rede ex aequo

Olá Visitante17.jun.2019, 20:01:20

Autor Tópico: Por que não sou/sou cristão e/ou católic@  (Lida 9979 vezes)

 
Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
#0

Offline Elizabeth Siddal

  • **
  • Membro Júnior
  • Género: Feminino
Olá a tod@s :)

"Por Que Não Sou Cristão" é o título de um livro do filósofo Bertrand Russel. Lembrei-me de pegar no título deste livro e criar um tópico para saber os motivos que os levam a ser ou não cristãos, a ser ou não católicos. Não são católicos porque não se identificam com a doutrina da igreja católica? Não são católicos porque não acreditam nos padres? Mas acreditam em Deus e em Jesus Cristo? Porquê?  São cristãos mas não católicos? Acreditam nos valores básicos da Igreja (católica ou outra cristã) mas não seguem à risca?

Enfim, gostaria que comentassem o tópico.

    Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
    #1

    Philippos13

    • Visitante
    A resposta curta a esta questão seria: não sou cristão/católico porque a minha capacidade de raciocinar não mo permite.

    Nunca acreditei verdadeiramente em Deus. Esta ausência de crença religiosa começou por ser apenas indiferença: durante muito tempo não me preocupei com a religião nem com Deus porque não tinham qualquer papel na minha vida. Mais tarde, à medida que fui amadurecendo ideias, percebi que era importante examinar com cuidado as minhas ideias acerca de Deus, tanto para me conhecer a mim próprio como para poder formar uma opinião informada sobre o assunto. Após alguns anos em que me dediquei (com mais ou menos afinco) a investigar o assunto e reflectir sobre ele, concluí que a única posição razoável seria o ateísmo. E tem sido esta a minha posição em relação a Deus desde então.

    Quanto à Igreja Católica em particular, não me identifico com muitas das suas posições. No entanto, li a Bíblia e, apesar de muito do que lá está não fazer sentido fora do contexto histórico e cultural em que foi escrito, existem algumas ideias interessantes. No entanto, parece-me que algumas dessas ideias, as mais consensuais, correspondem a valores morais que não têm nada a ver com Deus ou a religião. Por exemplo, se eu escrevesse um livro que defendesse a existência de unicórnios e que advogasse também a paz como objectivo fundamental para a humanidade, não seria difícil conceber que muitas pessoas se identificassem com o segundo ponto sem acreditarem no primeiro (ou mesmo negando a veracidade do primeiro). É mais ou menos isto que sinto em relação a alguns (repito, alguns) valores presentes na Bíblia e promovidos pela Igreja Católica.

      Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
      #2

      Offline Elizabeth Siddal

      • **
      • Membro Júnior
      • Género: Feminino


      Quanto à Igreja Católica em particular, não me identifico com muitas das suas posições. No entanto, li a Bíblia e, apesar de muito do que lá está não fazer sentido fora do contexto histórico e cultural em que foi escrito, existem algumas ideias interessantes. No entanto, parece-me que algumas dessas ideias, as mais consensuais, correspondem a valores morais que não têm nada a ver com Deus ou a religião. Por exemplo, se eu escrevesse um livro que defendesse a existência de unicórnios e que advogasse também a paz como objectivo fundamental para a humanidade, não seria difícil conceber que muitas pessoas se identificassem com o segundo ponto sem acreditarem no primeiro (ou mesmo negando a veracidade do primeiro). É mais ou menos isto que sinto em relação a alguns (repito, alguns) valores presentes na Bíblia e promovidos pela Igreja Católica.

      A verdade é que esses valores, pelo menos muitos deles, não são tão consensuais e são um produto da moral judaico-cristã. Mesmo quando não somos crentes estamos, no mundo ocidental, empregnados dessa moral. Toma como exemplo a monogamia ou mesmo a ideia de paz: se fores a outros povos, a poligamia é a regra e muitos outros advogam a guerra. Nós temos estes valores que são mais ou menos comuns no mundo ocidental porque somos um produto da moral judaico-cristã...

        Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
        #3

        Philippos13

        • Visitante


        Quanto à Igreja Católica em particular, não me identifico com muitas das suas posições. No entanto, li a Bíblia e, apesar de muito do que lá está não fazer sentido fora do contexto histórico e cultural em que foi escrito, existem algumas ideias interessantes. No entanto, parece-me que algumas dessas ideias, as mais consensuais, correspondem a valores morais que não têm nada a ver com Deus ou a religião. Por exemplo, se eu escrevesse um livro que defendesse a existência de unicórnios e que advogasse também a paz como objectivo fundamental para a humanidade, não seria difícil conceber que muitas pessoas se identificassem com o segundo ponto sem acreditarem no primeiro (ou mesmo negando a veracidade do primeiro). É mais ou menos isto que sinto em relação a alguns (repito, alguns) valores presentes na Bíblia e promovidos pela Igreja Católica.

        A verdade é que esses valores, pelo menos muitos deles, não são tão consensuais e são um produto da moral judaico-cristã. Mesmo quando não somos crentes estamos, no mundo ocidental, empregnados dessa moral. Toma como exemplo a monogamia ou mesmo a ideia de paz: se fores a outros povos, a poligamia é a regra e muitos outros advogam a guerra. Nós temos estes valores que são mais ou menos comuns no mundo ocidental porque somos um produto da moral judaico-cristã...

        Concordo plenamente. Quando me referi a valores "consensuais", estava a referir-me a ideias mais gerais como "não matarás", por exemplo. A ideia que eu pretendia transmitir era a de que se pode ser a favor de alguns princípios morais que estão presentes na Bíblia ou nas posições da Igreja Católica sem que se seja crente. Esta ideia é importante porque muitas vezes (talvez não no nosso país, mas nos EUA é frequente utilizarem-se estes argumentos) os ateus são encarados como "amorais"/"imorais" quando na realidades os valores e a religião são coisas muito diferentes.

          Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
          #4

          Offline Aerys II

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          Olá a tod@s :)

          "Por Que Não Sou Cristão" é o título de um livro do filósofo Bertrand Russel. Lembrei-me de pegar no título deste livro e criar um tópico para saber os motivos que os levam a ser ou não cristãos, a ser ou não católicos. Não são católicos porque não se identificam com a doutrina da igreja católica? Não são católicos porque não acreditam nos padres? Mas acreditam em Deus e em Jesus Cristo? Porquê?  São cristãos mas não católicos? Acreditam nos valores básicos da Igreja (católica ou outra cristã) mas não seguem à risca?

          Enfim, gostaria que comentassem o tópico.

          Creio que a pergunta não é "porque não sou cristão?"

          Porque haveria de o ser? Porque é que os cristãos deste fórum ou de outro sítio qualquer o são? O mais provável é porque foram criados num lar cristão, frequentaram uma catequese, cresceram num país onde se vêem mais igrejas que mesquitas ou templos budistas, porque viram os amigos sujeitos às mesmas pressões ideológicas a irem para a catequese e porque cresceram rodeados de expressões que realçam a cultura judaico-cristã que permeia o nosso país.

          Eu não sou cristão pela mesma razão que não sou islâmico, hinduísta ou asatrú.

          Nunca houve nada que me levasse a supôr a existência de uma entidade sobrenatural, ainda menos com as características altamente específicas atribuídas ao deus cristão. Nunca  vi necessidade nenhuma de seguir o que meia dúzia de malucos escreveu num livro - que, e isto sim parece milage, se tornou num best-seller - e que contraria as minhas necessidades mais básicas para ser feliz. Nunca houve nada que me levasse a pôr de parte o meu raciocínio lógico e capacidade de interpretação do mundo baseada nos meus sentidos para aceitar uma teoria altamente fantasiosa sem qualquer fundamento físico (ainda que tenha alguma consistência lógica interna) que me prejudicasse a mim ou a pessoas que nunca me fizeram mal nenhum, como me parece que uma moral podre como a cristã faz.

          Isto pondo de um modo mais simples:

          - não há nada que me indique a existência de um deus ou outra entidade sobrenatural (isto inclui mas não está restrita aos seres da mitologia cristã);
          - a moral cristã vai contra a minha ideologia.

            Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
            #5

            Philippos13

            • Visitante
            Eu não sou cristão pela mesma razão que não sou islâmico, hinduísta ou asatrú.

            Isto é uma ideia, na minha opinião, fundamental. As nossas concepções religiosas são fortemente condicionadas pelo meio histórico e cultural em que nascemos. Tivéssemos nós nascido na Grécia antiga e veneraríamos Zeus e o resto do panteão dos deuses. Se nascemos numa família cristã, então será o Cristianismo a infiltrar as nossas ideias religiosas. A nossa religião é (não totalmente, mas em grande parte) um fruto arbitrário da região geográfica onde nascemos e do tempo em que nascemos.

              Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
              #6

              TheEchoOfNight

              • Visitante
              Porque haveria de o ser? Porque é que os cristãos deste fórum ou de outro sítio qualquer o são? O mais provável é porque foram criados num lar cristão, frequentaram uma catequese, cresceram num país onde se vêem mais igrejas que mesquitas ou templos budistas, porque viram os amigos sujeitos às mesmas pressões ideológicas a irem para a catequese e porque cresceram rodeados de expressões que realçam a cultura judaico-cristã que permeia o nosso país.

              No meu caso, foi exactamente isto. Até começar a pensar por mim, era católico, e era católico por dogma. Tivesse nascido no Tibete, ia para o templo entoar uns mantras, provavelmente.
              Entretanto, comecei a aperceber-me de que o Deus em que acreditava não era minimamente plausível -- caso contrário, seria tudo uma enorme injustiça --, e a crença, então, foi-me passando. Mas o processo ainda foi moroso, que as coisas enraizadas oferecem resistência ao shutdown da base de dados.
              Actualmente, sou daqueles que nem acreditam, nem deixam de acreditar, o que para muitos é sinónimo de agnosticismo. Eu temo que o agnosticismo seja mais que isso; então, limito-me a dizer que não sigo qualquer tipo de religião. Se Deus tivesse de ser obrigatoriamente uma entidade que connosco se preocupa, era ateu, pela certa, mas, como ainda resta a faceta do criador e do legislador, fico sem pensar coisíssima nenhuma.

              Quanto aos valores transmitidos por livros «sagrados» como a Bíblia, só queria acrescentar que qualquer mulher que preze a igualdade devia, no mínimo, abominar aquele livro. Por aquelas bandas, são completamente vistas como sexo decorativo, o ser que deve honrar o marido e inferiorizar-se a ele. É absolutamente ridículo. E é com conhecimento de causa que falo, que eu, no total, até devo ter perdido muitas horas de existência a ler a coisa.

                Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                #7

                Offline Ana Raquel

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                • Membro Total
                • Género: Feminino
                não sigo qualquer tipo de religião porque todas elas ditam uma data de regras que não se adequam ao meu modo de estar e porque essas próprias regras são quebradas pelas pessoas que se dizem transmissoras da palavra e do exemplo. Julgo que se pensar nas coisas de uma forma racional e interpretativa conseguimos perceber que muitas das « imposições impostas» pelas religiões foram criadas para camuflar/esconder outras criadas anteriormente, mas que no entanto não podiam passar a erros pois aí iria ser posta em causa a credibilidade de tudo o que esse falante ditou.
                  porquê tu? porque me vias quando eu era invisivel...

                  Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                  #8

                  Offline Nessi

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                  • Novo Membro
                  • Género: Feminino
                  • You should always feel good about yourself!
                  Boa noite,

                  Antes de dar a minha resposta concreta gostava de opinar em relação a todos os que dizem que não são cristãos... A verdade é que todos nós o somos um pouco pois o Cristianismo está inserido na nossa cultura, então não é verdade que celebramos o Natal, um evento cristão que simboliza o nascimento de Jesus? E a Páscoa, que simboliza o seu retorno? E não nos casamos pelo Igreja, estando assim a submetermo-nos às "leis" do casamento propostas pelo Cristianismo? Para além de que a maior parte de nós é baptizado à nascença (prática a qual não concordo sinceramente, pois do meu ponto de vista é quase como que impingir-nos uma religião)! Eu p.e. fui baptizada e se em bebé pudesse falar tinha pedido que não o fizessem... Por isso, de uma maneira ou de outra, quer queiramos quer não, todos nos temos um pouco de "Cristãos" dentro de nós.

                  Agora, em resposta ao tópico concretamente... Embora tenha sido baptizada e tenha ido à catequese quando era pequena, e sempre tenha sido encorajada a rezar e a ir à igreja, nunca me identifiquei muito com esse estilo de vida... Nunca me dediquei muito à religião. Para além de que, sendo eu uma pessoa muito terra-a-terra, ao tomar conhecimento das passagens da Bíblia à medida que crescia, não conseguia acreditar em nada do que estava lá escrito... Parece-me muito conto de fadas! Há muia coisa mal explicada no referido livro e não consigo acreditar mesmo, por mais que tente... Para além do mais, quando era pequenina rezava muito à noite, ao vir para a cama, a pedir que as coisas melhorassem, que a violência cá em casa aligeirasse e isso nunca acontecia, pelo contrário, por isso acho que fui ficando com a ideia que Deus não me ouvia e deixei de acreditar nele. E acho que me falta um pouco de fé, pois não consigo identificar-me com nenhuma religião, não consigo interiorizar nada que passa do sobrenatural do meu ponto de vista, e tenho um certo medo disso pois acho importante ter fé, acreditar em algo por mais insignificante que seja, algo que nos dê força diária e eu não tenho isso... Isso preocupa-me um bocado mas enfim, não vivo infeliz por isso!

