Fórum da rede ex aequo

Assuntos Gerais => Geral => Tópico iniciado por: bluejazz em 31.ago.2002, 13:59:50

Título: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 31.ago.2002, 13:59:50
Olá,

Eis um tema muito pouco falado no fórum, quando sei que existem pessoas transgender no fórum e/ou outras que podem/querem falar sobre o assunto...

Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...

Sobre o transgenderismo recomendo também uma leitura dos conteúdos neste link: http://rea.pt/transgenerismo.html (https://rea.pt/transgenerismo.html)

Fico a aguardar respostas e comentários... :curtain
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 31.ago.2002, 16:06:41
Não acredito na dicotomia entre identidade e género. Se para uns ela está clara, para muitos ela é confusa e muitas vezes dolorosa.

Apesar de alvo de inúmeras investigações ciêntificas este fenómeno ainda está longe de ser entendido (pregunto-me se todas as coisas tem que ter uma explicação lógica-aristotélica, mas enfim!!!...).

Começa-se a admitir que os cromossomas e os genes tem a sua dose de cumplicidade (utilizo esta palavra intencionalmente) no baralho do nosso código genético.

Mas quero lançar aqui outra questão. E aqueles trangenders que não o são por orientação mas por opção  de outros? Quantas vezes um pai ou uma mãe desejam de tal forma ter um filho «tal» que quando nasce e não correponde ao sexo desejado é-lhe imposto ao bebé adoptar o sexo oposto.

Não sei se consegui partilhar aquilo que penso. Mas nunca vi o trangenderismo só da parte da pessoa que o é. E culpo-nos a nós sociedade por vivermos e impormos uma realidade tão dicotómica e taxonómica.

Fiquem bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Ganymedes em 31.ago.2002, 16:30:31
Ois!

Responder
E aqueles trangenders que não o são por orientação mas por opção  de outros? Quantas vezes um pai ou uma mãe desejam de tal forma ter um filho «tal» que quando nasce e não correponde ao sexo desejado é-lhe imposto ao bebé adoptar o sexo oposto.


Cacao, creio que não compreendi o que pretendias dizer, desculpa. À partida o que uma interpretação mais imediata do que disseste nos permitiria concluir seria que te referes a casos de transformação do sexo no momento do nascimento da criança , ou seja: nasce "menino" mas os pais desejam "menina" e mandam operar. Pasme-se talvez pela minha ignorância, mas não tenho conhecimento te tal haver sucedido e se aconteceu pedia-te que o denunciasses porque a situação seria profundamente GRAVE. Em Portugal para se realizar uma cirurgia de transformação do sexo são requeridos determinados pressupostos (sendo a idade e o desenvolvimento do corpo um deles) como o acompanhamento psiquiátrico prévio para se aferir se a pessoa se encontra de facto em condições de efectuar a(s) cirurgia(s) -- num recém-nascido isso seria impossível. Por outro lado, sucedem casos de hermefroditismo, que não me parece estarem aqui em discussão.

Não concordo que o transsexualismo seja motivado pelos outros nem tão pouco pela sociedade. A decisão de mudar o sexo é pessoal e resulta de uma angústia profunda quanto ao seu sexo genital; trata-se de um confronto interno e pessoal entre um sexo psicológico e um sexo genital diferentes. Imaginando que a sociedade aceitaria perfeitamente que homens mais andassem vestidos de mulher -- imagina a hipótese de a sociedade tratar sem qualquer sarcasmo por "a senhora", mesmo sabendo que é um homem vestido de mulher (o que não é transsexualismo, é travestismo), um """verdadeiro""" transexual pretenderia mudar de sexo porque não se sente bem, de facto, com o sexo genital que possui; sente-se mulher; é mulher e tem um elemento que não se relaciona com aquilo que é. (O mesmo se aplica para mulheres que pretendam ter igualmente uma aparência física plenamente masculina).

Beijos a tod@s
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 31.ago.2002, 16:59:42
Hm, para melhor clareza sobre o que é "transgenderismo" faço copy/paste do seguinte texto que se encontra no site da rede ex aequo:

O que é o transgenderismo?

"Transgenderismo" é a ruptura com os papéis de género tradicionais. Na nossa sociedade existem dois papéis sociais «clássicos»: o de homem e o de mulher. Estes dois papéis sociais estão intimamente ligados à noção de sexo biológico. Em termos simples: espera-se que que uma pessoa se comporte de determinada maneira em função do corpo com que nasceu. As pessoas que não são homens ou mulheres «tradicionais», ou seja, as pessoas cujo comportamento é diferente daquilo que se espera, são transgendered.
Existem vários tipos de transgenderismo, sendo mais fácil dividi-los em duas categorias: as situações em que as pessoas consideram a existência apenas dos dois papéis tradicionais e as situações em que consideram "homem" e "mulher" apenas mais dois entre muitos géneros. Na primeira categoria encontram-se as pessoas transexuais e @s bigendered. As primeiras sentem que nasceram no corpo errado, uma vez que, psicologicamente, pertencem ao sexo oposto e querem trocar de corpo para corrigir esse erro. As segundas não desejam trocar definitivamente de corpo (muitas nem sequer desejam uma troca temporária), vivendo felizes e contentes se puderem ir vivendo os papéis de homem e de mulher alternadamente; há quem viva várias semanas em cada género e quem viva um deles só durante algumas horas.

Na segunda categoria encontram-se as pessoas para as quais não existe um rótulo, embora várias tentativas tenham sido feitas: agendered (no sentido de não pertencerem a nenhum dos géneros tradicionais), poligendered (no sentido de terem características de ambos), thirdgendered (que indica que o modelo dicotómico de géneros é insuficiente)... Estas são as pessoas que vivem fora das normas de comportamento instituídas, agindo sem ligar a estereótipos ou a convenções normativas. Vão desde a pessoa com visual e comportamento andróginos até  flame queens (pessoas a que Martin Duberman, autor do livro Stonewall, definiu como «parcialmente travestidas»), passando por todas as subtis variações que se possam imaginar.

Em qualquer destas duas categorias, que têm a ver com a psicologia das pessoas, é possível encontrar ainda situações de intersexualismo, sendo esta uma condição física. Existem vários tipos de intersexualismo: desde as pessoas que têm um comportamento típico de um dos sexos e um corpo aparentemente do outro (alguns estudos apontam para a existência de cérebros morfologicamente femininos em mulheres transsexuais, ou seja em pessoas que tinham um corpo tipicamente masculino e se sentiam mulheres) até  pessoas cujo corpo é ambíguo (possuindo mesmo um pequeno pénis e uma vulva), passando pelas pessoas cujo corpo parece ser «normal» mas cujo cariótipo revela que seria de esperar que tivessem nascido com um corpo do sexo oposto. Geralmente o termo "intersexual" é usado para designar pessoas que possuem elementos dos dois aparelhos reprodutores (um ovário e um testículo ou uma vulva e testículos, por exemplo).


http://ex-aequo.web.pt/oquetrans.html

Qual é a diferença entre homossexuais, bissexuais e transgenders?

Resumidamente, os gays e lésbicas são pessoas que sentem atracção emocional e sexual por pessoas do mesmo sexo. Os bissexuais são pessoas que podem tanto apaixonar-se por alguém do sexo masculino, como por alguém do sexo feminino. O termo transgender é utilizado para descrever o grupo de pessoas que não se enquadra na forma como as definições de "homem" e "mulher" são concebidas socialmente e inclui transexuais, andrógenos, travestis e transformistas. Ou seja, ser gay, lésbica ou bissexual refere-se à orientação sexual do indivíduo, enquanto que ser transgender refere-se à identidade do génerodo indivíduo.


http://ex-aequo.web.pt/qualdiferenca.html

Ganymedes, a definição internacional que conheço incluí no transgenderismo as pessoas transexuais, hemafroditas, travestis, andrógenos, etc... logo transgender e transexual não são necessariamente a mesma coisa. Julgo que na tua resposta falas de transexuais, enquanto a cacao (posso estar enganada!) fala de transgenders de uma forma generalizada, embora esteja a meter os transexuais no mesmo saco. :)

Cacao, as opiniões que professas contra as dicotomias e taxonomias são as posições que a teoria queer também professa... ;) :-*
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 31.ago.2002, 17:43:23
Ganymedes,

confesso que não me expliquei muito bem. O que referi não são casos em que os pais mudam o sexo biológico da criança à nascença. É óbvio!

Refiro-me a casos em que os pais (figuras parentais) mudam o sexo da criança de uma forma social. Para a Sociedade elas são o sexo oposto ao biológico. Não acontece com frequência mas ocorre mais vezes do que julgamos. E o pior é que muitas vezes nunca se chega a descobrir e quando se descobre é muito complicado para a pessoa porque já lhe causou um transtorno grave.

Há pais para tudo! Como tb há aqueles que quando o filho nasce com um handicap fisico o escondem em casa e nunca o levam à rua em nome de uma vergonha social...

Fica bem!  ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 01.set.2002, 14:17:15
Obrigada pela definição de Trangender, Bluejazz, já estava a confundir as 2 coisas também.

Não fazia ideia que fosse tão abrangente.

Vi um documentário no ano passado no Festival de Cinema Gay e Lésbico, sobre os homens que não sendo necessariamente gays assumem o papel de mulheres, vestindo-se e comportando-se como tal, ajudando as mães nas tarefas domésticas, etc, estando apenas impedidos de se casarem. São bem aceites pela comunidade ( tratando-se de uma comunidade rural, simples ) e cumprem o seu papel na sociedade tal como as restantes mulheres.

Por isso digo: ainda bem que a "cultura ocidental" não conseguiu "lavar o cérebro" de todo o mundo.

Já no Japão, há séculos que os homens vinham a  desempenhar o papel das mulheres no teatro e na ópera, chamando-se geishas, porque as mulheres não podiam representar, não sendo descriminados mas vangloriados por isso.

E nesta 6.ª feira assisti a um espectáculo de transformismo de um amigo meu, @ Luna, que além de ser muito feminino, adora pôr um vestido e uma cabeleira postiça e soltar-se em frente a um público, ou mesmo só para os amigos, a cantar e a dançar. Admiro a coragem dele, porque sempre que me apetece vestir-me ou comportar-me de uma maneira mais ousada, mais andrógena, sinto-me sempre incomodada pelo olhar das pessoas - especialmente dos heterossexuais.

"Free your mind, and the rest will follow" :up
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Ganymedes em 01.set.2002, 15:18:59
Oi!  ;)

Com os esclarecimentos terminológicos da blue, modifiquei o post que deixei acima para que não haja falta de rigor. Referia-me a transexuais e á mudança do sexo biológico.
Mas parece que o tópico é muito mais abrangente porque fala de "trangenderismo" em sentido amplo. Continuo a estar convicto (até prova da ciência que o desminta -- a minha convicção resulta apenas da observação e do pouco que se vai lendo) que a Sociedade na maior parte dos casos não é para aqui chamada. Um trangedered (em sentido amplo, transexual, travesti...) é-o por uma motivação pessoal (de personalidade); fugindo aos "padrões tradicionais" de sexo, foge (e acho isto da maior importância em ser dito) não para chocar a sociedade, não como revolta contra ela, não porque a sociedade de algum modo o traumatizou ou agrediu, não porque a sociedade não o aceita como homossexual, mas porque se sente, vai sentindo, sente de vez em quando ou "whatever" como possuindo algo de vincado do sexo oposto. Digo-o deste modo porque muitas vezes se critica aqueles que têm posturas propositadamente masculinas/feminias por serem pessoas transtornadas, exibicionistas, ofensivas. Creio que se trata de um traço de personalidade que não tem nada disto senão a naturalidade de qualquer outra personalidade qualquer.

PS - Pelas definições dadas para o termo trangendered creio que também um travesti heterossexual masculino(que o faça, pex, por motivos profissionais ou durante o carnaval)será considerado trangendered ou como tendo atitudes trangéneras. Será que eles sabem?? lol

Beijos
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 01.set.2002, 20:05:13
Responder
Digo-o deste modo porque muitas vezes se critica aqueles que têm posturas propositadamente masculinas/feminias por serem pessoas transtornadas, exibicionistas, ofensivas. Creio que se trata de um traço de personalidade que não tem nada disto senão a naturalidade de qualquer outra personalidade qualquer.

Ganymedes, também costumava pensar assim, porque conheço pessoas que são assim de facto por personalidade, mas conheço outras ainda mais que o são por motivos culturais e sociais, por quererem inserir-se num determinado grupo e sub-cultura homossexual e daí modificam e ajustam o seu comportamento ao padrão desse grupo. Não tem nada de errado, as pessoas têm o direito de ser quem são, natural ou não, mas vejo-o em muitos casos como um processo e uma atitude cultural, sem dúvida nenhuma.

Pink, parece-me que que o travestismo dos homens nos locais e culturas que mencionas é mais fruto do machismo e de uma cultura misógena mais do que outra coisa qualquer. Por que não haveriam de todos os homens e mulheres terem funções ditas sociais femininas - leia-se neste caso, "tarefas domésticas" - e por que haveriam só de homens poder representar (as mulheres são coxas - perdoem-me a expressão - na arte do teatro, é?...). Um ponto de vista.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 01.set.2002, 20:51:41
Pink,

no Japão e na Europa até ao séc. passado os homens tinham o monopólio das artes.  E de facto não eram discriminados ao passo que  mulheres lhes era vedado o campo artistico por não ter de todo voto na matéria.

Fica bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Magia em 02.set.2002, 15:37:16
:curtain oie!

A blue disse: "ou seja, as pessoas cujo comportamento é diferente daquilo que se espera, são transgendered." entao sou transgendered.. lol, mas tipo.. é "normal" isso acontecer kd se cresce com rapazes, néh??? Pk tipo, eu sou do tipo de rapariga k tou num grpo de rapazes e k eles nem se lembram k sou rapariga, kd conversam e tal.. Mtas vezes, na net principalmente, sou confundida com O magia... lol... mtos n acreditam kd lhes digo k sou A magia! mas enfim...

tb disse: "As segundas(bigendered) não desejam trocar definitivamente de corpo (muitas nem sequer desejam uma troca temporária), "
bom, eu n recusava uma troka, assim, por uns tempitos.. (dd k n tivesse dir a tropa, lol e k o koiso funcionasse e tivesse prazer e k dps, desse pa voltar e continuar a ter prazer e poder ter filhos... n k os keira-->agora)

e tb: "Na segunda categoria encontram-se as pessoas para as quais não existe um rótulo, embora várias tentativas tenham sido feitas: agendered (no sentido de não pertencerem a nenhum dos géneros tradicionais), poligendered (no sentido de terem características de ambos), thirdgendered (que indica que o modelo dicotómico de géneros é insuficiente)... Estas são as pessoas que vivem fora das normas de comportamento instituídas, agindo sem ligar a estereótipos ou a convenções normativas. Vão desde a pessoa com visual e comportamento andróginos até  flame queens (pessoas a que Martin Duberman, autor do livro Stonewall, definiu como «parcialmente travestidas»), passando por todas as subtis variações que se possam imaginar. " poligendered, okay.... mas, flame queens??? explika melhor, é tipo... pk parcialmente travestidas... uns dias sim, outros naum, é? humm... se alguem tiver textos sobre isso ou saiba de algum site (em frances nao por favor!!!)... era fixe se o dissessem... ;)

E ainda: "Ou seja, ser gay, lésbica ou bissexual refere-se à orientação sexual do indivíduo, enquanto que ser transgender refere-se à identidade do género do indivíduo. "
Oba, finalmente uma explikaçao clara!!! lol (n digo em relaçao ao texto todo, mas sim a td o k ja fui lendo... e k me foi konfundindo inda mais... heheh)

a cacao disse: "Mas quero lançar aqui outra questão. E aqueles trangenders que não o são por orientação mas por opção  de outros? Quantas vezes um pai ou uma mãe desejam de tal forma ter um filho «tal» que quando nasce e não correponde ao sexo desejado é-lhe imposto ao bebé adoptar o sexo oposto."

boa kestão!!! :) kt a isso n sei, sinceramente n sei se keriam uma rapaz ou uma menina ou se me keriam, seker... mas, de kk modo, a edukaçao k recebi foi a de uma menina (vcs entendem...?), no entanto, apesar disso, houve falhas: km por exemplo, konviver sp kom ppl mais velho e, rapazes... xeguei a passar pelo periodo k os rapazes têm de detestar as meninas... ehheh serio!!! compreendo mto mais facilmente os rapazes do k as raparigas... :/ No entanto, fui edukada pa ter comportamentos femininos: nao bater nem magoar ng, ser "bem edukada", entre outras cenas... eheheh bem, sai-lhes o tiro pela culatra, á mia familia!!! ;p exactamente o oposto... hihhi mas tipo, ainda hj... a parte de n bater e n magoar, axo k tb ja vem de mim, k n curto mto a violencia, mas se for preciso defender-me, em casos de ultima instancia.. se for pa bater, é pa BATER MM!!! (8 ou 80... heeh)
Eh pah, com isto tudo, vamos entao ao assunto do topiko, mm...

Blue perg:"para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?..."

Bom, tendo em vista o k aki li sobre trangenderismo, ks vez mais me considero um, tb (ou uma, tt faz.. err...)!!! :/
Dificuldades? Confusao, mta confusao mm!!! pessoas k o sabem?? pah, as pessoas k me conhecem mm sabem, nota-se logo... lol as reacções? as mais variadas... pk eu, kd vejo k n gostam de mim, tb tenho a tendencia pa me afastar... pois... e esconder-me apoiar-me em kem confio, kem me percebe... enfim... os meus amigos, etc!!!
komo me dei conta? sei lá... eu sei k sp fui assim, mas acontece k kada vez ta mais forte.. n sei, deve ser por tar agora a descobrir a Vida, km a lorca diz, néh? se kalhar, se kalhar, mas mta raiva, incompreensao e depressoes ja eu vivi á custa da mia amneira de ser... "diferente" da norma!!! :/
Algumas pessoas dizem k sou maria-rapaz, lol.. n axu.. sou um bokado das duas coisas, psikologikamente... Mas tipo, posse ser mta coisa, dizer mta cena e até mm xegar a pensar komo um rapaz, mas na pratika... é tipo, pk me xamam maria-rapaz??? Eu sou uma medrikas do karaças... lol... ora aki ta um estereotipo: os rapazes n têm medo nem xoram, senao sao gays... lol se uma rapariga se veste á dread ou usa gravata já é maria-rapaz... nk gostei desse termo, pk implika um bokado de perda de feminilidade e, digamos... sensualidade? e eu tenho-a! (ai de kem diga k nao a tenho... lol)

bom, fiko-me por aki, k ja me tou a trokar toda... e tou xeinha de fome... ;p

Fikem bem... beijinhussss :*

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Ganymedes em 02.set.2002, 20:24:36
Blue, é um questão engraçada... como disseste (e na minha opinião, lucidamente) existem pessoas que ajustam a sua personalidade em função do comportamneto de determinado sub-grupo de homossexuais. Quando dizia que a Sociedade (como um todo) não era para aqui chamada (pois as atitutes de masculinização/feminilização não são norteadas por ela, seja pro seja contra) não tomei em consideração aquilo que acabas de referir: é que parece não ser a Sociedade que norteia alguns dos comportamentos de alguns grupos gays e lésbicas, mas esses mesmos grupos. E acho isto relevante porque pode ser visto de dois prismas fundamentais: por um lado significa que deixamos de dar tanta importância ao todo social e passamos a viver mais de acordo connosco mesmos, criando padrões próprios; por outro que isto poderá significar de algum modo algum tipo de atitute de gettização.
Sou mais optimista e prefiro seguir a primeira via (conquanto que se esteja consciente de que aquilo que nos distingue dos outros é apenas a nossa orientação sexual-afectiva), até porque cada um de nós molda ou moldou em cada (ou vários) momentos a sua personalidade em função de um grupo. Trata-se, reforço, de uma construção pessoal da personalidade, moldada pelo social (talvez o termo sub-social seja mais ilustrativo), que em determinado momento formará uma personalidade "una e única".

Magia, acho que nunca passei por nenhum período em que detestasse meninos, mas no que toca a metricas e bater mm... formamos um clube.  lol :clown ;D

Beijos a tod@s :-* :-*
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 02.set.2002, 20:59:03
Ganymedes disse...
Responder
Sou mais optimista e prefiro seguir a primeira via (conquanto que se esteja consciente de que aquilo que nos distingue dos outros é apenas a nossa orientação sexual-afectiva), até porque cada um de nós molda ou moldou em cada (ou vários) momentos a sua personalidade em função de um grupo. Trata-se, reforço, de uma construção pessoal da personalidade, moldada pelo social (talvez o termo sub-social seja mais ilustrativo), que em determinado momento formará uma personalidade "una e única".

;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 07.set.2002, 13:54:55
Chamem-lhe influência de grupo, chamem-lhe estereotipos criados dentro da própria comunidade gay e lésbica, chamem-lhe o que quiserem.

Se eu, e muitas mais pessoas ( incluindo heterossexuais ), não têm receio de exteriorizar o seu lado masculino/feminino, ou não tem receio de ter atitudes, comportamentos e um visual habitualmente atribuídos ao outro género ( por enquanto só conheço dois ), porque é que vocês têm de vir julgar e tentar arranjar uma explicação ( neste caso depreciativa ) para tudo?

Por acaso na definição de transgenderismo havia algum parágrafo sobre falta de personalidade de que eu não tenha dado conta?

Tenho pena que pessoas deste forum, que supostamente deviam ter uma mente aberta, continuem a revelar os preconceitos que já haviam vindo ao de cima nos tópicos "F? M? O quê?" e "Bad Girls".

Não chega ouvir as bocas dos "meninos" cada vez que vou ao Bairro Alto? É que eles coitadinhos nunca viram, não sabem o que é, não percebem porque é que há raparigas parecidas com rapazes, que ainda por cima não lhes ligam nenhuma...! Eles são idiotas chapados. Mas vocês...

A maioria das coisas no Universo não têm explicação e nós não passamos de peões num mundo vasto e complexo, por isso se não aproveitarmos a nossa vida o melhor que pudermos, um dia deixaremos de existir por completo sem termos dado a nós próprios e aos outros a oportunidade de sermos felizes.

Não podem dar um desconto a quem apenas quer estar bem com os outros e consigo próprio?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 07.set.2002, 16:36:32
Pink, porque não dás exemplos concretos de quem e como neste post há pessoas a "julgar"... não vi nada. Não vi comentários nem positivos nem negativos, mas tentativas de análises objectivas. O mais importante é as pessoas não tentarem ser o que não são e não se sentirem pressionadas a ser algo por pressão de grupo. É esta a GRANDE questão, que poderá advir dos comentários feitos e parece ter-te escapado. Não acuses as pessoas de coisas que não fizeram. O Ganymedes acrescentou ou apontou, e bem, que no nosso dia-a-dia, desde que nascemos o que mais somos é influenciados, moldados e não-naturais em muitas coisas.

Eu disse...
Responder
Não tem nada de errado, as pessoas têm o direito de ser quem são, natural ou não, mas vejo-o em muitos casos como um processo e uma atitude cultural, sem dúvida nenhuma.

Trabalho academicamente neste momento na área Estudos Culturais por isso julgo ter capacidades mínimas para saber que a maioria das coisas que vivemos são convencionais e culturais, que não há um certo e um errado e que as pessoas têm o direito a viver a identidade que escolhem ou que verdadeiramente são. Como eu dizia no outro no dia a alguém, pessoalmente a mim só me preocupa (e isso é comigo) as pessoas que se reprimem ou sentem pressionadas para actuar ou fazer determinadas coisas. Se for voluntário, é diferente... no fim cada um sabe de si. Não sejas defensiva (e ainda por cima sem motivo), porque ninguém está atacar ninguém, pelo contrário. Poderia ter pensado que estavas a falar das pessoas em geral, na sociedade, ao dizeres:
Responder
Tenho pena que pessoas deste forum, que supostamente deviam ter uma mente aberta, continuem a revelar os preconceitos que já haviam vindo ao de cima nos tópicos "F? M? O quê?" e "Bad Girls".  

Mas fico a pensar outra coisa diferente, completamente. A única pessoa que vejo a julgar (e mal) aqui és tu, peço imensa desculpa por dizer-to.

Fiquem bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 07.set.2002, 17:55:23
Pink,

olha só te posso dizer: SOU IDIOTA! serei IDIOTA para ti. Fico contente de não seres a maioria... e o que para mim acabaste de ser foi homófoba... O TRANGENDERISMO existe! E as definições existem para nos ajudar (algumas vezes mais que outras... o que é uma pena) e clarificar aquilo que cada um pensa e é.

O TRANGENDERISMO é deveras mais que complexo que o ser-se maria-rapaz ou rapaz afemininado.

Com que direito te vês tu para vir aqui dizer que não respeitamos os outros?!! Tu por acaso sabes quem sou! Sabes por acaso se sou LGB ou T?!! As tuas palavras foram-me ofensivas...

Achas que tens direito a omitir o trangenderismo porque a tua «pequena» experiência diz que só existem dois géneros e duas identidades. Quão equivocada estás...  só tenho pena é que penses assim. Tu e mais alguns heterossexuais como dizes no teu post.

Aqui ninguém foi ofensivo e tampouco vi escrito tentativas de explicar o porquê do TRANGENDERISMO.

Mas claro estamos no forum e como tal tens todo o direito a escrever o que pensas. Tenta é não chamar os outros de IDIOTAS. Porque eu não vejo nenhum IDIOTA por aqui.

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 07.set.2002, 18:34:11
Pink, de facto a cacao tem razão... ao dizeres
Responder
comportamentos e um visual habitualmente atribuídos ao outro género ( por enquanto só conheço dois )

estás a negar a existência do transgenderismo no caso das pessoas que sentem ter os 2 géneros ao mesmo tempo ou sentem não ter nenhum género (logo um terceiro e/ou quarto tipo de género, se é que se pode chamar isso). Aliás no último caso julgo que as pessoas costumam auto-denominar-se de "queer" (sem género, logo sem orientação sexual também...). Conheço pessoalmente pelo menos uma pessoa no primeiro caso (sentir-se com 2 géneros e por isso reconhecer-se num terceiro tipo de género) e outras 2 no último caso. Elas existem. Por escolha ou naturalmente...

Fiquem bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 08.set.2002, 17:58:48
Posso saber como é que eu posso estar a negar a existência do Transgenderismo, se praticamente me assumi como tal, no último post?

Penso que está a haver uma grande falha de comunicação, mas também posso ter interpretado mal algumas coisas que a Bluejazz e o Ganymedes escreveram. Peço desculpa se esse é o caso.

Mas é ou não é verdade, Bluejazz que disseste num dos tópicos que referi que não compreendias porque é que algumas lésbicas sentiam a necessidade de se vestir e agir de maneira mais masculina, chegando a sugerir mesmo que isso fosse uma forma de melhor aceitarem a sua orientação sexual.

Se reveres o tópico "F? M? O quê?" vais descobrir muitas atitudes de incompreensão e mesmo rejeição do transgenderismo, porque, se bem entendi, quando falamos de "camionistas" e de "bichas" ( no sentido prejurativo das palavras ) estamos a falar de transgenders, segundo a definição que arranjaste.

Cacao, as únicas pessoas a quem chamei idiotas foram aos rapazes e infelizmente também algumas raparigas do Bairro Alto que têm preconceitos em relação a tudo o que seja diferente deles: sejam homossexuais, transgenders, transsexuais, seja o que for.

A única coisa que eu comentei foi que as análises que foram feitas sobre o transgenderismo neste tópico e sobre a distinção feminino/masculino abordada sobretudo no tópico "F? M? O quê?" não me pareciam justas. Fiquei com a impressão que apenas foram despejadas ideias feitas e que foi feito pouco esforço por se compreender ( e não explicar ) as pessoas que não se identificam total ou exclusivamente com o seu sexo.

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 08.set.2002, 18:32:46
Responder
Mas é ou não é verdade, Bluejazz que disseste num dos tópicos que referi que não compreendias porque é que algumas lésbicas sentiam a necessidade de se vestir e agir de maneira mais masculina, chegando a sugerir mesmo que isso fosse uma forma de melhor aceitarem a sua orientação sexual.

