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Olá Visitante26.jun.2019, 08:55:50

Autor Tópico: A ciência na resolução de conflitos morais  (Lida 2197 vezes)

 
A ciência na resolução de conflitos morais
#0

Offline Pulse

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É uma questão que já vem sendo debatida há muito tempo. O Sam Harris é sempre uma figura de referência neste tema devido aos diversos livros que publicou sobre a temática. Vejam a TED Talk dele, aposto que vão gostar.  :P

Sam Harris: Science can answer moral questions
    And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

    A ciência na resolução de conflitos morais
    #1

    Offline Elizabeth Siddal

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    Science can answer moral questions ??? vejamos:

    Artigo científico defende como aceitável "aborto pós-nascimento"

    Um artigo publicado na última semana de Fevereiro pelo Journal of Medical Ethics defende que deveria ser permitido matar um recém-nascido nos casos em que a legislação também permite o aborto. A polémica segue em crescendo. A autora do texto já recebeu ameaças de morte.

    O artigo em causa aceite por aquela publicação científica ligada ao British Medical Journal intitula-se “After-birth abortion: why should the baby live?”, que se poderia traduzir como “Aborto pós-parto: por que deve o bebé viver?”. É assinado por Francesca Minerva, formada em Filosofia pela Universidade de Pisa (Itália) com uma dissertação sobre Bioética, que se doutorou há dois anos em Bolonha e é uma investigadora associada da Universidade de Oxford, em Inglaterra. A sua polémica tese é a de que o “aborto pós-nascimento” (matar um recém-nascido”) deve ser permitido em todos aqueles casos em que o aborto também é, incluindo nas situações em que o recém-nascido não é portador de deficiência”.

    Esta ideia – entendida pelos leitores mais críticos do artigo como um apelo à legalização do infanticídio – é a conclusão de um debate moral que a autora, em conjunto com outro investigador que co-assina o artigo – Alberto Giubilini –, tentam fazer partindo de três princípios: 1) “o feto e um recém-nascido não têm o mesmo estatuto moral das pessoas”; 2) “é moralmente irrelevante o facto de feto e recém-nascido serem pessoas em potência”; 3) “a adopção nem sempre é no melhor interesse das pessoas”.

    Os autores sustentam, assim, que matar um bebé nos primeiros dias não é muito diferente de fazer um aborto, concluindo (ao contrário dos movimentos pró-vida) que desse modo seria moralmente legítimo ou deveria ser aceite que se matasse um recém-nascido, mesmo que este seja saudável, desde que a mãe declare que não pode tomar conta dele.

    Face à polémica que se gerou em torno desta leitura, o editor do jornal veio a público defender a publicação do texto, com o argumento de que a função do jornal é a de apresentar argumentos bem sustentados e não a de promover uma ou outra corrente de opinião. Porém, outros cientistas e pares de Francesca Minerva qualificam a tese do artigo como a “defesa desumana da destruição de crianças”.

    “Como editor, quero defender a publicação deste artigo”, afirma Julian Savulescu, num texto que pode ser consultado online. “Os argumentos apresentados não são, na maioria, novos e têm sido repetidamente apresentados pela literatura científica por alguns dos mais eminentes filósofos e peritos em bioética do mundo, incluindo Peter Singer, Michael Tooley e John Harris, em defesa do infanticídio, que estes autores denominam como aborto pós-nascimento”, escreve Savulesco.

    As reacções viscerais ao artigo incluem ameaças de morte endereçadas à autora, que admitiu que os dias seguintes à publicação e divulgação do artigo foram “os piores” da sua vida. Entre as mensagens que lhe foram enviadas, há quem lhe deseja que “arda no inferno”.

    “O que é mais perturbador não são os argumentos deste artigo, nem a sua publicação num jornal sobre ética. O que perturba é a resposta hostil, abusiva e ameaçadora que desencadeou. Mais do que nunca a discussão académica e a liberdade de debate estão sob ameaça de fanáticos que se opõem aos valores de uma sociedade livre”, sublinha o editor.

