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Olá Visitante19.jan.2022, 07:44:14

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Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?

Sim
16 (10.3%)
Talvez
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Não
105 (67.7%)
Não sei
20 (12.9%)

Votos totais: 116

Autor Tópico: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?  (Lida 41651 vezes)

 
Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
#120

Offline SoWhat

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Eu votei "talvez", e votei nessa opção por causa daquilo que eu considero uma doença.
Para mim uma doença é todo o estado físico ou psicológico que causa mau estar ao indivíduo ou que lhe pode causar a morte. Até agora acho que esta definição tem servido para inúmeras doenças "oficiais", pelo que ainda não tive necessidade de alterar essa definição.

No caso das pessoas transexuais, elas sofrem uma vez que não se identificam com o seu género sexual biológico. O simples facto de sofrerem e de haver um "tratamento" (neste caso considero a mudança de sexo um tratamento) faz-me pensar que a transexualidade possa ser considerada uma doença.

Só que também há o problema do "tratamento da transexualidade" acabar por ser violento para com o corpo do indivíduo, devido às alterações hormonais e às diversas cirurgias....

Foi um bom ponto de vista. Interessante...  ;)

    Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
    #121

    Offline Pink Elephant!

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    Eu votei talvez e vou tentar explicar o porque..

    Se fosse há uns tempos atras eu votava que não, mas há uns tempos atras também não tinha o mesmo conhecimento sobre o assunto que tenho agora... Nunca considerei a transsexualidade como uma doença mas há uns meses descobri que tenho uma amiga (ou devo dizer amigo?) enfim, tenho uma amiga que vai ser um amigo e há cerca de umas semaninhas é que soube que a transsexualidade é de facto considerada uma doença, do foro psicologico mas uma doença. Não sei explicar muito bem, por mais que tente me informar sobre o tema é muito complexo e não gosto de falar sem ter certezas do que estou a dizer.. Por isso mesmo sem saber fundamentar a minha resposta votei talvez porque se o é, é porque há razoes para isso.. mas lá por ser considerada uma doença seja por que motivo for não quer dizer que de uma conotação negativa. (resposta mais baralhada impossivel)  lol

      Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
      #122

      Elijah Keat

      • Visitante
      Eu considero a transsexualidade uma doença, apesar de não saber o que é que a WHO tem a dizer sobre isso, e não vejo razão para considerar o nome ofensivo.

      Se uma pessoa transsexual se sente mal porque há, por assim dizer, um desfasamento mente/corpo, parece-me que considerar tal como doença é algo natural. Assim como me parece correcto considerar qualquer coisa que nos faça sentir mal de um modo quase ou totalmente crónico uma doença.

        Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
        #123

        Offline BrunoMCP

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        • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
        Se estamos sempre a dizer às pessoas para se aceitarem como são, porque não dizemos aos transsexuais para tentarem aceitar o que têm?
        Eu sou gay e não me adianta tentar mudar. Por outro lado é aceitável se um transsexual, que é homem tentar mudar para mulher e vice-versa?
        Mudar de sexo parece-me ser dar cabo de um corpo em perfeito estado para ter um que parece vagamente outra coisa.

        A mim se lhe chamam doença ou não pouco me importa, é só uma palavra. Mas talvez…

        Obviamente que não tenho o ponto de vista de um transsexual, mas é preciso fazer tanto alarido só por causa do que têm entre as pernas?
        Se alguém souber uma explicação decente para os sentimentos transsexuais, faça o favor de responder, que estas questões não são retóricas.
        Talvez um transsexual, por exemplo.

          Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
          #124

          Elijah Keat

          • Visitante
          Uh?

          Não me parece que seja assim tão irrelevante não nos sentirmos confortáveis com o "que temos no meio das pernas" ou com o corpo que temos. Aliás, acho que ser-se transexual deve ser uma das experiências mais dolorosas, do ponto de vista psicológico, que alguém pode passar.

          Imagina o que é acordares todos os dias, olhares ao espelho e não te identificares minimamente com o corpo que lá vês. E, pior do que isso, não poder contar com praticamente ninguém. Se ser-se homossexual é complicado, penso que ser-se transexual é ainda mais complicado.

          É que enquanto um homossexual pode ser feliz sem contar a ninguém (excepto os necessários) sobre a sua orientação sexual, e vivê-la, um transexual não pode viver o seu verdadeiro corpo, ou o corpo com o qual se identificaria, sem dar nas vistas.

