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Fiz 30 anos e nunca namorei! :(

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origo:
NeverLoved, o amor tem muitas caras e talvez ainda estejas na fase em que ser escolhido é o que o teu ser opta por..mas e arriscar e levar um sim?

canção:
Acho que deves apostar em fazer as coisas de que gostas, aí é que encontrarás pessoas que estão interessadas nas mesmas coisas que tu. E o amor aparece muitas vezes quando menos esperas, uma amizade que se torna em algo mais por exemplo.


Foca-te em ti, em fazeres as tuas atividades, em crescer como pessoa, e dispõe-te a fazer amigos. O resto eventualmente virá depois :)


As reuniões da Rede são um ótimo sítio para fazer amizades e conheço quem se tenha conhecido assim e começado a namorar assim :)

Sappho:
Olá NeverLoved.

Contextualizando um pouco a minha situação:
Também passei a minha adolescência sem ter experimentado o que era o amor. Assumi-me aos 22 anos como lésbica e nessa altura tive o meu primeiro relacionamento, que durou cerca de 2 anos. Mais tarde tive outro, que durou pouco mais de 1 ano. Posso dizer que dos 2 relacionamentos que tive, se não tivessem sido as pessoas a dizerem-me que sentiam algo por mim, nunca teria acontecido nada, porque inicialmente não sentia nenhuma atracção.

Neste momento tenho 32 anos e durante muito tempo também me senti (e ainda sinto, de certa forma) desiludida e frustrada com o facto de nada acontecer. Sempre que me sinto atraída por alguém nunca é correspondido. Já gostei de pessoas que não sentiam o mesmo por mim e vice-versa. Parece que sempre sinto as coisas de uma forma muito platónica. Não sou de conhecer pessoas na noite, nem através de apps. No trabalho também nunca conheci ninguém que me atraísse e fosse correspondida.
Por vezes sinto muita carência e necessidade de dar e receber afecto. Por um lado na minha cabeça tudo faz sentido e gostava muito de estar num relacionamento, mas depois na realidade não consigo materializar esse desejo, não só pelo facto de não acontecer, mas também pelo facto de saber que muito provavelmente irei sabotar caso venha a acontecer.
Pessoalmente acho que tenho vindo a idealizar algo que na verdade não corresponde à minha realidade e isso traz-me as tais desilusões e frustrações.


Tenho procurado outras perspectivas de abordar os relacionamentos e encontrei algo que me tem vindo a fazer sentido: a assexualidade.
Ainda estou no processo de ler e perceber melhor o que é a assexualidade (ainda é um assunto muito recente para mim), mas muita coisa faz sentido.
Ainda é algo muito pouco falado (aliás, nem sequer está incluido no a sigla LGBTI da rede).

Ler sobre assexualidade tem-me permitido conhecer-me melhor. Tenho lido sobre coisas que sinto, mas não sei como expressar. Acho que isso poderá ajudar-me a estar mais "disponível" mentalmente para que alguém se aproxime (sim, sinto que as pessoas também não se aproximam porque de certa forma não estou "disponível") e me aproxime de alguém.


Is it possible to be asexual as well as lesbian, gay, or bi?
Yes, as asexual people may still experience romantic attraction or desire that may be homoromantic, biromantic, or panromantic and find it useful to identify as such. Labels like lesbian, gay, bi, or pan are often used to express what gender someone is interested in pursuing relationships with, whether sexual, romantic, or both.
(retirei daqui)

A assexualidade também é um especto!
Deixo alguns links:
AVEN: https://www.asexuality.org (um overview sobre a assexualidade aqui)
Espectro da Assexualidade: https://www.huffpost.com/entry/asexual-spectrum_n_3428710
Algumas contas no Insta:
https://www.instagram.com/theyasminbenoit/?hl=pt
https://www.instagram.com/femmmeow/?hl=pt
https://www.instagram.com/safe.spaces.for.space.aces/?hl=pt


Não sei se faz sentido para ti, se de alguma forma te sentes representado.
De qualquer forma, espero ter ajudado.
Qualquer coisa manda-me mensagem privada  :)

Sappho:

--- Citação de: unfold em 23 de Julho de 2020 ---
--- Citação de: Sappho em 23 de Julho de 2020 ---Olá NeverLoved.