    O artigo afirma que, tal como uma criança por nascer, um recém-nascido ainda não desenvolveu esperanças, objectivos e sonhos e, por essa razão, apesar de constituir um ser humano, não é ainda uma pessoa – ou alguém com o direito moral à vida. Pelo contrário, os pais, os irmãos e a sociedade têm metas e planos que podem ser condicionados pela chegada de uma criança e os seus interesses devem vir primeiro.

    Fonte: Público OnLine

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      #2

      Offline Holiday

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      Science can answer moral questions ??? vejamos:

      Artigo científico defende como aceitável "aborto pós-nascimento"

      Um artigo publicado na última semana de Fevereiro pelo Journal of Medical Ethics defende que deveria ser permitido matar um recém-nascido nos casos em que a legislação também permite o aborto. A polémica segue em crescendo. A autora do texto já recebeu ameaças de morte.

      O artigo em causa aceite por aquela publicação científica ligada ao British Medical Journal intitula-se “After-birth abortion: why should the baby live?”, que se poderia traduzir como “Aborto pós-parto: por que deve o bebé viver?”. É assinado por Francesca Minerva, formada em Filosofia pela Universidade de Pisa (Itália) com uma dissertação sobre Bioética, que se doutorou há dois anos em Bolonha e é uma investigadora associada da Universidade de Oxford, em Inglaterra. A sua polémica tese é a de que o “aborto pós-nascimento” (matar um recém-nascido”) deve ser permitido em todos aqueles casos em que o aborto também é, incluindo nas situações em que o recém-nascido não é portador de deficiência”.

      Esta ideia – entendida pelos leitores mais críticos do artigo como um apelo à legalização do infanticídio – é a conclusão de um debate moral que a autora, em conjunto com outro investigador que co-assina o artigo – Alberto Giubilini –, tentam fazer partindo de três princípios: 1) “o feto e um recém-nascido não têm o mesmo estatuto moral das pessoas”; 2) “é moralmente irrelevante o facto de feto e recém-nascido serem pessoas em potência”; 3) “a adopção nem sempre é no melhor interesse das pessoas”.

      Os autores sustentam, assim, que matar um bebé nos primeiros dias não é muito diferente de fazer um aborto, concluindo (ao contrário dos movimentos pró-vida) que desse modo seria moralmente legítimo ou deveria ser aceite que se matasse um recém-nascido, mesmo que este seja saudável, desde que a mãe declare que não pode tomar conta dele.

      Face à polémica que se gerou em torno desta leitura, o editor do jornal veio a público defender a publicação do texto, com o argumento de que a função do jornal é a de apresentar argumentos bem sustentados e não a de promover uma ou outra corrente de opinião. Porém, outros cientistas e pares de Francesca Minerva qualificam a tese do artigo como a “defesa desumana da destruição de crianças”.

      “Como editor, quero defender a publicação deste artigo”, afirma Julian Savulescu, num texto que pode ser consultado online. “Os argumentos apresentados não são, na maioria, novos e têm sido repetidamente apresentados pela literatura científica por alguns dos mais eminentes filósofos e peritos em bioética do mundo, incluindo Peter Singer, Michael Tooley e John Harris, em defesa do infanticídio, que estes autores denominam como aborto pós-nascimento”, escreve Savulesco.

      As reacções viscerais ao artigo incluem ameaças de morte endereçadas à autora, que admitiu que os dias seguintes à publicação e divulgação do artigo foram “os piores” da sua vida. Entre as mensagens que lhe foram enviadas, há quem lhe deseja que “arda no inferno”.

      “O que é mais perturbador não são os argumentos deste artigo, nem a sua publicação num jornal sobre ética. O que perturba é a resposta hostil, abusiva e ameaçadora que desencadeou. Mais do que nunca a discussão académica e a liberdade de debate estão sob ameaça de fanáticos que se opõem aos valores de uma sociedade livre”, sublinha o editor.

