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Olá Visitante17.jun.2019, 19:56:25

Autor Tópico: Refugiados na Europa  (Lida 1058 vezes)

 
Refugiados na Europa
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Offline Atomic

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Olá a todes! Reparei que ainda não havia um tópico no fórum a discutir a atual crise dos refugiados na Europa. Refugiados estes que não vêm só da Siria ou do Iraque, mas que são muitas vezes refugiados de países em guerra civil, onde a população tem baixíssimas condições de vida, onde não há liberdade de expressão e muitas vezes são de países onde as minorias religiosas, étnicas e até mesmo os LGBT não têm qualquer proteção.

Acham que a Europa (e a União Europeia) deve ser responsabilizada e deve hospedar estes imigrantes? Acham que há envergadura a nível orçamental e de infraestrutura para aceitar refugiados? Acham que não será possivel integrar estas pessoas na nossa sociedade devido a pertencerem a outros grupos étnicos e praticarem outra religião?

Refugiados na Europa
#1

Offline Kidrauhl

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Olá a todes! Reparei que ainda não havia um tópico no fórum a discutir a atual crise dos refugiados na Europa. Refugiados estes que não vêm só da Siria ou do Iraque, mas que são muitas vezes refugiados de países em guerra civil, onde a população tem baixíssimas condições de vida, onde não há liberdade de expressão e muitas vezes são de países onde as minorias religiosas, étnicas e até mesmo os LGBT não têm qualquer proteção.

Acham que a Europa (e a União Europeia) deve ser responsabilizada e deve hospedar estes imigrantes? Acham que há envergadura a nível orçamental e de infraestrutura para aceitar refugiados? Acham que não será possivel integrar estas pessoas na nossa sociedade devido a pertencerem a outros grupos étnicos e praticarem outra religião?

Não a todas as perguntas. É absolutamente escandaloso que haja países como a Arábia Saudita e outros gigantes económicos das Arábias, com muito mais capacidade para acolher refugiados, e que não mexam sequer um dedo (nem a ONU os obriga a tal, o que é ainda mais escandaloso) para criarem essas condições de acolhimento. A União Europeia não pode querer ser voluntarista e colaborar quando mais ninguém o faz no mundo... tanto não há infraestruturas nem condições económicas que qualquer serviço público no Reino Unido, em França e outros países relevantes da Europa está a abarrotar com a imigração, muitas vezes ilegal e com elevado número de filhos que depois não conseguem sustentar. O caso de Marselha é particularmente grave, tem uma presença muçulmana muito forte que começa a ser castradora e origina reacções como a do Burquini. O próprio Brexit também é reflexo da descaracterização das sociedades que a imigração descontrolada e em massa na Europa proporciona. Não há qualquer capacidade para integrarmos essas pessoas, no caso português boa parte já fugiu em direcção à Alemanha e a outros países mais desenvolvidos... mas acontece que nem todos podemos viver bem e ter o nível de vida de um alemão médio. Há um grande equívoco na cabeça das pessoas - de todas as raças e nacionalidades - que é a crença de que é sempre possível viver melhor e que chega para todos. Não chega, particularmente quando as famílias de imigrantes são muitas vezes ilegais e têm um número de filhos excessivo. Muitas vezes, não conseguem dar sustento a toda a família e o crime começa a ser a única saída, o que prejudica as sociedades ocidentais. Deveria ser a ONU a obrigar a Arábia Saudita e outros países de maioria muçulmana a receber refugiados, não tenho dúvidas de que a integração seria muito mais bem sucedida. A Europa não pode ser o El Dorado que todos querem e sofrer as consequências disso mesmo.

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    #2

    Offline Atomic

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    Mas por exemplo, Kidrauhl, muita da população imigrante nos países europeus são pessoas sem qualificações que acabam por fazer trabalhos que a população local muitas vezes já quase aparenta não querer fazer. Por exemplo volta e meia há notícias que para trabalhos não qualificados de fábrica é difícil encontrar mão de obra. Essas pessoas poderiam ajudar a preencher essas falhas.

    Acho que outra questão pertinente a por é se a integração não se proporcionar porque estas comunidades não desejam integrar a sociedade Europeia, ou se o próprio racismo e xenofobia da população residente acaba por ser um grande entrave para essas pessoas.

    Por fim, gostava só de deixar em nota que há países como a Jordânia que têm pressões muito maiores por causa de uma quantidade extrema de refugiados face a dimensão do país. Eu fiz a questão da Europa, porque para todos os efeitos é uma cultura que apoia muito que os direitos humanos sejam respeitados e que para todos os efeitos continua a ser uma das regiões mais ricas e bem preparadas do planeta. Concordo que toda a situação melhoraria se os países árabes ajudassem estes refugiados, pelo que distribuiria a pressão, mas dado que esse não é o caso, não podemos simplesmente aceitar (isto na minha opinião) que milhões de pessoas acabem por morrer ou não terem uma oportunidade de terem uma vida melhor e fazer um embargo a quem mais precisa de solidariedade.

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    #3

    Offline Kidrauhl

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    Mas por exemplo, Kidrauhl, muita da população imigrante nos países europeus são pessoas sem qualificações que acabam por fazer trabalhos que a população local muitas vezes já quase aparenta não querer fazer. Por exemplo volta e meia há notícias que para trabalhos não qualificados de fábrica é difícil encontrar mão de obra. Essas pessoas poderiam ajudar a preencher essas falhas.

    Obrigado pela resposta. Penso que é um pouco contraditório esse discurso. Atendendo a que, no futuro, grande parte dos trabalhos menos qualificados serão automatizados, não será particularmente relevante para a Europa ou para o Ocidente, como queiras, captar imigração com vista a realizar esse tipo de trabalhos. Caso diferente é o de imigrantes mais qualificados e que possam desempenhar funções muito específicas nos países de acolhimento, mas não será um número significativo dentro da população imigrante.

    Acho que outra questão pertinente a por é se a integração não se proporcionar porque estas comunidades não desejam integrar a sociedade Europeia, ou se o próprio racismo e xenofobia da população residente acaba por ser um grande entrave para essas pessoas.

