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Assuntos Gerais => Apoio => Tópico iniciado por: diz_que_sim em 30.out.2013, 12:14:38

Título: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: diz_que_sim em 30.out.2013, 12:14:38
Olá a todos,

Eu estou neste momento a viver uma situação muito difícil, sobretudo do ponto de vista emocional mas também do ponto de vista do meu bem-estar físico. Gostava de a partilhar convosco porque acho que este tipo de histórias servem a toda a gente, na medida em que é sempre possível aprender com os erros dos outros.

Há cerca de duas semanas fui sair à noite e, completamente alcoolizado, envolvi-me com um rapaz que sabia estar infectado com o HIV. Eu não me recordo de grande parte do que se passou, mas sei que, já em casa dele, iniciámos um contacto sexual desprotegido (que envolveu penetração). O momento em que tomei consciência do que se estava a passar é aliás das poucas coisas de que me lembro. Assim que me apercebi do que estava a fazer, parei imediatamente e entrei em pânico. Ele desvalorizou a situação porque está já a seguir a terapêutica do HIV há alguns anos e tem carga viral indetectável. Ainda assim, quando me senti reestabelecido (porque ainda me encontrava alcoolizado) dirigi-me ao hospital da minha área de residência. A médica infectologista que me assistiu disse-me que tinha indicação para a profilaxia do HIV, que estou neste momento a seguir. Aparentemente, o risco de ter sido infectado é de facto muito baixo mas existe. Além disso, esta profilaxia é muito efectiva de modo que espero não positivar. Em todo o caso, tenho muito medo.

Os efeitos secundários deste tratamento não têm sido especialmente difíceis de suportar. Tenho me sentido nauseado mais vezes do que é habitual e tenho de facto sentido alguma astenia (que é muito comum). Agora não sei dizer se estou a somatizar os sintomas que sei serem os esperados, ou se de facto eles são um efeito da medicação.

Queria deixar alguns conselhos a quem tiver a paciência de me ler. Se tiverem um comportamento de risco, dirijam-se imediatamente ao hospital. A profilaxia do HIV é efectiva até 48 horas, mas acredita-se ser mais eficaz se iniciada até 12 horas após o contacto. O facto de alguém ter carga viral indetectável não implica (como o outro rapaz me disse) que não pode infectar ninguém. A carga viral é indetectável nos vasos periféricos, mas pode existir nas mucosas, no sémen etc.

Pessoalmente, o que retiro desta experiência é que quando bebo desta maneira estou efectivamente a colocar a minha vida em risco. Se alguém estiver a passar pelo mesmo e quiser conversar, basta enviar-me uma mensagem privada. Estou completamente disponível.     
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: Endovélico em 30.out.2013, 13:01:06
Olá a todos,

Eu estou neste momento a viver uma situação muito difícil, sobretudo do ponto de vista emocional mas também do ponto de vista do meu bem-estar físico. Gostava de a partilhar convosco porque acho que este tipo de histórias servem a toda a gente, na medida em que é sempre possível aprender com os erros dos outros.

Há cerca de duas semanas fui sair à noite e, completamente alcoolizado, envolvi-me com um rapaz que sabia estar infectado com o HIV. Eu não me recordo de grande parte do que se passou, mas sei que, já em casa dele, iniciámos um contacto sexual desprotegido (que envolveu penetração). O momento em que tomei consciência do que se estava a passar é aliás das poucas coisas de que me lembro. Assim que me apercebi do que estava a fazer, parei imediatamente e entrei em pânico. Ele desvalorizou a situação porque está já a seguir a terapêutica do HIV há alguns anos e tem carga viral indetectável. Ainda assim, quando me senti reestabelecido (porque ainda me encontrava alcoolizado) dirigi-me ao hospital da minha área de residência. A médica infectologista que me assistiu disse-me que tinha indicação para a profilaxia do HIV, que estou neste momento a seguir. Aparentemente, o risco de ter sido infectado é de facto muito baixo mas existe. Além disso, esta profilaxia é muito efectiva de modo que espero não positivar. Em todo o caso, tenho muito medo.

