rede ex aequo

Olá Visitante20.mai.2019, 08:16:45

Autor Tópico: Gnosticismo  (Lida 9545 vezes)

 
Gnosticismo
#20

Offline proswpo

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Oh mulher, confesso que não te compreendo. Então se já te dei a definição de ortodoxia segundo o meu dicionário, se ortodoxia signifina doutrina considerada verdadeira, e se doutrina significa "conjunto de princípios em que se baseia uma religião, um sistema político ou filosófico" (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto ed.), qual é o teu problema então? ???

E eu dei-te a definicao de acordo com o meu dictionario, eh!

O problema e' que nao podes chamar orthodoxia a qualquer idea que qualquer pessoa considere verdadeira. Mas que objectividade de conceito e' essa?!?!? Nem com o ridiculo da situacao que te descrevi isso foi claro?!?!?

Roma era uma entre iguais e nao a cabeca do Christianismo.

Como assim?? Roma não estava exactamente em pé de igualdade com as outras seitas, detinha uma certa autoridade...

(A propósito, a partir de quando é que Roma passou a ser o centro do catolicismo/cristianismo, tens ideia?)

"In a nutshell," a igreja Crista estava organizada em "seas," 'a frente de cada um dos quais estava um bispo, e todos os bispos eram iguais. Um desses seas era o de Roma. Ponto final.

A igreja passou por varios episodios schismaticos em consequencia da necessidade de definicao da doxia, necessidade essa gerada por movimentos que se opunham 'a tradicao que tinha estado a ser practicada. Apenas essa doxia pode ser considerada orthi porque definida pelo colegio dos varios bispos em uniao.

No sec. XI da-se o grande schism, com a separacao do sea the Roma da igreja, os restantes seas localizados a Este de Roma. As razoes foram varias e de varias ordens. Ao separar-se, Roma deixou de poder afirmar que possuia a orthi (grego para recto) doxia. Outro ponto final.

Recorda-te que Roma nessa altura era ja' barbara, enquanto que os demais seas eram ainda romanos! (Konstantinoupoli caiu apenas no sec. XV.) E a partir de entao Roma passou a liderar em ditadura o christianismo ocidental, auto-proclamado catholico (grego para universal) mas nunca orthodoxo! O christianismo oriental continua relativamente unido em termos de doxia, mas como nele nao ha' protagonismo de um individuo nem tao pouco se impoe como regra de administracao, nao e' mediatico.

Ok?
« Última modificação: 25 de Abril de 2006 por proswpo »

    Gnosticismo
    #21

    Eyre

    • Visitante
    Continuo sem perceber qual o teu problema com a palavra ortodoxia, uma vez que, segundo a tua própria definição,

    orthodox:
    1. Adhering to the accepted or traditional and established faith, especially in religion.
    2. Adhering to the Christian faith as expressed in the early Christian ecumenical creeds
    3. Orthodox
             1. Of or relating to any of the churches or rites of the Eastern Orthodox Church.
             2. Of or relating to Orthodox Judaism.
    4. Adhering to what is commonly accepted, customary, or traditional: an orthodox view of world affairs.

    [dictionary.com]

    [O negrito é meu]

    Dizes também que:

    A ultima definicao nao e' a correcta do ponto de vista etimologico ou sequer do ponto de visto do proposito do estabelcimento daquilo a que no inicio se chamou de orthodoxo, mas tao so fruto da evolucao da lingua por vezes ao custo de precisao de conceitos e por consequencia da adulteracao e perda dos conceitos.

    mas de certa forma isso é recusar que a linguítica é evolutiva e é recusar um entendimento com os outros na medida em que não partilhas com eles o sentido das palavras. E é isso que se está a passar aqui connosco e com a palavra ortodoxia. :P

      Gnosticismo
      #22

      Offline proswpo

      • ***
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      • Género: Feminino
      Continuo sem perceber qual o teu problema com a palavra ortodoxia, uma vez que, segundo a tua própria definição,

      orthodox:
      1. Adhering to THE accepted or traditional and established faith, especially in religion.
      2. Adhering to the Christian faith as expressed in the early Christian ecumenical creeds
      3. Orthodox
               1. Of or relating to any of the churches or rites of the Eastern Orthodox Church.
               2. Of or relating to Orthodox Judaism.
      4. Adhering to what is COMMONLY accepted, customary, or traditional: an orthodox view of world affairs.

      [dictionary.com]

      [O negrito é meu]

      A capitalizacao e' minha. O que e' aceite por ter sido estabelecido e' necessariamente unico, dai THE. O que e' aceite por ter sido comummente aceite, sem se saber como se estabeleceu ou com que autoridade e' diverso e levianamente chamado o mesmo. Percebes o meu problema?