    Por fim, gostava só de deixar em nota que há países como a Jordânia que têm pressões muito maiores por causa de uma quantidade extrema de refugiados face a dimensão do país. Eu fiz a questão da Europa, porque para todos os efeitos é uma cultura que apoia muito que os direitos humanos sejam respeitados e que para todos os efeitos continua a ser uma das regiões mais ricas e bem preparadas do planeta. Concordo que toda a situação melhoraria se os países árabes ajudassem estes refugiados, pelo que distribuiria a pressão, mas dado que esse não é o caso, não podemos simplesmente aceitar (isto na minha opinião) que milhões de pessoas acabem por morrer ou não terem uma oportunidade de terem uma vida melhor e fazer um embargo a quem mais precisa de solidariedade.

    Mas a Jordânia é um aliado do Ocidente, tem o mesmo modelo económico e, dessa forma, é um país atractivo para a imigração, mesmo não se situando geograficamente na Europa. Felizmente, a Europa possui uma cultura que respeita os direitos humanos mas não lhe compete ser a ONU, a quem competiria encaminhar para diversos países da região do Médio Oriente e da Península Arábica os refugiados e imigrantes decorrentes da guerra civil na Síria. Além disso, não existe reciprocidade, na medida em que, havendo um conflito na Europa que gerasse vagas de refugiados, não haveria disponibilidade de nenhum país no mundo fora do Ocidente e seus aliados para acolher refugiados europeus. Por outras palavras, não podemos aplicar e, até, impor direitos humanos a pessoas cuja cultura apenas aconselha a sobrevivência e que não fala de direitos humanos. Em sociedades onde as mulheres não têm direitos, os casamentos são arranjados de nascença, onde existe pena de morte, o conceito de direitos humanos não é entendido. Não pode ser a Europa a aplicar os seus valores a pessoas que não partilham desses valores e que jamais os aceitarão, continuando a praticar a sua cultura nos países de acolhimento sem o mínimo de consideração pela cultura europeia.

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      #4

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      Sendo o mais sincera possível, de politiquices percebo pouco, mas o Kidrauhl apresenta argumentos válidos. Sempre tive um misto de sensações acerca dos refugiados, porque, por um lado, o Atomic fala de um ponto muito válido: a questão de ser desumano deixar as pessoas à sua sorte quando podemos tentar fazer algo. Por outro lado, o Kidrauhl espelhou o que de eu sempre pensei: e se fosse ao contrário? Será que alguém nos ajudaria? Mais ainda, estarão os refugiados prontos para aceitar viver numa realidade e cultura diferentes sem querer impor as suas próprias crenças e culturas? E estaremos também nós prontos para os receber com as suas próprias crenças e culturas?
        Somos de Braga, deixamos a porta aberta!
        O núcleo da rede ex aequo de Braga já abriu! Para saber mais sobre o que andamos a tramar, explora o fórum ou manda MP :)

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        #5

        solitude

        • Visitante
        Eu vejo duas dificuldades à atitude de fechamento: primeiro, o Ocidente tem uma grande responsabilidade no caos que reina no Médio Oriente, bem como da pobreza em África. Tanto em África como no Médio Oriente houve uma colonização europeia que deixou sequelas profundas. No nosso sistema capitalista (não sou comunista, mas uso o termo) há uma rede de exploração que faz com que alguns países fiquem cada vez mais pobres e outros cada vez mais ricos mais ricos. Por fim, o caos que hoje se vive no Médio Oriente teve muito a ver com interferências do Ocidente, desde logo dos Estados Unidos (na sequência do 11 de setembro), mas também da Europa.  Fechar fronteiras é não assumir responsabilidades que como civilização temos, uma dívida para com outras regiões com quem interagimos (sempre numa relação de força).

        Por outro lado, a Europa também teve os seus refugiados. Talvez por isso a Alemanha seja quem está a reagir a esta crise dos refugiados com maior acolhimento. Acho que não devemos esquecer a história...

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          #6

          Mirta

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          Há um grande equívoco na cabeça das pessoas - de todas as raças e nacionalidades - que é a crença de que é sempre possível viver melhor e que chega para todos. Não chega, particularmente quando as famílias de imigrantes são muitas vezes ilegais e têm um número de filhos excessivo.


          Correndo o risco de fazer off-topic, achei curiosas estas palavras. Primeiro, por que se não chega para todos, chega certamente para muitos mais, se a riqueza for mais bem distribuída. Por exemplo, sabias que 80% da riqueza produzida em 2017 ficou nas mãos de 1% da população? Será isto da ordem "natural" das coisas ou será que há algo de muito errado na forma como é distribuída a riqueza produzida?
          « Última modificação: 5 de Março de 2018 por Mirta »

            Refugiados na Europa
            #7

            Offline Kidrauhl

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            Há um grande equívoco na cabeça das pessoas - de todas as raças e nacionalidades - que é a crença de que é sempre possível viver melhor e que chega para todos. Não chega, particularmente quando as famílias de imigrantes são muitas vezes ilegais e têm um número de filhos excessivo.

            Correndo o risco de fazer off-topic, achei curiosas estas palavras. Primeiro, por que se não chega para todos, chega certamente para muitos mais, se a riqueza for mais bem distribuída. Por exemplo, sabias que 80% da riqueza produzida em 2017 ficou nas mãos de 1% da população? Será isto da ordem "natural" das coisas ou será que há algo de muito errado na forma como é distribuída a riqueza produzida?


            Haverá aí algum equívoco. Na medida em que os recursos naturais do planeta são finitos, ninguém discordará de que não vai chegar sempre e para todos. Apesar de se lhe referir de forma pejorativa, essa escassez dos recursos é mesmo a "ordem natural das coisas", como lhe chama. Pois é, é uma chatice, mas é a realidade.

            Relativamente à redistribuição de riqueza, o que diz é completamente desprovido de fundamento. Não está certamente a ter em conta os milhares de milhares de milhões que são enviados, sob a forma de "ajudas ao desenvolvimento", para países ditos em desenvolvimento. Se "ajudas ao desenvolvimento" não são redistribuição de riqueza, não sei em que categoria as integraria. Evidentemente, não fossem esses países um poço de corrupção, milícias armadas e afins, e as "ajudas ao desenvolvimento", já de si questionáveis, seriam mais do que suficientes para as dificuldades que esses países em desenvolvimento enfrentam. Não se pode pedir ao Ocidente que seja o santuário do mundo, sobrecarregando-o não só financeiramente (com as ditas "ajudas ao desenvolvimento"), como também em termos de população e problemas raciais, que surgem inevitavelmente com as vagas ditas de "refugiados".