Pink, não tenho paciência para alimentar ataques pessoais e descontextualizados... qualquer pessoa que lê o que escrevi no tópico "F?M? O quê?" (http://www.exaequo.34sp.com/cgi-bin/yabb/YaBB.cgi?board=Geral;action=display;num=1022348348 ) pode ler aquilo que disse e concluí ao longo do debate do tema e que é diferente do que dizes para aí. Aliás escrevi muitíssima coisa nesse tópico. Se tens possibilidades para citar o que as pessoas dizem, usa-as em pleno uso, não generalizes e uses quando te dá jeito "interpretações" descontextualizados do que as pessoas escrevem ou deixam de escrever.

Uma das coisas que escrevi foi...
Responder
E qual é o problema de uma mulher ser (mais) masculina ou um homem (mais) feminino... se não estão a armar uma farsa/teatro (para si e para os outros), não a estão a fazer por pressões "comunitárias"/sociais e são mesmo assim, qual é o problema! O ser humano é bem diverso.

Também escrevi em resposta a algo que fora dito e que se encontra na seguinte citação em itálico...
Responder
Quote:Acredito que hajam mulheres homossexuais que se "obrigam" a passar pela mascarada da identificação com o homem, para se autorizarem a si próprias a amar um ser do seu sexo. Porquê? Porque elas próprias se discriminam e não se aceitam plenamente.  

Quantas vezes tenho perguntado a mim mesma se não é isto que se passa nesses casos... já vão anos.  E até agora não encontrei resposta definitiva, porque seria necessário falar com várias pessoas nessa situação, fazer perguntas e um consequente estudo das respostas.  Mas também me incomoda a ideia de se dizer que é por este motivo ou aquele que elas são assim, só porque não consigo/conseguimos compreender essa maneira de ser e tenho/temos de arranjar uma explicação (que passa indirectamente pelo dizer "fazem-no, mas não deviam"). Sobre este mesmo assunto eu escrevi à minha namorada o seguinte, na altura em que a conheci e estava a responder a uma questão semelhante a esta que ela colocou:

Sabes, sempre pensei o mesmo que tu. Tenho perguntado a mim própria se não estará relacionado com a influência de papéis heterossexuais tradicionais (masculino/feminino e a ideia heterossexista de que só homens podem amar mulheres e vice-versa), mas não sei. No fim, acho que temos de deixar as pessoas ser da maneira que elas querem ser, i.e., ser "masculina", por exemplo

Nunca disse como dizes: que não compreendia porque é que algumas lésbicas sentem a necessidade de se vestir e agir de maneira mais masculina, chegando a sugerir mesmo que isso fosse uma forma de melhor aceitarem a sua orientação sexual. O que disse sim foi que receava que algumas lésbicas fossem assim por motivos externos mas que mesmo que fossem que não tenho nada a ver com o assunto, que as pessoas têm o direito a ser quem e o que quiserem... Mas mesmo que tivesse dado essa explicação que tens tu de vir atacar-me e julgar-me? Aqui debate-se, dá-se opiniões, partilha-se ideias e sentimentos. Mesmo que se diga disparates. É a conversar com os outros que aprendemos... a atacar e julgar é que não.

Ainda tenho direito a dar opiniões e não fui nem tive intenções de ser ofensiva com ninguém. As coisas falam-se na tentativa de as compreender, definir e perceber as suas origens. O comportamento que estás a manifestar não se compreende (para não mencionar que infringe as regras deste fórum) e agradeço que deixes de me dirigir palavra, porque não vale a pena falar com quem não sabe falar com justiça e rigor. Fica bem.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Ganymedes em 08.set.2002, 18:44:57
Pois pela parte que me toca... limito-me a emitir opiniões tão OBJECTIVAS quanto possível e a esclarecer o que escrevo quando isso não é claro ou pode ser equívoco. Em nada do que foi dito neste tópico me parece haver qualquer sentido pejorativo, mas antes referências metódicas, científicas e objectivas, como é tradição neste fórum. Talvez uma leitura mais descontraída daquilo que se escreveu neste tópico permita interpretações mais corretas.
Em nenhum momento se criticou a miscenização de estereótipos sociais de masculino/feminino, antes o defendendo como sendo parte da formação pessoal de uma personalidade que se quer "una e única" e como tal tão natural como qualquer outra.
Com todo o respeito, devo acrescentar que as pessoas deste fórum por serem GLBT não têm de ter uma mentalidade mais "aberta" coisíssima nenhuma [«Tenho pena que pessoas deste forum, que supostamente deviam ter uma mente aberta, continuem a revelar os preconceitos que já haviam vindo ao de cima»] porque defender isto é ser preconceituoso e acreditar que somos mais tolerantes do que os outros e que os outros, por não serem GLBT, têm uma desculpa para não tolerar uma realidade que desconhecem [«É que eles coitadinhos nunca viram, não sabem o que é. (...) Mas vocês...»]
Por outro lado, tudo aquilo que se escreve pode ser susceptível de diversas interpretações, sedo dever do escritor esclarecer e do leitor perguntar e encontrar-se predisposto para ouvir a resposta. Se fui equívoco...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 09.set.2002, 02:05:07
Pink,

desculpa mas se, practicamente, te assumiste como trangender dois posts atrás não dei por isso. Já por outro lado reparei que tiveste pouca tolelância ao que alguns forenses tinham escrito sobre o assunto.

Acho que neste forum não se ataca ninguém. Visa-se uma partilha de experiências e opiniões. E concordo com o Ganymedes quando diz que é dever do escritor explicar aquilo que escreve quando se suscitam diversas interpretações.

Não somos melhores nem piores. Somos pessoas acima de tudo, e se alguma vez for mal interpretada neste forum prefiro que me preguntem o que pretendia realmente dizer e não que me atirem «pedras» por ter dito alguma barbaridade.

Em relação ao te assumires como trangender não entendi muito bem. Assumias-te ao forum?

Fica bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: x-pressiongirl em 09.set.2002, 15:13:10
De facto, julgava nada poder acrescentar a este topico devido á minha falta de informação e também de interesse sobre esta questão.  :-X
Afinal ainda tenho qualquer coisa a acrescentar.  :book
Quanto ao comentário da pink, ñão posso deixar de concordar:
[pink]comportamentos e um visual habitualmente atribuídos ao outro género ( por enquanto só conheço dois ) [/pink]  
Femenino  :)+masculino  :)=2   :)  :)
Mas entre o 1 e o 2 temos números decimais, e de facto muitas vezes esquecemo-nos dessas virgulas.
É que de facto, pasmem-se se for caso disso, só me dou conta da real existência de 2 géneros no seu sentido mais restrito. Temos o género masculino e o género feminino, depois temos então as diversas variantes do que se entende por masculino e feminino.
O Trangenderismo é o apanhado dessas variantes. Se o masculino fôr representado pela côr azul e o feminino pela cor amarela, todas as cores  que fazem o verde, isto é, que estão entre um extremo e o outro serão o que se considera trangenderismo, ou não? É mais ou menos isto que entendo.
Géneros no seu estado puro só há dois! Dizer isto não é discriminar nenhum trangender, é antes clarificar as coisas, não podemos dizer que há mais de dois géneros só para não "discriminarmos" as pessoas, porque isso é mentir.  :-X
De facto a citação a que vocês se referem e pela qual houve tanto soco verbal,  ::)  não foi da autoria de bluejazz,   ::) mas sim da minha.  ::) Atrevi-me a dizer aquilo que vi escrito num livro e que de facto reflecte um bocado a minha forma de pensar em alguns casos de trangenderismo, como auto-pressões:

[x-pressiongirl] Acredito que hajam mulheres homossexuais que se "obrigam" a passar pela mascarada da identificação com o homem, para se autorizarem a si próprias a amar um ser do seu sexo. Porquê? Porque elas próprias se discriminam e não se aceitam plenamente.    [/x-presiongirl]

Não o disse como intuito de chocar nem ofender ninguém, mas porque isto existe. Quantas vezes não somos nós próprios os primeiros a nos discriminarmos? Se uma rapariga age predominantemente como rapaz somente porque gosta de outras raparigas, então ela própria se discrimina, da mesma forma que uma rapariga que se esforce por se comportar como uma lady, ache que tem de ser mais feminina que as outras todas, que tenha de se pintar e usar vestidos só porque gosta de outras raparigas e não porque esta seja a postura que lhe faça sentir confortavel, então também ela própria se discrimina.  :-/
Não quiz dizer que as raparigas que tenham uma postura mais masculina sejam anti-naturais, o que quiz referir na realidade são o conjunto de posturas anti-naturais que adoptámos numa tentativa de não chocar os outros, ou de chocá-los muitas vezes.
Se uma rapariga tem uma postura mais masculina, porque essa é a forma que lhe faz sentir confortavel e plena com ela mema, então isso é positivo, mas se o faz com o intuíto de dar nas vistas, de chocar ou de autorizar-se a estar com outra rapariga porque entende que é uma forma de aproximar-se ao protótipo de par ideal concebido mentalmente pela siociedade, então estamos de facto perante uma situação de auto-pressão que acredito, martirize muitos trangeneros.
Enquanto escrevia este post lembrei-me que, mesmo sem querer discriminamos, aqui mesmo no fórum do ex-aequo, basta olharmos para aqueles pequenos símbolos que se encontram por baixo do nosso nick. O cor-de-rosa com a cruzinha para baixo (penso que é o simbolo de vénus) para identificar as meninas e o azul com a setinha para cima (Júpiter, eu acho, corrijam-me se estiver enganada!) para identificar os rapazes. Ok, e os outros que formam as variantes?  :P
Não se pode mentir, admitir que há mais de dois géneros é admitir que há mais do que isto, e não há, nem mesmo aqui no fórum!
Desculpem se pareço ter opiniões menos abertas ou transfóbicas, se esta palavra existe. Lol o que não é correcto, mas agora que li o que escrevi sinto que fui um bocado fria demais na escrita. peço desculpa por isso.
Saudações algarvias,  8)
x-pressiongirl  :-*

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 09.set.2002, 15:40:09
x-pressiongirl, :)

Como conheço e diz-se que existem pesssoas que se sentem ter os 2 géneros ou não ter nenhum (a nível psicológico), para não falar que biologicamente existe de facto pessoas com 2 sexos (hemafroditas/intersexuais), eu limito-me, pessoalmente, a aceitar a sua experiência, auto-definição e sentimentos como válidos. Se é que tenho alguma coisa para aceitar... como já disse uma vez aqui no fórum “a existência do sol não precisa de ser aceite para que ele exista de facto”. É mais uma questão de reconhecimento, se calhar, para mim. Julgo que o transgendersismo que se tem falado maioritariamente neste tópico até aqui, parece-me mais ser um transgenderismo “social”. Não é tanto um questão de uma pessoa sentir-se do sexo masculino ou feminino ou os 2, ter um orgão sexual masculino ou feminino ou os 2, mas de convenções sociais do que é ser feminino e masculino, do que é ser homem e mulher. Não são mais que isso... convenções! Podia calhar que só os homens pudessem usar saia e as mulheres gravatas! Podia calhar que a maioria das mulheres usassem por tradição o cabelo curto e os homens o cabelo comprido. Seria importante lutar contra estas convenções para que a diversidade e a liberdade fosse reconhecida, na minha opinião. Quando abri o tópico usei o termo “transgenderismo” por ser mais abrangente e achar que possibilitaria maior debate das várias variantes, mas na verdade interessava-me mais falar do transgenderismo a nível psicológico e físico e especialmente a experiência dos transexuais e dos intersexuais. Mas isso sou eu... acima de tudo abri o tópico porque ainda não se tinha falado deste assunto e o fórum diz-se ser para além LGB também T. :)

Fiquem bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Magia em 09.set.2002, 16:47:43
:curtain A blue disse: "Podia calhar que só os homens pudessem usar saia e as mulheres gravatas! Podia calhar que a maioria das mulheres usassem por tradição o cabelo curto e os homens o cabelo comprido."

eles la na escocia n usam saias?? :´ e n ha colegios em k as ninas usam gravatas? (k, diga-se de passagem.. adorooooo!!!)  ::)
Hehehehe... :devil ;D até há bem pouko tempo, pa mim toda a roupa era de mulheres, incluindo acessorios komo as gravatas... Pois bem, kem é k tem de se tapar mais, nao é a mulher? :inq Se um gajo tirar a t-shirt no meio duma sala n lhe dizem nd, algumas olham e tal, mas já é banal.. agora, se fôr uma mulher...  :obem, n preciso dizer mai nd! néh?  (e aki entenda-se homem e mulher em termos fisikos... oki?)   :clown

E pontux, já um kado off topic  :blush(e daí até naum...) mas n conseguia fikar kalada.. hehehe  :up

fikem benne...  :-*
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 09.set.2002, 22:02:09
Responder
eles la na escocia n usam saias??  e n ha colegios em k as ninas usam gravatas? (k, diga-se de passagem.. adorooooo!!!)

Verdade, Magia! Mas infelizmente ainda são consideradas excepções... ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 09.set.2002, 23:39:22
Bluejazz:

Responder
Como conheço e diz-se que existem pesssoas que se sentem ter os 2 géneros ou não ter nenhum (a nível psicológico)


Estou curioso! Haverá algum livro/site na net/ whatever que uma pessoa possa consultar para saber sobre estes casos?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 10.set.2002, 04:17:58
Hain, as estas horas da matina a preguiça já é muita e como não sou "expert"... ;) Valeria a pena a "laetitia" do nosso fórum dar os ares da sua graça, porque ela sabe muito sobre este assunto... :)

Mas de qualquer modo há sempre algumas sugestões de livros aqui: http://ex-aequo.web.pt/livrostrans.html.

Talvez algum fale deste assunto... :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 10.set.2002, 16:33:48
X-pression,

quando dizes que estamos a ser nós os primeiros a discriminar porque o forum só oferece a opção do icono masculino ou feminino penso que por razões como essas foi criado este «cantinho».

Acho que a Bluejazz abriu este tópico para que cada pessoa possa enriquecer o forum com as suas experiências.  E irmos, assim, mais longe que um mero simbolo feminino ou masculino.

Fica bem!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: FeNiXx em 10.set.2002, 17:38:43
??? aiiiiiii esta questão do trans-n-sei-o-quê é mto complicada para a minha cabecinha!!  :( porque n aceitam as coisas sem questionar? vejam as coisas tal como elas são! já dizia o Mestre:

Pensar é estar doente dos olhos. - Alberto Caeiro


;D
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 11.set.2002, 01:31:09
Oi :)

Devo confessar que tenho muitas dúvidas em relação a este tema, especialmente porque (pelo menos do que sei) nunca conheci pessoalmente uma pessoa que fosse transgender/transsexual. Por isso, tenho muitas perguntas  :´ e como diz o Denzel Washington no Philadelphia: "ok, explain it to me like I was a 2 year old"  :P

1) Gostaria de saber se existe uma "estatística" algo oficial sobre o número de pessoas transsexuais num âmbito global? Eu sei que estas estatísticas não são de fiar, e certamente não me vou apegar a quaisquer resultados... mas enfim, de início dá para ter uma noção mais ou menos.  :inq

2) Hoje em dia, é cada vez mais comum os homens assumirem tarefas domésticas e as mulheres terem um emprego fora de casa.  Será que poderemos considerar isso como uma forma de transgenderismo? Numa época em que os papeis sociais da mulher e do homem estão em constante mutação, devo dizer que não consigo assimilar muito bem o conceito de trasngender. Por exemplo, se um homem cozinha, lava a loiça, toma conta de crianças... isso faz dele um transgender? Se uma mulher conduz, não tem filhos, fuma e é a grande chefa de uma multinacional, ela é transgender?
Qual é o modelo clássico de homem/mulher pelo qual averiguamos se os homens/mulheres são ou não transgenders? Será o mesmo modelo de há 10 anos?


3) Em relação  pessoas bigendered referidas pela Bluejazz num dos primeiros posts... qual é a aceitação por parte da sociedade destas pessoas? Imagino que viver um género numa semana e outro noutra deve ser algo que não é facilmente admitido pelas outras pessoas? E, só por curiosidade, há algum estudo cientifico que aborde esta particularidade?

4) Relativamente  pessoas thirdgendered... esta é uma pergunta provavelmente estúpida, mas... que outro género procuram estas pessoas? Uma amálgama dos tradicionais? Não procuram nenhum género? É possível viver sem género?

Ainda tenho muitas mais perguntas, mas se alguém me souber responder a estas, agradeço :) E, devo também notar, que provavelmente fiz muitos erros de interpretação de posts anteriores, peço por isso desculpa, deve-se somente à minha grande ignorância sobre o assunto.

Obrigado.

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 11.set.2002, 12:33:20
Hain,

em relação á tua primeira questão sei que existem artigos sobre esta temática (comprometo-me em procurar estudos fidedignos). Uma vez que agora só encontrei links deste género: http://transsexual.org/

À tua segunda questão não chamaria trangenderismo mas sim EMANCIPAÇÃO DA MULHER. Houve uma nivelação dos papeís mulher-homem ou homem-mulher.

3rd question: é óbvio que a aceitação por parte da Sociedade deixa muito a desejar, até porque é muitas vezes segregadora e só considera normal aquilo que aparece com mais frequência na curva de Gaus considerando patológico tudo o que se encontra à sua esquerda (definição do normal segundo o critério estatístico)...  (estou meio a brincar...)

Quero dizer com isso que até a gramática portuguesa peca, as palavras deveriam ser desprovidas de género. Como queres então que seja fácil a aceitação de cada um neste domínio?... Cruel e devastadora no minímo...

At last but not the least... Porque todos temos que viver com género definido? Para mim o «não-género» é outra forma de estar de algumas pessoas.

:) Fica bem!

p.s. De todas as formas, acho que neste forum haverão muitas outras pessoas que te poderão elucidar muito melhor que eu. Mais que não seja porque vivem algumas destas questões...

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 12.nov.2002, 14:28:50
Olá,

Encontrei o que me parece ser uma selecção boa de livros em inglês sobre questões do género, intersexualismo e trangenderismo na Amazon. Deixo o link no caso de alguém querer consultar ou dar uma vista de olhos na página...

http://www.amazon.com/exec/obidos/ASIN/0060192119/philosophyresour/102-4736820-0693744

Um abraço!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 23.jan.2003, 12:43:44
Achei que esta era a melhor thread para expôr isto...

Estou a  estudar Psicopatologia  :book e no capítulo de comportamento sexual, encontra-se como uma das perturbações principais as perturbações da identidade de género, em que o sujeito se identifica intensa e persistentemente com o sexo oposto, o problema não coexiste com perturbações da diferenciação sexual (intersexos) e pode conduzir a desejo de mudar de sexo (transsexualismo).

Comentários, anyone?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 23.jan.2003, 19:40:18
Hain,

tb me lembro de ter estudado em Psicopatologia, na parte das perturbações sexuais qualitativas os «T´s»... >:( >:(
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 23.jan.2003, 22:05:31
Tinha cá um feeling que eras tu quem me ia responder primeiro  ;) ;D

Fiquei muito surpreso quando o professor disse aquilo. Quer dizer, sempre pensei que não fosse considerado como uma perturbação. As pessoas antes de mudarem de sexo não fazem uma bateria de testes psicológicos e também um extenso acompanhamento?

Contradições, contradições  :´
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 23.jan.2003, 23:28:59
Hain,

Sim fazem. Não me lembro ao certo mas tens um arduo acompanhamento médico e psiquiátrico, incluso tens que fazer uma experiência laboral em trabalhos essencialmente para homens ou mulheres o que a mim me parece uma aberração porque eu posso querer mudar para o sexo masculino sem que para isso tenha algum interesse em ir trabalhar numa coisa que não tenha a ver comigo.

Fazem essa fantochada toda porque argumentam que é uma coisa irreversível e que depois não há volta atrás. Em Espanha sei que as operações entram pelo Estado mas em Portugal não sei como é a situação. De todas as maneiras parece-me bastante incongruente por parte da comunidade ciêntifica  que os «T´s» sejam considerados uma patologia qualitativa no campo das perturbações sexuais.
...........

Nota rodapé

As minhas aulas practicas eram com a Dra. F. Ribeiro que identificava os clientes dela com nome e se fosse preciso que eram e o que faziam. Lembro-me de estudar passo a passo as perturbações de um personagem famoso do nosso meio artistíco... Uma vergonha!! Uma vergonha!  >:(
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: zelia_duncan em 24.jan.2003, 18:45:12
http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=20390&idselect=9&idCanal=9&
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Strigo em 21.fev.2003, 22:32:35
Bem, demoro muuuuito tempo para escrever (este tópico está aqui desde Agosto:o) e a escrever qualquer coisa mais pessoal. Para não adiar mais obriguei-me hoje a responder, mas algum problema técnico impediu-me de enviar isto de manhã:

É assim: eu sou transgénero, mais específicamente transexual, isto significa que apesar de ter escolhido o simbolozinho masculino no perfil deste fórum para me identificar, o meu BI diz o contrário.

Respondendo  perguntas que a Bluejazz aqui colocou faz tanto tempo:
Responder
Lanço a pergunta: para quem se considera
transgender, quais são as dificuldades que encontram
perante o que são, como é que se deram conta e quais
foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...

Ora as dificuldades... As principais dificuldades foram internas, ou seja, o lidar comigo e com um corpo que nunca senti que me pertencesse e o mais difícil foi quando a infância acabou e, ao mesmo tempo que deixava de ter idade para acreditar que o meu corpo se tornaria masculino por artes mágicas, este tornava-se cada vez mais difícil de suportar  :(
Quanto a dificuldades com as outras pessoas nem me posso queixar, apesar de perceberem que eu era diferente não senti discriminação, a não ser da minha parte, ou seja, muitas vezes fui eu que me isolei dos outros por me sentir diferente.

Como me dei conta? Nunca me dei conta. Não houve um momento em que me apercebesse que era transexual, simplesmente sempre fui, sempre o soube.

Quanto a reacções, as pessoas mais próximas continuam à espera "que isto me passe", como o fazem desde a minha infância. As únicas pessoas que de facto sabem são na maioria aqui do fórum, e as reacções foram espectaculares (tem também de ser dito que são pessoas espectaculares  :-* :up)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 22.fev.2003, 07:52:38
:) :) :) :-*
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 22.fev.2003, 10:09:21
Querido Strigo,

tu tb és espectacular e muito, muito querido!!

:-*
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: naif em 22.fev.2003, 13:56:12
olá :)

Depois de ler isto tudo, percebo porque a bandeira LGBT é um arco íris lol somos uma infinidade de cores diferentes e intensas. Para a sociedade poderemos ser todos iguais mas debater assuntos como este mostra quão diferentes podemos ser...


O transgenderismo sempre foi um bicho para mim, há muita coisa que não compreendo e me faz impressão e sou uma das pessoas que rotula raparigas de camionas e rapazes de bichas.

Assumo que posso estar a ser preconceituosa, e que a minha atitude não será eticamente correcta. Provavelmente será necessário sentir que estou a ser insensivel e injusta para a mudar... Até la considero apenas que é a minha minha opinião. Não quero ferir ninguem ao dizer isto, sublinho que é apenas e somente a minha modesta opinião.


Eu acredito antes de mais na liberdade e defendo que todos devem ser livres de fazerem aquilo que bem entenderem com a sua vida pessoal, que cada um(a) deve optar por fazer/ser aquilo que o(a) deixa mais feliz... independentemente do que os outros possam pensar.

Assim, não é na minha opinião que deverão pensar as pessoas que se identificam com esta orientação sexual mas sim nos seus sentimentos e na sua felicidade porque eu posso mudar de opinião (acho que tenho abertura suficiente  para tal) mas poderão vocês mudar quem são?


Naif*



Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 22.fev.2003, 17:58:38
Responder
Assim, não é na minha opinião que deverão pensar as pessoas que se identificam com esta orientação sexual mas sim nos seus sentimentos e na sua felicidade porque eu posso mudar de opinião (acho que tenho abertura suficiente  para tal) mas poderão vocês mudar quem são?

Orientação sexual ou identidade do género?
Agora fiquei eu confusa! :inq :o ;D
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Strigo em 22.fev.2003, 19:23:25
Naif, não me feres com as tuas palavras, aprecio a tua sinceridade e percebo o que dizes, pois se até eu que toda a vida vivi com esta realidade não posso dizer que a compreenda e não me faça impressão...

O que não percebi bem é o que querias dizer com esta frase:
Responder
eu posso mudar de opinião (acho que tenho abertura suficiente  para tal) mas poderão vocês mudar quem são?


Podias esclarecer?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: naif em 08.mar.2003, 01:11:33
ola :)

desculpem so resonder agora mas venho pouco a net  :blush

Quis dizer (de um modo pouco claro, mea culpa)  que, na vida, interessa acima de tudo sermos nos proprios, independentemente  daquilo que terceiros possam pensar. Acredito profundamente nisto.

Considero que é impossivel fingirmos ser alguém diferente de nós mesmos... Isto abrange orientação sexual, valores... identidade do género, etc :P lol

Se ainda restarem duvidas, é so dizer :)

Naif*

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 24.mai.2003, 18:53:28
Queria deixar aqui um artigo do Arnaldo Jabor sobre os travestis.

O Arnaldo Jabor é um jornalista e cineasta brasileiro, que pode ser visto  segundas no GNT por volta da 1 da manhã no programa "Manhattan Connection". Gosto de o ver, assim como tb gosto muito do Miguel Sousa Tavares.

"Travesti na terceira margem do rio"  :book
por Arnaldo Jabor

Não vou falar de guerra - danem-se os religiosos que destroem o mundo em nome de Alá e Jesus. Uma noite dessas, fui a Lapa, como meus amigos Miguel Faria Jr. e Ruy Solberg. Fomos ver a obra de finalização do Estrela da Lapa, o hiper-espaço, o cabaré pós-moderno, o já famoso night club mutante que Ruy vai inaugurar na mitológica esquina onde Noel Rosa flanava, onde porristas transcendentais faziam a música dos anos 30/40 - a esquina de Lavradio com Mem de Sá. A Lapa é um vivo museu de velhas casas deslumbrantes, botequins, bordéis, casas de pasto, fachadas meio barrocas meio neoclássicas que tinham de ser preservadas, em vez da sórdida filial oportunista do Guggenheim submarino que vai matar os baiacus da Praça Mauá.

Em frente da futura Estrela da Lapa, há um ponto de travestis iluminados.

Quando passamos, um deles gritou meu nome, veio correndo e me abraçou, dizendo que era meu fã, porque eu tinha escrito um artigo sobre as 't*******', que ele, Luana Muniz, líder comunitário havia lido numa assembléia de sexo-mutantes com grande repercussão. Fiquei emocionado com os abraços por um texto que escrevi dez anos atrás, porque realmente acho fascinante a vida dos travestis. Por isso, volto a escrever sobre eles, reproduzindo também trechos do primeiro artigo.

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 24.mai.2003, 18:54:49
Acho os travestis figuras shakespearianas, de grande dramaticidade, centauros urbanos, corajosos, encarnando duas vidas num corpo só. Os travestis almejam uma beleza superior, uma poesia qualquer insuspeitada, mesmo que movidos pela necessidade da grana do 'michê'. Não confundir o travesti com a drag-queen; a drag-queen é satírica, caricatura de uma impossibilidade; o travesti é idealista. O travesti acredita na arte; é utópico e romântico. O travesti tem orgulho de ser quem é; ele não é uma decaída - ele tenta ser uma afirmação de identidade. Na realidade, o travesti é uma espécie de ideal das mulheres, principalmente das pós-peruas, das turbinadas e siliconadas, pois elas querem ser homens também, homens macios, elas aspiram à coragem e liberdade do travesti, sem pagar o preço das ruas, pois o travesti sempre encerra um perigo qualquer.

Eles não têm a mansidão aparente das damas da noite. O travesti é um risco maior que a aids. Eles têm algo de homem-bomba - carregam um segredo que pode ter matar ou te mudar para sempre. O travesti não enfrenta a moral vigente; eles enfrentam a biologia. A garota de programa é conservadora, serve ao sistema sexual vigente. O travesti é revolucionário, quer mudar o mundo. O veado ama o homem; o travesti ama a mulher mas ele não quer ser mulher, ele quer muito mais, ele não se contenta com pouco, ele é barroco, maneirista (não existem travestis clássicos). Há algo de clone no travesti, algo de robô, pois eles nascem de dentro de si mesmos, eles são da ordem da invenção, da poesia. O travesti não quer ter uma identidade; ele almeja uma ambigüidade sempre deslizante, sempre cambiante, se parindo numa estirpe futura de neo-loucos. O que oferece o travesti ao homem que o procura?