          Mas isto sou eu que digo.

            Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
            #125

            Offline BrunoMCP

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            • Orador(a)
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            • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
            Uh?
            Não me parece que seja assim tão irrelevante não nos sentirmos confortáveis com o "que temos no meio das pernas" ou com o corpo que temos. Aliás, acho que ser-se transexual deve ser uma das experiências mais dolorosas, do ponto de vista psicológico, que alguém pode passar.
            Imagina o que é acordares todos os dias, olhares ao espelho e não te identificares minimamente com o corpo que lá vês. E, pior do que isso, não poder contar com praticamente ninguém. Se ser-se homossexual é complicado, penso que ser-se transexual é ainda mais complicado.
            É que enquanto um homossexual pode ser feliz sem contar a ninguém (excepto os necessários) sobre a sua orientação sexual, e vivê-la, um transexual não pode viver o seu verdadeiro corpo, ou o corpo com o qual se identificaria, sem dar nas vistas.
            Mas isto sou eu que digo.

            Eu não seria feliz a viver a minha orientação às escondidas, mas já vi que muita gente aqui gosta…

            Isso do não poder contar com praticamente ninguém não interessa aqui, que muitos gays também dizem o mesmo.
            Mas continuo sem entender isso do identificar.
            Quando me olho ao espelho, sei que sou eu e pronto.
            Achas que teoricamente se eu mudasse alguma coisa achava que o corpo era mais meu?

            Já agora, em resposta ao tópico, essa tua descrição parece mesmo a de uma doença mental.

            Se uma pessoa tem a certeza de que é suposto ser um pato, porque lhe deu na cabeça, os psiquiatras vão dizer-lhe que realmente é um pato ou vão tentar convencê-la do contrário?
            « Última modificação: 27 de Maio de 2011 por BrunoMCP »

              Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
              #126

              Offline Wanted

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              • Género: Feminino
              • dont become a monster,in order to defeat a monster
              Eu ja lidei com uma pessoa transsexual, um amigo meu. Apesar de ter nascido rapariga, sempre se identificou como homem e todos os amigos o tratam como se fosse homem, incluindo o nome.

              A mim nao me incomoda nada, e nem sequer me faz confusão. é um ser humano e tem de se sentir confortavel neste mundo tal como todos nós. Nao tem de haver esterioticos nem a identificação de diferenças.

              Caso sejam nossos amigos temos de apoiar naquilo que os fizer sentir melhor e naquilo que for melhor para eles.

              é a minha opinião... ;)

                "...as grandes ideias surgem da observação dos pequenos pormenores."

                Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                #127

                Elijah Keat

                • Visitante
                Uh?
                Não me parece que seja assim tão irrelevante não nos sentirmos confortáveis com o "que temos no meio das pernas" ou com o corpo que temos. Aliás, acho que ser-se transexual deve ser uma das experiências mais dolorosas, do ponto de vista psicológico, que alguém pode passar.
                Imagina o que é acordares todos os dias, olhares ao espelho e não te identificares minimamente com o corpo que lá vês. E, pior do que isso, não poder contar com praticamente ninguém. Se ser-se homossexual é complicado, penso que ser-se transexual é ainda mais complicado.
                É que enquanto um homossexual pode ser feliz sem contar a ninguém (excepto os necessários) sobre a sua orientação sexual, e vivê-la, um transexual não pode viver o seu verdadeiro corpo, ou o corpo com o qual se identificaria, sem dar nas vistas.
                Mas isto sou eu que digo.

                Eu não seria feliz a viver a minha orientação às escondidas, mas já vi que muita gente aqui gosta…

                Isso do não poder contar com praticamente ninguém não interessa aqui, que muitos gays também dizem o mesmo.
                Mas continuo sem entender isso do identificar.
                Quando me olho ao espelho, sei que sou eu e pronto.
                Achas que teoricamente se eu mudasse alguma coisa achava que o corpo era mais meu?

                Já agora, em resposta ao tópico, essa tua descrição parece mesmo a de uma doença mental.

                Se uma pessoa tem a certeza de que é suposto ser um pato, porque lhe deu na cabeça, os psiquiatras vão dizer-lhe que realmente é um pato ou vão tentar convencê-la do contrário?