            O que não pode acontecer é a distribuição do excesso de população existente nos chamados países em desenvolvimento ou países emergentes, fruto de políticas (ou falta delas) irresponsáveis dos governos desses país, pelo Ocidente dito envelhecido e ultrapassado, sob a forma de "refugiados" ou "migrantes" ou qualquer uma das categorias que inventem para esta situação. Os países culturalmente mais próximos e com suficiente capacidade económica para os acolher (Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes, Kuwait, etc) não demonstram qualquer tipo de vontade em acolhê-los. Ainda para mais, tratando-se de pessoas com hábitos culturais completamente diferentes dos ocidentais, que não partilham sequer os mais básicos valores de humanismo presentes no Ocidente. Veja-se a mutilação genital feminina (e logo hoje que é Dia Internacional da Mulher) e outras práticas nefastas que são trazidas para o Ocidente por pessoas completamente desprovidas de valores ou educação, que aterram aqui de paraquedas, têm filhos como lhes apetece e o Estado português (ou outro qualquer ocidental) que trate do assunto. Não é sério nem responsável defender esse tipo de política.

              Refugiados na Europa
              #8

              Mirta

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              Haverá aí algum equívoco. Na medida em que os recursos naturais do planeta são finitos, ninguém discordará de que não vai chegar sempre e para todos. Apesar de se lhe referir de forma pejorativa, essa escassez dos recursos é mesmo a "ordem natural das coisas", como lhe chama. Pois é, é uma chatice, mas é a realidade.

              Relativamente à redistribuição de riqueza, o que diz é completamente desprovido de fundamento. Não está certamente a ter em conta os milhares de milhares de milhões que são enviados, sob a forma de "ajudas ao desenvolvimento", para países ditos em desenvolvimento. Se "ajudas ao desenvolvimento" não são redistribuição de riqueza, não sei em que categoria as integraria. Evidentemente, não fossem esses países um poço de corrupção, milícias armadas e afins, e as "ajudas ao desenvolvimento", já de si questionáveis, seriam mais do que suficientes para as dificuldades que esses países em desenvolvimento enfrentam. Não se pode pedir ao Ocidente que seja o santuário do mundo, sobrecarregando-o não só financeiramente (com as ditas "ajudas ao desenvolvimento"), como também em termos de população e problemas raciais, que surgem inevitavelmente com as vagas ditas de "refugiados".

              O que não pode acontecer é a distribuição do excesso de população existente nos chamados países em desenvolvimento ou países emergentes, fruto de políticas (ou falta delas) irresponsáveis dos governos desses país, pelo Ocidente dito envelhecido e ultrapassado, sob a forma de "refugiados" ou "migrantes" ou qualquer uma das categorias que inventem para esta situação.Os países culturalmente mais próximos e com suficiente capacidade económica para os acolher (Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes, Kuwait, etc) não demonstram qualquer tipo de vontade em acolhê-los. Ainda para mais, tratando-se de pessoas com hábitos culturais completamente diferentes dos ocidentais, que não partilham sequer os mais básicos valores de humanismo presentes no Ocidente. Veja-se a mutilação genital feminina (e logo hoje que é Dia Internacional da Mulher) e outras práticas nefastas que são trazidas para o Ocidente por pessoas completamente desprovidas de valores ou educação, que aterram aqui de paraquedas, têm filhos como lhes apetece e o Estado português (ou outro qualquer ocidental) que trate do assunto. Não é sério nem responsável defender esse tipo de política.


              Olá,


              Justamente porque os recursos são limitados é que é chocante a acumulação de riqueza por parte de uma pequena minoria. Mas sobre isso eu não vejo a Direita dizer grande coisa, apenas falam dos recursos limitados para justificar a pobreza e também para nos culpabilizar pelas nossas escolhes individuais, como se por trás destas não estivessem outras questões. Desta forma responsabilizam os pobres pela sua pobreza.


              "Ordem natural das coisas" nunca será. Isso é lá para a Física e para a Química, que se regem por leis. No mundo social estamos diante de opções (políticas, económicas, sociais, individuais, ...).


              É engraçada essa atitude de "isso (dos refugiados) é lá com eles, bando de corruptos e desorganizados". Nem o Ocidente está isento de responsabilidades do que são as sociedades destes países na atualidade (por causa da colonização), nem no mundo atual é possível viver em autarcia; todos estamos interdependentes, quer em termos geopolíticos, quer em termos económicos.


              Em primeiro, quanto à colonização, durante anos explorámos (nós, Ocidente) os povos destas regiões. Tal como hoje ainda é possível de descobrir problemas estruturais em Portugal que derivam do salazarismo (e há até quem remonte esses problemas ao século XIX), também países outrora colonizados ficaram com problemas estruturais derivados da colonização, entre os quais um défice democrático que deriva, em parte, da tradição tribal, mas também de anos e anos de exploração colonial. Ou seja, eu não estou a dizer que não haja corrupção nestes países. Simplesmente não explica tudo.


              Quanto à interdependência, creio que não vale a pena argumentar muito pois ela é notória. Não podemos, nos dias de hoje voltar a um "back to basics", procurando uma simplicidade que já não tem lugar no mundo complexo em que vivemos.


              Em relação às ajudas, elas podem ser redistribuição da riqueza mas não são suficientes e por vezes podem mesmo ser perniciosas.


              A vinda de refugiados e migrantes é um desafio às sociedades. Digo recebê-los criteriosamente, mas recebê-los. Não fechar as portas.


              Problemas com imigrantes vindos das ex-colónias em Portugal e em França não traduzem simplesmente os defeitos destas pessoas; traduzem também políticas erradas de acolhimento das respetivas sociedades com os quais deviamos ter aprendido (por exemplo, na segregação destas pessoas em bairros sociais).
              « Última modificação: 8 de Março de 2018 por Mirta »

                Refugiados na Europa
                #9

                Offline Kidrauhl

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                Haverá aí algum equívoco. Na medida em que os recursos naturais do planeta são finitos, ninguém discordará de que não vai chegar sempre e para todos. Apesar de se lhe referir de forma pejorativa, essa escassez dos recursos é mesmo a "ordem natural das coisas", como lhe chama. Pois é, é uma chatice, mas é a realidade.

