Sim, é verdade que já muitas coisas mudaram. Mas sabem quais são um dos culpados de mais mudanças não terem acontecido, da geração LGBT antes de nós.
Claro que eu não generalizo, mas infelizmente vejo isso.
É fácil falar, mas realmente quero fazer parte da mudança de mentalidades. Não da sociedade em geral, apenas, mas da comunidade LGBT em si.
Sabem qual é normalmente o primeiro contato que os jovens têm da comunidade, mesmo sem quererem, os sites de engate. Amén Internet. Falta de informação, mas portas de promiscuidade gratuita.
Sabem o que eu vejo muitos homosexuais assumidos a reclamarem na internet, facebook e similares? Que o metro de lisboa não aceitou a propaganda do manhunt.
Não vêem o ponto de ligação, eu vejo. Porque não vejo essas mesmas pessoas a reclarem de haver pouca informação nas escolas, mais reclames e publicidades "gay-friendly"?
Não estou para acusar ninguém das suas opções de vida, estou para a próxima geração ter uma oportunidade de o primeiro contato que têm da comunidade serem foruns como estes, não aos 19 anos como eu tive. Invés de velhos casados a procura de rapazes, como eu tive, desde os 14 anos.
Realmente é em nós que está a mudança, sim, mudar a própria mentalidade da comunidade LGBT, para melhorar as vidas de todas as gerações que se seguem a nós!
E tu, qual a tua opinião sobre este assunto?
Boa noite,
Em primeiro lugar, queria felicitar-te pela criação deste tópico, pois falas de muitos pontos particularmente pertinentes, nomeadamente a noção de responsabilidade individual no processo de mudança colectiva de mentalidades, atitudes e comportamentos.
Se Harvey Milk não tivesse sido o primeiro político norte-americano, publicamente assumido, a ser eleito para a Câmara de Supervisores de São Francisco, muitos políticos gay teriam que desistir do seu sonho.
Se Galileu não tivesse feito avanços no heliocentrismo, apesar das perseguições da Inquisição, hoje poderíamos ainda estar a acreditar no geocentrismo.
Se Rosa Parks não tivesse recusado ceder o seu lugar no autocarro, o "Civil Rights Movement" poderia não ter existido...
Porque não poderemos ser cada um de nós a mudar o mundo para um lugar melhor?Não creio que o exercício deva ser quem são os culpados da falta de mudanças, mas sim percebermos o que falta fazer, planear o que fazer, unirmo-nos para o fazer e
fazer. A ordem que usei na escolha das palavras foi intencional, pois todas as acções começam sempre com um pensamento e por isso mesmo é que eu considero ser imprescindível educar responsavelmente as crianças, dar-lhes acesso a informação científica e sociologicamente fundamentada, para que no futuro não exista uma visão distorcida dos LGBT, indo ao encontro do que disseste quanto às formas do primeiro contacto com a comunidade LGBT.
Tens toda a razão quando dizes que cada um de nós deve fazer parte da mudança que pretende ver no mundo, tem a obrigação moral de construir um futuro em que os jovens se sentirão informados, unidos e felizes em ser LGBT. É precisamente esta a razão pela qual tenho tido um interesse particular nos projectos da rea, nomeadamente o Projecto Educação, para o qual dei e espero continuar a dar o meu contributo.
Falando especificamente de como os jovens procuram outros LGBT, neste momento sou da opinião que apesar de tudo aquilo que a Internet tem de perverso (incluindo a
desinformação), a realidade é bastante mais solarenga do que por exemplo há 10 anos atrás, onde o acesso à informação era perto de nulo... Por isso, deixo aqui o meu agradecimento público não só à rea mas a todas as instituições que foram criadas nestes últimos anos com o intuito de informar e assim, aos poucos, acabar com os preconceitos.
A forma de contacto também depende, entre outros, de factores demográficos que muitas vezes tornam o contacto presencial mais difícil, apesar de ser óbvio para mim que é esse contacto que verdadeiramente vale a pena consumar. O que eu acho que não devemos fazer é confundir meios de acesso com objectivos... Embora seja raro, uma pessoa pode ir a um fórum de discussão com o objectivo de ter sexo e ir ao manhunt para fazer amigos. O que é realmente importante é cada um de nós saber o que pretende de si e dos outros, se quer sexo ou uma relação, que informações quer divulgar e como, e por fim poder ter acesso ao
meio mais eficaz para atingir aos seus objectivos (e aqui concordo contigo em que devemos lutar para que nenhum jovem olhe para o manhunt e pense que a comunidade gay se resume aquele mundo).
Em quase uma década foram feitos avanços notáveis na sociedade portuguesa, tanto políticos como sociais, e agora, mais do que nunca, com o aproximar da adopção plena ou os primeiros sinais de preocupação com o bullying homofóbico, precisamos de nos unir para transformar as sementes em árvores de esperança, precisamos de ser mais visíveis à sociedade em geral e mostrar que nem todos somos "extravagantes" a viver a nossa sexualidade, precisamos de dizer ao mundo que somos pessoas com sonhos, planos e objectivos tal e qual como os heterossexuais.
Temos o direito e dever de começar, agora, a mudar este mundo para que a igualdade, verdade e felicidade não sejam negados a nenhum LGBT. Abraços,
Tiago.