Fórum da rede ex aequo

Outras Conversas => Artes & Letras => Tópico iniciado por: Magia em 03.fev.2005, 23:59:44

Título: Poesia
Enviado por: Magia em 03.fev.2005, 23:59:44
Renovação do antigo tópico "Poesia".


Alerta: Este tipo de tópico está sujeito a renovação periódica (ao serem atingidas as 100 páginas) com remoção dos posts mais antigos. Sugerimos, caso estejam interessados, que gravem os posts que consideram importantes guardar para futura consulta pessoal.


Nota: a identidade da pessoa que criou o tópico originalmente foi mantida, mas não significa que tenha sido quem fez esta renovação e escreveu este post em específico.
Título: Re: Poesia
Enviado por: chaos_kitten em 14.jul.2009, 22:27:03
Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


Miguel Torga- Viagem
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 02.set.2009, 19:02:34
Sorrows of the Elderly

The old are kind.
The young are hot.
Love may be blind.
Desire is not.


Leonard Cohen - Book of Longing
Título: Re: Poesia
Enviado por: MT em 02.set.2009, 19:13:19
isto foi um  poema qe fiz a minha bebé. sei qe nao e' grande coisa, mas e' o qe veio  :)

Nem uma Flor
Nem um Ceu de Estrelas
Me parecem Belas
Como o Meu Grande AMOR

O Teu Olhar
Me Cativa,
Vou-te jurar
Como todos os dias me sinto Viva

Isa e' o nome do meu amor
aquela iluminaçao do sol.
Tu serás sempre sempre a minha Flor
Como um belo Girassol  :D



Verdes sao os campos
da cor do limao
assim sao os olhos
do meu coraçao

o meu coraçao
tudo em ti ve
desde do lindo sorriso
ate um simples olhar

a saudade e' uma eternidade
o amor e' infinito
nao escolha a idade
nem ser bonito.
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 03.set.2009, 00:27:33
isto foi um  poema qe fiz a minha bebé. sei qe nao e' grande coisa, mas e' o qe veio  :)




É grande coisa é... ;)

Retrato de uma rapariga

Senta-se atrás das persianas de madeira
num dia muito quente
o quarto às escuras, as fotografias tristes
Está profundamente preocupada
por as suas coxas serem demasiado grandes
e o r*** gordo e feio
Além disso é muito peluda
As afortunadas raparigas americanas não são peludas
Sua demasiado
Há uma ténue neblina
no escuro buço sobre a sua boca
Gostaria de poder explicar-lhe
o que esse buço e essas ancas
significam para alguém como eu
Infelizmente não sei quem ela é
nem onde vive
nem se existe realmente
Não há informação sobre esta pessoa
excepto nestas linhas
e quero deixar bem claro
que no que me diz respeito
não há nenhum probema com ela


Leonard Cohen - Poemas e Canções
Título: Re: Poesia
Enviado por: prettyinscarlet em 09.set.2009, 23:01:18
Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus.

Pablo Neruda
Título: Re: Poesia
Enviado por: lost_head em 10.set.2009, 00:25:50
Quem Sabe um Dia

Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!

Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!

Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!

Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois

Mário Quintana
Título: Re: Poesia
Enviado por: xXxPePexXx em 10.set.2009, 14:38:18
Vitalidade

Vagueio,
mentalmente
por labirintos
restritos
onde me encontro
constantemente
saltando barreiras
pequenas chatices
brigas inocentes
vidas presas por dois fios
um puxa a vida
outro o final.

quem me dera ser cigarro
para a boca de quem amo
sempre beijar
quero ser o prazer do vicio
e não o prazer da brasa
leva me em teu peito...
guarda me para sempre
nas memorias...
das horas...
dos sorrisos...
da dor...
duas almas em unissimo
Este eterno sentimento,
tudo mudou
Eu...
Tu...
... Nós.




by xXxPePexXX inCornerofmyownmind (http://cornerofmyownmind.blogspot.com/)
Título: Re: Poesia
Enviado por: jaehora em 12.set.2009, 03:19:51
"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."
     
                 FERNANDO PESSOA
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 12.set.2009, 23:39:47
Teus Olhos Entristecem

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Título: Re: Poesia
Enviado por: Flipa5 em 13.set.2009, 23:21:05
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Fernando Pessoa
(Ricardo Reis)

Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 15.set.2009, 00:32:21
Ingenuidade

Estava um belo dia de sol sob aquelas águas
Que os teus olhos tornaram negras e tristes.
Se pelo menos eu pudesse brilhar no escuro
Tu poderias ver que sempre estive lá para ti!

Tu és como a véspera de um funeral,
Um irónico sábado soalheiro, traiçoeiro
Sedento de trazer um domingo fatal
Pelo prazer que dá ver toda a luz apagar-se…
Eu deveria ter protagonizado o trágico fim
Antes de tu estreares o tua tragédia,
Rasgar a tua peça filosoficamente estúpida
E mostrar-te como é viver a comédia!

Se pelo menos algo te pudesse fazer-te parar,
Uma camisa-de-forças tecida de desculpas
Ou uma cripta vazia em forma de um coração
Para sonhares enterrar-te lá com alguém…

Lembro-me quando me enterraste ao teu lado
Sem coroa de flores, falsos choros ou saudade
Eu fui o primeiro de uma vulgar vala comum
De vítimas de uma maldosa e pérfida ingenuidade
Título: Re: Poesia
Enviado por: smds em 15.set.2009, 16:59:32
Represália

Voluptuosas cristas de areia
cristais de formas tão anormais
faz pedaços os vitrais
pra armar a frenética alma
que traída por tantos meses
sobrepujada todas vezes
aparta-se aos poucos da calma.
Levanta a levada loura
e os louquíssimos lares
linho pra laços lisos
movem  matas e mares
fitas fortificadas
fardas falsificadas
fitarão o final que fiares.
Exponha a fúria titânica!
Eu sei bem que tens razão
concentra essa nova pressão
que hoje teu orgulho exalta
em breve, assim que falares
a grande vilã de teus lares
será  só um canto de falta.

Vinga-te vilipendiado!
Explode nesse desforço
crava os cristais no pescoço
de quem te fez choro de tinta.
Nasce no espírito um singa
que toma as cristas de areia
corta fundo tantas veias
de quem o infante se vinga.


E a vingança está consumada...
A nova vilã é o pecado
a culpa por ter matado
Se voltasse conteria...

Que conteria nada...
se sua essência falasse
diria sem nem impasse
que se ela ressuscitasse
novamente a mataria.


Brianna Gordon
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 15.set.2009, 18:23:54
Ingenuidade

(...)

Lembro-me quando me enterraste ao teu lado
Sem coroa de flores, falsos choros ou saudade
Eu fui o primeiro de uma vulgar vala comum
De vítimas de uma maldosa e pérfida ingenuidade


gostei muito desta parte...


Para a Manhã

Rosa acordada que sonhaste?
Nas pálpebras molhadas vê-se ainda
Que choraste...
Foi algum pesadelo?
Algum presságio triste?
Ou disse-te algum deus que não existe
Eternidade?
Acordaste e és bela:
Vive!
O sol enxugará esse pranto
Passado.
Nega o presságio com perfume e encanto!
Faz o dia perfeito e acabado!

Miguel Torga (Antologia Poética)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 15.set.2009, 21:19:04
Ingenuidade

(...)

Lembro-me quando me enterraste ao teu lado
Sem coroa de flores, falsos choros ou saudade
Eu fui o primeiro de uma vulgar vala comum
De vítimas de uma maldosa e pérfida ingenuidade


gostei muito desta parte...




Muito obrigado! ;D

O poema que aqui colocaste é muito bonito mesmo! Absolutamente brilhante!  :up
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 15.set.2009, 21:24:33
Ingenuidade

(...)

Lembro-me quando me enterraste ao teu lado
Sem coroa de flores, falsos choros ou saudade
Eu fui o primeiro de uma vulgar vala comum
De vítimas de uma maldosa e pérfida ingenuidade


gostei muito desta parte...




Muito obrigado! ;D

O poema que aqui colocaste é muito bonito mesmo! Absolutamente brilhante!  :up

foste tu que escreveste? Gostas de escrever? De qualquer forma...o poema está wow mesmo...gostei bastante mesmo  ;D
Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 15.set.2009, 21:29:36
Sim, fui eu... è um pouco fora daquilo que escrevia até então, antes escrevia aquela coisa mais "oh coitadinho de mim,  vem amor, da-me a mão e faz-me esquecer que chorei por ti um dia"  lol Mas ultimamente tenho tido umas influencias muito "obsequey"...se bem que isso faz-me olhar para o que escrevo e pensar "mas esta porcaria é completamente pessoal, não é proveitoso para ninguém" mas lá está...nem sempre se escreve para os outros, muito menos em poesia, as vezes escrevemos porque precisamos... ;)
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 15.set.2009, 21:33:51
Sim, fui eu... è um pouco fora daquilo que escrevia até então, antes escrevia aquela coisa mais "oh coitadinho de mim,  vem amor, da-me a mão e faz-me esquecer que chorei por ti um dia"  lol Mas ultimamente tenho tido umas influencias muito "obsequey"...se bem que isso faz-me olhar para o que escrevo e pensar "mas esta porcaria é completamente pessoal, não é proveitoso para ninguém" mas lá está...nem sempre se escreve para os outros, muito menos em poesia, as vezes escrevemos porque precisamos... ;)

Ora nem mais!! Comigo funciona também assim...ajuda a descarregar e quando nem sempre se tem com quem desabafar ou não se quer..ajuda bastante  ;)

De ser proveitoso ou não para alguém..hmm...muitas vezes também relacionamo-nos com algo que os outros escrevem...ou nos sentimos identificados com tal...e vai se a ver e eram poemas pessoais...mas é mais um escape para mim...Mais uma vez...parabéns!!! achei mesmo wow...muito bem construído wow mesmo..nem sei que dizer... ;)

Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 15.set.2009, 21:39:50
Muito obrigado be free, é como te digo, não pensei nunca em mostra-lo a ninguém  :´ agrada-me mesmo muito que de alguma maneira  gostes dele, sério!

Pro-Noir

Apertaste o gatilho do teu amor
Demasiado perto da minha cabeça,
Deamasiado longe do meu coração…
Projectaste a minha alma em fragmentos,
Estilhaços de mim, contra a parede, contra o chão
E assim decoraste o vestíbulo do nosso romance:
Um assombroso quarto caiado com o meu sangue

Oh, ó menos tivesses um coração
Algo contra o qual podesse atirar…
Fechaste os olhos a todos os filosofos,
E foste os tiranos desenterrar
Porque te faziam sentir forte, bom,
Pois só em contraste com eles tu o serias
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 15.set.2009, 21:47:36
Muito obrigado be free, é como te digo, não pensei nunca em mostra-lo a ninguém  :´ agrada-me mesmo muito que de alguma maneira  gostes dele, sério!

Pro-Noir

Apertaste o gatilho do teu amor
Demasiado perto da minha cabeça,
Deamasiado longe do meu coração…
Projectaste a minha alma em fragmentos,
Estilhaços de mim, contra a parede, contra o chão
E assim decoraste o vestíbulo do nosso romance:
Um assombroso quarto caiado com o meu sangue

Oh, ó menos tivesses um coração
Algo contra o qual podesse atirar…
Fechaste os olhos a todos os filosofos,
E foste os tiranos desenterrar
Porque te faziam sentir forte, bom,
Pois só em contraste com eles tu o serias


bem..se isso também for teu devias estar proibido de por posts aqui pois fico sempre com cara de parva a olhar para eles e a le-los over and over again... ;D no gozo..continua!! Gosto bastante da maneira como escreves, da tua poesia... Também tenho medo de mostrar sempre algo meu a alguém...tenho receio que o que dizem sobre o poema ou sobre o texto em questão seja..bem..para me agradar...

mais um de Miguel Torga...

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Miguel Torga


Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 15.set.2009, 22:01:02
Lol...não digas isso...é que me inspiraste-me...não no sentido de que o conteúdo dos poemas é para ti!!!! mas no sentido de me fazer querer espremer a minha cabecinha para fazer mais qualquer coisa  :´

Miguel Torga, que não tem nada a ver com o estilo de coisas que escrevo e AINDA BEM!!!!!!!!, é simplesmente fenomenal! Uma vez li uma antologia dele e dava vontade de dormir com o livro e lê-lo antes de fechar os olhos, é senhor é do melhor que o mundo trouxe à vida!


Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 15.set.2009, 22:07:57

Lol...não digas isso...é que me inspiraste-me...não no sentido de que o conteúdo dos poemas é para ti!!!! mas no sentido de me fazer querer espremer a minha cabecinha para fazer mais qualquer coisa  :´



hehehe...às vezes precisamos que puxem por nós e nos incentivem..continua!! é só o que te digo...escreves muito bem...aproveita esse dom que tens.

Em relação a Miguel Torga, não o conheço muito bem...gosto de alguns poemas...tal como outros poetas/escritores, não os conheço muito bem...gosto de alguns poemas vá... ;D Para eu gostar de algum poema tenho que senti-lo digamos enquanto o leio..não estar relacionada com eles de alguma forma mas..não sei explicar ..senti-los...sentir emoção quando os leio...sentir alguma coisa de todo quando os leio...se o poema a mim não me diz nada nem me faz sentir nada ou pensar em nada..não funciona comigo  :P
Título: Re: Poesia
Enviado por: Araujo em 15.set.2009, 22:11:08
Gritei “amor” ao mar
Mas o grito perdeu-se nas ondas vazias
Gritei “amor” ao céu
Numa voz que a brisa calma abafou
Gritei “amor” ao mundo
Mas ninguém me ouviu, ninguém parou
Porquê esperar, então,
Que por gritar “amor” tu responderias?
Título: Re: Poesia
Enviado por: carolas em 17.set.2009, 22:50:35
17 de Maio

Infelizmente a homofobia é vital
numa sociedade desigual, anormal
mas não faz mal porque nós somos lutadores
portadores de uma força consciente, omnipresente
Que não mente, apenas sente uma injustiça descomunal
que não devia ser aceitável, pois não é saudavel
mas é palpável no papel onde escrevo
e descrevo esta mentalidade retrógrada
que não evolui, só polui esta sociedade
neste sistema de falsidade extrema

Tens pena, aguenta
enfrenta esses estupores ditadores
abusadores do poder que não conseguem ver
que nós também traímos, sofremos, amamos
mas continuamos a ser alvo de chacota
daí esta revolta liricista, bombista
a todos esses opressores
que nos fazem crer que nao é este o modo de viver
entao porquê nascer ?

Num mundo que quer proclamar a paz
mas que nao é capaz de reivindicar a liberdade
que faz parte da saudade
pois não consegue resistir a esses tiranos
que insistem em prosseguir com penas de morte
enquanto nós assistimos de camarote
sem dizer stop

Estás a perceber ou precisas de um desenho para entender
que não devemos condenar sentimentos
por mais estranhos que pareçam
ou pensam que eu tambem nao me debati
resisti, tentei fugir
mas não consegui, pois compreendi
que é isto que eu quero, procuro e venero
mas que por enquanto está no papel
porque voçes ainda pensam como o Fidel
que apesar de ser um fantasma
continua a espalhar a sua mensagem
condenável, mas imparável
por um sistema programado
que não irá ser parado
até ser feita a revolução de Maio
sem Mil Águas passadas, até hoje inacabadas


Nao tragam armas para a revolução

Só o amor é a solução

Ou pelo menos é esta a nossa ilusão...

 

O importante é não desistir de lutar

E procurar repor a igualdade

Não importa a idade , raça, religião ou sexo

Vive o Amor e vive a Vida!

 

Diz não ao preconceito e a tudo o que fomenta a discriminação

Já disse e repito, essa não é a Solução

Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 18.set.2009, 16:02:37
Deixa-me ainda, amor, debruçar-me em teu rosto,
para ver se te acordo ao menos um instante;
e, ao cingir num abraço o teu corpo já morto,
ver se voltas a ser o meu jovem amante...

Dá-me só mais um beijo, o último de todos
- mas que seja igualmente o beijo mais perfeito! -
para que a tua alma, exilada do corpo,
eu a possa guardar no fundo do meu peito...

Hei-de beber-te assim a vida que te resta,
julgar que inda conservo o que afinal perdi,
enquanto noutro reino, entre sombras funestas,
um implacável deus me separa de ti.

Agora não duvido: esse deus é mais forte,
piois tudo quanto é belo acaba à sua sombra.
Porque sou imortal? Porque não vem a morte
arrastar-me também para onde te encontras?

Bíon  séc.III a.C Grécia  "Os dias do Amor- um poema para cada dia do ano" - compilação de poemas de amor...
Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 19.set.2009, 16:04:15
Se conseguires trepar a minha vedação,
sem te esvaires em sangue, sem mentiras
Podes ficar com tudo, até com o meu coração
Eu não em importo que te deixes intimidar,
Podes chamar-me manupilador ou assim
Mas se queres ter-me, se me queres?
Primeiro tens que em salvar de mim!

lol por mim!
Título: Re: Poesia
Enviado por: Angel of darkness em 22.set.2009, 22:08:56
Grostesco

Por Cury, por Kennedy, pelo tempo em vão
Eu te bano dos meus sonhos e do meu coração!
Cheira-te a amor? Mas a mim cheira a queimado!
Procura um pirómano em vez de mais um amado!

Agora não rastejes, levanta-te
Vira-me as costas e caminha
Para onde, daqui, eu não sinta o teu pulso!
E se morreres, eu não me culpo,
Não ardas no mesmo inferno que eu
Ou faço com que dele eu seja expulso!

Estas apaixonado?
(Tens apenas fome)
Sentes-te magoado?
(Uma vitima reagiu)
És falso como o amor de Hussein e Bush
Dizes ter coração bom, mas é de peluche…


Não pregues a dor que não sentes a vítima que não és
Só para teres fieis, iludidos, de volta dos teus pés.
Lava as mãos cheias de culpa antes de dormir
E enterras a verdade para ninguém saber que estas a mentir
És desesperante! Nem as vítimas consegues esconder!

Decode
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 23.set.2009, 18:52:11
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo;
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o estreitado aroma que subiu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo directamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sono.

Pablo Neruda  "Cien sonetos de amor"
Título: Re: Poesia
Enviado por: prettyinscarlet em 03.out.2009, 13:57:57
Na vida tudo tem suas fases,
Hoje, uma alegria constante
Amanhã lagrimas, tristeza e desespero
Procura-se então a felicidade constante.

