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Assuntos Gerais => Geral => Tópico iniciado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 10:53:05

Título: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 10:53:05
Após tantos topicos explorados sobre a transexualidade decidi expor uma duvida!

Todos concordam que a transexualidade é uma disforia de genero, no entanto dever-se-ia considerá-la como uma doença? Quando me refiro a doença não quero que se use o termo como algo horrivel e hediondo mas sim como algo que está errado e deve ser corrigido!

Espero pelas opiniões dos outros users antes de exprimir a minha, de forma ao debate manter-se calmo, pelo menos inicialmente! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 12.fev.2008, 11:15:39
Como algo que está errado e deve ser corrigido queres dizer o quê? O corpo é errado e deve ser modificado?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 13:02:04
Como algo que está errado e deve ser corrigido queres dizer o quê? O corpo é errado e deve ser modificado?

Sim! Enquanto que na homossexualidade não existe uma necessidade de readaptação corporal, visto que a única coisa fora da norma são os sentimentos, que não são um factor condicionante a nivel fisico, na transexualidade existe uma necessidade de fazer uma readaptação corporal, ou seja a transexualidade não é algo com que se possa viver em plenitude sem que haja uma reconstrução!

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Girl Blue em 12.fev.2008, 14:40:38
Estava aqui a tentar lembrar-me de um comentário que ouvi num documentário há uns tempos sobre o assunto... mas era algo do género de "nascer no corpo errado". Doença? Não sei... talvez... mas acho que é capaz de haver outra definição melhor...

Aparte: este tópico fez-me lembrar uma pergunta (estupida) que tinha a mania de fazer a mim mesma há uns tempos atrás: será que existe alguém que pretenda mudar de sexo para amar alguém do mesmo sexo?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Topolino em 12.fev.2008, 15:16:13
Transtorno da Identidade de Género ou Disforia de Género: trata-se de uma incompatibilidade entre o sexo anatómico e a identidade de género (DSM IV - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV);
Desejo declarado de ser, desejo de viver ou ser tratado como alguém do sexo oposto, ou a convicção de ter os sentimentos e reacções típicos do sexo oposto e de reconhecimento precoce. Causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social/ocupacional/outras áreas importantes da sua vida, que pode levar a auto-mutilação e suicídio; Frequência de masturbações é baixa (ou assumem posturas do sexo oposto) e baixo nº de relacionamentos heterossexuais; Impulso sexual baixo; Tentativas sem sucesso de mudar os seus desejos e sentimentos de culpa.

O uso de um diagnóstico formal é sempre importante para se fornecer ajuda, promover a cobertura de planos de saúde e pesquisas para oferecer tratamentos cirúrgicos mais efectivos. Meyer (citado por Athayde in ATHAYDE, Amanda V. Luna de. Transexualismo Masculino. «Arq Bras Endocrinol Metab» ISSN 0004-2730 . 45:4 (2001) pp. 407-414)

Uma vez que entre a saúde mental dos transexuais existe várias variações (devido a própria confusão que surge, assim como ao preconceito que existe e falta de informação), desde psicoses à total normalidade psíquica, é importante a transexualidade estar nas recomendações da DSM IV, para um diagnóstico correcto.


Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 16:01:39

O corpo aparece em duas dimensões - uma em que proporciona o reconhecimento imediato por parte dos outros como membros do sexo associado ao papel de género em que vivemos (ou queremos viver), e outra para nós próprios - se nos sentimos bem nele, ou não. As duas dimensões andam juntas em muitos casos de transsexualidade, mas nem sempre.


Tens toda a razão no que dizes, mas quando eu me referia a uma readaptação corporal talvez não me tenha exprimido da melhor forma, visto que não queria apenas focar as pessoas que fazem terapia hormonal ou cirurgias, mas tambem as pessoas que decidem personificar um género que não o seu género biológico!
Ao nascermos com determinado género biológico é esse género que nos torna identificaveis aos olhos da sociedade, no entanto se o nosso género psicologico não está em sintonia com o nosso género biologico será necessario fazer em certo ponto, de forma a uma melhor vivência, algum tipo de reconstrução pessoal, seja por cirurgias ou apenas personificando o género oposto através dos elementos que caracterizam cada um dos géneros!
A meu ver, creio que esta necessidade resulta de uma doença, visto que não seria suposto haver um antagonismo entre o genero biologico e o psicologico, mas sim uma sintonia, por isso deveriam ser feitas pesquisas de forma a impedir que mais pessoas sofressem deste problema, que é sem duvida nenhuma causador de grande sofrimento a nivel pessoal e a todos os outros niveis!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 16:11:20

Dizer que uma pessoa transsexual é doente (caso em que o lógico eram "curarem-nos" desse "desejo" doentio)... não é culpar a vítima em vez dos agressores?

Aqui está onde eu não queria chegar, dizer-se que uma pessoa transexual é doente não tem como objectivo curar a vontade dessa pessoa de mudar de género, porque na realidade a forma de curar a doença é mesmo com a mudança de genero. Dizer-se que uma pessoa transexual é doente é assumir que existe algum passo na evolução gestacional do inidividuo que esta incorrecto e leva à existencia de um antagonismo entre generos psicologicos e fisicos!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 16:50:25
Uau...

E não se pode dizer o mesmo acerca da homossexualidade? Não deveriam a tua identidade e expressão de género (da qual a orientação sexual faz parte) estar "alinhadas" com o teu sexo biológico? A heterossexualidade não é maioritária, e não foste tu condicionado para seres  heterossexual (há alguém que tenha sido educado para a homossexualidade)? Não terás tido algum passo "anormal" na tua evolução "gestacional" ou social para te tornares algo fora da norma - homossexual? Do ponto de vista da psicologia evolutiva, faz a homossexualidade sentido, quando não conduz à reprodução, que é o objectivo natural do sexo? Não fizeste algum tipo de reconstrução pessoal para passares a sentir a tua homossexualidade como legítima, e não uma doença ou algo de errado?
Não sofreste, e não irás sofrer, por viveres numa sociedade homofóbica?

Não, creio que não se pode dizer. porque uma pessoa homossexual simplesmente tem de se comportar como homossexual [a niveis emocionais e afectivos claro, nao digo que exista um padrao de comportamento homossexual] enquanto que uma pessoa transexual nasce de uma forma para se comportar de outra [aqui falando em relação de identidade de género!].
Se eliminarmos todo o preconceito do mundo uma pessoa homossexual não vai desejar tornar-se heterossexual, mas uma pessoa trans, mesmo sem o preconceito, vai desejar que hajam mudanças! Porque não evitar todo o choque envolvido em constatarmos que temos dois generos que não estao em harmonia? Não considero que isto seja uma demonstração de transfobia ou qualquer evidencia de um desejo da evolução da ciencia para transformar as pessoas em individuos normalizados!

Em relação às lobotomias, ja disse que considero que ser trans seja uma doença que numa fase out utero deva ser tratada atraves de possibilitar ao individuo ser do genero com que se identifica psicologicamente, em relação ao resto se tivesse a solução certamente que estaria a trabalhar nela! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 12.fev.2008, 18:56:44
Acho que há aqui duas linhas de pensamento diferente e por isso é que não se ajustam. Por um lado uma que fala da avaliação pela norma maioritária (como é que a maioria das pessoas são e como se espera, por isso, que todas sejam) e outra que fala de qual é o critério para se considerar uma doença ou não (com base que há pessoas que passam mal, por não se sentirem bem no corpo com que nasceram). Uma, parece-me, fala da categoria da normalização como se doença implique uma "anormalidade" ("não é suposto ser-se assim para ser funcional") e outra na perspectiva se há necessidade de intervenção por algo intrínseco, se há sintomas de mal-estar, se há necessidade de intervenção a algum nível da área da saúde, devido a essa rejeição do corpo que se tem, rejeição essa que se julga ser inata. E com este resumo não estou a apresentar a minha opinião pessoal, mas aquilo que me parece tem sido argumentado nos últimos posts.

Responder
A transsexualidade é acerca do papel de género que ocupamos na sociedade. Só são reconhecidos dois, homem ou mulher, ambos fruto das convenções culturais muito mais do que alguma vez seriam da biologia, e, por razões que são diferentes de pessoa para pessoa, há os que se sentem melhor vivendo no papel de género que a sociedade faz corresponder ao sexo atribuído ao nascimento (cissexuais), e há os que se sentem melhor vivendo no oposto (transsexuais).

Nas definições que tenho lido a isto refere-se o transgenerismo e a transexualidade seria um caso em particular ligeiramente diferenciado. Esta definição dá-me ideia que recusa o reconhecimento ou validação de frases como por exemplo a que li hoje do Lucas Silveira que diz que sente que falta o pénis - como se fosse suposto ter nascido assim - (mesmo que tenha optado por não fazer mudanças se não a remoção dos seios). Ou seja, a definição clássica tem sido que há um desajuste com o corpo (e isto aconteceria sempre, em qualquer contexto sócio-cultural) e não que há uma necessidade de ajuste do corpo para se adequar aos modelos convencionais e assim poder ser-se melhor/mais facilmente o género psicológico que se é (ou seja sentir-se melhor). Neste último caso seria válido dizer que se passasse a existir a aceitação dos comportamentos de género, independentemente do corpo que os manifesta, muitos transexuais deixariam imediatamente de ter desejo de alterar o seu corpo? Este é um dos pontos que nunca vi claramente assente nos debates que leio sobre o que é a transexualidade. Encontra-se constantemente visões e definições diferentes.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 19:12:49
[E, sim, estás a ser fóbico. Quem és tu para julgar que não consigo ser feliz? Quem és tu para achar que, apesar dos obstáculos que uma sociedade transfóbica e/ou que não se preocupa minimamente com as necessidades das pessoas transsexuais me vai colocando no caminho, a minha vida não vale a pena? Aliás, por todas as dificuldades que temos de ultrapassar para ter acesso aos mesmos direitos que tu, não seremos até pessoas mais fortes?
Gosto de mim, e da felicidade que vou conquistando no dia-a-dia, sabendo que tive de a ganhar, e que não me aterrou no colo! Dispenso de todo que me queiras ajudar apagando a minha identidade antes sequer de ter hipótese de a manifestar (e será que já existia sequer nessa altura?)!

E continuo espantada que tu, que, de acordo com o teu raciocínio "biológico", e que devias ter "nascido" para ser heterossexual (não estás também em desarmonia com o teu género?), e que tiveste (e tens) de viver com o preconceito, consigas ter este discurso.

Mas eu estou a julgar que não consegues ser feliz? Se eu em algum ponto do meu discurso exprimi esse julgamento retiro-o, simplesmente defendo o meu ponto de vista porque já tive a oportunidade de conversar com outros T's que me disseram que se pudessem escolher tinham escolhido nascer com o genero biologico em comunhao com o psicologico!

Acho que continuas a insistir num ponto que não tem comparação, a homossexualidade é incrivelmente distinta da transexualidade e fazer paralelismos, a meu ver, é erróneo.
Não sei em que estudo cientifico viste que não havia nenhuma razão evolutiva para existir a homossexualidade, porque a minha curiosidade cientifica é grande e gostaria de ter acesso a esse estudo, mas desde ja respondo que nao estou em desarmonia com o meu genero, porque a identidade de genero é totalmente diferente da orientação sexual, e eu enquanto homossexual, se vivesse numa bolha isolada da sociedade não precisaria de tomar nenhuma atitude de mudança para me sentir bem comigo mesmo enquanto que um T precisaria!

Continuo a achar que não tenho um discurso fóbico porque não estou a falar de doença, como referi no inicio, como algo negativo, simplesmente como uma desarmonia que existe, se é que me faço entender!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 19:13:57
Acho que há aqui duas linhas de pensamento diferente e por isso é que não se ajustam. Por um lado uma que fala da avaliação pela norma maioritária (como é que a maioria das pessoas são e como se espera, por isso, que todas sejam) e outra que fala de qual é o critério para se considerar uma doença ou não (com base que há pessoas que passam mal, por não se sentirem bem no corpo com que nasceram). Uma, parece-me, fala da categoria da normalização como se doença implique uma "anormalidade" ("não é suposto ser-se assim para ser funcional") e outra na perspectiva se há necessidade de intervenção por algo intrínseco, se há sintomas de mal-estar, se há necessidade de intervenção a algum nível da área da saúde, devido a essa rejeição do corpo que se tem, rejeição essa que se julga ser inata. E com este resumo não estou a apresentar a minha opinião pessoal, mas aquilo que me parece tem sido argumentado nos últimos posts.

Bom resumo! ;)
Bastante bem resumido realmente! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: David Erif em 12.fev.2008, 20:28:56
Centro, desculpa mas falho em ver qual a tua necessidade de explorar este assunto exposto na forma como se encontra. Não sou T mas lá por não me sentir afectado isso não quer dizer que não consiga ver o quanto inadequada é a tua pergunta.
Abordar o tema da transexualidade em todas as suas variantes é louvável mas submete-la a um escrutínio de opinião sobre se a mesma deverá ser considerada uma doença imagino que deverá trazer um certo incómodo para grande parte dos T que participem neste fórum.
Se fosse criado um tópico com a mesma pergunta relativamente à homossexualidade tal abordagem seria com certeza considerada pela maioria, obsoleta ou imprópria.
A transexualidade faz parte de um grupo minoritário mas este não é um fórum separatista e incorremos todos num mesmo sentido de paridade. Julgo que há melhores formas de combater a desinformação sem que seja preciso que se esteja a considerar relegar a transexualidade para o campo das doenças ou sem que seja preciso obrigar os T a virem defender-se dizendo que não, não são de facto doentes. Para esse tipo de marginalização já existem outros fóruns.

Continuo a achar que não tenho um discurso fóbico porque não estou a falar de doença, como referi no inicio, como algo negativo, simplesmente como uma desarmonia que existe, se é que me faço entender!

Eu sei Centro :) Eu percebi, mas o termo não deixa de ser negativo e é muito mau estares a usá-lo. Repara bem, prespectiva a frase com o teu nome - "Deverá o Centro da Gravidade ser considerado doente?"  :( é um pouco constragedor não é?

Doente implica ser-se Enfermo e a transexualidade, tal como a homossexualidade não te torna nem mais nem menos capaz em termos físicos ou psicológicos em relação a ninguém. Não é resultante de nenhum vírus ou de nenhuma deficiência patológica nem é exposta a nenhum tipo de cura. O processo cirúrgico de mudança de sexo, para aqueles que o decidem fazer, chama-se correctamente Cirurgia de Redesignação Sexual e é feito como uma forma de correcção física, não de cura.

Em Portugal todo o trans que decida submeter-se ao processo de mudança de sexo comparticipado pelo Estado, mesmo que não seja por completo, tem que posto sob avaliação psiquiátrica para se determinar se de facto a pessoa em questão é mesmo um Trans ou se sofre de um transtorno mental, tal como esquizofrenia. Se for o caso deixa de ser considerado como um trans e passa a enquadrar o quadro de doenças mentais, das quais a transexualidade não faz parte.
Mas mesmo assim, digo-te já que uma das maiores causas de luta do movimento activista T dos últimos anos passa precisamente pela reivindicação da atenuação (ou extinção) dessa avaliação psicológica que actualmente é extremamente demorada.

A transexualidade é abordada clinicamente como uma Condição, não como uma Doença. Logo, se nem os Trans nem os Especialistas a consideram como tal, que direito temos nós de considera-la assim?

O menino sempre foi e continua a ser um radical  :) Sempre envolvido em polémica e controvérsia.
Espero ao menos que tenhas ficado um pouco mais elucidado
Um abraço  :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 12.fev.2008, 20:48:03
Desculpa David, mas não criei este tópico com vertentes radicalistas ou de controvérsia, somente com o intuito de esclarecer uma duvida que tenho e pedir as opinioes de terceiros, algo que tem sido feito de forma bastante agradavel!  ;) [não precisa de estar com a sua preocupação habitual *]

Concordo contigo em certos pontos, e sei o quao desconfortavel pode ser para os T's este topico, mas nao acredito que nao tentar ver as nossas duvidas esclarecidas por "piedade" aos outros seja a melhor forma de actuar!

Continuo a bater no mesmo ponto, teimoso eu sei, que não estou a dizer que uma pessoa T é mentalmente doente e que precisa de tirar essa ideia da cabeça, simplesmente indago até que ponto a transexualidade não é uma condição, como tu dizes, que é devida a algum erro na gestação!

Existem imensos sindromes, relacionados por exemplo com um numero aberrante de cromossomas, que não afectam em termos fisicos e psicologicos as pessoas, mas não deixam de ser caracterizados como doenças!


A titulo de curiosidade, uma vez vi um programa onde diziam que apos terem feitos autopsias a diversos T's, descobriram que estes tinham uma zona no cerebro de dimensoes inferiores aos hetero e homossexuais! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 12.fev.2008, 21:19:39

Concordo contigo em certos pontos, e sei o quao desconfortavel pode ser para os T's este topico, mas nao acredito que nao tentar ver as nossas duvidas esclarecidas por "piedade" aos outros seja a melhor forma de actuar!


Eu também tenho dúvidas em relação à transexualidade, como tenho em relação à maioria das coisas que sobre as quais sei pouco. Mas para debater um assunto sobre o qual temos dúvidas não temos de o introduzir assim. Colocando uma pergunta que remete imediatamente para uma perspectiva depreciativa...


Existem imensos sindromes, relacionados por exemplo com um numero aberrante de cromossomas, que não afectam em termos fisicos e psicologicos as pessoas, mas não deixam de ser caracterizados como doenças!


Existem vários síndromes relacionados com um número aberrante de cromossomas que, afectam em termos físicos e/ ou psicológicos as pessoas e são considerados doenças. Conheces algum que não afecte nada e não seja uma doença?


A titulo de curiosidade, uma vez vi um programa onde diziam que apos terem feitos autopsias a diversos T's, descobriram que estes tinham uma zona no cerebro de dimensoes inferiores aos hetero e homossexuais! :)


Isso não significa que seja mau ou que seja uma doença. Significa apenas que é diferente. Uma espécie viva possui variação, é nessa variação que reside uma das maiores vantagens em termos competitivos. Há variações que tendem a ser predominantes em periodos de tempo e espaço pelas mais diversas razões, como por exemplo a aceitação pelos outros indivíduos da mesma espécie.

Há vários cientistas empenhados em descobrir uma base genética para a homossexualidade e alguns deles têm feito progressos interessantes. Se realmente conseguirem encontrar alguma característica genética exclusiva dos homossexuais será considerada uma doença? 

Se os médicos e cientistas não consideram uma doença é porque não deve mesmo ser. 
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: jackie em 12.fev.2008, 22:27:48
Há vários cientistas empenhados em descobrir uma base genética para a homossexualidade e alguns deles têm feito progressos interessantes. Se realmente conseguirem encontrar alguma característica genética exclusiva dos homossexuais será considerada uma doença? 

Desde que não haja implicações na saúde física e mental, claro q nao vai ser considerado uma doença! Apenas uma variaçao genética (alelo) menos comum para o carácter da sexualidade.

Ter sangue O+ nao é doença nenhuma, e no entanto é muito raro.


Apenas poderia ser considerado uma variaçao genética inviável devido à descontinuidade que traria à espécie, resultando na sua extinção. Mas felizmente só afecta a minoria ^^'
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: David Erif em 13.fev.2008, 00:42:27
Centro, eu gosto muito, muito de ti e é por isso que me está a custar imenso ver-te seguir essa linha de pensamento.

O que é que é para ti afinal um erro na gestação? Medita nessa afirmação que acabaste de fazer. E não quero que me respondas. Quero apenas que analises o que entendes por “erro” porque muito dessa introspecção estão dependentes diversos pontos de conclusão. Se chegares à conclusão de que “erro” é aquilo que é diferente então estás a por em causa a tua própria condição.

Não sei se te estás a aperceber mas estás a equiparar transexualidade a uma má formação de feto e a uma deficiência genética sem grande ponto de validade e isso é, como podes calcular, ofensivo.

A titulo de curiosidade, uma vez vi um programa onde diziam que apos terem feitos autopsias a diversos T's, descobriram que estes tinham uma zona no cerebro de dimensoes inferiores aos hetero e homossexuais! :)

E eu já vi programas a validarem a inferioridade intelectual dos povos africanos, a exaltarem o tamanho do cérebro masculino como superior em tamanho ao feminino e outras barbaridades do género. Até a aplaudirem os feitos de um porco a saltar de um arco em chamas.
Isso não quer dizer que eu concorde ou aplaude tudo o que dizem só porque aparece na televisão.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 13.fev.2008, 09:36:14
Não tem muito a haver com o que disseste. E porquê um smile depois de dizeres que uma zona do cérebro era menor nas pessoas transsexuais?...

Porque era um dado a titulo de curiosidade e que não estava relacionado directamente com o assunto, e achei que era interessante!

Com todo o meu respeito, mas acho que começas a ver fobia onde ela não existe!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 13.fev.2008, 09:38:48

Olá, David Eriff, obrigada pela intervenção, mas don't worry, I can handle it ;)

Errr...u can handle it? Mas isto agora tornou-se sem um perceber um "eu contra os T's" ?  Uma pessoa tem uma duvida, explica uma linha de raciocinio e pimba, é logo visto como o super fobico que odeia todas as pessoas! Talvez seja melhor da proxima ficar calado e não pedir informação!  :-X
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 13.fev.2008, 09:52:37
Centro, eu gosto muito, muito de ti e é por isso que me está a custar imenso ver-te seguir essa linha de pensamento.

O que é que é para ti afinal um erro na gestação? Medita nessa afirmação que acabaste de fazer. E não quero que me respondas. Quero apenas que analises o que entendes por “erro” porque muito dessa introspecção estão dependentes diversos pontos de conclusão. Se chegares à conclusão de que “erro” é aquilo que é diferente então estás a por em causa a tua própria condição.

Não sei se te estás a aperceber mas estás a equiparar transexualidade a uma má formação de feto e a uma deficiência genética sem grande ponto de validade e isso é, como podes calcular, ofensivo.