Oferece-lhe a chance de ser a mulher de uma mulher, oferece-lhe um pênis dissimulado. O travesti que se opera perde sua maior riqueza: a ambigüidade.

Nada mais triste que o travesti castrado; não é mais homem nem mulher. Vira nada. Passa a existir só em sua fantasia. O travesti não é uma coisa simples e doce; há um lado 'criminal' no travesti. Ele não é veado. Ele tem coragem de ser duplo, coragem do ridículo, do terror no centro da madrugada. Tudo isso ele suporta pela grana, claro, mas também pela suprema glória no espaço místico da esquina do Hotel Hilton ou da Avenida Atlântica. A prostituta ajuda no tédio da vida conjugal; o travesti ameaça as famílias. Ele é útil politicamente, porque cria a duplicidade no mundo dos confiantes executivos, porque cria uma rachadura no mundo real de hoje. O travesti não é uma pobre mulher por quem você pode se apaixonar e viver feliz para sempre. O travesti é inquietante, porque você pode virar mulher dele. O homem que se casa com a prostituta é considerado um 'benfeitor' que humilha um pouco a mulher amada que salvou. O travesti nunca será grato a você; você é que terá de lhe agradecer. O travesti não dá uma boa esposa; você é que poderá virar uma boa esposa para ele: "Querida, já lavei sua minissaia de oncinha..." Você não tira um travesti da 'vida'; ele é que pode te tirar da tua. Ele tem tudo; ele é auto-suficiente. Ele é um casal; se você entrar, você é o terceiro e pode ser excluído. O travesti sabe tudo que um homem quer, pois, como seu desejo é masculino, ele conhece a mulher ideal. Só o homem pode ser a mulher ideal.

O travesti está numa missão impossível e sabe disso; ele sabe que ainda é um dos poucos redutos do sonho no mundo. Ele não é da área moral, ele é da área artística. O travesti não tem par. Quem é o par do travesti? A prostitutinha tem lá o seu amante, seu cafetão. E o travesti? Ele é só. O travesti nu em Copacabana desafia todos os pudores. Quem está nu ali na esquina, o homem ou a mulher nele? Ninguém está nu, pois ele viaja na identidade e se disfarça o tempo todo; por isso, pode ficar nu na rua - ele não é ninguém, ele não aspira a um 'eu' fechado, ele é um 'eu' contemporâneo, ele é descentrado, movente, ele é o 'sujeito' moderno. O travesti tem algo de caubói - e desperta a mesma admiração que um John Wayne de biquíni 'fio dental'. Porque você está na paz; ele está na guerra. Você passa no seu Audi e vê na terceira margem do rio, uma Marlene Dietrich de botas no meio dos faróis e lá se vai o pai-de-família perdido de loucura. Todos somos ingênuos e caretas vistos daquele ângulo, mas todos somos travestis: 'maus' vestidos de 'bons', idiotas vestidos de sábios, egoístas de generosos, bichas de machões. O travesti nos fascina porque assume a verdade de sua mentira.


http://www.geocities.com/cronistaarnaldo/index2.htm
 
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 26.mai.2003, 19:22:40
Não se falou aqui do "transgenderismo" utilizado no mundo da música contemporânea.

Por ex, Boy George, Ziggy Stardust (David Bowie), Marilyn Manson, Annie Lennox no início dos anos 80 (videos "Sweet Dreams" e "Love is a Stranger")
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 26.mai.2003, 19:47:21
Uma pergunta: haverá mesmo algo a que chamamos alma? Por exemplo, supondo que um homem sente ter "alma" de mulher, será isso alma? O que será isso, essa coisa que o faz querer mudar de sexo?

Sim, sim, pergunta altamente filosófica :P
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Strigo em 27.mai.2003, 07:47:06
Eu não acredito em almas, o que os estudos têm mostrado é que existirão cérebros masculinos e femininos.

Explicando em termos simples quando tentaram encontrar uma diferença entre os cérebros feminino e masculino encontraram uma zona que nos homens tinha o dobro do tamanho que tinha nas mulheres.
Quando foram estudar o cérebro de transexuais descobriram que o tamanho dessa zona estava de acordo, não com o sexo do corpo, mas com o género a que afirmavam pertencer.

Infelizmente essa zona só pode ser estudada cortanto o cérebro  fatias. Sei que estão a ser desenvolvidos esforços para a visualizar em pessoas vivas, o que era óptimo porque poderia tornar desnecessário o tempo que se perde em psiquiatras para ter a certeza que o paciente é transexual e permitir a operação.
Além de que se fosse possível concluir, sem margem para dúvidas, que uma criança é transexual esta poderia começar a tomar hormonas muito mais cedo, o que resultaria num corpo mais aproximado com o desejado na idade adulta.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 27.mai.2003, 11:01:47
Responder
Sei que estão a ser desenvolvidos esforços para a visualizar em pessoas vivas, o que era óptimo porque poderia tornar desnecessário o tempo que se perde em psiquiatras para ter a certeza que o paciente é transexual e permitir a operação.


vezes os psicoterapeutas servem para regular certos desajustes que tem algumas pessoas transexuais e tornam-se então necessários em certos casos para que as pessoas ultrapassem alguns problemas inter e intrapessoais. Mas na grande maioria dos casos o acompanhamento psicoterapeuta parece-me absurdo e patético porque sei de casos em que puseram mulheres que se sentiam homens a trabalhar na construção cívil para terem a certeza de que realmente queriam ser homens. Felizmente essas situações já não são tão repetidas nos nossos dias e já não se associam tanto os papeis sociais a cada sexo. Afinal uma mulher pode fazer tudo o que um homem faz e vice versa...  
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 31.mai.2003, 11:23:57
Esse conceito da "alma" é um conceito da nossa cultura, portanto não me parece que possa explicar a existência de pessoas transgender.

Por ex, no Budismo, no existe semelhante coisa como "alma", pois o Budismo nega a existência de um "eu" permanente (no Hinduísmo conhecido por "atman"). Aliás pessoas obstinadas e rigidas, que dizem "eu sou gay",  "eu sou isto", etc... acabam por sofrer muito na perspectiva budista por causa de acreditarem que as coisas são fixas... Como dizia Camões, "tudo o mundo é composto de mudança..."

Essa explicação faz lembrar o Ulrichs que dizia que o/a homossexual era um pessoa com uma alma que não correspondia ao sexo biológico da pessoa!

Queria recomendar um livro do Gore Vidal chamado Myra Breckenridge que é a história deliciosa de um transexual que se faz passar pela viúva do homem que era antes... Lá no meio do livro, ela consegue dar a volta a um heterossexual.... Muito bom para pessoas com pouco sentido de humor que passam o tempo todo a criticar os outros!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 31.mai.2003, 11:44:06
Responder

Queria recomendar um livro do Gore Vidal chamado Myra Breckenridge que é a história deliciosa de um transexual que se faz passar pela viúva do homem que era antes... Lá no meio do livro, ela consegue dar a volta a um heterossexual.... Muito bom para pessoas com pouco sentido de humor que passam o tempo todo a criticar os outros!


Ya! It sounds great to sullen people...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 31.mai.2003, 13:05:17
Responder
Esse conceito da "alma" é um conceito da nossa cultura, portanto não me parece que possa explicar a existência de pessoas transgender.


Gostaria de dizer que no meu post inicial a minha pergunta dirigia-se a transsexuais, uma vez que mencionei a mudança de sexo. Talvez não tenha sido claro o suficiente, sorry.  :´

De qualquer forma, obrigado pelo insight Strigo :) , Cacao :) e Sullen :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 31.mai.2003, 16:08:11
Hain, o espiritismo também tenta explicar a homossexualidade de uma pessoa dizendo que no fundo uma pessoa gay tem uma alma predominantemente do sexo feminino (ou foi muitas vezes do sexo feminino noutras vidas) e uma lésbica tem uma alma predominantemente do sexo masculino (ou foi muitas vezes do sexo masculino noutras vidas). Não me lembro de ler explicação para os bissexuais, mas deve ser uma misturada qualquer das 2 coisas...

Com todo o devido respeito, não sou capaz de dar nenhuma credibilidade a este tipo de explicações. Acho que tem e gera muito confusão sobre determinadas coisas. Para mim fala na verdade do transgenderismo e não da homossexualidade. Orientação sexual e identidade do género não são o mesmo.

É difícil explicar o que faz uma pessoa sentir-se mulher ou homen e por que razão no caso da transexualidade as pessoas não se sentem bem com o sexo consignado ao corpo que têm e com as expectativas que os outros têm de si mediante o corpo que têm. Acho que só um transexual "per se" nos pode ajudar um pouco a clarificar isso.

Sinceramente, não sei bem se tivesse nascido com corpo de homem, sendo tal e qual como sou agora, se gostaria ou deixaria de gostar do meu corpo masculino. Só sei que neste momento sinto-me bem com o corpo feminino que tenho e que não queria ser de outro sexo, independentemente de quem sou e do que sinto.

Isto tudo para dizer que se calhar acho que esta questão é altamente complexa. Nem falaria de almas, mas falaria das percepções que temos de nós próprios e dos outros. É claro que não estou a colocar a questão no nível do "não gosto do meu nariz e por isso vou fazer uma plástica para mudá-lo". Acho que a questão da transexualidade é bastante mais profunda...

E por exemplo os intersexuais que nascem com partes dos 2 órgãos sexuais (masculino e feminino), como será a sua percepção do seu corpo? Do que li, uns sentem que são ou mulheres ou homens ou as 2 coisas... há uma grande variedade. Agora o que define e faz com que sintam o que são ou deixam de ser pode ter influência externa ou não no que sentem que são e no modo como se identificam e caracterizam a si próprios.

É claro que como dizia um amigo meu, se toda a gente tivesse a liberdade para escolher fazer com o o seu corpo as alterações que desejar e escolher ser aquilo que quiser, estas questões nem eram tão importantes...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Lara_croft em 31.mai.2003, 22:36:23
Pois: por falar nisto, vi ontem um filme k foca esta kestao e k provavelmente mts vcs conhecem: o "boys dont cry". O filme fex m mta impressao e axo k eh mm xocante, mas estah mt bem feito e pos m em contacto com esta realidade k no fundo n conheco mt bem!
Axo k no filme eh bem explicita a diferenca entre homossexualidade e transexualidade, uma vex k a protagonista (ou deveria dizer "o" protagonista  :inq) n s veh como uma mulher e gosta da namorada como um homem. Axo k isto deve ser mm estranho e ainda mais em termos sexuais faz m bueh confusao.
Penso k estas pessoas devem sofrer bastante, em termos sociais, mas tb em termos d identificacao com o proprio corpo e sem falar k deve ser mt complicado relacionarem s  com outras pessoas.
Axo k n estou a ser preconceituosa, soh estou a dizer k m faz bastante confusao, tvx por ser uma realidade k n conheco bem  :book
Jah agora, s alguem souber gostava d saber s existem mts transexuais, e s eles sao em maior numero k a comunidade homosexual e bissexual. Tb gostava d saber s os transexuais s relacionam predominantemente com heterosexuais ou s tb o fazem com outros transexuais e com homossexuais (pode haver por exemplo um homem k keira ser uma lesbica).
Anyway: s alguem souber satisfazer m estas curiosidades...  :heart
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 04.jun.2003, 13:18:48
Oi!
Na semana passada houve uma tertúlia interessante no CCGLL, com um escritor americano que esteve envolvido no movimento de "libertação" LGBT nos E.U.A. e que abarcou vários temas muito interessantes.
Uma das coisas curiosas que ele disse foi que, como a homossexualidade já é um dado adquirido e aceite pela maioria da sociedade nos Estados Unidos, o assunto em agenda neste momento é a identificação do género. Chegaram à fase, digamos assim, em que a comunidade
LGBT se está já a debruçar sobre este assunto, depois de ter abordado e com sucesso diminuído os preconceitos contra a homossexualidade.
A minha pergunta é quando é que este tema vai deixar de ser tabú em Portugal. Se todos somos filh@s de um pai e de uma mãe, como poderia ser possível nascermos com características de apenas um género? Percebem o que quero dizer?
As meninas não saem só à mãe, e os meninos não saem só ao pai, certo? Segundo a minha lógica não faz sentido separarmos o que é feminino do que é masculino. Está tudo interligado, e a meu ver "feminino" e "masculino" não passam de conceitos fabricados pela sociedade, que cada vez são mais obsoletos. Há algumas gerações esses conceitos serviam para orientar uma pessoa na sua vida - a mulher cumpria o papel de mãe e dona de casa, era submissa e recatada, e o homem trabalhava para sustentar a família, sendo a autoridade da família - mas hoje em dia cada um é livre de escolher a sua profissão, o seu tipo de relacionamentos e de agir conforme a sua consciência.
A sociedade portuguesa ( pois parto do princípio que com a americana já não se passa o mesmo ) continua a associar ao termo lésbicas "mulheres masculinas" e ao termo gays "homens efeminados", porque não vê o outro lado, as lésbicas femininas e os gays masculinos, porque normalmente não são assumidos ( na minha opinião ). Mas se uma grande parte ultrapassa realmente a barreira dos géneros, porque é que não nos devemos assumir assim? Porque é que tudo o que foge à norma é considerado feio e perturba as pessoas? Porque é que as pessoas não apreciam verdadeiramente o que as pessoas sentem e são, não obstante o seu visual e atitude?
Os ingleses/americanos têm dois termos para caracterizar as lésbicas, femme e butch, que não acredito que estejam em campos totalmente opostos, que reflectem apenas um pouco da diversidade que existe no meio LGBTT. Não devíamos começar a aceitar estas coisas naturalmente como os nossos semelhantes fazem além fronteiras?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 04.jun.2003, 15:10:19
A maioria a que o escritor se refere é os poucos mais de 50% da população americana?  :´
Não me parece que os americanos compreendam verdadeiramente a homossexualidade, nem tão pouco que a aceitem (sem a ridicularizar, isto é  :-X).
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 04.jun.2003, 15:12:51
Responder
Oi!
Na semana passada houve uma tertúlia interessante no CCGLL, com um escritor americano que esteve envolvido no movimento de "libertação" LGBT nos E.U.A. e que abarcou vários temas muito interessantes.
Uma das coisas curiosas que ele disse foi que, como a homossexualidade já é um dado adquirido e aceite pela maioria da sociedade nos Estados Unidos

:inq Acho difícil... não me parece que seja um dado adquirido e aceite pela comunidade norte americana.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 04.jun.2003, 15:27:48
Hum, por acaso penso o mesmo que a Cacao e Hain, de acordo com o que conheço. Há estados americanos onde é muito mais difícil ser-se homossexual (de longe!!!) do que em Portugal. Aliás nalguns estados actos sexuais anais/homossexuais, etc. são proibidos por lei.

Os EUA ainda não são um paraíso nessa área, seria preferível dar antes como exemplo positivo os países nórdicos europeus.

O Sr. em questão, que é Psicólogo Académico, há-te ter as suas opiniões e com certeza, pelo que sei dele (não fui à tertúlia, mas foi-me apresentado pessoalmente horas antes e muito bem explicado o que fazia e já fez :P), algum conhecimento deste tema terá, mas parece-me que está a colocar a coisa demasiado "cor-de-rosa" perante os problemas que a homossexualidade ainda tem na sociedade americana, especialmente nesta era republicana. Enfim, deve ser um optimista! lol

Mas que não é preferível viver em certos estado americanos em relação a Portugal no que toca à homossexualidade, não é! Tão certo como eu estar aqui! :P

Os EUA têm é sem dúvida um movimento LGBT muito forte e bem organizado (porque também são muitos!). :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 05.jun.2003, 11:45:09
Isto aqui foi tirado do boletim Diversidad da AI Espanhola.

Curiosamente, aunque Estados Unidos ha sido históricamente el país en el que el movimiento de liberación de gays y lesbianas ha logrado algunas de sus metas más sonadas, al mismo tiempo es uno de los países del mundo donde la legislación sigue considerando las relaciones sexuales entre personas del mismo sexo una cuestión sancionable por las leyes. En diecisiete de sus estados la homosexualidad todavía es un delito.

Derechos del colectivo LGBT en Estados Unidos
Los distintos estados que forman el país poseen leyes propias que regulan las relaciones entre personas del mismo sexo. En algunos casos nos encontramos con regulaciones muy conservadoras que contrastan con otros estados que poseen leyes muy permisivas, como muestran estos datos:

•      El sexo anal es ilegal en 17 estados;
•      Vermont es el único estado que reconoce legalmente las uniones entre personas del mismo sexo;
•      En ciertos estados existen leyes que permiten dar asilo a personas que huyen de sus respectivos países por sufrir persecuciones basadas en su orientación sexual;
•      En algunos estados se permite la adopción de niños a parejas del mismo sexo;
•      En lo relativo a discriminación laboral existe protección legal en algunos estados contra la discriminación laboral por motivos de orientación sexual;
•      El cambio de sexo realizado por transexuales es legal o se realiza de manera abierta sin ser perseguido en ciertos estados.


Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 05.jun.2003, 20:10:29
Responder
El cambio de sexo realizado por transexuales es legal o se realiza de manera abierta sin ser perseguido en ciertos estados.

Really? Não sabia. Que estados, alguém sabe?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 06.jun.2003, 17:20:19
Voltando ao assunto que me levou a escrever. Não ponho em causa o facto de tudo ainda não ser perfeito para os homossexuais nos E.U.A., simplesmente em Portugal continuam a usar-se os termos "camionista" e "maricas" sem razão de ser, e a descriminar-se as lésbicas menos femininas e os gays menos masculinos, porque o movimento de libertação LGBT ainda não se debruçou ( ao contrário do movimento LGBT norte-americano ) sobre o problema da identidade do sexo em Portugal.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 06.jun.2003, 20:38:17
A rede ex aequo já, ao preocupar-se abertamente e sem rodeios com a questão do transgenderismo... ;)

O texto elaborado que a rede ex aequo tem no seu site foi aliás já utilizado por uma activista transexual numa workshop para a Abraço... :up

É de facto importante não cairmos em extremos, como referes indirectamente. Nem discriminarmos uns por serem de um estilo nem outros por serem de outro.

Saber aceitar a diversidade pura e plenamente.

Aliás, das pessoas que conheço que participaram nas actividades da associação em que eu também participei, acho que até somos bastante heterogéneos tal como seria de esperar, o que é muito positivo.

Ninguém se deverá ter sentido diferente por isso, porque havia mais gente igual ou parecida, quer tivesse um aspecto de uma maneira ou de outra. Pelo menos foi o que eu senti. Não posso claro, falar de situações e locais onde não estive presente!
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 08.jun.2003, 15:51:54
É claro, Blue, que vocês estão a contrariar essa tendência e têm abordado até temas muito interessantes no fórum.
Acho que têm tentado realmente abranger o máximo de perspectivas possíveis da problemática GLBT, incluindo o transgenderismo que é um tema ainda muito pouco discutido em Portugal, generalisticamente falando, sendo por isso ainda uma espécie de tabú.

Responder
Saber aceitar a diversidade pura e plenamente.


É isso que eu defendo também e que gostava de conseguir tanto a nível individual como colectivo.

Responder
Aliás, das pessoas que conheço que participaram nas actividades da associação em que eu também participei, acho que até somos bastante heterogéneos tal como seria de esperar, o que é muito positivo.


Mais uma vez concordo contigo, só posso falar do Grupo de Jovens e do Grupo de Mulheres, mas as coisas que sempre me agradaram no convívio destes grupos foram/são a abertura e a tolerância, e porque não falar também na amizade, que permite que cada um/a possa ser simplesmente ele/a próprio/a.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 13.jun.2003, 15:34:05
Tenho estado a ler coisas na Internet sobre o transgenderismo. Encontrei um livro em pdf chamado “Transgender Equality” da responsabilidade da National Gay and Lesbian Task Force. Já perdi o endereço, mas depois posso procurar se alguém quiser. Lá tem o testemunho de uma lésbica “transgender”. Achei este livro interessante, embora centrado na realidade americana. Deixo aqui o testemunho dessa lésbica.

F. M. CHESTER
A transgender lesbian speaks on gender

F.M. Chester gave this speech at the Lexington-Fayette Urban County Council Meeting, July 1, 1999 in support of a fairness
ordinance. The ordinance, which included gender identity, passed a week later.

Hello, my name is Chester and I am here to talk about Gender Identity. I am a Nurse Practitioner and Co-Coordinator of the Fairness Campaign Louisville. I am also a transgendered lesbian.

Gender Identity is an umbrella term and is not linked to a person’s sexual orientation. Gender Identity refers to people who manifest characteristics not traditionally associated with one’s biological maleness or femaleness. Gender Identity is the “protected class.”

“Transgendered” is the term used by people who identify as alternatively gendered. Transgendered people include transexuals, cross-dressers, effeminate men and masculine women.
Transexuals are people who go through sex reassignment. They are people who are born one sex and go through a medical process, including hormones and surgery, to change their body to the desired sex. Part of the process of sex reassignment is called the “Real Life Test.” Prior to sex reassignment surgery, transexuals must live for one year successfully as the desired sex. They must be identified or “read” as the desired sex by society. They must pass.

Some transexuals choose not to have surgery. There is no way to tell a preoperative or non-operative transexual from a post-operative transexual unless you look at their genitals or ask them.
Some transexuals are heterosexual, some are homosexual.
Cross-dressers are primarily heterosexual men who sometimes wear female clothing. Most cross-dressers hide their cross-dressing from their spouses, family and friends for fear of reprisal. Most of these people are identified by others as a gender that is not their biological sex.
Most times there is no way to tell a full time cross-dresser from a transexual or someone biologically male or female except to look at their genitals or to ask them. Effeminate men and masculine or “butch” women are people who don’t conform to traditional gender norms.
Not all effeminate men or masculine women are homosexual.
Transgendered people are people who do not present characteristics traditionally associated with one’s biological sex.



Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 13.jun.2003, 15:35:49
Many of the people in this room probably thought I was male when they first saw me. I am not. I am biologically female. However, my gender presentation is very masculine. I am a “mannish” woman. I also wear men’s clothes. I cannot wear women’s clothes comfortably. They feel wrong. When I wear women’s clothes I feel anguish. I feel like I am in “drag” and that I am “passing” as a woman. I have always been like this.

When I was a child, I was a “tomboy.” I remember telling everyone “I’m not a boy, I’m a girl” because everyone thought I was a boy. In sixth grade I moved and changed schools. In that school the boys sat on one side of the room and the girls on the other. I walked into class for the first time and heard “Yea! another boy for our side!”
In High School I was tormented with the nickname “Birl.” B-I-R-L. Which was short for Boy-Girl.

I am not transexual. At this point in my life, I do not want to become a man. I have considered changing my sex and have rejected it for me right now.
It is difficult to go through life as ambiguously gendered. I am frequently mistaken for male in women’s restrooms. I have been chased into women’s restrooms by male security guards [questioning my gender]. I have been told by women in women’s restrooms that I do not belong there.

I am also the victim of discrimination on the basis of gender identity. I was told my gender presentation was not appropriate in graduate school. While I was in my second to- last semester at Vanderbilt University School of Nursing I was told that a few patients and my preceptor had complained, and that if I did not dress and present myself as recognizably female, I would not be allowed to progress in my program and to graduate. This was incredibly damaging to me. I was, like any victim of discrimination, deeply shamed. I was outraged, hurt and embarrassed. I almost left my chosen profession over this.

I am currently employed as a nurse practitioner at a clinic in Louisville. I provide primary health care for primarily indigent patients. I have been there for 5 years. I wear tennis shoes, khaki pants, a polo shirt and a lab coat. Sometimes children ask me if I am a boy or a girl. I always tell them that I am a girl. If I were not able to wear clothes that were comfortable to me at work, I would have to find another profession. If I did there would be approximately 1500 people a year in Louisville who would have no health care. I am angry at society that tells women like me I should work construction or be an auto mechanic. I am an educated professional and deserve to work in my chosen profession. Much of the discrimination that occurs against gay, lesbian and bisexual people is not because of their sexual orientation but is because that person has presented themselves as gender deviant. Effeminate men and mannish women are primary targets of discrimination.

One last thought. I live in Louisville, what I am doing here in Lexington? I am standing up and speaking out as transgendered for all of the transgendered people who are afraid to speak up. Many transgendered people, especially ones who pass, are fearful for their livelihood and their lives. There is no protection against discrimination on the basis of gender identity.
Please continue to include gender identity in the Fairness ordinance. Everyone deserves to live free from discrimination. And people like me deserve to be protected.

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 19.jul.2003, 15:44:34
Já agora que peguei neste livro, mais umas frases:

O meu modelo de dualismo é a drag queen, que negocia entre personas sexuais dia a dia. Algumas vezes chamo ao meu sistema "feminismo drag queen". As queens são "feras", em todos os sentidos. Mestres do discurso agressivo e dissoluto, conhecem as ruas e os seus perigos e lutam contra eles sem correr para debaixo da asa das figuras de autoridade , que dificilmente lhes seriam simpáticas. As queens, ao contrário das feministas, sabem que a mulher é dominatrix do universo. Ao vestirem os seus trajes opulentos, adquirem uma energia sobrenatural, insignia histórica do poder da mulher. As prostitutas e as drag queens são guerreiras sexuais que lançam um desafio pagão ao decoro burguês(...).

PAGLIA, Camille - Vampes e Vadias  :book
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 19.jul.2003, 22:58:34
Responder
a mulher é dominatrix do universo


Uhhh. Dá toda uma nova perspectiva sobre girl power  lol
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SullenBoy em 20.jul.2003, 11:32:34
Sim, nunca ouviram falar em Salomé, Dalila ou Helena de Tróia?

Bastante "girl power" tinham elas. :devil
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 22.out.2003, 12:06:10
Esta é capaz de ser a notícia relacionado com o que vinha no rodapé do telejornal da SIC ontem e que a xate mencionou, mas não me parece que dê resposta à origem genética ou não da homossexualidade, mas sim da transexualidade. Para além disso o estudo foi feito em ratos e não em humanos...


Sexual Identity Hard-Wired by Genetics, Study Says
Mon Oct 20, 8:47 AM ET  Add Top Stories - Reuters to My Yahoo!
 
LOS ANGELES (Reuters) - Sexual identity is wired into the genes, which discounts the concept that homosexuality and transgender sexuality are a choice, California researchers reported on Monday.

"Our findings may help answer an important question -- why do we feel male or female?" Dr. Eric Vilain, a genetics professor at the University of California, Los Angeles School of Medicine, said in a statement. "Sexual identity is rooted in every person's biology before birth and springs from a variation in our individual genome."

His team has identified 54 genes in mice that may explain why male and female brains look and function differently.

Since the 1970s, scientists have believed that estrogen and testosterone were wholly responsible for sexually organizing the brain. Recent evidence, however, indicates that hormones cannot explain everything about the sexual differences between male and female brains.

Published in the latest edition of the journal Molecular Brain Research, the UCLA discovery may also offer physicians an improved tool for gender assignment of babies born with ambiguous genitalia.

Mild cases of malformed genitalia occur in 1 percent of all births -- about 3 million cases. More severe cases -- where doctors can't inform parents whether they had a boy or girl -- occur in one in 3,000 births.

"If physicians could predict the gender of newborns with ambiguous genitalia at birth, we would make less mistakes in gender assignment," Vilain said.

Using two genetic testing methods, the researchers compared the production of genes in male and female brains in embryonic mice -- long before the animals developed sex organs.

They found 54 genes produced in different amounts in male and female mouse brains, prior to hormonal influence. Eighteen of the genes were produced at higher levels in the male brains; 36 were produced at higher levels in the female brains.

"We discovered that the male and female brains differed in many measurable ways, including anatomy and function." Vilain said.

For example, the two hemispheres of the brain appeared more symmetrical in females than in males. According to Vilain, the symmetry may improve communication between both sides of the brain, leading to enhanced verbal expressiveness in females.

"This anatomical difference may explain why women can sometimes articulate their feelings more easily than men," he said.

The scientists plan to conduct further studies to determine the specific role for each of the 54 genes they identified.

"Our findings may explain why we feel male or female, regardless of our actual anatomy," said Vilain. "These discoveries lend credence to the idea that being transgender --- feeling that one has been born into the body of the wrong sex -- is a state of mind.

http://story.news.yahoo.com/news?tmpl=story&u=/nm/20031020/ts_nm/health_sexuality_brain_dc_4
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: XATE em 22.out.2003, 17:52:44
 :P Realmente, já andei a vasculhar no site da sic, e não vi lá nada  ???