Os efeitos secundários deste tratamento não têm sido especialmente difíceis de suportar. Tenho me sentido nauseado mais vezes do que é habitual e tenho de facto sentido alguma astenia (que é muito comum). Agora não sei dizer se estou a somatizar os sintomas que sei serem os esperados, ou se de facto eles são um efeito da medicação.

Queria deixar alguns conselhos a quem tiver a paciência de me ler. Se tiverem um comportamento de risco, dirijam-se imediatamente ao hospital. A profilaxia do HIV é efectiva até 48 horas, mas acredita-se ser mais eficaz se iniciada até 12 horas após o contacto. O facto de alguém ter carga viral indetectável não implica (como o outro rapaz me disse) que não pode infectar ninguém. A carga viral é indetectável nos vasos periféricos, mas pode existir nas mucosas, no sémen etc.

Pessoalmente, o que retiro desta experiência é que quando bebo desta maneira estou efectivamente a colocar a minha vida em risco. Se alguém estiver a passar pelo mesmo e quiser conversar, basta enviar-me uma mensagem privada. Estou completamente disponível.     


Obrigado por partilhares a tua experiência e espero que o teu testemunho ajude muitas pessoas.
E boa sorte com o tratamento!

Nota: Só a título de curiosidade - quem se quiser informar mais sobre a profilaxia do HIV pode ler sobre o assunto  aqui  (http://www3.crt.saude.sp.gov.br/profilaxia/hotsite/)
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: rk em 31.out.2013, 01:53:06
Força ai meu puto, as vezes o alcool e a tesao falam mais alto do q os cuidados mas pah tenta ter sempre contigo preservativos para o caso de perderes a cabeca..
Com sorte nao apanhas nada, e ainda bem que decidiste expor o caso para alertar outro pessoal...
Btw isso dos sintomas olha quer sejam da tua cabeca ou mesmo fisicos, tenta nao pensar muito nisso pq eles sao reais e nao ha nada q possas fazer quanto a isso.
Ainda bem q foste logo tratar disso, agora esperemos que resulte.
Abraco
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: FilhoDeApolo em 31.out.2013, 09:52:01
Espero que só tenha sido um susto, e depois avisa aqui alguma coisa.
E espero que com o susto, os comportamentos de risco sejam evitados
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: diz_que_sim em 31.out.2013, 10:40:57
Obrigado a todos (FilhoDeApolo, rk e Endovélico) pelo apoio. Eu vou continuar a partilhar aqui no fórum os desenvolvimentos deste episódio lamentável. O tratamento que estou a seguir pode comprometer o fígado e os rins, de modo que têm de se fazer análises ao fim da primeira, segunda e quarta semanas. Os resultados das primeiras análises estavam bem. Eu vou dando notícias :)
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: Bc em 31.out.2013, 16:58:12
Antes de mais queria também agradecer-te pelo teu testemunho,pois o que aconteceu contigo acontece a muita gente, mas muitos com finais menos felizes. De facto o álcool pode muitas vezes "turvar"a nossa mente, apesar de tudo penso que a maneira como agiste depois do "erro", foi a mais acertada. Espero que corra bem o teu tratamento e que essa "carga viral indetectavel" não te tenha detectado a ti.
Força e tudo de bom.

 :)
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: Arch em 31.out.2013, 22:19:27
Confesso que desconhecia por completo o que é a profilaxia do hiv, e por isso obrigado por escreveres o teu caso.
Contudo, vais ver que tudo correrá pelo melhor :)
Força aí.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: Cardo em 31.out.2013, 22:47:12
Eu namorei com um rapaz com hiv há 15 anos.

Tivemos alguns contatos sexuais sem preservativo (mas sem ejaculação).

Ele tendo a carga viral indetetavel, o risco foi muito baixo (muito baixo mesmo), e não fiquei infetado.

O risco é baixo, e tu, com a profilaxia, então posso dizer que tens um risco de 0.01%.