Desculpa David, mas eu não consigo perceber de todo qual é o grande problema com esta linha de pensamento, percebo que possa ser incomoda para alguns mas como ja referi, ja discuti com T's acerca deste assunto e alguns deles assumem que realmente pode ser um defeito genetico!
Vamos lá a ver, a homossexualidade tambem pode ser considerada um defeito genetico, ou um erro genetico, usando o teu termo, mas vamos analisar o que é um erro! Erro é o que é diferente, é o que sai da norma? Não, não é, ser-se homossexual não é pertencer-se à maioria mas para mim não é um erro genético e porque? Porque não invalida em nenhum momento da tua vida a tua existencia, se não existisse preconceito claro! É algo como ter olhos azuis, ou verdes, ou castanhos!
Agora ser-se T! Ser-se T implica logo que haja um antagonismo entre dois generos, o psiquico e o fisico, o que leva a que haja sofrimento por parte da pessoa, mesmo sem o factor preconceito, porque implica um periodo de rejeição do corpo e muitas sujeitar-se a operações complicadas! Não é como ser-se homossexual, onde tu andas com a tua vida sem teres de proceder a nenhuma mudança, isto pensando que nao existe preconceito, enquanto os T's necessitam de fazer mudanças para serem felizes!
Não vejo que seja tão horrivel assim pensar que se houvesse maneira, era bom que todas as pessoas nascessem com o seu genero biologico igual ao psiquico, porque não é para que toda a gente seja igual à norma não, é que qual é o sentido de alguem nascer fora da norma só para sofrer imenso para voltar para dentro dela? Isso é que não entendo, porque os homossexuais nascem fora da norma e continuam fora dela! Os T's a certa altura deixam de ser T's e passam a ser homens e mulheres na sua totalidade! [não estou a querer apontar com isto o dedo aos T's que querem ficar iguais à norma, só para evitar ja possiveis confusoes!]

Pessoalmente, acho que ser T é exactamente como ser albino, nao existe mal nenhum, mas se fosse possivel evitar essa condição não era melhor?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 13.fev.2008, 10:59:41
[quote author=centro_da_gravidad link=topic=13279.msg644872#msg644872 date=1202896357

Pessoalmente, acho que ser T é exactamente como ser albino, nao existe mal nenhum, mas se fosse possivel evitar essa condição não era melhor?

[/quote]

Não é uma questão de achar! O albinismo é uma doença, a transexualidade não. Não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra. O albinismo não é apenas ser diferente em termos de aspecto, é uma doença genética que provoca uma série de complicações a nível fisiológico, além do que se vê. Em casos extremos os albinos podem por exemplo ficar cegos ou amblíopes, desenvolver cancros de pele e muitos outros problemas de saúde.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 13.fev.2008, 11:56:15

Não é uma questão de achar!

Desculpa, mas é a minha opinião, e acho um bocado antipatico da tua parte usares um tom redutor da minha opinião!  :)

Por curiosidade, ter dupla personalidade é considerado uma doença?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 13.fev.2008, 11:59:55

Não é uma questão de achar!

Desculpa, mas é a minha opinião, e acho um bocado antipatico da tua parte usares um tom redutor da minha opinião!  :)

Por curiosidade, ter dupla personalidade é considerado uma doença?

Não era essa a intenção. O que eu queria dizer com, não é uma questão de achar, é que não nos cabe a nós decidir ou especular sobre a transexualidade ser uma doença. O Albinismo é uma patologia, a transexualidade não. É o que é considerado pela comunidade médica e científica. Ter dupla personalidade não sei. Tenho de ir ver outra vez... :) Sei que existem patologias que o provocam, a dupla e a múltipla personalidade, mas não sei se todas as formas de dupla personalidade são patologias...
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 13.fev.2008, 12:03:41
É o que é considerado pela comunidade médica e científica.

Ok sem mal :)
Mas desculpa nao concordar contigo com a parte de ser considerado pela comunidade medica e cientifica, porque pode-o ser, mas a homossexualidade tambem era considerada uma doença pelas mesmas comunidades até pouco tempo!
O facto de medicos e cientistas dizerem X não quer dizer que eu não possa pensar de maneira diferente e questionar, porque se assim não fosse, a ciencia nao evoluia! :)



Acho que talvez muita da discussão que aqui esteja em causa é acerca do termo doença em si! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 13.fev.2008, 16:04:55
É o que é considerado pela comunidade médica e científica.

Ok sem mal :)
Mas desculpa nao concordar contigo com a parte de ser considerado pela comunidade medica e cientifica, porque pode-o ser, mas a homossexualidade tambem era considerada uma doença pelas mesmas comunidades até pouco tempo!
O facto de medicos e cientistas dizerem X não quer dizer que eu não possa pensar de maneira diferente e questionar, porque se assim não fosse, a ciencia nao evoluia! :)



Acho que talvez muita da discussão que aqui esteja em causa é acerca do termo doença em si! :)

É óbvio que os médicos e cientistas se enganam. É preciso ver que a ciência é feita num contexto histórico, cultural e tecnológico. Mas existem códigos que servem para que as pessoas se entendam. O que é considerado doença é o que é no actual contexto em que vivemos. E a definição de doença é a que vem no dicionário. Porque se cada um de nós vai considerar uma coisa diferente nem sequer vale a pena conversar porque vamos estar a falar de coisas diferentes. Se é ou não considerado doença hoje em dia? não é. É óbvio que isso não significa que não se possa vir a descobrir uma razão para que passe a ser considerada doença.

Eu pessoalmente até conheço transexuais, mas não faço a mais pequena ideia do que se passa em termos fisiológicos ou psicológicos.

Agora comparar com o albinismo, por exemplo, não faz qualquer tipo de sentido. O albinismo é uma doença genética mais do que conhecida, estudada e documentada. A transexualidade, não. Não há nenhum estudo que indique qualquer predisposição genética (para a homossexualidade sim!). 

Eu quando não sei de alguma coisa confio em quem supostamente deverá saber. Sou bióloga, não sou médica. Por acaso até sou cientista, mas trabalho numa área completamente diferente (detesto biomedecina e genética humana e tudo o que tenha a ver com biologia humana :)). Ou seja, neste assunto o máximo que posso fazer é pesquisar e saber o que pensa quem trabalha directamente com isso e tem formação para o fazer. 
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 13.fev.2008, 16:10:13
Há vários cientistas empenhados em descobrir uma base genética para a homossexualidade e alguns deles têm feito progressos interessantes. Se realmente conseguirem encontrar alguma característica genética exclusiva dos homossexuais será considerada uma doença? 

Desde que não haja implicações na saúde física e mental, claro q nao vai ser considerado uma doença! Apenas uma variaçao genética (alelo) menos comum para o carácter da sexualidade.

Ter sangue O+ nao é doença nenhuma, e no entanto é muito raro.


Apenas poderia ser considerado uma variaçao genética inviável devido à descontinuidade que traria à espécie, resultando na sua extinção. Mas felizmente só afecta a minoria ^^'

Pois era exactamente isso que eu queria fazer passar... Se calhar não consegui. O facto de ser genético não significa que seja uma doença! o facto de existir variabilidade genética dentro de uma espécie é o que lhe permite adaptar-se a mudanças e ter plasticidade.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: estrela_cadente em 13.fev.2008, 17:35:51
Tópico interessante. 

Na minha opinião não considero que a transexualidade seja uma doença.
Acredito que haja indíviduos que não se identificam com o próprio corpo, e que queiram alterar.
É um processo demoroso e acredito que seja doloroso para a própria pessoa (e tb para a familia), mas acho que vale sempre a pena, se for para o bem-estar/felicidade da pessoa transexual.
Inclusivé  se os medicos concordarem, é porque realmente a pessoa se vê como um transexual.   ;)


 
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bITaS em 14.fev.2008, 11:14:06
Acho que há aqui duas linhas de pensamento diferente e por isso é que não se ajustam. Por um lado uma que fala da avaliação pela norma maioritária (como é que a maioria das pessoas são e como se espera, por isso, que todas sejam) e outra que fala de qual é o critério para se considerar uma doença ou não (com base que há pessoas que passam mal, por não se sentirem bem no corpo com que nasceram). Uma, parece-me, fala da categoria da normalização como se doença implique uma "anormalidade" ("não é suposto ser-se assim para ser funcional") e outra na perspectiva se há necessidade de intervenção por algo intrínseco, se há sintomas de mal-estar, se há necessidade de intervenção a algum nível da área da saúde, devido a essa rejeição do corpo que se tem, rejeição essa que se julga ser inata. E com este resumo não estou a apresentar a minha opinião pessoal, mas aquilo que me parece tem sido argumentado nos últimos posts.

Responder
A transsexualidade é acerca do papel de género que ocupamos na sociedade. Só são reconhecidos dois, homem ou mulher, ambos fruto das convenções culturais muito mais do que alguma vez seriam da biologia, e, por razões que são diferentes de pessoa para pessoa, há os que se sentem melhor vivendo no papel de género que a sociedade faz corresponder ao sexo atribuído ao nascimento (cissexuais), e há os que se sentem melhor vivendo no oposto (transsexuais).

Nas definições que tenho lido a isto refere-se o transgenerismo e a transexualidade seria um caso em particular ligeiramente diferenciado. Esta definição dá-me ideia que recusa o reconhecimento ou validação de frases como por exemplo a que li hoje do Lucas Silveira que diz que sente que falta o pénis - como se fosse suposto ter nascido assim - (mesmo que tenha optado por não fazer mudanças se não a remoção dos seios). Ou seja, a definição clássica tem sido que há um desajuste com o corpo (e isto aconteceria sempre, em qualquer contexto sócio-cultural) e não que há uma necessidade de ajuste do corpo para se adequar aos modelos convencionais e assim poder ser-se melhor/mais facilmente o género psicológico que se é (ou seja sentir-se melhor). Neste último caso seria válido dizer que se passasse a existir a aceitação dos comportamentos de género, independentemente do corpo que os manifesta, muitos transexuais deixariam imediatamente de ter desejo de alterar o seu corpo? Este é um dos pontos que nunca vi claramente assente nos debates que leio sobre o que é a transexualidade. Encontra-se constantemente visões e definições diferentes.

subscrevo o exposto e tenho a mesma dúvida.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 14.fev.2008, 11:44:50
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: wizardsoul em 14.fev.2008, 12:09:59
Acho que se está a bater muito no centro, por uma questao que ele apenas colocou a debate e que mais gente deve ter curiosidade em ver respondida, por isso deve ser considerada como algo interessante a debater e não como uma maneira de onfender qualquer pessoa que frequente este forum.

Sem dúvida que podem existir aspectos mais importantes.

A minha pergunta para o centro é se um «erro genético» é sinónimo de doença? Quando é que um erro genético se torna doença?

Acho que estiverem a debater mais a denominação atribuida que outra coisa qualquer, porque a definição de doença tem uma extrema carga negativa.
Porque a primeira coisa que nos surge á cabeça é que é algo extremamente negativo, mortifero e que nos transforma em seres inferiores.
 



 


Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: estrela_cadente em 14.fev.2008, 14:54:40
Doença, sim. Sem dúvida.
Vai além do comportamental: há um não reconhecimento do corpo e um desejo de mutilação. Alterando significativamente a vida do sujeito e muitas das vezes pondo mesmo esta em risco.
O tratamento desta patologia passa pela alteração física do sujeito, não tenho grandes dúvidas quanto a este tópico mas também penso que não devemos encarar a realidade com a conotação negativa que muitas vezes vejo associada.
Preocupa-me mais a lentidão com que alguns dos casos são seguidos do que se é doença ou não, por exemplo.

Se consideras a transexualidade uma doença (se é doença é curável ?  destroi a vida de indivíduo ?), gostaria que me explicasses em que medida destroi a vida de um individuo, (no caso de essa pessoa não chegar a fazer alteração nenhuma, e mesmo se fizer e correr bem)   e em que parte consideras mutilação, que não compreendo, eu vejo é uma alteração do corpo, agora mutilação ? :o   Por mutilação  eu entendo tirar um braço, uma perna, um membro qualquer que torna a pessoa deficiente. Não me parece que seja  esse o caso .
Os médicos, cientistas, e psicólogos penso que estão mais aptos para classificar melhor se a transexualidade é considerada doença ou não.
Se expusesses a tua opinião era uma coisa, agora estás a fazer uma afirmação completamente radical em relação a um assunto tão delicado.
Seguindo a lógica do teu raciocinio a homosexualidade tb poderia ser considerada uma doença, pois segundo a humanidade o homem e a mulher têem um papel relevante na sociedade, nasceram para procriar.    E penso que já chegámos à conclusão que as coisas não são tao lineares assim...

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 14.fev.2008, 19:03:08
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 14.fev.2008, 19:09:34


A minha pergunta para o centro é se um «erro genético» é sinónimo de doença? Quando é que um erro genético se torna doença?

Acho que estiverem a debater mais a denominação atribuida que outra coisa qualquer, porque a definição de doença tem uma extrema carga negativa.
Porque a primeira coisa que nos surge á cabeça é que é algo extremamente negativo, mortifero e que nos transforma em seres inferiores.
 
Realmente a definição de doença tem uma extrema carga negativa, foi por isso que logo de inicio pedi para nao verem o termo doença com essa conotação!

Respondendo à tua pergunta, não, um erro genético nao tem que ser sinonimo de doença, mas quando um erro genetico leva a que um individuo nao possa viver em harmonia com as consequencias desse erro creio que se passa a considerar doença!

Mas nao falando de erros geneticos, imagine-se que na altura da gestação onde existe o desenvolvimento do genero psiquico existe uma quantidade anormal da hormona X que provoca um desenvolvimento erroneo desse genero! Será que se se provasse a existencia dessa hormona e do que ela causava não seria em termos de saude melhor que se evitasse o desenvolvimento de pessoas T devido ao sofrimento que elas iriam passar?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 14.fev.2008, 19:17:46
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 14.fev.2008, 19:20:22

Mas nao falando de erros geneticos, imagine-se que na altura da gestação onde existe o desenvolvimento do genero psiquico existe uma quantidade anormal da hormona X que provoca um desenvolvimento erroneo desse genero! Será que se se provasse a existencia dessa hormona e do que ela causava não seria em termos de saude melhor que se evitasse o desenvolvimento de pessoas T devido ao sofrimento que elas iriam passar?


Isso sim é um assunto melindroso, julgo que tal acção só faria sentido se previamente fosse comprovado que mais de 98,9% das pessoas nessa situação que descreves, seriam transexuais que mais tarde seriam submetidos a cirurgia. Caso contrario estamos a impor, estamos a seleccionar… isso lembra-me os nazis e arrepia-me, assim…bastante.

Obviamente que apenas seria uma situação aplicável com dados cientificos fiaveis e que levasse melhorias significativas à vida dos implicados! Não quero levar a uma linha de pensamento de selecção humana em vez de natural! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 14.fev.2008, 19:22:55
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 14.fev.2008, 19:24:01
Claro, entendo. Só me estava a salvaguardar mas só depois de ouvir a opinião de um transsexual é que faria sentido, há coisas que nos escapam quando analisamos as coisas de fora.

Sim é verdade!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 14.fev.2008, 19:28:37
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: David Erif em 14.fev.2008, 20:19:30
Doença, sim. Sem dúvida.
Vai além do comportamental: há um não reconhecimento do corpo e um desejo de mutilação. Alterando significativamente a vida do sujeito e muitas das vezes pondo mesmo esta em risco.
O tratamento desta patologia passa pela alteração física do sujeito, não tenho grandes dúvidas quanto a este tópico mas também penso que não devemos encarar a realidade com a conotação negativa que muitas vezes vejo associada.
Preocupa-me mais a lentidão com que alguns dos casos são seguidos do que se é doença ou não, por exemplo.

>:( >:( >:( >:( >:( >:( >:( >:( >:(

Precisamente o tipo de resposta que este Tópico chama

Pincexa, O tema é pertinente, as questões de genética interessantes e a desinformação deve ser combatida. Mas não nestes moldes. Este é um fórum dirigidos a jovens que já têm de carregar com o fardo de lhe serem chamados de anormais e de doentes em vários sectores da sociedade e é uma total falta de consciência pôr-se a perspectivar a transexualidade dessa maneira quando o propósito deste fórum é servir precisamente de abrigo a esse tipo de preconceitos.

Ora, vamos por isto por miúdos:

- Ninguém gosta que lhe chamem de doente.
- Os homossexuais não gostam que lhes chamem de doentes.
- Os transexuais não gostam que lhes chamem de doentes e tal como os homosexuais não se consideram como tal.
- O próprio sector clínico não os considera doentes.

“Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?” – Não! Ponto Final. Acho que a resposta a essa pergunta inoportuna para este fórum já há muito que foi respondida.


Ora, haverá por aqui algum médico especialista na área para se pronunciar em contrário?

um individuo nao possa viver em harmonia com as consequencias desse erro creio que se passa a considerar doença!
Sem qualquer sentido de ofensa centro - tu és um estudantes de enfermagem, não és nenhum especialista no campo para te pores a fazer afirmações desse género tomando-as como conceito certo. As tuas considerações são tuas e pautando-se pelo preconceito eu pedia que as guardasses para ti.

Eu escrevi exactamente aquilo que escrevi, nem mais nem menos.


Desculpa Alice mas as tuas palavras não foram tão concretas ou lineares quanto isso. Eu já estava mentalmente a chamar-te de todos os nomes possíveis até ver este post.

Acho que antes de dizeres incongruências e de te pores a debitar opiniões pessoais sem validade médica e ficares à espera da reacção e opinião de um T, deverias era antes teres lido todos os posts do tópico

Aguardaremos então mas acho a tua questão muito pertinente ;)

Não, não é.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 14.fev.2008, 20:40:29
Desculpa David, mas eu não sou estudante de enfermagem mas sim de ciencias farmaceuticas!

Além disso questionar as coisas, que é diferente de afirmá-las, não é ser-se preconceituoso, é ter necessidade de informação para se poder combater preconceito!

És muito boa pessoa mas a imagem que estas a transparecer nestes posts é de alguem intolerante em relação à opinião e duvidas de terceiros!

Não é por pores um ar zangado e dizer que não é pergunta que se faça que eu vou deixar de pensar que a transexualidade pode ser devida a uma doença, as pessoas não evoluiem a nivel de opiniões simplesmente pensando que como os outros não gostam é melhor não se pensar assim!

Ninguem gosta de ser chamado doente é verdade, mas muita gente tambem rejeita a sua sexualidade até a aceitar! Não quero aqui dizer que os T's são necessariamente doentes mas às vezes não se gostar de ser chamado X seja igual a não se ser X!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Blur em 14.fev.2008, 20:45:18

Desculpa Alice mas as tuas palavras não foram tão concretas ou lineares quanto isso. Eu já estava mentalmente a chamar-te de todos os nomes possíveis até ver este post.

Acho que antes de dizeres incongruências e de te pores a debitar opiniões pessoais sem validade médica e ficares à espera da reacção e opinião de um T, deverias era antes teres lido todos os posts do tópico


Nem mais. E saber que eles tb lêem também estes posts. É suposto aparecerem aqui uns a argumentarem que não são doentes? Pelo menos no sentido de doença que a pessoa comum interpreta. Isso de definições pessoais de termos é muito avançado para mim.

A "curiosidade" individual acima de tudo. Pouco importa ferir suceptibilidades, principalmente num assunto tão delicado quanto este num fórum onde obviamente isso irá acontecer.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 14.fev.2008, 20:55:24
A "curiosidade" individual acima de tudo. Pouco importa ferir suceptibilidades, principalmente num assunto tão delicado quanto este num fórum onde obviamente isso irá acontecer.

Acho que se fizerem um julgamento justo do que ja se disse neste topico poderão comprovar que toda a discussão foi feita de uma forma branda, respeitosa e sem tentar impor verdades sobre as caracteristicas das outras pessoas!
No entanto parece que preferem que se calem as coisas do que se as discutam de forma clara e sem provocações! Porque podemos não falar das coisas aqui, podemos não esclarecer os outros, podemos fingir que está tudo bem e que ninguem tem dúvidas, mas garanto que lá fora as coisas falam-se e são quase, se não sempre, faladas de forma negativa, depreciativa e bastante intolerante!

Aqui ninguem, mas ninguem mesmo, disse coisas desrespeitosas acerca das pessoas T, apenas indagou quais os processos que poderiam levar à transexualidade, e se esses processos poderiam ou não ser considerados uma doença! Não se está a fazer uma cruzada contra as pessoas T, e quem se da ao trabalho de ler o topico inteiro constata isso! Agora se querem fazer do forum um sitio onde ninguem pergunta, ninguem duvida, ninguem indaga, somente para se dar a ideia, falaciosa, de segurança plena, isso é a vossa intenção, e de forma alguma a critico! Apenas não a tentem impor aos outros!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 14.fev.2008, 21:48:07
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: wizardsoul em 14.fev.2008, 21:57:58
Responder
Pincexa, O tema é pertinente, as questões de genética interessantes e a desinformação deve ser combatida. Mas não nestes moldes. Este é um fórum dirigidos a jovens que já têm de carregar com o fardo de lhe serem chamados de anormais e de doentes em vários sectores da sociedade e é uma total falta de consciência pôr-se a perspectivar a transexualidade dessa maneira quando o propósito deste fórum é servir precisamente de abrigo a esse tipo de preconceitos.

Ora, vamos por isto por miúdos:

- Ninguém gosta que lhe chamem de doente.
- Os homossexuais não gostam que lhes chamem de doentes.
- Os transexuais não gostam que lhes chamem de doentes e tal como os homosexuais não se consideram como tal.
- O próprio sector clínico não os considera doentes.

“Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?” – Não! Ponto Final. Acho que a resposta a essa pergunta inoportuna para este fórum já há muito que foi respondida.


David vamos lá ver se nos entendemos em algum momento me viste defender que eram doentes? Não viste-me colocar uma pergunta ao centro.
Continuo a denfender que não devemos cair em extremismos nem fazer redomas de vidro porque as coisas são sensiveis, não viste ninguem insultar ng viste pessoas a porem questões, e tem todo o direito a coloca-las e a debate-las se não forem contra ninguém e as acharem pertinentes de ser discutidas.

“Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?” – Não! Ponto Final.

A tua resposta foi completamente linear, e sem dares uma justificação, quem tivesse uma dúvida continuaria na mesma, e o centro continua na mesma, apresenta-lhe dados informaçoes que o façam mudar de ideias, continuar a sr linear e sem ouvir o centro quando ele te disse que não estava a ser linear na aplicação da palavra e voltaste a ser linear ao dizer que a qustão não é pertinente por não o ser para ti.

Não estou a defender ninguém estou a defender o debate do tema para alem da frase do tópico.

Centro no que toca a mim eu não sei as respostas que os estudos irão trazer no futuro , seria necessário uma grande base de comprovação, para mim até estudos concretos me indicarem o contrário, continuarei a pensar que a transexualidade não é uma doença.


Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: jackie em 14.fev.2008, 22:17:39
Doença, sim. (...) há um não reconhecimento do corpo e um desejo de mutilação. Alterando significativamente a vida do sujeito e muitas das vezes pondo mesmo esta em risco.