      O artigo afirma que, tal como uma criança por nascer, um recém-nascido ainda não desenvolveu esperanças, objectivos e sonhos e, por essa razão, apesar de constituir um ser humano, não é ainda uma pessoa – ou alguém com o direito moral à vida. Pelo contrário, os pais, os irmãos e a sociedade têm metas e planos que podem ser condicionados pela chegada de uma criança e os seus interesses devem vir primeiro.

      Fonte: Público OnLine

      Isto é que é uma tese muito hardcore!!!  :o
      Confesso que fico chocado com a posição mas a minha posição não é de fazer um ataque visceral à autora mas sim a de desmanchar alguns argumentos.

      Vejamos, um feto e um recém-nascidos não são, de facto pessoas pela definição filosófica. No entanto, há que distinguir 3 conceitos: embrião, feto e recém-nascido.
      Ora, o estadio de embrião corresponde às primeiras 8 semanas após a fecundação. Depois tem-se o feto e após o nascimento o recém-nascido. Há quem seja apenas a favor do aborto em embriões, outros embriões e fetos e, como vim a descobrir agora, recém-nascidos.

      O feto e o recém-nascido podem não ser pessoas mas existe uma diferença relativamente a viabilidade ex-utero (estou a admitir aquilo que é defendido por várias leis do aborto em que o cutoff é antes do limiar de viabilidade fetal ex-utero). Um recém-nascido pode não ser uma pessoa mas é um ser vivo cuja vida não depende necessariamente da mãe. Enquanto o feto pré limiar de viabilidade está dependente da mãe para viver o recém nascido pode ser cuidado por outras pessoas.
      Independentemente de o recém-nascido não ser uma pessoa é um ser vivo da espécie humana e como tal defender o seu aborto é um forma de homicídio. Note-se que homicídio é um atentado à vida humana extrauterina e não exclusivamente ao objecto "pessoa".

        A ciência na resolução de conflitos morais
        #3

        Offline Pulse

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        Science can answer moral questions ??? vejamos:

        Artigo científico defende como aceitável "aborto pós-nascimento"

        Um artigo publicado na última semana de Fevereiro pelo Journal of Medical Ethics defende que deveria ser permitido matar um recém-nascido nos casos em que a legislação também permite o aborto. A polémica segue em crescendo. A autora do texto já recebeu ameaças de morte.

        O artigo em causa aceite por aquela publicação científica ligada ao British Medical Journal intitula-se “After-birth abortion: why should the baby live?”, que se poderia traduzir como “Aborto pós-parto: por que deve o bebé viver?”. É assinado por Francesca Minerva, formada em Filosofia pela Universidade de Pisa (Itália) com uma dissertação sobre Bioética, que se doutorou há dois anos em Bolonha e é uma investigadora associada da Universidade de Oxford, em Inglaterra. A sua polémica tese é a de que o “aborto pós-nascimento” (matar um recém-nascido”) deve ser permitido em todos aqueles casos em que o aborto também é, incluindo nas situações em que o recém-nascido não é portador de deficiência”.
        (...)

        Não vejo de que forma pretendes argumentar sobre o tema do tópico uma vez que te referes a um artigo de opinião, que pelos vistos até carece de alguma reflexão por parte da autora. Os princípios científicos que fundamentam o aborto até determinado período prendem-se precisamente com aquilo que a Holiday disse, com a viabilidade do embrião ou feto, dai só se poderem realizar abortos no máximo até às 24 semanas porque, com o conhecimento cientifico actual, essa é a idade de gestação mínima para a viabilidade de um feto. A partir daí qualquer interrupção da gravidez designa-se de infanticídio e é apenas levada a cabo em situações de mal-formação extrema, como anencefalias ou outras, havendo sítios onde nem sequer é permitida o que obriga ao nascimento do feto que acabará por morrer posteriormente...
          And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

