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Sexo sem protecção entre namorados e HIV

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filipepaulo:
Tenho falado com diversas pessoas "under 30" que encaram com muita naturalidade o facto de terem sexo sem preservativo com o seu namorado, mesmo quando conhecem esse "namorado" há um par de dias.

Coincidência ou não temos recebido cada vez mensagens similares à abaixo indicada (publicada em www.portugalgay.pt/hivmais ).

Boa noite. Sou um jovem de 30 anos, homosexual, residente no interior do país. Esta tarde fiquei sem o meu mundo, tudo ficou diferente, a vida mudou!! No final do mês fui de férias com o meu namorado e com um casal amigo, eu pensava que iria ser uma semana no paraíso, mas afinal foi uma semana muito mal passada cheia de febre e metido numa cama. Nada de grave, deve ser uma gripe pensava eu. Uma semana inteira com de febre e um extremo cansaço no corpo, parecia que me tinham batido, sentia o corpo todo "moido". Quando cheguei a Portugal fui de imediato ao hospital. Fiz vários exames e análises para ver de onde vinha esta febre. Fui medicado e fui para casa, aconselharam-me repouso. Dia após dia e melhoras nada. Voltei ao hospital e fui internado para observação. Duas noites de internamento e muito soro nas veias e as melhoras "aparentes" chegaram. Fiquei satisfeito por estar a melhorar e poder regressar a casa. Na semana passada tive que voltar ao hospital para repetir analises. Esta tarde fui à consulta para saber como estava o resultado, fui calmo e descontraido até porque não voltei a ter febre nem nenhum dos sintomas anteriores, sentia-me muito bem. Duas da tarde e lá estava eu com o meu namorado no hospital para ser consultado. Após uma conversa inicial talvez para preparar terreno foi me dito que havia um resultado menos bom numa da análises. BUMMMM!!! O confronto com uma nova realidade...agora sou seropositivo!!! Fiquei sem chão, tudo se desfez, o mundo acabou tudo em questão de segundos! Sinto-me um verdadeiro farrapo. Neste momento são quase 5 da manhã e não consigo dormir. Estou devastado por várias razões, uma é ter recebido esta terrível noticia a outra e mais grave é saber que possivelmente contaminei o meu namorado. Ele vai fazer analise na segunda feira. Não sei o que irá ser de mim, de nós...enfim sinto que nada mais faz sentido. Será que vale a pena viver? Que tipo de vida será esta? Tenho a cabeça a rebentar com tantas questões. Nunca senti medo e hoje é um sentimento constante!
J.A.

Comentários sobre esta questão são bem vindos.

O que pensam sobre o assunto em geral?

Faz sentido abandonar o preservativo por um amor?

Quais as condições necessárias para deixarem de usar o preservativo com alguém?

tal-go:
Muitas das vezes vemos uma campanha de promoção do preservativo como forma de prevenir o HIV, mas provavelmente haverá quem pense "Só acontece aos outros". Só que, como tudo, é uma ameaça real! E por mais campanhas que se façam, muitas mentalidades serão sempre as mesmas: "utilizar preservativos é dizer que não confio na/o minha/meu parceira/o, por isso não vou utilizar".
E outro facto que é verdadeiro, é a desculpa que tudo se passa num instante! Mas o que se tem visto é que aquele momento, pode vir a estragar o resto da vida. É por isso que mais vale estragar um momento, que ter os próximos momentos todos estragados.

Eu acho que a Educação Sexual seria um boa forma de ajudar a mudar mentalidades. Vejo por mim, porque a maior e melhor informação que reti da utilização do preservativo e do próprio HIV foi nas aulas de Biologia do Secundário, nas quais a minha professora sempre que tinha tempo livre, fazia uma tertúlia sobre o facto. Mas isso fui eu, quantos mais terão tido oportunidades como esta?

Considero que a não utilização de preservativos poderá ser feita quando ambos tiverem a certeza que a/o sua/seu parceira/o não se encontra infectado.
E como ter esa certeza?
Espalhados pelo país, existem diversos CAD que fazem testes gratuitos. Quanto ao tempo que demora, é muito rápido: nem em 20 minutos está feito.

paulosabino:
Infelizmente este relato não é único e está  projectado em milhares de vidas. :-\ julgo que pecamos por pensar-mos que não precisamos fazer prevenção e testes de despistagem, pecamos porque achamos que só devemos fazer o teste do HIV quando praticamos um gesto muito explicito de risco, pecamos por ainda acreditar-mos que uma pessoa cheirosa bem vestida e gira significa uma pessoa saudável, pecamos por não compreender-mos que o coração não tem de estar de costas voltadas para a razão.

Para mim, sexo desprotegido não significa gostar mais nem o contrário menos confiança.

Acho que também pecamos por associar-mos relação estável e duradoura a imunidade. Nós sabemos até onde vamos, os nossos limites, o que fazemos hoje e o que fizemos ontem. Mas nada nos garante que a pessoa com quem estamos amanha não nos rasteire.

