gay?
                    #92

                    diafeliz

                    • Visitante

                    O livro de que falo no post acima tem ainda um poema que nos pode ensinar muito...

                    “Ver-me-eis como a um condenado
                    Alguém a quem a sorte pôs ao lado
                    No tribunal da vida a ser julgado
                    Sozinho no mundo sem ser amado.

                    Olhar-me-eis como quem foge da morte
                    Como se assim vos sentísseis mais forte
                    Num pedestral bem alto vos entronaste
                    Nessa surda realidade que sempre desejaste.

                    Ignorância - olhai bem dentro de mim
                    Medo - não vos senteis tão longinquamente
                    Ter SIDA não é ter fim
                    Viver é também morrer lentamente.

                    Vós de mãos escondidas nesses trajes das mentiras
                    Que sorriem quando a natureza fazem em fatias
                    Vós de passos largos que afinal nunca subiram
                    Que veneram deuses que nunca viram.

                    Vós que sois como eu vos vejo
                    Vós que da vida fazeis o vosso desejo
                    Sois apenas e só a quem eu digo
                    Mortal é todo aquele incompreendido.”

                    Afonso Pedro, 9 Abril 1998

                      Sida, a praga gay?
                      #93

                      Ogait

                      • Visitante
                      Sida: mortalidade em Portugal diminuiu para cerca de metade entre 2000 e 2006
                      06.06.2009 - 14h20 Lusa
                      A mortalidade associada à infecção por VIH/sida diminuiu em Portugal cerca de 50 por cento entre 2000 e 2006, adiantou hoje o Coordenador Nacional para a Infecção do vírus da sida. Henrique Barros mostrou-se preocupado com a possibilidade de o epicentro da epidemia deslocar-se para países como a Ucrânia e a Rússia.

                      O coordenador falava no encontro europeu sobre sida que decorre hoje em Lisboa, Henrique Barros, explicou que a cada vez maior eficácia dos tratamentos transferiu a tónica da luta contra a sida para o acesso aos tratamentos, sobretudo no que diz respeito aos custos associados, muitas vezes incomportáveis para os países mais pobres.

                      Por isso, o grande esforço actual é sensibilizar a indústria farmacêutica para a necessidade de assumir a sua responsabilidade social, atenuando o peso da propriedade intelectual e das patentes no custo dos medicamentos, afirmou.

                      "Não será preciso, espera-se, ir pelos caminhos de desrespeitar o direito de propriedade intelectual e as patentes. Trata-se sobretudo de conseguir que a indústria farmacêutica compreenda a importância e relevância desta situação [em termos de saúde pública] e que tenha também a responsabilidade social de baixar os preços e tornar acessível a medicação às pessoas que precisam dela", defendeu Henrique Barros.

                      O coordenador nacional para a infecção VIH/sida referiu que as questões de propriedade intelectual se põem sobretudo ao nível daquilo a que se chamam as "segundas e terceiras linhas, ou seja, aos tratamentos que são necessários ao fim de anos de utilização de um primeiro regime terapêutico e que são extraordinariamente caros".

                      Quanto à incidência da Sida na Europa, Henrique Barros mostrou-se sobretudo preocupado com a possibilidade de o epicentro da epidemia se deslocar para países como a Ucrânia e a Rússia, uma zona que "está a ser sobretudo marcada por uma extensa presença de casos em indivíduos que usam drogas".

                      "Há uma mudança do epicentro da epidemia em direcção a essa zona do mundo que exige seguramente medidas rápidas", concluiu Henrique Barros.



                      http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1385431&idCanal=62



                        Sida, a praga gay?
                        #94

                        Offline caires

                        • *****
                        • núcleo lgbti funchal
                        • Membro Elite
                        • Género: Masculino
                        • coordenador núcleo lgbti funchal | direção rea
                          • núcleo lgbti funchal
                        Já tenho lido muitas vezes que a SIDA é como se fosse uma praga gay. "Nós" a trouxemos ao mundo (devido ao nosso comportamento pecaminoso, etc etc you know the drill), "nós" a disseminámos, "nós" somos os mais afectados...
                         Bem, quanto à última parte, isso sei que não é verdade, porque hoje em dia os heterossexuais são o grupo mais infectado (estudos o comprovam). De resto, sabe-se se a SIDA começou mesmo na comunidade gay? Há provas concretas disso?


                        A SIDA, nomeadamente o VIH, começou nos macacos, em África, onde um ser humano foi infetado quando preparava ou quando comeu carne de chimpanzé. O vírus alastrou-se dos Camarões para os restantes países de África, até que teve o seu BOOM quando teve a sua propagação intercontinental para o Haiti e EUA e começou a afetar e infetar a comunidade gay.

                        E porque é que a comunidade gay foi um alvo da doença e alastrou-se rapidamente? Por várias razões. Primeiro, e deixando-nos de tabus e falsas hipocrisias, muita da comunidade gay é sexualmente ativa e tem vários parceiros. Depois na altura da grande pandemia do VIH/SIDA, os preservativos já existiam mas não em materiais seguros e estes ainda não eram utilizados em tão grande número como nos dias de hoje. Depois, há a questão do sexo anal que é uma das principais e mais perigosas vias de transmissão do VIH.

                        Mas pronto, infelizmente foram os gays que ficaram com o rótulo. E até mesmo os africanos ficaram um pouco rotulados... mas penso que não tanto como os lgbt. Na altura os negros já começavam a ganhar os mesmos direitos que os brancos, enquanto que os lgbt ainda estavam numa fase quase inicial de luta pelos seus direitos.

                        Existe um infográfico muito completo sobre o assunto. Dos melhores que já vi. E está em português!

                        http://www.publico.pt/multimedia/infografia/vih-o-virus-que-apareceu-em-kinshasa-em-1920-e-alastrou-para-o-mundo-inteiro-153
                        « Última modificação: 17 de Abril de 2015 por caires »

                           

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