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Olá Visitante16.ago.2022, 16:30:01

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Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?

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Autor Tópico: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?  (Lida 44939 vezes)

 
Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
#140

Offline aero

  • *****
  • Membro Ultra
  • Género: Masculino
Sim. A partir do momento em que existe mal-estar e sofrimento ligados directamente à condição de transexual, e este efectivamente existe, estamos a lidar com uma doença. E assim sendo, as pessoas transexuais têm o direito a que a sua condição seja medicamente salvaguardada, para que lhes sejam garantidos todos os tratamentos que lhe podem garantir o bem-estar e a qualidade de vida que a condição transexual lhes retira.

Concordo totalmente!  :)

    X?
    #141

    Offline BrunoMCP

    • *****
    • Orador(a)
    • Membro Ultra
    • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
    Ao escrever e editar o meu post anterior, começou a formar-se uma estranha lógica que vou tentar exprimir aqui.
    A vossa paciência e compreensão por favor.
    Não me queimem na fogueira por comparar com homossexualidade.

    Suposto:
    1. Homem (físico)
    2. Heterossexual (negação)

    Sentimento:
    1. Mulher
    2. Homossexual

    Rejeição do suposto em prol do sentido:
    1. Transexualidade
    2. X

    X= Falta de aceitação da própria homossexualidade:
    poderá X ser considerada uma doença?
    a wilhelmina recordou-me o termo: Homossexualidade Egodistónica


    Conclusão:

    Há duas formas completamente diferentes de se considerar a transexualidade uma doença!

    Forma A: Se considerarmos a negação da homossexualidade (X), uma "doença", então para o transexual o problema é ser homem biologicamente.
    Forma B: Se considerarmos a homossexualidade uma doença, então para o transsexual o problema é querer ser mulher.

    A cura para a forma A é mudar o corpo.
    A cura para a forma B é aceitar o corpo.

    De qual das formas consideram a transexualidade uma doença?
    Acho que para muitos dos que aqui comentaram, como a wilhelmina, é doença pela lógica A...

    Eu costumo dizer para não deixar a ideia de aceitarem o corpo (cura para B) de parte,
    mas isso implicaria reprimir a homossexualidade.

    Tenho as mãos atadas pela minha própria retórica:
    Sou a favor da mudança física
    como solução para o que incomoda o transexual.


    Spoiler (clica para mostrar/esconder)
    « Última modificação: 29 de Maio de 2011 por BrunoMCP »

      Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
      #142

      Offline wilhelmina

      • *
      • Novo Membro
      • Género: Feminino
      Discordo com uma das coisas que li.
      Obviamente que a linguagem nos limita, mas sim, eu sou homem porque tenho uma pilinha.
      Os factores sociais bem que a sociedade pode enfiar onde eu cá sei.
      Levá-los a sério é repudiar o transgenerismo.

      Se consideras que és um homem apenas por teres uma pilinha, então, pela lógica, consideras que uma pessoa intersexual/hermafrodita que possua ambos os orgãos sexuais é o quê? Uma pessoa sem género definido?

      Não podemos esquecer, que mesmo em termos biológicos, o sexo não é só definido pelo orgão genital externo, mas também pelos orgãos reprodutivos internos, pelas hormonas e pelos cromossomas. Logo, em rigor, um homem só é um homem (biologicamente falando) se tiver todos estes indicadores no masculino. Não basta que tenha a pilinha.

      E a estes factores temos, obrigatoriamente, de acrescentar o psicológico. Porque além de todas as caracteristicas que nos fazem biologicamente femininos ou masculinos, há a nossa identificação como um ou outro (ou nenhum). Isto leva a que todos tenhamos uma identidade de género, sempre paralela áquilo que é o nosso corpo/sexo biológico (mesmo que na maioria dos casos seja coincidente), e também paralela áquilo que é a nossa expressão de género (que se prende aos tais factores sociais, queiramos tê-los em conta ou não).

      Ligar o que se tem entre as pernas directamente ao que é o género de uma pessoa é que é limitador, e um verdadeiro repúdio ao transgenerismo.

      Ao escrever e editar o meu post anterior, começou a formar-se uma estranha lógica que vou tentar exprimir aqui.
      A vossa paciência e compreensão por favor.
      Não me queimem na fogueira por comparar com homossexualidade.

      A tua lógica está bem fundamentada e fazes uma excelente síntese daquilo que é esta questão, da transexualidade enquanto doença ou não.