                Não se trata de gostar ou deixar de gostar de viver a sexualidade às escondidas. Eu não escondo a minha falta de interesse por raparigas, mas também não me sinto confortável em dizer que sou gay a toda a gente que conheço, nem vejo a necessidade disso. Da mesma maneira que não gosto de dizer as vezes que me mastubo por semana. No entanto, consigo viver a minha vida e a minha orientação sexual à vontade. Se fosse transexual, não o poderia fazer. Se pedisse às pessoas para me tratarem como se eu fosse rapariga e se me vestisse e comportasse como tal, seria bastante óbvio.

                Dizes que parece a descrição de uma doença, e acho isso perfeitamente possível. Eu acho que a transexualidade acaba por ser uma doença, porque não há uma relação entre aquilo que se é e aquilo que se sente.

                Reitero que não acho que os transexuais são "doentes" no sentido pejorativo. Acho que é uma doença porque há um óbvio desconforto que, felizmente, pode ser curado. Seja como for, agora nisto da "cura" vou calar-me porque não sei o suficiente sobre a transexualidade para dar uma opinião mais completa.

                  Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                  #128

                  Offline BrunoMCP

                  • *****
                  • Orador(a)
                  • Membro Ultra
                  • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
                  Essa "cura" parece ser amputar a perna para tratar o pé-de-atleta.

                    Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                    #129

                    Elijah Keat

                    • Visitante
                    Pois. Mas não é.

                      Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                      #130

                      TheEchoOfNight

                      • Visitante
                      Pois. Mas não é.


                      O ponto de vista dele é bastante interessante, apesar da arrogância com que expõe a opinião.

                      Obviamente que não tenho o ponto de vista de um transsexual, mas é preciso fazer tanto alarido só por causa do que têm entre as pernas?
                      Se alguém souber uma explicação decente para os sentimentos transsexuais, faça o favor de responder, que estas questões não são retóricas.
                      Talvez um transsexual, por exemplo.


                      Se queres que te respondam, é porque tens dúvidas, e, se tens dúvidas, simplesmente não deves usar desse sarcasmo corrosivo. Quando não temos a certeza do que dizemos, o melhor que temos a fazer é apresentar o nosso ponto de vista com o cuidado de quem sabe que é possível estar-se errado, caso contrário corremos o risco de estar a ser a pior espécie de preconceituosos, que é a dos arrogantes e de mentalidade inerte.

                      De qualquer forma, como eu estava a dizer, (espremido o sumo) o teu ponto de vista é bastante interessante. Aqui há uns tempos, cheguei mesmo a pensar abrir um tópico com essa discussão, depois de ter lido uma opinião semelhante à tua num outro fórum, mas a preguiça falou mais alto. O que é isso da transexualidade, afinal? Pois, ainda não se sabe muito bem, mas, se realmente lhe presidem factores biológicos, a tua teoria cai por terra. Agora, se o transtorno da identidade de género é exclusivamente psicológico, então não estarão os médicos cirurgiões efectivamente a amputar uma perna para curar um pé-de-atleta? Isto é, não deveria o caminho ser a psicoterapia ao invés da cirurgia de redesignação sexual? Importante referir que eu não questiono a liberdade da preferência pela cirurgia, que da liberdade gosto eu muito e vai daí que preze não só a minha, como a dos outros. Não está aqui em causa o indivíduo A que, num mundo ideal em que a psicoterapia estivesse suficientemente desenvolvida na área para conseguir curar a transexualidade (caso a causa desta fosse exclusivamente do foro psicológico, e, sim, curar implica considerá-la uma doença; já lá vamos), optasse pela cirurgia. Se é o que prefere, óptimo, que o faça. Só me pergunto se o melhor caminho será mesmo o paradigmático.
                      Como posso eu convencer-me tanto de que sou uma coisa que a minha anatomia diz expressamente que não sou? O caminho é transformar-me na coisa, ou meter na cabeça que não sou aquilo, que é ridículo achar que o sou e aceitar-me de uma vez por todas? Já percebi que não é assim tão simples, mas não seria preferível direccionar os avanços do conhecimento no sentido do desenvolvimento de terapêuticas do âmbito da Psicologia que respondessem de forma satisfatória ao problema? (Estou, ressalve-se, a partir do princípio de que isto é única e exclusivamente um problema psicológico!) Se for possível trilhar o caminho por aí, parece-me bem mais inteligente e benéfico para o transexual que procura ajuda este tipo de terapêutica relativamente a um investimento numa cirurgia/tratamento hormonal, que estão associados a um processo moroso e bem mais invasivo do que o anterior.