                Relativamente à redistribuição de riqueza, o que diz é completamente desprovido de fundamento. Não está certamente a ter em conta os milhares de milhares de milhões que são enviados, sob a forma de "ajudas ao desenvolvimento", para países ditos em desenvolvimento. Se "ajudas ao desenvolvimento" não são redistribuição de riqueza, não sei em que categoria as integraria. Evidentemente, não fossem esses países um poço de corrupção, milícias armadas e afins, e as "ajudas ao desenvolvimento", já de si questionáveis, seriam mais do que suficientes para as dificuldades que esses países em desenvolvimento enfrentam. Não se pode pedir ao Ocidente que seja o santuário do mundo, sobrecarregando-o não só financeiramente (com as ditas "ajudas ao desenvolvimento"), como também em termos de população e problemas raciais, que surgem inevitavelmente com as vagas ditas de "refugiados".

                O que não pode acontecer é a distribuição do excesso de população existente nos chamados países em desenvolvimento ou países emergentes, fruto de políticas (ou falta delas) irresponsáveis dos governos desses país, pelo Ocidente dito envelhecido e ultrapassado, sob a forma de "refugiados" ou "migrantes" ou qualquer uma das categorias que inventem para esta situação.Os países culturalmente mais próximos e com suficiente capacidade económica para os acolher (Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes, Kuwait, etc) não demonstram qualquer tipo de vontade em acolhê-los. Ainda para mais, tratando-se de pessoas com hábitos culturais completamente diferentes dos ocidentais, que não partilham sequer os mais básicos valores de humanismo presentes no Ocidente. Veja-se a mutilação genital feminina (e logo hoje que é Dia Internacional da Mulher) e outras práticas nefastas que são trazidas para o Ocidente por pessoas completamente desprovidas de valores ou educação, que aterram aqui de paraquedas, têm filhos como lhes apetece e o Estado português (ou outro qualquer ocidental) que trate do assunto. Não é sério nem responsável defender esse tipo de política.


                Olá,


                Justamente porque os recursos são limitados é que é chocante a acumulação de riqueza por parte de uma pequena minoria. Mas sobre isso eu não vejo a Direita dizer grande coisa, apenas falam dos recursos limitados para justificar a pobreza e também para nos culpabilizar pelas nossas escolhes individuais, como se por trás destas não estivessem outras questões. Desta forma responsabilizam os pobres pela sua pobreza.


                "Ordem natural das coisas" nunca será. Isso é lá para a Física e para a Química, que se regem por leis. No mundo social estamos diante de opções (políticas, económicas, sociais, individuais, ...).


                É engraçada essa atitude de "isso (dos refugiados) é lá com eles, bando de corruptos e desorganizados". Nem o Ocidente está isento de responsabilidades do que são as sociedades destes países na atualidade (por causa da colonização), nem no mundo atual é possível viver em autarcia; todos estamos interdependentes, quer em termos geopolíticos, quer em termos económicos.


                Em primeiro, quanto à colonização, durante anos explorámos (nós, Ocidente) os povos destas regiões. Tal como hoje ainda é possível de descobrir problemas estruturais em Portugal que derivam do salazarismo (e há até quem remonte esses problemas ao século XIX), também países outrora colonizados ficaram com problemas estruturais derivados da colonização, entre os quais um défice democrático que deriva, em parte, da tradição tribal, mas também de anos e anos de exploração colonial. Ou seja, eu não estou a dizer que não haja corrupção nestes países. Simplesmente não explica tudo.


                Quanto à interdependência, creio que não vale a pena argumentar muito pois ela é notória. Não podemos, nos dias de hoje voltar a um "back to basics", procurando uma simplicidade que já não tem lugar no mundo complexo em que vivemos.


                Em relação às ajudas, elas podem ser redistribuição da riqueza mas não são suficientes e por vezes podem mesmo ser perniciosas.


                A vinda de refugiados e migrantes é um desafio às sociedades. Digo recebê-los criteriosamente, mas recebê-los. Não fechar as portas.


                Problemas com imigrantes vindos das ex-colónias em Portugal e em França não traduzem simplesmente os defeitos destas pessoas; traduzem também políticas erradas de acolhimento das respetivas sociedades com os quais deviamos ter aprendido (por exemplo, na segregação destas pessoas em bairros sociais).

                Lá estará no seu direito de considerar que a escassez de recursos é uma inexistência ou uma fraude, mas fique sabendo que é o que se aprende em qualquer faculdade de economia. Não foi a direita (seja lá o que for que quer dizer com isso) que inventou a escassez de recursos.

                Não me viu responsabilizar exclusivamente os refugiados (presumindo que são pessoas afectadas por conflitos bélicos e/ou políticos) pela corrupção nos países ditos em desenvolvimento, embora esta seja endémica e transversal a toda a população. Aceito que se deva aos governos desses países e também a milícias armadas o desvio de fundos para ajudas ao desenvolvimento, sendo que a "ajuda humanitária" (também altamente questionável) acaba por não chegar onde deve.

                O que não posso aceitar é o argumento já gasto e obsoleto da colonização. Minha cara, tivemos pena de morte, tivemos escravatura, tivemos condenações sem julgamento, mas tudo isso, se foi criado no Ocidente, foi também abolido pelo Ocidente, cuja mentalidade evoluiu no sentido humanista e do respeito pelo primado da lei. O caso sul-africano é paradigmático do que afirmo e contradiz em absoluto o que referiu acima - ao contrário do que afirma a historiografia politicamente correcta e oficial, foi a mentalidade do presidente Frederik de Klerk e do seu ministro dos Neg. Estrangeiros, Pik Botha, que criou as condições para que o apartheid chegasse a um fim. O presidente de Klerk promoveu um referendo apenas entre a população caucasiana da África do Sul, que votou maioritariamente (70%) a favor do fim do apartheid, o que desmente a tese do colonizador mau e agressivo que prejudicou os povos nativos africanos. No mesmo sentido, Pik Botha negociava na frente internacional a libertação de Nelson Mandela (que jamais teria tido sucesso não fosse a pré-disposição do presidente de Klerk). O presidente de Klerk permitiu a realização de manifestações anti-apartheid e promoveu a desnuclearização da África do Sul. Para concluir, a máxima prova do respeito pelos valores da democracia que o Ocidente encarna foi a disposição de Frederik de Klerk para ceder a presidência a Nelson Mandela, de forma pacífica. Penso que poucos presidentes africanos terão feito uma transição tão pacífica. Não consta que este seja um legado pernicioso para os sul-africanos nativos e, mesmo assim, a corrupção impera na África do Sul desde o fim do apartheid e a ascensão do ANC, o partido actualmente no poder. A colonização é que, ao contrário do que refere, explica pouco ou nada do estado actual dos países ditos emergentes. As generalidades de pouco servem quando os exemplos concretos e reais do que foi a história vêm ao de cima. Não é um "back to basics", mas é certamente uma descrição fiel do que se passou.