Dificil conquista esta
A felicidade assim tão curta
A tristeza enche nos de lagrimas
e depois nosso rosto enxuta

Mas o coração esse não
ficou despedaçado e magoado
A raiva que a tristeza trouxe
faz com que não sejas perdoado

E assim se foi embora a paixão
o carinho o amor
tentamos ficar com a amizade
e livramo nos do rancor

Fico triste por não ser entendido
não me sei exprimir
tenho pena do que sinto
mas não do que quero sentir.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Dauphin em 07.nov.2009, 09:05:41
Invocação à Noite

Ó deusa, que proteges dos amantes
O destro furto, o crime deleitoso,
Abafa com teu manto pavoroso
Os importantes astros vigilantes:

Quero adoçar meus lábios anelantes
No seio de Ritália melindroso;
Estorva que os maus olhos do invejoso
Turbem d'amor os sôfregos instantes:

Tétis formosa, tal encanto inspire
Ao namorado Sol teu níveo rosto,
Que nunca de teus braços se retire!

Tarda ao menos o carro à Noite oposto,
Até que eu desfaleça, até que expire
Nas ternas ânsias, no inefável gosto.

                            Bocage
Título: Re: Poesia
Enviado por: Boreas em 27.nov.2009, 05:58:05
Quebradas já as minhas correntes,
O fio da espada trespassa excruciantemente a minha alma.
Fino cordel de sangue desfiado ordenadamente
contra este chão de pedra austero.
E confrontado com a calidez do rubro veículo interrogo-me
Porquê tamanha frieza?

É então que me revolto e liberto das palavras,
talvez por conselho de amigo,
adentrando na essência límbica de que o humano é ser.
Lanço-me então na escuridão tacteando,
convicto que cegueira é o meu apego à luz da razão.

Passo lento e arriscado,
temeroso, bem diferente de um soldado
e pouco ciente dos obstáculos ao meu caminho.
Aqui vou desarmado ao encontro do meu destino.

E de passo sensato assim mesmo eu choco,
com este Adamastor danado de aspecto regrado
que me barra o progresso.

É o simples desejo da curiosidade que me aguça,
encontrar a abertura deste muro de betão armado.

O que estás do outro lado?


Acordei?
Título: Re: Poesia
Enviado por: deep green eyes em 27.nov.2009, 14:57:06
"Os Meus Versos

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!...

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente...

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!... "

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
Título: Re: Poesia
Enviado por: Solitária em 20.dez.2009, 18:40:59
Passagem das horas - Álvaro de Campos

"Não sei sentir,não sei ser humano,
não sei conviver de dentro da alma triste,com os homens,meus irmãos na terra.
Não sei ser útil,mesmo sentindo ser prático,quotidiano,nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco,não sei qual,e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções,todos os pensamentos,todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda a gente.
Mas para toda agente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a excepção,o choque,a válvula,o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida,de tão interessante que é a todos os momentos,
a vida chega a doer,a enjoar,a cortar,a roçar,a ranger,
a dar vontade de dar pulos,de ficar no chão,
de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas,de todas as sacadas,
e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."
Título: Re: Poesia
Enviado por: Hal em 22.dez.2009, 01:38:31
A minha amante - Judith Teixeira


Dizem que eu tenho amores contigo!
Deixa-os dizer!…
Eles sabem lá o que há de sublime
Nos meus sonhos de prazer…
De madrugada, logo ao despertar,
Há quem me tenha ouvido gritar
Pelo teu nome…

Dizem - e eu não protesto -
Que seja qual for
o meu aspecto
tu estás
na minha fisionomia
e no meu gesto!

Dizem que eu me embriago toda em cores
Para te esquecer…
E que de noite pelos corredores
Quando vou passando para te ir buscar,
Levo risos de louca, no olhar!

Não entendem dos meus amores contigo -
Não entendem deste luar de beijos…
- Há quem lhe chame a tara perversa,
Dum ser destrambelhado e sensual!
Chamam-te o génio do mal -
O meu castigo…
E eu em sombras alheio-me dispersa…

E ninguém sabe que é de ti que eu vivo…
Que és tu que doiras ainda,
O meu castelo em ruína…
Que fazes da hora má, a hora linda
Dos meus sonhos voluptuosos -
Não faltes aos meus apelos dolorosos
- Adormenta esta dor que me domina!
Título: Re: Poesia
Enviado por: Kgirl em 22.dez.2009, 01:41:12
"Passei toda a noite", Alberto Caeiro


Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela, 
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.   
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, 
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.   
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. 
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.   
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
 
 
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 27.dez.2009, 17:37:15
Segredos de Amor - Casimiro de Abreu

Eu tenho uns amores - quem é que os não tinha
Nos tempos antigos? - Amar não faz mal;
As almas que sentem paixão como a minha
Que digam, que falem em regra geral.
- A flor dos meus sonhos é moça e bonita
Qual flor entreaberta do dia ao raiar,
Mas onde ela mora, que casa ela habita,
Não quero, não posso, não devo contar!

Seu rosto é formoso, seu talhe elegante,
Seus lábios de rosa, a fala é de mel,
As tranças compridas, qual livre bacante,
O pé de criança, cintura de anel;
- Os olhos rasgados são cor das safiras
Serenos e puros, azuis como o mar;
Se falam sinceros, se pregam mentiras,
Não quero, não posso, não devo contar!

Oh! ontem no baile com ela valsando
Senti as delícias dos anjos do céu!
Na dança ligeira qual silfo voando
Caiu-lhe do rosto seu cândido véu!
- Que noite e que baile ! - Seu hálito virgem
Queimava-me as faces no louco valsar,
As falas sentidas que os olhos falavam
Não posso, não quero, não devo contar!

Depois indolente firmou-se em meu braço,
Fugimos das salas, do mundo talvez!
Inda era mais bela rendida ao cansaço
Morrendo de amores em tal languidez!
- Que noite e que festa! e que lânguido rosto
Banhado ao reflexo do branco luar!
A neve do colo e as ondas dos seios
Não quero, não posso, não devo contar!

A noite é sublime! - Tem longos queixumes,
Mistérios profundos que eu mesmo não sei:
Do mar os gemidos, do prado os perfumes,
De amor me mataram, de amor suspirei!
- Agora eu vos juro... Palavra! - não minto
Ouvi-a formosa também suspirar;
Os doces suspiros que os ecos ouviram
Não quero, não posso, não devo contar!

Então nesse instante nas águas do rio
Passava uma barca, e o bom remador
Cantava na flauta: - "Nas noites d'estio
O céu tem estrelas, o mar tem amor!" -
- E a voz maviosa do bom gondoleiro
Repete cantando: - "viver é amar!" -
Se os peitos respondem à voz do barqueiro...
Não quero, não posso, não devo contar!

Trememos de medo... a boca emudece
Mas sentem-se os pulos do meu coração!
Seu seio nevado de amor se intumesce...
E os lábios se tocam no ardor da paixão!
- Depois... mas já vejo que vós, meus senhores,
Com fina malícia quereis me enganar.
Aqui faço ponto; - segredos de amores
Não quero, não posso, não devo contar!

Título: Re: Poesia
Enviado por: Hal em 11.jan.2010, 03:25:30
Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.


Fernando Pessoa
Título: Joaquim Paço de Arcos e o 25 de Abril
Enviado por: Ian Smith em 17.jan.2010, 12:13:01
Duzentos capitães! Não os das caravelas,
Não os heróis das descobertas e conquistas,
A Cruz de Cristo erguida sobre as velas
Como um altar
Que os nossos marinheiros levavam pelo mar
À terra inteira!
(Ó esfera armilar.
Que fazes hoje tu nessa bandeira?)
Ó marujos do sonho e da aventura,
Ó soldados da nossa antiga glória,
Por vós o Tejo chora,
Por vós põe luto a nossa História!
Duzentos capitães! Não os de outrora...
Duzentos capitães destes de agora,
(Pobres inconscientes)
Levando hílares, ufanos e contentes
A Pátria à sepultura,
Sem sequer se mostrarem compungidos
Como é dever dos soldados vencidos.
Soldados que sem serem batidos
Abandonaram terras, armas e bandeiras,
Populações inteiras
Pretos, brancos, mestiços
(Milagre português da nossa raça)
Ao extermínio feroz da populaça,
Ó capitães traidores dum grande ideal
Que tendo herdado um Portugal
Longínquo e ilimitado como o mar
Cuja bandeira, a tremular,
Assinalava o infinito português
Sob a imensidade do céu,
Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,
Um Portugal em miniatura,
Um Portugal de escravos
Enterrado num caixão d’apodrecidos cravos!
Ó tristes capitães ufanos da derrota,
Ó herdeiros anões de Aljubarrota,
Para vossa vergonha e maldição
Vossos filhos mais tarde ocultarão
Os vossos apelidos d'ignomínia...
Ó bastardos duma raça de heróis,
Para vossa punição
Vossos filhos morrerão
Espanhóis!

10 de Junho de 1975 (antigamente Dia da Raça).
Joaquim Paço D'Arcos
Título: Re: Poesia
Enviado por: anjo azulado em 26.jan.2010, 16:28:03
o mar está vazio
a estrada não anda
a praça partiu
o tempo é que manda

as cadeiras se calam
a noite está a dormir
as ruas falam
que aqueles olhos ainda estão pra vir

as paredes estão descaidas
as luzes morrem na solidão
as ruas procuram saidas
na esperança de que te encontrarão

as horas ficam desesperadas
o café precisa de te ver
as pedras precisam das tuas pisadas
para poderem viver

                           Anjo Azulado
Título: Re: Poesia
Enviado por: bluesoul em 06.fev.2010, 21:32:24
Porque Não Me Vês - Fausto Bordalo Dias


Meu amor adeus
Tem cuidado
Se a dor é um espinho
Que espeta sozinho
Do outro lado
Meu bem desvairado
Tão aflito
Se a dor é um dó
Que desfaz o nó
E desata um grito
Um mau olhado
Um mal pecado
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
Porque não me vês
Maresia
Se a dor é um ciúme
Que espalha um perfume
Que me agonia
Vem me ver amor
De mansinho
Se a dor é um mar
Louco a transbordar
Noutro caminho
Quase a espraiar
Quase a afundar
E a saudade é uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
Título: Re: Poesia
Enviado por: Hélder em 06.fev.2010, 23:44:29
OMG, só coisas bonitas aqui, eu derreto-me todo a ler isto, parabéns estão fantásticos os poemas ;D :D ;) :)
Título: Re: Poesia
Enviado por: far_away em 07.fev.2010, 14:12:52
Ao vento,

Passas suavemente emanando calmaria.
Trazes contigo um travo salgado,
Prenúncio do toque enternecido do mar.
Num segredo só teu, sussuras um nome baixinho
E eu daria a vida para o soletrar.
Título: Re: Poesia
Enviado por: ópio em 07.fev.2010, 14:33:18
Passagem das horas - Álvaro de Campos

"Não sei sentir,não sei ser humano,
não sei conviver de dentro da alma triste,com os homens,meus irmãos na terra.
Não sei ser útil,mesmo sentindo ser prático,quotidiano,nítido.
Vi todas as coisas e maravilhei-me de tudo.
Mas tudo ou nada sobrou ou foi pouco,não sei qual,e eu sofri.
Eu vivi todas as emoções,todos os pensamentos,todos os gestos.
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda a gente.
Mas para toda agente isso foi normal e institivo.
Para mim sempre foi a excepção,o choque,a válvula,o espasmo.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto demais ou de menos.
Seja como for a vida,de tão interessante que é a todos os momentos,
a vida chega a doer,a enjoar,a cortar,a roçar,a ranger,
a dar vontade de dar pulos,de ficar no chão,
de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas,de todas as sacadas,
e ir ser selvagem entre árvores e esquecimentos."


Sensibilidade poética...

Título: Re: Poesia
Enviado por: caissico em 09.fev.2010, 22:12:23
Irei escrever todos os teus traços,
a meia luz, esta noite,
irei provar-te o quão  vivos eles estão em mim,
o quão presente estás no meu coração.
Irei admirar cada palavra como admiro loucamente o teu sorriso,
secreto e meigo.
Quando o sol voltar, reabrirei os olhos para ver o mundo,
onde tu não estás.

=)
Por Carina Correia
Título: Re: Poesia
Enviado por: Draco em 10.fev.2010, 00:00:03
Arremessados para os confins da existência eles foram
Vetados aos próprios sentimentos e escravos do vazio da alma
Vaguearam no deserto da ilusão
Pisando por mundos de desilusão
Dor, angústia e devastação

Percorreram o mundo e nele nada encontraram
Que os fizesse parar o seu percurso
Sofrego, sujo e maldito

Choraram até secarem por completo
Gritaram até calarem para sempre
E, com o silêncio ensurdecedor
De corações que não deixam de bater
Por mais morto que o corpo esteja
E mais corrompida se tenha tornado a alma,
Cegaram com o que viram

Pediram a morte
Mas ela não chegou
Pois a eles não tinha ordem
De tocar com a sua foice de vidas
Indestrutível e implacável
Até para com o ser mais amável

Perdidos no desespero
Deitaram seus corpos fragilizados
No chão duro e resistente
E suspiraram ao vento
Que levou os seus suspiros com ele
E a dor era tanta que nem o vento resistiu
E também este deixou de soprar

Aí chegou ela
Com toda a sua força os tentou reanimar
Animais ressuscitaram, plantas desabrucharam
Mas eles no chão deitados continuaram
Mais uma vez ela tentou com todo o seu poder
Mas nada, então ela tentou ainda com mais força
E os elementos voltaram a vibrar
Mas eles no chão continuavam
Já exausta, ela decidiu usar todo o poder pelo qual era conhecida
E assim o fez e assim ela própria se desfez

Pétalas de rosa voaram para longe
Mas nem longe as memórias se desvanesceram
E até as pétalas da rainha das rainhas acabaram por murchar.

Eles no chão arrasados permaneciam
Sem se poderem tocar
Um ao lado do outro
Ali agoniavam a sua natureza
Que morrera por eles
Que sucumbira por eles
Que se sacrificara por eles

A chuva caiu e suas caras molhou
Puderam acalmar a secura de suas almas
Mas estas permaneciam secas
Por algo que lhes fora retirado
Por algo que não escolheram ter
Por algo que rejeitaram
E nesses últimos pensamentos ficaram
Enquanto ardiam por dentro
Pelo que lhes tinha acontecido
Pelo que lhes tinham feito
Pelo que eles fizeram

Até que a chuva se tornou salgada
Ou seriam já os seus sentidos enfraquecidos
A entrarem em devaneios finais
Mas sem dúvida que a chuva era salgada
Salgada e humana
Pois das faces de suas mães provinha
"Filho porque fizeste isso?"
"Filho não quero que sofras"
Ecoavam pelos ares já quase putrefactos
De dois corpos prestes a entrar em decomposição
"Filho meu que te amo"
"Filho ainda estás a tempo"
"Filho deixa-me pegar na tua mão"
E o corpo do filho deixou
Que a mão quente e calosa da mãe
Tocasse na sua mão fria mas ainda viva
"Filho, aceita a tua natureza
Não queiras sofrer mais"
Assim continuava a voz da mãe da mão calosa...
E a outra mãe com mãos igualmente quentes
Mas delicadas e finas agarrou
A mão do filho
Que ao mesmo tempo que o outro deram um sinal de SIM
E duas lágrimas finais soltaram
Um grito de dor
Dois gritos de dor
A chuva continuou e forte.

No final as mãos uniram, finalmente,
Eles morreram no dia em que nasceram
Elas nasceram no dia em que eles morreram
No final nada
Apenas mais uma ilusão do que seria
Se tudo fosse diferente
Se tudo não fosse um acidente
Da mente humana e do preconceito humano
Que provocara mais do que duas vítimas
Que se deixaram levar até ao fim pela Dor
Mas que acabaram por aceitar o AMOR

(Anónimo)

Título: Re: Poesia
Enviado por: ♙Angelita/Devilita♟ em 04.mar.2010, 14:35:29
poema em linha recta- Fernando Pessoa (http://www.youtube.com/watch?v=CozIGkNVhJM#normal)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Apollo em 26.mai.2010, 14:42:15
No meu petit cahier comecei uma série de anotações... intitulam-se «Breve Manual para deixar de Ser Português»...

A inspiração...

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, c* pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a m**** o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não.


Jorge de Sena
Título: Re: Poesia
Enviado por: Black em 02.jun.2010, 21:58:44
poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,...
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade. Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...


Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: Wanted em 02.jun.2010, 22:20:39
Senti-me leve
Até ao toque mais submisso
De um amor
Nada mais do que verdadeiro,

E o meu peito encheu-se de alegria
E consegui ver,
Nos teus olhos,
As palavras que nem eu consigo exprimir...

( by myself ) :)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Hélder em 03.jun.2010, 00:28:20
Disseste palavras que vou recordar
Palavras sinceras, palavras no ar.
Dexaste o silêncio, não sei quanto tempo ;
e tantas promessas, como um juramento.

Deixaste a essência no ar, o perfume
E no coração, o fogo que é lume e arde
Não sei se vou ter força p'ra esperar.

Quando o amor chega
Chega ao coração,
No ar ha ilusão
Quando o amor chega,
Tudo é melhor
A vida ganha côr.


Festival RTP 2001 - Entre-Act - Quando O Amor Chega (http://www.youtube.com/watch?v=8DQ_GtFa30c#lq-lq2-hq-vhq)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 03.jun.2010, 11:50:39
poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,...
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade. Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Fernando Pessoa
Gosto muito do poema e de Fernando Pessoa. [smiley=enamorado.gif]

Senti-me leve
Até ao toque mais submisso
De um amor
Nada mais do que verdadeiro,

E o meu peito encheu-se de alegria
E consegui ver,
Nos teus olhos,
As palavras que nem eu consigo exprimir...

( by myself ) :)

Está bonito e eu gostei. :up
Título: Re: Poesia
Enviado por: Wanted em 03.jun.2010, 11:53:17
são aqueles rasgos de inteligência que se apoderam de mim por vezes...


"Florbela Espanca" ;)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 03.jun.2010, 12:03:07
são aqueles rasgos de inteligência que se apoderam de mim por vezes...


"Florbela Espanca" ;)

Também gosto muito da poesia de Florbela Espanca. [smiley=sim.gif]
Título: Re: Poesia
Enviado por: Wanted em 03.jun.2010, 12:05:03
são aqueles rasgos de inteligência que se apoderam de mim por vezes...


"Florbela Espanca" ;)

Também gosto muito da poesia de Florbela Espanca. [smiley=sim.gif]

aquela sub- loucura sempre me fascinou...
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 03.jun.2010, 12:10:22
são aqueles rasgos de inteligência que se apoderam de mim por vezes...


"Florbela Espanca" ;)

Também gosto muito da poesia de Florbela Espanca. [smiley=sim.gif]

aquela sub- loucura sempre me fascinou...

Eu gosto muito de poesia e, como é óbvio, há determinados escritores que me fascinam mais do que outros. Fernando Pessoa e Florbela Espanca são, sem dúvida, dos que mais me fascinam.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Wanted em 03.jun.2010, 12:14:12
são aqueles rasgos de inteligência que se apoderam de mim por vezes...