                      Mas, e se a sociedade não nos impusesse papéis de género, haveria quem quisesse proceder à alteração de sexo? Se a heteronormatividade não existisse, sentiriam os transexuais necessidade de alterar o seu corpo para algo concordante, por predefinição, com o papel de género que pretendem desenrolar? O rapaz que deu a opinião de que falei há pouco defendia que os transexuais podiam simplesmente viver, com o corpo com que nasceram, o seu género, vestindo-se e comportando-se como a maioria dos elementos do sexo com que mais se identificam, que a cirurgia seria só uma cobardia, uma forma de serem fiéis ao seu autoconceito sem a discriminação e a marginalização. Podem sempre contra-argumentar, dizendo que a cirurgia requer uma enorme coragem e que o indivíduo em processo de mudança de sexo está sujeito a uma discriminação imensa, e têm razão, eu sei disso, mas é verdade que, após a mudança estar completa, só aqueles que assistiram ao processo poderão ostracizar, o resto da sociedade permanecerá na ignorância (a não ser que a androginia denuncie a redesignação sexual, mas não é isso que o transexual idealiza, certamente, quando decide efectuar a mudança).


                      Finalmente, a pergunta:
                      Responder
                      Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?

                      A meu ver, sim, e a American Psychiatric Association concorda, caso contrário não a incluiria no DSM. Admitindo que sem papéis de género heteronormativos a transexualidade continuaria a existir, a sensação de mal-estar e de inadequação está, então, inerente ao ser-se transexual, e está inerente porque sê-lo continuaria a constituir-se lesante para o indivíduo num mundo sem transfobia. O ser-se homossexual é já diferente, uma vez que o eventual mal-estar que possa da homossexualidade advir não existiria, não fosse o preconceito social e o complexo de inferioridade por ele gerado.
                      A palavra "doença" é vista, acho, pela população LGBT como algo humilhante e pejorativo por a homossexualidade já ter sido considerado uma, outrora. No entanto, não se justifica que assim seja. O cancro é uma doença e os que dele padecem nem por isso são, por definição, considerados menos que ninguém; a esquizofrenia e os esquizofrénicos idem. Não há nada de ofensivo por si só em dizer-se que X é, ou está, doente, nem é humilhante sê-lo ou está-lo, porque a doença não é atestado de anormalidade (pelo menos, não no sentido pejorativo e redutor da dignidade do aberrante/desviante). É humilhante, sim, quando nos tentam impingir um problema que nós sabemos não ter, quando tentam tornar o sadio em doentio, como faziam até 1973.


                      Nota: Não conheço nenhum transexual e os meus conhecimentos científicos nesta área são nulos. Se disse alguma barbaridade, façam favor de corrigir. Outra coisa: não confundam a posição aqui apresentada com transfobia. Não tenho absolutamente nada contra vocês, transexuais, e respeito-vos. Em boa verdade, a única altura em que assinalo uma posição clara é aquela em que respondo directamente à questão do tópico; tudo o que disse antes não passou maioritariamente de um lançar de questões na tentativa de vos perceber melhor e assim poder formar uma opinião mais concreta e fundamentada.

                        Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                        #131

                        Offline BrunoMCP

                        • *****
                        • Orador(a)
                        • Membro Ultra
                        • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
                        O ponto de vista dele é bastante interessante, apesar da arrogância com que expõe a opinião.

                        Obrigado.
                        Cada vez me convenço mais que é doença, mas isso é irrelevante, a questão é se é "curada" da forma correcta.
                        Imaginem que começavam a curar outras doenças assim.
                        Para curar a homofobia, basta amputar a cabeça dos gays todos.
                        O cleptomaníacos que roubem à vontade, que o Estado paga!

                        Define arrogância.
                        Começo a ficar farto que me chamem arrogante só porque não me ponho com os rodeios e tretas com que se põem todos.
                        Eu digo as coisas sem testamentos como os que vejo por aqui.
                        Num par de frases seria capaz de dizer o que parece que alguns preferem estender a vários parágrafos.
                        Eu apenas incito ao debate. Não tenho problemas nenhuns contra os trassexuais, mas isso não me pode impedir de dizer estas coisas.
                        Não levem tudo para o lado emocional.

                          Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                          #132

                          TheEchoOfNight

                          • Visitante
                          Imaginem que começavam a curar outras doenças assim.
                          Para curar a homofobia, basta amputar a cabeça dos gays todos.
                          O cleptomaníacos que roubem à vontade, que o Estado paga!