Ponto 1- Já aconteceu ver uma noticia em rodapé e o pivot não falar dela.

Ponto 2- Realmente fiquei pasma com aquele "UFO" que passou em rodapé, e juro que estava lá escrito homossexuais e não transexuais, e a referência ao estudo genético e á "opção" ???

Ponto 3- Fiquei tão pasma que procurei ler outra vez  ??? só que a dita cuja já tinha entrado um bom bocado, no lado esquerdo  :( e passado pouco tempo, o jornal da noite acabou  :(

Ponto 4- Por isso perguntei, aqui, se alguém tinha visto o jornal da sic de ontem  ???

Ponto 5- Eu sei que foi o Nobel que descobriu o dinamite, mas, temos sempre que esperar por atrevidos, que querem descobrir outra vez  ::)

Ponto 6- Apesar de não ser tarde para alguns, áquela hora, costumo estar mais a "dormir" do que "acordada".

Ponto 7- Se realmente estava acordada, e vi o que li, com uma pólvora daquelas, ninguém se calava hoje.

Ponto 8- Estou um bocado cansada do jornalismo sensacionalista.

Moral da história: Estou saturada de televisão. :-X :P

Ps: Em relação aos ratos, não vou menosprezá-los, muitos dos conhecimentos que adquirimos até hoje, tem sido á custa do sacrifício da rataria. ??? A questão da ética, só é realmente aplicada, quando mais nos convem. :( ???

Assinado: ratazana chefe ;D :-X
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Dido em 12.nov.2003, 15:47:14
lol se uma rapariga se veste á dread ou usa gravata já é maria-rapaz... nk gostei desse termo, pk implika um bokado de perda de feminilidade e, digamos... sensualidade? e eu tenho-a! (ai de kem diga k nao a tenho... lol)

Acho que não é bem assim.. :inq
Depende um pouco da maneira de ser/estar da pessoa mas tenho a certeza que existe por aí muita menina (independentemente da tendência sexual) dread ou que usa gravata.. mas que te pinta para isso e que não perde a feminilidade. Cada pessoa tem também de ver até que ponto é que perde a feminilidade com certas roupas (caso se sinta mal com essa perda, claro está).
 ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 22.nov.2003, 20:32:18
Responder
Estou a  estudar Psicopatologia e no capítulo de comportamento sexual, encontra-se como uma das perturbações principais as perturbações da identidade de género, em que o sujeito se identifica intensa e persistentemente com o sexo oposto, o problema não coexiste com perturbações da diferenciação sexual (intersexos) e pode conduzir a desejo de mudar de sexo (transsexualismo).
(Cacao)

Na minha opinião esta deve ser uma perturbação bastante dolorosa. Imaginem como se sentiriam se nascessem com o corpo de uma rapariga (a título de exemplo) e se sentissem como um rapaz ao longo de toda a vossa vida? Como conseguiriam lidar com a discrepância entre o corpo e a mente, e com a puberdade (com o aparecimento dos caracteres femininos como as maminhas e o período ), e principalmente como conseguiriam relacionar-se com as pessoas que vos rodeavam se não se aceitavassem a si próprias tal como haviam nascido?
Penso que uma pessoa que esteja nesta situação deve viver num permanente receio de "ser descoberta", isto é, deve sentir-se muito insegura em relação às outras pessoas e ao contacto íntimo com elas, pois assim descobrirão que o seu corpo é incompleto (ou está errado), não correspondendo ao género que ela pretende transmitir.

Existe um livro muito interessante sobre este tema, que se lê muito bem, pois está escrito numa linguagem muito acessível, intitulado "Transexualidade, perguntas e respostas". Notem que o seu conteúdo pode ser perturbador por vezes, pois a transexualidade é uma perturbação psíquica, um recalcamento muito grande, que pode ou não desencadear uma mudança de sexo.

Existe também já uma associação para transgenders e transexuais, chamada @T que pertence à ILGA, mas que está também ligada à Livraria "A Esquina Cor-de-Rosa", no Bairro Alto.

Ciao
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 22.nov.2003, 21:13:34
Achei que esta era a melhor thread para expôr isto...

 Estou a  estudar Psicopatologia  :book e no capítulo de comportamento sexual, encontra-se como uma das perturbações principais as perturbações da identidade de género, em que o sujeito se identifica intensa e persistentemente com o sexo oposto, o problema não coexiste com perturbações da diferenciação sexual (intersexos) e pode conduzir a desejo de mudar de sexo (transsexualismo).

 Comentários, anyone?



Pink, quem escreveu esse texto que citaste foi o Hain e não a cacao.

Gostaria também de adicionar que ªt. - associação para o estudo e defesa do direito à identidade do género não pertence à ILGA e é uma associação independente.

http://a-trans.planetaclix.pt/
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 22.nov.2003, 22:20:59
Na minha opinião esta deve ser uma perturbação bastante dolorosa. Imaginem como se sentiriam se nascessem com o corpo de uma rapariga (a título de exemplo) e se sentissem como um rapaz ao longo de toda a vossa vida?
(...)
Penso que uma pessoa que esteja nesta situação deve viver num permanente receio de "ser descoberta", isto é, deve sentir-se muito insegura em relação às outras pessoas e ao contacto íntimo com elas, pois assim descobrirão que o seu corpo é incompleto (ou está errado), não correspondendo ao género que ela pretende transmitir.


Olá pink,

Porque lhe chamas uma perturbação? Não é tão dificil de imaginar porque na rede ex aequo existem trangéneros. E acredito que algumas vezes seja profundamente dolorosa essa realidade mas conheço transsexuais felizes e integros no seu dia-a-dia.

Não fui eu que escrevi a citação que puseste com meu nome, mas quando estudei psicopatologia também estudei essa variante - menos comum - da normalidade. O trangenderismo ou transsexualidade (como é referido em muitos livros) é visto como «doença» nos manuais. Nomeadamente, no DMS-VI. De todas as formas, sei que no meu dia-a-dia me cruzo inúmeras vezes por trangéneros e que estes não aparentam «anormalidade» alguma.

São diferentes, sem dúvida. Não se sentem bem com o corpo biológico, também. Mas isso não significa que tenham medo de ser descobertas ou que vivam atemorizadas e sejam umas pobres coitadas.

O trangenderismo acontece sempre que a pessoa assume um papel que não lhe é esperado pela sociedade. Com esta defenição podemos enquadrar uma série de pessoas. Marias rapazes, por exemplo ;)

Dentro do trangenderismo, está a transsexualidade. Que como tu própria referiste, acontece sempre quando uma pessoa não se identifica com o corpo biológico com que nasceu. E, depois ainda existem uma série de definições dentro da transsexualide que nos ajudam a identificar algumas maneiras de estar de algumas pessoas.

Para terminar, gostava de dizer que ainda que nos manuais venham definições incompletas, bastante desactualidades e com falta de tacto não significam que sejam verdadeiras. Também em muitos manuais actuais existem graves erros relacionados com a homossexualidade, suas definições ou formas de manifestação.

 ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: LINN25 em 27.nov.2003, 13:21:30
Concordo cacau.
(mas é DSM- IV) Diagnostic and Statistical mental disorder)

Actualmente existe uma discussão dentro das APAS para retirar a Transexualidade da lista do DSM... o que é ilucidativo da falta de legitimidade para incluir isto na lista das doenças. (á semelhança do que aconteceu em 1973 para retirar a homossexualidade da referida lista...)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: pink em 29.nov.2003, 00:11:26
Oi Cacao.
Desculpa a minha distracção em relação à citação.
Mas respondendo à tua pergunta, considero a transexualidade perturbante na medida em que o indivíduo em causa vive o dia a dia constantemente dividido entre as determinações do seu sexo biológico e do seu sexo mental.
Isto é, imagina uma situação tão simples como ir à casa de banho. A que casa de banho é que uma transexual mulher-para-homem se deve dirigir, àquela que se destina às mulheres biológicas como ela, ou à dos homens onde realmente deseja ir (apesar de não poder fazer necessidades de pé)? Além do mais, a reacção das pessoas é igualmente desmotivante: se uma rapariga entrar numa casa-de-banho para mulheres vestida como um rapaz vão com certeza pô-la na rua; se entrar numa casa-de-banho para homens, terá de ir a um cubículo e se por acaso descobrirem que é uma mulher terá lá problemas também.
O mesmo se passa em balneários de um clube desportivo, de um ginásio ou de uma piscina. Os olhares recairiam sobre a transexual que entrasse num balneário repleto de raparigas, e ela sentir-se-ia deslocada, mas seria bastante mais complicado tentar entrar num balneário de rapazes pois quando se despisse constatariam imediatamente que se tratava de uma rapariga biológica e não de um rapaz como eles.
Talvez essa seja a principal razão porque a maioria d@s transexuais repudiam os seus genitais, porque eles traem o seu "verdadeiro sexo", isto é, contradizem o seu sexo mental, obrigando-@s a seguirem a conduta determinada pelo seu sexo biológico, com o qual não se identificam.
Se se tratasse apenas de uma questão de papéis sociais ou de vestuário, como penso que se passa com a maioria dos transgenders, certamente não lhes traria tantos problemas, o indivíduo teria apenas de se confrontar com as reacções das pessoas à sua aparente contradição. Mas, quando esta disforia de género é interna e nasce com o indíviduo, ele vive um conflito não só com as pessoas que o rodeiam, mas principalmente consigo próprio, porque uma parte de si quer seguir uma direcção, mas outra impede-o de o fazer, vivendo permanentemente insatisfeito.
Outra situação bastante problemática para os transexuais é encontrar um emprego em que consiga desempenhar um papel verdadeiramente desejado por si próprio e não determinado pelo seu género biológico. Felizmente existem já vários empregos "neutros", no entanto, imagina como será difícil para uma transexual mulher-para-homem relacionar-se com os seus colegas de trabalho, uma vez que por um lado identifica-se mais com os homens, mas teme que eles entendam mal a sua simpatia, e que se sente diferente das outras mulheres (podendo ou não sentir-se atraída por uma colega) não se conseguindo inserir no seu meio.
Iria mais longe, penso que esta disforia afecta não só as relações no trabalho, mas também as relações de amizade (pelas mesmas razões) e sobretudo as relações amorosas - como é que uma transexual mulher-para-homem pode ter uma relação estável se se sente incompleta, se não se sente bem consigo própria, com o corpo que a trai (e os desejos impossíveis que a invadem) cada vez que se deita com a sua namorada?
Poderia enumerar muitos mais exemplos, porque infelizmente existem muitas mais questões que, a meu ver, tornam a vida de um/a transexual um inferno, daí a necessidade veemente que sentem em mudar de sexo, para "curarem" o seu mal e se conseguirem finalmente integrar na sociedade.
Ciao
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 29.nov.2003, 19:04:41
Pink,

Concordo com muitas coisas que dizes, nomeadamente a dos balneários. O exemplo das casas de banho parece-me que não há qualquer problema. Se eu vir uma senhora dentro das casas de banho das senhoras e notar que é um transsexual não lhe direi nada... Mas claro, é apenas a minha opinião - o meu ponto de vista! Também me lembro que já por duas vezes fui esbarrada de entrar numa casa de banho por pensarem que era um homem e não foram há mais de 7 anos estes acontecimentos. Enfim!...

Mas nem todos os transsexuais querem mudar de sexo ou às vezes fazem-no parcialmente. Há muitos homens que põem «maminhas», por exemplo. E também há transgéneros (note-se que neste caso não é o caso dos transsexuais) que sentem que têm os dois géneros ao mesmo tempo e outros que vão sendo um de cada vez... crossgendered, thirdgendered, etc.

Se estiver a dizer alguma asneira corrijam-me p.f.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: new_alien em 29.nov.2003, 19:12:38
(...) e outros que vão sendo um de cada vez... crossgendered, thirdgendered, etc.

Se estiver a dizer alguma asneira corrijam-me p.f.



??? Como assim? Mudam de semana a semana? De ano a ano? Mudam quando lhes apetece?

Desculpem lá a minha ignorancia sobre o assunto...mas que confusão que me faz....é algo que não consigo entender só por si...então com todas estas variantes....ainda mais confusão me faz.... :-\

sorry...mas não entendo mesmo.... :-[
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 29.nov.2003, 19:37:29
New alien,

Há alguma info nos primeiros posts deste tópico.

Este link vais estar repetido mas aqui vai:

http://ex-aequo.web.pt/transgenderismo.html
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: new_alien em 29.nov.2003, 19:51:28
 :) Obrigado

Eu já tinha lido algumas coisas...talvez não tudo... :-\

Mas o meu "problema"...não é a leitura....é mesmo o entendimento...a compreensão para tal....não me entra, por mais que tente.... :-\

É preconceito?!!...sim, talvez.... :-\
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 29.nov.2003, 20:03:35
É preconceito?!!...sim, talvez.... :-\


Sim, mas os preconceitos podem ser reformulados... :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: new_alien em 29.nov.2003, 20:31:18
  :) sim...poder podem....  podemos aceitar e saber lidar com, mas, isso não significa que vá compreender ....  :P

...e sinceramente existe muita coisa que não compreendo, e não sei se algum dia o vou conseguir...

...assim como existe muita coisa que não gosto e que dificilmente vou passar a gostar.... :P

Preconceitos ?! Manias?! Hábitos de vida?! Chamem-lhe o que quiserem...mas não tenho que aceitar tudo!!!  :-\
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 29.nov.2003, 21:48:44
Preconceitos ?! Manias?! Hábitos de vida?! Chamem-lhe o que quiserem...


Rigidez?!... ;)


Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 29.nov.2003, 22:12:01
 Relativamente às pessoas agendered... são pessoas que não aceitam nem papeis sociais masculinos nem masculinos?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 29.nov.2003, 22:19:53
agendered (no sentido de não pertencerem a nenhum dos géneros tradicionais),  poligendered (no sentido de terem características de ambos),  thirdgendered (que indica que o modelo dicotómico de géneros é insuficiente)...

Julgo que no caso dos agendered negam a existência em si (ou em geral?) de um género, enquanto os thirdgendered sentem que seria necessário outra "nomenclatura" para aquilo que sentem ser para além da dual que existe tradicionalmente.

No caso das pessoas que dizem sentir ter características de ambos (o que se calhar é quase toda a gente na realidade, porque existem variantes por todo lado e menos modelos exclusivos a uma das categorias) o nome é poligendered.

Contudo como não fui eu que escrevi o texto, posso estar a interpretar mal, mas julgo que é isso.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 30.nov.2003, 12:04:40
 Alguém recomenda um livrinho sobre isto? :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 05.fev.2004, 23:35:27
Iniciativa muito interessante do Clube Safo  (inclusive com material - texto sobre transgenderismo - cedido pela rede ex aequo): :up

Encontro do Clube Safo
28|29 FEV 2004 LISBOA

[TRANS] - trans|sexuais - trans|genders - trans|vestis

PROGRAMA PROVISÓRIO
 

28 FEV 2004  sábado                                                              
13H   Almoço
Restaurante os Balões - Rua da Imprensa Nacional - 116 B à Rua da escola Politécnica, Príncipe Real

Refeição completa com sobremesa e Bacalhau com natas ou medalhões de vitela com cogumelos e natas
12,5 euros por pessoa

15H Debate
com a presença de vári@s convidad@s a anunciar

trans|sexuais - trans|genders - trans|vestis – técnicos de saúde

Jantar a combinar entre as presentes
Noite TRANS de Lisboa
 

29 FEV 2004 – domingo                                

12H às 24H Work Shop sobre Drag Kings com Beatriz Preciado
escritora e activista lésbica
Inscrições limitadas a 15 participantes  

www.clubesafo.com || clubesafo@clubesafo.com || 966 239 239

Encontro Sócias: grátis
Encontro Não sócias: 5 euros
Work Shop: 15 euros
Inscrições até 23 FEV para Apartado 95, 2000 029 Santarém
pagamento Encontro e/ou almoço e/ou work shop por cheque a Associação Clube Safo

ou por transferência bancária p o NIB 00350-3940-00076-4633091

http://www.clubesafo.com/actividades/trans.htm
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: cacao em 07.fev.2004, 17:45:06
daLua,

Fizeste-me lembrar uma música de Sílvio Rodriguez que se chama "Y Mariana"...

Diz que ninguém está conformado com o que tem, um senhor que ser senhora, blá blá " y mariana quiere ser canción"...

Responder
Transgéneros, transexuais, travestis, e disfóricos em geral, estão todos no mesmo barco. É o barco dos inconformados. Uns não se conformam com a sua anatomia, outros com o papel social que lhes foi imposto, outros não se conformam com o guarda-roupa.

Querias mesmo dizer disfóricos?! :inq ;)

E porque dizes que são inconformados? Explica melhor pwease... :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 14.set.2004, 18:46:53
 Estando a ver o programa de transgenderismo da Oprah... e porque aquilo é suposto ser algo conceituado...

 Porque é que uma profissional de assuntos transgender não faz uma distinção entre transsexuais e transgéneros? É que ao dizer que uma criança "que quer tirar o pénis" é transgénera, está meio correcta... essa criança é transsexual.

 Ou um homem que realizou uma mudança de sexo... é um transsexual, não é apenas transgénero.

 Vendo o programa, parece que todos os transgéneros querem mudar de corpo... mas não é verdade.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 14.set.2004, 18:58:14
O termo 'transgénero' ainda não está fixo em termos de significado. A forma como é interpretado varia de pessoas para pessoas e de grupos para grupos, quer sejam especializados ou não.

Muddy term, I would say... ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Videl em 14.set.2004, 19:10:07
Eu vi o programa e não sei como se pode reclamar...já toda a gente sabe k nem sempre é possível uma distinçao tão exigente de conceitos...se para a maioria a situaçao em si é desconhecida, kual é a mais valia de meter mais um conceito na conversa? confundir mais as pessoas? eu adorei o programa e axo k foi mt elucidativo, principalmente para os pais. Depois, essas distinçoes acabam por ser feitas, se os pais kiserem mais informaçao...e por acaso, Hain, n concrdo com o k disseste. Se bem percebi um transsexual é um individuo k mudou de sexo...esse puto k keria mudar de sexo ainda n tinha mudado, logo é transgenero neh? só é transsexual kuando muda neh? se calhar o k estou a dizer está errado, mas lá está, são conceitos mt especificos...os conceitos mt especificos (seja de k tipo de temas forem) nunca sao mt claros para as pessoas k nao estao dentro desses temas... caso alguem keira ver o programa again, vai voltar a dar amanha, axo eu (nao tenho a certeza) às 14 horas, e depois à 1 da manha (de kinta feira já).
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Hain em 14.set.2004, 20:26:15
Responder
Se bem percebi um transsexual é um individuo k mudou de sexo...esse puto k keria mudar de sexo ainda n tinha mudado, logo é transgenero neh?

 É transgénero, mas não acho que o debate ficasse a perder por introduzir um conceito como o da transsexualidade.

 É que os transgéneros que não querem mudar de sexo (e pelo que vi do programa, todos os intervenientes desejavam ou tinham até mudado de sexo) encontram-se mal representados. Pelo que sei, transgenderismo assume muitas formas.

 Enfim, só acho que podia ter sido melhor.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Pikachu em 22.set.2004, 19:15:43
Faço parte do teu tópico e já me assumi como tal , ando em tratamentos para mudar de sexo e a minha familia já sabe , mas n aceita , tenho tido o apoio dos meus amigos  :(
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Eurydice em 23.set.2004, 15:06:47
Há pouco tempo deu na sic mulher no programa da Oprah Winfrey, casos de trangenderismo em crianças...gostei imenso e creio que me ajudou a aceitar melhor.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: X-girl em 18.nov.2004, 02:03:21
Há quem faça destinção dos dois. Há quem diga que é a mesma cs... Sabes fzr a destinção dos dois ou para ti é igual?
A teu ver, o k significa cada um deles, se partilhares da opinião k sao coisas diferentes?
Achas k td o transformista/travesti é homossexual?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Agente L em 19.nov.2004, 03:32:05
Pode ser que isto não esteja 100% correcto, mas acho q a palavra "transformismo" está mais associada ao "show business", e a "travestismo" mais à prostituição - em ambos os casos pode ou não existir homosexualidade ou questões de identidade de género tanto qt sei (embora estas últimas em alguns casos possam levar à prostituição, tendo em conta os custos envolvidos e a dificuldade de coexistência com um emprego convencional...).

Há também pessoas que gostam de ser ver vestidas como membros do sexo oposto sem qq propósito financeiro, não deixando de ser heterosexuais por isso - para evitar serem associadas com as categorias acima parece que hoje em dia preferem o termo "crossdresser".

E claro, há @s transexuais, que podem não ter nada a ver com as categorias acima, embora razões financeiras ou confusão e experimentação possam por lá passar.


Claro está, o facto de ser ver alguém que é visivelmente homem de vestido e outros preparos tradicionalmente femininos só por si não nos dá qq pista sobre os motivos da pessoa se apresentar desse modo, o que facilmente leva a confusões e a meter tudo no mesmo saco...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: koyodu em 10.jan.2005, 05:04:40
A meu ver, transformista é uma pessoa só de espéctaculos, veste-se de mulher apenas com o intuito de ganhar dinheiro ( poderá não ser homossexual)

O travesti é necessariamente um homossexual, que gosta de ser mulher, ou gosta e sente-se bem na pele de uma mulher, faz os espectaculos também por dinheiro mas tem interesses pessoais, tais como a satisfação de estar a fazer um show como uma verdadeira mulher
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 30.jun.2005, 12:31:58
First European Transgender Network Meeting
3rd to 6th November 2005 - Vienna, Austria

http://tgeu.net
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Phoenix em 10.fev.2006, 18:46:25
É preciso sabermos diferenciar o que é orientação sexual de identidade de genero.

Das poucas vezes que perdi meu tempo a ouvir o José Castelo Branco a falar ele claramente identificava-se como transgenero e não como homossexual ou bissexual.

Hum... Ok, sabendo que homossexualidade e transgenerismo são difentes e não se sobrepõem, eu pergunto-me se a maior parte dos trangéneros não serão homossexuais... ???

Pelo que sei a maior parte dos transgeneros são heteros!  ;)

Não sei, tenho dúvidas... :-\ Já discuti este assunto noutro tópico... ;)

Vamos pegar num caso específico:

O Jose nasceu com um corpo de homem mas indentifica-se como mulher e sente-se atraida por homens logo é heterossexual.

O Pedro nasceu com um corpo de homem mas indentifica-se como mulher e sente-se atraida por mulheres logo é homossexual.

O que deve ser levado em consideração é a identificação psicologica (interior) e não a fisica (exterior)!
 ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 10.fev.2006, 18:52:54
Vamos pegar num caso específico:

O Jose nasceu com um corpo de homem mas indentifica-se como mulher e sente-se atraida por homens logo é heterossexual.

O Pedro nasceu com um corpo de homem mas indentifica-se como mulher e sente-se atraida por mulheres logo é homossexual.

O que deve ser levado em consideração é a identificação psicologica e não a fisica (exterior)!
 ;)


Acabaste de fazer uma coisa que eu ainda gostava muito de aprender a fazer que é citar de um tópico para outro. Adiante. :)

Não sei se concordo contigo. Mas parece-me que estamos a falar de duas coisas diferentes, por isso acho que não podemos falar de comparações entre o que penasamos. :)

Na minha perspectiva trangenerismo acontece qnd um homem age como uma mulher ou uma mulher como um homem. E eu sei que isto não é linear, que há toda uma discussão sobre os papeis de género e a identidade de género a fazer, mas parece-me mais útil (cientificamente falando) considerar o trangenerismo da forma como estou a fazer do que da forma como estás a fazer...

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Phoenix em 10.fev.2006, 19:02:17
Vamos pegar num caso específico:

O Jose nasceu com um corpo de homem mas indentifica-se como mulher e sente-se atraida por homens logo é heterossexual.

O Pedro nasceu com um corpo de homem mas indentifica-se como mulher e sente-se atraida por mulheres logo é homossexual.

O que deve ser levado em consideração é a identificação psicologica e não a fisica (exterior)!
 ;)


Acabaste de fazer uma coisa que eu ainda gostava muito de aprender a fazer que é citar de um tópico para outro. Adiante. :)

Não sei se concordo contigo. Mas parece-me que estamos a falar de duas coisas diferentes, por isso acho que não podemos falar de comparações entre o que penasamos. :)

Na minha perspectiva trangenerismo acontece qnd um homem age como uma mulher ou uma mulher como um homem. E eu sei que isto não é linear, que há toda uma discussão sobre os papeis de género e a identidade de género a fazer, mas parece-me mais útil (cientificamente falando) considerar o trangenerismo da forma como estou a fazer do que da forma como estás a fazer...


O transgenderismo não se resume no agir mas também no ser ou sentir!  :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 10.fev.2006, 19:54:17
O transgenderismo não se resume no agir mas também no ser ou sentir!  :)

Não é essa a questão para mim. Claro que é preciso ter em conta o que a pessoa sente suibjectivamente. Mas eu acho que é preciso clarificar os termos sob pena de perdermos uma parte importante da realidade. Objectivamente se um homem gosta de homens e se uma mulher gosta de mulheres eles são homossexuais pois gostam de seres do mesmo sexo que o seu, independentemente de se identificarem com o outro sexo (salvo o caso extremo dos ttanssexuais ou daqueles que querem mudar de sexo) Objectivamente falando, aquilo que é visível, a passagem ao subjectivo para mim é outro nível...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Phoenix em 10.fev.2006, 21:01:27
Compreendo a tua opinião e a grande confusão (o que pode não ser o teu caso  ;) ) que este tema faz a muitas pessoas.

Adorava continuar a discuti-lo de modo a trocarmos informações e opiniões mas tudo o que sei é baseado em teorias o que torna bastante condicionado, ainda mais por tratar-se de um tema tão complexo.

De qualquer modo acho que deixei claro a minha opinião apesar do limitado conhecimento que tenho!


PS. Seria muito interessante que alguém com conhecimentos ou experiência dentro desse tema pudesse nos explicar alguns detalhes.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 11.fev.2006, 00:01:11
Sim, é verdade. Porque mantenho a minha posição de que seria melhor pensar a homossexualidade e o trangenerismo de modo mais alargado para ficarmos a conhecer a realidade por inteiro. Mas reconheço que não conheço nenhuma teoria acerca do assunto... :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Blackdi em 14.fev.2006, 18:29:31
Pessoalmente penso que pode existir sensualidade no trangenderismo, e portanto tb em relações em que as mulheres não são femininas. ;)

Trangenders comparadas com mulheres pouco femininas não me parece fazer muito sentido.

 ;)

Ok, então ainda não percebi bem o conceito de transgender.

 :-[
Quando falamos em trangenderes, referimo-nos aos transsexuais, certo?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Scorpio_Angel em 14.fev.2006, 18:35:25
Pessoalmente penso que pode existir sensualidade no trangenderismo, e portanto tb em relações em que as mulheres não são femininas. ;)

Trangenders comparadas com mulheres pouco femininas não me parece fazer muito sentido.

 ;)

Ok, então ainda não percebi bem o conceito de transgender.

 :-[
Quando falamos em trangenderes, referimo-nos aos transsexuais, certo?

Náo só. Os transsexuais são só "uma parte" dos Ts (Transgeneros)
Acho que a EYre estava mesmo a falar de transgeneros e não especificamente de transsexuais...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Blackdi em 14.fev.2006, 18:40:34
Pessoalmente penso que pode existir sensualidade no trangenderismo, e portanto tb em relações em que as mulheres não são femininas. ;)

Trangenders comparadas com mulheres pouco femininas não me parece fazer muito sentido.

 ;)

Ok, então ainda não percebi bem o conceito de transgender.

 :-[
Quando falamos em trangenderes, referimo-nos aos transsexuais, certo?

Náo só. Os transsexuais são só "uma parte" dos Ts (Transgeneros)
Acho que a EYre estava mesmo a falar de transgeneros e não especificamente de transsexuais...
Devo confessar que não faço a mínima ideia da diferença entre transsexualidade e transgenderismo. :-\
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Scorpio_Angel em 14.fev.2006, 18:51:45
Náo só. Os transsexuais são só "uma parte" dos Ts (Transgeneros)
Acho que a EYre estava mesmo a falar de transgeneros e não especificamente de transsexuais...