"Florbela Espanca" ;)

Também gosto muito da poesia de Florbela Espanca. [smiley=sim.gif]

aquela sub- loucura sempre me fascinou...

Eu gosto muito de poesia e, como é óbvio, há determinados escritores que me fascinam mais do que outros. Fernando Pessoa e Florbela Espanca são, sem dúvida, dos que mais me fascinam.

 tambem adoro poesia.. adoro ler e escrever... mas a poesia, e uma forma tao mais bela de mostrar as nossas letras...as nossas ideias e pensamentos
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 03.jun.2010, 12:22:44
tambem adoro poesia.. adoro ler e escrever... mas a poesia, e uma forma tao mais bela de mostrar as nossas letras...as nossas ideias e pensamentos

É verdade. [smiley=sim.gif]  Eu também gosto de ler, mas gosto muito mais de escrever. Já escrevi poesia, mas agora não. Agora, escrevo mais daqueles tipos de texto um pouco mais extensos, como crónicas, por exemplo. ;D

E pronto, tinha de responder.  lol
Título: Re: Poesia
Enviado por: Wanted em 03.jun.2010, 12:32:51
tambem adoro poesia.. adoro ler e escrever... mas a poesia, e uma forma tao mais bela de mostrar as nossas letras...as nossas ideias e pensamentos

É verdade. [smiley=sim.gif]  Eu também gosto de ler, mas gosto muito mais de escrever. Já escrevi poesia, mas agora não. Agora, escrevo mais daqueles tipos de texto um pouco mais extensos, como crónicas, por exemplo. ;D

E pronto, tinha de responder.  lol
De maos esguias, finas hastes,
que o vento não baloiça em noites quentes...
Nocturno de chopin...risos dolentes...
versos tristes em sonhos de poetas...

Beijo doce de aromas peturbantes...
Rosal bendito que dá rosas...Dantes
Era era eu e eu era a idolatrada!...


Forbela Espanca
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 03.jun.2010, 16:32:59
Intervalo

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado -
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?
Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?

Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?

Seja o que for, quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?

Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca -
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.

Fernando Pessoa

                                                                 

Em busca do amor

O meu Destino disse-me a chorar:
"Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar."

Fui pela estrada a rir e a cantar
As contas do meu sonho desfiando…
E a noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando…

Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu… olhou…e riu…

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados…
E eu paro a murmurar: "Ninguém o viu!…"

Florbela Espanca
Título: Re: Poesia
Enviado por: _Margot_ em 03.jun.2010, 16:38:18
Spring: Leste-me os pensamentos, esse é um dos meus preferidos da Florbela Espanca.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 03.jun.2010, 16:47:26
Spring: Leste-me os pensamentos, esse é um dos meus preferidos da Florbela Espanca.

A sério?! :o :)  Também é um dos meus preferidos.
Título: Re: Poesia
Enviado por: _Margot_ em 03.jun.2010, 16:48:26
Spring: Leste-me os pensamentos, esse é um dos meus preferidos da Florbela Espanca.

A sério?! :o :)  Também é um dos meus preferidos.
;)
Título: Re: Poesia
Enviado por: _tiago_ em 04.jun.2010, 01:15:39
Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.


Fernando Pessoa

Até fico sem palavras...
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spring em 04.jun.2010, 01:23:53
Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.


Fernando Pessoa

Até fico sem palavras...

Simplesmente, lindo.
Título: Re: Poesia
Enviado por: blond_cherry em 04.jun.2010, 20:31:59
poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,...
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade. Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...


Fernando Pessoa

Gosto  :up

És uma querida  :-*
Título: Re: Poesia
Enviado por: hold_my_hand em 05.jun.2010, 00:43:37


Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Sophia de Mello Breyner Andresen


Título: Re: Poesia
Enviado por: Wanted em 05.jun.2010, 18:15:42
Terror num dia frágil,
Que acalma a brisa no teu cabelo
Quando brilha...Subtil...

Sorris,
E logo enegreço,
Basta olhares,
E Logo transpareço...

(by myself) outra vez.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Chico00 em 05.jun.2010, 18:57:53
Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Título: Re: Poesia
Enviado por: btsferreira em 05.jun.2010, 21:37:37
It seems like this? came on me
I'm lost in a sea of misery
My love has turned his back on me
Heartache, why won't ya let me be

I said now, baby
Have some mercy please
Don't make me beg on a bended knees
Oh please, mercy mercy mercy please
Have mercy on me
Mercy mercy mercy please

Oh, how can i face life, without you
What would i do if we were through

Don't you know, babe
I wait for you
Every single night
Hoping you'll return and make things right

You don't show and i'm sittin' here
All alone, all alone
To pray you're gonna call me on the phone
Baby have some mercy please
Don't make your mama beg on a bended knees
Oh please, mercy mercy mercy please
Have mercy on me
Mercy mercy mercy please

You know i love you
And i'm beggin'
For one more chance, one chance, once more

Mmm hmmm, i know
Life's got many a twist
But lovin' you, danny
Is the thing i cannot resist
Your love and understanding
You been givin', givin', givin'
Without it i just can't go on livin'

Baby have some mercy please
Don't me beg on bended knees
I said mercy, mercy, mercy
Woah, please have mercy on me
Mercy, mercy, mercy, woooo
Have mercy on me baby

One more time
Have mercy on me baby
Título: Re: Poesia
Enviado por: Black em 07.jun.2010, 20:56:37
 :)  :-*
Título: Re: Poesia
Enviado por: good_boy21 em 07.jun.2010, 21:07:51
"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."
     
                 FERNANDO PESSOA

~

Simplesmente Pessoa! Grande poema...
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 25.jun.2010, 13:25:54
Se sou alegre ou sou triste?
Francamente, não o sei
A tristeza em que consiste?
Da alegria, o que farei?

Não sou alegre nem triste
Verdade, não sou o que sou
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou

Afinal alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim
Mas a alegria é assim

Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: Agamemnon em 25.jun.2010, 13:50:09
A MA FILLE

O mon enfant, tu vois, je me soumets.
Fais comme moi: vis du monde éloignée;
Heureuse? non; triomphante? jamais.
-- Résignée! --

Sois bonne et douce, et lève un front pieux.
Comme le jour dans les cieux met sa flamme,
Toi, mon enfant, dans l'azur de tes yeux
Mets ton âme!

Nul n'est heureux et nul n'est triomphant.
L'heure est pour tous une chose incomplète;
L'heure est une ombre, et notre vie, enfant,
En est faite.

Oui, de leur sort tous les hommes sont las.
Pour être heureux, à tous, -- destin morose! --
Tout a manqué. Tout, c'est-à-dire, hélas!
Peu de chose.

Ce peu de chose est ce que, pour sa part,
Dans l'univers chacun cherche et désire:
Un mot, un nom, un peu d'or, un regard,
Un sourire!

La gaîté manque au grand roi sans amours;
La goutte d'eau manque au désert immense.
L'homme est un puits où le vide toujours
Recommence.

Vois ces penseurs que nous divinisons,
Vois ces héros dont les fronts nous dominent,
Noms dont toujours nos sombres horizons
S'illuminent!

Après avoir, comme fait un flambeau,
Ébloui tout de leurs rayons sans nombre,
Ils sont allés chercher dans le tombeau
Un peu d'ombre.

Le ciel, qui sait nos maux et nos douleurs,
Prend en pitié nos jours vains et sonores.
Chaque matin, il baigne de ses pleurs
Nos aurores.

Dieu nous éclaire, à chacun de nos pas,
Sur ce qu'il est et sur ce que nous sommes;
Une loi sort des choses d'ici-bas,
Et des hommes!

Cette loi sainte, il faut s'y conformer.
Et la voici, toute âme y peut atteindre:
Ne rien haïr, mon enfant; tout aimer,
Ou tout plaindre!


Paris, octobre 1842.

(http://www.decitre.fr/gi/09/9782070320509FS.gif)

 [smiley=enamorado.gif] [smiley=enamorado.gif] [smiley=enamorado.gif] [smiley=enamorado.gif]

Je t'aime mon Hugo à moi! :'( Este poema funda toda uma filosofia da história. É absolutamente notável.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Little Sally em 25.jun.2010, 14:11:44
há uns tempos encontrei poesia de Safo, uma lesbica da antiguidade que teve uma historia dificil.. se nao me engano é grega.
a poesia dela eram cartas á mulher que ela amava.

A uma mulher amada

Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro... eu tremo.

Título: Re: Poesia
Enviado por: Inesmargarida em 27.jun.2010, 19:55:19
eu tenho um site de poesia, e de textos... se quiserem aqui está : www.openingview.blogspot.com (http://www.openingview.blogspot.com)
Título: Re: Poesia
Enviado por: blanksheet em 11.jul.2010, 12:01:50
Se sou alegre ou sou triste?
Francamente, não o sei
A tristeza em que consiste?
Da alegria, o que farei?

Não sou alegre nem triste
Verdade, não sou o que sou
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou
Pensar nunca tem bom fim
Afinal alegre ou triste?

Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim
Mas a alegria é assim

Fernando Pessoa



"Pensar nunca tem bom fim"
Título: Poesia....
Enviado por: Sofia5249 em 15.jul.2010, 09:50:06
Olá a todos...