She's got a point  ::)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Chuva de Verão em 14.fev.2008, 23:14:06
Na verdade acho que este até é um tópico bastante interessante, até pela própria maneira como o Centro apresentou a sua dúvida. Acho que por vezes neste fórum se faz um pouco "caça às bruxas"... Com isto não quero ofender ninguém, mas acho que, para além de ser um "porto de abrigo" para as pessoas, este fórum tem também o objectivo de informar as pessoas, de vermos as nossas dúvidas respondidas, e se não resolvidas, pelo menos debatidas. É assim que se avança, é assim que se aprende.

Em relação à dúvida em si, acho que é bastante pertinente, tanto para mim, como para pelo menos mais uma pessoa com quem falei. Pelo que percebi, o que se pretende saber é até que nível poderemos considerar a transexualidade uma doença, dando-se neste caso à palavra doença um significado que pode não se enquadrar com o que correntemente lhe damos, o qual até poderá nem ser o mais correcto cientificamente. Eu compreendo bastante bem as dúvidas do Centro, e tenho-as eu também. Gostaria de ler mais respostas a este tópico, de transexuais inclusivé, por isso mesmo. Segundo a definição que o Centro dá a doença (não directamente, mas subentendida) até acho que se possa considerar uma doença, mas como disse, somente nesses moldes. Não da maneira negativista que lhe é atribuida geralmente.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Reborn em 15.fev.2008, 00:21:20
Eu não vejo a transexualidade como uma doença. Aliás será tanto doença como a homosexualidade ou a bisexualidade. Só recentemente é que comecei a discutir questões de orientação sexual com outras pessoas, porque também eu tenho problemas de indefinição sexual que quero resolver. Ainda que saiba que a transexualidade não se prenda com orientação sexual mas mais com identidade de género gostava de deixar a minha opinião, enquanto pessoa que sou, sobre o assunto.

Portanto a maioria das pessoas são heterossexuais, e vivemos numa sociedade, e num mundo, edificado principalmente na junção de opostos, na procura de um equílibrio. Acontece pois que uma minoria da população, não se identifica como sendo hetero. Atrevo-me também a dizer que por norma todos os seres humanos são susceptíveis de alterar involuntariamente a sua orientação sexual, e ao dizer involuntariamente salvaguardo todos os factores que passam pelas vivências do indivíduo, por factores biológicos, até a um contexto socio-cultural deste. Se me perguntarem se nascemos todos com um mecanismozinho que dita se somos hetero, homo, etc, digo que é mentira, ainda que conceba um lugarzinho para uma certa propensão característica a cada pessoa.

Não me deviando muito do assunto, os problemas de orientação e identidade sexual são comuns a toda a juventude LGBT. E sim, eu vejo as coisas dum modo simples, o T tem exactamente a mesma relevancia que qualquer uma das outras iniciais. Dizer que a transexualidade é uma doença é limitador. Eu vejo homosexualidade, heterosexualidade e transexualidade como 'condições'. De facto é muito limitado ver estas condições como estáticas. Meus caros na natureza tudo se mexe, e as dúvidas de orientação sexualidade e problemas de identidade de género são manifestações disso no nosso cérebro.
O cérebro é uma coisa fantástica que vamos trabalhando... moldamos gostos, alteramos hábitos, temos feitios, disposições, e tudo isto muda, as pessoas crescem na medida em que vivem e moldam a sua individualidade com o decorrer do tempo e do espaço.
Se individuo A, B ou C tem problemas de identidade de género é perfeitamente normal. É uma doeça? Não...é uma condição, um nó (mais ou menos maior) na cabeça mas não é fatal. É uma pessoa que 'padece' de um problema mental com certeza, mas por favor, há que saber libertarmo-nos das conotações de 'problema mental' porque senão andamos aqui a dizer que meio mundo é 'atrasadinho'.

Problemas de maior traz a questão, como lidar com a Homo/Trans sexualidade? (Excluo a Bi e a Hetero pois são menos exploradas pela sociedade)
Ora a sociedade (sem ser necessariamente por meio de psicólogos e derivados) não ajuda nadinha a lidar com estas cruzadas cerebrais. Na natureza, não só a humana, a exclusão é a melhor maneira de depurar os defeitos da espécie, e no caso especifico da sociedade Humana, este modo de lidar com as diferenças (ou com os diferentes) processa-se pela descriminação. Sim! aquela amiga maravilhosa com uma perfídia tão... do Homem. ::)
Como seres racionais que somos e se com sorte tivermos uma educação de qualidade temos de aprender a lidar com as coisas de frente. A condição de um transexual é tão válida como a de um heterosexual. Só porque ninguém implica como hetero por não contrastar na multidão, não significa que o transexual tenha de se estar a justificar e/ou adaptar ao meio.

Para resumir isto (bah... hábito horrivel de não conseguir argumentar com pés e cabeça =P)

Catalogar a transexualidade como doença é deficiente, e surge em parte da necessidade que a nossa espécie tem de rotular tudo, de arranjar equações para mais alguma coisa etc etc. Acho que os próprios conceitos de Hetero ou Homosexualidade são um tanto redutores, porque a pessoa vai muito para além da orientação sexual. Não ignoro que o transexual tem uma condicionante de enorme peso, que é o desencontro entre corpo e mente, mas felizmente já se dão os primeiros passos para poder tornar a existência destas pessoas mais fácil. Áparte o que as cirurgias oferecem, o mais importante é a humanidade com que se trata psicologicamente esta questão e estas pessoas, temos de nos saber entregar, saber ouvir, aconselhar, acompanhar, tentar compreender, ao fim e ao cabo estender a mão sem cair em exageros e sem tratar com condescendencia como se tratasse de uma invalidez. Sei que parece complicado, há todo o preconceito a inibir o diálogo entre as pessoas, mas depois de ultrapassada esta barreira acredito que a sociedade em que vivemos será mais madura e mais humana.

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Chuva de Verão em 15.fev.2008, 00:38:30
Aliás será tanto doença como a homosexualidade ou a bisexualidade.

O cérebro é uma coisa fantástica que vamos trabalhando... moldamos gostos, alteramos hábitos, temos feitios, disposições, e tudo isto muda, as pessoas crescem na medida em que vivem e moldam a sua individualidade com o decorrer do tempo e do espaço.
Se individuo A, B ou C tem problemas de identidade de género é perfeitamente normal. É uma doeça? Não...é uma condição, um nó (mais ou menos maior) na cabeça mas não é fatal. É uma pessoa que 'padece' de um problema mental com certeza, mas por favor, há que saber libertarmo-nos das conotações de 'problema mental' porque senão andamos aqui a dizer que meio mundo é 'atrasadinho'.

Ora a sociedade (sem ser necessariamente por meio de psicólogos e derivados) não ajuda nadinha a lidar com estas cruzadas cerebrais. Na natureza, não só a humana, a exclusão é a melhor maneira de depurar os defeitos da espécie, e no caso especifico da sociedade Humana, este modo de lidar com as diferenças (ou com os diferentes) processa-se pela descriminação. Sim! aquela amiga maravilhosa com uma perfídia tão... do Homem. ::)
Como seres racionais que somos e se com sorte tivermos uma educação de qualidade temos de aprender a lidar com as coisas de frente. A condição de um transexual é tão válida como a de um heterosexual. Só porque ninguém implica como hetero por não contrastar na multidão, não significa que o transexual tenha de se estar a justificar e/ou adaptar ao meio.

Em relação à primeira frase, acho que o Centro, quando fala em doença, e ele próprio já disse isto num post, mas ninguém melhor que ele para responder a isso, fala de algo que, mesmo sem contarmos com os problemas sociais (impostos pela sociedade em que vivemos), é algo susceptível de nos criar qualquer tipo de sofrimento. Este sofrimento não vai existir num homosexual ou num bisexual, pois o sofrimento que existe é todo decorrente da própria sociedade. No caso dos transexuais, eles vão sofrer pela parte da sociedade, mas também pela parte de si mesmos, pela inadequação da mente ao corpo. Isto suponho eu, pois não conheço nenhum, e isto são simplesmente considerações da minha parte.

Penso em transexualidade mais como um problema físico que mental. Mentalmente a pessoa não terá dúvidas em relação à sua identidade de género, só que sabe que o seu corpo não se adequa àquela. Novamente considerações minhas.

Penso que ninguém aqui quis dizer que os transexuais se deviam "adaptar ao meio" ou esconder a sua condição (isto num mundo ideal em que não houvesse discriminação, o que na realidade não acontece...)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Reborn em 15.fev.2008, 01:20:44

Em relação à primeira frase, acho que o Centro, quando fala em doença, e ele próprio já disse isto num post, mas ninguém melhor que ele para responder a isso, fala de algo que, mesmo sem contarmos com os problemas sociais (impostos pela sociedade em que vivemos), é algo susceptível de nos criar qualquer tipo de sofrimento. Este sofrimento não vai existir num homosexual ou num bisexual, pois o sofrimento que existe é todo decorrente da própria sociedade. No caso dos transexuais, eles vão sofrer pela parte da sociedade, mas também pela parte de si mesmos, pela inadequação da mente ao corpo. Isto suponho eu, pois não conheço nenhum, e isto são simplesmente considerações da minha parte.

Penso em transexualidade mais como um problema físico que mental. Mentalmente a pessoa não terá dúvidas em relação à sua identidade de género, só que sabe que o seu corpo não se adequa àquela. Novamente considerações minhas.

Penso que ninguém aqui quis dizer que os transexuais se deviam "adaptar ao meio" ou esconder a sua condição (isto num mundo ideal em que não houvesse discriminação, o que na realidade não acontece...)

Ora bem, pelo que estou a perceber então o termo 'doença' terá sido uma infelicidade, pois nem tudo o que traz sofriemento é doença...problemas são coisas da vida enfim. E também não me parece que o sofrimento do homossexual seja só orginário da sociedade, existem aquelas pessoas que simplesmente não se aceitam como são, mas cada caso é um caso.

Discordo da definição de 'problema fisico', o problema da transexualidade será mais mental que físico, o intelecto é que coordena as acções corporais. Se há um sofrimento por o corpo e a mente estarem dessintonizados isso manifesta-se a nível mental. Há que não esquecer que o corpo é só uma maquina, o corpo é por si só a nossa parte animal. O ser racional é que sabe o que é sofrimento não físico. Correcto será dizer que o aspecto físico é que origina desconforto/problema mental...anyway lá no fundo temos mesma opinião.
Permite só mencionar que deves inverter a tua expressão de 'inadequação da mente ao corpo'. A mente é soberana.

Quanto à parte da adaptação à socidedade não estava a querer refutar a opinião de ninguém, aliás todo o meu post é só o que eu penso, não tem em conta o que aqui foi dito por outras pessoas.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: David Erif em 15.fev.2008, 06:44:22
Desculpa David, mas eu não sou estudante de enfermagem mas sim de ciencias farmaceuticas!
Fica a correcção feita. Não quis de nenhum modo ser indelicado nesse aspecto. Penso que sabes isso.

Além disso questionar as coisas, que é diferente de afirmá-las, não é ser-se preconceituoso, é ter necessidade de informação para se poder combater preconceito!

Isso é tudo muito bem J. São palavras muito bonitas. Mas agora levanto eu a questão – porque é que não abordaste este tema com uma questão do género “Como é vista ou como deve ser encarada a transexualista no sector médico e pela sociedade?”
A tua pergunta não é neutra nem susceptível de uma resposta complementar para as dúvidas que possas ter nesse campo. Se fosse realmente o caso de obtenção de informação e se estivesses de facto preocupado com questões de preconceito terias reflectido um pouco melhor na tua pergunta tal como nas respostas que te foram dadas. O que me parece e o que é evidente é que já partiste de um ponto de vista teu e que apesar das várias respostas que te deram continuas a alimentar e a direccionar o teu discurso para o teu ponto de vista à espera que este seja validado por alguém como a Alice.
Isso, meu amigo, é que é imposição.

Quando dizes, e eu volto a citar:

 “quando um erro genético leva a que um individuo não possa viver em harmonia com as consequências desse erro creio que se passa a considerar doença!”

…É tudo, tudo, uma consideração pessoal.
O que é um erro genético J.?
Ser anão pode ser considerado um “erro” genético. Ser albino pode ser um “erro” genético.
Ter um seio maior que o outro pode ser um “erro” genético. Ter um olho de uma cor diferente ao do outro pode ser um “erro” genético. Ser-se calvo pode ser um erro genético. Até ser-se obeso.

Aquilo que chamas erro genético eu chamo de variações genéticas. Algumas podem ser alteradas e ajustadas, outras não. Mas nenhuma, nenhuma delas provocam deficiências que danifiquem o potencial físico e intelectual da pessoa que as têm, tal como uma doença o faz. 

Aquilo que tu chamas de doença eu chamo de condição. É tudo uma questão de semântica J. mas a importância está aí mesmo.

Stress e desajuste emocional de um individuo provocado pela não conformação da sua condição é sempre provável que ocorra mas não é um comportamento infalível de qualquer condição nem componente genética desta. Para que estes não ocorram muito depende do próprio empenho pessoal de criar uma auto-estima para si mesmo e da própria consideração que a sociedade dá a essa mesma condição. E digo-te já que considera-la como doença não ajuda em nada.

És muito boa pessoa mas a imagem que estas a transparecer nestes posts é de alguem intolerante em relação à opinião e dúvidas de terceiros!

Vamos lá ver uma coisa. Primeiro que tudo, não estou minimamente a importar-me com a imagem que faço passar. Isso para mim é treta. O que me importa é que defenda aquilo que me parece correcto e justo. Já fui em tua defesa em mais do que uma vez e continuarei a fazê-lo sempre que me parecer correcto fazê-lo J. Mas esta não é uma delas.
Estamos em pleno século XXI. Pegar em Condições, sejam elas alteráveis ou não, e rotula-las como anomalias é o que se fazia nos estados totalitários da segunda metade do século passado. Mas voltamos agora atrás no tempo?

Quanto às tuas dúvidas voltamos ao mesmo.
J. não me parece que vás encontrar aqui resposta de nenhum médico especialista neste assunto que te esclareça a fundo e com a sua fundamentação pessoal baseado em estudos próprios, quais os aspectos genéticos que levam à transexualidade. Qualquer resposta médica que possas ter aqui colocada será obtida de forma “copy-paste” de algum ponto da net e isso também tu podes faze-lo.

Agora discutir se a transexualidade é uma doença, quando já te disse que clinicamente não é considerada uma doença, nem física nem psicológica e que não há nenhum, mas repito, nenhum médico especialista nesse campo que aborde o caso e os seus intervenientes como doença ou como doentes e que estando tu a fazer presunções desse género sem qualquer validade médica acabas por ofender ou magoar alguém, parece-me desajustado, não achas?
Quem és tu e quem é qualquer um de nós para estar afirmar que é uma doença quando aqueles a quem compete de facto dize-lo e aqueles que o sentem na pele, dizem que não o é?

Discutir e questionar os aspectos genéticos da transexualidade é uma coisa. Estar aqui a tirar conclusões próprias, baseado em pareceres pessoais, indo em contra aquilo que é clinicamente corrente e tendo consciência de que ofende terceiros, é algo bem diferente.

Não vou repetir outra vez isto. Se não compreendes, então lamento J. e por todo o respeito que te tenho, sinto pena.

Ninguem gosta de ser chamado doente é verdade, mas muita gente também rejeita a sua sexualidade até a aceitar! Não quero aqui dizer que os T's são necessariamente doentes mas às vezes não se gostar de ser chamado X seja igual a não se ser X!

Ponto um, acho que toda a gente tem o direito e a liberdade para reclamar a dignidade de ser tratado e respeitado como quer.
Ponto dois, o respeito impõe-se não só por ser atestado por uma fonte fidedigna mas pela imposição moral de respeito ao próximo.
Se eu, como homossexual, não me considero doente e se clinicamente não me consideram doente então exijo e espero que não se refiram a mim como tal. O mesmo se aplica à transexualidade.

Acho que os ânimos já vão altos e sim podemos refutar a decisão da comunidade médica de doenças mentais mas para já a transexualidade é uma doença. É tratável mas é uma doença. Provavelmente a falta de formação na área da saúde mental de algumas pessoas pode provocar algum choque mas julgo que não temos a ganhar em assumir uma posição romântica.

Santa ignorância.
Desculpa-me mas a convicção das tuas palavras leva-me à frontalidade.
Alice. A transexualidade não é considerada uma doença mental. Nem pela psicologia, nem pela lei, nem por nada.
Os distúrbios mentais de um transexual, resultantes do não conformismo da sua condição são sim doenças mentais mas estes não resultam de factores genéticos ligados à transexualidade.
Pões-te a concordar com o centro, a dizer que sim que são doentes e nem sabes afinal do que se está a falar.

Situações de depressão, neurose e psicose e até bipolaridade podem ser impugnáveis a um t que não consiga lidar com a sua própria condição mas estas não são condições pré-dispostas à transexualidade em si. Um transexual pode muito bem sobrepor-se a isso tudo se tiver consciência de quem é e se conseguir encontrar meios de apoio emocional perante as suas próprias interrogações. E meio de apoio é precisamente uma das funções deste fórum. Aqui não se discrimina ninguém ou se refere aos outros como anormais ou doentes mentais, tá certo?

Devo lembrar que os transexuais não são nenhuns coitadinhos que precisem de pena, devemos trata-los com sobriedade, julgo que eles próprios estão cientes do que sentem e do alivio que é o tratamento do seu estado patológico (e para que fique claro, ao dizer isto refiro-me ao complexo tratamento psicológico, ao hormonal e por fim à alteração física proveniente da cirurgia).

Olha, eu aconselhava-te era que te informasses um pouco mais sobre a transexualidade porque vejo que tens muito pouca informação sobre o assunto.

Todo e qualquer transexual que opte (atenção à palavra pois trata-se efectivamente de uma opção pessoal) seguir o processo de mudança de sexo (e esta mudança pode inclusive não ser completa, atenção), tem, por imposição da lei, que ser submetido/a uma avaliação (não tratamento) psicológica para se determinar que a pessoa em questão é efectivamente trans ou meramente esquizofrénica porque se o for o processo (não tratamento ou cura, atenção à palavra) é-lhe negado. Esta avaliação é feita porque o processo é comparticipado pelo Estado Português e é imposta para que o processo de reconstrução física (também não é correcto dizer-se alteração) seja diferenciado de outros processos cirúrgicos do mesmo género considerados como bens de luxo. Refiro-me claro à cirurgia plástica.
Ora, essa avaliação psicológica, é sim muito demorada, como o fizeste denotar, mas não é objecto de nenhum tratamento.
Após se verificar que a pessoa não é esquizofrénica a avaliação prossegue em sucessivos testes para se assegurar de que o trans irá de facto sentir-se melhor mudando de sexo. É uma avaliação lenta e demorada. Imagino que seja sobretudo chata, mas, novamente, não é nenhum tratamento psicológico.

Um transexual é uma pessoa perfeitamente normal com disforia de género, ou seja, com a condição de sentir psicologicamente com um género diferente ao que nasceu fisicamente.
A problemática da situação poderá conduzi-lo/a a situações de distúrbio psicológico mas sob esse ponto de vista, também a uma mulher com os seios demasiado grandes, por exemplo.

David vamos lá ver se nos entendemos em algum momento me viste defender que eram doentes? Não viste-me colocar uma pergunta ao centro.

Pincexa, eu peguei no teu nome ao acaso. Ia corroborar com o que disseste e depois desviei-me por completo. Não te preocupes, não estava a apontar faltas.
Fui linear apenas porque já me estava a repetir.

Catalogar a transexualidade como doença é deficiente, e surge em parte da necessidade que a nossa espécie tem de rotular tudo, de arranjar equações para mais alguma coisa etc etc. Acho que os próprios conceitos de Hetero ou Homosexualidade são um tanto redutores, porque a pessoa vai muito para além da orientação sexual. Não ignoro que o transexual tem uma condicionante de enorme peso, que é o desencontro entre corpo e mente, mas felizmente já se dão os primeiros passos para poder tornar a existência destas pessoas mais fácil. Áparte o que as cirurgias oferecem, o mais importante é a humanidade com que se trata psicologicamente esta questão e estas pessoas, temos de nos saber entregar, saber ouvir, aconselhar, acompanhar, tentar compreender, ao fim e ao cabo estender a mão sem cair em exageros e sem tratar com condescendencia como se tratasse de uma invalidez. Sei que parece complicado, há todo o preconceito a inibir o diálogo entre as pessoas, mas depois de ultrapassada esta barreira acredito que a sociedade em que vivemos será mais madura e mais humana.

Reborn, estou a citar esta pequena parte do teu post, não apenas para o assinalar mas para demarcar o quanto gostei de o ler  :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro_da_gravidad em 15.fev.2008, 08:09:24
Penso que este documento em certa parte explica a minha posição relativamente a este tema! É bastante interessante por acaso!
http://www.trans-health.com/displayarticle.php?aid=16 (http://www.trans-health.com/displayarticle.php?aid=16)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Nanashi em 15.fev.2008, 11:18:23
Eu não vejo a transexualidade como uma doença. Aliás será tanto doença como a homosexualidade ou a bisexualidade. Só recentemente é que comecei a discutir questões de orientação sexual com outras pessoas, porque também eu tenho problemas de indefinição sexual que quero resolver. Ainda que saiba que a transexualidade não se prenda com orientação sexual mas mais com identidade de género gostava de deixar a minha opinião, enquanto pessoa que sou, sobre o assunto.

Portanto a maioria das pessoas são heterossexuais, e vivemos numa sociedade, e num mundo, edificado principalmente na junção de opostos, na procura de um equílibrio. Acontece pois que uma minoria da população, não se identifica como sendo hetero. Atrevo-me também a dizer que por norma todos os seres humanos são susceptíveis de alterar involuntariamente a sua orientação sexual, e ao dizer involuntariamente salvaguardo todos os factores que passam pelas vivências do indivíduo, por factores biológicos, até a um contexto socio-cultural deste. Se me perguntarem se nascemos todos com um mecanismozinho que dita se somos hetero, homo, etc, digo que é mentira, ainda que conceba um lugarzinho para uma certa propensão característica a cada pessoa.