      E a Homossexualidade Egodistónica (não aceitação da própria homossexualidade) é, de facto, reconhecida como uma doença. A sua cura: a terapia que leve à aceitação da pessoa como aquilo que é, pois a orientação sexual, mesmo não sendo necessariamente estática, não é mutável.

      E é nesse sentido que a Disforia de Género é tratada com a alteração do corpo: porque assim como a orientação sexual, a identidade de género não é mutável.

      Transexualidade é a condição considerada pela OMS como um tipo de transtorno de identidade de gênero, mas pode ser considerada apenas um extremo do espectro de transtorno de identidade de gênero. Refere-se à condição do indivíduo que possui uma identidade de gênero diferente a designado no nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto.
      Transexualidade não deve ser confundida com crossdressing ou com o comportamento drag queen, que podem ser descritos como transgêneros, mas não transexuais, também, o fetichismo do travestismo normalmente não tem quase nada, ou nada, a ver com transexualidade, pois não apresenta o desejo real pela mudança de sexo.

      Fonte wikipedia.

      kris, isso é que vai aí uma salganhada de conceitos mal explicados pela nossa querida wikipedia! lol

      Eu concordo, cada vez mais, com a visão da transexualidade enquanto espectro. Mas vejamos é a transexualidade o espectro, não a perturbação/transtorno (porquê que portugueses e brasileiros têm de dar sempre nomes diferentes às coisas??) de género! Aliás, perturbação de identidade de género é um termo que devemos rejeitar, pois não há perturbação nenhuma na identidade de género das pessoas.  O termo correcto é disforia (de género), pois é o que ocorre com quem não se identifica com o género que lhe é atribuído à nascença, ao ponto de o rejeitar. Pelo menos essa correcção espera-se que o próximo DSM traga!

      Desta forma, é a disforia de género que é um extremo dentro do espectro da transexualidade, que pode ter outras variações, que não levem à rejeição completa do físico. E por isso é que é a disforia de género que é considerada doença, e não as outras variações.
      « Última modificação: 29 de Maio de 2011 por wilhelmina »

        Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
        #143

        Offline BrunoMCP

        • *****
        • Orador(a)
        • Membro Ultra
        • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
        Ao mencionar a pilinha estava a referir-me a tudo o que é físico, obviamente.

          Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
          #144

          Offline Boreas

          • *****
          • Moderação Sénior
          • Membro Vintage
          • Género: Masculino
          • "Tu és rato!"
          Eh lá, mas que grande desenvolvimento.  :o

          1. Em primeiro lugar, relembro-vos que se respeitem...  

          Em segundo lugar, estou totalmente de acordo com a Wilhelmina, gostei muito do que li.
          Vou tentar sintetizar um bocadito a questão de acordo com o que eu tenho lido e percebido e com o feedback que tenho tido de transexuais (que se calhar são os que importam mais ouvir, afinal trata-se da vida deles ;))
          Recordo mais uma vez que isto é a minha interpretação pessoal à luz do que li.

          Eu concordo que a transexualidade seja uma doença, sim. Não concordo no entanto onde está categorizada e definida. Um manual de psiquiatria. Dado que não é uma perturbação psiquiátrica e sim algo que está bem alem disso. Há uma disforia, uma não consonância entre o sexo do cérebro e do resto do corpo.

          Tal como foi dito e bem. Apesar de na maioria das pessoas o sexo estar perfeitamente alinhado nas suas diferentes componentes (cromossomas, genitália, caracteres secundários, gónadas, morfofisiologia do cérebro, hormonas, etc etc) existem muitos outros casos onde nem sempre todos estes factores se alinham e são correspondentes ao de um Homo sapiens sapiens macho ou fêmea.

          E é nestes casos que surgem intersexuais,(hermafroditas e pseudo-hermafroditas).

          E os transexuais ? Onde se situam?

          Quando o cérebro de um indivíduo lhe indica que ele é do sexo oposto ao do seu corpo. Isto é puramente psicológico?
          Como já disse a Wilhelmina, há uma distinção entre as pessoas que de facto sentem que o seu sexo não é aquele, e as pessoas que acham que não são desse sexo, por algum outro motivo.
          Há evidencias físicas? Prematuras, mas sim. Em vários estudos feitos o cérebro dos indivíduos transexuais apresentam características biológicas do sexo oposto ao do corpo (seja a nível do tamanho das diferentes regiões, organização das mesmas, expressão e quantificação especifica de proteínas por exemplo). Há estudos que demonstram essas diferenças. É certo que são preliminares, mas alguns apontam até dados que desassociam estes fenómenos, de tratamentos hormonais, orientação sexual, patologias hormonais e cirurgias de reatribuição, implicando que essas situações não estão relacionadas com a questão da identidade de género.

