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Olá Visitante25.set.2021, 07:04:57

Autor Tópico: Somália  (Lida 1723 vezes)

 
Somália
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Offline Pulse

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Somália. Crise de fome é a pior dos últimos 20 anos e agrava-se

Secas, fome e guerra afectam a Somália. Islamistas radicais de Al-Shabab proibem ajuda das ONG

A grave seca no Corno de África continua a piorar a situação da Somália. Depois das chuvas torrenciais na região do Mogadíscio terem agravado as condições dos habitantes e deslocados, muito enfraquecidos pela subnutrição, pela seca e pela guerra, a ONU alertou para o facto da fome poder estender-se a todas as regiões do sul do país nas próximas quatro ou seis semanas. Para já, duas regiões do sul do país, Balcad e Cadale, esta última com 400 mil deslocados registados neste momento, são as mais afectadas junto com a capital do país.

Os insurgentes islamistas de Al-Shabab, que controlam o sul do país desde 2009, têm tornado a ajuda humanitária mais difícil depois de terem voltado a proibir a entrada às ONG internacionais e às agências humanitárias da ONU por considerá-las de "serem espiões que trabalham com agendas políticas", manifestou o porta-voz da milícia radical Sheik Ali Mohamud Rage. Contudo, a seca está a afectar 12 milhões de pessoas, das quais meio milhão está em risco de morte se não houver uma intervenção urgente.

Pese ao Programa Alimentar Mundial (PAM) ter criado uma ponte aérea para ajudar a conter a emergência na capital somali, onde chegam diariamente mais de um milhar de deslocados, a ONU alertou que a resposta humanitária esta a ser inadequada, não só pelas restrições de aceso impostas pelos insurgentes, senão também pela falta de fundos da comunidade internacional. O coordenador de Assuntos Humanitários da ONU para a Somália, Mark Bowden, comentou que "a falta de recursos é a nossa maior limitação e preocupação, são necessários 212 milhões de euros para enfrentar a situação nos próximos dois meses". Perante este grave cenário, os EUA decidiram na terça-feira levantar as sanções dirigidas aos "shabab", definidos como "organização terrorista" por Washington, para assim facilitar o envio de ajuda.

Recorde-se que o país vive uma guerra civil desde 1991.

Giuliana Diaz


Fonte
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    Somália
    #1

    Offline Boni

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    Acho bacano é o facto de o Quénia ser tão pobre como a Somália mas no entanto ja acolheram cerca de 5.000.000 Refugiados Somalis . uma vez chegados ao quénia la encontram a ONU , Cruz Vermelha e outras organizaçoes que as podem ajudar ... é de louvar esta atitude do Quénia.
      "Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe"

      Somália
      #2

      Offline johny.n.1986

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      Há anos que os forecasts prevêm "famine" na Somália, e agora vem isto à baila como se fosse uma grande novidade...

      PS: O Quénia tem-se desenvolvido muito nos últimos anos
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        Somália
        #3

        Offline strings

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        Com o colapso do governo central em 1991 (de um execrável socialismo totalitário por parte de Siad Barre), a Somália demonstra que o funcionamento de um sociedade é possível sem a autoridade do Estado. O sector dos serviços cresceu, firmas de telecomunicações (são 9 concorrentes no mercado) oferecem os preços mais baixos no continente, serviços de troca de dinheiro funcionam sem um sector bancário oficial, os mercados e hoteis continuam abertos e activos, e as milícias oferecem segurança. A economia é mais forte do que a dos seus vizinhos, a moeda tem adquirido força e estabilidade, as exportações quintuplicaram desde 1991, a esperança de vida e a taxa de alfabetização aumentaram, o PIB per capita praticamente triplicou (de 200 para 610 USD), a mortalidade infantil diminuiu, etc.

        Nem tão pouco é um país sem lei: a sociedade rege-se pelo contracto, formal ou informal, independentemente estabelecido pelos chamados 'jilibs', representantes de famílias. A mentalidade e organização de clãs, que tem vindo a florescer nesta ausência de um estado central, é bem mais compatível com a realidade africana e, por comparação, evidencia ainda mais o fracasso dos regimes ditatoriais e corruptos do resto do continente. A Somália adquiriu clãs violentos devido à tentativa de formar um governo central (proveniente de interferências ocidentais), e não devido à ausência de um governo central.