Contextualizando um pouco a minha situação:
Também passei a minha adolescência sem ter experimentado o que era o amor. Assumi-me aos 22 anos como lésbica e nessa altura tive o meu primeiro relacionamento, que durou cerca de 2 anos. Mais tarde tive outro, que durou pouco mais de 1 ano. Posso dizer que dos 2 relacionamentos que tive, se não tivessem sido as pessoas a dizerem-me que sentiam algo por mim, nunca teria acontecido nada, porque inicialmente não sentia nenhuma atracção.

Neste momento tenho 32 anos e durante muito tempo também me senti (e ainda sinto, de certa forma) desiludida e frustrada com o facto de nada acontecer. Sempre que me sinto atraída por alguém nunca é correspondido. Já gostei de pessoas que não sentiam o mesmo por mim e vice-versa. Parece que sempre sinto as coisas de uma forma muito platónica. Não sou de conhecer pessoas na noite, nem através de apps. No trabalho também nunca conheci ninguém que me atraísse e fosse correspondida.
Por vezes sinto muita carência e necessidade de dar e receber afecto. Por um lado na minha cabeça tudo faz sentido e gostava muito de estar num relacionamento, mas depois na realidade não consigo materializar esse desejo, não só pelo facto de não acontecer, mas também pelo facto de saber que muito provavelmente irei sabotar caso venha a acontecer.
Pessoalmente acho que tenho vindo a idealizar algo que na verdade não corresponde à minha realidade e isso traz-me as tais desilusões e frustrações.


Tenho procurado outras perspectivas de abordar os relacionamentos e encontrei algo que me tem vindo a fazer sentido: a assexualidade.
Ainda estou no processo de ler e perceber melhor o que é a assexualidade (ainda é um assunto muito recente para mim), mas muita coisa faz sentido.
Ainda é algo muito pouco falado (aliás, nem sequer está incluido no a sigla LGBTI da rede).

Ler sobre assexualidade tem-me permitido conhecer-me melhor. Tenho lido sobre coisas que sinto, mas não sei como expressar. Acho que isso poderá ajudar-me a estar mais "disponível" mentalmente para que alguém se aproxime (sim, sinto que as pessoas também não se aproximam porque de certa forma não estou "disponível") e me aproxime de alguém.


Is it possible to be asexual as well as lesbian, gay, or bi?
Yes, as asexual people may still experience romantic attraction or desire that may be homoromantic, biromantic, or panromantic and find it useful to identify as such. Labels like lesbian, gay, bi, or pan are often used to express what gender someone is interested in pursuing relationships with, whether sexual, romantic, or both.
(retirei daqui)

A assexualidade também é um especto!
Deixo alguns links:
AVEN: https://www.asexuality.org (um overview sobre a assexualidade aqui)
Espectro da Assexualidade: https://www.huffpost.com/entry/asexual-spectrum_n_3428710
Algumas contas no Insta:
https://www.instagram.com/theyasminbenoit/?hl=pt
https://www.instagram.com/femmmeow/?hl=pt
https://www.instagram.com/safe.spaces.for.space.aces/?hl=pt


Não sei se faz sentido para ti, se de alguma forma te sentes representado.
De qualquer forma, espero ter ajudado.
Qualquer coisa manda-me mensagem privada  :)