Eu sou a Ana,
e tenho uma paixão por poesia...
~~~~ãdoro escrever, e a quem diga que até tenho geito, mas eu nem acho isso.... Mas Pronto...

Adoro ler poesia, desde Pablo Neruda ate Fernando Pessoa, passando também pelo Mia Couto (MY FAVOURITE!!)..

Gostava de saber se gostam de escrever ou mesmo ler poesia e quais é que preferem.... :)
Título: Re: Poesia....
Enviado por: Agamemnon em 15.jul.2010, 12:07:36
Olá Ana! Bem-vinda ao fórum! :)

Olha, já há um tópico sobre poesia. Podes encontrá-lo aqui (https://www.rea.pt/forum/index.php?topic=7928.0).

Porque não postas uns poemas teus para comentarmos?

Beijinho ;)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Sofia5249 em 15.jul.2010, 12:11:11
Os meus poemas não se comparam ao que voces escrevem.... Voces são demais....

Mas mesmo assim vou partilhar aqui um convosco

Não tem titulo, e por acaso se podessem sugerir uns titulos eu gostava...


CA VAI


Sentada no ramo de uma árvore a ver as pessoas passar,
Passou uma bela princesa por quem me fui apaixonar.

Princesa essa, que tinha tudo o que podia,
Os pais davam-lhe tudo, menos o que ela queria.

Ela queria um amor verdadeiro, queria poder se apaixonar,
Enquanto ela se lamentava saltei eu do ramo e fui lá a consolar.

Foi o nosso primeiro contacto mas impossível de esquecer,
Ela teve de se ir embora e eu disse foi um prazer.

Desde esse dia ela ia lá para me ver,
Falamos, rimos e digo-vos que fui-me apaixonando sem me aperceber.

Sem se aperceber ela também se começou a apaixonar,
Quando se aercebeu começou a chorar.

Tinha casamento marcado e não o podia desfazer,
Por isso, a partir de um certo dia deixou de aparecer.

Fiquei triste sem a ver, sem com ela falar,
Apetecia-me morrer, queria chorar.

Mas depois voltou a aparecer e pediu para com ela fugir,
Olhei para ela e disse-lhe que sim, a sorrir.

Fugimos juntas e ninguém nos descobriu,
Mas a certa altura a duvida surgiu.

Surgiu a duvida mas depressa terminou,
Ficamos felizes para sempre e aqui a história acabou.



Digam-me o que acham, e sejam sinceros...
Título: Re: Poesia
Enviado por: Destiny em 15.jul.2010, 12:24:50
Os meus poemas não se comparam ao que voces escrevem.... Voces são demais....

Mas mesmo assim vou partilhar aqui um convosco

Não tem titulo, e por acaso se podessem sugerir uns titulos eu gostava...


CA VAI
Spoiler (clica para mostrar/esconder)


Digam-me o que acham, e sejam sinceros...
bem para começar ao dizeres que não se compara tens razão, "cada poema é um poema" e os teu tambem é demais
 Achei o teu muito fixe, de facto tens umas rimas fantásticas... bem em geral adorei o teu poema, publica mais   :D ;) 
Título: Re: Poesia
Enviado por: Sofia5249 em 15.jul.2010, 12:27:35
Estás apenas a ser modesta para não parecer mal, mas talvez publique....

Vou publicar aqui mais um....

São poucos os segundos,
Mas mesmo poucos eu preciso.
Porque cada segundo ao teu lado,
É como um ano no paraiso.

O paraiso para mim,
É onde quer que tu estejas.
Porque graças ao teu sorriso, pra mim,
O sol brilha mesmo que não vejas.

Mesmo que não vejas, ou não queiras ver,
O teu sorriso é o que faz o sol renascer.
Nunca há noite ou tristeza onde estás,
Só alegria onde quer que vás.

Onde quer que vás eu sonho estar,
Pois ao pé de ti sempre quero ficar.
Isto assim não pode continuar,
Não consigo deixar de te amar.

Não consigo deixar de te amar,
E não é o que quero fazer.
Porque se eu não te amar,
Não tenho razões para viver.



Este é ainda pior que o outro, estava in love quando o escrevi....
Título: Re: Poesia
Enviado por: m_RaQuEL em 15.jul.2010, 12:44:03
Txi, olha tá muito fixe mesmo. Essa miúda deve ser especial  ::)

E gosto do idealismo, a ideia do perfeito, que é um bocado sonhado, mas pronto. Continua  ;)

Spoiler (clica para mostrar/esconder)

Boa inspiração qd tás in love. Aproveita ao menos isso  :P
Título: Re: Poesia
Enviado por: Sofia5249 em 15.jul.2010, 12:46:40
Txi, olha tá muito fixe mesmo. Essa miúda deve ser especial  ::)

E gosto do idealismo, a ideia do perfeito, que é um bocado sonhado, mas pronto. Continua  ;)

Spoiler (clica para mostrar/esconder)

Boa inspiração qd tás in love. Aproveita ao menos isso  :P

Bem, é assim eu na altura escrevi esses poemas porque tava in love, tambem escrevo quando estu mal, mas esses ficam mesmo maus..... obrigado pelo comentário....
E as princesas existem mas tenho pena de ainda não ter encontrado a minha verdadeira princesa.....
Título: Re: Poesia
Enviado por: Destiny em 15.jul.2010, 13:17:33
Bem não tava a ser modesta, apenas realista... de facto acho que fazes poemas muito fixes
E como a raquel disse, in love e uma boa inspiração  ;)

Bem, é assim eu na altura escrevi esses poemas porque tava in love, tambem escrevo quando estu mal, mas esses ficam mesmo maus.....
Maus não ficam, ficam e talvez com uma energia mais negativa, mas ele ao escreve los "alivia-te" então estao bons, porque expressam algo que estavas a viver...

E as princesas existem mas tenho pena de ainda não ter encontrado a minha verdadeira princesa.....
Ahh deixa la mais tarde ou mais cedo ela aparece-te a frente  ;)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Sofia5249 em 15.jul.2010, 13:23:49
O medo é que ela já tenha aparecido e eu não tenha dado o devido valor, ou que a esteja a perder....
Título: Re: Poesia
Enviado por: Destiny em 15.jul.2010, 13:28:31
Todos nos temos os direito de errar, e todos temos sempre uma 2ª oportunidade, so temos e que lutar por ela
Título: Re: Poesia
Enviado por: Sofia5249 em 17.jul.2010, 18:44:08
Bem, cá vai mais um poema meu....

Estava eu sentada...
A olhar para o mar...
Tentar ver a sua beleza...
Mas a só conseguir em ti pensar...

Tua beleza ultrapassa a do mar..
Ultrapassa a do céu com a lua a brilhar...
O tua beleza é algo único no mundo...
Da tua beleza interior lembro-me a cada segundo...

Tens uma beleza interior que ninguém consegue igualar...
É uma beleza dificil de perceber...
Uma beleza por vezes difícil de amar...
Mas ao mesmo tempo uma beleza impossivel de esquecer...


espero que gostem
Spoiler (clica para mostrar/esconder)
Título: Re: Poesia
Enviado por: She Wants Revenge em 21.jul.2010, 22:13:59
que este foi lido uma vez pela minha profesora de portugues na aula da rapariga de quem eu gostava  >:(

Acontece.. =/



Adorei este poema...

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!"

...que postaram anteriormente..  :)   Alguém me sabe dizer se é mesmo de Fernando Pessoa..?




How shall the burial rite be read?
The solemn song be sung?
The requiem for the loveliest dead,
That ever died so young?

Her friends are gazing on her,
And on her gaudy bier,
And weep!--oh! to dishonor
Dead beauty with a tear!


They loved her for her wealth--
And they hated her for her pride--
But she grew in feeble health,
And they _love_ her--that she died.

They tell me (while they speak
Of her "costly broider'd pall")
That my voice is growing weak--
That I should not sing at all--


Or that my tone should be
Tun'd to such solemn song
So mournfully--so mournfully,
That the dead may feel no wrong.


But she is gone above,
With young Hope at her side,
And I am drunk with love
Of the dead, who is my bride.--

Of the dead--dead who lies
All perfum'd there,
With the death upon her eyes.
And the life upon her hair.


Thus on the coffin loud and long
I strike--the murmur sent
Through the gray chambers to my song,
Shall be the accompaniment.


Thou diedst in thy life's June--
But thou didst not die too fair:
Thou didst not die too soon,
Nor with too calm an air.


From more than friends on earth,
Thy life and love are riven,
To join the untainted mirth
Of more than thrones in heaven.--


Therefore, to thee this night
I will no requiem raise,
But waft thee on thy flight,
With a Pæan of old days.

By the great and tallented Edgar Allan Poe
Título: Re: Poesia
Enviado por: caissico em 21.jul.2010, 22:35:44



Este é ainda pior que o outro, estava in love quando o escrevi....
>:( pior? :o
Fiquei chocada. Dá valor ao que escreves, não existe um modelo, o que escrevemos e a forma como nos expressamos necessáriamente não se aprende na escola. Cada pessoa a seu jeito e do seu próprio modo constrói a sua obra. E quando escrevemos in love. Esses costumam ser bem mais "claros". Envolvem eles sentimentos.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Boreas em 22.jul.2010, 09:00:42
Não consigo apreciar quase nada de poesia, para grande pena minha  :-\
Título: Re: Poesia
Enviado por: Inesmargarida em 22.jul.2010, 12:33:57
Não consigo apreciar quase nada de poesia, para grande pena minha  :-\
isso é porque ainda não encontraste um poema\escritor que te agrade mesmo. quando descobrires vais poder apreciar dessa poesia :)
foi o que aconteceu com a minha tia, ela odiava poesia, nunca lia, e eu tenho familia que é poeta, contudo ela leu um dos meus poemas e gostou muito :D
Título: Re: Poesia
Enviado por: Boreas em 22.jul.2010, 14:40:12
Não consigo apreciar quase nada de poesia, para grande pena minha  :-\
isso é porque ainda não encontraste um poema\escritor que te agrade mesmo. quando descobrires vais poder apreciar dessa poesia :)
foi o que aconteceu com a minha tia, ela odiava poesia, nunca lia, e eu tenho familia que é poeta, contudo ela leu um dos meus poemas e gostou muito :D

Eu disse quase nada exactamente porque aprecio muito a escrita poética de uma certa pessoa aqui do fórum  ;)
(também preciso de conhecer mais)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Inesmargarida em 22.jul.2010, 15:27:20
Não consigo apreciar quase nada de poesia, para grande pena minha  :-\
isso é porque ainda não encontraste um poema\escritor que te agrade mesmo. quando descobrires vais poder apreciar dessa poesia :)
foi o que aconteceu com a minha tia, ela odiava poesia, nunca lia, e eu tenho familia que é poeta, contudo ela leu um dos meus poemas e gostou muito :D

Eu disse quase nada exactamente porque aprecio muito a escrita poética de uma certa pessoa aqui do fórum  ;)
(também preciso de conhecer mais)
estás a ver? nem sempre os melhores escritores agradam a todos :) e ainda bem que gostas.
Título: Re: Poesia
Enviado por: She Wants Revenge em 22.jul.2010, 19:38:35
Eu cá aprecio quase todo o tipo de poesia.. Quer em português quer em inglês.. Mas principalmente a lírica..
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 27.jul.2010, 23:08:50
Eu cá aprecio quase todo o tipo de poesia.. Quer em português quer em inglês.. Mas principalmente a lírica..

Já somos duas! ;D Quer dizer, tirando a inglesa, que eu não percebo...

Quanto ao poema, na maioria dos sites em que ele está o autor é mesmo o Fernando Pessoa...

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: Hélder em 27.jul.2010, 23:46:04
Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.

Título: Re: Poesia
Enviado por: Sofia5249 em 28.jul.2010, 17:25:11
Eu cá aprecio quase todo o tipo de poesia.. Quer em português quer em inglês.. Mas principalmente a lírica..

Já somos duas! ;D Quer dizer, tirando a inglesa, que eu não percebo...

Quanto ao poema, na maioria dos sites em que ele está o autor é mesmo o Fernando Pessoa...

"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa


Lindo, Lindo, Lindo

Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.

Pode ser que um dia o tempo passe...
Mas, se a amizade permanecer,
Um de outro se há-de lembrar.

Pode ser que um dia nos afastemos...
Mas, se formos amigos de verdade,
A amizade nos reaproximará.

Pode ser que um dia não mais existamos...
Mas, se ainda sobrar amizade,
Nasceremos de novo, um para o outro.

Pode ser que um dia tudo acabe...
Mas, com a amizade construiremos tudo novamente,
Cada vez de forma diferente.
Sendo único e inesquecível cada momento
Que juntos viveremos e nos lembraremos para sempre.

Há duas formas para viver a sua vida:
Uma é acreditar que não existe milagre.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre.



Adoro está lindo
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 31.jul.2010, 21:04:57

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar


Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.


O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...


Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.


Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Cecília Meireles
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 05.ago.2010, 22:03:21
I'm empty again,
nothing does this empty chest feel.
I thought these days were gone,
I was mistaken once more.

Clouds are gathering round
trapping and blinding me.
I'm a blind man,
lonely walking a deserted road.

I wish for the rain to wash away my sins,
make me pure again.
I really wish it could.
But I know I'm too far gone,
lost in my own randomness and uselessness.

Sorrow fills my nights
and my eyes burn with tears.
I long for a rapid closure
as I helplessly watch
my feeble soul decay.
Título: Re: Poesia
Enviado por: R-lig em 22.ago.2010, 00:48:32
Desinspirado para escrever,
Vazio para pensar,
Oco de sentir,
quisera eu outrora assim estar,

Queria fazer o tempo voltar
fazer o mundo girar para traz,
sentir novamente, nos meus ouvidos,
O toque das palavras que guardei,
Como arrepios amargos e doces no meu peito,
que me ferem e consolam,
que me tratam e curam,
que me acarinham e fazem chorar
Recordam-me como é amar,
Como amar pode ser abdicar,
como abdicar faz sofrer,
Se tudo o que resta das palavras,
São desenhos na memória,
Se as palavras lembram o toque,
Mas por trás da lembrança nada há para além dela,
Pois se abdicar por amar é afastar,
fico então,
Desinspirado para escrever,
Vazio para pensar,
Oco de sentir,
quisera eu outrora assim estar!
Título: Re: Poesia
Enviado por: Til em 01.set.2010, 01:08:34
Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
   
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
 
Ah,  pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
   
És importante para ti, porque é a ti que te sentes. 
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.   
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?   
   
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido?  O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
   
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...


Álvaro de Campos  :heart
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 02.set.2010, 02:40:24
Se te queres matar, porque não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por actores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fim?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
   
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?
Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?
Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
 
Ah,  pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?
   
És importante para ti, porque é a ti que te sentes. 
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjectividade objectiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.   
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?   
   
Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido?  O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?
   
Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células nocturnamente conscientes
Pela nocturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atómica das coisas,
Pelas paredes turbilhonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...


Álvaro de Campos  :heart

Amooo  :heart :heart
Título: Re: Poesia
Enviado por: s. em 04.set.2010, 13:06:58
e Manuela Amaral alguém conhece?

"RECADO SEXUAL


Não gosto das mulheres
- Só gosto da Mulher


Não gosto do homem
- Só gosto dos Homens


E que cada um pense de mim o que quiser."

"(A)normalidade

Já disse
e reafirmo
que não sou normal.

Como
durmo
bebo

Faço amor
faço amigos
e poemas

Faço dinheiro no cmprego

Mas nunca serei normal.

Falta-me um estilo de vida
a condizer com o estatuto
de uma pessoa integrada
(e muito bcm comportada)
na mentira social

Falta-me ser medíocre

Já disse
Não sou normal."


Título: Re: Poesia
Enviado por: pepe444 em 04.set.2010, 13:35:22
"No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas..."
Título: Re: Poesia
Enviado por: dom_4 em 22.set.2010, 17:38:23
A vida é um Poema
[/size]

Fiz da vida um poema
Fiz dos obstáculos um dilema
Com a felicidade reconciliei-me
Com a tristeza zanguei-me


Percebi que tenho que crescer
Ainda existe muito a fortalecer
Tenho tanto ainda a Conquistar
Embora não me queira magoar


Queria contra o mundo lutar
E desta ferida me livrar
Cada lágrima faz-me ver
Que em vão estou a sofrer


Deitei a tristeza fora
Levei o sentimento embora
Tenho a Felicidade guardada
Como lembrança recordada !



[poemazinho feito por mim  :P]
Título: Re: Poesia
Enviado por: Til em 24.out.2010, 21:17:39
Amooo  :heart :heart

Idem! ;)


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar…).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
Às normas reais ou sentimentais da vida —
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento de justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque têm razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-me com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma razão exterior para ela?

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter [que] pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

Tudo mais é estúpido como um Dostoievski ou um Gorki
Tudo mais é ter fome ou não ter que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.

Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.

Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele!

Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.

Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merd*! Sou lúcido.

Álvaro de Campos  :heart
Título: Re: Poesia
Enviado por: Kolthar em 26.out.2010, 03:49:05

Ventos fortes levam o teu mel
Carícias revelantes abre portas paralelas
Paixão de fel deste anel
Viagem nos sonhos pintados nas tuas aguarelas

Primor redondo de um desejo infinito
Varres palavras escritas criando a realidade
Sorris na beleza do adscrito
Foges das pegadas da lua que ilumina ansiedade

Ai verdes cantos de sonhos
A tua beleza repleta de risonhos
Nos meus olhos tristonhos
Encontro a liberdade
Num gesto medonho...

Viver é sorrir e permanecer acordada
Gritar sonhos e beijar os tecidos do teu rosto
Sentir o abraço de pétalas na minha pele em fortes risadas
Nadar em emoções nas águas do mar de Agosto

Trazias contigo a chuva
O medo de uma aventura
Desabrochavas felicidades nessa semente de uva
Vontades cristalinas de uma grande alvura

Mulher que bailas neste luar
Embriago-me no desejo vil do pecado
Ai! Como eu corro sem cessar nestas melodias embalar
E fico assim neste sonho acordado



Kolthar
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 26.out.2010, 18:45:15
Amooo  :heart :heart

Idem! ;)


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Excepto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar…).

Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
É estar ao lado da escala social,
É não ser adaptável às normas da vida,
Às normas reais ou sentimentais da vida —
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento de justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque têm razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque têm razão para isso supor.

Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-me com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma razão exterior para ela?

Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
É ter [que] pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

Tudo mais é estúpido como um Dostoievski ou um Gorki
Tudo mais é ter fome ou não ter que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.

Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lágrimas (autênticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco, àquele
Pobre que não era pobre, que tinha olhos tristes por profissão.

Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!

E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.

Eu é que sei. Coitado dele!

Que bom poder-me revoltar num comício dentro da minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.

Não me queiram converter a convicção: sou lúcido.
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merd*! Sou lúcido.

Álvaro de Campos  :heart

Uau!! este não conhecia  ;D Gostei  ;D

---

 Há sobre a terra 50 000 mortos que ninguém chorou
                                                        sobre a terra
                                                         insepultos
                                                         50 000 mortos
que ninguém chorou.

Mil Guernicas e a palavra dos pincéis de Orozco e de Siqueiros
 do tamanho do mar este silêncio
 espalhado sobre a terra

                   como se chuvas chovessem sangue
                   como se os cabelos rudes fossem capim de muitos metros
                   como se as bocas condenassem
                   no preciso instante das suas 50 000 mortes
 todos os vivos da terra.

 Há sobre a terra 50 000 mortos
 que ninguém chorou

 ninguém...

As Mães de Angola
          caíram com seus filhos
                                           Costa Andrade
Título: Re: Poesia
Enviado por: Kolthar em 26.out.2010, 21:41:09
Saudades dos meus sonhos de menina
Correntes fortes que abraçam a minha inocência
Espreitava as andorinhas por detrás da cortina
Não sofria espinhos da penitência

Brincando com as fadas da imaginação
Sorria abertamente a luz das manhãs