          Fica a última questão. Eles sentem-se mal com o seu corpo, então deviam-se tratar e aceitá-lo.
          Questão mais importante de todos. O que nos define como indivíduos? O nosso corpo? Ou a nossa mente/cérebro/componente psicológica?

          Eu sou quem sou pela soma de todas as minhas experiências, pensamentos, emoções, sensações e a memória do que experienciei. De outro modo era apenas um ser sem self.
          Se uma pessoa sente toda a vida que está no corpo errado, talvez a melhor maneira de acabar com esse sofrimento seja tentar aproxima-lo do correcto.

          Just my two cents
          « Última modificação: 29 de Maio de 2011 por Boreas »
            Just live!!! WILL POWER HOPE COMPASSION LOVE

            Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
            #145

            Offline wilhelmina

            • *
            • Novo Membro
            • Género: Feminino
            Ao mencionar a pilinha estava a referir-me a tudo o que é físico, obviamente.

            Obviamente, quando esmiucei a questão do sexo físico ser condicionado por mais factores que os genitais, estava só a tentar explicar que nem toda a gente pode ser biologicamente definida como pertencente a um determinado género, ao contrário do que tens tentado defender. É sempre necessário avaliar também a identificação psicológica de cada um, para que o género seja determinado.

            É de resto por que essa identificação psicológica, a identidade género, seja considerada como o principal factor de determinação do género que estamos a lutar, enquanto movimento LGBT(TI), e o que levou à criação, por exemplo, de uma lei de identidade de género como a que temos hoje em Portugal.

              Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
              #146

              Offline portoboy

              • ****
              • Membro Sénior
              • Género: Masculino
              • Vive como gostas e te apetece ;)
                • Facebook
              Embora não tenha nenhum fundamento, nem conhecimento cientifico para comentar , acho que não deve de modo algum ser considerado uma doença, acho que a partir do momento que tem a ver com a identidade sexual, vêm da natureza da pessoa também, pra mim é quase a mesma coisa que dizer que a homosexualidade devbia entao tambem de ser considerada uma doença!
                " Those who mind , don't matter
                And those who matter, don't mind"

                :)

                Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                #147

                Offline bluejazz

                • *****
                • Associad@ Honorári@
                • Membro Vintage
                • Género: Feminino
                  • Homofobia
                Sobre tudo o que foi escrito nos últimos posts, gostaria de introduzir algumas informações (e depois fazer alguns comentários):

                1. A não aceitação da sua própria homossexualidade existe referida no manual da OMS como "homossexualidade egodistónica". Por isso não é preciso X, há nome e descrição e... tratamento. :) Ou seja, o que actualmente qualquer psicoterapeuta que cumpra a deontologia faz é trabalhar para que a pessoa homossexual que não se aceita consiga fazê-lo e, em simultâneo, para que consiga ter ferramentas para lidar com a discriminação, preconceito e ideias negativas no seu ambiente social (restrito e alargado);

                2. Há noções do género essencialistas, que passam a noção que existe de facto características psicológicas inatas e inerentes ao sexo com que as pessoas nascem e que se o respectivo sexo não corresponder significa potencialmente que se deveria então mudar o sexo. O que género em ciências sociais, inclusive na psicologia, significa não é isso, mas outra coisa. Pelo contrário o género é reconhecido como a construção social (significados, ideias, papéis, características) feita à volta do sexo das pessoas e que varia conforme a época, cultura/território, etc. Convido a ler detalhadamente a literatura existente sobre o tema. A tentativa de essencializar o que é psicologicamente um homem e uma mulher é algo já trabalhado e desmontado há anos, nomeadamente pelos investigadores na área dos estudos de género.

                Não é dizer que homens e mulheres não têm diferenças nenhumas entre si, mas que na realidade não são assim tantas, que o que é cultura e biologia não está assim tão bem destrinçado, e que o que descobrimos é que a psicologia é mais humana, do que feminina ou masculina, encontrando exemplos de tudo em ambos os sexos.