--- Fim de Citação ---

Gostei bastante de ler o teu post. Apesar de não ser assexual houve coisas com as quais me identifiquei. Apaixono-me mais pelo intelectual do que por qualquer outra coisa e dá-me tanto ou mais prazer estar a ler um livro em conjunto com a pessoa de quem gosto do que noutras actividades mais "carnais". Acho muito mais interessante apreciar uma mulher a pegar num livro numa livraria ou biblioteca do que apreciar as mulheres em discotecas (local onde nem sequer vou porque não suporto aquele barulho todo: a última vez que estive num bar, que é o máximo que suporto, tive de fugir quando a banda começou a tocar :D ). Acho que do que andei a ler sobre este tipo de assuntos onde me enquadro mais é nestes dois: demisexual e sapiosexual. Eu não quero namorar nem envolver-me mais porque já conclui que o estado no qual me sinto melhor é sozinha por isso nem sequer olho para as mulheres de forma sexual/sensual, sei lá. Para mim as mulheres mais bonitas do planeta podiam andar nuas à minha volta que o mais provável seria mesmo pegar num livro e ignorar. Já não tenho paciência.

--- Fim de Citação ---


Não me identifico como assexual, talvez demisexual ou gray-A (não conhecia a palavra sapiosexual, pelo menos não me lembro de ter visto, tenho que pesquisar).
Sinto atracção sexual por algumas pessoas, mas depois também tenho outras questões que afectam muito particularmente a forma como sinto e vivo os relacionamentos.
Por exemplo, facilmente encontro uma mulher que me atrai (fisica, não necessariamente sexual, e intelectualmente), mas também facilmente me desinteressa (é muito platónico). Vivo muito da imaginação e quando as coisas se tornam reais não sei como lidar com isso, deixo de sentir o que sentia e afasto-me.
Sinto-me muito desligada e desacreditada. Não me permito sentir, tenho consciência disso, mas acontece sem que eu possa controlar (pelo menos por agora).
Por outro lado não me vejo numa relação porque uma relação exige muito. Exige coisas que não posso/consigo/quero dar.
Pelo menos uma relação monogamica...

neste sentido, também tenho começado a ler sobre bissexualidade e poliamor...

Começando pela bissexualidade... nunca sequer considerei porque tinha a ideia errada de que ser bissexual era sentir atracção tanto por homens como mulheres... é uma ideia errada porque ser bissexual significa sentir atracção por 2 ou mais géneros. Posso ser bissexual e não me sentir atraída por homens.

Poliamor*... nem todas as relações têm que te dar o mesmo (a ver se me consigo expressar bem).
Acho que o grande problema na aceitação de relações não monogamicas é que as pessoas vêem estas relações através do prisma das relações monogamicas. Pensam que cada relação tem que lhes dar o mesmo. Posso ter uma relação amorosa não sexual com uma pessoa, posso ter uma relação sexual com outra, etc... em cada relação dá-se e recebe-se coisas diferentes. Isto é difícil de aceitar porque, lá está, pensa-se que em cada relação as pessoas têm que dar tudo o que têm...


Isto para mim é extremamente interessante porque veio mudar por completo a forma como vejo os relacionamentos e isso talvez afecte a forma como os posso vivenciar. Mas ainda preciso ler mais sobre o assunto.


*poliamor / poligamia / não monogamia / amor livre / relacionamento anárquico... ainda li muito, muito pouco, mas tenho interesse (há termos que podem não significar o mesmo).


Eu falo sobre bissexualidade e poliamor, não por experiência própria, mas porque tenho curiosidade.
No caso do poliamor... aceito, faz todo o sentido para mim, mas nunca estive num relacionamento assim.


É importante perceber que se hoje me identifico como lésbica homo-romantica, não significa que daqui a uns tempo não me identifique como lésbica bi-romantica e depois de outra forma. Perceber que não tem qualquer problema haver esta flutuação na forma como nos identificamos.
Não tem problema em assumir que anteriormente pensava de forma errada sobre determinado tema e que entretanto li sobre o assunto e agora tenho uma perspectiva diferente da que tinha.


Enfim, acho importante falar-se destas coisas porque ajuda-nos a conhecermo-nos melhor e também porque, infelizmente, ainda existe muito preconceito sobre bissexualidade e poliamor dentro e fora da comunidade lgbtqia+...

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