                          Reitero o que disse: se a biologia tem uma palavra a dizer, essa teoria deixa de fazer qualquer sentido. De qualquer forma, não acho que essas comparações sejam boas.

                          (...) não me ponho com os rodeios e tretas com que se põem todos.
                          Eu digo as coisas sem testamentos como os que vejo por aqui.
                          Num par de frases seria capaz de dizer o que parece que alguns preferem estender a vários parágrafos.

                          Há coisas que até poderiam ser explicadas em poucas palavras, mas nunca tão bem quanto com esses tais "vários parágrafos". Não obstante, se te sentes confortável nesse registo, óptimo, continua.

                          Define arrogância.

                          Tu bem sabes o que é a arrogância, falta-te é perceber que ela não é sinónimo de frontalidade. Tu podes muito bem ser frontal sem essa prepotência. Lá fora, não sei como és (nem me atrevo a fazer extrapolações só a partir do que vejo aqui), mas, como utilizador do fórum, é o que me tens mostrado.
                          Por exemplo, se eu fosse um utilizador arrogante, em vez disto: "Reitero o que disse: se a biologia tem uma palavra a dizer, essa teoria deixa de fazer qualquer sentido. De qualquer forma, não acho que essas comparações sejam boas.", teria escrito isto: "Se a biologia tem uma palavra a dizer, o que dizes não passa de lixo. De qualquer forma, essas comparações são uma treta.". Directo? Fui em ambas as situações; não o sou mais por ser mais desagradável. Disse o que tinha a dizer com respeito, curto e grosso; não há necessidade da segunda forma. Se não estamos em guerra, não preciso de ser hostil.
                          Depois, és arrogante na forma como corriges os erros ortográficos dos outros utilizadores. Já vi muito boa gente por aqui a fazê-lo igualmente sem rodeios, mas de forma bastante mais humilde. Para além disso, queres que as pessoas não cometam erros que tu não as ensinas a corrigir, como o "provas-te" da sofiaferreira17 (imensa gente não sabe distinguir o "provaste" do "provas-te", o "tiras-te" do "tiraste" e por aí fora; garanto-te que ela continua a cometer o erro). Para além disso, se queres assumir o papel de grammar nazi cá do sítio, tens de dominar o português e deixar de escrever coisas como "reductor", sob pena de te tornares uma caricatura do ridículo e perderes a credibilidade.

                          Não tenho problemas nenhuns contra os trassexuais, mas isso não me pode impedir de dizer estas coisas.
                          Não levem tudo para o lado emocional.

                          Nem eu disse em parte alguma que os tinhas. E garanto-te que também não te quero impedir de dizer nada. Sou um grande fã da liberdade de expressão.
                          O que eu queria dizer é que, quando o nosso ponto de vista peca por falta de conhecimento de causa, devemos, mais do que nunca, escolher bem as palavras e pensar: "Eh pá, penso que seja assim, mas não tenho a certeza disto. Vou mas é deixar o sarcasmo e a hostilidade de parte, sair do ataque e dizê-lo com cuidado e humildade, para não perder a razão e ser uma besta".
                          "Mas é preciso fazer tanto alarido só por causa do que têm entre as pernas"?! O que é isto? E se eles tiverem mesmo motivo para o "alarido"? Isto não é jogar ao ataque e potencialmente desrespeitar quem, se calhar, até tem todas as razões para tal? É que estás nitidamente a partir do princípio de que eles são as rainhas do melodrama quando não tens o mínimo conhecimento de causa sobre o assunto.

                            Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                            #133

                            Offline BrunoMCP

                            • *****
                            • Orador(a)
                            • Membro Ultra
                            • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
                            Reitero o que disse: se a biologia tem uma palavra a dizer, essa teoria deixa de fazer qualquer sentido. De qualquer forma, não acho que essas comparações sejam boas.

                            Não acredito que tenha a ver com biologia, portanto deixa lá estar a teoria.
                            Se por acaso tiver, realmente deixa de se poder comparar.
                            Não acho que estejam assim tão más, mas no momento não me lembrei de melhores. Faça o favor de adicionar as suas.

                            Eu não corrijo os erros com arrogância. Nada mais a dizer.
                            Eu escrevi "reductor"? Estranho, mas ok… Antes um C que um hífen.

                            Foste directo em ambas as situações, realmente, e não vejo lá muita diferença. Onde queres chegar?