                Registo também que conseguiu a proeza de despachar numa linha a questão das "ajudas ao desenvolvimento". Como se vê, estamos de acordo - elas não funcionam e são perniciosas. Mas ao passo que eu defendo que, além de excessivas, não é controlado o destino que, no Ocidente, prevemos que lhes seja dado, verifico que conseguiu a proeza (mais uma) de considerar que são perniciosas e de defender um reforço das mesmas. Não parece coerente.


                Também não me ocorre como consegue falar de interdependência quando se verifica uma clara relação de dependência dos países ditos emergentes em relação ao Ocidente (excepção feita ao caso chinês que, não por acaso, desenvolveu sempre uma filosofia distinta da ocidental). Saindo agora de África, o caso indiano é também ilustrativo dessa dependência em relação ao Ocidente. A existência de uma indústria cinematográfica a copiar Hollywood, a aposta nas novas indústrias de alta tecnologia e nanotecnologia, a valorização da própria diáspora indiana espalhada pelo mundo revelam que, não fosse o sistema de castas, a Índia seria um país completamente ocidentalizado. As Petronas Twin Towers na Malásia (imitando o World Trade Center), a aposta nas novas tecnologias na Coreia do Sul, em Singapura, no Japão, são também exemplo dessa ocidentalização.


                Registo, por fim, que estamos de acordo quanto ao erro clamoroso cometido pela sra. Merkel, que quase lhe custou a vitória nas recentes eleições legislativas - abrir as portas a todo e qualquer refugiado, sem qualquer critério, e desperdiçando pela janela toda a capacidade económica alemã na construção de centros de refugiados e apoios sociais, só para fazer um brilharete na cena internacional. Posto isto, ao passo que entendo o erro que França cometeu com o seu processo de descolonização (a revolta dos pieds noirs na Argélia é um caso paradigmático), mas penso tratar-se de um caso mais profundo, já que o estatuto do imigrante sempre foi altamente desvalorizado, como o comprova a existência dos bidonvilles. Ora, em Portugal, pelo contrário, só não é bem recebido o imigrante que não quer ser bem recebido. Não há milícias armadas na rua, ou skinheads, a perseguir imigrantes. Vejo muitas queixas da população imigrante quanto às dificuldades de legalização, mas esquecem-se que os cidadãos portugueses sofrem exactamente da mesma relação difícil com a burocracia instituída (veja-se a saga que é tirar o cartão de cidadão...). Não podem querer ter o que nem nós portugueses temos, que é uma relação fácil com a burocracia. E isto aplica-se aos apoios sociais, à polícia... A população imigrante sofre exactamente dos mesmos males de que um qualquer cidadão português sofre (excepção feita, talvez, às dificuldades de linguagem).

                  Refugiados na Europa
                  #10

                  Mirta

                  • Visitante

                  Lá estará no seu direito de considerar que a escassez de recursos é uma inexistência ou uma fraude, mas fique sabendo que é o que se aprende em qualquer faculdade de economia. Não foi a direita (seja lá o que for que quer dizer com isso) que inventou a escassez de recursos.

                  Não me viu responsabilizar exclusivamente os refugiados (presumindo que são pessoas afectadas por conflitos bélicos e/ou políticos) pela corrupção nos países ditos em desenvolvimento, embora esta seja endémica e transversal a toda a população. Aceito que se deva aos governos desses países e também a milícias armadas o desvio de fundos para ajudas ao desenvolvimento, sendo que a "ajuda humanitária" (também altamente questionável) acaba por não chegar onde deve.

                  O que não posso aceitar é o argumento já gasto e obsoleto da colonização. Minha cara, tivemos pena de morte, tivemos escravatura, tivemos condenações sem julgamento, mas tudo isso, se foi criado no Ocidente, foi também abolido pelo Ocidente, cuja mentalidade evoluiu no sentido humanista e do respeito pelo primado da lei. O caso sul-africano é paradigmático do que afirmo e contradiz em absoluto o que referiu acima - ao contrário do que afirma a historiografia politicamente correcta e oficial, foi a mentalidade do presidente Frederik de Klerk e do seu ministro dos Neg. Estrangeiros, Pik Botha, que criou as condições para que o apartheid chegasse a um fim. O presidente de Klerk promoveu um referendo apenas entre a população caucasiana da África do Sul, que votou maioritariamente (70%) a favor do fim do apartheid, o que desmente a tese do colonizador mau e agressivo que prejudicou os povos nativos africanos. No mesmo sentido, Pik Botha negociava na frente internacional a libertação de Nelson Mandela (que jamais teria tido sucesso não fosse a pré-disposição do presidente de Klerk). O presidente de Klerk permitiu a realização de manifestações anti-apartheid e promoveu a desnuclearização da África do Sul. Para concluir, a máxima prova do respeito pelos valores da democracia que o Ocidente encarna foi a disposição de Frederik de Klerk para ceder a presidência a Nelson Mandela, de forma pacífica. Penso que poucos presidentes africanos terão feito uma transição tão pacífica. Não consta que este seja um legado pernicioso para os sul-africanos nativos e, mesmo assim, a corrupção impera na África do Sul desde o fim do apartheid e a ascensão do ANC, o partido actualmente no poder. A colonização é que, ao contrário do que refere, explica pouco ou nada do estado actual dos países ditos emergentes. As generalidades de pouco servem quando os exemplos concretos e reais do que foi a história vêm ao de cima. Não é um "back to basics", mas é certamente uma descrição fiel do que se passou.


                  Registo também que conseguiu a proeza de despachar numa linha a questão das "ajudas ao desenvolvimento". Como se vê, estamos de acordo - elas não funcionam e são perniciosas. Mas ao passo que eu defendo que, além de excessivas, não é controlado o destino que, no Ocidente, prevemos que lhes seja dado, verifico que conseguiu a proeza (mais uma) de considerar que são perniciosas e de defender um reforço das mesmas. Não parece coerente.


