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O meu filho quer ser menina

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JDelgado:
Deixo aqui o link do grit Grupo de Reflexão e Intervenção sobre Transsexualidade onde tem um email onde os poderá contactar para responder as suas questões e com a sua situação. Penso aqui consiga ter um apoio mais direccionado e especializado sobre este assunto

http://ilga-portugal.pt/actividades/grit.php

Rod.Santos:
Olá... Acredito que deves estar a passar por um período complicado. De um lado o teu filho do outro o teu ex-marido.

Mas o teu ex-marido não colocou acção alguma contra TI, mas sim uma acção de regulação do exercício das responsabilidades parentais que (às vezes em teoria) visam o superior interesse da criança; ou seja, quem (se não até ambos) poderá contribuir para o melhor desenvolvimento físico e psiquico do menor.

Ora, a transexualidade está bem estudada e existem profissionais qualificados para aferir desse tipo de casos, os quais exigem acompanhamento. Portanto, nunca ele poderá acusar-te de alguma coisa sem provas de tal.

Se queres um conselho, a acção é o menos, preocupa-te em levar o teu filho a um pedopsicologo e expor o caso.

Se quiseres conversar melhor, chama-me no privado. Sou jurista.

Thiaguito:
Que situação difícil... Não sei até que ponto podemos falar já de transexualidade, visto que a criança ainda é pequena. Sei de rapazes homossexuais que em pequenos, bem pequenos, diziam que queriam ser 'meninas', mas cujo crescimento levou a que se identificassem com o seu sexo biológico. O melhor seria ir com a criança a um pedopsiquiatra para que o mesmo pudesse ajudar, mas, cuidado: muitos não estão suficientemente esclarecidos e tecnicamente preparados para ajudar nestes casos. Tratando-se de transexualidade, a criança deve ser acompanhada desde já para que seja possível conformar o seu corpo à sua verdadeira identidade de género, a feminina neste caso. Sendo transexual, é uma menina que está 'aprisionada' num corpo estranho, daí as manifestações de feminilidade próprias de qualquer menina. Quanto ao pai, enfim, se a homossexualidade, que é uma orientação sexual, ainda suscita tantos problemas, que diremos da transexualidade que envolve outro tipo de questões... Muitos pais, a maioria, não estão preparados.

Muita sorte e que tudo corra bem!

Adónis:
Como profissional de saúde devo dizer que em Portugal a sociedade ainda não tem conhecimentos para entender que para nos podermos identificar totalmente com um género deveremos preencher uma totalidade de requisitos:

- ser reconhecidos pela sociedade como homens ou mulheres;
- identificarmo-nos com o género masculino ou feminino;
- ter orgãos sexuais masculinos ou femininos;
- ter um determinado genoma que determina um ou outro genéro;
- a constituição cromossómica.

Quando um destes itens não é claro temos então pessoas com alguma ambiguidade na sua identidade de género. E isso não implica que essas pessoas queiram necessariamente submeter-se a processos de «mudança de sexo». Existem homens que se identificam com o género feminino mas que recusam uma mudança física.

É fundamental que não se sinta culpada pois é uma situação normal que sempre ocorreu ao longo da História. Noutras culturas estas pessoas com identidade de género ambígua eram enquadradas no chamado Terceiro Sexo e eram considerados seres superiores. Normalmente os membros do Terceiro Sexo eram encaminhados para papéis religiosos e assumiam importantes papéis nos povos e tribos a que pertenciam.

É importante que procure um bom psicóogo ou psiquiatra que a acompanhe neste processo. Infelizmente parte da nossa classe médica é muito imparcial e está doutrinada pela educação católica. Recomendo que procure a Doutora Ana Matos Pires.

Saudações.

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