Não me deviando muito do assunto, os problemas de orientação e identidade sexual são comuns a toda a juventude LGBT. E sim, eu vejo as coisas dum modo simples, o T tem exactamente a mesma relevancia que qualquer uma das outras iniciais. Dizer que a transexualidade é uma doença é limitador. Eu vejo homosexualidade, heterosexualidade e transexualidade como 'condições'. De facto é muito limitado ver estas condições como estáticas. Meus caros na natureza tudo se mexe, e as dúvidas de orientação sexualidade e problemas de identidade de género são manifestações disso no nosso cérebro.
O cérebro é uma coisa fantástica que vamos trabalhando... moldamos gostos, alteramos hábitos, temos feitios, disposições, e tudo isto muda, as pessoas crescem na medida em que vivem e moldam a sua individualidade com o decorrer do tempo e do espaço.
Se individuo A, B ou C tem problemas de identidade de género é perfeitamente normal. É uma doeça? Não...é uma condição, um nó (mais ou menos maior) na cabeça mas não é fatal. É uma pessoa que 'padece' de um problema mental com certeza, mas por favor, há que saber libertarmo-nos das conotações de 'problema mental' porque senão andamos aqui a dizer que meio mundo é 'atrasadinho'.

Problemas de maior traz a questão, como lidar com a Homo/Trans sexualidade? (Excluo a Bi e a Hetero pois são menos exploradas pela sociedade)
Ora a sociedade (sem ser necessariamente por meio de psicólogos e derivados) não ajuda nadinha a lidar com estas cruzadas cerebrais. Na natureza, não só a humana, a exclusão é a melhor maneira de depurar os defeitos da espécie, e no caso especifico da sociedade Humana, este modo de lidar com as diferenças (ou com os diferentes) processa-se pela descriminação. Sim! aquela amiga maravilhosa com uma perfídia tão... do Homem. ::)
Como seres racionais que somos e se com sorte tivermos uma educação de qualidade temos de aprender a lidar com as coisas de frente. A condição de um transexual é tão válida como a de um heterosexual. Só porque ninguém implica como hetero por não contrastar na multidão, não significa que o transexual tenha de se estar a justificar e/ou adaptar ao meio.

Para resumir isto (bah... hábito horrivel de não conseguir argumentar com pés e cabeça =P)

Catalogar a transexualidade como doença é deficiente, e surge em parte da necessidade que a nossa espécie tem de rotular tudo, de arranjar equações para mais alguma coisa etc etc. Acho que os próprios conceitos de Hetero ou Homosexualidade são um tanto redutores, porque a pessoa vai muito para além da orientação sexual. Não ignoro que o transexual tem uma condicionante de enorme peso, que é o desencontro entre corpo e mente, mas felizmente já se dão os primeiros passos para poder tornar a existência destas pessoas mais fácil. Áparte o que as cirurgias oferecem, o mais importante é a humanidade com que se trata psicologicamente esta questão e estas pessoas, temos de nos saber entregar, saber ouvir, aconselhar, acompanhar, tentar compreender, ao fim e ao cabo estender a mão sem cair em exageros e sem tratar com condescendencia como se tratasse de uma invalidez. Sei que parece complicado, há todo o preconceito a inibir o diálogo entre as pessoas, mas depois de ultrapassada esta barreira acredito que a sociedade em que vivemos será mais madura e mais humana.


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Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ema em 15.fev.2008, 13:03:10
Conteúdo removido por opção da autora.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: David Erif em 15.fev.2008, 19:27:26
Alice, está tudo bem. Não te recrimines por isso

Pecamos sempre Todos por ignorância e ninguém pode ser julgado por isso.

Acho que há uma coisa muito importante a ter em atenção.
Apesar de por vezes estas trocas de comentários parecerem um pouco bruscas, elas atentam somente às considerações escritas e não à natureza do carácter da pessoa que as escreveu.
O Centro tem tendência a levar muito a peito os comentários contrários às suas opiniões pois encara-os como ataques pessoais, mas eles não o são. Estar a faze-lo não quer dizer que o considero má pessoa. Aliás, em relação a ele acho precisamente o contrário.
O mesmo posso dizer de ti. Não te conheço, é certo, mas nada não tenho razões para dizer o contrário.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: What is in a name? em 16.fev.2008, 18:59:47
E esta questão (a do tópico) continuaria a ser colocada numa sociedade em que se reconhecesse a existência de muitos mais géneros do que os dois sexos biológicos a que convencionámos corresponder dois géneros? Na minha opinião (não sou nenhum técnico, por isso perdoem-me qualquer incorrecção, tentarei aprender e evoluir), nem todos os transsexuais têm "necessariamente" que mudar de sexo sob pena de não aceitarem o seu corpo, sofrerem, etc. É uma questão de identidade de género, e no fundo a questão corporal é, no meu entender, agravada porque a sociedade considera, muito preto no branco, que só podemos pertencer a dois géneros. Mas a diversidade humana ultrapassa, felizmente, a mera biologia. Creio que só aos poucos temos percebido isto. Não existem apenas um género masculino e outro feminino. Neste ponto de vista, o sofrimento psicológico por que os transsexuais passam não é intrínseco à sua condição. Uma vez mais, é produto da incompreensão da sociedade (muito utilitária,"virilidade" vs. "feminilidade") que, ao que parece, assimilamos desde demasiado cedo. Se a nossa mundividência não fosse tão a preto e branco, muitos problemas podiam ser evitados (sem dúvida que toda a questão GLBT seria repensada; o fim dos rótulos, talvez?), e os casos de transsexuais que não passaram por nenhuma terapia hormonal ou cirurgia já não provocariam tanta confusão na maioria. Creio que caminhamos para esse reconhecimento de uma grande diversidade de géneros. Positiva, acho.

Por isso, e a somar ao acima, a (minha) resposta à pergunta do tópico é Não.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Chuva de Verão em 18.fev.2008, 09:39:44
Pois é, realmente esta é uma questão muito muito mais complicada do que parece à primeira vista... Inclusivamente para mim.
Depois de ler os artigos que o Centro colocou à disposição, e de ler algumas das respostas a este tópico, mudei ligeiramente a minha maneira de pensar neste assunto. Se os transexuais quisessem sempre submeter-se à operação de mudança ou redefinição de sexo (a maneira que for mais correcta de denominar essa operação), a coisa seria mais fácil de definir. Mas existindo muitos outros transexuais que não o pretendem, e que intrinsecamente não têm qq problema com isso, somente os que a sociedade lhes impõe, isto torna-se mais complicado...
De qq maneira, é sempre complicado definir estas coisas, até porque como alguém já aqui disse também, nós (os users em geral do fórum) não temos conhecimentos médicos, nem sobre muitas das doenças que existem, o que poderia também ajudar na nossa própria definição de doença...
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Scorpio_Angel em 27.mai.2008, 11:44:19

Abuso da Ordem dos Médicos


Antes de mais, a minha posição em relação à ingerência da Ordem dos Médicos na problemática da transexualidade, é que é uma “força de bloqueio”, servindo unicamente para demorar ainda mais processos que, em Portugal, são já de si abusivamente longos.

Não tem justificação de espécie alguma haver uma autorização dada por essa entidade para se iniciarem as cirurgias. Não conhecem os pacientes, unicamente avaliando se se encontra presente no processo toda a documentação requerida.

Se se pensar que a entidade dá o seu aval aos especialistas que intervêm nos processos, considerando-os aptos a avaliarem e a diagnosticarem, deve bastar o relatório desses mesmos especialistas para se iniciarem as cirurgias.

De notar que nunca aparece um diagnóstico de transexualidade ou disforia de género. O que figura na carta enviada pela entidade é uma simples e lacónica autorização da Ordem para se fazer a CRS (Cirurgia de Redesignação de Sexo). Não menciona mais nada, nem mais nenhuma cirurgia.

A posição da Ordem dos Médicos, como se depreende, nada mais faz que reflectir a posição pessoal dos seus componentes, ou do seu bastonário. Que nem sequer têm a obrigatoriedade de serem especialistas na área.

Ainda há poucos anos atrás, quando era bastonário o Dr. Gentil Martins, uma referência na sua área, foram canceladas estas cirurgias. A saber, a opinião desta pessoa em relação às pessoas transexuais é bem exemplificada nesta frase, retirada de uma entrevista dada ao Jornal de Leiria de 17 de Abril de 2008, em que reza: "Há todo o género de aberrações na natureza humana".

Portanto, a posição da Ordem vai variando conforme as cabeças que estão na direcção desta entidade. Não são posições baseadas em factos científicos, mas sim na maior ou menor transfobia existente nos dirigentes.

Agora, o Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas da Ordem dos Médicos, segundo o jornal “Público”, anda a pensar restringir ainda mais o acesso às cirurgias. Enquanto «o actual código prevê a proibição de cirurgia para reatribuição do sexo, salvo em casos clínicos de transsexualismo ou disforia do género», existe uma proposta da comissão de ética que «mantém esta restrição mas preconiza que a operação não possa ser feita a pessoas casadas e a menores».

Em relação aos menores, é um assunto muito melindroso e que de modo nenhum tem a concordância das próprias associações LGBTTI que lutam pelos direitos destas pessoas. Precisa ainda de ser muito discutido e analizado, embora pessoalmente considere que existem muitos casos que, mesmo sendo menores, não oferecem qualquer dúvida, sendo, assim, mais uma medida que pugna por falsos moralismos. Cada caso é um caso, e quem está mais apto a dar uma opinião serão os profisssionais que acompanham esses pacientes.

A Ordem dos Médicos deve ter mais confiança na experiência e saber desses profissionais, e não fazer proibições que atingem indiscriminadamente todas as pessoas transexuais.

Agora, a ingerência no estado civil de cada pessoa é pura e simplesmente uma medida ditatorial e abusiva dos direitos de cada um como cidadão. Com que direito se arvora o Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas da Ordem dos Médicos, de decidir o estado civil de cada um? Sim, porque ao proíbirem a CRS a uma pessoa casada, estão a impor que essa pessoa se divorcie.

Será porque depois ficaria um casal homossexual? Mesmo que assim seja, não é da competência da medicina decidir se a sociedade aceitará ou não casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Seria muito mais gratificante para a sociedade e para a própria Ordem, se se preocupassem mais com a falta de profissionalismo de determinados elementos dessa classe, para que não se repitam os escândalos nas CRS como os feitos pelo anterior cirurgião.

Ou que se preocupassem em formar cirurgiões nesta área e em sexologia clínica.

Falando de ética, podiam tentar conciliar o juramento de Hipócrates com a realidade, em que se vê os melhores médicos a irem para clínicas e hospitais privados. Para a pessoa comum, parece que vão atrás do dinheiro. E não me parece que seja isso que juram fazer.

Ou até mesmo tentarem um consenso de maneira a não ser necessário ir-se ao estrangeiro para se ser operado às cataratas.

Com tanta coisa a fazer, porquê uma ingerência abusiva em todos os níveis da liberdade de cada um, pondo o estado civil como bloqueio?

Fonte (http://transfofa.blogspot.com/2008/05/antes-de-mais-minha-posio-em-relao.html)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Thumbnail em 27.mai.2008, 12:39:31
A isso, Scorpio_Angel, só posso mesmo acrescentar que o problema é precisamente por os profissionais não o serem tanto assim e por as concordâncias não sofrerem sequer de um esforço da parte dos próprios médicos, seja da área cirurgica, seja da área psicológica.

Para mim, a transsexualidade é sim uma doença. Uma doença física que precisa de tratamento e que, portanto, precisa de especialistas. É precisamente isso que nos falta. É precisamente sentir que há organização entre os próprios médicos e que estes sabem com quem estão a trabalhar. Mais do que transsexuais, as pessoas serão sempre pessoas e não podem, de modo algum, não ter um acompanhamento psicológico devido que atenue a dor que essa questão sexual provoca bem como que garanta a sua situação pois se há muitos casos com certezas, outros tantos não haverão, assim como haverá muita da certeza que na verdade não seja assim tão certa. É preciso espírito crítico e é preciso acompanhar as pessoas para as estabilizar não na sua condição mas no seu todo sistémico!

Por outro lado, uma vez concluída a situação de avaliação, como bem referiste, é inadmissível que se ande a jogar ao caça ratos... Pacientes como cobaias, médicos como manipuladores. É estranho de facto que se diga um serviço profissional e especializado e seja preciso tanto carimbo de confirmação (incluso da parte de um tribunal que nada tem de conhecimento médico). E depois, claro, o próprio tempo para se atribuir esse carimbo e as próprias guerrinhas entre os próprios médicos da Ordem (e fora dela) são bolas de neve e atrofios gerais, que têm de ser o quão mais breve prossível trabalhados!

Relativamente às limitações de acesso ao processo propriamente dito, relembra-me o pormenor de por vezes, mesmo com essas proibições, as pessoas avançarem no processo. Creio que estará nas mãos dos senhores psicologos, logo numa consulta de triagem, garantir esta situação! Mas, mais do que tudo isto, a transsexualidade está de facto associada à orientação precisamente por toda a condição sexual que entretanto se cria e explora e os limites que depois ocorrem: uma pessoa socialmente hetero, casada, é na realidade gay; uma pessoa socialmente gay é na verdade hetero (fora os casos de bissexualidade). Aqui entra a união de esforços pela luta necessária de todos na questão da orientação sexual e dos direitos a que, enquanto cidadãos (friso a redundância) temos direito!

Por fim, a questão da idade. Este é um caso muito relativo e complexo que enquanto os especialista não o forem de facto, de pouco nos valerá essa oportunidade. Se um caso de 20 anos, 30 ou até mesmo mais de 40 é colocado numa corda bamba infindável, sem apoio necessário e nas mãos da incapacidade médica e institucional do nosso país, imagine-se o quão problemático poderia ser um acompanhamento de alguém mais jovem. Claro está, cada caso é um caso e haverá certamente muitos jovens que lidaram com isto de um modo tão ou melhor que alguém mais velho em (completo ou relativo) conforto consigo mesmo mas a verdade é que nem sempre assim é e, portanto, é preciso ter isso em consideração, sendo que, também por esse motivo, é impriscindível que se trabalhe o profissionalismo médico e se passe a considerar essa oportunidade pois quão mais cedo se inicia o processo, quão mais e melhores resultados físicos e psicológicos se tenderá a ter.

A luta passa por isso mesmo. O diálogo com os médicos tem precisamente de ir nesse sentido, até porque, relembro, não faz sentido nenhum uma pessoa que tenha de passar por um processo de integração social com o nome que realmente corresponde ao seu género ao revés daquele que porta no B.I., não ter esse apoio estatal de modo a poder alterar logo o seu nome. Nota-se perfeitamente a incoerência médica e quase que um fascismo de género (e mesmo individual) para com pessoas transsexuais. É meio caminho andado para expor toda uma vida e até mesmo lhe dizer adeus.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Blackdi em 01.jun.2008, 19:35:49
Não sei...

Que vantagens e desvantagens adviriam daí?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Thumbnail em 02.jun.2008, 03:20:15
Eventualmente, o evitar da extravaganza do que esse conceito, de facto, é.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: τοRoyalSizeΚΞ em 02.jun.2008, 17:12:57
??? Não vejo porquê :inq
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: 2estrelinha3 em 09.jul.2008, 15:44:09
Se isso significar o estado subsidiar os tratamentos hormonais e operações para "repor" o corpo correspondente à alma...
Encarem-na como quizerem!!!

***
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 09.jul.2008, 18:55:04
Se a transexualidade deixasse de ser considerada uma doença o tratamento deixava de ser comparticipado?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Yawp em 10.jul.2008, 00:06:25
E esta questão (a do tópico) continuaria a ser colocada numa sociedade em que se reconhecesse a existência de muitos mais géneros do que os dois sexos biológicos a que convencionámos corresponder dois géneros? Na minha opinião (não sou nenhum técnico, por isso perdoem-me qualquer incorrecção, tentarei aprender e evoluir), nem todos os transsexuais têm "necessariamente" que mudar de sexo sob pena de não aceitarem o seu corpo, sofrerem, etc. É uma questão de identidade de género, e no fundo a questão corporal é, no meu entender, agravada porque a sociedade considera, muito preto no branco, que só podemos pertencer a dois géneros. Mas a diversidade humana ultrapassa, felizmente, a mera biologia. Creio que só aos poucos temos percebido isto. Não existem apenas um género masculino e outro feminino. Neste ponto de vista, o sofrimento psicológico por que os transsexuais passam não é intrínseco à sua condição. Uma vez mais, é produto da incompreensão da sociedade (muito utilitária,"virilidade" vs. "feminilidade") que, ao que parece, assimilamos desde demasiado cedo. Se a nossa mundividência não fosse tão a preto e branco, muitos problemas podiam ser evitados (sem dúvida que toda a questão GLBT seria repensada; o fim dos rótulos, talvez?), e os casos de transsexuais que não passaram por nenhuma terapia hormonal ou cirurgia já não provocariam tanta confusão na maioria. Creio que caminhamos para esse reconhecimento de uma grande diversidade de géneros. Positiva, acho.

Por isso, e a somar ao acima, a (minha) resposta à pergunta do tópico é Não.

A minha resposta também é não. Dou por mim a pensar se, tal como existe uma espécie de gradação que vai da exclusiva homossexualidade até á heterossexualidade, passando pela bissexualidade, será possível suceder o mesmo em termos de transsexualidade?

No meu caso pessoal, por exemplo, desde tenra idade que me senti um pouco mais menino do que menina (facto de que apenas os meus pais têm conhecimento).
No entanto, nunca senti necessidade de uma mudança de corpo, porque não me sinto muito desconfortável com este, excepto em certos momentos específicos em que não sei bem porquê me sinto ligeiramente desconfortável e vulnerável.

Tenho a sorte de tal " ligeiro desajuste" não me tornar uma pessoa infeliz, mas confesso que muitas vezes dou por mim a olhar para o corpo de rapazes e pensar "se fosse do sexo masculino, era assim que gostaria de ser".   
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: 2estrelinha3 em 10.jul.2008, 15:11:21
Se a transexualidade deixasse de ser considerada uma doença o tratamento deixava de ser comparticipado?

Peço desculpa se não me fiz entender...
O que quiz dizer foi:
Para muitos a transexualidade é encarada como uma doença, eu não vejo problema nenhum até ai, desde que como qualquer outra "doença" veja o seu tratamento (transformação fisica através de cirurgia e de tratamentos hormonais) comparticipada pelo estado!

Pois o que não falta são pessoas sem possibilidade economicas a viver aprisionadas num corpo que não lhes pertence!

***
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 10.jul.2008, 16:20:40
Se a transexualidade deixasse de ser considerada uma doença o tratamento deixava de ser comparticipado?

Peço desculpa se não me fiz entender...
O que quiz dizer foi:
Para muitos a transexualidade é encarada como uma doença, eu não vejo problema nenhum até ai, desde que como qualquer outra "doença" veja o seu tratamento (transformação fisica através de cirurgia e de tratamentos hormonais) comparticipada pelo estado!

Pois o que não falta são pessoas sem possibilidade economicas a viver aprisionadas num corpo que não lhes pertence!

***

Eu estava mesmo a perguntar porque não sei. Na realidade o que é ou não considerado doença não me faz grande diferença. Eu não sei é se neste momento é comparticipado. E se for, deixando de ser doença, provavelmente deixa de ser comparticipado. Pelo que, se calhar é mesmo melhor que seja uma doença.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 10.jul.2008, 16:27:19
A transexualidade não é considerada necessariamente doença per se. Existe é o termo disforia de género que significa mal-estar. Esse mal-estar é tal para algumas pessoas que sentem necessidade de fazer modificações no seu corpo, recorrendo, actualmente em Portugal, quem deseja, ao Serviço Nacional de Saúde, para esse fim. O que esses tratamentos pretendem é oferecer uma situação em que a pessoa consiga atingir bem-estar mental e que as pessoas possam viver bem com a sua identidade de género. Ou seja, não se tenta mudar a sua identidade de género (aquela que dizem ter), mas efectuar alterações que permitam à pessoa viver melhor essa identidade de género que têm.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 10.jul.2008, 18:40:24
A transexualidade não é considerada necessariamente doença per se. Existe é o termo disforia de género que significa mal-estar. Esse mal-estar é tal para algumas pessoas que sentem necessidade de fazer modificações no seu corpo, recorrendo, actualmente em Portugal, quem deseja, ao Serviço Nacional de Saúde, para esse fim. O que esses tratamentos pretendem é oferecer uma situação em que a pessoa consiga atingir bem-estar mental e que as pessoas possam viver bem com a sua identidade de género. Ou seja, não se tenta mudar a sua identidade de género (aquela que dizem ter), mas efectuar alterações que permitam à pessoa viver melhor essa identidade de género que têm.

Mas esse acompanhamento e os tratamentos e operação são comparticipados?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 10.jul.2008, 18:52:16
Sim, são, tanto quanto sei.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Filhó em 11.jul.2008, 00:41:08

O corpo aparece em duas dimensões - uma em que proporciona o reconhecimento imediato por parte dos outros como membros do sexo associado ao papel de género em que vivemos (ou queremos viver), e outra para nós próprios - se nos sentimos bem nele, ou não. As duas dimensões andam juntas em muitos casos de transsexualidade, mas nem sempre.


Tens toda a razão no que dizes, mas quando eu me referia a uma readaptação corporal talvez não me tenha exprimido da melhor forma, visto que não queria apenas focar as pessoas que fazem terapia hormonal ou cirurgias, mas tambem as pessoas que decidem personificar um género que não o seu género biológico!
Ao nascermos com determinado género biológico é esse género que nos torna identificaveis aos olhos da sociedade, no entanto se o nosso género psicologico não está em sintonia com o nosso género biologico será necessario fazer em certo ponto, de forma a uma melhor vivência, algum tipo de reconstrução pessoal, seja por cirurgias ou apenas personificando o género oposto através dos elementos que caracterizam cada um dos géneros!
A meu ver, creio que esta necessidade resulta de uma doença, visto que não seria suposto haver um antagonismo entre o genero biologico e o psicologico, mas sim uma sintonia, por isso deveriam ser feitas pesquisas de forma a impedir que mais pessoas sofressem deste problema, que é sem duvida nenhuma causador de grande sofrimento a nivel pessoal e a todos os outros niveis!
Concordo plenamente com tdo e ia dizer o mesmo por outras palavras mas como gsto de ler tdos os post das tematicas e li o que ia escrever :p de facto a transcessualidade n é uma doença mental mas um problema grave na indentidade de genero pke n existe ligação entre a biologia do genero e a mente do indevido(a) e algo esta mal o facto de n haver uma solucão( n digo a palavra " cura" pa n virem pa ki dizer que sou tranfobico) leva a os medicos fazerem o diagnostico e seguirem com as cirurgias mas esse indevido(a) tera sempre problemas em fazer uma vida a dois e saudavel carregando sempre esse peso portanto a nivel emocional e comportamental tras problemas por vezes graves enfimmd a cumunidade cientifica tera de se debrusar aserio neste tema e arranjar um solução que permita haver armonia psico-fisico evitar estas situaçoes que se tornam fridas emocionais que nunca fechao mesmo com o desejo de mudança de genero realizado n existe plenitude de satisfação nem de tranquilidade....
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 11.jul.2008, 09:43:11
Sim, são, tanto quanto sei.