Dormia nas letras da canção
E acordava com o cheiro das maçãs

Caminhava pela praça alegria
Soltava borboletas vibrantes
Dançava a magia que sorria
A ternura dos meus olhos brilhantes

Agora sou adulta
Só me resta a lembrança
Ganhei esta mente culta
Que trás consigo a criança


Kolthar
Título: Re: Poesia
Enviado por: Kolthar em 29.out.2010, 17:16:39
Deixo!

Os ventos levaram os verbos fechados

Tu!

Regas as minhas fontes de prazer

Contigo!

Sonho na terra dos poetas amados

Sempre!

Estarei a pintar o tempo a correr

Sonhei!

Alto cantos dos corações curados

Quero!

Batalhar nas tuas guerras e não me deixes perder

Puro!

Os desejos Ignorados

Sente!

O meu peito acender

Vamos!

Lado a lado num caminho cruzado

Para Sempre!

Neste amor vencer


Kolthar
Título: Re: Poesia
Enviado por: Noz-moscada em 30.out.2010, 11:58:27
I'd Pick More Daisies

If I had my life to live over,
I'd try to make more mistakes next time.
I would relax. I would limber up.
I would be sillier than I have on this trip.
I would be crazier. I would be less hygienic.
I would take more chances, I would take more trips.
I would climb more mountains, swim more rivers,
and watch more sunsets.
I would burn more gasoline. I would eat more ice cream and less beans.
I would have more actual troubles and fewer imaginary ones.
You see, I am one of those people who lives
prophylactically and sensibly and sanely,
hour after hour, day after day.

Oh, I have had my moments
And if I had it to do over again, I'd have more of them.
In fact, I'd try to have nothing else.
Just moments,one after another.
Instead of living so many years ahead each day.
I have been one of those people who never go anywhere
without a thermometer, a hot water bottle, a gargle, a
raincoat, and a parachute.

If I had to do it over again, I would go places and do things.
I'd travel lighter than I have.
If I had my life to live over, I would start barefooted
earlier in the spring and stay that way later in the fall.
I would play hooky more. I wouldn't make such good grades
except by accident.
I would ride on merry-go-rounds.

I'd pick more daisies!

Nadine Stair.

Esta senhora escreveu este poema com 85 anos.  :)

Título: Re: Poesia
Enviado por: Kolthar em 30.out.2010, 17:48:22
Não apaixones por mim
Não sou mulher para ti
Não gastes o teu latim
Gosto de mulheres e daí?

Não te condeno homem
Apenas não sinto igual
Os teus sentimentos te consomem
Mas o que queres tu afinal?

Gosto de pessoas
Não me importa o sexo
Não uso coroas
E fujo do complexo

Sigo as minhas emoções
E vejo interiores
Ganho as minhas razões
Em planos superiores

Não critiques o que sinto
Pois é esse o afectivo
Eu sigo o meu instinto
E o meu coração não está activo

O teu interior não brilha
Nada me cativa
És uma simples ervilha
Na tua mente muito pouca expressiva


Kolthar
Título: Re: Poesia
Enviado por: R-lig em 03.nov.2010, 01:09:42
Sinto nas mãos do tempo,
A derradeira essência da razão,
Não gosto de especulações,
Não gosto de conclusões...
Mas se a razão é conclusão,
Não me agrada esta também!

Cada dia que passa, na memoria,
Revejo, lembro, penso, angustio,
Tenho saudades, tenho as memórias,
Separo o fogo e a àgua,
A luz e as trevas, a dor e o prazer,
E sinto a nostalgia na alma, o remoer do tempo,
O apelar dos sentimentos contra a razão,
Mas se a razão me sustem,
E a razão é conclusão,
Eu amo e detesto a razão,
Mas porque amar é viver,
Amar é sofrer,
Amar é recordar,
Amar é sonhar,
Amar é acariciar,
Amar é abraçar, beijar e tantos,
Tantos outros "Ar", que me tiram o folego,
Eu recordo, mas se recordar é sofrer,
E para sofrer não há razão,
Então eu gosto de sofrer,
Um masoquismo de amar,
Que a razão me impede de concretizar.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Hélder em 03.nov.2010, 13:25:22
Só poetas por aqui, muito bem, sim senhora. Agora é juntar estes poemas todos e fazermos um livrinho :D ;) :)
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 04.nov.2010, 20:56:07
Só poetas por aqui, muito bem, sim senhora. Agora é juntar estes poemas todos e fazermos um livrinho :D ;) :)

Grande ideia! xD 'bora!!
Título: Re: Poesia
Enviado por: Yin em 22.nov.2010, 22:22:43
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, justamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto.


É tudo quanto sinto, um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.


Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.


Se me pergunta alguém por que assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.


Luís Vaz de Camões

*.*
Título: Re: Poesia
Enviado por: Marij em 22.nov.2010, 22:32:12
Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma do jazigo.
Ai!, não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai!, não te amo, não!

Ai!, não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado.
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! Não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett
Título: Re: Poesia
Enviado por: SuedeGirl em 04.jan.2011, 20:44:33
Folhas douradas que ao vento se agitam,
Bailam, serenas, e não se sabem,
Pela avenida da cidade intemporal.
O início de um Setembro
Que só em nós existe,
E é isto a felicidade:
O dourado nas folhas ao alto...


SuedeGirl
Título: Re: Poesia
Enviado por: Clow em 04.jan.2011, 21:24:28
Palavras vs Pensamentos

Palavras por pensamentos,
tentativas de expressão!

Por mais palavras que profira, jamais farei passar para fora a raiz de um qualquer pensamento,

por vezes tento...e tento... e a única coisa que consigo é perceber que as palavras, quando bem utilizadas, têm a capacidade de chegar onde querem e até desviar pensamentos da sua própria raiz (contorná-los portanto)

Com isto deixei de tentar expressar pensamentos, e tentar sentir palavras.


Clow
Título: Re: Poesia
Enviado por: s. em 16.jan.2011, 12:08:00
É URGENTE QUE AS PESSOAS SE AMEM

"É urgente que as pessoas se amem
sem vergonha e sem tristeza
Que se amem com orgulho
Com a alegria pagã da joie grega

É urgente que as pessoas não se escondam
por detrás das outras pessoas
das idéias das outras pessoas
dos muros espessos do medo

É urgente que as pessoas se amem

É urgente partilhar o pão e o corpo
com a claridade da terra molhada
nas manhãs de sol

É urgente assumir a verdade"


COREOGRAFIA

"No palco da noite bailado de corpos
Cenário de sombras
esculpidas em nu
Tu danças as mãos
inscreves contornos
na minha nudez
Eu sou dimensão
que dança em teu espaço
Não temos cansaço
Só temos volúpia
Desejo
Harmonia
Vontade de luta
Ao longo de ti descubro caminhos. Trajecto de boca
E danço contigo
E esqueço a memória
Eu sou o teu sangue
A mesma saliva
O mesmo suor
Nós somos a mesma
Mulher-Repetida."




Manuela Amaral  (1934 – 1995)


Título: Re: Poesia
Enviado por: biri em 16.jan.2011, 12:15:27
One Art    
by Elizabeth Bishop

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.


--Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied.  It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Título: Re: Poesia
Enviado por: R-lig em 16.jan.2011, 12:27:22
Gostei muito biri, acontecimento certo no momento certo talvez.
Acho que conseguia imaginar alguém a ler o poema, a chorar e com um sorriso nos lábios, lutando entre o conformismo e as memórias.
Muito bom mesmo.
Título: Re: Poesia
Enviado por: be free em 05.fev.2011, 18:02:55
Her Hidden Treasure
   

Her flame was only for the women –
Not for us unlucky men;
A weakness lay for feminine way:
To feel an even fairer skin
In silky slide.

Her lips were for the satin love that
Only flows from rising breast;
The creamy tan was not for man
To pull towards a chiselled chest
In weathered hide.

Her hidden treasure down below
Would shy away from macho length
And only rouse upon the blouse
Undone by other sapphic strength –
In time, inside!

   
Mark R. Slaughter

Título: Re: Poesia
Enviado por: Fetch! em 07.fev.2011, 01:02:48
No coward soul is mine

No coward soul is mine
No trembler in the world's storm-troubled sphere
I see Heaven's glories shine
And Faith shines equal arming me from Fear

0 God within my breast
Almighty ever-present Deity
Life, that in me hast rest
As I Undying Life, have power in Thee!

Vain are the thousand creeds
That move men's hearts, unutterably vain,
Worthless as withered weeds
Or idlest froth amid the boundless main

To waken doubt in one
Holding so fast by thy infinity
So surely anchored on
The steadfast rock of Immortality

With wide-embracing love
Thy spirit animates eternal years
Pervades and broods above,
Changes, sustains, dissolves, creates and rears

Though Earth and moon were gone
And suns and universes ceased to be
And thou wert left alone
Every Existence would exist in thee

There is not room for Death
Nor atom that his might could render void
Since thou art Being and Breath
And what thou art may never be destroyed.

--- Emily Brontë (Jan. 2, 1846)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Fetch! em 08.fev.2011, 17:46:37
Often rebuked, yet always back returning

Often rebuked, yet always back returning
To those first feelings that were born with me,
And leaving busy chase of wealth and learning
For idle dreams of things which cannot be:

To-day, I will seek not the shadowy region;
Its unsustaining vastness waxes drear;
And visions rising, legion after legion,
Bring the unreal world too strangely near.

I'll walk, but not in old heroic traces,
And not in paths of high morality,
And not among the half-distinguished faces,
The clouded forms of long-past history.

I'll walk where my own nature would be leading:
It vexes me to choose another guide:
Where the gray flocks in ferny glens are feeding;
Where the wild wind blows on the mountain side

What have those lonely mountains worth revealing?
More glory and more grief than I can tell:
The earth that wakes one human heart to feeling
Can centre both the worlds of Heaven and Hell.

--- Emily Brontë
Título: Re: Poesia
Enviado por: Aantunes em 16.fev.2011, 19:52:07
Minha perfeição


    Morrendo apaixonado por ti a cada hora

    Penso no amanhã com observação diferente

    No meu coração o teu nome já mora

    Vou continuando lutando e seguindo enfrente

 

    Palavras ditas por ti intensamente

    Respeito que encontrei em cada uma delas

    Palavra que procuro ferozmente

    Na sensatez do brilho das estrelas

 

    Teu coração é a estrela mais brilhante

    Tua alma é a esperança que me acalma

    Teu olhar reflectido aliciante

    Mostra me a maior agitação da calma

 

    Inverso ao que digo tento não ser

    Tento falar contigo com mente pura

    Sentindo o pensamento amadurecer

    À espera de uma melhor altura

 

    Na imensidade de tantas palavras

    Procuro a mais correcta para descrever

    O sentimento  mais puro sem travas

    Sem pecado, sem medo de acontecer
Título: Re: Poesia
Enviado por: AltGr em 16.fev.2011, 21:22:11
Sonho. Não Sei quem Sou

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.

Se existo é um erro eu o saber. Se acordo
Parece que erro. Sinto que não sei.
Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.

Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.


Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: verumguy em 28.fev.2011, 22:54:01
Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio

Neste poema vejo-me a mim e à sociedade. Porque não posso escolher eu o meu caminho?
Título: Re: Poesia
Enviado por: Draco em 01.mar.2011, 00:15:50
Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio

Neste poema vejo-me a mim e à sociedade. Porque não posso escolher eu o meu caminho?

:up :up :up
Título: Re: Poesia
Enviado por: verumguy em 01.mar.2011, 22:01:31
Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava!
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os teus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os teus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...
já não se passa absolutamente nada.

E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos nada que dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Este poema para mim é lindo, muito mesmo...

Título: Re: Poesia
Enviado por: Apoptese em 07.mar.2011, 22:09:48
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, 
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ... 
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. 
É um universo barato.


Álvaro de Campos

Título: Re: Poesia
Enviado por: 1213451 em 08.mar.2011, 21:11:18
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, 
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ... 
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. 
É um universo barato.


Álvaro de Campos


Sê bem vinda. Saudade de um abraço ou de um simples sorriso de quem nos faz sentir bem é sempre saudoso. Somos seres humanos, é uma situação normal. Continua a conhecer-te e um dia, no meio desse conhecimento, olharás para o lado, e a teu lado alguém caminhará com o desejo de te conhecer.
Título: Re: Poesia
Enviado por: jomi em 09.mar.2011, 04:37:05
Poema à mãe

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!


Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!


Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!


Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.


Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!


Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...


Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!


Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;


ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;


ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."


Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...


Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.


Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Eugénio de Andrade
Título: Re: Poesia
Enviado por: Apoptese em 09.mar.2011, 11:43:47
Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram, 
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ... 
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo. 
É um universo barato.


Álvaro de Campos


Sê bem vinda. Saudade de um abraço ou de um simples sorriso de quem nos faz sentir bem é sempre saudoso. Somos seres humanos, é uma situação normal. Continua a conhecer-te e um dia, no meio desse conhecimento, olharás para o lado, e a teu lado alguém caminhará com o desejo de te conhecer.

obrigada :) por essas palavras de apoio.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Marij em 09.mar.2011, 13:00:01
Saudades

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

                     Florbela Espanca
Título: Re: Poesia
Enviado por: Aantunes em 09.mar.2011, 15:51:22
Entraste na minha vida,
de uma forma natural
mas de uma forma sentida
louca emocional

o tempo foi passando
e fui te conhecendo
toda a minha vida te fui contando
e meu coração foi me vencendo

quando choraste
Fui eu quem as lágrimas te limpou
quando a morte desejaste
fui eu que a palavra vida te levou

agora não consigo perceber quem te levou
agora sei porque tiveste de ir
não entendo, mas correr atrás de ti não vou
e voltar a olhar para ti sorrir

a magoa tomou conta de mim
como nunca ninguém tomou
um peso que nunca senti
peso que nunca ninguém levantou

um momento para amar
um momento para viver
um momento para parar
momento esse para morrer




Título: Re: Poesia
Enviado por: __ma em 14.mar.2011, 03:41:57
Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.

Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!


Vinicius de Moraes
Título: Re: Poesia
Enviado por: Apoptese em 20.mar.2011, 00:05:45
Tenho dó das Estrelas

Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.

Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…

Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não a morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão –
Qualquer coisa assim
Como um perdão?

Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 21.mar.2011, 01:33:58
"Nos acontecimentos sim, é que há destino
Nos homens não - espuma de um segundo
Se Colombo morresse em pequenino
O Neves descobriria o Novo Mundo"
   
                               
Mário Quintana
Título: Re: Poesia
Enviado por: good_boy21 em 22.mar.2011, 00:42:37
Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.


Miguel Torga- Viagem

Não conhecia mas adorei... E identifiquei-me tanto com ele :)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Chico00 em 23.mar.2011, 23:51:01
“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta...

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo."

Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: caissico em 05.abr.2011, 14:05:09
Poema à mãe


No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe!

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos!

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais!

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura!

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos...

Mas tu esqueceste muita coisa!
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -,
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
"Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal..."

Mas - tu sabes! - a noite é enorme
e todo o meu corpo cresceu...

Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas...

Eugénio de Andrade
Título: Re: Poesia
Enviado por: _Pipoca_ em 05.abr.2011, 14:14:40
O Mundo lá fora sorri
Vive...
Ama...
Apenas fiquei aqui
Imóvel...
Triste...
Perdida nos pensamentos...
Pensamentos que permanecem
Recordações que trazem saudade
Saudade essa que doi
Sentimentos confusos
mas verdadeiros
permanecem no meu coração
Querer exprimir,
gritar,
e não poder
causa angustia e dor
Mas é tarde,
não sei.
Título: Re: Poesia
Enviado por: year_7 em 16.abr.2011, 23:34:50
O "homem" vai andando com as suas idéias, falso e estrangeiro,
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar.
Olho-o de longe sem opinião nenhuma.
Que perfeito que é nele o que ele é — o seu corpo,
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças,
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar.

Alberto Caeiro
Título: Re: Poesia
Enviado por: _Amelie_ em 16.abr.2011, 23:59:18
ESTE É O POEMA DO AMOR.
Do amor tal qual se fala, do amor sem mestre.
Do amor.
Do amor.
Do amor.

Este é o poema do amor.

Do amor das fachadas dos prédios e dos recipientes do lixo.
Do amor das galinha, dos gatos e dos cães, e de toda a espécie de bicho.
Do amor.
Do amor.
Do amor.

Este é o poema do amor.

Do amor das soleiras das portas
E das varandas que estão por cima das portas
Com begónias e avencas plantadas em tachos e terrinas.
Do amor das janelas sem cortinas
Ou de cortinas sujas e tortas.
 
Este é o poema do amor.

Do amor das pedras brancas do passeio
Com pedrinhas pretas a enfeitá-lo paro os olhos se entreterem,
E as ervas teimosas a nascerem de permeio
E os homens de cócoras a raparem nas e elas por outro lado a crescerem.
Do amor das cadeiras cá fora em redor das mesas
Com as chávenas de café em cima e o toldo de riscas encarnadas.
Do amor das lojas abertas, com muitos fregueses e freguesas
A entrarem e a saírem, e as pessoas todas muito malcriadas.

Este é o poema do amor.

Do amor do sol e do luar,
Do frio e do calor,
Das arvores e do mar,
Da brisa e da tormenta,
Da chuva violenta,
Da luz e da cor.

Do amor do ar que circula
E varre os caminhos
E faz remoinhos
E bate no rosto e fere e estimula.
Do amor de ser distraído e pisar as pessoas graves,
Do amor de amar sem lei nem compromisso,
Do amor de olhar de lado como fazem as aves,
Do amor de ir, e voltar, e tornar a ir, e ninguém ter nada com isso.
Do amor de tudo quanto é livre, de tudo quanto mexe e esbraceja,
Que salta, que voa, que vibra e lateja.
Das fitas ao vento,
Dos barcos pintados,
Das frutas, dos cromos, das caixas de tintas, dos supermercados.

Este é o poema do amor.
 
O poema que o poeta propositadamente escreveu
Só para falar de amor,
De amor,
De amor,
De amor,
Para repetir muitas vezes a palavra amor,
Amor,
Amor,
Amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
Contar as palavras que o poeta escreveu,
Tantos que,
Tantos se,
Tantos lhe,
Tantos tu,
Tantos ela,
Tantos eu,
Conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
Foi amor,
Amor,
Amor.
 
Este é o poema do amor.

António Gedeão



Título: Re: Poesia
Enviado por: Draco em 02.mai.2011, 00:49:27
Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros - cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?

----------------------------------------------------------

Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo...

Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 05.mai.2011, 20:58:59
A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

                              Alexandre O'Neill
Título: Re: Poesia
Enviado por: caissico em 05.mai.2011, 21:03:14
Irei escrever todos os teus traços,
a meia luz, esta noite,
irei provar-te o quão  vivos eles estão em mim,
o quão presente estás no meu coração.
Irei admirar cada palavra como admiro loucamente o teu sorriso,
secreto e meigo.
Quando o sol voltar, reabrirei os olhos para ver o mundo,
onde tu não estás.


Carina Correia
Título: Re: Poesia
Enviado por: Marij em 06.mai.2011, 10:51:34
Irei escrever todos os teus traços,
a meia luz, esta noite,
irei provar-te o quão  vivos eles estão em mim,
o quão presente estás no meu coração.
Irei admirar cada palavra como admiro loucamente o teu sorriso,
secreto e meigo.
Quando o sol voltar, reabrirei os olhos para ver o mundo,
onde tu não estás.


Carina Correia

Gostei  :up [smiley=sim.gif]
Título: Re: Poesia
Enviado por: caissico em 06.mai.2011, 16:26:12
