rede ex aequo

Olá Visitante20.mai.2019, 07:47:55

Autor Tópico: Poesia  (Lida 106617 vezes)

 
Poesia
#240

Offline sleepy_heart

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  • Género: Feminino
Para aqueles/as devaneios que acontecem em segundos na rua: relacionando com redes sociais e redes sociais virtuais.

Olhei e tentei fazer contacto visual
Mas os teus olhos focavam o ecrã
Provavelmente numa qualquer rede social

Questionei o teu nome
Mas deduziste que o sabia e nem fizeste caso
Por ser tão óbvia a identidade online

Beijei-te na imaginação
Mas não sentiste sequer o sopro do vento
Por estares noutra dimensão

Eu fiz log off do online para te encontrar
Mas tu estás a um metro de mim no log in virtual
Eu fiz log off do online para te abraçar
Mas tu só queres o Pikachu e o Bulbasaur
Eu quis "desonliner-me" do mundo virtual
Para um espaço real entre ti e mim encontrar






    Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

    Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

    Poesia
    #241

    Offline sleepy_heart

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    • Membro Sénior
    • Género: Feminino
    Dentes inexistentes para que não roam a placenta acolhedora
    Nem o cordão umbilical de ligação
    Acabam por nascer a posteriori
    No mundo cá fora
    E tanto há que roer, desde gelados até ao momento de f****
    Na vida, assim despida, mas não de complexos
    E onde uns roem a alma, outros mordem corpos nus
    E as marcas desaparecem como qualquer outra que não deixe cicatriz;

    E quão difícil deve ser para quem andou connosco dentro
    Imaginar que se nos afundem barcos pelo nosso mar aberto,
    Qual mar vermelho, qual Moisés... que já há poucos,
    e se nos penetram, só se for por mera coincidência.
    « Última modificação: 2 de Outubro de 2016 por sleepy_heart »
      Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

      Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

      Poesia
      #242

      Offline sleepy_heart

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      • Membro Sénior
      • Género: Feminino
      E a alma triturada que opção tem? Tantas, não vês?
      Podes comê-la à colherada,

                                                                                                                             atirá-la à parede a ver se cola.

      Acender-lhe um fósforo e verificar se explode.

                                                              Tentar prender-lhe um cordel, duvidando que segure, mas sempre ficas entretido/a uns segundos.


      Ou leva-a na mesma dentro de ti sem lhe fazeres nada.

      Um dia pode ser que volte a secar e não escorra por ti abaixo.                Um dia volta a ganhar consistência e deixa de ser essa papa mole

      que trazes contigo.

                                                         Mas olha, um conselho, que deixe de ser papa mas...



                                                                   que não se torne cimento impenetrável.
      « Última modificação: 4 de Outubro de 2016 por sleepy_heart »
        Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

        Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

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        #243

        Offline sleepy_heart

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        • Membro Sénior
        • Género: Feminino
        Lume brando, onde já pegou fogo ardente
        Água natural, em vez de aguardente
        De alma em alma, coração marcado a tinta permanente
        Onde já só ela permanece, nomes que ficaram,
        Corpos que vieram, se vieram, e se foram,
        Sentimentos ainda pouco gastos, tão gastos de si,
        Calma, maré vazia, alma cheia de tudo e de nada,
        Cheia de si e não afundada.
          Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

          Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

          Poesia
          #244

          Offline lírica

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          • Novo Membro
          • Género: Feminino
          Entre mim e mim, há vastidões bastantes
          para a navegação dos meus desejos afligidos.

          Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
          Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

          Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
          só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

          Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
          Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
          e este abandono para além da felicidade e da beleza.

          Ó meu Deus, isto é minha alma:
          qualquer coisa que flutua sobre este corpo efémero e precário,
          como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…


          A Autora de:
          (...)Mas a vida, a vida, a vida,
          a vida só é possível
          reinventada.
            Please, bring me the sunset in a cup.

            Poesia
            #245

            Offline sleepy_heart

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            • Membro Sénior
            • Género: Feminino
            Foi de mim ou do perfume?
            Teria eu outro aroma e poderia ter sido diferente?
            De que flores gostas?
            E porque gostas delas?
            A essência, o aroma, ou a aparência?
            Os olhos, os lábios, o sorriso...
            Terias gostado de tudo isso
            Se eu tivesse outro perfume?
            E as palavras? Doces ou amargas?
            Como preferes o café?
            E se eu tocasse piano, ou jambé?
            O ritmo e o compasso de espera que não houve?
            O amor é sentido nos sentidos,
            e depende só disso.
            Vou para longe, mas e os cheiros?
            Não, não creio que o mesmo perfume noutra pessoa tenha o mesmo efeito.
            A pele, é a mistura do perfume com o cheiro da pele.
            Todas são diferentes.
            O cheiro natural comanda? Comandará? Quem saberá?
              Quanto mais duro for o treino mais fácil será o combate.

              Rio como riem os loucos, choro como uma criança perdida e acredito na amizade verdadeira.

              Poesia
              #246

              Offline Spektrum

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              • Membro Elite
              • Género: Feminino
              • [P]oiesis.
              Presságio
               
              O amor, quando se revela,
              Não se sabe revelar.
              Sabe bem olhar p'ra ela,
              Mas não lhe sabe falar.
               
              Quem quer dizer o que sente
              Não sabe o que há de dizer.
              Fala: parece que mente...
              Cala: parece esquecer...
               
              Ah, mas se ela adivinhasse,
              Se pudesse ouvir o olhar,
              E se um olhar lhe bastasse
              P'ra saber que a estão a amar!
               
              Mas quem sente muito, cala;
              Quem quer dizer quanto sente
              Fica sem alma nem fala,
              Fica só, inteiramente!
               
              Mas se isto puder contar-lhe
              O que não lhe ouso contar,
              Já não terei que falar-lhe
              Porque lhe estou a falar...

              Fernando Pessoa
              24/04/1928
                “Always be a poet, even in prose.”
                ― Charles Baudelaire

                 

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