Obrigada :) Eu também tinha essa ideia, mas não estava conseguir confirmar.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: τοRoyalSizeΚΞ em 13.jul.2008, 15:23:17
A transexualidade não é considerada necessariamente doença per se. Existe é o termo disforia de género que significa mal-estar. Esse mal-estar é tal para algumas pessoas que sentem necessidade de fazer modificações no seu corpo, recorrendo, actualmente em Portugal, quem deseja, ao Serviço Nacional de Saúde, para esse fim. O que esses tratamentos pretendem é oferecer uma situação em que a pessoa consiga atingir bem-estar mental e que as pessoas possam viver bem com a sua identidade de género. Ou seja, não se tenta mudar a sua identidade de género (aquela que dizem ter), mas efectuar alterações que permitam à pessoa viver melhor essa identidade de género que têm.

Mas afinal a disforia de género é considerada doença ou não?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Ricardo Bastos em 13.jul.2008, 15:29:00
Ser considerada não é sinónimo de o ser de facto. Assumo-me leigo na matéria, mas pergunto-me se a constutição cerebral do dito disfórico não se assemelha ao do sexo oposto ao seu biológio.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Filhó em 13.jul.2008, 15:42:30
Ser considerada não é sinónimo de o ser de facto. Assumo-me leigo na matéria, mas pergunto-me se a constutição cerebral do dito disfórico não se assemelha ao do sexo oposto ao seu biológio.
Claro que sim pelo menos em funçoes neurologicas especificas no triangulo neurologico constituido por hipotalamos, cerebelo, e hipofise e sim tb um pko na parte do sistema nervoso cntral onde se produzem imagens, no hipotalamo impulsos,cerebelo alteraçoes quimicas que porovocam emoçoes e no hipotalamo a produção de libido e estrutura de personalidade ;)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 13.jul.2008, 17:54:58
A transexualidade não é considerada necessariamente doença per se. Existe é o termo disforia de género que significa mal-estar. Esse mal-estar é tal para algumas pessoas que sentem necessidade de fazer modificações no seu corpo, recorrendo, actualmente em Portugal, quem deseja, ao Serviço Nacional de Saúde, para esse fim. O que esses tratamentos pretendem é oferecer uma situação em que a pessoa consiga atingir bem-estar mental e que as pessoas possam viver bem com a sua identidade de género. Ou seja, não se tenta mudar a sua identidade de género (aquela que dizem ter), mas efectuar alterações que permitam à pessoa viver melhor essa identidade de género que têm.


Mas afinal a disforia de género é considerada doença ou não?


Depende de qual é a base conceptual para definir uma doença, suponho.

Deixo em baixo algumas perspectivas sobre o tema (peço desculpa por ser em Inglês). Notar que transgénero e transexual não são necessariamente sinónimos, embora a transexualidade seja incluida como um tipo de transgenerismo para algumas pessoas.

Por exemplo, o movimento GID Reform (primeiras citações em baixo) defende que se deixe de referir a quebra de expressões de género como uma "desordem", situações que estão incluidas no termo "Desordem de Identidade de Género" e aplicam-se a pessoas como travestis, cross-dressers ou pessoas que simplesmente se comportem de modo diferente do normativo no que respeita ao género, mas destacam a situação da disforia de género como algo diferente e particular onde não existe simplesmente "não conformidade social" (social non-conformity), mas aflição/sofrimento/agonia ou debilitação (distress or impairment). A disforia de género geralmente está associada à definição clássica de transexualidade.

Por outro lado, há a questão da razão pela qual existe "disforia de género". Pressões externas sócio-culturais? Razões biológicas?

Acho que muito dos problemas levantados com o uso do termo "doença" também passa pelo peso e estigma que existe em situações de mal-estar mental e a associação desses estados a estar doente ou não.


What is GID?

"Gender Identity Disorder" (GID) is a diagnostic category in the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM), published by the American Psychiatric Association. The DSM is regarded as the medical and social definition of mental disorder throughout North America and strongly influences the The International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems published by the World Health Organization. GID currently includes a broad array of gender variant adults and children who may or may not be transsexual and may or may not be distressed or impaired. GID literally implies a "disordered" gender identity.

"Transvestic Fetishism" (TF) is another DSM diagnostic category that labels crossdressing by heterosexual males as sexual fetish and paraphilia. Deletion or reform of the TF diagnosis is also the focus of GID Reform Advocates.

(...)

The vision of GID Reform

It is time for the medical professions to affirm that difference is not disease, nonconformity is not pathology, and uniqueness is not illness

It is time for culturally competent psychiatric policies that recognize the legitimacy of cross-gender identity and yet distinguish gender dysphoria as a serious condition, treatable with medical procedures.

It is time for diagnostic criteria that serve a clear therapeutic purpose, are appropriately inclusive, and define disorder on the basis of distress or impairment and not upon social nonconformity.

It is time for medical policies which, above all, do no harm to those they are intended to help.

http://www.gidreform.org/


Gender identity disorder

Gender identity disorder (GID) is the formal diagnosis used by psychologists and physicians to describe persons who experience significant gender dysphoria (discontent with the biological sex they were born with). It is a psychiatric classification and describes the problems related to transsexuality, transgender identity, and transvestism. It is the diagnostic classification most commonly applied to transsexuals.

(...)

Many transgender people do not regard their cross-gender feelings and behaviours as a disorder.[10] People within the transgender community often question what a "normal" gender identity or "normal" gender role is supposed to be. One argument is that gender characteristics are socially constructed and therefore naturally unrelated to biological sex. This perspective often notes that other cultures, particularly historical ones, valued gender roles that would presently suggest homosexuality or transsexuality as normal behavior.[11] Some people see "transgendering" as a means for deconstructing gender. However, not all transgender people wish to deconstruct gender or feel that they are doing so.

Other transgender people object to the classification of GID as a mental disorder on the grounds that there may be a physical cause, as suggested by recent studies about the brains of transsexual people. Many of them also point out that the treatment for this disorder consists primarily of physical modifications to bring the body into harmony with one's perception of mental (psychological, emotional) gender identity, rather than vice versa.[citation needed]

Although evidence suggests that transgender behaviour has a neurological basis, there is no scientific consensus on whether the etiology of transgenderism is mental or physical.[citation needed] Psychiatric diagnoses will continue to carry authority, and remain useful for medical billing purposes and potentially for the classification of research results, unless those diagnoses are changed. However, little research into transgenderism or transsexualism is actually being conducted. The mental illness diagnoses are also enshrined in the WPATH-SOCs; they persist because no other medical diagnoses are available.

In a landmark publication in December 2002, the British Lord Chancellor's office published a Government Policy Concerning Transsexual People document that categorically states "What transsexualism is not...It is not a mental illness." Nonetheless, existing psychiatric diagnoses of gender identity disorder or the now obsolete categories of homosexual disorder, gender dysphoria syndrome, true transsexual, etc., continue to be accepted as formal evidence of transsexuality.

http://en.wikipedia.org/wiki/Gender_identity_disorder#Controversy


Gender dysphoria

(...)

The exact cause of gender dysphoria is unknown. It is currently classed as a psychiatric condition (relating to the mind), but many recent studies have suggested that the causes of gender dysphoria are more to do with biological development (relating to the body). There is ongoing research into what causes the condition.

Treatment for gender dysphoria aims to help people with the condition achieve contentment in terms of their gender identity. For some people, all this will involve is dressing and living as their preferred gender identity; for others, it may involve taking hormones that alter their physical appearance. For most transsexuals, it involves having surgery that will permanently alter their anatomical sex.

http://www.nhsdirect.nhs.uk/articles/article.aspx?articleid=435#
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Darknessrider em 15.ago.2009, 15:20:11
Não doença não, mas um erro genético. Nascer-se no corpo errado deve ser dramático, especialmente se, depois de inúmeros tratamentos e operações, a pessoa não atingir o grau de masculinidade/feminidade que pretende. Não sei como é, porque nunca vivi nada assim, mas se há casos que despertam a minha veia solidária são estes.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: JDelgado em 21.ago.2009, 00:30:59
Há casos em as pessoas nachem com os dois sexos, e logo apos o nachimento fasem diversos estudos para ver qual o "sexo dominante", e as veses essa "escolha" não é a correcta, podendo nesse caso ser conciderado uma "doensa".
Sendo, ou não doensa, o que interessa é que se sintam bem com eles propios, indepentente do que quiserem chamar a coisa
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Thumbnail em 23.set.2009, 15:48:35
A meu ver, dentro do transgenerismo há coisas que devem ser consideradas doença e outras que não. Compreendo que tudo quanto seja tão só uma questão psicológica (seja fetichista, comportamental ou identitária) deverá ser considerado no padrão pessoal de cada um como uma não doença mas antes uma configuração/componente  evolutiva. Tudo quanto envolta o corpo (evidentemente numa interligação com o psicológico) deverá ser considerado doença. Uma doença do foro genético que deverá ser compreendida numa série de passos a fim de atribuir a melhor estabilidade para o caso em mãos, seja ele de que ordem, género ou «nível» for.

Porém, eu perguntaria antes se deveria ser considerada doença mental ou fascismo comportamental a atitude proveniente das dezenas de senhores doutores - das várias especialidades envolvidas - que se dedicam a este tipo de casos. E não apenas os transsexuais, claro. Todos. Para mim essa sim é uma doença muito mais séria.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: centro em 05.out.2009, 11:00:09
Condições que nos façam ter de mudar o nosso corpo de forma radical são por norma doenças! :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Thumbnail em 05.out.2009, 12:41:02
Apoiado. Resta saber é de que modo é que são indicadas para garantir que as percepções não acabam deturpadas -)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: CineFan em 05.out.2009, 12:45:08
Acredito que cada um de nós merece viver como quer. Agora, eu nâo sei se é uma doença.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Aster em 05.out.2009, 13:05:38

Eu considero a transsexualidade uma doença porque existe uma dissonância extrema entre o cérebro e o corpo. Isto é, um ser humano saudável deverá ter a capacidade de incorporar a sua imagem corporal no seu auto-conceito, sem necessitar do recurso à medicina para tal.

Para mim é diferente, ter uma mulher que em tudo se assemelha aos homens, mas que permanece sendo fisiologicamente mulher. Simplesmente, assim o quer e se identifica (identidade de género = o que é ser-se homem/mulher socialmente); de outra que em nada se reconhece com o corpo que tem e como tal submete-se a terapias hormonais, cirurgias e etc (identidade sexual = ser homem/mulher enquanto ser sexual).
Isto como exemplo.

De um lado existe um não reconhecimento para com as regras socias, do outro existe uma recusa do próprio corpo enquanto elemento sexual que em tudo afecta o conceito de pessoa. O sofrimento acrescido por esta não adaptação ao que se é (sem colocar aqui estado intermédios), reflecte uma "perturbação" ou "doença" de foro mental.

Uma vez que nao se sabe corrigir na origem (cérebro), corrige-se pela consequência - alterando o corpo.

Assim um estado de transsexualidade cura-se, alterando-se o sexo original.



Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Thumbnail em 05.out.2009, 18:57:49
E desse modo temos a explicação de doença.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Blackdi em 05.out.2009, 22:24:17
Se a transexualidade for considerada doença, não correremos o risco de a homossexualidade também começar a ser reconsiderada uma doença?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 06.out.2009, 12:46:47
Condições que nos façam ter de mudar o nosso corpo de forma radical são por norma doenças! :)

Nem sempre os transexuais se submetem a alterações físicas ou sentem essa necessidade...
Se eu fizer piercings e tatuagens, cortar a língua ao meio e colocar implantes debaixo da pele, não sou considerada uma doente em termos médicos e alterei por completo o meu corpo, em alguns casos de forma totalmente irreversível.
A transexualidade é considerada em termos médicos uma espécie de distúrbio de identidade, mas em nada isso está relacionado com alterações físicas do corpo, podendo ou não essas alterações fazer parte do processo necessário para o indivíduo se sentir mais feliz e/ou realizado em termos pessoais.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Blackdi em 06.out.2009, 14:24:10
Se a transexualidade for considerada doença, não correremos o risco de a homossexualidade também começar a ser reconsiderada uma doença?

Não...
Repetindo-me, não é a identidade que é considerada patológica, mas o estado antes das pessoas poderem aceder à transição. Caso contrário, a comunidade médica nunca ajudaria as pessoas transsexuais a fazerem a transição, mas exactamente o contrário. Também novamente, não devem ser feitas comparações ou analogias com situações e questões completamente diferentes, como a homossexualidade (ou a IVG).
Provavelmente não era esse o teu raciocínio, mas partindo para outro ponto não acredito, nem podia aceitar, que devessem alguma vez as decisões e estratégias na área da transsexualidade ser condicionadas tendo em conta algum efeito hipotético sobre questões e populações diferentes - sobretudo quanto estamos a lidar com uma minoria dentro de uma minoria, ainda mais disempowered e disprivilegiada que as outras...

A transexualidade e a homossexualidade são duas coisas completamente diferentes e eu não estava a fazer qualquer analogia. Apenas tentei colocar a minha questão num plano geral.

Na verdade, este assunto ainda me deixa deveras confusa, sobretudo quando colocada a transexualidade como uma possível doença. :P
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Blackdi em 06.out.2009, 14:49:41
Se a transexualidade for considerada doença, não correremos o risco de a homossexualidade também começar a ser reconsiderada uma doença?

Não...
Repetindo-me, não é a identidade que é considerada patológica, mas o estado antes das pessoas poderem aceder à transição. Caso contrário, a comunidade médica nunca ajudaria as pessoas transsexuais a fazerem a transição, mas exactamente o contrário. Também novamente, não devem ser feitas comparações ou analogias com situações e questões completamente diferentes, como a homossexualidade (ou a IVG).
Provavelmente não era esse o teu raciocínio, mas partindo para outro ponto não acredito, nem podia aceitar, que devessem alguma vez as decisões e estratégias na área da transsexualidade ser condicionadas tendo em conta algum efeito hipotético sobre questões e populações diferentes - sobretudo quanto estamos a lidar com uma minoria dentro de uma minoria, ainda mais disempowered e disprivilegiada que as outras...

A transexualidade e a homossexualidade são duas coisas completamente diferentes e eu não estava a fazer qualquer analogia. Apenas tentei colocar a minha questão num plano geral.

Na verdade, este assunto ainda me deixa deveras confusa, sobretudo quando colocada a transexualidade como uma possível doença. :P

A analogia de que falei era em relação à situação como perturbação, não entendi que estivesses a compará-las a nível identitário  :)

Ah, ok.  :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 19.out.2009, 09:32:51
Concordo com a maioria dos pontos reivindicados pelo movimento referido em baixo, mas este é seriamente problemático na minha opinião, porque potencialmente irresponsável (tendo em conta que existem comprovadamente casos de arrependimento e de pessoas confusas sobre si próprias que sem avaliação e acompanhamento teriam seguido uma via que afinal não era aquela que queriam, mas uma medida desesperada no seu caso de tentar resolver situações sociais difíceis):

Queremos que repensem o programa de “tratamento da transexualidade”, fazendo do acompanhamento psicoterapêutico uma opção voluntária e da avaliação psiquiátrica um passo desnecessário.

http://stp2012.webnode.com/manifesto/ (http://stp2012.webnode.com/manifesto/)

Adicionalmente para o "tratamento" de qualquer pessoa transexual que deseje avançar para procedimentos médicos de reatribuição de sexo terá de existir o reconhecimento e diagnóstico de existência de mal-estar mental/social. Só assim há realmente justificação para este tipo de tratamento ser comparticipado ou gratuito via Serviço Nacional de Saúde. Evidentemente que os transexuais não são doentes por serem transexuais, mas se recebem acompanhamento pelo SNS, os que assim desejam, é porque é reconhecido que o mesmo é necessário para bem da sua saúde mental.



Protesto
Transexuais contra rótulo 'doença mental'
Ontem

Norte-americano rosto da campanha mundial contra a classificação da transexualidade como problema mental esteve em Lisboa

Martin Macor nasceu com um género com o qual não se identificava. Percorreu psiquiatras, tomou testosterona e mudou de sexo. Hoje é um dos rostos da acção portuguesa da campanha mundial pelo fim da classificação dos transexuais como doentes mentais.

"Eu comecei o processo [de mudança de sexo] há dez anos e tive de passar por psiquiatria, tive de passar por cirurgias, tive de passar por tratamentos hormonais e no início não tive o apoio nem dos amigos, nem da família", contou à Lusa. De acordo com este professor de inglês norte-americano, com 31 anos, nem a família nem os amigos compreendiam aquilo porque estava a passar.

Por tudo o que já passou e porque sabe melhor do que ninguém que não é um processo fácil, Martin Macor não hesitou em vir de propósito dos EUA para apoiar a acção portuguesa que decorreu ontem no Largo de Camões.

Para alertar para as dificuldades pelas quais passam transexuais e transgéneros para conseguirem mudar de sexo e para acabar com a inclusão destas pessoas como doentes mentais nas listas de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS) ou da Associação Americana de Psiquiatria, algumas pessoas concentraram-se ontem naquele local, em Lisboa, lembrando à classe médica, aos políticos e à sociedade em geral que a diversidade sexual não se limita ao género masculino e feminino.

"Esta acção é a expressão portuguesa de uma campanha mundial que se iniciou hoje e que tem três anos de duração e um pretexto imediato que é a alteração dos documentos internacionais que definem a transexualidade como uma doença do foro mental", disse à Lusa Sérgio Vitorino, do grupo Panteras Rosa, lembrando que em causa estão pessoas "que já enfrentam uma discriminação fortíssima".

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1394061 (http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1394061)

17-10-2009 - 10:21h
«Não há só homens e mulheres»
Campanha visa acabar com a classificação dos transexuais como doentes

Lisboa será palco este sábado do lançamento de uma campanha que visa acabar com a classificação dos transexuais como doentes e esclarecer a população sobre a diversidade sexual, que não se limita aos géneros masculino e feminino. «Não há só homens e mulheres»,explica activista.

Em 38 cidades da Europa, América Latina, América do Norte e Ásia serão realizadas, em simultâneo, manifestações de apoio à campanha Stop Patologização Trans 2012, convocadas por mais de 180 organizações e redes internacionais.
«O pretexto da campanha tem a ver com a exigência do fim da classificação das identidades de género não conformes (transexuais e intersexuais), como doentes mentais nos documentos de referência da Associação Americana de Psiquiatria (AAP) da Organização Mundial de Saúde, que serão revistos em 2012 e 2014, explicou Sérgio Vitorino.

O activista do grupo Panteras Rosa, uma das associações que apoia esta campanha, lembrou que a AAP despatologizou a homossexualidade há mais de 30 anos, mas mostrou-se preocupado por os médicos responsáveis pela revisão dos documentos norte-americanos serem conhecidos por defender que a homossexualidade volte a ser considerada uma doença.

Sérgio Vitorino alertou para a «discriminação social a que estas pessoas estão sujeitas baseada numa visão preconceituosa daquilo que é o género» e apelou à regulamentação do Estado nesta matérias.

«Não há só homens e mulheres, há muitas outras pessoas, tanto do ponto de vista biológico como psicológico. A medicina não consegue definir nem do ponto de vista hormonal, nem genético, nem genital, o que é um homem ou uma mulher, mas tenta fazê-lo. Os estados lavaram as mãos de legislar sobre estas realidades e entregaram nas mãos da medicina o resolver de uma questão moral», afirmou.

O facto das crianças com genitais que, sendo viáveis, são operadas à nascença porque não correspondem ao que se espera dos genitais de um homem ou de uma mulher é uma questão de «moralidade», referiu o activista, acrescentando que o Estado tem responsabilidades no reconhecimento e regulamentação destas matérias.

Para Sérgio Vitorino, o longo processo a que as pessoas que querem mudar de sexo estão sujeitas em Portugal potencia a marginalização social.

«Ao contrário do que acontece em Espanha, os processos de mudança de sexo arrastam-se por muitos anos e as pessoas não podem viver a sua vida de forma plena, porque enquanto não conseguem completar todo o processo médico e legal não podem alterar nem o seu nome, nem o seu género, nos documentos de identidade».

A campanha vai durar três anos e além de pretender influenciar a classe médica, pretende também esclarecer a população sobre estes conceitos e explicar que a identidade sexual não se resume aos dois sexos tradicionais.

http://diario.iol.pt/sociedade/genero-tvi24-sexo-ultimas-liberdade-transexuais/1096375-4071.html (http://diario.iol.pt/sociedade/genero-tvi24-sexo-ultimas-liberdade-transexuais/1096375-4071.html)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Azula em 19.out.2009, 12:51:43
Curiosamente, esta campanha, em Portugal, é apoiada não por pessoas e grupos transsexuais, mas por pessoas e grupos homossexuais. Aliás, se repararem na na notícia, não é uma pessoa transsexual a falar pela campanha, mas um homem homossexual. Não conheço nenhuma pessoa transsexual em Portugal que apoie esta campanha ou os argumentos (pelo menos quando entende o que é 'reivindicado') - há reivindicações da própria população transsexual, mas que têm muito pouco a ver com estas (como isto - [url]http://www.ilga-portugal.pt/glbt/gip/transexualidade.htm[/url] ([url]http://www.ilga-portugal.pt/glbt/gip/transexualidade.htm[/url])).


Seria bom que houvesse mais transsexuais a lutar pela causa, por questões de visibilidade e objectividade, mas não entendo qual é o problema de grupos homossexuais batalharem pela causa Trans, para já porque a liberdade de identidade de género é algo que nos diz respeito a todos, não é uma questão isolada nem específica da população transsexual e porque obviamente terá consequências ao nível dos Direitos Humanos. Cabemos todos aqui!

Podes explicar por favor porque reages mal à notícia em causa? Eu não sou preta mas felizmente fui dotada de capacidade empática e alguma Razão que me permite entender a diversidade e condenar o racismo, por exemplo, pelo que não é por ser branca que deixo de ter uma voz nesta questão, e nas demais...

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 19.out.2009, 12:57:04
O que é descrito como um estado patológico é aquele em que a pessoa está antes de poder iniciar e completar a transição, que corresponde a depressão, baixas de funcionalidade, isolamento, etc., por ainda não se poder viver a nossa identidade (e que é isso mesmo que justifica a necessidade de uma transição), não o ser-se transsexual per se (uma identidade). Se fosse isso (que era o enquadramento dado à homossexualidade no DSM antes de 1973), então a comunidade médica não apoiava a transição, mas tentava antes 'desconvencer' a pessoa de ser transsexual e a fazer.