Devemos confiar em quem amamos/gostamos? provavelmente Sim
Devemos mostrar que gostamos de alguém? provavelmente Sim
Devemos confundir prova de amor/confiança com desleixo? a meu ver não!

Existe muita informação, mas isso não basta, nem toda a gente procura informação sobre aquilo que acha que não lhe diz respeito, e mesmo dos  muitos que procuram, poucos acreditam que algum dia o mesmo lhes aconteça.  Acho que é pouco como o vicio do tabaco, todos sabemos que mata, que nos limita a saúde mas nunca soube de ninguém que deixasse de fumar apenas por ler o rótulo.. mas se calhar perante a doença de um familiar, se calhar fica mais consciencializado e acredito haver mais probabilidade de deixar o hábito de fumar.

Eu posso dizer que já vivi uma relação bastante duradoura, onde havia suposta confiança, onde se acreditava que o outro não iria estar com mais ninguém ou que se estivesse que seria posteriormente do conhecimento do outro. Aconteceu e fui infectado, felizmente  por nada muito muito grave mas muito muito XATO se é que me entendem.  E perante isso aprendi que o amor não afasta os erros, eles podem acontecer, resta-nos escolher se queremos que eles nos magoem apenas psicologicamente ou também fisicamente, e como acontece em algumas situações, comprometidos para o resto  da nossa vida. 

Acho que o ditado é "até a pior nódoa cai no melhor pano" se não é assim é parecido. è bom que existam pessoas maduras, informadas e consciencializadas na prática de sexo.. contudo temos de pensar sempre na outra hipótese, até porque o nosso parceiro pode nem ter conhecimento do seu estado de saúde e não agir de má fé.. 

Toca a acordar ;D o amor ajuizado é que está a dar  [smiley=feliz.gif]

Frida ! / Kahlo ?:

--- Citação de: filipepaulo em 23 de Novembro de 2008 ---Tenho falado com diversas pessoas "under 30" que encaram com muita naturalidade o facto de terem sexo sem preservativo com o seu namorado, mesmo quando conhecem esse "namorado" há um par de dias.

Coincidência ou não temos recebido cada vez mensagens similares à abaixo indicada (publicada em www.portugalgay.pt/hivmais ).

Boa noite. Sou um jovem de 30 anos, homosexual, residente no interior do país. Esta tarde fiquei sem o meu mundo, tudo ficou diferente, a vida mudou!! No final do mês fui de férias com o meu namorado e com um casal amigo, eu pensava que iria ser uma semana no paraíso, mas afinal foi uma semana muito mal passada cheia de febre e metido numa cama. Nada de grave, deve ser uma gripe pensava eu. Uma semana inteira com de febre e um extremo cansaço no corpo, parecia que me tinham batido, sentia o corpo todo "moido". Quando cheguei a Portugal fui de imediato ao hospital. Fiz vários exames e análises para ver de onde vinha esta febre. Fui medicado e fui para casa, aconselharam-me repouso. Dia após dia e melhoras nada. Voltei ao hospital e fui internado para observação. Duas noites de internamento e muito soro nas veias e as melhoras "aparentes" chegaram. Fiquei satisfeito por estar a melhorar e poder regressar a casa. Na semana passada tive que voltar ao hospital para repetir analises. Esta tarde fui à consulta para saber como estava o resultado, fui calmo e descontraido até porque não voltei a ter febre nem nenhum dos sintomas anteriores, sentia-me muito bem. Duas da tarde e lá estava eu com o meu namorado no hospital para ser consultado. Após uma conversa inicial talvez para preparar terreno foi me dito que havia um resultado menos bom numa da análises. BUMMMM!!! O confronto com uma nova realidade...agora sou seropositivo!!! Fiquei sem chão, tudo se desfez, o mundo acabou tudo em questão de segundos! Sinto-me um verdadeiro farrapo. Neste momento são quase 5 da manhã e não consigo dormir. Estou devastado por várias razões, uma é ter recebido esta terrível noticia a outra e mais grave é saber que possivelmente contaminei o meu namorado. Ele vai fazer analise na segunda feira. Não sei o que irá ser de mim, de nós...enfim sinto que nada mais faz sentido. Será que vale a pena viver? Que tipo de vida será esta? Tenho a cabeça a rebentar com tantas questões. Nunca senti medo e hoje é um sentimento constante!
J.A.

Comentários sobre esta questão são bem vindos.

O que pensam sobre o assunto em geral?

Faz sentido abandonar o preservativo por um amor?

Quais as condições necessárias para deixarem de usar o preservativo com alguém?


--- Fim de Citação ---

Curioso ainda hoje estive a conversar sobre este assunto, penso que ninguém deve ter relações sexuais sem preservativo!!! Ninguém...
Eu estou um pouco traumatizada por uma situação que aconteceu com alguém que conheço perfeitamente e penso muito sobre este assunto.
Já tinha escrito isto noutro tópico, mas penso que vale a pena colocar aqui novamente.