          A ciência na resolução de conflitos morais
          #4

          Offline Elizabeth Siddal

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          Não vejo de que forma pretendes argumentar sobre o tema do tópico uma vez que te referes a um artigo de opinião, que pelos vistos até carece de alguma reflexão por parte da autora. Os princípios científicos que fundamentam o aborto até determinado período prendem-se precisamente com aquilo que a Holiday disse, com a viabilidade do embrião ou feto, dai só se poderem realizar abortos no máximo até às 24 semanas porque, com o conhecimento cientifico actual, essa é a idade de gestação mínima para a viabilidade de um feto. A partir daí qualquer interrupção da gravidez designa-se de infanticídio e é apenas levada a cabo em situações de mal-formação extrema, como anencefalias ou outras, havendo sítios onde nem sequer é permitida o que obriga ao nascimento do feto que acabará por morrer posteriormente...

          A questão é que tal artigo, que dizes que carece de alguma relexão por parte da autora, foi aceite numa revista científica de prestígio e reconhecida internacionalmente...

          De resto tirando esta questão, creio que a ciência poderá ajudar na resolução de conflitos morais estabelecendo alguns critérios mas em última análise não os poderá resolver, essa é uma questão, como o nome indica, de moral, de consciência, de filosofia, de religião, etc.

            A ciência na resolução de conflitos morais
            #5

            Offline Green

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            • Just prove the absurd
            Bem, a mim parece-me o seguinte:

            A) A ciência é um método. Criam-se hipóteses agregadas em teorias que devem obedecer às regras da lógica e ao teste empírico.
            B) A ciência nada nos diz sobre o valor das coisas, apenas se estabelece relações entre dois (ou mais) factores.
            C) A moral prende-se com a avaliação das coisas como boas/desejáveis ou más/indesejáveis.
            Pelo que se deduz que a ciência e a moral não se tocam. A moral de cada investigador, de cada cultura mexe de uma forma (excessiva, diriam alguns autores) na maneira como a ciência é feita. Mas o inverso não me parece possível.

            Por exemplo, lembro-me há uns tempos de um ateu (vale dizer já que eu também sou) que estava a tentar defender a tese de que é possível a ciência fornecer uma moral. A tese dele era basicamente que se deve gerar o máximo de felicidade para o maior número de pessoas (tese com a qual eu concordo)... E de onde é que ele derivou da ciência que a felicidade é boa? De lado nenhum! Porque, como disse, a ciência apenas estabelece relações, não nos diz nada sobre o valor das coisas em si.
              "Now! Start spreading the word
              Now! Make sure the whole world will hear you
              Now! Just prove the absurd
              Now! And don't let nobody stop you..."

              A ciência na resolução de conflitos morais
              #6

              Offline Pulse

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              Bem, a mim parece-me o seguinte:

              A) A ciência é um método. Criam-se hipóteses agregadas em teorias que devem obedecer às regras da lógica e ao teste empírico.
              B) A ciência nada nos diz sobre o valor das coisas, apenas se estabelece relações entre dois (ou mais) factores.
              C) A moral prende-se com a avaliação das coisas como boas/desejáveis ou más/indesejáveis.
              Pelo que se deduz que a ciência e a moral não se tocam. A moral de cada investigador, de cada cultura mexe de uma forma (excessiva, diriam alguns autores) na maneira como a ciência é feita. Mas o inverso não me parece possível.

              Por exemplo, lembro-me há uns tempos de um ateu (vale dizer já que eu também sou) que estava a tentar defender a tese de que é possível a ciência fornecer uma moral. A tese dele era basicamente que se deve gerar o máximo de felicidade para o maior número de pessoas (tese com a qual eu concordo)... E de onde é que ele derivou da ciência que a felicidade é boa? De lado nenhum! Porque, como disse, a ciência apenas estabelece relações, não nos diz nada sobre o valor das coisas em si.