Irei escrever todos os teus traços,
a meia luz, esta noite,
irei provar-te o quão  vivos eles estão em mim,
o quão presente estás no meu coração.
Irei admirar cada palavra como admiro loucamente o teu sorriso,
secreto e meigo.
Quando o sol voltar, reabrirei os olhos para ver o mundo,
onde tu não estás.


Carina Correia

Gostei  :up [smiley=sim.gif]

 :)
Título: Re: Poesia
Enviado por: esboço em 10.mai.2011, 17:26:20
Pq?
Pq na vida nada é por acaso..
Pq existem opiniões diferentes...
Pq existem conceitos diferentes..
Pq existem crenças diferentes..
Pq existem razões que a razão desconhece..
Pq algumas coisas são inexplicáveis.. 
Pq o Sol é feito de velas...
Pq milagres existem..
Pq o amor faz milagres..
Pq as estrelas brilham mesmo sozinhas..
Pq existem perguntas..
Pq nem sempre existem respostas..
Pq somos merecedores deste mundo..
Pq os seres humanos são pequenos de mente e espírito..
Pq existem amigos..
Pq nem sempre amigos são eternos..
Pq existe a mentira...
Pq nem sempre a verdade é verdadeira..
Pq o mundo dá voltas...
Pq existe o amor..
Pq o amor está distorcido..
Pq o sofrimento faz parte da felicidade..
Pq existem esconderijos..
Pq nem sempre eles nos escondem..
Pq o outono é inevitável..
Pq existem armas..
Pq a maior arma são as palavras..
Pq existe o conhecimento..
Pq o conhecimento nos faz vencedores desta guerra..
Pq existe guerra..
Pq existe incompreensão..
Pq existe a vida..
Pq a vida é uma escolha..
Pq existem escolhas..
Pq nao só o amor como a vida possui razões q a razão desconhece..
Pq nem sempre o PORQUE esclarece...”
Título: Re: Poesia
Enviado por: _Amelie_ em 17.mai.2011, 03:06:24
No Teu Poema

No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro.

Interpretação: Carlos do Carmo
Composição: José Luís Tinoco


FC 1976: Carlos do Carmo - "No Teu Poema" (http://www.youtube.com/watch?v=iTP1gKBzry0#)
Título: Re: Poesia
Enviado por: _Amelie_ em 22.mai.2011, 20:23:25
cascando


1

fosse apenas o desespero da
ocasião da
descarga de palavreado

perguntando se não será melhor abortar que ser estéril

as horas tão pesadas depois de te ires embora
começarão sempre a arrastar-se cedo de mais
as garras agarradas às cegas à cama da fome
trazendo à tona os ossos os velhos amores
órbitas vazias cheias em tempos de olhos como os teus
sempre todas perguntando se será melhor cedo de mais do
que nunca
com a fome negra a manchar-lhes as caras
a dizer outra vez nove dias sem nunca flutuar o amado
nem nove meses
nem nove vidas


2

a dizer outra vez
se não me ensinares eu não aprendo
a dizer outra vez que há uma última vez
mesmo para as últimas vezes
últimas vezes em que se implora
últimas vezes em que se ama
em que se sabe e não se sabe em que se finge
uma última vez mesmo para as últimas vezes em que se diz
se não me amares eu não serei amado
se eu não te amar eu não amarei

palavras rançosas a revolver outra vez no coração
amor amor amor pancada da velha batedeira
pilando o soro inalterável
das palavras

aterrorizado outra vez
de não amar
de amar e não seres tu
de ser amado e não ser por ti
de saber e não saber e fingir
e fingir

eu e todos os outros que te hão-de amar
se te amarem


3

a não ser que te amem.


Samuel Beckett
(Trad. Miguel Esteves Cardoso)
Título: Re: Poesia
Enviado por: ShaKy em 22.mai.2011, 20:44:48
Nunca pensei,
Que em tão pouco tempo conseguisse ver,
E ainda mais ter,
O que outrora nunca alcancei.


Pensar? Não, não o poderia fazer,
Porque pensar, eu sei,
É algo não natural de acontecer:
Por isso recomecei.


Se me sinto hoje bem,
Por sentir não pode ser,
Nem por gostar também,
Mas porque consigo ver,
Ver a esfera que me rodeia,
Ver que este anseia
Que também eu consiga ser,
Mais que um ser que por aí vagueia.

Por: co-seno
Inspiração: Alberto Caeiro
Título: Re: Poesia
Enviado por: Mitzrael em 21.jun.2011, 10:09:01
Comparar-te a um Dia de Verão? Comparar-te a um dia de verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do verão que chega ao fim.
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.
Mas juro-te que o teu humano verão
será eterno; sempre crescerás
indiferente ao tempo na canção;
e, na canção sem morte, viverás:
    Porque o mundo, que vê e que respira,
    te verá respirar na minha lira.

William Shakespeare, in "Sonetos"
Tradução de Carlos de Oliveira
Título: Re: Poesia
Enviado por: buzzkiller em 03.jul.2011, 00:11:48
O "homem" vai andando com as suas idéias, falso e estrangeiro,
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar.
Olho-o de longe sem opinião nenhuma.
Que perfeito que é nele o que ele é — o seu corpo,
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças,
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar.

Alberto Caeiro
XD Só podia ser do Alberto Caeiro :P
Ou melhor... do Pessoa LOL
Muito bonito.
Mas ideias com acento?!!!!! LOL
Esse português... ^^'
Título: Re: Poesia
Enviado por: caissico em 20.jul.2011, 14:36:54
Estender estrelas seria como estender sonhos, suspensos no ar
flutuantes, ao abrigo do céu, na segurança de uma mola,
que pode impulsioná-los,
ou deixar simplesmente cair.

se ao menos prendesse os sonhos como uma mola,
com a força de impulsioná-los,
viajaria além
de tudo aquilo que fui.

by: me
Título: Re: Poesia
Enviado por: CCroft em 09.ago.2011, 01:22:10
The weight of the world is love.
Under the burden of solitude,
under the burden of dissatisfaction
 the weight, the weight we carry is love.
Who can deny?
In dreams it touches the body,
in thought constructs a miracle,
in imagination anguishes till born in human-
- looks out of the heart burning with purity—
for the burden of life is love,
but we carry the weight wearily,
and so must rest in the arms of love at last,
must rest in the arms of love.
No rest without love,
no sleep without dreams of love—
be mad or chill obsessed with angels or machines,
the final wish is love –
-cannot be bitter,
cannot deny, cannot withhold if denied:
the weight is too heavy –
must give for no return
as thought is given in solitude
 in all the excellence of its excess.
The warm bodies shine together in the darkness,
 the hand moves to the center of the flesh,
the skin trembles in happiness and
the soul comes joyful to the eye-
- yes, yes,
that's what I wanted,
I always wanted,
I always wanted,
to return to the body where I was born.

Allen Ginsberg
Título: Re: Escritores e Poetas da rede
Enviado por: Sorriso em 25.ago.2011, 01:57:07
Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


António Gedeão
Título: Re: Poesia
Enviado por: Fallup em 01.set.2011, 21:42:11
Uma das primeiras publicações que fiz no meu blog, é dos poucos que me orgulho de dizer após cada vez que o lei-o que é dos mais verdadeiros que já escrevi, mesmo sendo um dos que me descreve como sendo mais um que desiste e se conforma com o que se passa à minha volta... e tanto mais poderia dizer, mas mais nada que nele já esteja escrito.



Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

Ela e os meus vícios

Já viste quem eu sou?
Já viste como estou?
És aquele que sempre conheci.
És alguém que mudou.

Já não te reconheço,
Já não te compreendo.
Com uma expiração libertas...
Os erros e segredos do passado.

Tal como essa pequena nuvem de fumo
Eles se dissipam por entre a brisa.

Já é cada vez menos o peso no teu peito,
Mas cada vez mais o erro no teu respirar.

Abdiquei da saúde pela felicidade
Troquei o meu amor que ficou por ti.
Se envelhecer é sofrimento, quero morrer novo
Compreender menos, viver mais. Conhecer-te.
Título: Re: Poesia
Enviado por: withoutimagination em 09.out.2011, 11:10:33
Saudade é nome de mulher
Furacão em noite sem lua
Saudade é dor de crescer
Joelhos rasgados no meio da rua

Saudade é esperança perdida
Naquilo que já passou
Saudade é tristeza esquecida
Pelo que já se amou

Saudades são erros passados
Antigos pecados
De quem nunca vi

Saudades são sonhos rasgados
Olhos molhados
Da distância de ti

Saudades são dores sozinhas
Esperanças vizinhas
De sonhos não meus

Saudades são pequenas linhas
Das mãos que são minhas
Dos olhos que são teus

                               Anabela Risso
          http://ospassosdaleitura.blogspot.com/p/o-livro-passo-e-passo.html (http://ospassosdaleitura.blogspot.com/p/o-livro-passo-e-passo.html)
Título: Re: Poesia
Enviado por: almostfamous em 25.out.2011, 04:06:57
fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido
com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro
do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir
que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde
os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas,tão
desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós
olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver
sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de
medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?,pergunto
dentro de mim: será que vou morrer?,olhas-me e só tu sabes:
ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer:
amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um
oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga.

José Luís Peixoto
Título: Re: Poesia
Enviado por: biri em 25.out.2011, 22:08:39
One Art    
by Elizabeth Bishop

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.


--Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied.  It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.


Simplesmente não me canso deste poema.... Ao fim de tantos anos e continua a tirar-me o fôlego como da primeira vez..... The art of losing isn't hard to master.

Aproveito para deixar aqui outro (diferente) que reencontrei hoje por puro acaso nos meus favoritos do dA.



Would it be wrong if...? (http://xmemoriesxofxnobodyx.deviantart.com/art/Would-it-be-wrong-if-169940526)
by *xmemoriesXofXnobodyx (http://xmemoriesxofxnobodyx.deviantart.com/)

Would it be wrong if I said I missed you?
Your touch
Your arms
Your warmth
Would it be wrong if I said I wanted to see you?
The sparkle in your eyes
The smile on your face
The emotions in your heart
Would it be wrong if I said I wanted to hear you?
The beating of your heart
The laughter in your voice
The blood though your veins
Would it be wrong if I said I wanted to feel you?
Your strong, gentle hands holding mine
Your face buried in my neck
Your breath on my cheek
Would it be wrong if I said I loved you?
Título: Re: Poesia
Enviado por: Navegante em 28.dez.2011, 15:04:00
Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis,
transformam-se devagar em tempo.

por si só, o tempo não é nada.
a idade de nada é nada.
a eternidade não existe.
no entanto, a eternidade existe.

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos.
os instantes do teu sorriso eram eternos.
os instantes do teu corpo de luz eram eternos.

foste eterna até ao fim.

José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 07.mar.2012, 15:29:15
"No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
 Eu era feliz e ninguém estava morto.
 Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
 E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

 No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
 Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
 De ser inteligente para entre a família,
 E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
 Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
 Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida."


In Aniversário de Álvaro de Campos
Título: Re: Poesia
Enviado por: blanksheet em 07.mar.2012, 16:34:27
"No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
 Eu era feliz e ninguém estava morto.
 Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
 E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

 No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
 Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
 De ser inteligente para entre a família,
 E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
 Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
 Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida."


In Aniversário de Álvaro de Campos

good one =)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Tangled Up em 19.mar.2012, 00:55:49
luz

Passa, o tempo passa
e eu espero… e espero
ele corre e corre
Nesta espera, desespero
Onde andas tu luz?
que outrora fascínio foste
Luz radiante
cativante, sedutora e provocante
Levaste-me à doce loucura
Deste-me breves instantes de ti
Fizeste-me gostar
Fizeste-me desejar
Acreditar!
E agora…?
Vejo-me às escuras…
de olhos serrados,
procuro os sinais salientes da tua pele
O teu cheiro gravado no meu hipocampo
O gosto dos teus lábios que me sabiam a tanto
O toque…o teu toque.
Já não encontro.
Foste reduzindo a tua intensidade
O teu calor em tempos sentido
é agora frio gélido, sofrido.
Que loucura predominante é esta em mim?
Se já nada sei de ti.
Que embriaguez de ti
Parva e sem sentido…
já não reluzes, já te desligas-te.
E eu continuo na procura …Porquê?
Por favor, volta…
E desliga-me também!
Leva o raio de luz que em mim deixas-te,
Eu não consigo.

by: myself
Título: Re: Poesia
Enviado por: R-lig em 23.mar.2012, 19:27:01
Um poema de uma altura, não há muuuito tempo em que não estava propriamente nos melhores dias
(vou por o título no final)



Vejo-te a ti, bem mesmo daqui,
Sentado aí, contemplando-me,
em igual, exactamente igual modo.
Mas embora, olhando para ti,
não me consigo alcançar assim.

Vêm-me os outros também
assim... como eu te vejo daqui,
mas não te reconhecendo aí?

Quem és tu afinal, que,
de minha imagem projectada,
me observas impávido, com um olhar
de quem sabe o que me vai dizer,
mas não o diz e,
ficamos,
quietos,
a observarmo-nos, com movimentos...
sincronizados, esperando que,
UM DE NÓS,
o mesmo tu,
se descaia primeiro,
na coordenação inevitável que,
NENHUM DE NÓS
consegue jamais evitar.

Rui Miguel, (espelho)
noite de 14/12/2010



Título: Re: Poesia
Enviado por: Boreas em 26.mar.2012, 03:40:39
muito giro  ;D
Título: Re: Poesia
Enviado por: haka em 27.mar.2012, 01:37:47
um dos meus poemas preferidos


Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade
Título: Re: Poesia
Enviado por: #vénus# em 30.mar.2012, 10:32:29
Pena ser grande demais para postar, mas todos os versos desde poema são lindos, por isso deixo-vos o inicio:

TABACARIA

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(...)



Álvaro de Campos, 15-1-1928
(Fernando Pessoa)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Mars em 01.abr.2012, 12:32:36
Os meus preferidos:

Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner

e

Paisagem
Passavam pelo ar aves repentinas,
O cheiro da terra era fundo e amargo,
E ao longe as cavalgadas do mar largo
Sacudiam na areia as suas crinas.

Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,
Era a carne das árvores elástica e dura,
Eram as gotas de sangue da resina
E as folhas em que a luz se descombina.

Eram os caminhos num ir lento,
Eram as mãos profundas do vento
Era o livre e luminoso chamamento
Da asa dos espaços fugitiva.

Eram os pinheirais onde o céu poisa,
Era o peso e era a cor de cada coisa,
A sua quietude, secretamente viva,
E a sua exalação afirmativa.

Era a verdade e a força do mar largo,
Cuja voz, quando se quebra, sobe,
Era o regresso sem fim e a claridade
Das praias onde a direito o vento corre.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Título: Re: Poesia
Enviado por: Malibu em 01.abr.2012, 12:49:54
Mais um dos meus preferidos, este pelo meu autor de eleição.

Annabel Lee

"It was many and many a year ago,
in a kingdom by the sea,
that a maiden there lived whom you may know
by the name of ANNABEL LEE;
And this maiden she lived with no other thought
than to love and be loved by me.

I was a child and she was a child,
in this kingdom by the sea:
but we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
in this kingdom by the sea,
a wind blew out of a cloud, chilling
my beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
and bore her away from me,
to shut her up in a sepulchre
in this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know,
In this kingdom by the sea)
that the wind came out of the cloud by night,
chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
and neither the angels in heaven above,
nor the demons down under the sea,
can ever dissever my soul from the soul
of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
of the beautiful Annabel Lee!
And the stars never rise but I feel the bright eyes
of the beautiful Annabel Lee!
And so, all the night-tide, I lie down by the side
of my darling- my darling- my life and my bride,
in the sepulchre there by the sea,
in her tomb by the sounding sea.
"

Edgar Allan Poe
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 01.abr.2012, 17:21:42
Mais um dos meus preferidos, este pelo meu autor de eleição.
(...)
Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe, excelente!  :up
Título: Re: Poesia
Enviado por: Kathy em 07.abr.2012, 00:11:41
"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser."

Ricardo Reis
Título: Re: Poesia
Enviado por: Malibu em 07.abr.2012, 10:34:40
CANTILENA

"Cortaram as asas
ao rouxinol.
Rouxinol sem asas
não pode voar.

Quebraram-te o bico,
rouxinol!
Rouxinol sem bico
não pode cantar.

Que ao menos a Noite
ninguém, rouxinol!,
ta queira roubar.
Rouxinol sem Noite
não pode viver.
"

Sebastião da Gama
Título: Re: Poesia
Enviado por: Geez em 07.abr.2012, 14:36:05
O Mundo não se Fez para Pensarmos Nele

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...

Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema II"
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 05.mai.2012, 18:27:52
Os versos que te fiz

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

Florbela Espanca
Título: Re: Poesia
Enviado por: AnúbisGirl em 07.mai.2012, 21:29:54
A minha sombra reflectida na spotlight sozinha...
Balançando e dançando sem mim.
As pessoas falam, inspiram conspirações entre si.
Reflicto o reflexo de onde venho só.
Percorro a música com os meus dedos em nó
Ocos da saudade...
Revejo a essencia que existiu em ti
A realidade que me definha
A estima de outrora da tua mão na minha...

O fim da viagem, a sombra regressa
Abraça-me por todas as vezes que não o fizeste
Subo os degraus da escada que me deste
E recordo sem pressa, quando a música era só nossa...
Título: Re: Poesia
Enviado por: Mr Unchained em 08.mai.2012, 17:33:24
"Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada.
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada."

Vinícius de Moraes
Título: Re: Poesia
Enviado por: Klebsiella em 15.mai.2012, 00:12:30
If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too:
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;

If you can dream—and not make dreams your master;
If you can think—and not make thoughts your aim,
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same:
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ’em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss:
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: ‘Hold on!’

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with Kings—nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much:
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And—which is more—you’ll be a Man, my son!

Rudyard Kipling
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 15.nov.2012, 22:17:54
Princípio

Não tenho deuses. Vivo
Desamparado.
Sonhei deuses outrora,
Mas acordei.
Agora
Os acúleos são versos,
E tacteiam apenas
A ilusão de um suporte.
Mas a inércia da morte,
O descanso da vide na ramada
A contar primaveras uma a uma,
Também me não diz nada.
A paz possível é não ter nenhuma.


Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'
Título: Re: Poesia
Enviado por: TiagoSoares em 15.nov.2012, 22:24:58
não imaginas, ninguém imagina, como o meu peito
ficou vazio depois de partires. o teu sorriso existia
ainda dentro de mim, mas já não eras tu. era a tua
 imagem.
não penso para onde foste porque o meu peito, sem
 ti, fica atravessado por lâminas. tenho um silêncio
dentro. toco os sítios onde estiveram as tuas mãos.
sinto o que sentiste.
fico acordado de noite, com a esperança secreta de
que possas regressar.

 José Luís Peixoto, A Casa, a Escuridão

adoro.
Título: Re: Poesia
Enviado por: mediplom em 24.dez.2012, 08:09:59
Uma Pequena Brincadeira
Temos tantos mashup de músicas, porque não de poemas? Eu costumava brincar muito a juntar poemas.

"Alma minha gentil, que te partiste
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração."

Mashup de Luís de Camões ("Alma minha gentil, que te partiste" e "Inês de Castro - Os Lusíadas") e Fernando Pessoa ("Autopsicografia").
Título: Re: Poesia
Enviado por: PsyGirl_Av em 19.abr.2013, 22:18:41
I carry your heart with me

I carry your heart with me
(I carry it in my heart)
I am never without it
(anywhere I go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling).

I fear no fate
(for you are my fate, my sweet)
I want no world
(for beautiful you are my world, my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you.

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart.

I carry your heart (I carry it in my heart)

E. E. Cummings
Título: Re: Poesia
Enviado por: Forbidden em 19.abr.2013, 22:24:13
Daddy, by Sylvia Plath


You do not do, you do not do
Any more, black shoe
In which I have lived like a foot
For thirty years, poor and white,
Barely daring to breathe or Achoo.

Daddy, I have had to kill you.
You died before I had time--
Marble-heavy, a bag full of God,
Ghastly statue with one gray toe
Big as a Frisco seal