                            E eu poderia dizer que estás a ser extremamente hostil, se fosse como muita gente neste fórum.
                            Mas não digo, porque não sou, e acho que te exprimes bem e com todo o direito.

                            Já agora:
                            Responder
                            arrogância
                            s. f.
                            1. Sobranceria menosprezadora.
                            2. Altivez que deixa ver o pouco caso que se faz do adversário.
                            3. Insolência.
                            Hum… Não me acho superior a vós, até porque não vos conheço,
                            mas sinceramente claro que dou valor à minha opinião, mau era…
                            Continuo a achar que as pessoas ofendem-se facilmente por aqui.
                            Isso não dá jeito para analisar as coisas objectivamente.

                              Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                              #134

                              Elijah Keat

                              • Visitante
                              O que não dá jeito é estarmo-nos a desviar do tema para fazer a análise de um indivíduo. Para isso encontra-se facilmente um psicólogo.

                              Sobre a transexualidade. Dizes tu, então, que o tratamento dos transexuais devia, em vez de se "adaptar o corpo ao pensamento", fazer ao contrário.

                              Não conheço tentativas desse género, a coisa mais semelhante a isso que conheço são as terapias de conversão para os homossexuais que, deve-se dizer, não funcionam e são altamente desaconselhadas pela WHO.

                              Tens conhecimento de alguns tratamentos hormonais, por exemplo, que tenham sido feito com transexuais? Por acaso era interessante conhecer esses resultados, se existirem.

                                Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                                #135

                                Offline BrunoMCP

                                • *****
                                • Orador(a)
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                                • Ter orgulho é rejeitar a vergonha.
                                Não, e já estou farto deste tópico.
                                Que apareça um transsexual por favor!
                                Nem sei se isso adiantava alguma coisa.
                                O meu computador sublinha a vermelho transsexual, já agora. Triste.
                                [como foi chamado à atenção pela _levitar_ nos posts seguintes, é mesmo erro]
                                « Última modificação: 29 de Maio de 2011 por BrunoMCP »

                                  Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                                  #136

                                  Offline wilhelmina

                                  • *
                                  • Novo Membro
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                                  Olá a todos!

                                  Se estamos sempre a dizer às pessoas para se aceitarem como são, porque não dizemos aos transsexuais para tentarem aceitar o que têm?

                                  Compreendes tudo aquilo que tu próprio dizes nesta frase? É que dás a resposta do porquê de as coisas serem como são. "Se estamos sempre a dizer às pessoas para se aceitarem como SÃO", temos de dizê-lo sim, também aos transexuais. Que têm de se aceitar como SÃO, e não "aceitar o que TÊM". Percebes a diferença entre os dois?

                                  Nós somos o que somos, não somos o que temos! Espero não te surpreender ao dizer isto, mas tu não és um homem porque tens uma pilinha! És um homem por um conjunto de factores, dos quais os biológicos são apenas um. Outros são sociais, culturais e psicológicos. E mais, não és decerto homossexual só porque gostas de pilinhas, mas porque gostas de um conjunto de caracteristicas físicas e psicológicas que, por regra, encontras bem combinadas num homem.

                                  Agora quando falamos em psicológico, temos de compreender que nos transexuais há um eu-psicológico que se identifica como sendo do sexo oposto àquele que a biologia indica. E não um eu-psicológico de determinado sexo, convencido que na verdade pertence ao sexo oposto. E é isto que faz toda a diferença entre quem é ou não transexual, porque as duas situações podem, efectivamente, ocorrer.

                                  É óbvio que as pessoas enquadradas no segundo quadro, nunca deverão passar por um processo de reatribuição sexual, mas sim por acompanhamento psicológico que as leve a compreender o que realmente sentem e o que realmente são. No caso dos transexuais, psicoterapia alguma poderia transformar o eu-psicológico de forma a que se pasasse a identificar com o seu sexo biológico. Porque este eu-psicológico, o cérebro, tem um sexo diferente do restante corpo. Por isso temos uma disforia de género.