Devo confessar que não faço a mínima ideia da diferença entre transsexualidade e transgenderismo. :-\


Transgenderismo - é a ruptura com os papéis de género tradicionais. Na nossa sociedade existem dois papéis sociais «clássicos»: o de homem e o de mulher. Estes dois papéis sociais estão intimamente ligados à noção de sexo biológico. Simplificando: espera-se que uma pessoa se comporte de determinada maneira em função dos órgãos genitais com que nasceu. As pessoas que não são homens ou mulheres «tradicionais», ou seja, as pessoas cujo comportamento é diferente daquilo que se espera são transgéneros.

Transsexuais - sentem que nasceram no corpo errado, uma vez que psicologicamente pertencem ao sexo oposto e tentam ou gostariam de trocar de corpo para corrigir o que consideram um erro da natureza. Entre estes existem as transexuais M-F (pessoas que se sentem mulheres, mas que nasceram com corpo masculino) e os transexuais F-M (pessoas que se sentem homens, mas que nasceram com corpo feminino)


Mais info aqui: http://www.ex-aequo.web.pt/transgenderismo.html

;)


Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: danis em 14.fev.2006, 19:35:36
Náo só. Os transsexuais são só "uma parte" dos Ts (Transgeneros)
Acho que a EYre estava mesmo a falar de transgeneros e não especificamente de transsexuais...

Devo confessar que não faço a mínima ideia da diferença entre transsexualidade e transgenderismo. :-\


Transgenderismo - é a ruptura com os papéis de género tradicionais. Na nossa sociedade existem dois papéis sociais «clássicos»: o de homem e o de mulher. Estes dois papéis sociais estão intimamente ligados à noção de sexo biológico. Simplificando: espera-se que uma pessoa se comporte de determinada maneira em função dos órgãos genitais com que nasceu. As pessoas que não são homens ou mulheres «tradicionais», ou seja, as pessoas cujo comportamento é diferente daquilo que se espera são transgéneros.

Transsexuais - sentem que nasceram no corpo errado, uma vez que psicologicamente pertencem ao sexo oposto e tentam ou gostariam de trocar de corpo para corrigir o que consideram um erro da natureza. Entre estes existem as transexuais M-F (pessoas que se sentem mulheres, mas que nasceram com corpo masculino) e os transexuais F-M (pessoas que se sentem homens, mas que nasceram com corpo feminino)


Mais info aqui: [url]http://www.ex-aequo.web.pt/transgenderismo.html[/url]

;)





Resumindo: Os trangenders são-no enquanto não efectuarem a operação para a mudança de sexo, após isso, então são transsexuais.

Não gosto nada destes nomes.  :-\
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 14.fev.2006, 19:36:03
os transsexuais fazem parte dos trangeneros..

mas un transgenero não é necessariamente transexual
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Scorpio_Angel em 14.fev.2006, 19:42:03
Mais info aqui: [url]http://www.ex-aequo.web.pt/transgenderismo.html[/url]


Resumindo: Os trangenders são-no enquanto não efectuarem a operação para a mudança de sexo, após isso, então são transsexuais.


Não podes por as coisas assim... é que os trangenders não são obrigatoriamente transsexuais, e podem nem pretender sê-lo. Um transgender é simplesmente alguém cujo comportamento é diferente daquilo que se espera para a sua identidade de género. Pode nunca querer mudar de sexo. Dentro dos transgeneros, só os transsexuais é que querem alterar "o seu sexo" chamemos-lhe assim.

O Safelight tem razão ao afirmar:

os transsexuais fazem parte dos trangeneros..
mas un transgenero não é necessariamente transexual


Os transsexuais são uma parte da "comunidade" geral dos transgéneros. :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: danis em 14.fev.2006, 19:53:45
Não podes por as coisas assim... é que os trangenders não são obrigatoriamente transsexuais, e podem nem pretender sê-lo. Um transgender é simplesmente alguém cujo comportamento é diferente daquilo que se espera para a sua identidade de género.

Então, e o que foi que eu disse? Os trangenders são-no enquanto não efectuarem a operação. Se nunca a efectuarem, serão sempre trandenders!

Pode nunca querer mudar de sexo. Dentro dos transgeneros, só os transsexuais é que querem alterar "o seu sexo" chamemos-lhe assim.

Desculpa, a explicação que me foi passada á muito tempo atrás, inclusivamente por pessoas bem mais informadas nesta matéria que eu, foi que os trangenders são-no enquanto não efectuam a operação, apartir desse momento são trans.

Isto foi o que me informaram, só se me foi dada uma explicação errada.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: danis em 14.fev.2006, 20:07:16
Devo confessar que nunca me senti muito á vontade para discutir este assunto. Talvez por falta de informação, ou até mesmo devido a algum preconceito, confesso.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Scorpio_Angel em 14.fev.2006, 20:11:57
Pode nunca querer mudar de sexo. Dentro dos transgeneros, só os transsexuais é que querem alterar "o seu sexo" chamemos-lhe assim.

Desculpa, a explicação que me foi passada á muito tempo atrás, inclusivamente por pessoas bem mais informadas nesta matéria que eu, foi que os trangenders são-no enquanto não efectuam a operação, apartir desse momento são trans.

Isto foi o que me informaram, só se me foi dada uma explicação errada.

Acho que essa explicação não está muito longe do que escrevi. O meu único problema com ela é que dá a ideia que os trangeneros pretendem eventualmente fazer uma operação - o que não é o caso (com excepção dos transsexuais, mas mesmo esses não fazem tod@s operação de mudança de sexo).


Devo confessar que nunca me senti muito á vontade para discutir este assunto. Talvez por falta de informação, ou até mesmo devido a algum preconceito, confesso.

Bom, não posso dizer que não te compreenda... Lembro-me de ter passado um bom tempo a matutar nisto e a ler bastante. E mesmo depois de compreender "os conceitos teóricos todos muito bem" - digamos assim - precisei de tempo para interiorizar...  :-[

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: danis em 14.fev.2006, 20:23:34
Pois, eu deveria ter acrescentado é que os transgenders podem nunca fazer a operação!

Bom, não posso dizer que não te compreenda... Lembro-me de ter passado um bom tempo a matutar nisto e a ler bastante. E mesmo depois de compreender "os conceitos teóricos todos muito bem" - digamos assim - precisei de tempo para interiorizar... :-[

Pois, comigo passa-se o mesmo.
Mas isso não tem de existir, basta perceber e respeitar, que é o que faço.  :-[

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Scorpio_Angel em 14.fev.2006, 20:29:49
Bom, não posso dizer que não te compreenda... Lembro-me de ter passado um bom tempo a matutar nisto e a ler bastante. E mesmo depois de compreender "os conceitos teóricos todos muito bem" - digamos assim - precisei de tempo para interiorizar... :-[

Pois, comigo passa-se o mesmo.
Mas isso não tem de existir, basta perceber e respeitar, que é o que faço.  :-[

Eu já estou perfeitamente 5* actualmente com o assunto. E respeitar, sempre o fiz ;)
Mas tu focaste um ponto muito importante (para mim, pelo menos) - o "basta perceber". É que esse "basta perceber" pode levar o seu tempo... é uma das coisas que mais leio por aqui. A dificuldade de compreender (por ex. um transsexual homossexual)...
De qq modo, penso que, desde que haja o respeito (que falaste) e a vontade de compreender, chega-se lá ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: danis em 14.fev.2006, 20:33:39
Quando referi que era necessário respeitar não era em relação a ti, era no geral.
Sim, a mim ás vezes custa-me perceber, porque acho confuso, um transsexual homem, que nasceu mulher, mas que gosta de mulheres, ou vice versa.
É-me confuso, ás vezes custa a organizar as ideias.
Mas compreendo e respeito, aparte das minhas confusões todas.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: David Erif em 03.mar.2006, 14:23:45
Alguns dados de relevo:

- É obrigatório ser-se maior para entrar num programa de acompanhamento tendo em vista a mudança de sexo. A média de idades dos utentes é de 39 anos.

- Só nos anos 90 a Organização Mundial de Saúde autorizou a mudança de sexo e, em Portugal, esta é feita desde a segunda metade da década de noventa, a um ritmo de dois por ano, com algumas paragens, o que depende da autorização da Ordem dos Médicos. A operação é comparticipada pela Segurança Social.

- O último dossier da Assembleia da República sobre transexualidade data de 1992, integrando-se numa temática mais genérica intitulada "Questões de bioética". A falta de regulamentação deixa os transexuais reféns da interpretação da instância jurídica onde o processo é analisado. Ainda há menos de dois anos, um transexual só conseguiu mudar de nome depois de recorrer para o Tribunal da Relação de Lisboa.

- A mudança de nome deve ser requerida numa conservatória, ao abrigo do artigo 278.º e seguintes do Código Civil. Depois, esta remete o processo para os registos centrais, em Lisboa. Os transexuais que já tenham filhos têm de optar por um nome neutro.

Dados fornecidos pela  Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (http://www.spsc.pt/default.asp)
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Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 03.mar.2006, 16:03:34
Eyre, quando se fala de orientações sexuais temos mesmo de falar das definições de sexo. Num transexual (e acho que o phoenix estava a falar de transexuais e não transgéneros em geral) o que conta é a identidade de género, porque se depender deles, na maioria dos casos, o corpo será modificado para o sexo que sentem que deveriam ter em termos físicos. Logo devem ser considerados desde o início como tal, já que é esse o seu desejo. Logo se falarmos de uma mulher transexual que gosta de mulheres, ela é lésbica...

Se falarmos de transgéneros em geral, vai depender de cada caso...

Por exemplo, um travesti continua a ser identificado pelo seu sexo (se calhar por isso é que se diz que um homem que se transveste é "um travesti" e não "uma travesti"). Logo se gostar de mulheres (como é bem comum) é heterossexual.

No caso de um intersexual as coisas começam a ser mais difíceis de definir (e por isso é que a intersexualidade é um caso tão interessante para pôr em questão todas as normas no que diz respeito ao género/sexo). Se um indivíduo tem elementos biológicos/físicos de ambos os sexos, mas por exemplo só gosta de um dos sexos, como o podemos definir? Poderemos definir pela sua identidade de género (ou seja o que sentem, o sexo psicológico) se se identificar com um deles? Mas e nos casos em que não se identifica?

E nos casos das pessoas agendered ou thirdgendered que não sentem ser nenhum dos sexos psicológicos existentes ou que sentem ser ambos (e claro, falamos de auto-definições pessoais perante as normais sociais, e não de categorias psicológicas cientificamente criadas para caracterizer a identidade de género - refiro-me a termos bigendered, agendered, thirdgendered, etc.).

A questão toda é se é o sexo físico ou o psicológico que nos dá os dados necessários para definir a orientação sexual.

Se formos à visão tradicional é de facto o sexo físico/biológico do indivíduo que define se a relação é homo ou heterossexual. Mas nos casos dos transexuais esse corpo não é aceite e desejado (ao contrário de todos os outros casos de transgenderismo, excepto talvez no caso de intersexualidade que pode variar - mas felizmente há já um movimento nos EUA contra operações de atribuição de sexo à nascença em bebés intersexuais, já para que eles próprios possam ter direito de escolhar se querem operar para ter o padrão de um dos dois sexos tradicionais ou se querem mudar sequer o quer que seja!). Nesse sentido não faz sentido dizer que um indivíduo que nasceu mulher, mas se sente homem e gosta de homens antes da operação era heterossexual e depois passou a ser gay, porque na sua cabeça e para si deveria ter tido sempre o corpo masculino e deveria ser considerado homossexual, porque se sente homem e gosta de homens.

Mas isto acaba por ser relativo. São nomes. É preciso é sermos felizes.

Muito complexo, não é? Não pretendo dar fórmulas finais, mas reflexões. :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 16:14:14
Sim, eu também já fiquei mais esclarecida sobre este tema quando noutro tópico definimos o que é um transsexual. Em todo o caso a minha formação é em sociologia e ás vezes quando questiono as coisas é uma perspectiva sociológica que eu tenho. E por isso parece-me importante algumas definições objectivas, ainda que, como dizes, sejam complicadas, de forma a podermos estudar as coisas. Caso contrário, sem definições e sem classificações, não é possível à sociologia estudar a realidade social.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 16:27:24
Olá a tod@a
Muitos pontos interessantes têm sido focados aqui.
O último post da bluejazz é bastante esclarecedor e revela a grande diversidade e complexidade que estas questões podem assumir.
Assim com a EYre, a minha formação é em Sociologia (e tb em cinema), mas agora estou a acabar sociologia e é nessa condição que queria mobilizar algumas questões.
Entendo que todas as definições e conceitos que são criados, nomeadamente acerta de orientação sexual e identidade de género nos ajudem e permitam compreender a realidade social, no entanto, de que forma é que essas definições produzem ou não identidade? Será que também não induzem? Compactar toda a diversidade que as identidades, sejam elas quais forem, comportamentos, relações, possam assumir, não estaremos a retirar espaço para que elas possam assumir exactamente essa diversidade? Note-se que acredito que essas definições e conceitos são um instrumento fundamental, mas ando a reflectir sobre estas questões.
dêem aqui uma ajudinha que isto é um berbicacho

***
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Scorpio_Angel em 03.mar.2006, 16:36:11
Caso contrário, sem definições e sem classificações, não é possível à sociologia estudar a realidade social.

À Sociologia e a qualquer outra ciência, penso.
Julgo que o cerne da questão reside precisamente no ponto de que - feliz ou infelizmente - sem a definição e o catalogar não seria possível a análise. E a análise é a base de qq método cientifico...


Será que também não induzem? Compactar toda a diversidade que as identidades, sejam elas quais forem, comportamentos, relações, possam assumir, não estaremos a retirar espaço para que elas possam assumir exactamente essa diversidade?

Penso que pode haver um processo de indução, na medida em que o próprio individuo sente necessidade de se conhecer e de se inserir em grupos no seu processo de identificação... (para além da razão que mencionei na resposta à Eyre).
Mas também acho que a multiplicidade de conceitos e identidades tem vindo a ser reconhecida, uma vez que a tendência tem sido a de aceitação da (nossa) diversidade. :)


Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 17:00:10
Caso contrário, sem definições e sem classificações, não é possível à sociologia estudar a realidade social.

À Sociologia e a qualquer outra ciência, penso.
Julgo que o cerne da questão reside precisamente no ponto de que - feliz ou infelizmente - sem a definição e o catalogar não seria possível a análise. E a análise é a base de qq método cientifico...


Será que também não induzem? Compactar toda a diversidade que as identidades, sejam elas quais forem, comportamentos, relações, possam assumir, não estaremos a retirar espaço para que elas possam assumir exactamente essa diversidade?

Penso que pode haver um processo de indução, na medida em que o próprio individuo sente necessidade de se conhecer e de se inserir em grupos no seu processo de identificação... (para além da razão que mencionei na resposta à Eyre).
Mas também acho que a multiplicidade de conceitos e identidades tem vindo a ser reconhecida, uma vez que a tendência tem sido a de aceitação da (nossa) diversidade. :)




Sem definições, conceitos e classificações nem seque seria possível a existência de qualquer ciência de facto (peço perdão por só me ter referido à sociologia).
Também concordo contigo no que concerne à multiplicidade de conceitos e identidades.  Tem vindo a ser reconhecida e tem-se reflectido muito acerca da nossa (nossa) diversidade, no entanto, essa ideia ainda se encontra muito pouco difundida (acho eu). Existe principalmente em determinados meios académicos (mais nas CS do que nas outras ciências) e em contextos de populações altamente escolarizadas. Por isso também pus essas questões. Acho importante por vezes também relativizar esses conceitos, não fechá-los nem os tomar por assentes e adquiridos. Parece-me importante reflectir também para que é que eles servem.
De qualquer maneira, obrigado pelo teu tempo, tocaste em aspectos que me interesso bastante e me parecem muito interessantes, designadamente os processos de identificação.

***
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 17:39:31
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 03.mar.2006, 17:54:21
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)

é simplesmente Trangénero
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 18:04:06
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)

é simplesmente Trangénero

Vejo aque há aqui alguma confusão.

Um transexual é alguém que não pertence, que não se identifica com o sexo com que nasceu, tenha feito a operação ou não. Alguém que tem uma identidade de género distinta do sexo biológico de nascença. Acho que é isto, mas corrijam-me se estiver errado.
;)

tantos nomes né...

ainda não se falou, por exemplo, dos metrossexuais. (é só para criar mais alguma confusão) :)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 18:08:32
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)

é simplesmente Trangénero

Vejo aque há aqui alguma confusão.

Um transexual é alguém que não pertence, que não se identifica com o sexo com que nasceu, tenha feito a operação ou não. Alguém que tem uma identidade de género distinta do sexo biológico de nascença. Acho que é isto, mas corrijam-me se estiver errado.
;)

tantos nomes né...

ainda não se falou, por exemplo, dos metrossexuais. (é só para criar mais alguma confusão) :)

Sim, repara, mas a minha questão é: esta pessoa identifica-se em tudo com uma mulher excepto numa característica - importante por sinal lol - que é a de querer preservar o seu pénis. :P como tal, está numa situação muito híbrida...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 18:13:11
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)

é simplesmente Trangénero

Vejo aque há aqui alguma confusão.

Um transexual é alguém que não pertence, que não se identifica com o sexo com que nasceu, tenha feito a operação ou não. Alguém que tem uma identidade de género distinta do sexo biológico de nascença. Acho que é isto, mas corrijam-me se estiver errado.
;)

tantos nomes né...

ainda não se falou, por exemplo, dos metrossexuais. (é só para criar mais alguma confusão) :)

Sim, repara, mas a minha questão é: esta pessoa identifica-se em tudo com uma mulher excepto numa característica - importante por sinal lol - que é a de querer preservar o seu pénis. :P como tal, está numa situação muito híbrida...

Não sei se é hibrida ou não. Mas repara, aqui o importante é a identidade de género, com a qual alguém se identifica. Eu posso identificarme com o género feminino, e tenho o direito de reclamar essa identidade (quanto a mim) mas sentir-me bem com o corpo que tenho. Não tem nada de estranho (parece-me).
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 18:15:34

Não sei se é hibrida ou não. Mas repara, aqui o importante é a identidade de género, com a qual alguém se identifica. Eu posso identificarme com o género feminino, e tenho o direito de reclamar essa identidade (quanto a mim) mas sentir-me bem com o corpo que tenho. Não tem nada de estranho (parece-me).

Ai, não sei... :-\ :-\ :-\ Eu aí tenderia a considerar objectivamente como travesti... Lá está mais uma vez a importância de usar alguns critérios objectivos e não apenas a subjectividade de cada um...
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 03.mar.2006, 18:21:55
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)
é simplesmente Trangénero
Vejo aque há aqui alguma confusão.
Um transexual é alguém que não pertence, que não se identifica com o sexo com que nasceu, tenha feito a operação ou não. Alguém que tem uma identidade de género distinta do sexo biológico de nascença. Acho que é isto, mas corrijam-me se estiver errado.
;)
tantos nomes né...
ainda não se falou, por exemplo, dos metrossexuais. (é só para criar mais alguma confusão) :)

isso dos Mertossexuais n tem nada a ver...

o k interessa é k nem todos os trangeneros pretendem mudar de sexo, logo nem todos são transexuais..
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 18:24:53
o k interessa é k nem todos os trangeneros pretendem mudar de sexo, logo nem todos são transexuais..

Pois, a minha questão é justamente essa: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que não deseje mudar de sexo é um (uma) transexual ou um travestí)?

A questão é sobretudo hipotética... :P
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 18:25:13

Não sei se é hibrida ou não. Mas repara, aqui o importante é a identidade de género, com a qual alguém se identifica. Eu posso identificarme com o género feminino, e tenho o direito de reclamar essa identidade (quanto a mim) mas sentir-me bem com o corpo que tenho. Não tem nada de estranho (parece-me).

Ai, não sei... :-\ :-\ :-\ Eu aí tenderia a considerar objectivamente como travesti... Lá está mais uma vez a importância de usar alguns critérios objectivos e não apenas a subjectividade de cada um...

;)
Não estou a ser subjectivo. Não fui eu que produzi a definição de transexual (acho que essa é que era a dúvida).
Reproduzo aqui a definição disponibilizada pela rede:

Na primeira categoria (transgender) encontram-se os transexuais e os bigendered. Os primeiros sentem que nasceram no corpo errado, uma vez que psicologicamente pertencem ao sexo oposto e tentam ou gostariam de trocar de corpo para corrigir o que consideram um erro da natureza. Entre estes existem as transexuais M-F (pessoas que se sentem mulheres, mas que nasceram com corpo masculino) e os transexuais F-M (pessoas que se sentem homens, mas que nasceram com corpo feminino). Nem todos os transexuais se submetem à cirurgia de mudança de sexo. Isto acontece por razões económicas, sociais, físicas, ou porque após fazerem alterações no seu corpo para que se pareça o mais possível com o seu tipo de género se sentem tão bem com as alterações físicas e com a sua vivência no género desejado, que nem sequer desejam fazê-la. Um exemplo são as “shemale”, transexuais M-F que fizeram tratamento hormonal, vivem psico-socialmente no feminino, mas não fizeram cirurgia para correcção de sexo. As pessoas bigendered não desejam trocar definitivamente de corpo (muitas nem sequer desejam uma troca temporária), vivendo felizes se puderem ir vivendo os papéis de homem e de mulher alternadamente; há quem viva várias semanas em cada género e quem viva um deles apenas durante algumas horas.

mas é interessante como este tema desperta tantas dúvidas.

***
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 18:30:57

isso dos Mertossexuais n tem nada a ver...

o k interessa é k nem todos os trangeneros pretendem mudar de sexo, logo nem todos são transexuais..

eu sei safelight, estava a brincar. é que com tantas definições a malta fica baralhada. ;)
para responder ao que disseste deixo aqui tb a continuação da definição de transgender:

Na segunda categoria encontram-se as pessoas para as quais não existe um rótulo, embora várias tentativas tenham sido feitas: agendered (no sentido de não pertencerem a nenhum dos géneros tradicionais), poligendered (no sentido de terem características de ambos), thirdgendered (que indica que o modelo dicotómico de géneros é insuficiente)... Trata-se das pessoas que vivem fora das normas de comportamento instituídas, agindo sem ligar a estereótipos ou a convenções normativas. Vão desde a pessoa com visual e comportamento andróginos até às flame queens (pessoas que Martin Duberman, autor do livro Stonewall, definiu como «parcialmente travestidas»), passando por todas as variações subtis que se possam imaginar.

****
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 03.mar.2006, 18:32:15
o k interessa é k nem todos os trangeneros pretendem mudar de sexo, logo nem todos são transexuais..
Pois, a minha questão é justamente essa: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que não deseje mudar de sexo é um (uma) transexual ou um travestí)?
A questão é sobretudo hipotética... :P

repara, pode n ser travesti se ker...

simplesmente sente-se mulher mas vive bem com o corpo k tem

como já disse: é simplesmente trangénero ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 18:38:59
o k interessa é k nem todos os trangeneros pretendem mudar de sexo, logo nem todos são transexuais..
Pois, a minha questão é justamente essa: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que não deseje mudar de sexo é um (uma) transexual ou um travestí)?
A questão é sobretudo hipotética... :P

repara, pode n ser travesti se ker...

simplesmente sente-se mulher mas vive bem com o corpo k tem

como já disse: é simplesmente trangénero ;)

Epá, então já não estou a perceber. Se tem uma identidade de género feminina e tem um sexo biológico masculino porque é que não é um transexual? Que não é travesti já percebi.
Alguém me explique porque de acordo com a definição aqui da ex aequo é um transexual, ou não??  :-X
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: diapasão em 03.mar.2006, 18:42:12
o travesti nem sequer tem um desfasamento com a identidade de género e o sexo biológico.

Travesti - pessoa que se veste com roupas do sexo oposto por prazer ou diversão. Em Portugal, o termo é usado para designar drag queens ou crossdressers, indiferentemente. No Brasil é usado para referir crossdressers e transexuais com pénis. Em ambos os países serve ainda para designar @s prostitu@s trangender (que não são necessariamente transexuais). isto no senso comum, porque técnicamente ;) aiai, um travesti é apenas uma pessoa que se veste com roupas do sexo oposto por prazer ou diversão.

**
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 19:23:59
Epá, então já não estou a perceber. Se tem uma identidade de género feminina e tem um sexo biológico masculino porque é que não é um transexual? Que não é travesti já percebi.
Alguém me explique porque de acordo com a definição aqui da ex aequo é um transexual, ou não??  :-X


A minha questão é que assim ficamos sem vocabulário para designar os transexuais que mudaram ou querem efectivamente mudar de sexo... :-\

 :´
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 03.mar.2006, 19:25:46
Agora fiquei com uma dúvida: um homem que se identifique em tudo com uma mulher mas que contudo deseje continuar a ter pénis é um transexual ou um travesti? ??? :P Tansgender é concerteza.::)

é simplesmente Trangénero

Mas o que é ser uma mulher? O que é identificar-se em tudo com uma mulher? As mulheres são todas iguais? Existe um essencial básico na mulher?

Essa pessoa poderá ser considerada transgénera (em virtude das convenções sociais vigentes), mas acima tudo pode ser considerada uma pessoa que se identifica com estereótipos de mulher (e não com mulheres) e cujas características pessoais são infelizmente estereotipadas como de mulher.

Ora... Quantas nós das mulheres não tem garra e determinação e isso é considerado estereotipadamente uma características dos homens (e há homens que não têm essa garra e determinação)?

o travesti nem sequer tem um desfasamento com a identidade de género e o sexo biológico.

Não tem? ???



Um travesti é simplesmente uma pessoa que gosta de usar roupas "ditas" do sexo oposto.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 03.mar.2006, 19:28:34

Confesso que estou [smiley=estrelas.gif]. E mais não digo, tenho que reflectir :book.

bluejazz, obrigada pela tua disponibilidade.
Diapasão, fico muito contente com a entrada de mais um sociólogo para o grupo. :up
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: EYre em 10.abr.2006, 15:22:15
Pois é, meus amigos, ontem foram as eleições em Itália e uma das novidades destas eleições é que pela primeira vez na Itália e na Europa um trangénero é eçeito como deputado (ao que tudo indica).

O seu nome é Vladimir Luxuria, Wladimiro Guadagno, no original, e intitula-se a si próprio como tansgénero pelo facto de não ter feito a operação para mudança efectiva de sexo.

Numa campanha onde predominou o insulto - Berlusconi, por exemplo, disse que os que votavam à esquerda eram uns imbecis, o candidato da Refundação Comunista foi alvo de críticas constantes e de insultos, num país católico e conservador como o é a Itália. assim, muitos dos polítivos quando se referiam a ele diziam, entre outras coisas, que era p********. Alexandra Mussolini, neta do antigo ditador italiano respondeu a Luxuria quando este a acusou de fasciamo "Mais vale ser fascista que p********".

Apesar de confessar que a violência dos insultos foi uma surpresa para ele, Luxuria afirma que se tem focado no programa que quer promover quando se sentar no Parlamento.

Vladimir Luxuria no Parlamento em Itália, eis algo que deveremos seguir de perto.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 10.abr.2006, 18:57:23
Vladimir Luxuria no Parlamento em Itália, eis algo que deveremos seguir de perto.

Soube da possibilidade, mas inda n sabia k efectivamente se concretisou..

Apesar da polámica parece-me algo importante k devemos ter em conta e analisar como um sinal de uma igualdade crescente! ou por outra, é mais um sinal de k a desigualdade está mais na nossa própria cabeça do k em kkr outro lugar! ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: HLuso em 11.abr.2006, 04:40:20
O que prova é qua a Italia tem condições tao adversas de preconceito homofobico, especialmente pela igreja, que tem deste modo de tomar posições radicais desta ordem...independentemente se o vladimir será bom ou não deputado, o que interessa é o combate pela homofobia, e esta é uma maneira bem radical e positiva de se o fazer...por isso gosto dos italianos, são muito verdadeiros, tanto no bem como no mal... e ao menos fogem desta pasmaceira nacional.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 02.jun.2006, 19:54:01
ESPANHA: Aprovada nova lei de identidade de género

Os transexuais espanhóis poderão mudar os dados pessoais nos seus documentos sem precisarem se submeter a cirurgias de reajuste de sexo, estabelece um projecto de lei aprovado hoje pelo Conselho de Ministros espanhol.
A lei, que irá ainda este ano ao Parlamento para sua aprovação definitiva, será aplicada de maneira retroactiva.
Para mudar o nome e o sexo nos documentos, um médico deverá certificar a "disforia de género" (i.e. situação em que a pessoa não se revê no seu sexo biológico) e a pessoa transexual deverá demonstrar que há pelo menos dois anos se submete e tratamentos hormonais.
"A transexualidade é uma realidade social que precisa de uma resposta por parte do legislador", disse a vice-presidente, Maria Teresa Fernández de la Vega.