And a head in the freakish Atlantic
Where it pours bean green over blue
In the waters off beautiful Nauset.
I used to pray to recover you.
Ach, du.

In the German tongue, in the Polish town
Scraped flat by the roller
Of wars, wars, wars.
But the name of the town is common.
My Polack friend

Says there are a dozen or two.
So I never could tell where you
Put your foot, your root,
I never could talk to you.
The tongue stuck in my jaw.

It stuck in a barb wire snare.
Ich, ich, ich, ich,
I could hardly speak.
I thought every German was you.
And the language obscene

An engine, an engine
Chuffing me off like a Jew.
A Jew to Dachau, Auschwitz, Belsen.
I began to talk like a Jew.
I think I may well be a Jew.

The snows of the Tyrol, the clear beer of Vienna
Are not very pure or true.
With my gipsy ancestress and my weird luck
And my Taroc pack and my Taroc pack
I may be a bit of a Jew.

I have always been scared of you,
With your Luftwaffe, your gobbledygoo.
And your neat mustache
And your Aryan eye, bright blue.
Panzer-man, panzer-man, O You--

Not God but a swastika
So black no sky could squeak through.
Every woman adores a Fascist,
The boot in the face, the brute
Brute heart of a brute like you.

You stand at the blackboard, daddy,
In the picture I have of you,
A cleft in your chin instead of your foot
But no less a devil for that, no not
Any less the black man who

Bit my pretty red heart in two.
I was ten when they buried you.
At twenty I tried to die
And get back, back, back to you.
I thought even the bones would do.

But they pulled me out of the sack,
And they stuck me together with glue.
And then I knew what to do.
I made a model of you,
A man in black with a Meinkampf look

And a love of the rack and the screw.
And I said I do, I do.
So daddy, I'm finally through.
The black telephone's off at the root,
The voices just can't worm through.

If I've killed one man, I've killed two--
The vampire who said he was you
And drank my blood for a year,
Seven years, if you want to know.
Daddy, you can lie back now.

There's a stake in your fat black heart
And the villagers never liked you.
They are dancing and stamping on you.
They always knew it was you.
Daddy, daddy, you bastard, I'm through.
 
Título: Re: Poesia
Enviado por: fion@20 em 19.abr.2013, 22:28:13
Asi te quiero, amor

Así te quiero, amor,
amor, así te amo,
así como te vistes
y como se levanta
tu cabellera y como
tu boca se sonríe,
ligera como el agua
del manantial sobre las piedras puras,
así te quiero, amada.

Al pan yo no le pido que me enseñe
sino que no me falte
durante cada día de la vida.

Yo no sé nada de la luz, de dónde
viene ni dónde va,
yo sólo quiero que la luz alumbre,
yo no pido a la noche
explicaciones,
yo la espero y me envuelve,
y así tú, pan y luz
y sombra eres.

Has venido a mi vida
con lo que tú traías,
hecha
de luz y pan y sombra te esperaba,
y así te necesito,
así te amo,
y a quantos quieran escuchar mañana
lo que no les diré, que aquí lo lean,
y retrocedan hoy porque es temprano
para estos argumentos.

Mañana sólo les daremos
una hoja del árbol de nuestro amor, una hoja
que caerá sobre la tierra
como si la hubieran hecho nuestros labios,
como un beso que cae
desde nuestras alturas invencibles
para mostrar el fuego y la ternura
de un amor verdadero.

Pablo Neruda

Título: Re: Poesia
Enviado por: _ricardo_ em 19.mai.2013, 23:55:21
Era por agosto, há muitos anos.

O cheiro da sombra
das oliveiras subia ao ar. Vista de baixo
aquela folhagem parecia um mar,
um mar de vidro,
quando o sol oblíquo lhe caía em cima.
 
Eram dois cães raivosos, eram duas
cobras enroscadas, eram dois rapazes
rolando pelo chão: lutavam,
mordiam-se, abraçavam-se.
 
Deviam amar-se muito, para tão mal
se tratarem. Um sol verde
lambia agora a terra.
 
Eram muito novos, há muitos anos,
no pino do verão, debaixo duma oliveira,
onde só as cigarras monotonamente
consentiam.
 
Eugénio de Andrade
Título: Re: Poesia
Enviado por: Bolívar em 22.mai.2013, 16:46:47
Aqui vos deixo um simples poema da minha autoria, nada de especial.  :)

Sombra
Falsas sombras de mar
Luta de guerras, dores de ser
Se um dia eu te levar
Assim de dor irei morrer

Gritas, brades e difamas
A lua que nasce na mansidão
Encontras as pragas da má fama
Que te desfazem em solidão

Breves, tão breves o suspiro
De negra sorte tão tua e minha
Sentir o palpitar, um reles suspiro
Pelas estradas que me encaminhas

Mal de sal entre as paredes
Que são cruzes em tua sina
Pescador lançando suas redes
Pastor envelhecido na colina

Passas assim como quem passa
Pela noite sem um pingo de temor
Será isto pássaro que perdeu a assa
Ou um homem desprovido de amor

Assim me sento e me levanto
Sem saber qual a razão
Entre os nervos, pobre manto
Sofro aqui sem expressão.


Bolívar para sienpre
Título: Poesia
Enviado por: Diotima em 16.jun.2013, 05:40:17
Alguém que tenha comprado o livro mais recente do Herberto Hélder? Estou curiosa porque gosto do autor mas ainda há pouco foi lançado e já esgotou :-\.
Título: Re: Poesia
Enviado por: RLUZ em 16.jun.2013, 19:33:27
Alguém que tenha comprado o livro mais recente do Herberto Hélder? Estou curiosa porque gosto do autor mas ainda há pouco foi lançado e já esgotou :-\.

Fiquei curiosa, esse livro, provavelmente haverá reedição
Título: Poesia
Enviado por: Diotima em 16.jun.2013, 22:03:07
Sim, julgo que haverá reedição. E eu vou comprar :).
Título: Re: Poesia
Enviado por: Forbidden em 05.jul.2013, 14:27:27
Uma taça feita de um crânio humano

Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
- Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do réptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
...Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

de Lord Byron

Fonte: http://ladydark-darkness.blogspot.pt/p/poemas-lord-byron.html (http://ladydark-darkness.blogspot.pt/p/poemas-lord-byron.html)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Nutopia em 07.jul.2013, 15:39:42


Espírito de leveza e plenitude,
taninos doces,
e uma avidez, incessante, de um Todo.


Rotações físicas em sentido único,
e deambulações mentais nesse mesmo modo.


Rumo ao teu (re)encontro,

Sedução.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Forbidden em 07.jul.2013, 22:27:32
Desejando morrer
 
Já que você me pergunta, a maioria dos dias não posso lembrar.
Eu caminho com a minha roupa, sem as marcas dessa viagem.
Então a quase inominável luxúria volta.
 
Mesmo assim eu não tenho nada contra a vida.
Eu conheço bem a grama cortante que você mencionou,
o móvel que você colocou ao sol.

Mas os suicidas tem uma linguagem especial.
Como carpinteiros eles querem saber quais as ferramentas.
Nunca se perguntam porque construir.
 
Duas vezes eu  simplesmente já declarei,
ter possuído o inimigo, ter comido o inimigo,
tomado sua arte e sua magia.
 
É desse jeito, pesado e pensado,
mais quente que óleo ou água,
eu tenho descansado, babando pela boca aberta.
 
Eu não penso no meu corpo numa ponta de agulha.
Até a córnea e a sobra da urina acabaram.
Suicidas já traíram o corpo.
 
Natimortos, eles nem sempre morrem,
mas deslumbrados, não podem esquecer uma droga tão doce
para a qual até crianças olhariam sorrindo.
 
Empurrar toda essa vida debaixo da língua!-
que, por ela mesma,  se torna uma paixão.
A morte é um osso triste, contundido, você diria.
 
E ainda ela espera por mim, ano após ano.
para tão delicadamente curar uma velha ferida,
para libertar minha respiração da sua prisão maligna.
 
Balançando-se ali, os suicidas às vezes se encontram,
furiosos com o fruto uma lua pulsante,
deixando o pão que eles confundiram com um beijo,

Deixando a página do livro descuidadamente aberta,
algo não dito, o telefone fora do gancho
e o amor não importa o que foi, uma infecção.

de Anne Sexton
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 08.ago.2013, 00:25:53
Retrato Ardente

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha. 


Eugénio de Andrade, in "Obscuro Domínio"
Título: Re: Poesia
Enviado por: dre_o em 08.ago.2013, 03:00:38
Na tua voz encontro o conforto
dos dias que jamais quis viver,
na tua voz realmente ouço
a esperança que sempre quis ter.

Aquela esperança, por vezes até fé,
aquele orgulho, por vezes felicidade.
Mas o que é isto que sinto?

Apenas sei, apenas assumo,
que o silêncio diz tudo e as palavras nada revelam,
apenas os gestos relembram e os olhares revivem,
os sentimentos que jamais pensamos sentir.

Mas que partida é esta?
Abre-se o coração, por vezes a boca,
das palavras sem sentido ouve-se um sentimento preenchido,
cheio, a transbordar,
de tudo o que tivemos medo mas agora não queremos perder.
Título: Re: Poesia
Enviado por: paxaetherna em 09.ago.2013, 17:54:21
    The day’s grown old; the fainting sun
    Has but a little way to run,
    And yet his steeds, with all his skill,
    Scarce lug the chariot down the hill.
    The shadows now so long do grow,
    That brambles like tall cedars show;
    Mole hills seem mountains, and the ant
    Appears a monstrous elephant.
    A very little, little flock
    Shades thrice the ground that it would stock;
    Whilst the small stripling following them
    Appears a mighty Polypheme.
    And now on benches all are sat,
    In the cool air to sit and chat,
    Till Phoebus, dipping in the west,
    Shall lead the world the way to rest.

                    Charles Cotton (1630-1687)

Título: Re: Poesia
Enviado por: lautrèamont em 10.ago.2013, 15:52:05
A Antonin Artaud

I

Haverá gente com nomes que lhes caiam bem.
Não assim eu.
De cada vez que alguém me chama Mário
de cada vez que alguém me chama Cesariny
de cada vez que alguém me chama de Vasconcelos
sucede em mim uma contracção com os dentes
há contra mim uma imposição violenta
uma cutilada atroz porque atrozmente desleal.

Como assim Mário como assim Cesariny como assim ó meu deus de Vasconcelos?
Porque é que querem fazer passar para o meu corpo
uma caricatura a todos os títulos porca?
Que andavam a fazer com a minha altura os pais pelos baptistérios
para que eu recebesse em plena cara semelhante feixe de estruturas
tão inqualificáveis quanto inadequadas
ao acto em mim sozinho como a vida
puro
eu não sei de vocês eu não tenho nas mãos eu vomito
eu não quero
eu nunca aderi às comunidades práticas de pregar com pregos
as partes
mais vulneráveis
da matéria

Eu estou só neste avanço
de corpos
contra corpos
Inexpiáveis

O meu nome se existe deve existir escrito nalgum lugar «tenebroso e cantante»
suficientemente glaciado e horrível
para que seja impossível encontrá-lo
sem de alguma maneira enveredar pela estrada
Da Coragem
porque a este respeito — e creio que digo bem —
nenhuma garantia de leitura grátis
se oferece ao viandante

Por outro lado, se eu tivesse um nome
um nome que me fosse
realmente
o meu nome
isso provocaria
calamidades
terríveis
como um tremor de terra
dentro da pele das coisas
dos astros
das coisas
das fezes
das coisas

II

Haverá uma idade para nomes que não estes
haverá uma idade para nomes
puros
nomes que magnetizem
constelações
puras
que façam irromper nos nervos e nos ossos
dos amantes
inexplicáveis construções radiosas
prontas a circular entre a fuligem
de duas bocas
puras

Ah não será o esperma torrencial diuturno
nem a loucura dos sábios
nem a razão de ninguém
Não será mesmo quem sabe
ó único mestre vivo
o fim da pavorosa dança dos corpos
onde pontificaste
de martelo na mão

Mas haverá uma idade em que serão esquecidos por completo
os grandes nomes opacos que hoje damos às coisas

Haverá
um acordar

[Mário Cesariny, in Pena Capital, Assírio & Alvim, 2004]
Título: Re: Poesia
Enviado por: CanisLupus em 11.ago.2013, 13:33:58
Love finds an altar for forbidden fires.
I ought to grieve, but cannot what I ought;
I mourn the lover, not lament the fault;
I view my crime, but kindle at the view,
Repent old pleasures, and solicit new;
Now turn'd to Heav'n, I weep my past offence,
Now think of thee, and curse my innocence.
Of all affliction taught a lover yet,
'Tis sure the hardest science to forget!
How shall I lose the sin, yet keep the sense,

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd;

No, fly me, fly me, far as pole from pole;
Rise Alps between us! and whole oceans roll!
Ah, come not, write not, think not once of me,
Nor share one pang of all I felt for thee.
Thy oaths I quit, thy memory resign;
Forget, renounce me, hate whate'er was mine.
Fair eyes, and tempting looks (which yet I view!)
Long lov'd, ador'd ideas, all adieu!
Oh Grace serene! oh virtue heav'nly fair!
Divine oblivion of low-thoughted care!
Fresh blooming hope, gay daughter of the sky!
And faith, our early immortality!
Enter, each mild, each amicable guest;
Receive, and wrap me in eternal rest!

passagens do Eloisa to Abelard - Alexander Pope
Título: Re: Poesia
Enviado por: Forbidden em 11.ago.2013, 15:53:44
 O SENHOR, DOUTOR MARTIN

O senhor, Doutor Martin, termina
 o pequeno-almoço e entra na loucura. Agosto tardio,
 apresso-me pelo túnel antisséptico
 onde cada morto móvel ainda fala
 em empurrar os ossos contra o poderio
 da cura. E eu sou rainha deste hotel de Estio
 ou a abelha a rir num caule

de morte. Dispomo-nos em linhas descompassadas
 e aguardamos que eles descerrem
 a porta e nos contem aos portões gelados
 do jantar. A senha é pronunciada
 e avançamos para o caldo nas nossas batas
 de sorrisos. Mastigamos em fila, os nossos pratos
 rangem e chiam como giz

na escola. Não há facas
 para cortarmos a garganta. Faço
 mocassins a manhã toda. De início, as minhas mãos
 mantinham-se vazias, desenredadas das vidas
 para as quais trabalhavam. Agora reaprendo
 a usá-las, cada dedo irado ordena
 que eu remende o que outro irá quebrar

amanhã. É claro, eu amo-o;
 o doutor debruça-se sobre o céu de plástico,
 príncipe de todas as raposas, deus do nosso quarteirão.
 As coroas quebradas são novas,
 estas coroas de zé-ninguém. A sua terceira visão
 move-se entre nós, iluminando as caixas isoladas
 onde dormimos ou choramos.

Que crianças grandes nós somos
 aqui. Por todo o lado eu cresço com fulgor
 na melhor enfermaria. A sua profissão são as pessoas,
faz visitas no asilo, um olho oracular
 no nosso ninho. Lá fora no corredor
 o intercomunicador chama-o. O doutor vira costas
 às crianças matreiras que o puxam e caem com o vigor

diluvial de vida em geada.
 E somos magia falando para si própria,
 ruidosa e só. Sou rainha de todos os meus pecados,
 esquecida. Ainda estarei desnorteada?
 Outrora era bonita. Sou eu mesma, agora,
 contando estes mocassins, esta fiada e aquela fiada
 aguardando na estante silenciosa.

Anne Sexton

Fonte: http://davidlfurtado.wordpress.com/2013/04/11/anne-sexton-quatro-poemas/ (http://davidlfurtado.wordpress.com/2013/04/11/anne-sexton-quatro-poemas/)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Bolívar em 14.ago.2013, 18:49:20
A louca que grita tão alto
Entre a rua que lhe da abrigo
E faz pensar na ilusão
Que é balançar no perigo
No seu gritar tudo insulta
Em blasfémias roga por mim
Mas não pode a essa dor
Ela colocar-lhe um fim
Sua história ninguém sabe
Só sua solidão e conhecida
Foi deixada, abandonada
Pela gente, pela vida
Não sabem sua identidade
Nem seu nome de baptismo
O único que se sabe
E que ela brinca com o abismo
O abismo da razão
Entre a realidade e o ilusório
Fala, grita e resmunga
Ninguém irá ao meu velório!
Quem a conhece já sabe
Que de mal não é feita
Só a tristeza tomou conta
Da sua estrutura desfeita
Ela rasga suas roupas
Num confronto com divino
Já não acredita na sorte
Muito menos no destino
Será ela louca, será ela sim
Ou nos e que não vemos
O quanto real deixa de ser
Tudo aquilo que fazemos
Não posso dizer que ela esteja
Tão errada quanto penso
Pois o universo tem dimensões
Que o tornam tão imenso
Ela grita mas sem falar
Ela já transmite a mensagem
De que a tanta gente louco
Nesta hilária viagem.

HN
Título: Re: Poesia
Enviado por: lautrèamont em 22.nov.2013, 15:35:09
CÁRCERE
Adolfo Luxúria Canibal

As noites de solidão sob as estrelas
No vazio do teu quarto
A casa encaixotada
O soalho
E as horríveis linhas paralelas até à parede
O nada absoluto
Que te faz vomitar e te tortura
Nessa letargia de junkie sem tempo
Fora do tempo

Tudo por um grama de pó
Não era isto a revolução
Não era esta a liberdade lisérgica que te estava prometida

E as cinzas vermelhas dos teus olhos
Em contrabando de afectos
Sentindo o vácuo
E o medo de não ter a m**** do pó
De acordar sem a m**** do pó
Os músculos rígidos
O poderoso nó no estômago
Que te faz saltar as tripas
O medo de não poderes fugir de ti
De não conseguires esquecer esse corpo

Tudo por um grama de pó
Não era isto a revolução
Não era esta a liberdade lisérgica que te estava prometida

Esse corpo que já não serve para nada
Retalhado na sua cosmogonia
Que te tortura na sua inactividade
Que te prende agora ao quotidiano metálico da prisão
Morto nos odores da humidade
Dejecto pútrido
Esperma
Em valsas sonhadas no ressonar da noite de cimento que te envolve
Título: Re: Poesia
Enviado por: _ricardo_ em 26.nov.2013, 23:17:54
Sul

Era verão, havia o muro.
Na praça, a única evidência
eram os pombos, o ardor
da cal. De repente
o silêncio sacudiu as crinas,
correu para o mar.
Pensei: devíamos morrer assim.
Assim: explodir no ar.

Eugénio de Andrade
Título: Re: Poesia
Enviado por: haka em 01.dez.2013, 18:14:33
Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Nutopia em 27.dez.2013, 22:10:09
Amo-te com amor constante
embora muitos dos humanos amores mais não sejam que miragens.
Consagro-te um amor puro e sem mácula:
em minhas entranhas é visível e está gravado o teu amor.
Se no meu espírito outra coisa houvesse que tu,
arrancá-la-ia e com as minhas próprias mãos a dilacerava.
De ti outra coisa não quero que amor;
do mais, nada te peço.
Se o obtiver, a Terra inteira e a Humanidade,
serão para mim como montes de poeira, e os habitantes daqui,
insectos apenas. 
                                                       
                                                                              Ibn Hazm.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 27.dez.2013, 22:27:38
Spoiler (clica para mostrar/esconder)
Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

                          Sophia de Mello Breyner Andresen
Título: Re: Poesia
Enviado por: _ricardo_ em 12.jan.2014, 16:34:18
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

      Mário Cesariny
Título: Re: Poesia
Enviado por: Gisty em 12.jan.2014, 16:45:51
Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero.
Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.


Alberto Caeiro
Título: Re: Poesia
Enviado por: dre_o em 12.jan.2014, 16:57:12
Que Medo é esse?


Perto estás, mas longe te sinto,
cada vez mais ao meu coração minto.
Iludo-me com sonhos, talvez fantasias,
realidades que tu nunca me darias.

Sei os teus medos, conheço as tuas falhas,
leio os teus sentimentos frágeis como palhas,
choros desesperados que ouço do to teu silêncio,
perturbam a minha paz, deixam-me apreensivo...
se tu não és certo para mim, para que é que então eu sirvo?

Tens medo de sentir, talvez de te entregar,
medo que um abraço te faça sequer sonhar.
Medo do calor, de um beijo, de uma ternura,
medo que este amor seja uma loucura.

Mas chega de ser fantoche,
manipulado por uns meros fios.
A minha alma não arrefece com sentimentos tão frios.

Deste boneco não levas mais,
o teu controlo acabou.
Não te querias magoar...
mas fui quem se magoou.

André Oliveira

Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 12.jan.2014, 19:01:10
Estás só. Ninguém o sabe.

   Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
   Nada 'speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
   Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

Ricardo Reis



Lídia

   Lídia, ignoramos.  Somos estrangeiros
Onde que quer que estejamos.

   Lídia, ignoramos.  Somos estrangeiros
   Onde quer que moremos, Tudo é alheio
Nem fala língua nossa.
   Façamos de nós mesmos o retiro
   Onde esconder-nos, tímidos do insulto
Do tumulto do mundo.
   Que quer o amor mais que não ser dos outros?
   Como um segredo dito nos mistérios,
Seja sacro por nosso.

Ricardo Reis
Título: Re: Poesia
Enviado por: Nutopia em 17.jan.2014, 00:32:17
http://youtu.be/JPgg9N9cugI (http://youtu.be/JPgg9N9cugI)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 17.jan.2014, 13:45:28
Quando estou só reconheço

Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.


            Fernando Pessoa
Título: Re: Poesia
Enviado por: pink panther em 18.jan.2014, 18:07:01
Ithaka

As you set out for Ithaka
 hope your road is a long one,
 full of adventure, full of discovery.
 Laistrygonians, Cyclops,
 angry Poseidon-don’t be afraid of them:
 you’ll never find things like that on your way
 as long as you keep your thoughts raised high,
 as long as a rare excitement
 stirs your spirit and your body.
 Laistrygonians, Cyclops,
 wild Poseidon-you won’t encounter them
 unless you bring them along inside your soul,
 unless your soul sets them up in front of you.

Hope your road is a long one.
 May there be many summer mornings when,
 with what pleasure, what joy,
 you enter harbors you’re seeing for the first time;
 may you stop at Phoenician trading stations
 to buy fine things,
 mother of pearl and coral, amber and ebony,
 sensual perfume of every kind-
 as many sensual perfumes as you can;
 and may you visit many Egyptian cities
 to learn and go on learning from their scholars.

Keep Ithaka always in your mind.
 Arriving there is what you’re destined for.
 But don’t hurry the journey at all.
 Better if it lasts for years,