Descansa e relaxa.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 12.nov.2013, 22:42:55
Olá a todos,

Eu estou neste momento a viver uma situação muito difícil, sobretudo do ponto de vista emocional mas também do ponto de vista do meu bem-estar físico. Gostava de a partilhar convosco porque acho que este tipo de histórias servem a toda a gente, na medida em que é sempre possível aprender com os erros dos outros.

Há cerca de duas semanas fui sair à noite e, completamente alcoolizado, envolvi-me com um rapaz que sabia estar infectado com o HIV. Eu não me recordo de grande parte do que se passou, mas sei que, já em casa dele, iniciámos um contacto sexual desprotegido (que envolveu penetração). O momento em que tomei consciência do que se estava a passar é aliás das poucas coisas de que me lembro. Assim que me apercebi do que estava a fazer, parei imediatamente e entrei em pânico. Ele desvalorizou a situação porque está já a seguir a terapêutica do HIV há alguns anos e tem carga viral indetectável. Ainda assim, quando me senti reestabelecido (porque ainda me encontrava alcoolizado) dirigi-me ao hospital da minha área de residência. A médica infectologista que me assistiu disse-me que tinha indicação para a profilaxia do HIV, que estou neste momento a seguir. Aparentemente, o risco de ter sido infectado é de facto muito baixo mas existe. Além disso, esta profilaxia é muito efectiva de modo que espero não positivar. Em todo o caso, tenho muito medo.

Os efeitos secundários deste tratamento não têm sido especialmente difíceis de suportar. Tenho me sentido nauseado mais vezes do que é habitual e tenho de facto sentido alguma astenia (que é muito comum). Agora não sei dizer se estou a somatizar os sintomas que sei serem os esperados, ou se de facto eles são um efeito da medicação.

Queria deixar alguns conselhos a quem tiver a paciência de me ler. Se tiverem um comportamento de risco, dirijam-se imediatamente ao hospital. A profilaxia do HIV é efectiva até 48 horas, mas acredita-se ser mais eficaz se iniciada até 12 horas após o contacto. O facto de alguém ter carga viral indetectável não implica (como o outro rapaz me disse) que não pode infectar ninguém. A carga viral é indetectável nos vasos periféricos, mas pode existir nas mucosas, no sémen etc.

Pessoalmente, o que retiro desta experiência é que quando bebo desta maneira estou efectivamente a colocar a minha vida em risco. Se alguém estiver a passar pelo mesmo e quiser conversar, basta enviar-me uma mensagem privada. Estou completamente disponível.     

Obrigado por partilhares o que passou contigo, pois é de facto um alerta a uma situação que não está assim tão longe de poder acontecer a qualquer um de nós. Tiveste uma atitude bastante nobre em explicares, sem rodeios, o que aconteceu e o que podemos fazer para evitá-lo. Espero sinceramente que no final tenha sido um (grande) susto e que te protejas mais no futuro. Força.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: FilhoDeApolo em 13.nov.2013, 02:53:18
Já passaram duas semanas desde que colocaste aqui o post, espero que já tenhas tido alguma novidade.

Abraço e força.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: diz_que_sim em 29.nov.2013, 07:51:44
Bem, já passou imenso tempo desde cá vim. Acabei a profilaxia do VIH já há mais de uma semana e tb já repeti a serologia (antigénio P24). NEGATIVO :) De qualquer modo vou ter de a tornar a repetir daqui a 3 meses para ter a certeza absoluta de que está tudo bem.  Para quem não faz a profilaxia os resultados deste teste ao fim de 6 semanas dispensam a realização de um segundo teste a 3 meses. No meu caso, ainda não posso estar completamente descansado. Mas estou optimista.

Relativamente à profilaxia, tenho a dizer que não sofri muito. A médica disse-me que era normal que me sentisse cansado, mas não notei nada. Ao início sentia-me muito enjoado (sobretudo ao acordar), mas com o tempo fui-me adaptando e no fim já nem me custava grande coisa. Este tratamento é um bocado pesado para o fígado e para os rins, mas as análises intercalares que fui fazendo estiveram sempre bem (mesmo muito bem, ao que parece tenho um fígado óptimo). Notei que os meus intestinos passaram a trabalhar mais do que era habitual e, por acaso, um amigo meu que tb passou por isto comentou o mesmo, de modo que se calhar é comum.