          Somália
          #4

          Offline johny.n.1986

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          O sector bancário lá é mas é muito à frente; funciona tudo por telemóvel.
          O próprio sistema bancário queniano é fonte de inspiração para o futuro do sistema bancário do western world
            With my feet on the air and my head on the ground

            Somália
            #5

            Offline forjaz

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            • Quoniam unicum non iterabile.
            Confesso que o problema da Somália me intriga bastante.
            Numa abordagem simplista, tem-se por vezes a ideia de que quando duas ou mais forças se digladiam pelo poder num país, têm em vista interesses que vão para além, se não são mesmo contrários, aos ideais inócuos ou meritórios que em teoria defendem.
            Ora, na Somália, não se vislumbra, pelo menos eu não, que interesses possam estar na base dos conflitos.
            Se tivermos em linha de conta a existência de várias etnias e os consequentes movimentos separatistas, pode entender-se algo da instabilidade, mas não será a causa maior, muito menos a causa única.
            Mas mesmo que fosse, o caso seria de relativamente fácil solução.

            Põe-se depois a hipótese do jogo de interesses religiosos, melhor, pseudo-religiosos, porque a dar crédito a esta tese, teremos a Al-Qaeda por detrás.
            Só que, pessoalmente, não vejo como a Somália possa servir os interesses da dita organização terrorista, porquanto a importância da Somália no jogo politico internacional é nula e economicamente é atrasado e com uma baixíssima taxa de industrialização.

            Fica apenas a hipótese geográfica, para mim a mais plausível, porque a situação da Somália faz dela como que a soleira da porta do Mar Vermelho, pelo que quem controlar simultaneamente as “paredes” leste e oeste do Mar Vermelho, domina todo o tráfego feito entre o Indico e o Mediterrâneo pelo Suez.
            Além deste, não vejo que outro interesse tenha a Al Qaeda ali. Como me parece ter sido este o motivo da grande atenção que a ex URSS prestou à Somália nas décadas de 60 e 70.

            Já agora, a talho de foice e assumindo-me como leigo na matéria, penso que a ONU podia ser mais enérgica nas acções que teve até agora.
            Ficar só pela acção humanitária ali não chega, é preciso intervir como força dissuasora e não é só contra a pirataria que atenta directamente com os interesses de países que por ali têm as rotas comerciais marítimas.
            Penso que se a Somália fosse outro Kuwait ou Líbia com as suas jazidas petrolíferas ou similares, outro galo cantaria.

            P.S. Agradeço aos caros foristas melhor informados que esclareçam a questão. Todos ficaremos a ganhar.
              Forja de Vulcano

              Somália
              #6

              Offline the end

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              A Somália é um grave problema geo estratégio. Ao largo da sua costa navegam grandes navios com destino ás sociedades ocidentais.
              A escalada da pirataria ao largo da costa da Somália é um exemplo claro que a falta de um Estado de Direito, pode originar graves problemas internacionais.
              A presença de Jihadista no sul do território é outro grave problema, estes combatentes infiltram-se nos países vizinhos, destabilizando e promovendo o caos, de forma a tornar a região do crono de África muito mais instavel do que atualmente é.
              A falta de um poder central, levou á desfragmentação do país, a norte, temos provincias mais ou menos estáveis, que declararam uniteralmente a sua independencia, a sul, temos os combatentes islâmicos. Faltam serviçõs básicos, como justiça, saúde, educação entre muitos outros. Se não fosse o apoio da ONU, através de diversos departamentos, a situação seria deveras pior.
              Neste momento, assiste-se a um processo de transição, que irá dar lugar a um governo, um passo em direção à estabilidade.
              Depois de mais de 20 anos de guerra, fome, epidemias e crime, pode se chegar a uma nova fase

              obs: a questão Somali é muito complexa, e neste posts tento resumir ao máximo as problemáticas existentes.
                Yes I can!