              Permite-te discordar de ti Green. A ciência pode sim dizer-nos o que é bom e o que é mau. A ideia é fazer uso das ciências sociais e humanas para avaliar o impacto das nossas acções no bem-estar humano, isso permite-nos perceber o que é bom e o que é mau.
              Quanto à teoria de que se deve gerar o máximo de felicidade para o maior número de pessoas tenho alguns problemas com a mesma uma vez que pode levar à exploração e e subjugação de minorias se tal permitir a felicidade da maioria...
                And my head told my heart, let love grow. But my heart told my head, this time no, this time no.

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                #7

                Offline Green

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                Bem, a mim parece-me o seguinte:

                A) A ciência é um método. Criam-se hipóteses agregadas em teorias que devem obedecer às regras da lógica e ao teste empírico.
                B) A ciência nada nos diz sobre o valor das coisas, apenas se estabelece relações entre dois (ou mais) factores.
                C) A moral prende-se com a avaliação das coisas como boas/desejáveis ou más/indesejáveis.
                Pelo que se deduz que a ciência e a moral não se tocam. A moral de cada investigador, de cada cultura mexe de uma forma (excessiva, diriam alguns autores) na maneira como a ciência é feita. Mas o inverso não me parece possível.

                Por exemplo, lembro-me há uns tempos de um ateu (vale dizer já que eu também sou) que estava a tentar defender a tese de que é possível a ciência fornecer uma moral. A tese dele era basicamente que se deve gerar o máximo de felicidade para o maior número de pessoas (tese com a qual eu concordo)... E de onde é que ele derivou da ciência que a felicidade é boa? De lado nenhum! Porque, como disse, a ciência apenas estabelece relações, não nos diz nada sobre o valor das coisas em si.

                Permite-te discordar de ti Green. A ciência pode sim dizer-nos o que é bom e o que é mau. A ideia é fazer uso das ciências sociais e humanas para avaliar o impacto das nossas acções no bem-estar humano, isso permite-nos perceber o que é bom e o que é mau.
                Quanto à teoria de que se deve gerar o máximo de felicidade para o maior número de pessoas tenho alguns problemas com a mesma uma vez que pode levar à exploração e e subjugação de minorias se tal permitir a felicidade da maioria...

                Não me expliquei bem, parece-me. Ofereço-te um exemplo. A teoria do eugenismo, de que se deve evitar que pessoas com características negativas geneticamente hereditárias (e.g. defeitos genéticos, baixa inteligência, etc.) possam procriar, assenta sobre a ciência: no sentido em que é cientificamente provado que se a) determinada característica for hereditária e b) se evitarmos que pessoas com essa característica se reproduzam enquanto promovemos a procriação das pessoas sem essa característica, então c) essa característica terá menos prevalência na população. Segue portanto que se evitássemos as pessoas com defeitos de se procriarem, a sociedade num total iria beneficiar.

                Agora a pergunta surge: é moral defender o eugenismo só porque assenta em conhecimento científico? Para mim parece-me que não, que isso é uma questão moral e que a contribuição da ciência foi apenas e somente no sentido em que demonstrou que as premissas desta teoria são verdadeiras. É claro que se tivesse demonstrado que eram erradas, se calhar não teríamos que estar a discutir moral. Mas este é o tipo de armadilha em que nós caímos muitas vezes. Discutimos as coisas na medida em que elas são provadas como X ou Y (e.g. a homossexualidade é genética) e não nas questões morais de fundo (e.g. a homossexualidade é boa, neutra ou má em si mesma) e depois quando existem provas do contrário, a coisa parece mais negra porque não se teve a tal discussão moral.
                « Última modificação: 8 de Agosto de 2012 por Green »
                  "Now! Start spreading the word
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                  #8

                  Diotima

                  • Visitante
                  "A partir da perspectiva meramente científica, o ódio não é pior do que o amor. Não há nenhum raciocínio logicamente concludente para que eu não deva odiar, se isso não me trouxer nenhuma desvantagem social." (Max Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt)

                     

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