Agência ANSA (Itália)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 21.jun.2006, 10:57:30
TRANS / GÉNERO /SEXUAIS QUE É ISSO?

O "transexualismo" não é nem um fantasma, nem uma sexualidade, nem uma perversão, nem uma doença mental. Nenhum psicoterapeuta, psicanalista, nenhum tratamento pode mudá-la. Ainda que a transexualidade não seja uma doença, numerosas experiências foram tentadas nesse sentido: electrochoques, lobotomias, tratamentos virilizantes para as trasexuais com vocação feminina, feminizantes para os trasexuais com vocação masculina, internamentos psiquiátricos, tratamentos de todo o tipo: a evidência é que a única resposta obtida que não seja uma tortura continua a ser a transição.

FPM = Feminino para Masculino MPF = Masculino para Feminino

Não deve ser confundido o "género" (H ou F), com identidade sexual (sexo anatómico), orientação sexual, feminilidade/masculinidade

 O Género: situa-se no cérebro. Estrutura-se de forma irreversível muito cedo na infância.

Identidade sexual: tomada de consciência do seu sexo anatómico (macho ou fêmea), ou seja, a constatação e o reconhecimento dos seus órgãos genitais externos.

Orientação sexual: hetero, homo, bi etc .. De facto, identidade e orientação são processos diferentes. Identidade masculina ee feminina podem sentir-se atraídas por homens, mulheres, por homens e mulheres, tal como, eventualmente, não sentir nenhuma atracção particular por homens ou por mulheres. A mesma coisa se passa com @s trasexuais.  féminilidade ou/e masculinidade: presente de maneira mais ou menos variável em cada pessoa, com flutuações ao longo da vida. Pode ser-se uma mulher masculina ou um homem feminino, sem que, no entanto, se duvide de se ser uma mulher ou um homem.

O Género é atribuído à nascença, em função do sexo anatómico. Uma pessoa que nasce com uma vagina será automaticamente caracterizada como mulher; uma pessoa que nasce com um pénis é automaticamente caracterizada como homem.

Na maioria dos casos, esta atribuição é justa, mas nos casos trans, não. O seu género não corresponde ao género atribuído em função do seu sexo anatómico. A maioria d@s trans experimentaram de forma vã viver, tornar-se os homens ou as mulheres que eram supostos tornar-se. Todos esses esforços são realmente vãos, restando a transição.  -Um/uma trans pode estar na rua ou ser rica, prostituir-se (como rapariga ou rapaz) ou trabalhar em investigação, ateia ou crente, de origem étnica muito diversa, gorda ou magra, fazer a transição aos 15 ou aos 65 anos, andar em cadeira de rodas ou ser surda, ter sido abusada sexualmente durante a infância ou não, ter sido violada ou agredida, seja por um homem ou por uma mulher (e trans ou não), ou ter sido mesmo ele/a um/a agressor/a. -Um/uma trans pode ter vindo de qualquer meio social ou cultural. Pode ser hetero, homo ou bisexual, pode ser uma filha efeminada ou masculina, pode ter tido crianças.  -Um FPM pode ter feito parte do meio lésbico durante anos, e mesmo aí continuar, enquanto outro pode nunca o ter frequentado. -A mesma coisa para uma MPF, que pode ter ou não frequentado o meio gay, e aí continuar ou não. -Certos FPM nunca se consideraram como mulheres, enquantos outros se consideraram de facto como mulheres antes de fazer a transição. Certas MPF nunca se consideram homens, outras sim...

Partamos do princípio de que uma pessoa trans MPF é de sexo masculino e de género feminino, e iremos então respeitar a identidade da pessoa e falar desta no feminino. E falar de um FPM no masculino, tenha esta pessoa sido operada ou não, tome hormonas ou não, tenha obtido a troca do H pelo F, ou vice-versa, nos seus documentos de identificação, ou não.

 Qual é a diferença entre transsexuais e travestis? Um/uma travesti é uma pessoa que tem necessidade de se vestir com roupas do sexo oposto sem apelar a modificações corporais. No caso travesti (H ou F), o seu género corresponde ao seu corpo. Uma pessoa travestida pode ser um homem ou uma mulher  pode ser hetero, homo ou bi. Uma pessoa transsexual tem a necessidade absoluta de viver no seu género, o que implica na maior parte do tempo uma hormonoterapia, e cirurgia.

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SafeLight em 23.jun.2006, 17:21:11
COREIA: Trans autorizadas a mudar sexo em documentos

http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/11_101_50002.shtml
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: meteorito em 26.jun.2006, 03:57:08
O canal Odisseia vai transmitir vários documentários de temática lgbt, e entre eles vai ser exibido:

"Transsexuales hoje"

"A marcha do orgulho gay, lésbico e transexual do passado dia 2 de Julho de 2005 representou uma festa e uma celebração pela aprovação da emblemática lei que aproxima este colectivo à igualdade social pela qual lutam há vários anos. No entanto, há ainda muito caminho para percorrer, em óbvia referência à batalha que tem que travar o colectivo transexual, composto por mais de oito mil pessoas, de acordo com a estimativa da associação Transexualia. O objectivo social destas pessoas é o mesmo de toda a gente: ter um trabalho, aceitação social e poder viver normalmente com o sexo que consideram ser o seu, isto é, o psicológico e não o biológico. A sua batalha legal é a chamada Lei da Identidade de Género, que inclui o reconhecimento à alteração do nome e do sexo no registo, e um passo que consideram fundamental: que o Estado financie a operação de mudança de sexo, assim como os tratamentos psicológicos e hormonais que todo o transexual precisa. O canal Odisseia apresenta-lhes este mês um interessante e polémico documentário que irá situá-los na realidade social que vive a Espanha do Século XXI."

 - retirado de http://www.odisea-odisseia.com/

Quinta-feira:  17:00 e 22:00
Sexta-Feira:   11:00
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 26.jun.2006, 15:24:53
Responder
um passo que consideram fundamental: que o Estado financie a operação de mudança de sexo, assim como os tratamentos psicológicos e hormonais que todo o transexual precisa.

tous les trans ne désirent  pas Etre opérés, les trans n'ont pas plus besoin de psichologues que d'autres personnes , nous sommes psychiatrisés de force ! pas par besoin ou par choix!
de même ici au Portugal , pour pouvoir suivre le protocole trans a des cirtéres:
être hétéro
ne pas etre marié
ne pas avoir d'enfants
vouloir se faire operer
ne pas avoir plus de ..je ne sais plus quel age
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Phoenix em 08.ago.2006, 21:59:56
Se bem que surge, já agora, a questão de se haverá variações de preconceito de acordo com qual a natureza do transgénero. Mas talvez não seja este o sítio para o examinar. xD

Peço desculpas pelo off topic mas considero importante resposder.  ;D

Por exemplo, penso que um Crosdresser possa sentir um tipo de preconceito diferente de um Transexual.

Crosdressers são indivíduos que tendem a se vestir como indivíduos do sexo oposto, não necessariamente assumindo a bissexualidade ou a homossexualidade. Não utilizam hormônios nem cirurgias plásticas para se assemelharem ao sexo oposto, pois no dia-a-dia portam-se segundo seu sexo biológico.
fonte: [url]http://pt.wikipedia.org/wiki/Crossdresser[/url]

Uma pessoa transexual é aquela que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado (normalmente no nascimento). Homens e mulheres transexuais fazem ou pretendem fazer uma transição do seu sexo de nascimento para o sexo oposto com alguma ajuda médica (terapia de redesignação de gênero) para seu corpo. A explicação estereotipada é de "uma mulher presa em um corpo masculino" ou vice-versa, ainda que muitos membros da comunidade transexual, assim como pessoas de fora da comunidade, rejeitem esta formulação.
fonte: [url]http://pt.wikipedia.org/wiki/Transexual[/url]


Sim, a questão a explicitar é capaz de ser mais qual a diferença de tratamento do que o facto de existir...

(Estou de cabeça mole. Se calhar devia afastar-me de la discussion.  :-X)


Não percebi muito bem o que quiseste dizer com diferença de tratamento mas espero estar a responder nesse sentido.

Por exemplo um transexual M-F pode ter dificuldades numa colocação profissional porque o seu genero não corresponde ao que diz os seus documentos (inclusive nome) mas no entanto um crossdresser normalmente não passa por isso.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 08.ago.2006, 22:20:58
je me ré-excuse pour mon inccapacité á écrire en Portugais

Por exemplo, penso que um Crosdresser possa sentir um tipo de preconceito diferente de um Transexual
oui et non
Pour un crossdresser,ce rejet se fait uniquement quand il s'habille de vêtements de "femme "
La est la différence donc à ce niveau le vécu est complétement différent , il ne va pas se présenter , a l'hopital ,au travil ,ou pour louer un appartement vêtu de vêtements de femmes , ni n'est psychiatrisé de force vu qu'il n'a pas besoin d'avoir reccours aux hormones .
Non , car quand il est habillé enfemme ,il n'a pas affaire ál'homophobie mais bien á la transphobie.
effectivement il trangresse les normes atribuées au genre ..on l'agresse non pas parce ácause de son orientation sexuelle mais bien pour ses vêtements qui normativement ne corresponde pas à son genre .
"não necessariamente assumindo a bissexualidade ou a homossexualidade."
Effectivement ,les crossdresser peuvent avoir n'importe quelle orientation sexuelle.
Uma pessoa transexual é aquela que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado (normalmente no nascimento). Homens e mulheres transexuais fazem ou pretendem fazer uma transição do seu sexo de nascimento para o sexo oposto
Non faux
d'abord c'est "oublier " nombres de trans qui ne se sentent ni hommes ni femmes ou les 2 ...
de plus nombre de trans ne désirent pas faire "l'opération " sexuelle
cela dépend ( entre autres ) de l'identité anatomique , ou de la maniére dont ils/elles identifient leur organes anatomiques sexuels.
Personellement je connais un ftm  qui identifie son vagin comme étant son organe sexuel masculin .C'est le cas aussi pour certaines mtf qui identifient leur pénis comme étant leur sexe féminin ..






Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Phoenix em 08.ago.2006, 22:34:43
Por exemplo, penso que um Crosdresser possa sentir um tipo de preconceito diferente de um Transexual
oui et non

Justamente por isso é que escrevi "possa sentir" e não "sente"!  ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 08.ago.2006, 22:51:44
Por exemplo, penso que um Crosdresser possa sentir um tipo de preconceito diferente de um Transexual
oui et non

Justamente por isso é que escrevi "possa sentir" e não "sente"!  ;)
desculpe ... ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 21.dez.2006, 08:00:37
falopastia
http://20six.fr/trans-ftm-gay/page/30793/phalloplasitie_photos_pas_pour_enfants
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: biki em 24.fev.2007, 23:24:20
Pessoal, desculpem lá, mas já não estou a perceber nada disto.

Se percebi bem, os transgéneros adoptam um comportamento diferente do que se espera, ou seja, se uma pessoa adoptar comportamentos do sexo oposto é transgénera?

Vejam o meu caso (acho que vou dizer uma grande asneira): Eu visto me de rapaz, tenho cabelo curto, adoro jogar futebol (pronto, cá está a asneira..), etc etc etc.
Digam me uma coisa: então eu sou o quê??
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: candy cane em 25.fev.2007, 13:15:07
Vejam o meu caso (acho que vou dizer uma grande asneira): Eu visto me de rapaz, tenho cabelo curto, adoro jogar futebol (pronto, cá está a asneira..), etc etc etc.
Digam me uma coisa: então eu sou o quê??

:) És possívelmente transgénera (não confundir com transexual). Se te sentes mulher mas gostas de usar roupa de rapaz estás a ir contra a ideia que a sociedade tem das mulheres, estás a quebrar as barreiras de género. Ser transgénero é quebrar as regras que a nossa sociedade impõe aos homens e às mulheres. Há uns anos era impensável um homem ter cabelo comprido. Os primeiros homens que começaram a usar cabelo comprido eram transgéneros pois tinham uma determinada característica (neste caso o cabelo comprido) que não era associada aos homens. O mesmo com as primeiras mulheres que começaram a usar calças. Hoje já são duas coisas tão normais que quem as usa já não é transgénero, já não está a quebrar nenhuma "regra".

É importante ter em conta que uma pessoa transexual ou transgénera não tem necessariamente de ser homossexual. Identidade de género e orientação sexual são coisas diferentes. Eu posso ser mulher, preferir ou sentir-me mais confortável em roupas de homem e ser homossexual, bissexual ou heterossexual.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: biki em 25.fev.2007, 13:32:16
Vejam o meu caso (acho que vou dizer uma grande asneira): Eu visto me de rapaz, tenho cabelo curto, adoro jogar futebol (pronto, cá está a asneira..), etc etc etc.
Digam me uma coisa: então eu sou o quê??

:) És possívelmente transgénera (não confundir com transexual). Se te sentes mulher mas gostas de usar roupa de rapaz estás a ir contra a ideia que a sociedade tem das mulheres, estás a quebrar as barreiras de género. Ser transgénero é quebrar as regras que a nossa sociedade impõe aos homens e às mulheres. Há uns anos era impensável um homem ter cabelo comprido. Os primeiros homens que começaram a usar cabelo comprido eram transgéneros pois tinham uma determinada característica (neste caso o cabelo comprido) que não era associada aos homens. O mesmo com as primeiras mulheres que começaram a usar calças. Hoje já são duas coisas tão normais que quem as usa já não é transgénero, já não está a quebrar nenhuma "regra".

É importante ter em conta que uma pessoa transexual ou transgénera não tem necessariamente de ser homossexual. Identidade de género e orientação sexual são coisas diferentes. Eu posso ser mulher, preferir ou sentir-me mais confortável em roupas de homem e ser homossexual, bissexual ou heterossexual.

Obrigada pela informação  ;)  ;D
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Phoenix em 25.fev.2007, 13:45:09
A leitura da brochura "Sermos nós própri@s" disponível aqui (http://www.ex-aequo.web.pt/arquivo/brochura/cap06_snp.pdf) poderá eventualmente esclarecer algumas duvidas.

 ;)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 26.fev.2007, 08:35:34
Vous confondez role / culturel / social attribué normativement au genre avec le genre.
Par ex une femme peut etre hyper masculine , avoir comportements "normalement " attribués a un homme et se sentir femme / du genre femme
L'inverse pour un homme .
Personne ne connait la cause qui fait de nous des trans ,
dire que la cause est une rupture de role est faux,  (cela serait sans doute alors psychiatriquement guerrisable )
nombre de personnes sont en rupture totale avec les roles sociaux atribués au genre sans etre transgenre , nombres de trans ne se conforment pas/ sont en rupture  avec les  rôles sociaux de leur genre ( genre réel pas attribué par l'anatomie de naissance ) .
Ainsi que d'autres s'y conforment totalement ..ce de la meme maniére que les personnes non trans .

Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Azula em 20.mar.2007, 21:49:29
Vous confondez role / culturel / social attribué normativement au genre avec le genre.
Par ex une femme peut etre hyper masculine , avoir comportements "normalement " attribués a un homme et se sentir femme / du genre femme
L'inverse pour un homme .
Personne ne connait la cause qui fait de nous des trans ,
dire que la cause est une rupture de role est faux,  (cela serait sans doute alors psychiatriquement guerrisable )
nombre de personnes sont en rupture totale avec les roles sociaux atribués au genre sans etre transgenre , nombres de trans ne se conforment pas/ sont en rupture  avec les  rôles sociaux de leur genre ( genre réel pas attribué par l'anatomie de naissance ) .
Ainsi que d'autres s'y conforment totalement ..ce de la meme maniére que les personnes non trans .


«Estão a confundir identidade de género com género. Por exemplo, uma rapariga pode ser hiper masculina, mostrar comportamentos associados "normalmente" aos homens, mas sentir-se mulher. De igual modo, o inverso pode acontecer com um homem. Ninguém conhece a origem da transsexualidade, mas dizer que a causa é a ruptura com os papeis sociais/culturais é falso (isso faria com que a transsexualidade fosse psiquiatricamente "curável"[ e, assim sendo, uma doença]). Muitas pessoas estão em ruptura total com os papeis sociais atribuidos ao seu género e não são transgéneras, assim como bastantes transsexuais não se conformam/estão em ruptura com os papeis sociais do seu género (género real, não o biológico), e existem aqueles que se conformam totalmente...da mesma maneira que as pessoas não transsexuais.»
_______________________________________________________________________________________________________________________

Concordo plenamente. O problema continua a ser a ser mesmo a expectativa e caracteristicas que a sociedade tem estipuladas para cada género. Esta ideia deveria desaparecer...Mas percebo a confusão quanto aos transsexuais porque, afinal, quando julgamos o outro (e ainda por cima diferente do "grupo" a que pertencemos) servimo-nos do estereotipo, dessa mesma expectativa.

Contudo, não percebo uma coisa...o que queres dizer com "ruptura com os os papeis sociais"? Usar gravata, calças largas e cabelo curto faz de mim uma transgénera, certo? Mas quando estou em ruptura com os papeis sociais atribuidos ao meu género?
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 21.mar.2007, 10:02:48
A questão é que a palavra transgénero não é igual a transexual. Transexual é só uma das situações no transgenderismo. E de todas as outras, com a excepção talvez da intersexualidade, a transexualidade é aquela mais distinta e diferente. Daí aliás há quem use TT e não só T: transexuais e transgéneros. O quebrar do papel social diz mais respeito a todos os restantes tipos de transgenderismo do que à transexualidade e intersexualidade, que dizem respeito a condições diferentes, sendo a última biológica. A questão é tão simples como esta.

Penso ser útil consultar a definição da APA sobre identidade de género, que foi publicada em Novembro do ano passado, e curiosamente coincide com aquela adoptada na rede ex aequo desde a sua existência:

http://www.ex-aequo.web.pt/forum/index.php?topic=11265.0

De qualquer modo penso que há situações em que a discussões terminológicas podem ser bastante inconsequentes, sendo mais importante independentemente de definições diferentes ver que estamos a falar do mesmo tipo de pessoas e que se quer melhorar a situação dessas pessoas, ou seja, o importante é agir e não perder tempo (excessivo, pelo menos) em debates teóricos contra-producentes e infrutíferos.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: stef-ftm-gay em 01.abr.2007, 19:03:22
"Usar gravata, calças largas e cabelo curto faz de mim uma transgénera, certo? Mas quando estou em ruptura com os papeis sociais atribuidos ao meu género?"
non pas spécialement .
lçe genre ce n'«est pas non plus un role social , bien qu'efectivement un role social est arbitrairement attribué aux genres .
Un homme "biologique" peut tres bien etre en rupture totale avec son role social d'honme sans pour cela etre trans.


D'autre part , peu importe le vocabulaire ,trans"sexuel" ou trans "genre " la signification de ces termes varient non seulement d'un pays a l'autre , mais d'une région a l'autre ainsi que d'une personne a l'autre .D'ou l'adoption du terme trans compris par touTEs .
Parfois transgenre est entendu comme trans n'ayant pas fait d'operation de reassignation sexuelle , d'autre fois comme une personne dont le genre fluctue ( de homme a femme selon les périodes )
Ces discutions de base ne sont pas vraiment une perte de temps ,elles ont aussi lçeur importance , agir n'empeche +pas de reflechir ni de discuter ni l'inverse
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Thumbnail em 01.abr.2007, 23:11:39
Passemos à tradução:

"Usar gravata, calças largas e cabelo curto faz de mim uma transgénera, certo? Mas quando estou em ruptura com os papeis sociais atribuidos ao meu género?"
Não necessariamente.
Esse género não é sequer um papel social, ainda que efectivamente um papel social seja arbitrariamente atribuído aos géneros.
Um homem 'biológico' pode muito bem estar em total ruptura com o seu papel social de homem sem por isso ser trans.

Por outro lado, pouco importa o vocabulário , trans'sexual' ou trans'género', a sua variação varia não só de um país para o outro, mas também de uma região para outra, assim como de uma pessoa para outra. Daí a adopção do termo 'trans' compreendido por todos.
Por vezes transgénero é compreendido como trans que não fez ainda a operação de readaptação sexual, por outras como uma pessoa que fluctua dentro do género (de homens para mulheres de acordo com os tempos).
Estas discussões de base não são realmente uma perda de tempo, têm também a sua importância, agir não impede de reflectir nem de discutir nem o contrário.
______________________________________________________________________

Como o stef-ftm-gay já referiu, toda a ideia em torno de transgenerismo varia de pessoa para pessoa, mas eu sinceramente não considero que uma mulher que tenha cabelo curto, use calças largas ou até gravata seja transgénera. Muitas ulheres no emprego têm de usar gravata, muitas mulheres que vestem inclusive saia e se sentem de acordo com os padrões sociais femininos também a usam. Muitas mulheres que usam calças largas também não são transgéneras (senão a maioria das 'dreads'o era lol). Muitas mulheres que usam o cabelo curto também não são transgéneras. Lembro-me da fase da industrialização na história em que as mulheres se apresentavam no trabalho, naquela fase em que haviam substituído os homens nas fábricas na altura da guerra e da sua emancipação, em que usavam o cabelo 'à garçon' e efectivamente se apresentavam com um determinado tipo de farda muito peculiar. Ora não eram todas transgéneras (provavelmente 1% o seria ou até nenhuma).

Com isto onde pretendo chegar é que efectivamente tudo isso é importante. Todos esses pormenores têm, a meu ver, relevância no transgenerismo (e até na transexualidade, ainda que não sejam a mesma coisa obviamente). Mas o que realmente importa é toda a atitude, toda o sentimento da pessoa e toda a apresentação final a nível comportamental psicológico e social (ou seja, sentimento interno e apresentação externa). Os dois juntos, lá está, definirão a pessoa.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 02.abr.2007, 13:37:42
Lembro-me da fase da industrialização na história em que as mulheres se apresentavam no trabalho, naquela fase em que haviam substituído os homens nas fábricas na altura da guerra e da sua emancipação, em que usavam o cabelo 'à garçon' e efectivamente se apresentavam com um determinado tipo de farda muito peculiar. Ora não eram todas transgéneras (provavelmente 1% o seria ou até nenhuma).

Acredito que na tua definição de transgenderismo não sejam, mas são-no na óptica da definição de transgenderismo de muitas pessoas e alguns colectivos. A questão é que o transgenderismo nesta última definição não implica necessariamente a auto-definição da pessoa como tal nem aspectos psicológicos conscientes ou inconscientes da pessoa no que diz respeito à sua identificação de género. É mais uma questão de avaliação dos comportamentos da pessoa perante aquilo que socialmente é esperado dela conforme o sexo com que nasceu. Neste caso a pessoa só é transgénera porque quebra estes modelos e regras e isto não tem necessariamente a ver com o facto de se sentir psicologicamente homem ou mulher ou sequer ambos. E aqui incluímos travestis e uma série de outras variantes deste tipo de situação e como são questões que dependem das convenções sociais o que hoje é transgénero neste âmbito, amanhã poderá não ser.

Percebo que haveria mais clareza com definições estanques e separadas para todas as situações metidas no saco do transgenderismo, mas pela sua ligação entre si, o termo transgenderismo como é adoptado por muitas entidades é um termo "chapéu de chuva" e engloba uma série de situações mesmo que algumas bastante diferentes e nem sempre ligadas a questões de "identidade do género" no estrito senso da palavra (algumas estão somente ligadas a questões de género na perspectiva da sua representação social), mas com um elo de ligação muito claro entre si, que os permite agrupar apesar das suas diferenças entre si. Cabe a cada um aceitar ou não esta definição ou usar outras. Desde que todos nos entendamos sobre o que estamos a falar, penso que não há motivo para problemas de conflitos ou dificuldade de comunicação. Volto a dizer, mais que palavras, é preciso acção. Por eu chamar vermelho a uma cor e outra pessoa chamar encarnado não é por isso que não sabemos do que estamos a falar. Não estou a dizer que não se discuta, tudo pode ser discutido com validade, mas há preciosismos que tiram foco de prioridades, parece-me. Para mim corre-se esse risco com uma série de pessoas que em vez de agir noutros âmbitos deste tema, só falam destas questões.

De qualquer modo, eu pessoalmente acho equilibrada a definição da APA e a definição da rede ex aequo (que é coincidente com a da APA) que foi escrita/preparada/revista por uma série de transgéneros portugueses. Haverá outras válidas para outras pessoas e não acredito que seja base para certos agentes andarem a guerrear outros como já tenho visto.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Thumbnail em 02.abr.2007, 14:38:28
Certamente, bluejazz. O que eu fiz não foi deitar outras definições abaixo. Somente expus a minha pelo que me faz + sentido partir de dentro para fora, ou seja, seguindo o teu exemplo, se não nos sentissemos de determinada maneira não nos apresentariamos de determinado modo.

Muitas pessoas vestem determinada roupa por tudo o que o seu meio permite. Países que aceitam, outros que não. Zonas que aceitam outras que não. Pessoas que aceitam, outras que não. Não por serem transgeneras mas porque a (sua) realidade o permite e porque é o seu conforto, a sua conformidade. Outras fazem-no porque, arrisco dizer, doutro modo seria impossível.

Há, de facto, um leque enorme de variantes transgeneras mas continuo a defender que parte de nós ao revés do que virá eventualmente independente disso.

Informei-me e há de facto já 3 definições universalizadas de transgenderismo, mas o que perturba é o facto da componente ideológica, verdadeira, pessoal, ficar para segundo plano quando é o mais importante!

E acho que após ler o que passo a citar em seguida, qualquer transgenero é capaz de se revoltar:

What is the relationship between transgender and sexual orientation?

The great majority of cross-dressers are biological males, most of whom are sexually attracted to women. People generally experience gender identity and sexual orientation as two different things. Sexual orientation refers to one’s sexual attraction to men, women, both,or neither, whereas gender identity refers to one’s sense of oneself as male, female, or transgender. Usually people who are attracted to women prior to transition continue to be attracted to women after transition, and people who are attracted to men prior to transition continue to be attracted to men after transition. That means, for example, that a biologic male who is attracted to females will be attracted to females after transitioning, and she may regard herself as a lesbian.

Será que conseguirão perceber porquê?

(Já agora, querem que traduza essa página ou outras para que todos lhe tenham melhor acesso?)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 02.abr.2007, 18:22:07
E acho que após ler o que passo a citar em seguida, qualquer transgenero é capaz de se revoltar:

What is the relationship between transgender and sexual orientation?

The great majority of cross-dressers are biological males, most of whom are sexually attracted to women. People generally experience gender identity and sexual orientation as two different things. Sexual orientation refers to one’s sexual attraction to men, women, both,or neither, whereas gender identity refers to one’s sense of oneself as male, female, or transgender. Usually people who are attracted to women prior to transition continue to be attracted to women after transition, and people who are attracted to men prior to transition continue to be attracted to men after transition. That means, for example, that a biologic male who is attracted to females will be attracted to females after transitioning, and she may regard herself as a lesbian.

Será que conseguirão perceber porquê?

(Já agora, querem que traduza essa página ou outras para que todos lhe tenham melhor acesso?)

Penso que sem explicares o motivo dessa revolta muitas pessoas não conseguirão perceber o porquê dela.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Thumbnail em 03.abr.2007, 00:02:02
E acho que após ler o que passo a citar em seguida, qualquer transgenero é capaz de se revoltar:

What is the relationship between transgender and sexual orientation?

The great majority of cross-dressers are biological males, most of whom are sexually attracted to women. People generally experience gender identity and sexual orientation as two different things. Sexual orientation refers to one’s sexual attraction to men, women, both,or neither, whereas gender identity refers to one’s sense of oneself as male, female, or transgender. Usually people who are attracted to women prior to transition continue to be attracted to women after transition, and people who are attracted to men prior to transition continue to be attracted to men after transition. That means, for example, that a biologic male who is attracted to females will be attracted to females after transitioning, and she may regard herself as a lesbian.

Será que conseguirão perceber porquê?

(Já agora, querem que traduza essa página ou outras para que todos lhe tenham melhor acesso?)

Penso que sem explicares o motivo dessa revolta muitas pessoas não conseguirão perceber o porquê dela.