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                    #9

                    Philippos13

                    • Visitante
                    Antes de dar a minha resposta concreta gostava de opinar em relação a todos os que dizem que não são cristãos... A verdade é que todos nós o somos um pouco pois o Cristianismo está inserido na nossa cultura, então não é verdade que celebramos o Natal, um evento cristão que simboliza o nascimento de Jesus? E a Páscoa, que simboliza o seu retorno? E não nos casamos pelo Igreja, estando assim a submetermo-nos às "leis" do casamento propostas pelo Cristianismo? Para além de que a maior parte de nós é baptizado à nascença (prática a qual não concordo sinceramente, pois do meu ponto de vista é quase como que impingir-nos uma religião)! Eu p.e. fui baptizada e se em bebé pudesse falar tinha pedido que não o fizessem... Por isso, de uma maneira ou de outra, quer queiramos quer não, todos nos temos um pouco de "Cristãos" dentro de nós.

                    Em primeiro lugar, não celebro o Natal, quem o celebra são os meus pais e como eu tenho por hábito passá-lo com eles estou presente. Mas não associo o Natal ao cristianismo. O Natal, originalmente, era uma festividade pagã. A data do 25 de Dezembro foi escolhida pelos cristãos (tal como muitas outras festas cristãs, incluindo a Páscoa) de forma a coincidir com a data dessa festividade pagã de modo a que fosse mais fácil converter esses pagãos ao cristianismo. O cristianismo "absorveu" as festividades pagãs, não as criou.

                    Em segundo lugar, não tenho qualquer intenção de me casar pela igreja, e considero no mínimo contraditório ou incoerente alguém o fazer não sendo cristão/católico.

                    Em terceiro lugar, não sou baptizado. Felizmente, os meus pais decidiram que esperariam até eu ter idade para decidir. No entanto, se fosse baptizado, já teria, aos 18 anos, anulado o baptismo. Uma vez mais, sentir-me-ia hipócrita se estivesse baptizado não sendo cristão.

                    Finalmente, não acho que nada disso tenha a ver com a nossa crença em Deus. O Natal, a Páscoa, o casamento católico, o baptismo, são práticas religiosas inseridas na nossa sociedade às quais alguns de nós não conseguem escapar, pelo menos no início das nossas vidas. No entanto, acredito que uma pessoa coerente que não seja cristã tem todas as condições para evitar essas práticas a partir do momento em que atinge a idade em que se encarrega de tomar as suas próprias decisões.

                      Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                      #10

                      x3na

                      • Visitante
                      Fui educada como católica, mas não pratico...preferia uma educacao livre de qualquer religião, mas não escolhi.

                        Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                        #11

                        Offline Simpatizante

                        • *
                        • Novo Membro
                        • Género: Masculino
                        Eu tive uma educação típica portuguesa mas sou absolutamente ateu; desde que me lembro de existir sempre me pareceu evidente a inexistência de "deus", "energias", "além", "místicas" e por aí fora. Ou mais exatamente, o absurdo de algo passar a verdade porque sim.

                        O sistema ético-moral judaico-cristão então dá-me comichões que nunca mais acabam; ensina-nos a ter medo, a sentirmo-nos culpados, a rejeitar a diferença, a negar os nossos instintos e emoções. Ou seja, ensina-nos a viver de joelhos perante nós mesmos. Que me perdoem os crentes, mas isso são ensinamentos para escravos. Curiosamente, Jesus propriamente dito terá dito coisas bem mais inteligentes e respeitáveis: respeita o próximo, faz o bem, honra a família, procura a paz, amem-se uns aos outros. Isto sim são coisas que fazem muito sentido para mim, coisas em que acredito. Até certo ponto é irónico parte dos meus valores serem quase que decalcados das palavras de Jesus (e não do diz que disse nos 2000 anos seguintes) e ser ateu. Claro que me refiro aqui a Jesus homem. Quanto aos padres.... é interessante, são dos primeiros a vir à praça tecer considerações sobre sexualidade: tão inútil como um cego a falar-me de cores.