      A lingua e' rica o sufficiente e disponibiliza-nos palavras sufficientes para descrevermos os differentes conceitos. Ou nao teriamos os differentes conceitos sequer definidos. Mas a adulteracao parece inevitavel, por muito que a tente prevenir ou lutar. Talvez seja esse o meu problema...

      Dizes também que:

      A ultima definicao nao e' a correcta do ponto de vista etimologico ou sequer do ponto de visto do proposito do estabelcimento daquilo a que no inicio se chamou de orthodoxo, mas tao so fruto da evolucao da lingua por vezes ao custo de precisao de conceitos e por consequencia da adulteracao e perda dos conceitos.

      mas de certa forma isso é recusar que a linguítica é evolutiva e é recusar um entendimento com os outros na medida em que não partilhas com eles o sentido das palavras. E é isso que se está a passar aqui connosco e com a palavra ortodoxia. :P

      Claro que uma lingua e' viva, mas a linguistica?!... Com esse comentario referia-me 'a utilizacao desta palavra em conceitos religiosos, onde doxia tem um significado muito preciso, logo inadequada a qualificar conceitos simplesmente contraditorios, quer linguistica, quer historica, quer (e tu deves gostar mais deste) materio-socialmente.
      « Última modificação: 26 de Abril de 2006 por proswpo »

        Gnosticismo
        #23

        Eyre

        • Visitante
        A lingua e' rica o sufficiente e disponibiliza-nos palavras sufficientes para descrevermos os differentes conceitos. Ou nao teriamos os differentes conceitos sequer definidos. Mas a adulteracao parece inevitavel, por muito que a tente prevenir ou lutar. Talvez seja esse o meu problema...

        Não vejo como adulteração, antes evolução. :)

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          #24

          Offline Heliel

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          • Deus morreu e eu não fui ao funeral.
          Não resisto! Tenho de acrescentar isto, mesmo "roçando" o off-topic.
          Sabiam que os cristãos gnósticos foram perseguidos e que praticamente toda a sua doutina foi omitida dos registos da actual ICAR porque o gnosticismo foi considerado um movimento herético pelos cristãos ortodoxos?
          E que as mulheres tinham papéis de alto relevo no mesmo?  ;)

          Penso que aqui te referes aos Cataros, que eram Cristãos Gnosticos. De qualquer forma, o gnosticismo é mais antigo e transcende o cristianismo.
          Parece-me que no tempo do Zoroastismo já havia gnosticismo

          A igreja catholica formou-se tao tarde quanto sec XI em resultado do grande schism, pelo que nao pode conter em pureza o ideal christiao. Outros schisms no entanto ja se tinham dado, motivados pela necessidade de definir a douctrina.

          Ha muito conhecimento disponivel, mas nem todos os que o comem o conseguem digirir, e ainda menos sao os que o conseguem assimilar. E nao e' com arrogancia intelectual, de que os fisicos (confesso) padecem tambem, que a assimilicao se faz.

          Não consigo concordar com isto, a formação do protestantismo (pessoas que abandonam a igreja católica romana) e o cisma (uma igreja grande que se parte), são coisas diferentes.
          Os ortodoxos, chamados assim, normalmente porque não "aceitaram" o filioque, o que é uma questão de cano de esgoto, parece-me que a verdadeira razão, foi que os ortodoxos não quiseram aceitar a supremacia do bispo de roma.
          E BTW, normalmente os ortodoxos referem-se a eles proprios como Católicos.
            Left-Rev. Heliel Noctis Dei, Frater Ain Aemeth

            Gnosticismo
            #25

            Offline Adónis

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            • Membro Sénior
            Todas as religiões têm a sua vertente Gnóstica!

            Os judeus têm os seguidores da Cabala. No Islamismo há os seguidores do Sufismo. No Cristianismo há o Cristianismo Gnóstico. No paganismo havia as escolas de Mistérios. No Candomblé há os Pais e Mães de Santo.


            As religiões têm duas vertentes:

            1) Exotérica: informação dada às massas para as controlar e orientar. Por exemplo, recomendações para não beber álcool, não comer carne de porco ou praticar exercício físico são exemplos de verdades exotéricas.

            2) Esoterismo: informação dada apenas aos escolhidos, homens e mulheres que pela sua dedicação e craveira moral são admitidos em escolas místicas ou sociedades secretas.

            Por exemplo, a Bíblia tem sempre duas leituras, a exotérica e a esotérica, sendo que a esotérica dá a explicação para os mitos bíblicos, mas apenas é conhecida por quem segue a vida religiosa dentro de uma Loja ou Escola de Mistérios como a Maçonaria.