                                  E por isso o processo de diagnóstico desta disforia de género, da transexualidade, é moroso e complicado. E ainda assim, admitamos, não é infalível. Só para terem uma ideia, a pessoa que sente que pode ser transexual tem, antes de tudo, passar por uma avaliação psicológica que comprove que não padece de qualquer doença mental (e isto, sim, exclui a disforia de género da categoria de doenças mentais). Comprovando-se que a mente é sã, sem quaisquer perturbações que possam dificultar a sua identificação em relação ao género, esta pessoa terá de passar dois anos (no mínimo) em seguimento pelo seu psicólogo clínico ou psiquiatra, de forma a comprovar que é mesmo aquilo que sente, e que uma reatribuição sexual definitiva irá trazer mais conforto e qualidade de vida a esta pessoa (isto enquanto vive de acordo com esse género, geralmente já em terapia de substituição hormonal - um tratamento que é reversível).

                                  Acrescento que tentativas de alterar o cérebro dos transexuais, no lugar de lhes alterar o corpo, foram feitas desde que se começou a estudar o fenómeno. Resultados? Não funcionou, obviamente! Vocês conhecem algum caso em que se consiga fazer alterações estruturais ao cérebro humano? Decerto não, pois não existem. Se não há mais divulgação sobre essas tentativas, é porque é quase consensual para a sexologia recente que o tratamento da transexualidade deve ser feito pela alteração do corpo. E digo quase, porque acontecem casos encobertos, de tentativas de fazer essa alteração ao cérebro, dentro de consultas de sexologia que aparentemente se propõe a realizar o único tratamento reconhecido como responsável. E é claro que estes não correm bem e logo não chegam a público...

                                  Também não podemos esquecer, que fora deste âmbito, os programas de reconversão para homossexuais também são aplicados aos transexuais. Afinal, para quem não quer compreender, é tudo perversão, é tudo a mesma coisa.

                                  Eu sou gay e não me adianta tentar mudar. Por outro lado é aceitável se um transsexual, que é homem tentar mudar para mulher e vice-versa?

                                  Estas comparações da transexualidade com a homossexualidade é que não têm absolutamente cabimento nenhum, apesar de se insistir nelas nas mais variadas vertentes.

                                  Na verdade, a comparação que podes fazer é que obrigar um homem transexual (pessoa que nasceu mulher e se sente um homem) a ser uma mulher, porque é esse o corpo que tem, é o mesmo que obrigar um homossexual a ser heterosexual, porque só numa relação hetero encontrará a possibilidade de procriar.

                                  Todos vocês me dirão, com certeza, que não é necessário procriar, para que uma relação entre duas pessoas dê certo e as pessoas sejam felizes. Pois o que vos quero dizer é que não basta a ninguém ter um corpo de determinado sexo, para que se desenvolva saudavelmente de acordo com esse sexo.

                                  Se alguém souber uma explicação decente para os sentimentos transsexuais, faça o favor de responder, que estas questões não são retóricas.
                                  Talvez um transsexual, por exemplo.

                                  E o que seria uma explicação decente? Um comprovativo dos factores biológicos que levam o cérebro das pessoas transexuais a desenvolver-se de um sexo diferente do seu restante corpo?

                                  Eu nasci com um corpo masculino perfeito, e ao longo da minha vida nunca me senti masculino. Nunca senti que fosse um homem e que houvesse a mínima hipótese em viver toda a minha vida nesse papel. Passei a minha adolescência a rejeitar o corpo que tinha e a lutar pela hipótese de o ver alterado. E só comecei a atingir alguma paz de espirito quando essas alterações foram aparecendo. Porquê que isto aconteceu? Não faço a mínima ideia!

                                  O facto é que qualquer pessoa transexual te pode explicar aquilo que sente, que é mais forte que tudo. Que o faz lutar uma vida inteira pela sua identidade, se lhe for dada essa opurtunidade. Ou que o faz sofrer em silêncio uma vida inteira, no caso contrário. Mas nenhum te poderá dar um porquê. E, mantendo a comparação, tu poderás dar-me uma explicação decente do porque de seres homossexual?

                                  Se calhar a única resposta sincera que podemos dar é mesmo "We were born this way, baby!"...

                                  Mas, e se a sociedade não nos impusesse papéis de género, haveria quem quisesse proceder à alteração de sexo? Se a heteronormatividade não existisse, sentiriam os transexuais necessidade de alterar o seu corpo para algo concordante, por predefinição, com o papel de género que pretendem desenrolar?