                        Digamos que me incomoda no Cristianismo a eterna intenção de moralizar a razão, em vez de racionalizar a moral. E não estou a falar de tratados e livrinhos com 500 anos. Por extensão, rejeito qualquer tipo de espiritualidade. Claro que compreendo que a tendência no ser humano para o divino e maravilhoso é muito forte, mas eu não sou assim. Além do mais, já vi tanta vez à minha volta essa tal procura do místico ser usada por pessoas fragilizadas emocionalmente como forma de fuga à sua própria existência que ainda mais o rejeito. Acontece sempre da mesma forma (e aqui vou divagar um bocado, talvez devam passar ao próximo post):

                        Azar ao amor uma vez, azar ao amor outra vez, azar ao amor uma terceira vez, e pronto está feito, venha o Reiki e o Ayurveda e as energias disto e daquilo, e vamos lá ao encontro de Umbanda ver qual é o orixá que calha... e a vidente que me fez a regressão explicou-me que numa vida anterior eu fui uma pessoa muito forte e poderosa que tratou muito mal o sexo contrário, daí agora ser um(a) desiquilibrad@ emocional que não tem o que é preciso para manter uma relação funcional.... ooooops! Desculpem, era para ter escrito "azar ao amor". Desculpem :(
                        Mas fazer o quê, já ouvi a história da vidente a mais de dez pessoas diferentes e é sempre a mesma.... será que elas se combinaram todas?!?!? E isso das "energias"... então mas basta mesmo usar a palavra "energia" e tudo está fundamentado? Tipo, "energia" é uma espécie dos quatro piscas da mística? É só ligar e tudo fica justificado e desculpado?

                        Enfim, acho que todas as religiões tendem a ser alienantes, e isso é péssimo. É uma espécie de gaiola dourada para a nossa mente, onde tudo é seguro e perfeito. É tipo uma cadeira onde nos podemos sentar para ficar a observar a nossa vida a passar. Até à próxima reencarnação, que será melhor.

                          Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                          #12

                          Offline Bobby

                          • *
                          • Novo Membro
                          • Género: Masculino
                          O sistema ético-moral judaico-cristão então dá-me comichões que nunca mais acabam; ensina-nos a ter medo, a sentirmo-nos culpados, a rejeitar a diferença, a negar os nossos instintos e emoções. Ou seja, ensina-nos a viver de joelhos perante nós mesmos. Que me perdoem os crentes, mas isso são ensinamentos para escravos.

                          Disseste tudo numa frase. Consegui visualizar o retrato de uma típica mentalidade cristã agora.

                            Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                            #13

                            Offline Simpatizante

                            • *
                            • Novo Membro
                            • Género: Masculino
                            O sistema ético-moral judaico-cristão então dá-me comichões que nunca mais acabam; ensina-nos a ter medo, a sentirmo-nos culpados, a rejeitar a diferença, a negar os nossos instintos e emoções. Ou seja, ensina-nos a viver de joelhos perante nós mesmos. Que me perdoem os crentes, mas isso são ensinamentos para escravos.

                            Disseste tudo numa frase. Consegui visualizar o retrato de uma típica mentalidade cristã agora.

                            Obrigado :) Eu confesso que não tenho prazer nenhum em falar desta forma, é agressivo, mas para o melhor ou para o pior é mesmo a minha opinião.

                              Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                              #14

                              Offline Elizabeth Siddal

                              • **
                              • Membro Júnior
                              • Género: Feminino
                              O sistema ético-moral judaico-cristão então dá-me comichões que nunca mais acabam; ensina-nos a ter medo, a sentirmo-nos culpados, a rejeitar a diferença, a negar os nossos instintos e emoções. Ou seja, ensina-nos a viver de joelhos perante nós mesmos. Que me perdoem os crentes, mas isso são ensinamentos para escravos.