                  Também não me ocorre como consegue falar de interdependência quando se verifica uma clara relação de dependência dos países ditos emergentes em relação ao Ocidente (excepção feita ao caso chinês que, não por acaso, desenvolveu sempre uma filosofia distinta da ocidental). Saindo agora de África, o caso indiano é também ilustrativo dessa dependência em relação ao Ocidente. A existência de uma indústria cinematográfica a copiar Hollywood, a aposta nas novas indústrias de alta tecnologia e nanotecnologia, a valorização da própria diáspora indiana espalhada pelo mundo revelam que, não fosse o sistema de castas, a Índia seria um país completamente ocidentalizado. As Petronas Twin Towers na Malásia (imitando o World Trade Center), a aposta nas novas tecnologias na Coreia do Sul, em Singapura, no Japão, são também exemplo dessa ocidentalização.


                  Registo, por fim, que estamos de acordo quanto ao erro clamoroso cometido pela sra. Merkel, que quase lhe custou a vitória nas recentes eleições legislativas - abrir as portas a todo e qualquer refugiado, sem qualquer critério, e desperdiçando pela janela toda a capacidade económica alemã na construção de centros de refugiados e apoios sociais, só para fazer um brilharete na cena internacional. Posto isto, ao passo que entendo o erro que França cometeu com o seu processo de descolonização (a revolta dos pieds noirs na Argélia é um caso paradigmático), mas penso tratar-se de um caso mais profundo, já que o estatuto do imigrante sempre foi altamente desvalorizado, como o comprova a existência dos bidonvilles. Ora, em Portugal, pelo contrário, só não é bem recebido o imigrante que não quer ser bem recebido. Não há milícias armadas na rua, ou skinheads, a perseguir imigrantes. Vejo muitas queixas da população imigrante quanto às dificuldades de legalização, mas esquecem-se que os cidadãos portugueses sofrem exactamente da mesma relação difícil com a burocracia instituída (veja-se a saga que é tirar o cartão de cidadão...). Não podem querer ter o que nem nós portugueses temos, que é uma relação fácil com a burocracia. E isto aplica-se aos apoios sociais, à polícia... A população imigrante sofre exactamente dos mesmos males de que um qualquer cidadão português sofre (excepção feita, talvez, às dificuldades de linguagem).



                  Em relação à questão da escassez de recursos, sugiro uma leitura mais atenta do que escrevi.


                  Sobre a colonização deixo duas ou três questões:


                  1 - Terá sido a colonização inócua?
                  2 - Terá havido consequências para os povos colonizados?
                  3 - Terá havido consequências para os povos colonizadores ao nível do seu desenvolvimento?


                  Nas ajudas ao desenvolvimento, não vejo onde defendi o reforço. Confesso a minha ignorância sobre o tema. Acho que estas ajudas podem, sim, ser perniciosas e que, portanto, têm que ser repensadas.


                  Sobre a corrupção na África do Sul, e na África em geral, proponho que avance com uma explicação. Imagino que a deve ter.


                  Sobre a interdependência, faço notar que há muitos ocidentais a ganhar dinheiro em África. Angola é um exemplo.


                  Não percebo onde é que disse que Merkel tinha feito mal em abrir as portas aos refugiados.  ???


                  Em relação aos imigrantes, a segregação e as suas implicações estão estudadas e sabe-se que perpetua a cultura de pobreza.
                  « Última modificação: 9 de Março de 2018 por Mirta »

                    Refugiados na Europa
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                    Lá estará no seu direito de considerar que a escassez de recursos é uma inexistência ou uma fraude, mas fique sabendo que é o que se aprende em qualquer faculdade de economia. Não foi a direita (seja lá o que for que quer dizer com isso) que inventou a escassez de recursos.

                    Não me viu responsabilizar exclusivamente os refugiados (presumindo que são pessoas afectadas por conflitos bélicos e/ou políticos) pela corrupção nos países ditos em desenvolvimento, embora esta seja endémica e transversal a toda a população. Aceito que se deva aos governos desses países e também a milícias armadas o desvio de fundos para ajudas ao desenvolvimento, sendo que a "ajuda humanitária" (também altamente questionável) acaba por não chegar onde deve.

                    O que não posso aceitar é o argumento já gasto e obsoleto da colonização. Minha cara, tivemos pena de morte, tivemos escravatura, tivemos condenações sem julgamento, mas tudo isso, se foi criado no Ocidente, foi também abolido pelo Ocidente, cuja mentalidade evoluiu no sentido humanista e do respeito pelo primado da lei. O caso sul-africano é paradigmático do que afirmo e contradiz em absoluto o que referiu acima - ao contrário do que afirma a historiografia politicamente correcta e oficial, foi a mentalidade do presidente Frederik de Klerk e do seu ministro dos Neg. Estrangeiros, Pik Botha, que criou as condições para que o apartheid chegasse a um fim. O presidente de Klerk promoveu um referendo apenas entre a população caucasiana da África do Sul, que votou maioritariamente (70%) a favor do fim do apartheid, o que desmente a tese do colonizador mau e agressivo que prejudicou os povos nativos africanos. No mesmo sentido, Pik Botha negociava na frente internacional a libertação de Nelson Mandela (que jamais teria tido sucesso não fosse a pré-disposição do presidente de Klerk). O presidente de Klerk permitiu a realização de manifestações anti-apartheid e promoveu a desnuclearização da África do Sul. Para concluir, a máxima prova do respeito pelos valores da democracia que o Ocidente encarna foi a disposição de Frederik de Klerk para ceder a presidência a Nelson Mandela, de forma pacífica. Penso que poucos presidentes africanos terão feito uma transição tão pacífica. Não consta que este seja um legado pernicioso para os sul-africanos nativos e, mesmo assim, a corrupção impera na África do Sul desde o fim do apartheid e a ascensão do ANC, o partido actualmente no poder. A colonização é que, ao contrário do que refere, explica pouco ou nada do estado actual dos países ditos emergentes. As generalidades de pouco servem quando os exemplos concretos e reais do que foi a história vêm ao de cima. Não é um "back to basics", mas é certamente uma descrição fiel do que se passou.


                    Registo também que conseguiu a proeza de despachar numa linha a questão das "ajudas ao desenvolvimento". Como se vê, estamos de acordo - elas não funcionam e são perniciosas. Mas ao passo que eu defendo que, além de excessivas, não é controlado o destino que, no Ocidente, prevemos que lhes seja dado, verifico que conseguiu a proeza (mais uma) de considerar que são perniciosas e de defender um reforço das mesmas. Não parece coerente.