Sim, é esse o enquadramento e pressuposto de facto por parte da comunidade médica especializada que se testemunha, por norma, e vale a pena frisá-lo.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: cybergirl em 20.out.2009, 15:48:43
Ola a todos,

 Gostaria de deixar a minha opinião aqui tambem :)
 Sendo no nosso país, acho que a Transexualidade ainda devia ser uma doença ou melhor uma pertubação de genero! Assim sendo essas pessoas têm algumas chances de conseguir seus tratamentos! No caso de não ser uma doença, ninguem estará interessado em ajudar ninguem, e é então que a situação vai ficar ainda mais complicada a todos os niveis (Médicos e Legais). Ja assim não é nada facil, imagina se não for doença!! Ninguem tera direito a nada... Portanto mesmo não sendo doença que continuem a classificar como tal, porque ai conseguirão ter uma vida futura digna depois de percorrido todo o processo tanto relativo ao sector privado ou publico muito mais demorado, e tambem acesso legal a mudança dos FUNDAMENTAIS DOCUMENTOS! Sobre a questão do Casamento de Homossexuais ou uma Lei de Identidade de Genero, acho essencialmente que Identidade de Genero e de caracter URGENTE, sendo que não casando as pessoas Homosexuais, podem viver uma vida no caso normal... Ao entanto, sem uma Lei de Identidade as pessoas Transexuais não existem, e por muito que se falem sobre isto, ninguem pode entender a frustração, a tristeza, a discriminação, etc... a TODOS os niveis sociais, laborais, economicos, familiares, etc... que essas pessoas têm que passar! Nem se compara Lei de Identidade a Lei de Casamento.... Essas pessoas basicamente não vivem, sendo que não conseguem arrumar nada sem seus documentos representando a sua identidade, e pior do que isso tambem e que não têm direito algum a nivel legal! Pensem nisso: Uma mulher a procurar emprego, depois de tudo aceite e de gostarem dela, mostra documentos de homem? Primeiro não acreditam! Depois de ela falar, o que causa grande frustração psicologica para ela no menor sentido da palavra, o que é que o empregador vai pensar sobre isso? Se ainda ela tiver a sorte de a compreender pede com cortezia para que saia e va embora, senão ainda ri na cara dela e brinca com os sentimentos tão sensiveis! Me falem então quem se aventura a procurar um emprego digno da sua area de especialidade? Bem e tão dificil explicar essa situação e outras! No mias, não tenho palavras para relatar (Poderia dar um livro muito facil)! Era bom certas pessoas que não conhecem a realidade, só viverem 1 dia com um Transexual! Nesse caso acho que a realidade iria mudar rapidamente! Sinceramente fico a espera de que o nosso governo reconheça essas pessoas como cidadãos deste país! São Médicos, Engenheiros, Advogados, Professores e etc.... São ricos, pobres etc... muitos desempregados, outros ja marginalizados so porque não podem ter seu nome e genero reconhecido!!
Fiquem todos bem
 
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Azula em 20.out.2009, 23:33:08
2. São só as pessoas transsexuais que experimentam as suas próprias identidades e problemas específicos. Tal como não podem ser os homens a decidir no activismo feminista, nem heterossexuais no activismo homossexual, aqui só as pessoas transsexuais podem decidir o que precisam, querem, e como exigi-lo. Pretender que estão em pé de igualdade é ignorar a própria discriminação e desprivilégio que torna o activismo na área da transsexualidade necessário. É uma ideia ingénua e perigosa.

Alphard, obrigada pelo post esclarecedor, de facto consigo perceber um pouco mais onde querias chegar - acho que a palavra-chave é decidir.

Embora não concorde com a ideia de que pessoas não transsexuais não se possam nunca aperceber das dificuldades que aqueles passam*,  acredito que estes movimentos encabeçados por pessoas não trans não devam agir levianamente, mas também me entristece ver tão grande desconfiança perante iniciativas que só procuram "um pouco mais de bem". Se este bem não é ainda o ideal, só cabe à população trans instruir-nos e orientar-nos também para que possamos todos juntos lutar por objectivos mais reais - acho que há arrogância é quando isto não acontece, quando não se constrói um diálogo só porque num lado temos um grupo que reinvidica a luta para si.

Como disse, acho que é uma luta de todos nós - devíamos construir pontes e deixar honras e arrogâncias de lado.

* Por favor não me leves a mal, nunca terei legitimidade de dizer que sei o que é ser transsexual, porque não sou, mas posso pelo menos imaginar um pouco do rol negativo de sentimentos que daí possam advir, sobretudo quando tenho amigos transsexuais, e esta empatia não deve ser menosprezada...
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: cybergirl em 21.out.2009, 06:35:50
Ola Alphard,

 É mesmo! Mas acho que não se precisa de 1 ano! So passarem 1 semana, seria já o suficinte para ver o que uma pessoa tem que passar em todos os apsectos da sua vida cotidiana! E depois acho que viria o Respeito, Carinho e a Compreensão Fundamental para com essas pessoas, que no final so almejam ser Felizes e produtivas neste nosso País, sendo "NORMAIS" como qualquer outra pessoa que se diz "NORMAL" nesta nossa sociedade, e talvez mais porque essas são abertas e não escondem e nem podem esconder como são e o que sentem dando a sua cara, corpo e alma diariamente (sendo muitas vezes discriminadas e ridicularizadas por varios motivos), ao passe que outras se refugiam em discursos idealistas e se esquecem de que estão a falar de um publico/minoria que largamente desconhecem suas necessidades mais basicas!   ??? (Desculpe-me mas não é a intenção de machucar ninguem, mas so expressar a minha opinião)!

 Em respeito a resposta da Azula, os transexuais por serem as minorias das minorias, e terem as suas vidas todas pela frente não gostam de se expor (por exemplo na media, jornais e etc...), primeiro por causa da Sociedade em geral que ja os poem de lado como um estigma e depois como disse acima querem ter uma vida normal como qualquer outro cidadão (a transição não é a conclusão mas sim a passagem de um estado para o outro,e não deve ser percebida como um processo continuo! Nenhum transexual depois da transição deseja ser referenciado como transexual, mas sim como homens ou mulheres na Sociedade, e lutam para que assim seja (Portanto Transexual é só um estado, e não uma identidade (espero ter passado a mensagem que é um pouco dificil de transmitir) ! A maioria dos transexuais depois da transição clinica são pessoas completamente inseridas como um membro da sociedade, e que não devem dizer: Olha eu sou transexual, mas sim sou uma mulher ou homem como qualquer outro que nasceu e viveu neste mundo..... A transição é só o estado de disforia para euforia!  ;)  Depois disso não são mais transexuais, mas sim homens e mulheres integrados em uma sociedade Felizes e finalmente livres para viver a sua vida que desde a tenra infancia (maioria dos casos, mas pode ser diferente) foi negada a estes individuos! Então o que realmente está a faltar URGENTEMENTE é uma Lei de Identidade de Genero... com isso finalmente terão um pouquinho mais de paz, pelo menos numa inserção na sociedade e laboral mais digna com algumas proteções! que por consequencia dará os tão sonhados documentos dessas pessoas e serão tratadas com dignidade com o seu nome e genero a qual sempre deveriam ter nascido e se identificado!
 ;)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Azula em 21.out.2009, 12:31:46
(a transição não é a conclusão mas sim a passagem de um estado para o outro,e não deve ser percebida como um processo continuo! Nenhum transexual depois da transição deseja ser referenciado como transexual, mas sim como homens ou mulheres na Sociedade, e lutam para que assim seja (Portanto Transexual é só um estado, e não uma identidade (espero ter passado a mensagem que é um pouco dificil de transmitir) !

Oi Cyibergirl, essa ideia foi a que sempre defendi quando por exemplo surgiam pessoas a dizer que se tivessem relacionamentos com homens/mulheres que já tinham sido transsexuais gostariam que eles os informassem. Sempre achei isto descabido precisamente porque a pessoa transsexual não o seria mais a partir do momento em que efectua a transição e assim deverá ser sempre considerada de acordo com o sexo a que psicologicamente se sente pertencer e ninguém tem o direito de dissecar a vida daquela pessoa só por ela ter sido transsexual, obviamente.

Contudo, existem casos de pessoas transsexuais que não desejam efectuar a transição e que continuam a usar a designação transsexual para se referirem a si mesmos - corrijam-me se eu estiver errada - mas creio que as maneiras de pensar dos vários grupos (aqui falo de activistas ) trans não vão todas ao encontro do par homem-mulher, existem aqueles que reivindicam que nós podemos ser o que quisermos e quando quisermos e que por isso não temos que adequar o nosso corpo a nenhum dos sexos (falo de cirurgias). Não sei se estou a fazer aqui uma grande confusão entre transsexual e transgénero...mas este último termo abarca também muitos outros, incluindo os transsexuais.

Aguardo as vossas respostas  :)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: cybergirl em 22.out.2009, 11:05:37
Ola Azula,
A sua ideia esta totalmente certa com a minha opinião tambem! Uma vez completa a transição a pessoa é como sempre sentiu e deveria ter nascido! A pessoa transexual não tenta ser, ela É! Uma mulher transexual não tenta ser mulher ela É uma mulher como qualquer outra, então não vejo razão alguma para dizer da sua vida privada e intima que no final só interessa a ela e não ao parceiro! A respeito daquelas que ficam pela transição tenho as minhas dúvidas se são realmentes transexuais ou transgeneras! Não que devam ser tratadas diferentes, mas a sua situação deve ser analisada, a razão porque não se quer completar a transição! Tambem têm o direito de viver como qualquer outra, mas me pergunto se realmente será transexual!

 Transexual para mim é uma pessoa que se identifica/sente/é ao EXTREMO a identidade oposta, sendo a intervenção cirurgica genital a mais requisitada e sempre procurada e conseguida, nem se for necessario ir ao fim do mundo para faze-la! Tratamentos hormonais tambem são essencias para adquirir outras caracteristicas do sexo oposto, e terão que ser tomados para o resto da vida!

 Portanto depois de passado a transição, a pessoa é o outro sexo tambem anatomicamente, sendo atingido uma paz e realização interior... Acredito que não falará e tentará o mais que possa por de lado o seu passado, que no mais sempre trouxe muita tristeza, frustração e etc! No final como disse, querem é viver totalmente como homens e mulheres integradas normalmente na sociedade!

 E fica aqui escrito, que para as pessoas que dizem que não entendem, esta cheio de material na internet, livros e estudos internacionais feitos nesta tão sensivel materia! Podem não entender, mas que se informem e Respeitem! Acredito ser pessoas preconceituosas e ignorantes, as que não querem mesmo respeitar e compreender esses individuos, que muito sofrem para enfrentar dia apos dia a nossa sociedade!

Bem, espero ter conseguido passar a minha opinião mais uma vez
 ;)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: ^_PiPa_^ em 24.out.2009, 02:25:55
Vi agora um programa que considerei muito interessante, educativo, esclarecedor... sendo um documentário achei que era um grande avanço da televisão... Chama-se Sex Change e o próximo episodio dá segunda-feira às 21:48 se não estou em erro no canal Zone Reality, canal 74 da Meo ;)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Anjo20 em 24.out.2009, 10:50:58
Considerar a transexualidade uma doença é olharmos para nós mesmo, homo, bis e lesbicas, e dizer-mos: Estamos doentes...

Por isso... É claro que a transexualidade não é doença... Quanto a se é um problema genetico ou como muitos afirmam, um erro que acontece na natureza, então nos, volto a repetir, bis, gays e lesbicas tb somos um erro e tivemos um erro genetico...

:)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Decode em 27.out.2009, 11:57:05
Bem...muito pessoalmente (e esquecendo a "bagagem" genética da coisa que me "deram") vejo a transexualidade não  como uma doença...aliás, se virem por ai um rapaz porreiro chamado "Elijah Keats" peçam-lhe para falar do que entende por "doença","parafilia", "normalidade"...que ele sabe muito melhor o que dizer que eu  ;)

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 08.nov.2009, 16:16:02
Eu acho que a maioria das pessoas têm um problema grave com a palavra doença ou distúrbio, que não faz sentido nenhum.
A verdade é que um transexual é uma pessoa que se identifica com o sexo oposto ao que lhe foi atribuído em termos biológicos. É algo que nenhum de nós, não transexuais, pode perceber o que implica, porque é uma daquelas situações que só quem vive pode perceber. A maioria das pessoas que se encontra nesta situação precisa de apoio médico para a superar e poder viver em pleno a sua vida. Neste sentido, a transexualidade apenas é considerada um distúrbio enquanto a pessoa precisa dessa ajuda. O ser ou não um distúrbio, não significa que esteja certo ou errado, que seja mau ou bom... Pura e simplesmente significa que existe uma situação que pode ser em parte melhorada, com o auxílio médico.

Por outro lado, lembrei-me há pouco de uma coisa. No momento em que a transexualidade deixar de ser considerada um distúrbio, o SNS deixará de comparticipar as intervenções... Certo? A verdade é que o SNS já não comparticipa todas as intervenções que por vezes são necessárias nestes processos, por considerar que se tratam, de cirurgias estéticas!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Josef em 08.nov.2009, 17:52:06
Deverá ser considerada um erro genético, uma vez que o sexo biológico não se formou de acordo com o sexo cerebral. Quando isso se sucede, as pessoas devem reflectir bem sobre aquilo que querem. Hoje em dia é relativamente mais fácil mudar de sexo do que há uns anos, embora não seja uma decisão se tome de ânimo leve.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Andreia. em 08.nov.2009, 18:54:38
Deverá ser considerada um erro genético, uma vez que o sexo biológico não se formou de acordo com o sexo cerebral. Quando isso se sucede, as pessoas devem reflectir bem sobre aquilo que querem. Hoje em dia é relativamente mais fácil mudar de sexo do que há uns anos, embora não seja uma decisão se tome de ânimo leve.

Sim, deverá ser considerado um erro genético por essa razão.
Mas, embora a decisão de "mudar de sexo" não deva ser tomada de ânimo leve, há algo que as pessoas não entendem:
Esta questão, a nível de sentimentos, é mais extrema do que se pensa e se diz.
De facto, ou se é, ou não se é "mulher" ou "homem".
O sofrimento interno das pessoas transexuais é realmente horrível, destruidor, e algo que nos acompanha durante uma vida, se nao formos ajudad@s.
E , no fundo, a escolha não entre "mudar de sexo" ou "não mudar". A escolha é entre "ser eu, ser feliz!" ou "ir andando, ser infeliz".
Porque de facto é isso mesmo. Enquanto não corrirgirmos o nosso corpo, o nosso género, não conseguimos, de todo, viver. Vamos "sobrevivendo", sim, mas e apenas isso!

Portanto, não me parece que seja muito difícil tomar uma decisão dessas, tendo em conta as consequências que terão na nossa vida, tanto positivas como negativas.

Mas, para não fugir ao assunto, acho que a transexualidade não deveria ser considerada uma "doença", no verdadeiro sentido da palavra, uma "doença mental", mas sim algo, um problema, que deve ser tratado, e obviamente, com a ajuda de profissionais especializados nesse ramo.
Mas de facto, se o SNS deixar de comparticipar as poucas intervenções (das várias que são necessárias) , nem consigo imaginar como será. É mais uma preocupação aflitiva para juntar aos problemas que carregamos  [smiley=doente.gif]
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Josef em 08.nov.2009, 19:31:28
Deverá ser considerada um erro genético, uma vez que o sexo biológico não se formou de acordo com o sexo cerebral. Quando isso se sucede, as pessoas devem reflectir bem sobre aquilo que querem. Hoje em dia é relativamente mais fácil mudar de sexo do que há uns anos, embora não seja uma decisão se tome de ânimo leve.

Sim, deverá ser considerado um erro genético por essa razão.
Mas, embora a decisão de "mudar de sexo" não deva ser tomada de ânimo leve, há algo que as pessoas não entendem:
Esta questão, a nível de sentimentos, é mais extrema do que se pensa e se diz.
De facto, ou se é, ou não se é "mulher" ou "homem".
O sofrimento interno das pessoas transexuais é realmente horrível, destruidor, e algo que nos acompanha durante uma vida, se nao formos ajudad@s.
E , no fundo, a escolha não entre "mudar de sexo" ou "não mudar". A escolha é entre "ser eu, ser feliz!" ou "ir andando, ser infeliz".
Porque de facto é isso mesmo. Enquanto não corrirgirmos o nosso corpo, o nosso género, não conseguimos, de todo, viver. Vamos "sobrevivendo", sim, mas e apenas isso!

Portanto, não me parece que seja muito difícil tomar uma decisão dessas, tendo em conta as consequências que terão na nossa vida, tanto positivas como negativas.

Mas, para não fugir ao assunto, acho que a transexualidade não deveria ser considerada uma "doença", no verdadeiro sentido da palavra, uma "doença mental", mas sim algo, um problema, que deve ser tratado, e obviamente, com a ajuda de profissionais especializados nesse ramo.
Mas de facto, se o SNS deixar de comparticipar as poucas intervenções (das várias que são necessárias) , nem consigo imaginar como será. É mais uma preocupação aflitiva para juntar aos problemas que carregamos  [smiley=doente.gif]

Pode ser uma decisão fácil para uns, mas difícil para outros. O grau de confusão varia de caso para caso, de pessoa para pessoa e de educação para educação. Ainda há pouco tempo uma suposta hermafrodita que viveu toda a sua vida como mulher, mas que dizia sentir-se um homem, foi a um programa televisivo mostrar a sua confusão, uma vez que se tinha apaixonado por um homem e que, por isso, estava a pensar em investir em si enquanto mulher.

Acabou por misturar a sua orientação sexual com a sua identidade de género e a partir disso fez uma grande salada russa que confundiu tudo e todos e principalmente a si mesma.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Andreia. em 08.nov.2009, 19:51:21

Pode ser uma decisão fácil para uns, mas difícil para outros. O grau de confusão varia de caso para caso, de pessoa para pessoa e de educação para educação. Ainda há pouco tempo uma suposta hermafrodita que viveu toda a sua vida como mulher, mas que dizia sentir-se um homem, foi a um programa televisivo mostrar a sua confusão, uma vez que se tinha apaixonado por um homem e que, por isso, estava a pensar em investir em si enquanto mulher.

Acabou por misturar a sua orientação sexual com a sua identidade de género e a partir disso fez uma grande salada russa que confundiu tudo e todos e principalmente a si mesma.

Sim, mas para isso existem os médicos especializados, para nos ajudar nesses aspectos, se não estivermos certos daquilo que sentimos/somos.
Mas temos de ver que esse caso era muito complexo, mais do que um "simples" caso de transexualidade.
Esse caso de facto envolvia identidade de género e orientação sexual, que são coisas distintas.
Uma pessoa transexual, à partida (à partida, porque normalmente o sentimento vem desde a infância) sente-se identificada com o sexo que não o biológico desde a infância. Se a pessoa tiver noção de que é, de facto, "transexual", não me parece que a decisão seja muito difícil de tomar, e era nesse sentido que eu estava a falar... eu referi-me no sentido de a pessoa que tem de fazer a escolha realmente ter noção de que é transexual, e o que isso implica.
Quando comentei, não foi no caso de uma pessoa estar confusa quanto à sua identidade de género/orientação sexual.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Azula em 09.nov.2009, 14:57:36
Tenho, infelizmente, bastantes experiências de activistas homossexuais, com menos trabalho que eu no próprio activismo homossexual (também já fiz algum, e não tenho intenção de o deixar), me tentarem ensinar o que é a transsexualidade, como são as pessoas transsexuais, que terminologias usar, que estratégias utilizar, recusarem aprender ou dialogar, recorrerem aos gritos, palavras de ordem vazias, e até ao insulto transfóbico. Que alguém que quer falar em teu nome consiga ser, pelo menos em privado (e às vezes, também em público...) abertamente transfóbico é algo de surpreendente, mas acontece. A minha experiência não é única, e lembro-me de um exemplo: um grupo que convidou um amigo, também transsexual, para trabalhar com eles, e, apenas minutos depois, outro elemento do mesmo grupo (penso que sem saber do que os outros tinham feito) atirou-lhe uma piada transfóbica.

Obrigada eu, Alphard, pela tua clareza e paciência. *Vénia*. Continuo a constatar que tenho muito para aprender e sobretudo que não devo colocar os activistas num pedestal...Esse caso que referes é triste e lamento muito que tenham que passar por situações dessas com pessoas que supostamente seriam mais ajuizadas, informadas, sensibilizadas etc.

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 09.nov.2009, 16:48:27
Deverá ser considerada um erro genético, uma vez que o sexo biológico não se formou de acordo com o sexo cerebral.

?????????

Não sei bem qual é a tua definição de erro genético, mas posso garantir-te, que à luz daquilo que conhecemos hoje, a transexualidade não é um "erro" genético.

A intersexualidade é uma disfunção genética e/ou endocrinológica, mas a transexualidade não.
Numa pessoa transexual não existe nenhum erro em termos genéticos. São geneticamente XX ou XY e desenvolvem-se como tal. Em termos genéticos ou biológicos não existe "sexo cerebral"... Confesso que acho que isso não existe em ciência nenhuma.
Pelo que já me foi explicado, o máximo que existe é uma distinção entre sexo e género para algumas ciências sociais. Em termos biológicos e médicos existe apenas uma definição de sexo e/ou género que é o biológico.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Josef em 09.nov.2009, 18:38:34
Deverá ser considerada um erro genético, uma vez que o sexo biológico não se formou de acordo com o sexo cerebral.

?????????

Não sei bem qual é a tua definição de erro genético, mas posso garantir-te, que à luz daquilo que conhecemos hoje, a transexualidade não é um "erro" genético.

A intersexualidade é uma disfunção genética e/ou endocrinológica, mas a transexualidade não.
Numa pessoa transexual não existe nenhum erro em termos genéticos. São geneticamente XX ou XY e desenvolvem-se como tal. Em termos genéticos ou biológicos não existe "sexo cerebral"... Confesso que acho que isso não existe em ciência nenhuma.
Pelo que já me foi explicado, o máximo que existe é uma distinção entre sexo e género para algumas ciências sociais. Em termos biológicos e médicos existe apenas uma definição de sexo e/ou género que é o biológico.

Eu pouco ou nada percebo de biologia, por isso comentei de acordo com a minha perspectiva e com o que acho mais lógico, como é pedido no tópico.

Se fosse especialista em ciências humanas teceria um testamento repleto de factos provados. Factos e provas que ninguém tem sobre este assunto.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 10.nov.2009, 11:20:43
ok :)

Então cá vai... Vou tentar fazer-me entender (coisa para a qual não tenho muita vocação)...