                              Tudo isso seria muito verdade se não fosse o caso de uma das pessoas mais livres que conheço ser um padre. A liberdade/escravidão não se mede pela obediência a instintos e emoções; aliás, podes ser tão escravo de instintos e emoções quanto da sua negação. A liberdade/escravidão mede-se, sobretudo, pela vastidão dos nossos horizontes. E talvez a religião ensine sobretudo a refrear, filtrar e educar instintos e emoções e não a negá-los. Isto não significa que concorde com tudo o que a Igreja Católica defende, claro está.
                              « Última modificação: 9 de Outubro de 2012 por Elizabeth Siddal »

                                Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                                #15

                                Offline babellux

                                • **
                                • Membro Júnior
                                • Género: Feminino
                                Elizabeth Siddal: Não vejo necessidade de acrescentar nada ao que disseste, pois tenho exactamente a mesma opinião que tu....

                                Simpatizante: Respeito a tua opinião mas desejo que um dia tenhas oportunidade de conhecer a religião cristã/católica que eu conheço.... por de facto, a que eu conheço e bem diferente do que a que descreves naquela frase (confesso que não li o teu post todo....só a frase que foi citada)


                                  Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                                  #16

                                  Philippos13

                                  • Visitante
                                  E talvez a religião ensine sobretudo a refrear, filtrar e educar instintos e emoções e não a negá-los.

                                  A minha pergunta é: que tem isto a ver com religião? Ou melhor, será que a religião é a única via para atingir este objectivo?

                                  O que sinceramente me parece é que a maioria das coisas que as pessoas encaram como "positivas" na religião nada têm a ver com aquilo que a religião de facto é. Quando se fala nos preceitos morais positivos transmitidos pela religião, ou nos valores que através dela se adquirem, não consigo deixar de pensar que esses preceitos morais positivos ou esses valores são de algum modo independentes da religião; isto é, poderíamos adquiri-los sendo ateus.

                                    Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                                    #17

                                    Offline Elizabeth Siddal

                                    • **
                                    • Membro Júnior
                                    • Género: Feminino
                                    A minha pergunta é: que tem isto a ver com religião? Ou melhor, será que a religião é a única via para atingir este objectivo?

                                    O que sinceramente me parece é que a maioria das coisas que as pessoas encaram como "positivas" na religião nada têm a ver com aquilo que a religião de facto é. Quando se fala nos preceitos morais positivos transmitidos pela religião, ou nos valores que através dela se adquirem, não consigo deixar de pensar que esses preceitos morais positivos ou esses valores são de algum modo independentes da religião; isto é, poderíamos adquiri-los sendo ateus.

                                    Então deixa-me fazer-te uma pergunta: por que será que um ateu que viva num país muçulmano tem uma cultura e uma moral consideravelmente diferentes de um ateu que viva num país maioritariamente cristão? (A menos que seja ocidentalizado).

                                    Quer queiramos quer não a nossa cultura está impregnada de valores religiosos, mesmo que sejamos ateus. Assim, nos países ocidentais os valores e moral vêm de uma tradição judaico-cristã e por isso somos monogâmicos, somos menos bélicos que outros povos (a religião católica e os cristãos no geral já foram muito mais agressivos, depois desenvolveram-se e tornaram-se pacifista - e com o seu desenvolvimento desenvolveram-se também as mentalidades dos ocidentais).

                                    Por isso parece-me que é difícil dizer que um ateu não deve nada à religião pois a sua cultura e o seu sistema de valores derivou da cultura e religião do páis em que está inserido.

                                    Para além disso, parece-me que cada um é livre (incluindo os crentes) de vincular (ou não) e assumir o seu sistema de valores a uma dada religião.


                                    « Última modificação: 11 de Outubro de 2012 por Elizabeth Siddal »

                                      Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                                      #18

                                      Philippos13

                                      • Visitante
                                      A minha pergunta é: que tem isto a ver com religião? Ou melhor, será que a religião é a única via para atingir este objectivo?

                                      O que sinceramente me parece é que a maioria das coisas que as pessoas encaram como "positivas" na religião nada têm a ver com aquilo que a religião de facto é. Quando se fala nos preceitos morais positivos transmitidos pela religião, ou nos valores que através dela se adquirem, não consigo deixar de pensar que esses preceitos morais positivos ou esses valores são de algum modo independentes da religião; isto é, poderíamos adquiri-los sendo ateus.

                                      Então deixa-me fazer-te uma pergunta: por que será que um ateu que viva num país muçulmano tem uma cultura e uma moral consideravelmente diferentes de um ateu que viva num país maioritariamente cristão? (A menos que seja ocidentalizado).