                    Também não me ocorre como consegue falar de interdependência quando se verifica uma clara relação de dependência dos países ditos emergentes em relação ao Ocidente (excepção feita ao caso chinês que, não por acaso, desenvolveu sempre uma filosofia distinta da ocidental). Saindo agora de África, o caso indiano é também ilustrativo dessa dependência em relação ao Ocidente. A existência de uma indústria cinematográfica a copiar Hollywood, a aposta nas novas indústrias de alta tecnologia e nanotecnologia, a valorização da própria diáspora indiana espalhada pelo mundo revelam que, não fosse o sistema de castas, a Índia seria um país completamente ocidentalizado. As Petronas Twin Towers na Malásia (imitando o World Trade Center), a aposta nas novas tecnologias na Coreia do Sul, em Singapura, no Japão, são também exemplo dessa ocidentalização.


                    Registo, por fim, que estamos de acordo quanto ao erro clamoroso cometido pela sra. Merkel, que quase lhe custou a vitória nas recentes eleições legislativas - abrir as portas a todo e qualquer refugiado, sem qualquer critério, e desperdiçando pela janela toda a capacidade económica alemã na construção de centros de refugiados e apoios sociais, só para fazer um brilharete na cena internacional. Posto isto, ao passo que entendo o erro que França cometeu com o seu processo de descolonização (a revolta dos pieds noirs na Argélia é um caso paradigmático), mas penso tratar-se de um caso mais profundo, já que o estatuto do imigrante sempre foi altamente desvalorizado, como o comprova a existência dos bidonvilles. Ora, em Portugal, pelo contrário, só não é bem recebido o imigrante que não quer ser bem recebido. Não há milícias armadas na rua, ou skinheads, a perseguir imigrantes. Vejo muitas queixas da população imigrante quanto às dificuldades de legalização, mas esquecem-se que os cidadãos portugueses sofrem exactamente da mesma relação difícil com a burocracia instituída (veja-se a saga que é tirar o cartão de cidadão...). Não podem querer ter o que nem nós portugueses temos, que é uma relação fácil com a burocracia. E isto aplica-se aos apoios sociais, à polícia... A população imigrante sofre exactamente dos mesmos males de que um qualquer cidadão português sofre (excepção feita, talvez, às dificuldades de linguagem).



                    Em relação à questão da escassez de recursos, sugiro uma leitura mais atenta do que escrevi.


                    Sobre a colonização deixo duas ou três questões:


                    1 - Terá sido a colonização inócua?
                    2 - Terá havido consequências para os povos colonizados?
                    3 - Terá havido consequências para os povos colonizadores ao nível do seu desenvolvimento?


                    Nas ajudas ao desenvolvimento, não vejo onde defendi o reforço. Confesso a minha ignorância sobre o tema. Acho que estas ajudas podem, sim, ser perniciosas e que, portanto, têm que ser repensadas.


                    Sobre a corrupção na África do Sul, e na África em geral, proponho que avance com uma explicação. Imagino que a deve ter.


                    Sobre a interdependência, faço notar que há muitos ocidentais a ganhar dinheiro em África. Angola é um exemplo.


                    Não percebo onde é que disse que Merkel tinha feito mal em abrir as portas aos refugiados.  ???


                    Em relação aos imigrantes, a segregação e as suas implicações estão estudadas e sabe-se que perpetua a cultura de pobreza.

                    Reli, evidentemente, o seu escrito sobre a escassez de recursos. Presumindo que se está a referir à "direita" como qualquer força política que defenda a economia de mercado e a livre iniciativa privada (o que inclui, obviamente, forças políticas mais à esquerda), mantenho a mesma posição - quem não está de acordo com estas premissas não reconhece a existência de escassez de recursos. Relembro que a "direita" (as forças políticas não extremistas) é o que permite a cada um fazer as suas escolhas (seja escolhas de vida ou simples opções de consumo) com toda a liberdade. Ora, como todos sabemos, "máxima liberdade, máxima responsabilidade". Daqui não decorre, contudo, que a pobreza seja uma escolha, mas sim uma condição - assim como a riqueza ou abastança, como preferir. Ninguém é eternamente pobre ou eternamente rico, já que, em sociedades onde existe mobilidade social (precisamente as sociedades que a "direita" defende e preconiza), as pessoas mudam de condição económica, para melhor ou para pior, ao longo da vida. Nem sequer o binómio pobre-rico é válido nas sociedades mais desenvolvidas, tendo em conta a existência de relevantes e numerosas classes médias. Ninguém responsabiliza ricos ou pobres pela sua condição, simplesmente ela é assumida com naturalidade.

                    Quanto à colonização, nada na história é inócuo ou inconsequente. Calculo que seja opositora da divisão do território africano feita na Conferência de Berlim (1885), mas não podemos ignorar que a divisão tribal de África não seria hoje uma opção séria e a ter em conta. Aliás, temos outros exemplos de colonização - o caso brasileiro, por exemplo, é paradigmático da herança que os portugueses deixaram nesse território. Desde logo, a herança linguística, que permite ao português ser uma língua falada universalmente, e também a herança cultural, na arquitectura e na preservação do património. No Brasil, até, a relação privilegiada do presidente Lula com o presidente Obama permitiu que o Brasil ultrapassasse economicamente o seu antigo colonizador, Portugal. Mas todos sabemos que, no caso brasileiro, no caso indiano, as regras que permitem a prosperidade económica desses países foram e continuam a ser definidas pelo Ocidente - livre comércio, inexistência de barreiras alfandegárias, etc. A terem vingado as ideologias que persistem em alguns dos países ditos emergentes, que clamam por mais "justiça" ou "igualdade" (sem a devida concretização, como é claro), a prosperidade nesses locais seria uma inexistência. Daqui se conclui que, se as potências colonizadoras souberam tirar o devido proveito das suas colónias, não obstaculizam (pelo contrário, até promovem, com as já referidas regras de livre comércio) o desenvolvimento e a prosperidade das suas antigas colónias.

                    Relativamente às "ajudas ao desenvolvimento", considero-as perniciosas porque não existe controlo e monitorização do destino que lhes é dado. Muito é perdido na corrupção e em desvios de dinheiro para financiamento de milícias armadas, que depois fomentam as intervenções de potências externas. A explicação para a corrupção é simples em qualquer lado do mundo - falta de educação para o bem comum e de respeito pelo próximo e excesso de burocracia. Não é de estranhar que os países com mais alfabetização e, dentro destes, os países com um maior número de população mais qualificada são os países com menos corrupção, atendendo a que existem oportunidades (justas e não de bandeja) para um número significativo de pessoas.