Nisto tudo confesso que me arrependo de ter contado a demasiada gente o que se estava (e está) a passar. Eu tenho muitos (vá, uns 10) amigos de quem sou muito íntimo e com quem sou muito transparente. É muito bom partilhar os nossos problemas com os nossos amigos, mas acho que há coisas que temos de guardar para nós. À medida que as semanas foram passando, a perspectiva de, na circunstância de estar infectado, ver a minha situação conhecida de tanta gente pareceu-me insuportável. Por outro lado, durante o tratamento eu procurei abstrair-me desta questão e focar-me na minha vida (pronto, não queria pensar nisto), mas alguns dos meus amigos dificultaram-me a tarefa. Vinham-me sistematicamente falar no assunto, perguntavam-me os resultados das análises intercalares, quando é que ia acabar o tratamento, quando é que ia ter o resultado definitivo, se eu me estava a sentir bem etc etc etc. Não percebiam (nem percebem) que eu não queria (nem quero) falar neste assunto. Foi também por isso que demorei tanto tempo a voltar cá.

Obrigado a toda a gente que me deixou aqui mensagens de apoio. Um especial obrigado para o Cardo. Olha, o teu testemunho tranquilizou-me muito. Eu sempre soube que o risco era muito baixo, mas é muito diferente ouvir isso de alguém que passou pelo mesmo e saiu sem sequelas. :)
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: nevertoolatetobehappy em 29.nov.2013, 08:26:10
Bem, já passou imenso tempo desde cá vim. Acabei a profilaxia do VIH já há mais de uma semana e tb já repeti a serologia (antigénio P24). NEGATIVO :) De qualquer modo vou ter de a tornar a repetir daqui a 3 meses para ter a certeza absoluta de que está tudo bem.  Para quem não faz a profilaxia os resultados deste teste ao fim de 6 semanas dispensam a realização de um segundo teste a 3 meses. No meu caso, ainda não posso estar completamente descansado. Mas estou optimista.

Relativamente à profilaxia, tenho a dizer que não sofri muito. A médica disse-me que era normal que me sentisse cansado, mas não notei nada. Ao início sentia-me muito enjoado (sobretudo ao acordar), mas com o tempo fui-me adaptando e no fim já nem me custava grande coisa. Este tratamento é um bocado pesado para o fígado e para os rins, mas as análises intercalares que fui fazendo estiveram sempre bem (mesmo muito bem, ao que parece tenho um fígado óptimo). Notei que os meus intestinos passaram a trabalhar mais do que era habitual e, por acaso, um amigo meu que tb passou por isto comentou o mesmo, de modo que se calhar é comum.

Nisto tudo confesso que me arrependo de ter contado a demasiada gente o que se estava (e está) a passar. Eu tenho muitos (vá, uns 10) amigos de quem sou muito íntimo e com quem sou muito transparente. É muito bom partilhar os nossos problemas com os nossos amigos, mas acho que há coisas que temos de guardar para nós. À medida que as semanas foram passando, a perspectiva de, na circunstância de estar infectado, ver a minha situação conhecida de tanta gente pareceu-me insuportável. Por outro lado, durante o tratamento eu procurei abstrair-me desta questão e focar-me na minha vida (pronto, não queria pensar nisto), mas alguns dos meus amigos dificultaram-me a tarefa. Vinham-me sistematicamente falar no assunto, perguntavam-me os resultados das análises intercalares, quando é que ia acabar o tratamento, quando é que ia ter o resultado definitivo, se eu me estava a sentir bem etc etc etc. Não percebiam (nem percebem) que eu não queria (nem quero) falar neste assunto. Foi também por isso que demorei tanto tempo a voltar cá.