Os seres humanos têm 23 pares de cromossomas. Cada um desses cromossomas tem uma data de genes. Um "erro" genético implica que a pessoa em questão não tem 23 pares de cromossomas, ou têm genes trocados entre cromossomas, ou faltam-lhe partes dos cromossomas e portanto alguns genes, ou então possui todos os genes, mas por alguma razão não estão a funcionar como deviam, ou então tem cópias a mais do mesmo gene... Os tipos de "erro" que podemos falar são normalmente deste género.
Temos 23 pares, ou seja 46 cromossomas, dos quais 2 são os cromossomas sexuais. Uma mulher "normal" tem como cromossomas sexuais XX e um homem XY. Em genética, o género é o biológico e determinado pelo nosso património genético. Ou seja, um transexual não tem um "erro" genético, no sentido em que em termos genéticos e de desenvolvimento biológico é "normal".
Um ftm por ex, em termos genéticos é XX e desenvolve-se normalmente como tal, a não ser que interfira nesse desenvolvimento. Pelo que não se pode falar de um "erro" genético.

Existem estudos sobre o património genético de transexuais e em nenhum deles se encontrou nenhum tipo de problema. O facto de a pessoa em questão não se identificar com o seu género biológico não se trata de um erro genético.
No caso da intersexualidade, sim, aí existe uma patologia de base associada a um problema genético. É uma situação completamente diferente, mas que por vezes, leva ao mesmo tipo de procedimento em termos de tratamento... Pelo que muitas vezes as pessoas intersexuais são confundidas com as pessoas transexuais. É frequente os intersexuais fazerem o mesmo tipo de tratamentos hormonais, operações plásticas e até mesmo no limite, cirurgias de redesignação de sexo. No entanto, não são transexuais. À partida, por definição, um transexual, é biologicamente saudável, um intersexual não.
O intersexual tem um problema físico, um transexual tem um distúrbio de indentidade de género, que é algo completamente diferente.

Existem já alguns estudos que relacionam alguns tipos de transexualidade com o antigénio H-Y que está relacionado com a determinação sexual, mas isso não é um erro genético.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Josef em 10.nov.2009, 11:31:07
Estou a ver. Resta saber no que é que consiste esse distúrbio e como é que ele se forma, se a "vítima" é biologicamente saudável.

Acho pouco correcto que se associe a transsexualidade à homo(bi)ssexualidade, quando a primeira implica um desconforto profundo com o próprio corpo e a segunda não.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Decode em 10.nov.2009, 11:49:15
Deverá ser considerada um erro genético, uma vez que o sexo biológico não se formou de acordo com o sexo cerebral.

?????????

Não sei bem qual é a tua definição de erro genético, mas posso garantir-te, que à luz daquilo que conhecemos hoje, a transexualidade não é um "erro" genético.

A intersexualidade é uma disfunção genética e/ou endocrinológica, mas a transexualidade não.
Numa pessoa transexual não existe nenhum erro em termos genéticos. São geneticamente XX ou XY e desenvolvem-se como tal. Em termos genéticos ou biológicos não existe "sexo cerebral"... Confesso que acho que isso não existe em ciência nenhuma.
Pelo que já me foi explicado, o máximo que existe é uma distinção entre sexo e género para algumas ciências sociais. Em termos biológicos e médicos existe apenas uma definição de sexo e/ou género que é o biológico.

Concordo! Eu acho que a noção de sexo não passa exclusivamente pela explicação biológica mas também apela a uma noção de sexo/genero social. O género tem uma forte componente determinativa a nivel biológico, certo e afirmativo, contudo a forma como essa condição de expressa socialmente tem uma enorme relevancia na interpretação do "ser-se homem/mulher".

Erro genético? Discordo! Como disse a Corema ñão existe um sexo cerebral, existe sim uma pre-disposição a comportarmo-nos como "homens" ou "mulheres" de acordo com a fisionomia que temos. Por exemplo, eu sou um rapaz, tenho a fisionomia de um rapaz mas identifico-me com o etsilo e forma de vida das mulheres da minha sociedade...não tenho um porblema genético! Trata-se de uma questão de identificação que pode ser resultado (sei lá...) de factores biológicos ou somente sociais...Não deprezo, contudo, que seja único e exclusivamente uma questãos social que motiva a transexualidade, contudo, acreditoq ue este factor seja muito relevante.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 10.nov.2009, 12:38:47
Estou a ver. Resta saber no que é que consiste esse distúrbio e como é que ele se forma, se a "vítima" é biologicamente saudável.

Acho pouco correcto que se associe a transsexualidade à homo(bi)ssexualidade, quando a primeira implica um desconforto profundo com o próprio corpo e a segunda não.

Em termos físicos uma pessoa transexual é uma pessoa saudável. A transexualidade é considerada um distúrbio do foro psicológico.
Infelizmente, a pessoa transexual é tanto mais saudável, quanto menos alterações provocar no seu corpo. Ou seja, nestes casos, as pessoas são fisicamente saudáveis e deixam de o ser, muitas vezes, por causa das intervenções que fazem. Como vocês devem imaginar, o tratamento hormonal, por exemplo, é uma agressão brutal ao nosso sistema biológico. 

Em termos médicos a transexualidade nao é associada à orientação sexual. Uma coisa é identificação de género, outra completamente diferente é a orientação sexual. Neste momento, aliás, em termos médicos, as diferentes orientações sexuais não são sequer consideradas como um problema, uma patologia ou distúrbio.Vejam bem, que eu quando falo é unica e exclusivamente em termos médicos e/ou biológicos, porque é a área em que trabalho e não tenho conhecimentos suficientes para me referir a outras áreas.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Azula em 10.nov.2009, 14:11:53
Olá, relativamente ao “sexo do cérebro” não me estranha nada a quantidade de perspectivas diferentes. Bom, nós no mestrado de Sexologia aprendemos que existe, de facto, um “sexo do cérebro”.  :o

Os nossos docentes psicólogos, médicos, endocrinologistas e por aí falam num cérebro de essência feminina, relacionando-a com o facto de haver uma selectividade estrogénica do cérebro fetal, pois não existem receptores de Testosterona  no cérebro.  Assim, se não houver interferência de T gonadal (ou por uma indução exterior qualquer) o cérebro manter-se-à feminino estruturalmente.

Aprendemos que existem dois momentos de diferenciação sexual do feto:  a diferenciação cromossómica e fenotipica, marcada pelo desenvolvimento das gónadas sexuais já diferenciadas – ovários ou testículos- por volta da 7º semana de vida; e a diferenciação sexual cerebral que se dá posteriormente, por volta do 4ª mês de vida fetal, por influência dos esteróides gonadais no SNC.

Assim, se o feto vier a produzir T (por acção dos testículos)  esta vai ser aromatizada em estrogénios. Como não existem receptores de T no cérebro, será a quantidade de estrogénios a ditar a posterior diferenciação sexual do cérebro, sendo que muito estrogénio masculiniza e que pouco estrogénio feminiza.  O padrão normal será originado pela aromatização a um determinado nível óptimo.  

Qual será então a génese da transexualidade ? Será a disparidade entre o sexo anatómico e o sexo do cérebro, determinado posteriormente, originada por níveis não-óptimos de hormonas sexuais.  Esta disparidade surgirá, por exemplo, se tivermos um feto XX, com ovários, e que produza uma grande quantidade de estrogénios ou se tivermos um feto XY, com testículos, que não aromatize. No primeiro caso teremos uma rapariga com um cérebro mais masculinizado e no segundo caso um rapaz que não consegue produzir T a um nível óptimo e portanto com um cérebro mais efeminado.  

O transexual será então o individuo cujos sexo anatómico e cerebral não coincidem como resultado da tal disparidade mas levada ao extremo, pois como sabemos existem mulheres com comportamento associados aos rapazes e vice-versa e que só por isso não se podem considerar transexuais. [Sobre este ponto haverá alguns que dizem que a identidade de género é construída socialmente, mas na perspectiva médica ela é cromossómica, gonadal, hormonal e já está bem delineada nos primeiros anos de vida da criança, revelada nas brincadeiras, agressividade, preferências etc].

Deste modo não existirá nenhum erro cromossómico, apenas uma influência maior/menor em termos das hormonas. É por isto que também nos deram o exemplo da transexualidade induzida. Por exemplo, se tivermos uma mãe à espera de um rapaz e ela esteja a efectuar tratamento hormonal para o acne à base de estrogénios o que vai acontecer é que se essa toma coincidir com o período de diferenciação sexual do cérebro, o feto será bombardeado de estrogénios, levando à efeminização do cérebro.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 10.nov.2009, 14:30:36
Engraçado, nós aqui não chamamos a isso "sexo cerebral"... Mesmo assim... Há vários transexuais que não apresentam valores hormonais anormais...
Eu acho que faz mais sentido a teoria dos antigénios, mas também ainda não se conseguiu estudar casos suficientes.
Seja como for, não é uma patologia genética.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Josef em 10.nov.2009, 14:52:08
Engraçado, nós aqui não chamamos a isso "sexo cerebral"... Mesmo assim... Há vários transexuais que não apresentam valores hormonais anormais...
Eu acho que faz mais sentido a teoria dos antigénios, mas também ainda não se conseguiu estudar casos suficientes.
Seja como for, não é uma patologia genética.

Então é o quê? Fruto de uma pandemia? :P
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: corema em 10.nov.2009, 16:39:51
Engraçado, nós aqui não chamamos a isso "sexo cerebral"... Mesmo assim... Há vários transexuais que não apresentam valores hormonais anormais...
Eu acho que faz mais sentido a teoria dos antigénios, mas também ainda não se conseguiu estudar casos suficientes.
Seja como for, não é uma patologia genética.

Então é o quê? Fruto de uma pandemia? :P

:) Isso seria caótico, no mínimo...

Eu sei que tenho uma dificuldade imensa em explicar-me nestas coisas da genética, mas a verdade é que a minha area de trabalho é exactamente a genética médica...
Por ex, se a transexualidade fosse derivada de uma condição genética, os transexuais teriam de frequentar a consulta de genética médica, como os intersexuais, o que não se verifica. Esta area é tudo menos linear, sempre em mudança e muito dificil de explicar em termos de linguagem comum.
Hoje de manha lá hospital com a ajuda de uma das médicas geneticistas andei a pesquisar uns artigos sobre o tema, ainda não tive tempo de os ler com a atenção suficiente, mas prometo que se explicarem melhor o porquê de não ser considerado genético eu copio para aqui.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Fetch! em 29.dez.2009, 22:06:48
HIV experts call for declassification of transgenderism as mental illness
By Jessica Geen • December 29, 2009 - 14:41

An international meeting of experts on HIV has called for transgenderism to be reclassified as a medical condition, rather than a mental illness. The second International Experts' Meeting on HIV Prevention for MSM, WSW [men who have sex with men and women who have sex with women] and Transgenders took place in Amsterdam in early November with 130 experts from around the world.

A report, called Moving from Intentions to Action, has now been published and calls for change in how trans people are treated. It argues that trans people would then escape the stigma of mental illness that is frequently attached to them. The report said: "Gender identity variance (transgenderism) should be reclassified from its current classification as a mental health disorder in the American Psychiatric Association’s Diagnostic and Statistical Manual and the World Health Organisation’s International Classification Of Diseases (ICD). Instead it should be classified as a medical condition. This would provide a diagnostic category in the ICD that would accommodate the needs of those gender identity variant people who require medical care for their condition, but without the stigma attached to mental disorder."

Professor Stephen Whittle, of Manchester Metropolitan University and trans group Press For Change, welcomed the move. He said: "This is another major contribution to the very important, and crucial debate on whether simply having a gender identity and the desire to express yourself through it can be a mental illness. We accept that many trans people need the support of mental health specialists – but not because of their gender identity, but because of the rejection of their gender not just on a personal transphobic level but also institutionally and at the wider structural levels. Every one of us has a gender identity and look at any group of people and one can see a vast number of ways ordinary people express their person gender place – how they want others to know them. At their core trans people want nothing more than to have the privilege to do the same."

Medical opinion once held that homosexuality was a mental illness. It was removed from the list of mental disorders by the World Health Organisation in 1990.

http://www.pinknews.co.uk/2009/12/29/hiv-experts-call-for-declassification-of-transgenderism-as-mental-illness/ (http://www.pinknews.co.uk/2009/12/29/hiv-experts-call-for-declassification-of-transgenderism-as-mental-illness/)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Fetch! em 30.dez.2009, 18:46:53
O texto está cheio de erros factuais, é um pouco desesperante tentar lê-lo  :P
Também acho curioso que um congresso de peritos sobre HIV se pronuncie sobre algo que não tem qualquer relação com a sua área ou identidade. Já bastam alguns activistas homossexuais para roubar a nossa voz, não precisamos de mais ninguém...

Também me causou alguma estranheza este comunicado ter saído de um congresso de peritos que não estão ligados especificamente à área da saúde mental. No entanto, o mesmo debruçava-se também na prevenção de infecção do HIV na população transgénera. Desconheço se esta população apresenta particularidades no que respeita à infecção por HIV, mas uma vez que a exclusão e estigma social podem estar na origem de comportamentos de risco, não me parece improvável que tenham uma incidência significativa. Para além de que existe depois todo o mercado de hormonas "ilegais" associado a alguns casos.

Apesar de se debruçarem num tópico em que não são especialistas, não o fazem argumentando enquanto tal; a retirada da transsexualidade da lista de doenças mentais tiraria o estigma associado à mesma, promovendo uma maior abertura para que estes indivíduos recorram a serviços médicos. Claro que apesar de ser louvável, não é tendo apenas este argumento por base se procede a essa alteração. Mas é bom relembrar que um dos argumentos utilizados para retirar a homossexualidade da lista de doenças mentais era semelhante a este; a retirada do estigma. (Claro que não se limitou a este.) No entanto, acho positivo que a discussão esteja a ser feita.

Quanto às declarações do Professor Stephen Whittle, sim, são confusas. ???
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Fetch! em 31.dez.2009, 22:07:20
Claro Alphard, não a senti enquanto tal. ;)
   
Eu só posso analisar esta notícia com alguma distância uma vez que não estou muito informado quanto ao transgenderismo/transsexualidade. Sei alguma coisa do que vou lendo em artigos ou notícias, mas não li ou ouvi muitos discursos na primeira pessoa (mesmo os presentes no fórum), daí que conheça pouco sobre o que implica ser transsexual e quais são os principais problemas e prioridades dentro desta comunidade. Então a situação em Portugal em termos de acompanhamento médico e legislação, sei mesmo muito pouco.

Não sei se esta proposta para a remoção do transgenderismo enquanto doença mental com os objectivos invocados seja realista ou mero “wishfull thinking”. Não sei se os transsexuais sentem de facto esse estigma apenas com base nesta classificação e portanto os efeitos que tem no seu quotidiano, incluindo o acesso a cuidados médicos. E, como tu dizes, estes especialistas não falam enquanto representantes desta população.

Enquanto outsider a esta questão também acho estranho que especialistas em HIV tomem uma posição nesta matéria e que o argumento que invocam não é suficiente para proceder à alteração que propõem. Então se a inclusão da disforia de género no DSM estiver colocada nos termos que referes, altera significativamente a minha percepção em relação a esta notícia, a qual sugere precisamente o contrário.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: 2estrelinha3 em 04.ago.2010, 19:05:54
15 mil € para mudar de sexo

No privado os transexuais pagam entre 15 e 25 mil euros para fazer a intervenção.
Por:Sónia Trigueirão

Setenta portugueses já fizeram, ou estão a fazer, operações de mudança de sexo pagas pelo Estado, desde 2005, no Hospital de Santa Maria, a única unidade de Saúde pública que, em Portugal, dá resposta aos transexuais que foram autorizados pela Ordem dos Médicos a submeterem-se a esta cirurgia. Para 2010, a Ordem já autorizou sete operações (cinco são de feminino para masculino), revela o único cirurgião plástico que faz este trabalho no público, João Décio Ferreira, de 65 anos.

As operações, bem como todas as consultas de psiquiatria que antecedem a mudança de sexo, são comparticipadas a 100% pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS), seguindo uma norma imposta pela Comissão Europeia, que considera a transexualidade uma doença congénita.

O custo destas cirurgias, que são várias – mudar de feminino para masculino implica, pelo menos, 10 intervenções, enquanto para o inverso bastam duas operações – não é divulgado pelo Ministério da Saúde. Segundo Décio Ferreira, no sector privado o custo varia entre os 15 e os 25 mil euros.

Contactada pelo CM, fonte da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) afirmou que 'as cirurgias de mudança de sexo são operações que ocorrem muito raramente'. Sobre os preços das operações, apenas disse que 'os valores praticados no SNS serão muito abaixo dos indicados pelo sector privado'. Décio Ferreira, que acompanha 54 transexuais, explica que é um contra-senso o Estado aceitar a mudança de sexo como uma doença congénita e financiar as cirurgias para depois complicar as alterações de identidade e de género nos documentos. 'Quem quer mudar de sexo tem de colocar um processo contra o Estado em Tribunal. Só em custas e advogado, pode chegar aos 6 mil euros e fazer uma peritagem no Instituto de Medicina Legal custa 400 euros'.

MULHERES SÃO QUEM MAIS PROCURA ESTA CIRURGIA

Portugal contraria a tendência mundial onde há mais masculinos a mudar para femininos. Segundo o cirurgião plástico Décio Ferreira, 'em Portugal, o rácio é de três que mudam para masculinos e um para feminino'. O especialista garante que, desde 2005, já fez 33 operações de feminino para masculino e apenas 11 de masculino para feminino. Esta tendência acaba por complicar a lista de espera, pois 'enquanto de homem para mulher a situação fica resolvida numa cirurgia, a mudança de sexo de mulher para homem é mais demorada e exige uma série de intervenções'. Além disso, o cirurgião já está reformado e apenas se dedica em exclusivo aos transexuais desde Setembro de 2009. 'Até aqui dividia o tempo com outras cirurgias, nomeadamente relacionadas com obesidade, mas agora só faço estas', conta, sublinhando que só opera transexuais de 15 em 15 dias . Este ano foram aprovadas sete cirurgias, que só terão lugar no final do ano.

DISCURSO DIRECTO

'ALTERAR IDENTIDADE PODE DEMORAR QUATRO ANOS', João Décio Ferreira, Cirurgião Plástico

Correio da Manhã – Qual o maior problema das pessoas que mudam de sexo em Portugal?

João Décio Ferreira – É a mudança de identidade. Conheço um caso que operei em 2006 que só agora conseguiu autorização para tratar dos documentos. É um processo que pode demorar quatro anos já depois de a pessoa fisicamente ter mudado de género.

– Que implicações tem essa demora?

– A pessoa já tem uma aparência diferente e nos documentos de identidade o género não corresponde. Têm sempre de andar com um documento médico a explicar a situação, têm dificuldades até para arranjar trabalho.

– Qual a solução?

– O Estado devia agir em conformidade com os seus actos e mudar a legislação. Em Espanha a pessoa só precisa de ir a uma conservatória com os papéis do médico a atestar o género e em menos de um mês tem os documentos. Aqui é uma violência o que fazem. Para mudar de identidade a pessoa tem de processar o Estado, que, por acaso, lhe pagou a cirurgia, e a submeter-se a uma perícia na Medicina Legal para provar se é mulher ou homem. Com o processo gastam uns seis mil euros e na perícia 400 euros.

– Considera que esta é uma atitude discriminatória?

– Sim. Acho que o caso de 2006 só se resolveu porque houve movimento de juízes. O novo magistrado marcou o julgamento num mês. Os transexuais são discriminados. E há quem confunda transexualidade com homossexualidade.

– Porquê?

– Só conheço um caso onde um homem mudou para mulher e hoje em dia se assume como lésbica e vive com uma mulher. Tenho um caso curioso. Dois pacientes que se apaixonaram nas consultas. Hoje ele é ela e ela é ele e vão casar.

-Já foi convidado para casamentos?

- Sim já fui a três e vou a mais um, talvez este ano.

-Há quanto tempo faz cirurgias em transexuais?

- Faço cirurgias plásticas há 36 anos, mas só me dediquei a estas em meados de 2005, quando o Dr. Godinho Matos, que iniciou estas cirurgias no Hospital de Santa Maria, se reformou. Embora eu já tratasse das deformações genitais.

-Se é o único cirurgião a dar assistência aos transexuais no sector público, quando se retirar quem vai continuar o seu trabalho?

- Não sei. Eu já estou reformado. Só faço cirurgias uma vez de 15 em 15 dias. Mas qualquer cirurgião plástico se pode dedicar a esta especialidade. A base é a mesma.

-No público o Estado financia a 100% as cirurgias dos transexuais, mas não obtivemos um valor por parte do Ministério da Saúde. A que se deve esta omissão?

- É difícil fazer esse cálculo. São consideradas cirurgias plásticas reconstrutivas. Só há pouco tempo é que se começou, no hospital, a contabilizar todo o material que se gasta numa cirurgia. Pode ser por isso. E no universo do hospital estas cirurgias também não são muito representativas na despesa total.

- Que tamanho tem um pénis sem faloplastia?

 - Tem o tamanho de um pénis de um miudo de um ou dois anos.

- E como faz o aumento?

-Recorro à cartilagem das costelas. Nunca é um pénis normal e fica frágil porque a cartilagem pode partir, mas é isso que lhe dá a rigidez.

- E mudar de homem para mulher, como é feita a cirurgia?

 - Aproveitamos a parte da glande para fazer o clítoris. É a mesma estrutura. Aproveitamos o prepúcio do pénis para fazer os pequenos lábios e fazemos a vagina com um enxerto de uma parte do intestino delgado.

- Os transexuais têm prazer sexual depois das operações?

- Sim, sem dúvida. Podem manter uma vida sexual perfeitamente normal.

- Que idades têm os transexuais que acompanha?

- Variam entre os 19 e os 60. O de 60 já foi operado há mais tempo, mas mantém-se sempre o acompanhamento.

- A partir de que idade uma pessoa se podem submeter a esta cirurgia?

 - A partir dos 18. E o processo é demorado porque tem de se ter a certeza que a pessoa está mesmo no corpo errado. Primeiro, tem de fazer consultas com um psiquiatra e um psicólogo para despistar outras patologias que podem levar ao mesmo estado. Depois, é necessário um parecer de outro psiquiatra. Apresentam o processo na Ordem dos Médicos e se não houver dúvidas pode iniciar-se o tratamento hormonal, seguindo-se a cirurgia. A Ordem acabou de autorizar este ano sete a mudar de sexo, cinco de feminino para masculino e dois de masculino para feminino.

- Acontece muitas vezes na consulta da psiquiatria descobrir-se que não se trata de um transexual?