                                  Esta questão não terá fim enquanto não se compreender o mais elementar da questão transexual. O que o transexual reivindica é um corpo consoante com a sua identidade de género, e não o direito a uma expressão de género não normativa (e preferia deixar a heteronormatividade fora da discussão, pois o que falamos aqui vai para além das contruções de um ideal hetero - como comprovam vários depoimentos neste fórum por pessoas homossexuais). A identidade de género do transexual é discordante com o seu corpo, o que o pode levar a procurar formas de o alterar e adequar o corpo ao género (embora não seja obrigatório que o faça!). No entanto, no que diz respeito à expressão de género, o transexual é tão livre quanto os outros seres humanos. É errado continuarmos a acreditar que as mulheres transexuais tentam ser mais mulheres que todas as outras mulheres, e que os homens transexuais tentam ser mais homens que todos os outros. Isto nem sempre acontece!

                                  Para encerrar este post, regresso à questão central do tópico:

                                  Responder
                                  Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?

                                  Sim. A partir do momento em que existe mal-estar e sofrimento ligados directamente à condição de transexual, e este efectivamente existe, estamos a lidar com uma doença. E assim sendo, as pessoas transexuais têm o direito a que a sua condição seja medicamente salvaguardada, para que lhes sejam garantidos todos os tratamentos que lhe podem garantir o bem-estar e a qualidade de vida que a condição transexual lhes retira.

                                    Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                                    #137

                                    Offline _levitar_

                                    • *****
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                                    Não, e já estou farto deste tópico.
                                    Que apareça um transsexual por favor!
                                    Nem sei se isso adiantava alguma coisa.
                                    O meu computador sublinha a vermelho transsexual, já agora. Triste.

                                    Transexual.
                                    « Última modificação: 28 de Maio de 2011 por _levitar_ »
                                      "be yourself...no matter what they say..."
                                      "we need a change, do it today!"
                                      "if you let your fears keep you from flying, you will never reach your height"

                                      Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                                      #138

                                      Offline kris

                                      • *****
                                      • Membro Elite
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                                       :curtain

                                      Bem devo confessar q não andei a ler tds os comentarios q andaram a escrever neste tópico ::)
                                      vcs fartaram-se de escrever :-X

                                      Vamos ao q interessa, no q respeita a transexualidade eu acho q não deva ser considerada uma doença.

                                      Transexualidade é a condição considerada pela OMS como um tipo de transtorno de identidade de gênero, mas pode ser considerada apenas um extremo do espectro de transtorno de identidade de gênero. Refere-se à condição do indivíduo que possui uma identidade de gênero diferente a designado no nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto.
                                      Transexualidade não deve ser confundida com crossdressing ou com o comportamento drag queen, que podem ser descritos como transgêneros, mas não transexuais, também, o fetichismo do travestismo normalmente não tem quase nada, ou nada, a ver com transexualidade, pois não apresenta o desejo real pela mudança de sexo.

                                      Fonte wikipedia.

                                        Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
                                        #139

                                        Offline BrunoMCP

                                        • *****
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                                        Olá a todos!

                                        Olá.
                                        Discordo com uma das coisas que li.
                                        Obviamente que a linguagem nos limita, mas sim, eu sou homem porque tenho uma pilinha.
                                        Os factores sociais bem que a sociedade pode enfiar onde eu cá sei.
                                        Levá-los a sério é repudiar o transgenerismo.

                                        A tua resposta à minha comparação com homossexuais a mudarem está bem dada, e também me passou pela cabeça, mas se me estivesse a responder a mim próprio mais valia fazê-lo offline. Mas repara que ser gay pode incomodar-me como incomoda a um transexual ter o sexo errado. Aliás, há gente aqui que quer ser hetero como um homem pode querer ser mulher. Portanto acho que o meu argumento não é descabido.

                                        Em relação à tua razão para se considerar doença, concordo.
                                        [update: se tiver em consideração o que escrevi no parágrafo anterior, já não tenho tanta certeza se concordo. Se for doença, a homossexualidade também é... Ou então a rejeição da homossexualidade é que é...] - questão explorada a fundo na minha próxima mensagem

                                        Transexual.
                                        Obrigado, mas  _levitar_, então andamos todos a pronunciar mal? Credo.
                                        Sempre ouvi toda a gente a dizer transsexual, pensei que se escrevesse também assim.
                                        « Última modificação: 29 de Maio de 2011 por BrunoMCP »

                                           

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                                          Última mensagem 10 de Janeiro de 2011
                                          por klaeman
                                          4 Respostas
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                                          Última mensagem 20 de Novembro de 2013
                                          por natacha
                                          0 Respostas
                                          7807 Visualizações
                                          Última mensagem 30 de Maio de 2018
                                          por marimagog