                                      Quer queiramos quer não a nossa cultura está impregnada de valores religiosos, mesmo que sejamos ateus. Assim, nos países ocidentais os valores e moral vêm de uma tradição judaico-cristã e por isso somos monogâmicos, somos menos bélicos que outros povos (a religião católica e os cristãos no geral já foram muito mais agressivos, depois desenvolveram-se e tornaram-se pacifista - e com o seu desenvolvimento desenvolveram-se também as mentalidades dos ocidentais).

                                      Por isso parece-me que é difícil dizer que um ateu não deve nada à religião pois a sua cultura e o seu sistema de valores derivou da cultura e religião do páis em que está inserido.

                                      Para além disso, parece-me que cada um é livre (incluindo os crentes) de vincular (ou não) e assumir o seu sistema de valores a uma dada religião.

                                      Percebeste-me mal. Eu não quis dizer que a religião não influencia os valores morais da sociedade onde essa religião se insere. É claro que essa influência existe e tens toda a razão quando dizes que nos países ocidentais existem valores que foram fortemente condicionados pela tradição judaico-cristã.

                                      O que eu quis dizer foi que esses valores, na sua essência, não são religiosos. Isto é, nada têm a ver com a crença num Deus ou noutro género de crença espiritual, que é um dos aspectos fundamentais de uma religião.  Quando dizes que a nossa cultura está impregnada de "valores religiosos", deixa-me apenas corrigir-te nas palavras: eu não diria que se trata de valores religiosos, mas sim de valores adoptados por uma dada religião.

                                      Por exemplo, a maioria das pessoas partilha a ideia de que é errado matar outra pessoa. Ora, é muito provável que essa ideia nos tenha sido incutida (como muitas outras) por via religiosa. Afinal, o "não matarás" é um dos mandamentos mais importantes. No entanto, é possível dar uma justificação razoável para este código moral - "não se deve matar" - que não passe por Deus, nem pela religião, nem pela espiritualidade. É um valor moral aceitável porque existem argumentos racionais do lado desse valor moral, não porque Deus o afirmou.

                                      É verdade que a religião tem um papel importante na transmissão desses valores morais. Mas existem outras vias de fundamentação da moral que (e isto é a minha opinião) são melhores do que a via religiosa. É nesse sentido que os valores morais não têm "nada a ver" com a religião.

                                        Por que não sou/sou cristão e/ou católic@
                                        #19

                                        miguel0258

                                        • Visitante
                                        Hum... devo dizer que questões destas atraem-me: sempre gostei de uma boa discussão filosófica, e religião então... pano para mangas.

                                        Sou ateu, mas não sou ateu. A fé é algo bonito. O poder de acreditar em algo que não se pode provar é estranho e poderoso. Um amigo meu disse-me um dia que na hora da morte, todos somos crentes. Na altura disse-lhe que não, que não é assim, ou acreditas ou não, não há cá dizer que não acreditas e depois quando estiveres a morrer rezas ao senhor da esquina. Mas hoje percebo, somos crentes em algo. Não propriamente no deus católico, ou em qualquer outro deus, mas em algo. Apercebi-me que acredito em algo, efectivamente. Numa força qualquer que anda aí pelo universo. Sempre gostei do universo. Vejam a série Into the Universe with Stephen Hawking. É lindíssima, é poética. Acredito no universo, ou em algo que lá está e que mantém tudo no seu devido sítio. Na gravidade? Sei lá, o nome não interessa, somos matéria estelar e regimo-nos por leis universais. Somos mais extraterrestres do que pensamos. Por isso sou ateu, mas não sou ateu.

                                        Há que ter moderação. As pessoas que mais admiro são aquelas que crêem no que quer que seja, e vivem-no intensamente, mas vivem-no interiormente: não se metem a convencer os outros que o meu deus é melhor que o teu nem a gozar as outras religiões. Aceitam, podem até nem entender, mas aceitam e abarcam. Abarcam todos e todas as religiões e somos todos amigos. Leiam A Vida de Pi de Yann Martel. Também é lindíssimo, também é poético. Tem uma história fantástica, mas peço-vos para o lerem nem é por isso, mas pela parte inicial, pela capacidade de Pi de converter-se a três religiões ao mesmo tempo, da ingenuidade de uma criança e da crença não em UM deus, mas numa multiplicidade deles que todos são um e como Homens somos parte dele e todo o universo e tudo. Tudo é Deus, porque somos todos obra. Para além de que conta algumas parábolas de outras religiões que não a cristã que são fenomenais.

                                           

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