Tudo está correcto até ao ponto em que se fala da transição. Por ventura um transgénero, excepto um transexual, sofre alguma transição? Posso estar redondamente enganado, por isso pergunto. Relativamente à orientação sexual, há que frisar que aquele 'habitualmente' relativo à orientação sexual que premanece após a dita transição nao é assim tão habitual. Acontece de facto mas todo o processo de transição leva a alterações específicas, estando, claro, a falar na área da transexualidade, que, como bem dizem, é só um pedaço do transgenerismo.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 03.abr.2007, 09:49:10
Penso que o que o parágrafo diz é que dentro dos transgéneros aqueles que fazem "transição (ou seja, os transexuais), continuam, por regra, a sentir-se atraídos pelo(s) mesmo(s) sexo(s) por que se sentiam atraídos antes dessa "transição". Não vejo qual o problema... Quanto ao habitual, pessoalmente contesto a tua afirmação, porque empiricamente o que tem sido demonstrado (e por esse motivo o afirma a APA que é um orgão científico) é que a orientação sexual não muda per se (ou seja, não muda o sexo do objecto de atracção).
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Thumbnail em 03.abr.2007, 11:34:17
Bluejazz, concordo que se diga que manter-se a orientação sexual após transição seja o 'resultado' comum. Todavia restringirmo-nos a isso é muito mau porque todo o processo hormonal tem implicações específicas no corpo de cada um/a e o resultado poderá levar à alteração de comportamentos, sensações e, por exemplo, orientação sexual. Sei que não se pode conter tudo no mesmo saco numa única explicação, mas esta situação não é assim tão pequenina quanto isso e seria relevante debater.

Quanto à transição per se, não há nada que distinga transexualidade de transgenerismo naquele ponto. Ora, eu compreendo (se fizer um esforço e partir do princípio que é isso em que a rede acredita) que efectivamente se estejam a referir aos transexuais. Porém, há quem não faça esse esforço e há quem não saiba nada sobre o assunto sequer. Tu saberás, eu também, outros também, mas lembra-te que a maioria não sabe e, para esses, tal explição não me parece clara.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 03.abr.2007, 11:48:13
Bluejazz, concordo que se diga que manter-se a orientação sexual após transição seja o 'resultado' comum. Todavia restringirmo-nos a isso é muito mau porque todo o processo hormonal tem implicações específicas no corpo de cada um/a e o resultado poderá levar à alteração de comportamentos, sensações e, por exemplo, orientação sexual. Sei que não se pode conter tudo no mesmo saco numa única explicação, mas esta situação não é assim tão pequenina quanto isso e seria relevante debater.

Pois... mas nunca foi provado que as hormonas na adolescência ou enquanto adulto afectam a orientação sexual. Pelo contrário, sabe-se que não têm influência. As hipóteses que há ainda como possíveis são somente a nível de desenvolvimento intra-uterino quando o feto se está a desenvolver e é exposto a várias hormonas que determinam a forma como se desenvolve.


Quanto à transição per se, não há nada que distinga transexualidade de transgenerismo naquele ponto. Ora, eu compreendo (se fizer um esforço e partir do princípio que é isso em que a rede acredita) que efectivamente se estejam a referir aos transexuais. Porém, há quem não faça esse esforço e há quem não saiba nada sobre o assunto sequer. Tu saberás, eu também, outros também, mas lembra-te que a maioria não sabe e, para esses, tal explição não me parece clara.

Se colocares aquele parágrafo descontextualizado creio que sim, que não será totalmente claro. Mas na realidade esta pergunta e sua respectiva resposta que citaste surge na sequência de várias anteriores onde se explica o que é incluído no título "transgénero" e se refere, entre outros dados, que a única situação onde existre "transição" nos transgéneros é com os transexuais. Há um contexto anterior que permite interpretar sem margem de dúvidas que neste parágrafo eles estão a referir-se aos transexuais: "os transgéneros que fazem transição".
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Thumbnail em 30.abr.2007, 12:17:59
Bluejazz já testei com algumas pessoas e todos aqueles que nunca haviam tido contacto ficaram na mesma  :-\ Está pouco claro, acredita. (seria era talvez bom ter aquilo em português, não?:))
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Thumbnail em 15.out.2007, 04:40:22
No link que vos deixo encontra-se um inquérito anónimo sobre a discriminação a transgéneros (cross-dressers, travestis, transsexuais and so on) que poderá ser respondido até dia 31 de Outubro. Pretende analisar as condições de vida destas pessoas, independentemente de estar ou pretender tratamento médico, nos diferentes países da União Europeia.

Os resultados serão apresentados ao Conselho Europeu como forma de ajudar a combater a discriminação a que infelizmente ainda se está sujeito.

(Só é pena não estar nenhum em português(!!) mas se aguém quiser eu traduzo para facilitar a sua compreensão :))

Aqui (http://www.pfc.org.uk/node/1523)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: τοRoyalSizeΚΞ em 07.nov.2008, 00:32:55
(...)
Queria recomendar um livro do Gore Vidal chamado Myra Breckenridge que é a história deliciosa de um transexual que se faz passar pela viúva do homem que era antes... Lá no meio do livro, ela consegue dar a volta a um heterossexual.... Muito bom para pessoas com pouco sentido de humor que passam o tempo todo a criticar os outros!

A minha professora aconselhou-mo para um trabalho que estou a desenvolver. Parece que é a história de um transsexual que lida com uma nova percepção da sua orientação sexual e com uma nova percepção da sua identidade de género, após a transição.

Se alguém mo puder emprestar agradeço :)

Spoiler (clica para mostrar/esconder)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Fetch! em 19.jan.2010, 18:59:05
City transgender beauty contests upset activists
By: Priyanjali Ghose - Date:  2010-01-19 - Place: Bangalor

The tremendous response to two beauty competitions fails to enthuse those working for rights of sexual minorities

More than 1,000 transgenders from the city are currently participating in two beauty contests being simultaneously run for them. While filmmaker Ganesh Kharwar's Nazakat Queen 2010, has attracted 1,200 participants, Laxmi Narayan Tripathy's contest called India Super Queen will showcase 18 contestants.

But the overwhelming response, possibly the greatest among cities in the country where such contests were held or are planned, has not made activists working for the rights of sexual minorities  happy.

Beauty is subjective

"I don't believe in judging people's beauty through these competitions as beauty is subjective," said Revathi, director of Sangama, an NGO dealing with sexual minorities. Added Akkai, Sangama's Information Divisional Co-ordinator and one of the judges in Tripathy's contest, "These shows may give exposure to the community, but you cannot discriminate anyone based on beauty. All of us hijras belong to different backgrounds and many are not fair or pretty. Such events may trigger jealousy."

Manjuamma, a 53-year-old hijra said, "How can you make out who is beautiful in such a short span of time? Moreover, God only made man and woman. We are extraordinary. It is as if through this competition, we are competing with ordinary women and trying to show the world we can look as beautiful as them."

Sexual expression

The criticism has not affected the morale of the participants or the organisers. Laxmi Narayan Tripathy, the first transgender to represent the Asia-Pacific region in UN General Assembly president's office as a civil society task force member and the CEO of  Twelve Noon Entertainment, which is organising India Super Queen, said, "Such events give us a chance to express our sexual identity and help build leadership qualities."

Snehaprabha, a participant, said, "We need more such platforms to showcase our talent. They can help us take up careers in acting and modelling." Another participant, Suma (23), a cross dresser, said that such events are also an effort to show that sexual minorities are also a part of the mainstream. "We are not saying one person is the best. We are saying we are as beautiful as any woman walking on other platforms like Ms India and Ms World," she said.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Fetch! em 26.jan.2010, 14:42:53
For Transgender People, Name Is a Message
By WILLIAM GLABERSON
Published: January 24, 2010


Katherine used to be Miguel. Olin had a girl’s name. And in October, Robert Ira Schnur, 70, became Roberta Iris Schnur, a Manhattan retiree with magenta lipstick and, she noted the other day, chipped silver nail polish.

“I wasn’t like other men,” she said.

Theirs are among hundreds of names a Manhattan court has changed over the last few years for transgender New Yorkers. That tally, specialists in the relatively new field of transgender law say, may make the borough’s workaday Civil Court one of the country’s biggest official name swappers — male names for female, vice versa and ambiguous.

Changing a name might seem like a minor matter for those who are changing their gender identities and, for some, facing challenges like finding knowledgeable doctors, trying hormones and experimenting with painful hair-removal procedures. But many who have gone through the switch say a name change sends an important message to the world, a message solidified and made official with a court’s approval.

In many courts around the country, what were once risky or shocking name-change requests are becoming more routine as the sting of gender taboo has lost a little of its edge. But in few places has this shift been more dramatic than in New York, where two recent and little-noticed rulings helped clarify the murky area not only of the law but also of modern gender identification. They have contributed to Manhattan’s becoming a capital of Joe-to-Jane proceedings. A rare network of some 200 lawyers now works on such cases filed in the Centre Street courthouse, and nearly 400 of their transgender clients so far have, more or less, become someone else.

“There is a long emotional, physical process that a lot of us have to go through,” said Katherine Cross, 22, of the Bronx, who got her new name in July. She said her transition included learning how to force her voice into a higher register and the basics of shopping for women’s clothing.

“For me,” she said, “the centerpiece was the name change.”

Efforts to extend legal rights to transgender people have increasingly been in the news, including the December announcement by Gov. David A. Paterson of New York to extend antidiscrimination protections to transgender state employees.

Over the last two years, volunteer lawyers from 19 big corporate law firms in New York City have worked on nearly 400 transgender name change cases, according to the advocacy group that is running the project, the Transgender Legal Defense and Education Fund. “In a way, it’s a big coming-out process — with a judge,” said the group’s executive director, Michael D. Silverman.

The lawyers have represented clients from every borough in the Manhattan court, with applicants ranging from occasional cross-dressers to people who have completed gender reassignment surgery. No one knows how many others have gone to the court on their own or with other lawyers. Indeed, the very number of transgender people in the country and the state is hard to pin down. One survey suggests there are 300,000 in New York State, but others dispute that.

The process of changing a name can be intimidating, said Kit Yan, a 25-year-old poetry slam artist and performer with a hint of facial hair who was born Laura. He failed twice when he tried on his own to get the law to recognize the name a friend suggested after seeing a cartoon character named Kit that looked like him, a little boy in a suit.

With a lawyer in May, Mr. Yan said, he felt relief when he heard “Laura” to summon him for the last time when his case was called. “It felt like giving away, say, an ugly Christmas sweater your mom made you,” Mr. Yan said.

The two recent rulings in New York courts helped clear the way for more such moments on Centre Street.

In one case, an appeals panel overruled a Manhattan civil court judge who had insisted on doctors’ notes giving reasons for name changes in transgender cases. The panel said there was “no sound basis in law or policy” for the requirement and noted that the law generally permits people to change their names unless there is some fraudulent intent involved.

In the other decision, a Westchester judge made an exception to a general requirement that name changes and home addresses be advertised in newspapers, saying the safety issues for people in gender transition were obvious in a world that can be hostile.

The publication requirement insisted upon by some of the Manhattan judges has fed an eerie subculture of readers, many of them prisoners, who follow the newspaper notices. One man forced to advertise that he was becoming a woman received several seductive letters with prison return addresses. “Hello Angel!” said one of the letters. “I am not afraid to take new roads,” said another.

At the gray Manhattan courthouse, where matters like debt collection are the bulk of the work, officials said they were aware of numerous transgender name-change cases.

But those petitions are mixed in with more traditional name-change filings, like applications from immigrants Anglicizing their names. Name-change cases over all increased at the court to 3,109 in 2009 from 202 in 1995, but officials said they did not keep count of the reasons for the requests.

Gender switches would not necessarily draw much attention at the courthouse, said the court’s supervising judge, Jeffrey K. Oing. New York being New York, he said, the threshold for surprise can be high. There was a “buzz in the courthouse,” he conceded, after one man renamed himself Jesus Christ.

But the judge said he was not surprised to hear that transgender people had found a receptive audience in many of the 10 Civil Court judges in Manhattan. “I like to think that we live in a very open society here in New York County,” he said.

Still, routine changing of gender identification can be startling to some. The Rev. Jason J. McGuire, executive director of New Yorkers for Constitutional Freedoms, which helped defeat the gay-marriage proposal in Albany, said the courts might be ahead of the public on gender issues.

“Oftentimes, the courts are used to advance an agenda,” he said, adding that the name changes created loopholes people could use to hide for any number of reasons.

Some of the Centre Street petitioners said they did in fact want to obliterate their old identities. The newly named Em Whitney, a 23-year-old with a toothy smile and a button nose, said the change was part of a long gender journey that began when he was a Texas child with a girl’s name and a fascination with androgynous characters like Peter Pan and Shakespeare’s Puck.

Mr. Whitney, who has written for The New York Observer newspaper and sometimes introduces himself as Emerson, said daily experiences like presenting a driver’s license could be a minefield. “Showing someone a picture and a name of someone who doesn’t exist drove me crazy,” he said.

Ms. Schnur, the retiree who changed her name in October, took out some old identification cards to make a similar point. The pictures of the man with thinning hair never seemed right, she said.

“I always knew that I wasn’t what other people thought I was,” she said.

http://www.nytimes.com/2010/01/25/nyregion/25namechange.html?pagewanted=2&hpw (http://www.nytimes.com/2010/01/25/nyregion/25namechange.html?pagewanted=2&hpw)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: τοRoyalSizeΚΞ em 20.mai.2010, 18:48:06
Apesar de cada vez mais darmos passos pela igualdade, os direitos conseguidos passam pelos direitos reconhecidamente como afectantes aos LGB. Ainda falta fazer bastante nos direitos dos Transgénero. A ILGA Internacional desenvolveu e lançou o estado do Mundo quanto a direitos LGBTI, e apesar de reconhecermos Portugal em várias cláusulas, como a protecção dos homossexuais no trabalho ou a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo (entre outras), não existe ainda praticamente nada referente à população T:

Falta-nos uma Lei de Identidade de Género - os transsexuais conseguem apenas por jurisprudência renovar os seus documentos;
Falta-nos a protecção da Identidade de Género/Transgénera no Código de Trabalho (Acesso/Discriminação/Assédio) - a nível federal apenas concedida especificamente na Croácia, Hungria, Sérvia, Suécia e Austrália;
Falta-nos uma protecção da Identidade de Género/Transgénera no Código Penal (Violência/Crimes de Ódio) - apenas Estados Unidos e Uruguai, dos dois apenas pena agravante por Crime de Ódio;
Falta-nos a proibição constitucional por discriminação com base na Identidade de Género/Transgénera;
A protecção e acesso de pessoas transgénero nas Forças Armadas - Espanha.
E o reconhecimento da Identidade de Género/Transgénera para pedido de asilo.

Homofobia do estado (http://old.ilga.org/statehomophobia/ILGA-Homofobia_do_Estado_2010.pdf)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Miguel★ em 25.jan.2011, 22:25:22
Olá,

Eis um tema muito pouco falado no fórum, quando sei que existem pessoas transgender no fórum e/ou outras que podem/querem falar sobre o assunto...

Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...

Sobre o transgenderismo recomendo também uma leitura dos conteúdos neste link: [url]http://rea.pt/transgenerismo.html[/url] ([url]https://rea.pt/transgenerismo.html[/url])

Fico a aguardar respostas e comentários... :curtain


Finalmente encontrei este tópico. Ora bem, para já adorei a definição no site da REA. Está muito explícita e até me ajudou ainda mais a esclarecer-me.

Eu acho que tenho de admitir que sou transgénero. Eu poderia ser, além de homossexual, um metrossexual. Mas, no meu caso, ainda seria redutor dizer isso porque a metrossexualidade está somente associada a aspectos físicos. E verdade seja dita, no meu caso, os traços psicológicos são consideráveis. A maior parte das minhas amizades é no feminino, por alguma razão. Identifico-me com a mulher, adoro-a, sem nunca a desejar sexualmente. É como se pertencesse ao seu grupo, embora eu seja contra catalogar pessoas. Identifico-me mais com a beleza feminina, com a forma de estar, de falar, de agir, de pensar, tudo no feminino. E eu reparo nisso em mim eventualmente. Por exemplo, não gosto de pêlos ou barba, sento-me de uma maneira peculiarmente pouca masculina, gosto de usar pulseiras e aneis, gosto de usar maquilhagem e não uso a que gostaria, gosto de apreciar as roupas femininas que costumam ser justas, tanto que compro sempre roupas justas na secção masculina, coisas do género. O mundo masculino pouco me atrai. Lembro-me de ter 17 anos e de estar completamente obcecado com este assunto, pensando mesmo até na mudança de sexo. Acabei por me aceitar, sempre com reservas em relação ao meu verdadeiro eu. Acaba por ser um processo complicado, porque nunca se deixa de ser o que se é, não é verdade? Não se pode lutar contra a nossa essência, embora eu tenha-o feito. E, ultimamente, isto tem-se acentuado devido ao meu problema amoroso, uma situação que me desgastou, em que eu fui rejeitado exactamente por ser quem sou. Sinto que fui e sou sempre prejudicado por ser assim e por procurar quem não me pode corresponder. Ou seja, digamos que procuro coisas tendo em conta que sou de uma forma mas que afinal sou de outra. Parece complicado e é. Ando a pensar em recorrer à psicologia para me ajudar e vou aproveitar para expor este caso de transgenerismo. Mais do que tudo, preciso de certezas. A discriminação contra pessoas efeminadas/masculinizadas (consoante o sexo), portanto, contra transgéneros começa pelas pessoas LGBT (nem todas é claro), escusado será dizer também pelas pessoas não-LGBT. A mim sinceramente não me afecta porque não são elas que me pagam as contas, mas há pessoas que se vão abaixo por causa disso e entristece-me vê-las consumirem-se por causa de uma coisa que não controlam, que não escolheram. Acima de tudo, trata-se de algo involuntário, e não de uma escolha. Às vezes, preferia ter nascido noutra era (no caso de ter mesmo de nascer assim), num século mais avançado, quando as coisas fossem encaradas de forma mais natural, porque nascer desta forma, agora, e encarar preconceito por todos os lados é uma verdadeira prova de fogo.
Fica o meu testemunho.
Título: Re: Notícias LGBT (que não se enquadram noutros tópicos)
Enviado por: filipepaulo em 24.fev.2011, 17:50:33
Memorial contra Transfobia no Porto (http://www.youtube.com/watch?v=eZ0tdEOyiD4#ws)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: marte em 29.mar.2011, 00:21:07
Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...
Olá! Sou transgénero (ftm), de momento à procura dos meios para fazer a transição.

A minha maior dificuldade esta semana foi fazer uma conta facebook ;D não sabia o que pôr em "sexo".

Mas a sério, a maior dificuldade está cá dentro. Quando entrei na puberdade principalmente, quando se perde aquele ar "androgíneo". E durante a adolescência havia muita frustração, deixei de comer para ficar sem o período (mas recuperei 6 meses depois, sem grandes consequências) entre outras formas que tinha de me magoar a mim próprio como forma de escape.
Hoje estou muito melhor mas continua a ser difícil lidar com sentimentos de "dysphoria", que é uma mistura de aflição e desespero, todas as manhãs quando me visto por exemplo, ou quando me chamam "senhora" ou "menina", ou quando me corrigem na forma como uso pronomes e adjectivos para me referir a mim mesmo, uma série de situações.

Para além disso, a maior dificuldade cá fora é quando tenho que utilizar uma casa-de-banho pública :P quando entro na feminina, põe-se tudo a olhar. Mas como tenho um ar ainda muito de gaja não quero arriscar entrar na masculina.

Não estou "out" para ninguém. Só contei a uma amiga. Ela parecia estar a reagir bem, mas depois virou-se contra mim. Não creio que me odeie, mas certamenta não me apoia.

Anywei estas imagens estão excelentes  ;D
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: aero em 26.abr.2011, 23:09:53
Cláudio Ramos andou por Lisboa vestido de noiva ([url]http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1838028&seccao=Televis%E3o[/url])

([url]http://img52.imageshack.us/img52/274/ng1511893.jpg[/url])

Foi para o programa 'Querida Júlia' da SIC, e a propósito do casamento do príncipe William e Kate Middleton, que o comentador do 'Jornal Rosa' trajou de branco... (DN)


 :inq :inq :inq
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Boreas em 02.mai.2011, 18:54:31
Bom, ninguém o pode acusar de falta de originalidade... crossdressing jornalistico.  lol lol
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Malibu em 18.abr.2012, 13:42:02
SUÉCIA: Novo pronome de género neutro é introduzido ([url]http://portugalgay.pt/news/160412A/suacia:_novo_pronome_de_ganero_neutro_a_introduzido[/url])

«A Suécia acrescentou oficialmente o pronome neutro de género "hen", que pode ser usado em vez de "ele" ("han" em sueco) e "ela" ("hon") e é definido como "um pronome pessoal de género neutro alternativo a ele e ela".» (PortugalGay.pt ([url]http://portugalgay.pt/news/160412A/suacia:_novo_pronome_de_ganero_neutro_a_introduzido[/url]))

está a gerar polémica, claro:

«Na página do Instituto da memória e língua sueca, Språkrådet, há a informação de que muitas pessoas têm manifestado suas opiniões sobre o "hen". Segundo o instituto algumas pessoas acham que o novo pronome preenche uma lacuna na língua, porém outros não gostam da ideia, achando desnecessário e sem futuro. Alguns são totalmente contra, achando que essa igualdade de géneros  trata-se de uma invenção com motivos políticos.» (brassar.se ([url]http://www.brassar.se/noticias/56-sociedade/499-nem-ele-nem-ela-qhenq-o-sexo-neutro-[/url]))

que acham? sendo que a função da linguagem é descrever a realidade e há quem não se enquadre no binarismo de género vigente, este novo pronome não me parece assim tão despropositado. só não consigo imaginar um equivalente em português, por mais que puxe pela cabeça ([url]http://www.rea.pt/forum/Smileys/classic/book.gif[/url])


Não acho despropositado. Acho até de uma grande importância, pois o mundo não é a preto e branco apenas. Como referiste, há quem não se enquadre nem numa categoria nem noutra, então é uma questão de facilitar, penso, a descrição de uma realidade.
Também acho que deveria ser algo existente noutros idiomas, como é o caso do português (ainda que não me ocorra também um equivalente que seja).
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: Boreas em 27.abr.2012, 23:14:02
Por acaso já tinha pensado sobre o assunto depois de ter lido isto: http://en.wikipedia.org/wiki/Gender-neutral_pronoun (http://en.wikipedia.org/wiki/Gender-neutral_pronoun)

Em português, a única coisa que me ocorre que fosse na mesma linha do que temos, por muito estranho que fique seria eli i lhi.  :o
Elo,elu, lho, lhu etc já existem.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: SharkT em 08.mai.2012, 18:05:38
Lanço a pergunta: para quem se considera transgender, quais são as dificuldades que encontram perante o que são, como é que se deram conta e quais foram/são as reacções das pessoas que o sabem?...


Olá...

Aqui vai...

Na verdade ainda nao sou "transgender" pelo simples facto de ainda pertencer ao meu sexo biologico. ( I N F E L I Z M  E N  T E )
E que por ter naascido no sexo errado procurei a ajuda dos profissionais.

Mas respondendo a questão:

Dificuldades... tudo o que é simples para uma pessoa que não tem este problema (!?)  ::)

Exemplos:

Estou num lugar publico (Shopping, Café, Restaurante, Bar, Disco...) Dá me vontade de ir a casa de banho, que pesadelo!! Porque?
Porque nunca sabemos em que casa de banho entrar para nao arranjar problemas.

1 - Queremos entrar na casa de banho do sexo que somos.
2 - Por vezes temos que entrar na casa de banho do sexo que nascemos.

Ouve-se muitas bocas do tipo "Está aqui a fazer o que? quer que chame o segurança?" ou então, pessoas quando entram e nos veem, saiem porque acham que elas se enganaram no WC.

Uma vez no aeroporto tive a infelicidade de ter que ir ao WC, estava mesmo muito aflito, nao tinha solução. Entrei na Casa de banho, que sorte, estava vazia e ninguem me viu a entrar, quando derrepente ouço uma criança com uma mãe. Fiquei na casa de banho fechado no meu bloco até que eles se fossem embora, ia perdendo o embarque do avião, pois a criança estava a mudar de roupa, demorou imenso tempo.

Isto pode nao parecer nada, mas para quem vive isto há muito mais de 10 anos, torna-se isurportavel.

(...)

Outro grande problema é a falta de informação e/ou a ignorancia da nossa sociedade.

Em geral na sua maioria não sabem o que é um transexual nem um travesti e não respeitam homosexuais como pessoas.
Veêm os travesti como Sexo, Desejo e Prostituição. Os Transexuais como a Roberta Close, os homosexuais como "pessoas diferentes".

Há pessoas que tendem a esquecer que ser trans nao tem nada haver com a opção sexual, e que esta é só mais um conceito da nossa sociedade.

Outra grande dificuldade é a longa avaliação médica, sim... entendo porque e até concordo, mas para quem realmente é ter que fazer estes testes todos num periodo tão longo, é um desafio constante.

Podia tar aqui a tarde toda a escrever sobre os problemas que já tive... mas acho que estes são os mais comuns.


Cumprimentos!


Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: jakejus1 em 23.mai.2012, 20:01:06
estamos no século XXI... já é mais que tempo para o conceito de casa de banho unissexo ([url]http://en.wikipedia.org/wiki/Gender-neutral_toilet[/url]) generalizar-se ([url]http://www.rea.pt/forum/Smileys/classic/martelo.gif[/url])


O meu irmão quando esteve em França, disse que as casas de banho nas escolas que ele frequentou, eram unissexo. Os rapazes nos urinóis e as raparigas a passarem por trás. Há muita coisa que tentamos distinguir como pertencendo ao homem/mulher, mas que na realidade não tem lógica alguma. Os papéis em casa foi algo que foi criado pela sociedade, desde há muito tempo, mas que não significa que tenha de ser assim.

Não quero mesmo ofender ninguém, e por favor a todo o T, não levem este comentário meu, como de mais algumas pessoas que não querem saber sobre o assunto e que não aceitam as coisas. Na realidade sou muito novo por estas bandas e conheço muito pouco sobre este assunto e nunca falai directamente com um Transgender para o perceber (se é que há necessidade disso, pois cada um é como se sente mais feliz), mas não consigo perceber uma certa parte do Transgenderismo. Acho que foi algo que a Sociedade acabou por criar. A questão das roupas também. Porque é que só as mulheres podem usar vestidos? Diga-se desde já que nos países orientais e em África e se calhar noutros, se usa túnicas/vestidos. Acho que não temos de nos achar do sexo oposto se por algum motivo quisermos vestir desse modo. A sociedade, e principalmente a cultura do país em que se vive, é que cria essas confusões na nossa cabeça. (Não quero ofender ninguém. Desculpem se estou a ser um ignorante...)

Imagine-se por exemplo, os Transgenders (tenho que estudar melhor os significados dos termos. Espero que usando a generalização não crie problemas) que querem mudar de género. Se formos a ver, no passado não havia meios tecnológicos/conhecimento capazes de fazer isso. Seria algo que seria impossível de se fazer. E custa-me mesmo acreditar que os T sintam mesmo necessidade  disso do fundo do coração. Eu talvez por curiosidade não me importasse de ser mulher. Sei lá. É sempre diferente. Mas por acaso sinto-me bem com o meu corpo e como sou. SIM, por vezes sinto necessidade, um pouco voluntária, outra talvez nem tanto, de me afeminar, mas acho que isso não necessita que me sinta mal comigo mesmo. (Não me considero Transgender).

Eu vejo os T (não quero mesmo discriminar ninguém. Só quero tentar falar sobre o assunto) como um tipo de EMO/"góticos"/aqueles (a maioria) que se vestem todos de preto com piercings (http://pt.wikipedia.org/wiki/Emo (http://pt.wikipedia.org/wiki/Emo)). Vi muitos lá na minha escola e sentia que eles se vestiam ou eram daquela maneira, devido a bullying ou outros factores. Alguns acredito que até se auto-mutilavam. Acho que era como uma forma de se enquadrarem num grupo, de chocarem, ou de demonstrarem o seu sofrimento. Fiquei também a saber mais recentemente que alguns deles eram Gays.