Obrigado a toda a gente que me deixou aqui mensagens de apoio. Um especial obrigado para o Cardo. Olha, o teu testemunho tranquilizou-me muito. Eu sempre soube que o risco era muito baixo, mas é muito diferente ouvir isso de alguém que passou pelo mesmo e saiu sem sequelas. :)

Olá,

Resta esperar pela confirmação, mas ainda bem que até agora tens tido notícias positivas. Relativamente a teres contado a muitas pessoas, acho natural teres feito isso, pois quando estamos vulneráveis procuramos bases de apoio e com quem desabafar - ainda bem que tens os amigos que tens. Podes sempre guardar para ti aquilo de que não queres falar e dizer-lhes isso; se te respeitarem não irão fazer perguntas.

Força e abraço,
Tiago.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: FilhoDeApolo em 30.nov.2013, 14:52:17
Que bom saber que as coisas tão com boas perceptivas :)
Espero que corra tudo bem, abraço :)
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: caires em 30.nov.2013, 17:08:39
Olá diz_que_sim. Fico feliz que as coisas estejam encaminhadas e que em princípio está tudo bem contigo. Infelizmente não tive a tua sorte, embora o meu caso seja um pouco diferente do teu. Este Novembro fez dois anos em que fui infetado por HIV pelo meu (ex)namorado e não foi nada fácil gerir tudo, inicialmente foi algo que me destruiu completamente e ainda hoje me estou a reconstruir psicologica e emocionalmente.

Não tenham comportamentos de risco... a sério... um momento de prazer pode destruir todos os projetos, planos e sonhos que vocês têm para a vossa vida... não arrisquem, joguem pelo seguro.

Os sintomas que referes é normal acontecer. Aconteceu-me quando comecei a terapêutica do HIV porque também senti sintomas secundários e ficava com a noção de que eram mais sintomas psicológico do que reais. De qualquer das formas são sintomas e temos que conseguir conviver com eles. No meu caso eu tinha sonolência, sonhos, pesadelos... e também tive erupção cutânea que passou através de antibióticos... enfim, é o corpo a reagir. São medicações muito fortes.

E obrigado por partilhares a tua experiência, já tinha ouvido falar no assunto da Profilaxia mas não sabia o termo certo. O que cheguei a ler é que médicos e enfermeiros que tenham contactos de risco com portadores de HIV/SIDA têm a hipótese de iniciarem um tratamento de forma a prevenir a infeção...
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: diz_que_sim em 02.dez.2013, 12:14:47
pois Caires, este tratamento é infelizmente desconhecido de muita gente. foi uma das razões por que resolvi partilhar a minha história aqui no fórum. efectivamente, é o tratamento que seguem os profissionais de saúde após contactos de risco com pacientes infectados com o VIH, mas está disponível (gratuitamente) a toda gente. Pessoalmente, para quem é de Lisboa, aconselho o Hospital S. Francisco de Xavier cujo serviço de infecto me foi muito bem recomendado. Tenho a dizer que todos os profissionais de saúde que cruzei, desde a enfermeira que me fez a triagem, à médica de infecto que me assistiu (passando pela médica de serviço no balcão de medicina) foram de uma correcção e simpatia extremas (e, confesso, absolutamente inesperadas). 

compreendo perfeitamente o que estás a passar. eu só vou poder estar 100% descansado daqui a 2 meses, porque tendo feito a profilaxia do VIH, o teste não é conclusivo (mesmo sendo o do antigénio P24). de qualquer modo é muito bom sinal e estou cada vez mais optimista. desejo-te a maior sorte do mundo do fundo do coração e espero que não percas a esperança. se precisares de alguma coisa, já sabes, manda mp.



Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: caires em 08.dez.2013, 11:48:03
Obrigado. Também torço para que não tenhas nada... sei o que se sente quando se recebe a notícia: não se sente nada. Se precisares de falar também podes contactar-me e vai dando notícias! :)
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: Cardo em 16.dez.2013, 22:04:40
A serologia confirmada com o ag p24 do hiv as 4 semanas (28 dias) mesmo com profilaxia, é um indicador de que não houve infecção.

A confirmação, é apenas porque, uma percentagem mínima, mas tão mínima (que nenhum médico conhece nenhum caso recente devido aos avanços dos testes e sensibilidade actuais) soro-converte após as 4 semanas.

Está tudo bem contigo, descansa.