                O que não invalida que, numa determinada cultura, a expressão de género de uma pessoa destoe com as convenções de género vigentes e essa pessoa possa querer mudar o aspecto do seu corpo para então não destoar tanto ou nada. Mas a expressão de género destoar não obriga a que uma pessoa queira mudar de corpo nem é uma coisa que lhe é inerente. Já vi/ouvi de facto transexuais que dizem que a sua questão é estritamente relacionada com o seu corpo (que dizem que deveriam ter outro), outros que passa pela necessidade da sua expressão e identidade de género ter correspondência no corpo.

                A questão que se colocou aqui - não tanto se é doença ou não - mas se há uma rejeição do corpo e se essa rejeição tem de facto existir é muito interessante. E tudo pode depender se de facto as pessoas estão a ceder a uma noção rígida que diz em que corpo deve existir determinada expressão de género, achando que a sua expressão de género implica necessariamente para além de x corpo também x identidade de género, ou se de facto, com as diferenças no cérebro que têm sido estudadas nas pessoas transexuais (os cérebros aparentemente são mais parecidos com os das pessoas do sexo com qual dizem se identificar) existe uma noção ou sentimento inato de que este não deveria ser o corpo que se deveria ter.

                Porque a identidade... isso é construído a partir do discurso sobre matéria, tal como é um corpo ou a partir de práticas, gostos ou sentimentos. Se me identificar como morena é provavelmente porque tenho fisicamente essa aparência (também posso mudar algumas coisas, como a cor do cabelo ou cor dos olhos artificialmente, mas mais dificilmente o tom da pele, embora também seja possível). Se me identificar como feminista, se calhar é porque de alguma forma pratico, acredito ou apoio um ou vários pressupostos do feminismo (por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres). Se me identificar como mulher é provavelmente porque tenho classicamente uma biologia correspondente à categoria. Se me considerar mulher só por aspectos psicológicos que são tidos como de mulher se calhar entro num terreno mais pantanoso, porque as mulheres não são todas iguais... e existe sim um estereótipo do que é suposto ser uma mulher. Seria por via desse estereótipo? Existe algo chamado de identidade de género, também... que passa classicamente pela identidade oriunda do sexo que a pessoa tem (e nalguns casos pela psicologia da pessoa - as chamadas feminilidades e masculinidades - "sou tão delicada, tão feminina, tão mulher" ou "sou tão cheio de força e energia, tão masculino, tão homem") ... mas... não posso ter uma expressão de género "classicamente" masculina (o que inclui psicologicamente ter características tidas como "masculinas") e uma identidade de género feminina? Então a identidade de género tem de passar assim tanto pelo corpo ou expressão/maneira de ser que temos? De onde deriva essa identidade de género que faz alguém dizer "eu sou mulher" ou "eu sou homem"? Se a questão tem só a ver com o corpo porque falamos de (identidade de) género? Fica em aberto a questão.

                Quando se puxa então este tema para a homossexualidade, falando da minha experiência, poderia ter um homem à minha frente com todas as características da minha mulher (e já tive alguns parecidos à frente), e isso não mudaria nada, nunca mudou nada até hoje, no que diz respeito ao que sinto. Por isso o corpo da pessoa, a química/feromonas inerentes a esse facto fazem diferença. Pelo menos para mim. Para a orientação sexual, pelo menos para a heterossexual e homossexual - para a bissexualidade isso não se colocaria -, creio, o corpo/sexo da pessoa conta, sem que tenhamos grande controle sobre isso. E só depois vem o feitio, o tipo de personalidade, a psicologia da pessoa... e há de tudo. Isso posso dizer com alguma segurança. E é por isso que falo de que por vezes acontece o contrário, posso ter encontrado homens com personalidades, psicologias e feitios óptimos, que se assemelham ao que gosto numa pessoa, e não será daí que sentirei algo mais por eles... e infelizmente só porque são homens (como seria com uma pessoa intersexual, fica em aberto!). :)

                Por fim nada disto põe em causa que se deva respeitar sempre as pessoas e a sua identidade e que se faça para que sejam felizes e para que não sejam discriminadas.
                « Última modificação: 11 de Julho de 2012 por bluejazz »
                  "I cannot be, as Bourdieu suggests, a fish in water that 'does not feel the weight of the water, and takes the world about itself for granted'" - Felly Simmonds

                   

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