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Olá Visitante19.jun.2019, 06:18:33

Autor Tópico: Devem os transexuais ser incluídos no Transgénero?  (Lida 1310 vezes)

 
Devem os transexuais ser incluídos no Transgénero?
#0

Offline wilhelmina

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  • Novo Membro
  • Género: Feminino
Olá a tod@s,

Crio este tópico para tentar criar um debate alargado sobre este tema, que já tem sido várias vezes abordado noutros tópicos mais gerais sobre transexualidade, e me parece merecer mais atenção no contexto da discussão do movimento LGBT português.

Enquanto movimento LGBT, devemos continuar a incluir as pessoas transexuais no "Trangénero"?

O termo "transgénero" começou por ser usado por Vírginia Prince, nos anos 80, para designar pessoas que procuravam adequar o seu corpo a um sexo social diferente do seu sexo biológico, mas sem recorrer a qualquer cirurgia de reatribuição sexual. Hoje, chamamos também estas pessoas de transexuais ou de crossdressers, dependendo do caso e sua especificidade. Já o termo "transgénero" não tardou em se popularizar, com um novo e muito mais abrangente significado.

Simplificando, habituámo-nos a definir "transgénero" como todo aquele que transgride as normas de género, enquanto correspondentes a um sistema binário composto por homem/mulher. Desta forma, tem servido como termo "guarda-chuva" para aglutinar numa só expressão crossdressers, transformistas, travestis, bigéneros, agéneros, terceiro-géneros, andróginos, intersexuais, transexuais, etc, etc...

Embora seja muito fácil fazer uso deste termo "guarda-chuva", pois fala-se de um mundo de identidades e expressões de género sem ter de as especificar, esta estratégia falha precisamente aqui. Até que ponto, ao aglutinarmos realidades tão diferentes e, por vezes, tão distantes, estamos a respeitá-las e a falar delas correctamente?

Mais: ao definirmos o termo transgénero como caracterizando todos "os que transgridem normas de género", não estamos a falar de mais que identidades e expressões de género dissonantes da norma, mas também de outros factores como a orientação sexual? Isto é, sendo que as normas de género "vigentes" são heteronormativas, todos os que praticam a sua sexualidade e afectividade com pessoas do mesmo sexo estão também a quebrar as normas de género. E assim os LGB são também T, tonando a nossa tão adorada sigla redundante.

Logo, porque distinguimos mulheres homossexuais de homens homossexuais, e ainda bissexuais de homossexuais, num esforço (que alguns já reinvidicam como não totalmente inclusivo, visto reclamarem formas diferentes de designar as suas orientações sexuais não heterosexuais) de estratificar diferentes realidades e experiências dentro da orientação sexual (e reconhecer a necessecidade de um cuidado e atenção específico a cada um deles), para depois chegarmos às identidades e expressões de género e mesclarmos tudo num mesmo termo, como se todas as realidades e experiências aqui incluídas fossem iguais, alvo das mesmas necessidades e especificidades?

Até que ponto não será mais correcto alargar o LGBT para LGBTTI, separando a transexualidade e a intersexualidade do trangenerismo, reconhecendo que o primeiro se prende com a identidade de género sentida pela pessoa, a segunda com factores físicos/biológicos, e a terceira com expressões de género? (E até que ponto não fará mais sentido o LGBTTIQ, incluindo no Queer todos aqueles que não encaixam a sua orientação sexual não heterosexual no LGB? Mas isso já foge um pouco à questão central que tento colocar aqui.)

Peço que reflitam um pouco sobre este assunto e partilhem as vossas opiniões aqui! ;)

    Devem os transexuais ser incluídos no Transgénero?
    #1

    Offline SoWhat

    • *****
    • Membro Elite
    • Género: Masculino
    A minha opinião é a seguinte:
    A transexualidade é uma manifestação ligada à identidade de género (homem ou mulher) bem como o travestismo é um fetiche ligado à identidade de género. Penso que no século XXI o termo "trangénero" é uma forma de se referir, de uma maneira geral, a todos os que transgridem esse mesmo sistema binário.

    Responder
    Mais: ao definirmos o termo transgénero como caracterizando todos "os que transgridem normas de género", não estamos a falar de mais que identidades e expressões de género dissonantes da norma, mas também de outros factores como a orientação sexual? Isto é, sendo que as normas de género "vigentes" são heteronormativas, todos os que praticam a sua sexualidade e afectividade com pessoas do mesmo sexo estão também a quebrar as normas de género. E assim os LGB são também T, tonando a nossa tão adorada sigla redundante.

    Encaro esta afirmação como falaciosa. A heterossexualidade foi algo imposto pelo Homem como sendo o "normal", a regra, pois temos acesso à mais variada informação que claramente nos mostra que a homossexualidade (talvez até mais a bissexualidade) é algo que existe desde sempre e nas mais variadas espécies, trangenderismo, que eu tenha conhecimento, foi descoberto apenas na nossa espécie. Além do mais sinto que com ea afirmação citada estamos novamente a associar identidade de género e orientação sexual, quando na verdade uma coisa não influencia a outra.

    Responder
    Logo, porque distinguimos mulheres homossexuais de homens homossexuais, e ainda bissexuais de homossexuais, num esforço (que alguns já reinvidicam como não totalmente inclusivo, visto reclamarem formas diferentes de designar as suas orientações sexuais não heterosexuais) de estratificar diferentes realidades e experiências dentro da orientação sexual (e reconhecer a necessecidade de um cuidado e atenção específico a cada um deles), para depois chegarmos às identidades e expressões de género e mesclarmos tudo num mesmo termo, como se todas as realidades e experiências aqui incluídas fossem iguais, alvo das mesmas necessidades e especificidades?

    A existência da distinção homossexual feminino e masculino penso que é necessária na medida em que vivemos ainda numa sociedade que quando se fala em homossexualidade se associa a dois homens.
    Quanto à bissexualidade, ainda mais necessária é ser distinguida da homossexualidade pois de certa forma é uma maneira de quebrar a ideia pré-concebida que a bissexualidade é uma fase, um caminha para a hetero ou para a homossexualidade e não é, por muitos, considerada uma orientação sexual.

       

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