Abraço.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: majf20 em 12.abr.2016, 16:04:23
Olá a todos,

Eu estou neste momento a viver uma situação muito difícil, sobretudo do ponto de vista emocional mas também do ponto de vista do meu bem-estar físico. Gostava de a partilhar convosco porque acho que este tipo de histórias servem a toda a gente, na medida em que é sempre possível aprender com os erros dos outros.

Há cerca de duas semanas fui sair à noite e, completamente alcoolizado, envolvi-me com um rapaz que sabia estar infectado com o HIV. Eu não me recordo de grande parte do que se passou, mas sei que, já em casa dele, iniciámos um contacto sexual desprotegido (que envolveu penetração). O momento em que tomei consciência do que se estava a passar é aliás das poucas coisas de que me lembro. Assim que me apercebi do que estava a fazer, parei imediatamente e entrei em pânico. Ele desvalorizou a situação porque está já a seguir a terapêutica do HIV há alguns anos e tem carga viral indetectável. Ainda assim, quando me senti reestabelecido (porque ainda me encontrava alcoolizado) dirigi-me ao hospital da minha área de residência. A médica infectologista que me assistiu disse-me que tinha indicação para a profilaxia do HIV, que estou neste momento a seguir. Aparentemente, o risco de ter sido infectado é de facto muito baixo mas existe. Além disso, esta profilaxia é muito efectiva de modo que espero não positivar. Em todo o caso, tenho muito medo.

Os efeitos secundários deste tratamento não têm sido especialmente difíceis de suportar. Tenho me sentido nauseado mais vezes do que é habitual e tenho de facto sentido alguma astenia (que é muito comum). Agora não sei dizer se estou a somatizar os sintomas que sei serem os esperados, ou se de facto eles são um efeito da medicação.

Queria deixar alguns conselhos a quem tiver a paciência de me ler. Se tiverem um comportamento de risco, dirijam-se imediatamente ao hospital. A profilaxia do HIV é efectiva até 48 horas, mas acredita-se ser mais eficaz se iniciada até 12 horas após o contacto. O facto de alguém ter carga viral indetectável não implica (como o outro rapaz me disse) que não pode infectar ninguém. A carga viral é indetectável nos vasos periféricos, mas pode existir nas mucosas, no sémen etc.

Pessoalmente, o que retiro desta experiência é que quando bebo desta maneira estou efectivamente a colocar a minha vida em risco. Se alguém estiver a passar pelo mesmo e quiser conversar, basta enviar-me uma mensagem privada. Estou completamente disponível.     

Ola eu tive uma relação desprotegida há três dias, e durante o dia de hoje no trabalho e até mesmo em casa sinto me nauseado, com possibilidade de evoluir para o vomito .. Estou muito recesoso...
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: cosjo em 13.abr.2016, 12:01:16
Ola eu tive uma relação desprotegida há três dias, e durante o dia de hoje no trabalho e até mesmo em casa sinto me nauseado, com possibilidade de evoluir para o vomito .. Estou muito recesoso...

Essa sintomatologia é muito vaga e pode estar relacionada só com a tua ansiedade ou com algo que comeste. A infecção por VIH tende a passar despercebida. Mas talvez para te sentires mais seguro fosse melhor ires ao médico e contares o que se passou.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: caires em 15.abr.2016, 17:42:46
Olá majf20. Os sintomas da infeção aguda por VIH não aparecem assim tão cedo, por isso podes ficar descansado. No caso de haver infeção, acontecem entre 2 a 4 semanas depois do comportamento de risco.

De qualquer das formas, faz o teste daqui a uns meses.
Título: Re: Profilaxia do HIV - experiências pessoais
Enviado por: searching_the_love em 22.abr.2016, 20:58:23
Espero que tenha sido só um susto e uma lição de vida. Daqui a uns meses, como disse o Caires, faz o teste para teres a certeza que não foste infectado.

Outra nota é a falta de responsabilidade por parte da outra pessoa, sabendo que tem o vírus e ter-te penetrado sem preservativo, é ser bastante irresponsável com a vida dos outros, por mais indetectável que seja, ele deveria prevenir, para não estragar a vida a ninguém.