''Bem , eu há algum tempo atrás fui ao médico acompanhar alguém gravemente doente, entrei na consulta com essa pessoa, quando me mandaram sair, esperei o pior, na realidade sabia que algo estava a acontecer no interior daquela sala, mas não queria acreditar.
A porta do consultório abriu, mandaram-me entrar novamente, a médica virou-se para aquela pessoa que fui acompanhar e disse:

- Quer contar?

Ela respondeu, com o rosto banhado em lágrimas.

- Sim quero.

E disse-me:

- Nanda tenho SIDA.

Abracei-a e disse:

- Estou aqui para tudo quando precisares, não chores mais, tem calma.

Mas eu própria não conseguia controlar as lágrimas.
Entretanto a médica mandou-a despir, ajudei-a a tirar a roupa pois ela praticamente não tinha força para andar, seu corpo era apenas pele e osso estava com 35 kg, tinha manchas na pele de uma coloração purpura, transpirava devido à febre, tossia imenso, não conseguia comer, nem beber líquidos, tinha marcas na boca e a língua estava lastimável.

A médica numa tentativa de me alertar para o perigo da SIDA, disse:

- A menina está a ver o estado dela?

- É isto que a SIDA faz ao corpo, destrói o sistema imunológico!

Na altura achei um tanto cruel aquelas palavras, poderiam ser ditas de outra forma, mas agora vejo que foram as certas.
Não foi internada, do consultório foi para casa...
Contínuava sem conseguir comer e beber, estava na 3ª fase da SIDA, queriam que morresse em casa, deram pouco tempo de vida.
Revoltada, peguei nela voltei a ir ao hospital e novamente voltaram a não querer interna-la. No meio do corredor, em pleno hospital coloquei-me de joelhos e supliquei à médica para a internar disse:

- Por favor Dr.ª que tenho que fazer para que ela seja internada?
- Quer que me meta de joelhos e suplique?
- Eu suplico!!!

Ela levantou-me e disse:

- Está bem, vou tentar arranjar um quarto.

Ela sobreviveu, recebia a alimentação por via intravenosa, levou 4 sacos de sangue, esteve internada durante 2 meses.

Enquanto ela esteve internada, limpei a casa dela, tomei conta do filho mais novo e tratava dos gatos, à hora da visita sempre estive presente, de mascara e bata infelizmente, passava assim 6 horas com ela todos os dias durante o internamento, contei anedotas, andei mascarada de palhaça, levei fotografias, decorei o quarto, levei flores, escutei aquilo que ia na sua alma, rimos e choramos juntas várias vezes.

Penso que não é aquilo que dizemos que por vezes conta, mas sim aqueles pequenos gestos que estão ao alcance de todos que podem fazer a diferença. No ano passado disseram que apenas tinha um ano de vida, mas ainda está no meio de nós, porque é enorme a coragem e a força que tem, é uma lutadora incansável de 46 anos de idade que apenas quer respirar mais um dia.''

Esta pessoa tinha relações sexuais com alguém que vivia em união de facto, ele era bissexual e não gostava de usar preservativo, mantinha uma vida dupla sem que ela tivesse conhecimento. Ela confiava nele... Resultado hoje tem SIDA.

Reparei também que as relações sexuais entre mulheres, são na maior parte das vezes feitas sem proteção... Muitas dizem que usam proteção mas a realidade é outra, poucas são as que usam luvas de latex ou abrem um preservativo masculino ao meio para fazer sexo oral, o acto sexual desprotegido é baseado muitas das vezes na confiança que têm na parceira.

Os testes de HIV/SIDA existem para que possamos faze-los. Não devemos colocar a vida de terceiros em risco. Cada vez vão surgir mais casos, porque esta doença afecta novos, velhos, homens, mulheres, heterossexuais, bissexuais e homossexuais. Por vezes uma noite de prazer, pode destruir uma vida. Será que vale a pena arriscar? Andar a ter relações desprotegidas apesar de nunca ter feito um teste de HIV/SIDA? Dá que pensar... Se nunca fizeram o teste por favor, está na hora de o fazer!!! Não coloquem o vosso parceiro/a em risco. Se gostam dessa pessoa deviam preocupar-se e não estragar uma vida por desconhecimento. Enfim...

Quanto a esse rapaz espero que melhore, oxalá que o namorado não esteja infectado com o vírus. É curioso o facto de ele ter entrado tantas vezes no hospital e não desconfiarem, julgo que o teste devia ter sido feito logo nessa altura para despiste dessa doença, porque por vezes vão ao médico e não é dectado nada. Apenas fazem o exame de sangue de rotina, onde é revelado uma velocidade de sedimentação com valores elevados e por vezes quando a doença é diagnosticada já estão na fase de SIDA, como foi o caso da pessoa que falei à pouco, que passou uma vida nos médicos porque já estava doente e só detectaram o vírus quando estava na 3ª fase da SIDA. Ela estava infectada há anos...
Que andaram os médicos a fazer? Para deixar uma pessoa chegar aquele ponto? É revoltante!!! O sistema de saúde em Portugal deixa tanto a desejar...  :(

Desculpem lá o testamento, mas acho que é necessário.

paulosabino:
Da minha parte, obrigado pelo teu "testamento", gostei muito da partilha acredita :-*

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