                    No que toca à interdependência, está claro que não está a ter em devida conta o interesse que Angola - e outros países - têm no investimento directo estrangeiro (IDE). Um investidor ocidental investe onde quer que as condições sejam favoráveis, não procura qualquer relação de interdependência com uma antiga colónia. Nem poderia, já que não representa ninguém, nem nenhuma entidade ou país, a não ser a si próprio. Há mais benefício para Angola decorrente do IDE do que para o próprio investidor, que faz lucro rápido, mas com entraves burocráticos e uma enorme corrupção.

                    A sra. Merkel fez mal em abrir portas aos refugiados, em primeiro lugar, porque não estabeleceu qualquer critério para a entrada e apenas o fez para dar uma "bofetada de luva branca" ao Grupo de Visegrado, que é fortemente opositor da entrada de refugiados. Em segundo lugar, porque promoveu o crescimento da extrema-direita, o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), e perdeu não só eleitorado seu, como criou mais uma ameaça à estabilidade europeia. Quis fazer um brilharete sem pensar nas consequências.

                    Por fim, quanto à cultura de pobreza, remeto para o que referi acima - nada na pobreza ou na riqueza é eterno ou assegurado. A segregação, que não é desejável, nunca foi impedimento do sucesso de alguns portugueses em França e só vai servindo de justificação para o comportamento de algumas minorias étnicas, desrespeitador da cultura ocidental.


                      Refugiados na Europa
                      #12

                      Mirta

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                      Reli, evidentemente, o seu escrito sobre a escassez de recursos. Presumindo que se está a referir à "direita" como qualquer força política que defenda a economia de mercado e a livre iniciativa privada (o que inclui, obviamente, forças políticas mais à esquerda), mantenho a mesma posição - quem não está de acordo com estas premissas não reconhece a existência de escassez de recursos. Relembro que a "direita" (as forças políticas não extremistas) é o que permite a cada um fazer as suas escolhas (seja escolhas de vida ou simples opções de consumo) com toda a liberdade. Ora, como todos sabemos, "máxima liberdade, máxima responsabilidade". Daqui não decorre, contudo, que a pobreza seja uma escolha, mas sim uma condição - assim como a riqueza ou abastança, como preferir. Ninguém é eternamente pobre ou eternamente rico, já que, em sociedades onde existe mobilidade social (precisamente as sociedades que a "direita" defende e preconiza), as pessoas mudam de condição económica, para melhor ou para pior, ao longo da vida. Nem sequer o binómio pobre-rico é válido nas sociedades mais desenvolvidas, tendo em conta a existência de relevantes e numerosas classes médias. Ninguém responsabiliza ricos ou pobres pela sua condição, simplesmente ela é assumida com naturalidade.

                      Quanto à colonização, nada na história é inócuo ou inconsequente. Calculo que seja opositora da divisão do território africano feita na Conferência de Berlim (1885), mas não podemos ignorar que a divisão tribal de África não seria hoje uma opção séria e a ter em conta. Aliás, temos outros exemplos de colonização - o caso brasileiro, por exemplo, é paradigmático da herança que os portugueses deixaram nesse território. Desde logo, a herança linguística, que permite ao português ser uma língua falada universalmente, e também a herança cultural, na arquitectura e na preservação do património. No Brasil, até, a relação privilegiada do presidente Lula com o presidente Obama permitiu que o Brasil ultrapassasse economicamente o seu antigo colonizador, Portugal. Mas todos sabemos que, no caso brasileiro, no caso indiano, as regras que permitem a prosperidade económica desses países foram e continuam a ser definidas pelo Ocidente - livre comércio, inexistência de barreiras alfandegárias, etc. A terem vingado as ideologias que persistem em alguns dos países ditos emergentes, que clamam por mais "justiça" ou "igualdade" (sem a devida concretização, como é claro), a prosperidade nesses locais seria uma inexistência. Daqui se conclui que, se as potências colonizadoras souberam tirar o devido proveito das suas colónias, não obstaculizam (pelo contrário, até promovem, com as já referidas regras de livre comércio) o desenvolvimento e a prosperidade das suas antigas colónias.

                      Relativamente às "ajudas ao desenvolvimento", considero-as perniciosas porque não existe controlo e monitorização do destino que lhes é dado. Muito é perdido na corrupção e em desvios de dinheiro para financiamento de milícias armadas, que depois fomentam as intervenções de potências externas. A explicação para a corrupção é simples em qualquer lado do mundo - falta de educação para o bem comum e de respeito pelo próximo e excesso de burocracia. Não é de estranhar que os países com mais alfabetização e, dentro destes, os países com um maior número de população mais qualificada são os países com menos corrupção, atendendo a que existem oportunidades (justas e não de bandeja) para um número significativo de pessoas.

                      No que toca à interdependência, está claro que não está a ter em devida conta o interesse que Angola - e outros países - têm no investimento directo estrangeiro (IDE). Um investidor ocidental investe onde quer que as condições sejam favoráveis, não procura qualquer relação de interdependência com uma antiga colónia. Nem poderia, já que não representa ninguém, nem nenhuma entidade ou país, a não ser a si próprio. Há mais benefício para Angola decorrente do IDE do que para o próprio investidor, que faz lucro rápido, mas com entraves burocráticos e uma enorme corrupção.

                      A sra. Merkel fez mal em abrir portas aos refugiados, em primeiro lugar, porque não estabeleceu qualquer critério para a entrada e apenas o fez para dar uma "bofetada de luva branca" ao Grupo de Visegrado, que é fortemente opositor da entrada de refugiados. Em segundo lugar, porque promoveu o crescimento da extrema-direita, o partido AfD (Alternativa para a Alemanha), e perdeu não só eleitorado seu, como criou mais uma ameaça à estabilidade europeia. Quis fazer um brilharete sem pensar nas consequências.

                      Por fim, quanto à cultura de pobreza, remeto para o que referi acima - nada na pobreza ou na riqueza é eterno ou assegurado. A segregação, que não é desejável, nunca foi impedimento do sucesso de alguns portugueses em França e só vai servindo de justificação para o comportamento de algumas minorias étnicas, desrespeitador da cultura ocidental.


                      Vou responder apenas a duas coisas:


                      1 - Mantenho a minha posição: justamente porque os recursos são escassos é que é chocante que uma pequena minoria esteja a acumular mais de 4/5 da riqueza gerada (dados de 2017).


                      2 - A defesa da meritocracia é hipócrita pois não tem em conta o ser humano nas suas dimensões social, histórica, psicológica, económica, cultural, etc.
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