              Gnosticismo
              #26

              Offline zenez

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              • Novo Membro
              • Género: Masculino
              Ola a todos
              Estive a fazer uma pesquisa e encontrei esta pagina que pode tirar alguma duvidas
              http://gnosisportugal.blogspot.pt/search/label/Cristianismo%20Primitivo

              espero que ajude
               :)

                Gnosticismo
                #27

                Offline Sandra M. Lopes

                • *
                • Novo Membro
                • Género: Outro
                • Pessoa transgénero com um fetiche do acto de fumar
                  • Sandra M. Lopes - Rantings from a crossdresser
                Ia a responder a este tópico, mas já vi que o Adónis escreveu o que eu ia para escrever: não há religião que não tenha a sua vertente gnóstica/esotérica (acrescento ainda que no Hinduísmo temos as escolas Adveita; no Budismo, as escolas Vajrayana, sendo as principais as escolas do Tibete, mas ainda restam algumas escolas esotéricas próprias no Japão).

                É na realidade irónico que só no Cristianismo — a maior religião do mundo! — que a doutrina exotérica tenha prevalecido e tenha «interditado» as escolas esotéricas cristãs :) Neste caso, foram mais longe do que as «interdição», pois efectivamente queimaram os «hereges» gnósticos/esotéricos e deram cabo deles!

                O resultado disto é que se perdeu a tradição de prática espiritual gnóstica/esotérica no seio do Cristianismo. Sim, há muitos livros e excertos; sim, há muita gente hoje em dia que se considera cristão esotérico (eu já me considerei assim); mas o problema é que em todas as vertentes esotéricas das religiões principais o conhecimento da prática espiritual é transmitido directamente de professor para aluno. Os livros de pouco ajudam, sem um professor são ininteligíveis.

                Algumas escolas cristãs esotéricas afirmam que houve uma continuidade (que viveu sempre escondida), mas na realidade não têm provas disso. Outros dizem que houve uma re-fundação da sua escola, através de uma nova revelação das práticas (é o caso, por exemplo, do movimento Rosacruz).

                Houve uma altura em que estudei um pouco do cristianismo esotérico. A sua base filosófica até é interessante, e assemelha-se muito às linhagens esotéricas de outras religiões (o que, aliás, não devia ser muito surpreendente: há muito mais pontos em comum entre as filosofias esotéricas — um indício de que eventualmente tivessem uma origem comum? — do que diferenças). Onde se nota realmente a diferença é na prática espiritual: esta parece um pouco «artificial» — como se as pessoas só tivessem tido acesso aos livros mas não aos métodos, e tentaram interpretar a forma como os métodos seriam originalmente, indo buscar muita inspiração às outras escolas esotéricas de outras religiões, mas dando-lhes um contexto cristão.

                Uma coisa que salta logo à vista — e que por isso não admira que tenha sido declarado como heresia! — é que as escolas cristãs esotéricas afirmam que Cristo não é necessariamente apenas uma pessoa/Deus, mas um estado que Jesus de Nazaré atingiu, através da prática esotérica — e que este estado é atingível por qualquer pessoa que siga as mesmas práticas e métodos. Isto é praticamente igualzinho ao que afirma, por exemplo, o Budismo (mas também as mais sofisticadas escolas esotéricas hindus). Fica um pouco na dúvida, para quem «leia» meramente os livros sem os compreender, se este «estado» significa que «nos tornamos deuses», ou que o «estado de Deus» é atingível por qualquer ser humano (o que seria coerente, por exemplo, com o Budismo, onde não há «deus criador» — o estado de Buda é atingível por qualquer ser, e não tem um papel de «criador» — mas estou a divagar. Nalgumas escolas hindus muito complexas, admite-se que «Deus é o último obstáculo a remover», mas aceita-se a ideia de que, enquanto o praticante segue o seu caminho, acreditar num Deus Criador que é Amor pode-lhe ser mais útil no seu desenvolvimento enquanto ser humano. Mas antes de chegar à libertação final terá também de descartar essa ideia de que existe um «deus» externo :) ).

                Seja como for, não admira que quem professe este tipo de coisas tenha sido declarado herege pela Igreja de Roma e queimado na fogueira :) São ideias demasiado complicadas para o público em geral; além disso, minavam o papel «dirigente» da hierarquia eclesiástica. Noutras religiões, onde a hierarquia é bastante mais flexível, foi mais fácil preservar as respectivas escolas esotéricas. Ainda hoje, quem quiser, no seio da sua própria religião, avançar depois para a variante esotérica, pode fazê-lo. No Cristianismo não! :)

                Pode, claro, escolher uma via cristã esotérica, mas ficará sempre na dúvida de quão «verdadeira» esta será nos dias de hoje, pois terá de acreditar, sem provas, de que mantiveram uma linhagem ininterrupta de técnicas, métodos, conhecimentos, e práticas. Nisso terão de ter fé. Nas restantes religiões há provas concretas de que as linhagens se mantiveram intactas e que os métodos funcionam mesmo :)
                  Não julgues, e não serás julgado.
                  ---
                  Algumas das minhas opiniões reflectem a minha filosofia de vida, que segue a orientação exposta pelo príncipe Siddharta, 2600 anos atrás.