 so you’re old by the time you reach the island,
 wealthy with all you’ve gained on the way,
 not expecting Ithaka to make you rich.
 Ithaka gave you the marvelous journey.
 Without her you wouldn’t have set out.
 She has nothing left to give you now.

And if you find her poor, Ithaka won’t have fooled you.
 Wise as you will have become, so full of experience,
 you’ll have understood by then what these Ithakas mean.


Khalil Gibran
Título: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: Strings910 em 04.mar.2014, 01:25:55
Olá, artistas!  ;D

Estive a procurar por alto e acho que não existe tópico igual ou semelhante. Caso esteja enganada, peço desde já desculpas.

Hoje, devido a uma série de pequenos acontecimentos e estados de alma que posso resumir numa palavra, fortuna, peguei num caderninho com alguns poemas rabiscados da minha autoria. Após decifrar pacientemente tudo o que lá estava escrito (a minha letra era bastante mais pequena na altura ;D), eis que me assaltaram uma par de questões:

Um bom jogo de palavras pode ser considerado poesia?
Acham que aquilo que distingue a poesia é essencialmente uma boa sucessão de rimas?
A poesia tem de ser um texto obscuro por natureza ou tem de ser claro o suficiente para o leitor perceber de que trata o poema sem andar com grandes rodeios?
... (Pergunta que achem que se encaixe nesta conversa)

Apaixonados pelos versos, quero ouvir os seus cantos! ;D
Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: dre_o em 04.mar.2014, 01:35:01
Alô!

Um tópico bem interessante a meu ver!
Poesia é toda a mensagem que transmite uma mensagem sem limites à imaginação, onde tudo é possível acontecer.
É uma escrita que transcende os factos mundanos.

Poesia, ao contrário do que muitos possam pensar, não é rimas atrás de rimas.
Uma simples metáfora é considerada poesia.
Ex.: "Os seus cabelos ardiam como labaredas tocados pelo próprio Sol."
É uma frase, contêm uma metáfora e claro, esta é poética.

Existem também alguns tipos de poesia, mas não me vou alongar por aí.
As mais conhecidas são as ditas "rimas", em estrofes divididas. Muito usada também é a Prosa Poética, que surge em vários textos e livros. Muitos escritores escrevem poesia nos seus livros através de diversas figuras de estilo!

Responder
Acham que aquilo que distingue a poesia é essencialmente uma boa sucessão de rimas?
De todo.
Muita da poesia que eu escrevo por exemplo, não rima. E gosto do que escrevo sinceramente.

Responder
A poesia tem de ser um texto obscuro por natureza ou tem de ser claro o suficiente para o leitor perceber de que trata o poema sem andar com grandes rodeios?
Isto vai muito do estado de humor, espírito e consciência do poeta!
Todos nós escrevemos coisas mais obscuras, alegres, enigmáticas ou claras!


É a minha opinião em relação ao assunto!

Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: Strings910 em 07.mar.2014, 01:12:00
Acho que tocaste num ponto essencial e do qual me esqueço de tempos a tempos, que é do papel da metáfora na poesia. Tanto podemos ter versos, tal como o exemplo que deste, como o próprio poema poder vir a ser uma metáfora de um dado estado de espírito ou acontecimento.

Já há mais de um ano, assisti a uma palestra dada pelo James Ragan, poeta americano nascido na antiga Checoslováquia do qual nunca tinha ouvido falar até essa altura, e um dos aspetos de que falou foi isso mesmo, de a poesia ser mais do aparenta em primeira instância e de ser um meio excelente para transmitir o Universo num punhado de palavras, o que só é possível graças às metáforas e imagens que é capaz de criar quando tratada com respeito, paixão e dedicação que merece. Se estiveres interessado e tiveres oportunidade de encontrar algo dele, aconselho. A sua poesia, ou aquilo que me foi dado a conhecer, para ser mais precisa, assenta muito nestas duas figuras. Dá trabalho ler o que escreve, de tão rica que é, mas acho que vale o esforço. :)

Também me apercebi que são estes os poemas que mais me enchem o espírito, pois não me entregam a sua mensagem de mão dada, o que me permite não apenas dar asas à imaginação sobre o que é que o poeta pretendeu transmitir, mas também dar-lhe o meu próprio toque graças a interpretação que, no momento, fez mais sentido de acordo com a minha pessoa. Desta forma, posso dizer que peço emprestado o poema e que passa a ser meu, nem que seja apenas naquele instante. ;D
Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: Strings910 em 07.mar.2014, 01:20:56
E sim, acho que tens razão quanto à questão da clareza. O poema é aquilo que eu quiser que seja, sobre o que quiser e como eu quiser. Basta olhar para Fernando Pessoa & Co., que escreve sobre os mais diversos assuntos, de N formas.

Veio-me agora à memória "Cansaço" de Álvaro de Campos. Claro, direto, sem rimas atrás de rimas e nem por isso vale menos enquanto poema ;D

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço.


Título: Re: Poesia
Enviado por: Nutopia em 26.mar.2014, 13:36:14
I am in need of music that would flow
Over my fretful, feeling fingertips,
Over my bitter-tainted, trembling lips,
With melody, deep, clear, and liquid-slow.
Oh, for the healing swaying, old and low,
Of some song sung to rest the tired dead,
A song to fall like water on my head,
And over quivering limbs, dream flushed to glow!

There is a magic made by melody:
A spell of rest, and quiet breath, and cool
Heart, that sinks through fading colors deep
To the subaqueous stillness of the sea,
And floats forever in a moon-green pool,
Held in the arms of rhythm and of sleep.


                                                 Elizabeth Bishop
Título: Re: Poesia
Enviado por: lxmartini em 26.mar.2014, 20:01:04
Só se pode dizer amante da poesia se for ao Mês da Poesia de SJM :P
Título: Re: Poesia
Enviado por: ritmo em 29.mar.2014, 17:52:57
"Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco"

Mário Cesariny, in "Pena Capital"
Título: Re: Poesia
Enviado por: John Falstaff em 01.abr.2014, 19:05:00
Charles Baudelaire
PARFUM EXOTIQUE

Quand, les deux yeux fermés, en un soir chaud d'automne,
Je respire l'odeur de ton sein chaleureux,
Je vois se dérouler des rivages heureux
Qu'éblouissent les feux d'un soleil monotone;

Une île paresseuse où la nature donne
Des arbres singuliers et des fruits savoureux;
Des hommes dont le corps est mince et vigoureux,
Et des femmes dont l'oeil par sa franchise étonne.

Guidé par ton odeur vers de charmants climats,
Je vois un port rempli de voiles et de mâts
Encor tout fatigués par la vague marine,

Pendant que le parfum des verts tamariniers,
Qui circule dans l'air et m'enfle la narine,
Se mêle dans mon âme au chant des mariniers.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Sappho em 07.abr.2014, 14:41:05
Amor:
 
Ensina-me o tempo que passa devagar
a festa, o canto e o riso

Embala-me
até me dissolver no teu abraço
como se só houvesse este momento
em todos os momentos que hão de vir

E dá-me as tuas mãos e o teu corpo
para sentirmos de novo
a fome e a ânsia de nos termos

Ensina-me a vida
e o espanto, encanto do começo
e deixa-me o gosto de te amar.

 

Ângela Leite in «Metáforas Sobre o Amor»
Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: Spektrum em 13.abr.2014, 15:09:58
Antes de mais, congratulo-te pelo tópico! ;) Acho sempre interessante um bom debate. Então se tiver um dos meus interesses à mistura, melhor ainda. :)

Um bom jogo de palavras pode ser considerado poesia?
Acham que aquilo que distingue a poesia é essencialmente uma boa sucessão de rimas?
A poesia tem de ser um texto obscuro por natureza ou tem de ser claro o suficiente para o leitor perceber de que trata o poema sem andar com grandes rodeios?
Respondendo às questões, e aproveitando para complementar o que o ErXdan enumerou, pois concordo em grande parte, penso que a poesia é o bom uso e abuso de todo e qualquer recurso de estilo. Desde a metáfora (que o ErXdan apresentou, p. ex.) às aliterações (frequentes em Álvaro de Campos), qualquer recurso estilístico que encha a mais simples frase de expressão, para mim, é Poesia.

Embora aprecie a poesia cantada e os sonetos, não tomo uma boa sucessão de rimas como factor essencial à produção da mesma. Muita da poesia que conhecemos nem rima, e não é por isso que deixa de ser poesia. E muita dela é clara e objectiva, na sua subjectividade. Deixo o exemplo de um poema curto e claro, mas, ao mesmo tempo, tão cheio de sentimento.

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

                          Sophia de Mello Breyner Andresen
Título: Re: Poesia
Enviado por: Strings910 em 12.mai.2014, 23:27:36
All that is gold does not glitter,
Not all those who wander are lost;
The old that is strong does not wither,
Deep roots are not reached by the frost.

From the ashes a fire shall be woken,
A light from the shadows shall spring;
Renewed shall be blade that was broken,
The crownless again shall be king.

J. R. R. Tolkien in The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring
Título: Re: Poesia
Enviado por: MaL em 25.mai.2014, 01:22:38
"Passing stranger! you do not know
How longingly I look upon you,
You must be he I was seeking,
Or she I was seeking
(It comes to me as a dream)

I have somewhere surely
Lived a life of joy with you,
All is recall'd as we flit by each other,
Fluid, affectionate, chaste, matured,

You grew up with me,
Were a boy with me or a girl with me,
I ate with you and slept with you, your body has become
not yours only nor left my body mine only,

You give me the pleasure of your eyes,
face, flesh as we pass,
You take of my beard, breast, hands,
in return,

I am not to speak to you, I am to think of you
when I sit alone or wake at night, alone
I am to wait, I do not doubt I am to meet you again
I am to see to it that I do not lose you."

Walt Whitman
Título: Re: Poesia
Enviado por: pedrosilvaesc em 26.mai.2014, 20:26:20
Que acham de se fazer um concurso de poesia nos grupos locais?
Título: Re: Poesia
Enviado por: pink panther em 30.mai.2014, 10:47:27
“I carry your heart with me (I carry it in my heart)I am never without it (anywhere
I go you go,my dear; and whatever is done by only me is your doing,my darling)
I fear no fate (for you are my fate,my sweet)I want no world (for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

I carry your heart (I carry it in my heart)”
― E.E. Cummings
Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: Malayka em 16.jul.2014, 02:48:47
Eu faço poesia, adoro, é uma forma de expressar e soltar a mente e por vezes cria-se uma obra prima (=
Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 17.set.2014, 19:02:40
Não vejo poesia como um jogo de palavras, mas sim como uma das formas de expressão mais honestas e difíceis ao dispor do Homem. Está (muito) longe de ser fácil escrever um bom poema, com ou sem rimas. :P

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Título: Re: Poesia = Jogo de palavras?
Enviado por: iNd em 03.nov.2014, 17:45:20
Acho que poesia e' bem mais que um jogo de palavras. A poesia pode rimar ou nao. Ate pode ser em prosa. A poesia tem que ir ao mais fundo de nos. Dizem que poetas e psicologos (mas tambem romancistas) poem em palavras aquilo que nos nao sabemos exprimir. O indizivel, quase.

Ha muitos poetas populares, alguns fazem apenas jogos de palavras que nao tem qualidade nenhuma. Uma das raras excepcoes foi o Aleixo. Tambem nao gosto das rimas do rap.

O meu poeta preferido e' o Mario de Sa-Carneiro. Mas tambem o Fernando Pessoa, claro.
Título: Re: Poesia
Enviado por: Nutopia em 21.dez.2014, 22:07:55
http://youtu.be/3IwEkkom8s4 (http://youtu.be/3IwEkkom8s4)
Título: Re: Poesia
Enviado por: Hiraeth em 27.nov.2015, 22:40:27
 (http://youtu.be/DEnIkB6wLVg)

 [smiley=enamorado.gif]
Título: Re: Poesia
Enviado por: diabo_a_quatro em 09.jul.2016, 01:33:45
Desaparecido


"Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar’ceu...»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar’ceu...»
Eu, o feliz desaparecido!"

Carlos Queirós
In Desaparecido e Outros Poema
Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 03.ago.2016, 01:47:46
Há serenidade no amor,
eu apenas não o conhecia bem antes de te conhecer.

Não me dás voltas às entranhas nem me aceleras o coração. Ele espera.
Sintomatologia assim não é de amor, é de paixão.

Nem o meu corpo implora pelos teus dedos
Nem por fora a passarem pela pele
Nem por dentro a enterrarem-se na carne do prazer. Ela espera.

É a minha alma que se transforma quando te vê e não o meu corpo.
Despes-me por dentro as roupas que ninguém me soube tirar
Enquanto me despiam com a ânsia de estarem perante um tesouro...
não viram que o melhor tesouro não se vê nem se apalpa.

Apagaram as luzes
ou desviaram o olhar
para fugirem dos meus olhos no momento de me treparem por dentro
Poucas foram as que me olharam nos olhos.

Tu, sem precisares de me saciar para me sentir saciada,
Apenas com a tua presença conseguiste despertar-me a alma
E há tanto tempo que ela dormia um sono profundo

Não precisaste de me despir por fora nem de me tocar o corpo por dentro
Quando a minha alma viu a tua percebeu que vales mais por dentro que todas as modelos por fora
O corpo pode ser tentador e belo mas é um acessório
Pudesse eu ter um abraço teu;
Pudesse eu despir a roupa e mergulhar no corpo de todas as mulheres bonitas para além de ti.
Escolheria o teu abraço.

O meu corpo sente tanto como carne de talho – sei que por ti jamais será tocado.
Não me interessa mais a multiplicidade orgástica que sentia no jogo de carne com carne
Porque os melhores orgasmos tenho-os dentro da alma quando me sorris.

Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 18.ago.2016, 04:39:38
Há noites que não acabam nem cansam
Tal é a ânsia de um novo amanhecer
E enquanto as estrelas dançam
Vou a casa e volto para a rua só para a ver
Essa lua, destemida, brilhando sem se intimidar pelo negrume do mundo e da vida
Oferece luz a quem caminha, nas ruas da noite por ela iluminada
Aguardo com sono a mudança da roupagem do ontem para amanhã
Não sei de nada, sem ontem nem hoje não há data
E daqui a nada a lua que não se apaga vai para outro lugar
E o sol trará com ele luz para substituir o luar
E neste jogo de trocas e baldrocas, nada se troca, na verdade, tudo vai e vem
Adormeço, estremeço quando acordo num banco de jardim
Logo percebo que não quis ir à cama para ter um dia de uma noite de um dia sem fim


Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 28.ago.2016, 06:16:11
Ofélia esperava à janela
De jantar na mesa
E ele sem vir
Noutra mesa estava,
Na do café,
Sem a sentir.

Fernando entretido a escrever
Arte com prazer, na companhia de absinto
Não dava pelo tempo correr
Ditados da alma sobre "sinto" e "não sinto"
Acredito que nem ele soubesse o que queria dizer

Um dos muitos dos que eram ele
Escrevia a Lídia
E enquanto não se decidia
Enlacemos, desenlacemos,
O jantar arrefecia

Outro tal se ia perdendo na natureza
Sem filosofia nem princesas
Não se encontrava mas achava que não se perdia
Sendo poeta negava poetas
Era tudo isso a que se permitia

E Álvaro, que revisitou Lisboa
Percebeu que não era nada na tabacaria
Mas tudo acabou bem ao reencontrar Esteves
E de sorriso em sorriso
Sem ideal nem esperança o universo de refez

Ofélia, casada com tantos num só
Nem um tinha para ela só
Jantava só e esperava à janela
Pessoa, de tantas pessoas, deixou poemas de amor sem saber amar a única mulher.

(sleepy_heart)
Título: Re: Poesia
Enviado por: maybe1day em 29.ago.2016, 02:51:17
"Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto. E eu imaginava esta pessoa, imaginava que ela também estivesse lá pensando em mim. Bom, espero que se você for essa pessoa e estiver lendo isto, saiba que sim, é verdade, estou aqui! Sou estranha como você."
Título: Re: Poesia
Enviado por: strong em 29.ago.2016, 17:15:39
"Eu costumava achar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas aí eu pensei: tem que ter alguém como eu, que se sinta bizarra e imperfeita, da mesma maneira como eu me sinto. E eu imaginava esta pessoa, imaginava que ela também estivesse lá pensando em mim. Bom, espero que se você for essa pessoa e estiver lendo isto, saiba que sim, é verdade, estou aqui! Sou estranha como você."

Frida?? ADORO a frida...
Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 11.set.2016, 21:13:59
E eis que a castidade por vezes invade de forma mais grave o corpo nu presente mas tão ausente de si do que mastros empunhando certas vontades! Mecanismos cerebrais que não deixam ir nem vir(se) porque o coração é feito de carne viva e não quer que outras carnes do mesmo corpo se enlacem na dança louca e frenética que o sexo sem amor é. Orgasmos? Orgasmos? Bloqueios. Bloqueios não os têm os asnos, esses, sim, animais, jorram de si o que têm por não saberem dar mais.
Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 22.set.2016, 00:53:57
Para aqueles/as devaneios que acontecem em segundos na rua: relacionando com redes sociais e redes sociais virtuais.

Olhei e tentei fazer contacto visual
Mas os teus olhos focavam o ecrã
Provavelmente numa qualquer rede social

Questionei o teu nome
Mas deduziste que o sabia e nem fizeste caso
Por ser tão óbvia a identidade online

Beijei-te na imaginação
Mas não sentiste sequer o sopro do vento
Por estares noutra dimensão

Eu fiz log off do online para te encontrar
Mas tu estás a um metro de mim no log in virtual
Eu fiz log off do online para te abraçar
Mas tu só queres o Pikachu e o Bulbasaur
Eu quis "desonliner-me" do mundo virtual
Para um espaço real entre ti e mim encontrar






Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 02.out.2016, 16:41:02
Dentes inexistentes para que não roam a placenta acolhedora
Nem o cordão umbilical de ligação
Acabam por nascer a posteriori
No mundo cá fora
E tanto há que roer, desde gelados até ao momento de f****
Na vida, assim despida, mas não de complexos
E onde uns roem a alma, outros mordem corpos nus
E as marcas desaparecem como qualquer outra que não deixe cicatriz;

E quão difícil deve ser para quem andou connosco dentro
Imaginar que se nos afundem barcos pelo nosso mar aberto,
Qual mar vermelho, qual Moisés... que já há poucos,
e se nos penetram, só se for por mera coincidência.
Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 04.out.2016, 13:09:11
E a alma triturada que opção tem? Tantas, não vês?
Podes comê-la à colherada,

                                                                                                                       atirá-la à parede a ver se cola.

Acender-lhe um fósforo e verificar se explode.

                                                        Tentar prender-lhe um cordel, duvidando que segure, mas sempre ficas entretido/a uns segundos.


Ou leva-a na mesma dentro de ti sem lhe fazeres nada.

Um dia pode ser que volte a secar e não escorra por ti abaixo.                Um dia volta a ganhar consistência e deixa de ser essa papa mole

que trazes contigo.

                                                   Mas olha, um conselho, que deixe de ser papa mas...



                                                             que não se torne cimento impenetrável.
Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 02.jan.2017, 15:12:14
Lume brando, onde já pegou fogo ardente
Água natural, em vez de aguardente
De alma em alma, coração marcado a tinta permanente
Onde já só ela permanece, nomes que ficaram,
Corpos que vieram, se vieram, e se foram,
Sentimentos ainda pouco gastos, tão gastos de si,
Calma, maré vazia, alma cheia de tudo e de nada,
Cheia de si e não afundada.
Título: Re: Poesia
Enviado por: lírica em 12.jan.2017, 19:14:39
Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efémero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…


A Autora de:
(...)Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Título: Re: Poesia
Enviado por: sleepy_heart em 24.jan.2017, 21:59:23
Foi de mim ou do perfume?
Teria eu outro aroma e poderia ter sido diferente?
De que flores gostas?
E porque gostas delas?
A essência, o aroma, ou a aparência?
Os olhos, os lábios, o sorriso...
Terias gostado de tudo isso
Se eu tivesse outro perfume?
E as palavras? Doces ou amargas?
Como preferes o café?
E se eu tocasse piano, ou jambé?
O ritmo e o compasso de espera que não houve?
O amor é sentido nos sentidos,
e depende só disso.
Vou para longe, mas e os cheiros?
Não, não creio que o mesmo perfume noutra pessoa tenha o mesmo efeito.
A pele, é a mistura do perfume com o cheiro da pele.
Todas são diferentes.
O cheiro natural comanda? Comandará? Quem saberá?
Título: Re: Poesia
Enviado por: Spektrum em 17.mai.2017, 20:41:34
Presságio
 
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
 
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
 
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!
 
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
 
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa
24/04/1928
Título: Re: Poesia
Enviado por: unfold em 25.mar.2020, 19:44:27
Amor é fogo apagado sem se ver
É ferida tratada que não se sente
É um descontentamento que traz contentamento
É ferida analgesiada e que por isso não se sente

É um não se querer mais por bem se querer
É multidão sem estar entre gente
É contentar-se com motivos para estar descontente
É cuidar de que se ganha sempre sem se perder

É não querer estar preso sem vontade
É servir-se a si próprio o vencedor
É não ser tonto e só ter lealdade a quem a tem também.

E pode causar coisa nenhuma
Nos corações humanos, nem sequer amizade
É claro que é contrário o desamor ao amor.


 lol lol lol