Não sei se me consegui expressar bem, mas acho que a maioria do transgenderismo se deve a factores psicológico negativos criados nas pessoas, por elas ou pela sociedade. E a verdade é que sinto que a mudança de sexo é algo extremo que nunca ninguém deveria fazer, porque não era suposto acontecer na natureza. (mas isto quase que parece um dos argumentos usados contra os LGB, por isso posso estar errado)... Nós somos o que somos, e devemos aceitá-lo. Devemos ser nós próprios, não interessa o que os outros digam. Aceitar o nosso corpo, saber respeitá-lo e amá-lo. É esta mensagem que queria transmitir a alguns Transgenderes, por achar que é por factores psicológicos, provavelmente induzidos pela sociedade, que eles tentam ser como são. Mas todo o respeito por vocês!

DESCULPEM se estou a ser um super ignorante, mas peço-me que falem-me honestamente sobre o que sentem e me esclareçam as minhas dúvidas. Estou aqui para compreender, aceitar e respeitar. Estou aqui para crescer, tal como todos nós.

Espero que não levem a mal. Beijos, abraços, muito amor e paz. Be yourself no matter what.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 18.jul.2012, 14:33:40
A era do pós-gênero?
21.09.2011 15:45

O cartunista Laerte Coutinho, de 60 anos, que em 2009 decidiu passar a se vestir como mulher, usar brincos e pintar as unhas de vermelho, está dentro do banheiro masculino quando entra um velhinho. Ao se deparar com a figura de cabelos grisalhos lisos num corte chanel, saia e salto alto, em pé diante do mictório, o homem estaca. “Não se preocupe, o senhor não está no banheiro errado”, diz Laerte. E o idoso, resignado: “É, eu estou é na idade errada”.

Laerte já foi chamado de crossdresser, denominação utilizada para o homem que gosta de, ocasionalmente, usar roupas femininas como fetiche. Talvez o crossdresser mais famoso da história tenha sido o cineasta norte-americano Ed Wood, que vez por outra vestia trajes de mulher. Sentia que lhe acalmavam o espírito. Wood, encarnado no cinema pelo ator Johnny Depp no filme homônimo de Tim Burton, em 1994, era casado e, ao que tudo indica, heterossexual. Só que o cartunista acha que não é crossdresser como Wood porque não tem mais em seu armário roupas de homem. Nem uma só cueca, nada. “Foi a primeira gaveta que esvaziei”, conta.

Por outro lado, as travestis, brinca Laerte, ficariam indignadas se ele dissesse ser uma, por não ter a -exuberância que se espera delas. Drag queen ele não é, porque não se veste como mulher para fazer performances. Usa vestidos e saias todo o tempo, para desenhar, pagar contas no banco ou ir até a esquina. Transexual também não, porque não tem interesse em fazer cirurgia de mudança de sexo e nem está insatisfeito com o próprio corpo “biológico”. Bissexual, sim, com certeza. “Nomenclaturas não me interessam. A busca por uma nomenclatura é uma tentativa de enquadramento. Sou uma pessoa transgênera e gosto do termo ‘pós-gênero’”, explica o cartunista.

O fato é que não existe atualmente uma palavra para “enquadrar” Laerte. Tampouco há resposta definitiva para a questão: quantos gêneros existem na realidade? Só homem e mulher parecem não ser mais suficientes. Desde a quinta-feira 15, os australianos terão em seus passaportes a possibilidade de optar, além dos sexos “masculino” e “feminino”, por um gênero “indeterminado”. Cabem aí todas as possibilidades de definição de Laerte, ou qualquer outra que aparecer. A própria sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) já é utilizada por alguns grupos como LGBTIQ – adicionada de “intersex” e “questioning” (“em dúvida” ou “explorando possibilidades”).

Com a mudança no passaporte, a Austrália na prática estende para todos os cidadãos o direito conquistado na Justiça em março do ano passado por Norrie May-Welby. Norrie, que nasceu homem, havia feito cirurgia de sexo para se tornar mulher, mas não se adaptou à nova condição. Recorreu à Justiça e se tornou a primeira pessoa do mundo a ser reconhecida como “genderless”, ou sem gênero específico. Após a decisão, Norrie May-Welby declarou: “Os conceitos de homem e mulher não cabem em mim, não são a realidade e, se aplicados a mim, são fictícios”. O sobrenome de Norrie, aliás, é um trocadilho com “may well be”, que em inglês significa “pode bem ser”.

Para chegar à decisão, dois médicos o examinaram e concordaram que Norrie é psicológica e fisicamente andrógino. May-Welby comemorou a libertação da “gaiola do gênero” e sua história detonou uma discussão no país sobre a criação de direitos específicos para as pessoas sem gênero. Um problema prático é justamente a identificação em documentos oficiais. Para um homem transexual que fez a cirurgia de mudança de sexo, é possível em vários países mudar também os documentos. Mas o que fazer com os que não desejam ser identificados por gênero algum? “O caso de Norrie evidenciou a existência de pessoas que não desejam ter um sexo específico”, disse em dezembro John Hatzistergos, procurador-geral de New South Wales, o estado mais populoso da Austrália.

Nascida mulher, a filósofa espanhola Beatriz Preciado, autora do livro Manifiesto Contrasexual, uma provocação intelectual que pretende subverter os conceitos de gênero e sexo é, ela própria, um ser híbrido que recusa qualquer definição. Preciado não se considera nem homem nem mulher nem homossexual nem transexual. Perguntada pelo jornal catalão La Vanguardia sobre seu gênero, Beatriz respondeu: “Esta pergunta reflete uma ansiosa obsessão ocidental, a de querer reduzir a verdade do sexo a um binômio. Dedico minha vida a dinamitar esse binômio. Afirmo a multiplicidade infinita do sexo”. Segundo a filósofa, a sexualidade humana é como os idiomas: pode-se aprender vários.

Há psicólogos que concordam com Beatriz ao defender que uma coisa é o gênero e outra, completamente distinta, a atração sexual. Isso é o que torna possíveis os inúmeros casos relatados de indivíduos que fizeram cirurgia de mudança de sexo para se tornarem não heterossexuais, mas homossexuais. Explico: um homem, por exemplo, que se torna mulher não para ter relações com homens, como se poderia imaginar, mas com mulheres. Ou seja, que troca de sexo para ser gay.

Aconteceu recentemente na Itália: Alessandro Bernaroli, de 40 anos, submeteu-se a uma mudança de sexo e tornou-se Alessandra em 2009, mas ele e a esposa não tinham a intenção de se separar, queriam permanecer juntos. O mais incrível é que acabaram alvos de um divórcio à revelia pela Justiça italiana, baseado no fato de o país não permitir legalmente casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Alessandra está recorrendo no tribunal de última instância e pode ir à Corte Europeia de Direitos Humanos se o seu direito de permanecer casada não for reconhecido.

Há três anos, então aos 81, a escritora Jan Morris, que deixara de ser James através de uma cirurgia em 1972, decidiu casar novamente com sua companheira de toda a vida, Elizabeth Tuckniss. Eles tiveram cinco filhos juntos e nunca se separaram de fato, mesmo após a cirurgia. Por exigências legais, porém, haviam se divorciado logo depois de James se tornar Jan. James Morris, o primeiro jornalista a anunciar a conquista do Everest, diz, em seus relatos autobiográficos, que se transformou em Jan, mas nunca se sentiu homossexual, e sim “erroneamente equipado”. Achava que deveria ter nascido mulher e fez a cirurgia para corrigir o equívoco divino – o que não significava que quisesse abrir mão do amor de Elizabeth.

“Esses casos comprovam que gênero e atração sexual podem ser coisas separadas. É muito complicado, há pessoas que nunca se conformam em ser enquadradas em um gênero”, diz o psicólogo Anthony Bogaert, professor do Departamento de Ciências Sanitárias da Brock- University, no Canadá. “Gênero é uma construção complexa. Ser macho ou fêmea, assumir papéis mais femininos ou mais masculinos, não vai necessariamente indicar que tipo de pessoa atrairá sexualmente um indivíduo. Homens com características mais -femininas, por exemplo, ou até transexuais, não necessariamente tenderão a se relacionar com pessoas do mesmo sexo.”

Apesar das diferenças que estabelece entre gênero e orientação sexual, Bogaert considera discutíveis experiências como a do casal canadense Kattie Witterick e David Stocker, que, revelou-se ao mundo em maio, pretende manter o sexo de seu bebê, chamado apenas de Storm (tempestade), como um segredo de família. Isso significa que Storm crescerá sem gênero definido. Acossada por críticas de psicólogos, a mãe justificou-se dizendo ter tomado a decisão por causa da pressão sofrida por Jazz, seu filho mais velho, um garoto que gosta de usar tranças e sempre vestiu roupas de menina, para que “agisse como menino”.

Caso parecido aconteceu há dois anos na Suécia com o bebê “Pop”, gênero não revelado, que aos 2 anos podia escolher se queria usar vestidos femininos ou roupas de garoto. “Nós queremos que Pop cresça o mais livremente possível, queremos evitar que seja forçado/a a assumir um gênero específico ditado pelo exterior”, explicou a mãe da criança. “É cruel trazer uma criança ao mundo com uma estampa azul ou cor-de-rosa pregada na testa.”

Uma pré-escola na Suécia, a Egalia, baniu os termos “ele ou ela” para se referir aos pequenos alunos, que não são tratados como “meninos” ou “meninas”, mas como “amiguinhos”. Na brinquedoteca, a cozinha, com suas panelas e outros utensílios, supostamente “de predileção” nata das meninas, fica ao lado das peças de Lego e brinquedos de montar, normalmente “preferidos” pelos meninos, para que as crianças não tenham “barreiras mentais” e se sintam livres para escolher entre as duas brincadeiras. O sistema é chamado de “educação neutra em gênero”, mas já há quem tenha apelidado a ideia de “loucura dos gêneros”.

Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da Unicamp, a antropóloga Regina Facchini vê, no entanto, alguns aspectos positivos em não se enfatizarem gêneros e fortalecer estigmas na educação de crianças. “Em termos individuais, acho impossível criar uma criança sem gênero. Mas intervir no social, na escola, e não no sujeito, pode ser interessante.” A pesquisadora lembra que, no Brasil, os parâmetros curriculares aconselham fazer o possível para não estabelecer diferenças entre gêneros. Até mesmo em coisas pequenas, mas que denotam estereótipo, como, por exemplo, dar para os garotos a função “masculina” de carregar coisas pesadas.

“Existem discussões candentes hoje em dia. Os banheiros das escolas atendem os alunos transexuais? Agora, a identidade de gênero existe. Desde o momento que a criança botou a cabeça para fora, ela vai sendo construída, a partir das expectativas criadas em torno dela pelos pais, pela sociedade. Essa é uma realidade”, diz a antropóloga. “Sem dúvida, quanto menos a escola enfatizasse gêneros, menos seria traumático para algumas crianças. Assim como também seria positivo ensinar que existem várias formas de masculino e feminino que devem ser respeitadas. O que existe na maior parte dos lugares é o oposto disso.”

Até os 7 anos, o paulista Leo Moreira Sá, caçula de nove irmãos, brincava com os amigos no quintal, todos meninos, usando um short sem camiseta. No dia que ele conta ser o mais chocante de sua vida, a mãe vestiu-o com o uniforme da escola, uma sainha com blusa. Ele reclamou: “Mas isso é roupa de menina”. Ela olhou-o profundamente nos olhos e pronunciou a frase que o marcaria dali por diante: “Você É uma menina”.

Foram anos de rebeldia, bullying e inadaptação escolar até que Leo, então Lou Moreira, entrou para as Ciências Sociais da USP e descobriu na literatura algumas respostas para suas dúvidas. Ainda assim, continuava a se sentir inadaptada. Entrou para um grupo ativista de lésbicas, mas não se sentia bem aceita por ser considerada “masculina demais”. O melhor momento para ela então foi a atuação, nos anos 1980, como baterista da banda de punk-rock As Mercenárias, look andrógino, cabelo descolorido curtíssimo e ar desafiador.

Em 1995, Lou era casada com uma garota quando viu na rua a travesti Gabriella Bionda, a Gabi. “Pensei: ‘que mulher linda’”, conta. Gabi olhou para ela e falou: “Que ‘viadinho’ bonitinho”. Foi o início da relação surpreendente entre a lésbica e o travesti, que duraria nove anos e tornaria a dupla figurinha carimbada na noite paulistana. O curioso é que houve um período que Gabi “montava” Lou para que esta parecesse mais feminina, mas, nos últimos anos, ela vem se transformando em Leo. Aos 53 anos, planeja, inclusive, fazer a cirurgia de retirada dos seios e, futuramente, de mudança de sexo.

Não que tenha decidido se pretende se relacionar amorosamente com homem, mulher ou outro gênero. “No momento, não estou me relacionando com ninguém, estou pensando só na cirurgia”, diz Leo, para quem Gabi ainda é o amor de sua vida. “A Gabi é minha alma gêmea, meu espelho invertido. Estar com aquela mulher com corpo de homem quebrou certos limites da minha sexualidade. Na cama, éramos o casal mais versátil que se possa imaginar. Hoje, desfruto de um leque muito amplo de possibilidades. Nada está fechado.”

Leo, que toma hormônios, criou barba e possui uma aparência exterior masculina, rejeita assumir a identidade de homem. Não gosta do termo “transexual”, mas prefere se nomear assim, à falta de outro. “Adoraria não precisar assumir gênero algum”, admite o ator, que integra o grupo de teatro dos Sátyros, em São Paulo, cujas montagens costumam incluir transexuais e travestis no elenco. “Vivi à margem durante muitos anos. Agora, ao contrário, essa sensação de não pertencimento ao mundo me faz feliz, sinto-me um ser humano integral, completo. Vou operar para fazer um ajuste, para me sentir mais cômodo com meu próprio corpo. Mas assumir um gênero, para quê?”

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-era-do-pos-genero-2/ (http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-era-do-pos-genero-2/)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: nuninhaa. em 25.jul.2012, 23:57:49
transsexualismo não é um estado de espirito mas sim uma condição médica , tal como a diabetes , a partir de ai façam as vossas próprias conclusões.
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 08.ago.2012, 17:32:50
DSM-V To Rename Gender Identity Disorder 'Gender Dysphoria'
The newest edition of the psychiatric diagnostic manual will do away with labeling transgender people as "disordered."
BY Camille Beredjick
July 23 2012 8:00 PM ET

The newest edition of the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, or DSM, will replace the diagnostic term “Gender Identity Disorder” with the term “Gender Dysphoria,” according to the Associated Press.

For years advocates have lobbied the American Psychiatric Association to change or remove categories labeling transgender people in a psychiatric manual, arguing that terms like “Gender Identity Disorder” characterize all trans people as mentally ill. Based on the standards to be set by the DSM-V, individuals will be diagnosed with Gender Dysphoria for displaying “a marked incongruence between one’s experienced/expressed gender and assigned gender.”

“All psychiatric diagnoses occur within a cultural context,” said Jack Drescher, a member of the APA subcommittee working on the revision. “We know there is a whole community of people out there who are not seeking medical attention and live between the two binary categories. We wanted to send the message that the therapist’s job isn’t to pathologize.”

Homosexuality was diagnosed in the DSM as an illness until 1973, and conditions pertaining to homosexuality were not entirely removed until 1987. According to Dana Beyer, who helped the Washington Psychiatric Society make recommendations on matters of gender and sexuality, the new term implies a temporary mental state rather than an all-encompassing disorder, a change that helps remove the stigma transgender people face by being labeled “disordered.”

“A right-winger can’t go out and say all trans people are mentally ill because if you are not dysphoric, that can’t be diagnosed from afar,” Beyer told the AP. “It no longer matters what your body looks like, what you want to do to it, all of that is irrelevant as far as the APA goes.”

From a legal perspective, the classification of Gender Identity Disorder is extremely harmful to some trans people, but surprisingly beneficial to others.

In one legal case, says San Francisco psychiatrist Dan Karasic, a trans woman from Utah risks losing the children she fathered before her transition. Because she is trans, a lawyer has argued that her GID is a “severe, chronic mental illness that might be harmful to the child.”

But in other cases, a GID diagnosis justifies insurance coverage for gender reassignment surgery and other medical procedures that sometimes accompany a transition. Having a diagnosis is the difference between a necessary medical procedure and something that can be perceived as cosmetic surgery that insurance won’t cover, Drescher says.

Others argue that GID should stay in the DSM in some form because it provides a solid legal defense for transgender people who have experienced discrimination based on their gender identity.

“Having a diagnosis is extremely useful in legal advocacy,” said Shannon Minter, legal director of the National Center for Lesbian Rights. “We rely on it even in employment discrimination cases to explain to courts that a person is not just making some superficial choice ... that this is a very deep-seated condition recognized by the medical community.”

Mental health professionals who work with trans clients are also pushing for a revised list of symptoms, so that a diagnosis will not apply to people whose distress comes from external prejudice, adults who have transitioned, or children who simply do not meet gender stereotypes.

http://www.advocate.com/politics/transgender/2012/07/23/dsm-replaces-gender-identity-disorder-gender-dysphoria (http://www.advocate.com/politics/transgender/2012/07/23/dsm-replaces-gender-identity-disorder-gender-dysphoria)


Transgender advocates seek new diagnostic terms
Written by Lisa Leff, AP writer
Jul 23, 2012

The nation’s psychiatric establishment is overhauling its diagnostic manual for the first time in almost two decades.

Advocates have spent years lobbying the American Psychiatric Association to rewrite or even remove categories typically used to diagnose transgender people, arguing that terms such as “Gender Identity Disorder” and “Transvestic Fetishism” promote discrimination by broad-brushing a diverse population with the stigma of mental illness.
“The label of mental defectiveness really places a burden on trans people to continually prove our competence in our affirmed roles,” Kelley Winters, a Colorado scholar who has helped lead the push for changes, said.

Although the association’s new Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders is not scheduled to be printed until the end of the year, the updates are taking shape after three rounds of proposed changes.

Professionals who have been part of or closely observing the amendment process say the latest wording, while not going as far as many advocates wanted, respects the broader shift in society’s understanding and acceptance of what it means to be transgender since the last major revision of the manual was published in 1994.

“All psychiatric diagnoses occur within a cultural context,” New York psychiatrist Jack Drescher, a member of the APA subcommittee working on the issue, said. “We know there is a whole community of people out there who are not seeking medical attention and live between the two binary categories. We wanted to send the message that the therapist’s job isn’t to pathologize.”

The most symbolic change under consideration so far for the manual’s fifth edition, known as the DSM-V for short, is a new name for “Gender Identity Disorder,” the diagnosis now given to adults, adolescents and children with “a strong and persistent cross-gender identification.”

In the manual’s next incarnation, individuals displaying “a marked incongruence between one’s experienced/expressed gender and assigned gender” would be diagnosed instead with “Gender Dysphoria,” a term that comes from the Greek word for emotional distress.

Switching the emphasis from a disorder that by definition all transgender people possess to a temporary mental state that only some might possess marks real progress, according to Dana Beyer, a retired eye surgeon who helped the Washington Psychiatric Society make recommendations for the chapter on “Sexual and Gender Identity Disorders.”

“A right-winger can’t go out and say all trans people are mentally ill because if you are not dysphoric, that can’t be diagnosed from afar,” Beyer said. “It no longer matters what your body looks like, what you want to do to it, all of that is irrelevant as far as the APA goes.”

Persuading the psychiatric profession to redefine who and who does not qualify for its care has historical precedent as a civil rights issue.

In 1973, the APA, responding to pressure from the gay and lesbian community, concluded that same-sex attraction was a normal part of human experience, not an illness.

Although it took another 14 years for all conditions related to homosexuality to be lifted from the DSM, the earlier shift is regarded as a major milestone in the gay rights movement, one that paved the way for gays to adopt children, get married and serve in the military.

Like gay men and lesbians before them, transgender people have seen the APA’s language cited to their disadvantage.

Dan Karasic, a San Francisco psychiatrist who has offered suggested changes to the DSM-V through his affiliation with the World Professional Association for Transgender Health, cited a Utah case in which he has been asked to prepare expert witness testimony involving a transgender woman who is at risk of losing the children she fathered before her transition.

“The argument is that one criteria for terminating parental rights is if one parent has a severe, chronic mental illness that might be harmful to the child,” Karasic said. “A lawyer is apparently using that to argue that because the person is trans and has a diagnosis of GID, she should have her parental rights terminated.”

But while there are parallels, achieving what the APA did for gays four decades ago is more complicated for people who identity as transgender, an umbrella term that encompasses transsexuals, cross-dressers and others whose self-concepts otherwise do not align with the male or female label they were given at birth. Unlike sexual orientation, the accepted protocols for treating many patients expressing profound discomfort with their given gender call for medical intervention.

Since at least the 1980s, for example, a diagnosis of Transsexualism or Gender Identity Disorder has been used by doctors, mental health professionals and a growing number of health insurers to justify access to hormones or surgery for patients who decide to physically transition to a new sex. Eliminating it from the DSM-V therefore could make it more difficult for self-identified transsexuals to qualify for treatment.

“Let’s say someone born a woman walks into my surgical office and says, ‘I would like my breasts removed.’ What’s the diagnosis?” Drescher said. “The procedure is a mastectomy, but if there is no diagnosis, it is cosmetic surgery and your insurance won’t pay for it.”

As work on the DSM-V moves forward, lawyers who specialize in representing transgender clients have found themselves in the uncomfortable position of arguing that Gender Identity Disorder needs to stay in the manual in some form. Shannon Minter, legal director of the National Center for Lesbian Rights, said while it’s true the diagnosis has been used against some, it also has benefitted others.

“Having a diagnosis is extremely useful in legal advocacy,” Minter said. “We rely on it even in employment discrimination cases to explain to courts that a person is not just making some superficial choice ... that this is a very deep-seated condition recognized by the medical community.”

Along with pushing for a less-loaded name for Gender Identity Disorder, activists and mental health professionals who work with transgender clients also want to see the symptoms revised so the diagnosis is not applied to people whose distress stems from external prejudice, adults who have successfully transitioned to a different gender or children based on sex stereotypes such as aversion to “rough-and-tumble-play” or “typical feminine clothing.”

Kenneth Zucker, a Canadian psychiatrist who chairs the APA Sexual and Gender Identity Disorders Work Group, predicted that with more transgender people coming out at younger ages, and little scientific understanding of what causes someone to be transgender, the debate is likely to continue.

“All of us who work in this field are seeing a huge increase in the number of people who come to see us who have Gender Dysphoria,” Zucker said. “There is clearly a clinical need for there to be specialists in this area, and apart from the philosophical musings, having a diagnosis facilitates that.”

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http://www.wisconsingazette.com/breaking-news/transgender-advocates-seek-new-diagnostic-terms.html (http://www.wisconsingazette.com/breaking-news/transgender-advocates-seek-new-diagnostic-terms.html)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: beforesunset em 21.set.2012, 15:03:08
O transgenerismo é muito mais parecido com a transexualidade do que as pessoas gostam de afirmar.

Nao me parece que as pessoas transgenero ou transexuais (falo enquanto tal) tenham um problema mental ou seja "um fenomeno que tenha de ser explicado". Como ouvi uma vez relativamente à homossexualidade: "E porque é que não descobrem a causa da heterossexualidade?". Provem tudo do mesmo: Construções SOCIAIS de papéis de género que servem para a REPRODUÇÃO!

Ninguem nasce mulher, torna-se - lá dizia Simone de Beauvoir. O mesmo aplicava para os homens. Geralmente quebro a barreira entre os géneros, ms não me faz um alien...todos nos o podemos fazer se o experimentarmos e nos permitirmos experimentar.

Parece-me, tambem, que a transexualidade e o transgenerismo resultam, assim, do nosso envolvimento com a sociedade em que estamos e as regras de genero impostas por ela.

Porque:

vagina -> cromossoma xx -> vai-se "sentir" mulher  -> vai agir de forma feminina -> vai vestir roupa feminina -> sente-se atraído por homens
pénis -> cromossoma xy - > vai-se "sentir" homem -> vai agir de forma máscula - > vai vestir roupa masculina -> sente-se atraído por mulheres


Não faz sentido nenhum ser uma regra, as excepçoes são várias, e foi criado com o intuito de nos programar a todos em seres ignorantes e só reprodutores.

Não existem só estas pessoas no universo: desde pessoas intersexo (li uma investigaçao que estimava que 60% das pessoas do mundo nascem intersexo - com alguma variaçao "biologica"/"cromossomatica" do que esta regra diz - geralmente o que acontece é ir à faca antes do bebe ter direito a opiniao sobre o seu corpo...tudo para caber num dogma que não respeita a diferença) a pessoas transgénero (alguma variação de se sentir mulher e/ou homem e/ou outro genero qualquer) ou transexuais (nao sao intersexo e ora sentem ser mulheres, tendo anatomia "considerada de homem" ora sentem ser homens, tendo anatomia "considerada de mulher"), homossexuais, bissexuais, assexuais, mulheres que se comportam e/ou vestem de forma masculina e vice versa, etc etc etc

Aliás, não é "sentir ser mulher" ou "sentir ser homem", a partir do momento em que sentes ser de um género, és desse. Se não o sentes, não és de nenhum. Acho que maioria das pessoas no mundo e mesmo neste fórum simplesmente não são de nenhum género, porque nunca pensaram no assunto (a mim aconteceu-me isso).


E atenção que transgéneros e genderqueer não estão sós nem somos poucos, aliás, em sitios como o tumblr somos a maioria :D  Recomendo este blog: http://genderqueer.tumblr.com/ (http://genderqueer.tumblr.com/) e este site: http://genderfork.com/ (http://genderfork.com/)
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: bluejazz em 25.set.2012, 10:53:15
Não existem só estas pessoas no universo: desde pessoas intersexo (li uma investigaçao que estimava que 60% das pessoas do mundo nascem intersexo - com alguma variaçao "biologica"/"cromossomatica" do que esta regra diz - geralmente o que acontece é ir à faca antes do bebe ter direito a opiniao sobre o seu corpo...tudo para caber num dogma que não respeita a diferença)

Também estudei o assunto da intersexualidade/intersexo, numa perspectiva das questões de género/biologia, e a prevalência que conheço é de 1% a 0,01% (com variações deste valor conforme o tipo de intersexualidade) na população. Aliás esse valor de 60% é muito, muito elevado para ser real (ainda mais tendo em conta que muitas das pessoas intersexuais por inerência dessa característica - dependendo de qual é o seu tipo de intersexualidade - são inférteis, isso implicaria também uma taxa de infertilidade na população em geral muito elevada também, quando os valores que temos de infertilidade em geral é entre os 10-20%).
Título: Re: E o transgenerismo?
Enviado por: BrunoMCP em 04.ago.2014, 19:56:30
Até gosto da utilização de "genderqueer" como termo guarda-chuva.

Alguém identifica-se com estes conceitos? mas principalmente, alguém aprecia ou gosta ou consegue gostar de alguém que se enquadre nestes estes conceitos?

Eu considero-me nongendered/genderless/agender/neutrois, se for a guiar-me por esse fofíssimo artigo da Wikipedia.
Tudo isso inserido no conceito de genderqueer.
Desde pequeno que não me faz sentido a existência de géneros.
É de certa forma reconfortante a existência de palavras que definam a minha posição.

Uma coisa que me faz comichão: sendo genderqueer, até que ponto me posso considerar transgénero, tendo em conta as definições portuguesas?
Título: Princesas Impossíveis - Pessoas Trangêneras
Enviado por: Fernando de Oliveira Lúci em 25.abr.2016, 16:40:56
Olá, como vão? Este é um documentário que fiz sobre pessoas trans e travestis. Foi meu TCC. Apresentei e tirei 10. Pra quem tiver interesse sobre o tema, segue o link do vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=Qz4ZANLcwPU
Título: Re: Princesas Impossíveis - Pessoas Trangêneras
Enviado por: Dreamer em 12.jun.2016, 20:05:44
Adorei! Esse documentário mostra bem a realidade brasileira e as opiniões dxs brasileirxs, já tinha visto outros videos do género englobando o mesmo tema e o mesmo país mas este superou quase todos.

Aqui em Portugal penso que a realidade dxs transgéneros seja um pouco diferente (não tão focada na prostituição/vida noturna), a nivel de preconceito e dificuldade na transição parece ser idêntico ao Brasil. A unica grande diferença a meu ver é que em Portugal existe menos violência fisica.

No minuto 25:27 a transgénero diz: "a minha mãe até hoje faz oração para eu virar menino" . É interessante o comportamento de alguns familiares que tentam de diversas formas anular/reverter as orientações sexuais e as "correções de género".


Parabéns @Fernando de Oliveira Lúci !  :up [smiley=feliz.gif]