- Acontece. Em Portugal não há estatísticas, mas lembro-me de em 2005 ter lido umas da Holanda. De 500 que foram às consultas apenas 50 tiveram autorização para avançar para a mudança de sexo.

Fonte:http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/15-mil--para-mudar-de-sexo] [url=http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/15-mil--para-mudar-de-sexo]http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/15-mil--para-mudar-de-sexo (http://[url=http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/15-mil--para-mudar-de-sexo)[/url]
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Elijah Keat em 04.ago.2010, 19:09:51
Eu votei "talvez", e votei nessa opção por causa daquilo que eu considero uma doença.
Para mim uma doença é todo o estado físico ou psicológico que causa mau estar ao indivíduo ou que lhe pode causar a morte. Até agora acho que esta definição tem servido para inúmeras doenças "oficiais", pelo que ainda não tive necessidade de alterar essa definição.

No caso das pessoas transexuais, elas sofrem uma vez que não se identificam com o seu género sexual biológico. O simples facto de sofrerem e de haver um "tratamento" (neste caso considero a mudança de sexo um tratamento) faz-me pensar que a transexualidade possa ser considerada uma doença.

Só que também há o problema do "tratamento da transexualidade" acabar por ser violento para com o corpo do indivíduo, devido às alterações hormonais e às diversas cirurgias....
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: faria_vic em 09.jan.2011, 16:41:38
Após tantos topicos explorados sobre a transexualidade decidi expor uma duvida!

Todos concordam que a transexualidade é uma disforia de genero, no entanto dever-se-ia considerá-la como uma doença? Quando me refiro a doença não quero que se use o termo como algo horrivel e hediondo mas sim como algo que está errado e deve ser corrigido!

Espero pelas opiniões dos outros users antes de exprimir a minha, de forma ao debate manter-se calmo, pelo menos inicialmente! :)

na minha opiniao sim.........a oms considera-a uma doenca mental
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: portoboy em 04.mai.2011, 20:07:09
Claro que nao !! Mas quem é que pensa isso, pensar que transexualidade é uma doença é a mesma coisa que dizer que a homossexualidade é uma opcção que escolhemos ser assim , ou que é do ambiente !!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: SoWhat em 04.mai.2011, 20:10:06
Eu votei "talvez", e votei nessa opção por causa daquilo que eu considero uma doença.
Para mim uma doença é todo o estado físico ou psicológico que causa mau estar ao indivíduo ou que lhe pode causar a morte. Até agora acho que esta definição tem servido para inúmeras doenças "oficiais", pelo que ainda não tive necessidade de alterar essa definição.

No caso das pessoas transexuais, elas sofrem uma vez que não se identificam com o seu género sexual biológico. O simples facto de sofrerem e de haver um "tratamento" (neste caso considero a mudança de sexo um tratamento) faz-me pensar que a transexualidade possa ser considerada uma doença.

Só que também há o problema do "tratamento da transexualidade" acabar por ser violento para com o corpo do indivíduo, devido às alterações hormonais e às diversas cirurgias....

Foi um bom ponto de vista. Interessante...  ;)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Pink Elephant! em 09.mai.2011, 13:08:42
Eu votei talvez e vou tentar explicar o porque..

Se fosse há uns tempos atras eu votava que não, mas há uns tempos atras também não tinha o mesmo conhecimento sobre o assunto que tenho agora... Nunca considerei a transsexualidade como uma doença mas há uns meses descobri que tenho uma amiga (ou devo dizer amigo?) enfim, tenho uma amiga que vai ser um amigo e há cerca de umas semaninhas é que soube que a transsexualidade é de facto considerada uma doença, do foro psicologico mas uma doença. Não sei explicar muito bem, por mais que tente me informar sobre o tema é muito complexo e não gosto de falar sem ter certezas do que estou a dizer.. Por isso mesmo sem saber fundamentar a minha resposta votei talvez porque se o é, é porque há razoes para isso.. mas lá por ser considerada uma doença seja por que motivo for não quer dizer que de uma conotação negativa. (resposta mais baralhada impossivel)  lol
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Elijah Keat em 14.mai.2011, 00:56:00
Eu considero a transsexualidade uma doença, apesar de não saber o que é que a WHO tem a dizer sobre isso, e não vejo razão para considerar o nome ofensivo.

Se uma pessoa transsexual se sente mal porque há, por assim dizer, um desfasamento mente/corpo, parece-me que considerar tal como doença é algo natural. Assim como me parece correcto considerar qualquer coisa que nos faça sentir mal de um modo quase ou totalmente crónico uma doença.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 27.mai.2011, 18:50:40
Se estamos sempre a dizer às pessoas para se aceitarem como são, porque não dizemos aos transsexuais para tentarem aceitar o que têm?
Eu sou gay e não me adianta tentar mudar. Por outro lado é aceitável se um transsexual, que é homem tentar mudar para mulher e vice-versa?
Mudar de sexo parece-me ser dar cabo de um corpo em perfeito estado para ter um que parece vagamente outra coisa.

A mim se lhe chamam doença ou não pouco me importa, é só uma palavra. Mas talvez…

Obviamente que não tenho o ponto de vista de um transsexual, mas é preciso fazer tanto alarido só por causa do que têm entre as pernas?
Se alguém souber uma explicação decente para os sentimentos transsexuais, faça o favor de responder, que estas questões não são retóricas.
Talvez um transsexual, por exemplo.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Elijah Keat em 27.mai.2011, 19:16:15
Uh?

Não me parece que seja assim tão irrelevante não nos sentirmos confortáveis com o "que temos no meio das pernas" ou com o corpo que temos. Aliás, acho que ser-se transexual deve ser uma das experiências mais dolorosas, do ponto de vista psicológico, que alguém pode passar.

Imagina o que é acordares todos os dias, olhares ao espelho e não te identificares minimamente com o corpo que lá vês. E, pior do que isso, não poder contar com praticamente ninguém. Se ser-se homossexual é complicado, penso que ser-se transexual é ainda mais complicado.

É que enquanto um homossexual pode ser feliz sem contar a ninguém (excepto os necessários) sobre a sua orientação sexual, e vivê-la, um transexual não pode viver o seu verdadeiro corpo, ou o corpo com o qual se identificaria, sem dar nas vistas.

Mas isto sou eu que digo.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 27.mai.2011, 19:51:00
Uh?
Não me parece que seja assim tão irrelevante não nos sentirmos confortáveis com o "que temos no meio das pernas" ou com o corpo que temos. Aliás, acho que ser-se transexual deve ser uma das experiências mais dolorosas, do ponto de vista psicológico, que alguém pode passar.
Imagina o que é acordares todos os dias, olhares ao espelho e não te identificares minimamente com o corpo que lá vês. E, pior do que isso, não poder contar com praticamente ninguém. Se ser-se homossexual é complicado, penso que ser-se transexual é ainda mais complicado.
É que enquanto um homossexual pode ser feliz sem contar a ninguém (excepto os necessários) sobre a sua orientação sexual, e vivê-la, um transexual não pode viver o seu verdadeiro corpo, ou o corpo com o qual se identificaria, sem dar nas vistas.
Mas isto sou eu que digo.

Eu não seria feliz a viver a minha orientação às escondidas, mas já vi que muita gente aqui gosta…

Isso do não poder contar com praticamente ninguém não interessa aqui, que muitos gays também dizem o mesmo.
Mas continuo sem entender isso do identificar.
Quando me olho ao espelho, sei que sou eu e pronto.
Achas que teoricamente se eu mudasse alguma coisa achava que o corpo era mais meu?

Já agora, em resposta ao tópico, essa tua descrição parece mesmo a de uma doença mental.

Se uma pessoa tem a certeza de que é suposto ser um pato, porque lhe deu na cabeça, os psiquiatras vão dizer-lhe que realmente é um pato ou vão tentar convencê-la do contrário?
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Wanted em 27.mai.2011, 22:32:51
Eu ja lidei com uma pessoa transsexual, um amigo meu. Apesar de ter nascido rapariga, sempre se identificou como homem e todos os amigos o tratam como se fosse homem, incluindo o nome.

A mim nao me incomoda nada, e nem sequer me faz confusão. é um ser humano e tem de se sentir confortavel neste mundo tal como todos nós. Nao tem de haver esterioticos nem a identificação de diferenças.

Caso sejam nossos amigos temos de apoiar naquilo que os fizer sentir melhor e naquilo que for melhor para eles.

é a minha opinião... ;)

Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Elijah Keat em 28.mai.2011, 00:03:14
Uh?
Não me parece que seja assim tão irrelevante não nos sentirmos confortáveis com o "que temos no meio das pernas" ou com o corpo que temos. Aliás, acho que ser-se transexual deve ser uma das experiências mais dolorosas, do ponto de vista psicológico, que alguém pode passar.
Imagina o que é acordares todos os dias, olhares ao espelho e não te identificares minimamente com o corpo que lá vês. E, pior do que isso, não poder contar com praticamente ninguém. Se ser-se homossexual é complicado, penso que ser-se transexual é ainda mais complicado.
É que enquanto um homossexual pode ser feliz sem contar a ninguém (excepto os necessários) sobre a sua orientação sexual, e vivê-la, um transexual não pode viver o seu verdadeiro corpo, ou o corpo com o qual se identificaria, sem dar nas vistas.
Mas isto sou eu que digo.

Eu não seria feliz a viver a minha orientação às escondidas, mas já vi que muita gente aqui gosta…

Isso do não poder contar com praticamente ninguém não interessa aqui, que muitos gays também dizem o mesmo.
Mas continuo sem entender isso do identificar.
Quando me olho ao espelho, sei que sou eu e pronto.
Achas que teoricamente se eu mudasse alguma coisa achava que o corpo era mais meu?

Já agora, em resposta ao tópico, essa tua descrição parece mesmo a de uma doença mental.

Se uma pessoa tem a certeza de que é suposto ser um pato, porque lhe deu na cabeça, os psiquiatras vão dizer-lhe que realmente é um pato ou vão tentar convencê-la do contrário?

Não se trata de gostar ou deixar de gostar de viver a sexualidade às escondidas. Eu não escondo a minha falta de interesse por raparigas, mas também não me sinto confortável em dizer que sou gay a toda a gente que conheço, nem vejo a necessidade disso. Da mesma maneira que não gosto de dizer as vezes que me mastubo por semana. No entanto, consigo viver a minha vida e a minha orientação sexual à vontade. Se fosse transexual, não o poderia fazer. Se pedisse às pessoas para me tratarem como se eu fosse rapariga e se me vestisse e comportasse como tal, seria bastante óbvio.

Dizes que parece a descrição de uma doença, e acho isso perfeitamente possível. Eu acho que a transexualidade acaba por ser uma doença, porque não há uma relação entre aquilo que se é e aquilo que se sente.

Reitero que não acho que os transexuais são "doentes" no sentido pejorativo. Acho que é uma doença porque há um óbvio desconforto que, felizmente, pode ser curado. Seja como for, agora nisto da "cura" vou calar-me porque não sei o suficiente sobre a transexualidade para dar uma opinião mais completa.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 28.mai.2011, 02:51:50
Essa "cura" parece ser amputar a perna para tratar o pé-de-atleta.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Elijah Keat em 28.mai.2011, 11:26:24
Pois. Mas não é.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: TheEchoOfNight em 28.mai.2011, 19:56:49
Pois. Mas não é.


O ponto de vista dele é bastante interessante, apesar da arrogância com que expõe a opinião.

Obviamente que não tenho o ponto de vista de um transsexual, mas é preciso fazer tanto alarido só por causa do que têm entre as pernas?
Se alguém souber uma explicação decente para os sentimentos transsexuais, faça o favor de responder, que estas questões não são retóricas.
Talvez um transsexual, por exemplo.


Se queres que te respondam, é porque tens dúvidas, e, se tens dúvidas, simplesmente não deves usar desse sarcasmo corrosivo. Quando não temos a certeza do que dizemos, o melhor que temos a fazer é apresentar o nosso ponto de vista com o cuidado de quem sabe que é possível estar-se errado, caso contrário corremos o risco de estar a ser a pior espécie de preconceituosos, que é a dos arrogantes e de mentalidade inerte.

De qualquer forma, como eu estava a dizer, (espremido o sumo) o teu ponto de vista é bastante interessante. Aqui há uns tempos, cheguei mesmo a pensar abrir um tópico com essa discussão, depois de ter lido uma opinião semelhante à tua num outro fórum, mas a preguiça falou mais alto. O que é isso da transexualidade, afinal? Pois, ainda não se sabe muito bem, mas, se realmente lhe presidem factores biológicos, a tua teoria cai por terra. Agora, se o transtorno da identidade de género é exclusivamente psicológico, então não estarão os médicos cirurgiões efectivamente a amputar uma perna para curar um pé-de-atleta? Isto é, não deveria o caminho ser a psicoterapia ao invés da cirurgia de redesignação sexual? Importante referir que eu não questiono a liberdade da preferência pela cirurgia, que da liberdade gosto eu muito e vai daí que preze não só a minha, como a dos outros. Não está aqui em causa o indivíduo A que, num mundo ideal em que a psicoterapia estivesse suficientemente desenvolvida na área para conseguir curar a transexualidade (caso a causa desta fosse exclusivamente do foro psicológico, e, sim, curar implica considerá-la uma doença; já lá vamos), optasse pela cirurgia. Se é o que prefere, óptimo, que o faça. Só me pergunto se o melhor caminho será mesmo o paradigmático.
Como posso eu convencer-me tanto de que sou uma coisa que a minha anatomia diz expressamente que não sou? O caminho é transformar-me na coisa, ou meter na cabeça que não sou aquilo, que é ridículo achar que o sou e aceitar-me de uma vez por todas? Já percebi que não é assim tão simples, mas não seria preferível direccionar os avanços do conhecimento no sentido do desenvolvimento de terapêuticas do âmbito da Psicologia que respondessem de forma satisfatória ao problema? (Estou, ressalve-se, a partir do princípio de que isto é única e exclusivamente um problema psicológico!) Se for possível trilhar o caminho por aí, parece-me bem mais inteligente e benéfico para o transexual que procura ajuda este tipo de terapêutica relativamente a um investimento numa cirurgia/tratamento hormonal, que estão associados a um processo moroso e bem mais invasivo do que o anterior.

Mas, e se a sociedade não nos impusesse papéis de género, haveria quem quisesse proceder à alteração de sexo? Se a heteronormatividade não existisse, sentiriam os transexuais necessidade de alterar o seu corpo para algo concordante, por predefinição, com o papel de género que pretendem desenrolar? O rapaz que deu a opinião de que falei há pouco defendia que os transexuais podiam simplesmente viver, com o corpo com que nasceram, o seu género, vestindo-se e comportando-se como a maioria dos elementos do sexo com que mais se identificam, que a cirurgia seria só uma cobardia, uma forma de serem fiéis ao seu autoconceito sem a discriminação e a marginalização. Podem sempre contra-argumentar, dizendo que a cirurgia requer uma enorme coragem e que o indivíduo em processo de mudança de sexo está sujeito a uma discriminação imensa, e têm razão, eu sei disso, mas é verdade que, após a mudança estar completa, só aqueles que assistiram ao processo poderão ostracizar, o resto da sociedade permanecerá na ignorância (a não ser que a androginia denuncie a redesignação sexual, mas não é isso que o transexual idealiza, certamente, quando decide efectuar a mudança).


Finalmente, a pergunta:
Responder
Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?

A meu ver, sim, e a American Psychiatric Association concorda, caso contrário não a incluiria no DSM (http://en.wikipedia.org/wiki/Diagnostic_and_Statistical_Manual_of_Mental_Disorders). Admitindo que sem papéis de género heteronormativos a transexualidade continuaria a existir, a sensação de mal-estar e de inadequação está, então, inerente ao ser-se transexual, e está inerente porque sê-lo continuaria a constituir-se lesante para o indivíduo num mundo sem transfobia. O ser-se homossexual é já diferente, uma vez que o eventual mal-estar que possa da homossexualidade advir não existiria, não fosse o preconceito social e o complexo de inferioridade por ele gerado.
A palavra "doença" é vista, acho, pela população LGBT como algo humilhante e pejorativo por a homossexualidade já ter sido considerado uma, outrora. No entanto, não se justifica que assim seja. O cancro é uma doença e os que dele padecem nem por isso são, por definição, considerados menos que ninguém; a esquizofrenia e os esquizofrénicos idem. Não há nada de ofensivo por si só em dizer-se que X é, ou está, doente, nem é humilhante sê-lo ou está-lo, porque a doença não é atestado de anormalidade (pelo menos, não no sentido pejorativo e redutor da dignidade do aberrante/desviante). É humilhante, sim, quando nos tentam impingir um problema que nós sabemos não ter, quando tentam tornar o sadio em doentio, como faziam até 1973.


Nota: Não conheço nenhum transexual e os meus conhecimentos científicos nesta área são nulos. Se disse alguma barbaridade, façam favor de corrigir. Outra coisa: não confundam a posição aqui apresentada com transfobia. Não tenho absolutamente nada contra vocês, transexuais, e respeito-vos. Em boa verdade, a única altura em que assinalo uma posição clara é aquela em que respondo directamente à questão do tópico; tudo o que disse antes não passou maioritariamente de um lançar de questões na tentativa de vos perceber melhor e assim poder formar uma opinião mais concreta e fundamentada.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 28.mai.2011, 20:16:02
O ponto de vista dele é bastante interessante, apesar da arrogância com que expõe a opinião.

Obrigado.
Cada vez me convenço mais que é doença, mas isso é irrelevante, a questão é se é "curada" da forma correcta.
Imaginem que começavam a curar outras doenças assim.
Para curar a homofobia, basta amputar a cabeça dos gays todos.
O cleptomaníacos que roubem à vontade, que o Estado paga!

Define arrogância.
Começo a ficar farto que me chamem arrogante só porque não me ponho com os rodeios e tretas com que se põem todos.
Eu digo as coisas sem testamentos como os que vejo por aqui.
Num par de frases seria capaz de dizer o que parece que alguns preferem estender a vários parágrafos.
Eu apenas incito ao debate. Não tenho problemas nenhuns contra os trassexuais, mas isso não me pode impedir de dizer estas coisas.
Não levem tudo para o lado emocional.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: TheEchoOfNight em 28.mai.2011, 21:24:57
Imaginem que começavam a curar outras doenças assim.
Para curar a homofobia, basta amputar a cabeça dos gays todos.
O cleptomaníacos que roubem à vontade, que o Estado paga!

Reitero o que disse: se a biologia tem uma palavra a dizer, essa teoria deixa de fazer qualquer sentido. De qualquer forma, não acho que essas comparações sejam boas.

(...) não me ponho com os rodeios e tretas com que se põem todos.
Eu digo as coisas sem testamentos como os que vejo por aqui.
Num par de frases seria capaz de dizer o que parece que alguns preferem estender a vários parágrafos.

Há coisas que até poderiam ser explicadas em poucas palavras, mas nunca tão bem quanto com esses tais "vários parágrafos". Não obstante, se te sentes confortável nesse registo, óptimo, continua.

Define arrogância.

Tu bem sabes o que é a arrogância, falta-te é perceber que ela não é sinónimo de frontalidade. Tu podes muito bem ser frontal sem essa prepotência. Lá fora, não sei como és (nem me atrevo a fazer extrapolações só a partir do que vejo aqui), mas, como utilizador do fórum, é o que me tens mostrado.
Por exemplo, se eu fosse um utilizador arrogante, em vez disto: "Reitero o que disse: se a biologia tem uma palavra a dizer, essa teoria deixa de fazer qualquer sentido. De qualquer forma, não acho que essas comparações sejam boas.", teria escrito isto: "Se a biologia tem uma palavra a dizer, o que dizes não passa de lixo. De qualquer forma, essas comparações são uma treta.". Directo? Fui em ambas as situações; não o sou mais por ser mais desagradável. Disse o que tinha a dizer com respeito, curto e grosso; não há necessidade da segunda forma. Se não estamos em guerra, não preciso de ser hostil.
Depois, és arrogante na forma como corriges os erros ortográficos dos outros utilizadores. Já vi muito boa gente por aqui a fazê-lo igualmente sem rodeios, mas de forma bastante mais humilde. Para além disso, queres que as pessoas não cometam erros que tu não as ensinas a corrigir, como o "provas-te" (https://www.rea.pt/forum/index.php?topic=26192.15) da sofiaferreira17 (imensa gente não sabe distinguir o "provaste" do "provas-te", o "tiras-te" do "tiraste" e por aí fora; garanto-te que ela continua a cometer o erro). Para além disso, se queres assumir o papel de grammar nazi cá do sítio, tens de dominar o português e deixar de escrever coisas como "reductor", sob pena de te tornares uma caricatura do ridículo e perderes a credibilidade.

Não tenho problemas nenhuns contra os trassexuais, mas isso não me pode impedir de dizer estas coisas.
Não levem tudo para o lado emocional.

Nem eu disse em parte alguma que os tinhas. E garanto-te que também não te quero impedir de dizer nada. Sou um grande fã da liberdade de expressão.
O que eu queria dizer é que, quando o nosso ponto de vista peca por falta de conhecimento de causa, devemos, mais do que nunca, escolher bem as palavras e pensar: "Eh pá, penso que seja assim, mas não tenho a certeza disto. Vou mas é deixar o sarcasmo e a hostilidade de parte, sair do ataque e dizê-lo com cuidado e humildade, para não perder a razão e ser uma besta".
"Mas é preciso fazer tanto alarido só por causa do que têm entre as pernas"?! O que é isto? E se eles tiverem mesmo motivo para o "alarido"? Isto não é jogar ao ataque e potencialmente desrespeitar quem, se calhar, até tem todas as razões para tal? É que estás nitidamente a partir do princípio de que eles são as rainhas do melodrama quando não tens o mínimo conhecimento de causa sobre o assunto.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 28.mai.2011, 21:50:31
Reitero o que disse: se a biologia tem uma palavra a dizer, essa teoria deixa de fazer qualquer sentido. De qualquer forma, não acho que essas comparações sejam boas.

Não acredito que tenha a ver com biologia, portanto deixa lá estar a teoria.
Se por acaso tiver, realmente deixa de se poder comparar.
Não acho que estejam assim tão más, mas no momento não me lembrei de melhores. Faça o favor de adicionar as suas.

Eu não corrijo os erros com arrogância. Nada mais a dizer.
Eu escrevi "reductor"? Estranho, mas ok… Antes um C que um hífen.

Foste directo em ambas as situações, realmente, e não vejo lá muita diferença. Onde queres chegar?

E eu poderia dizer que estás a ser extremamente hostil, se fosse como muita gente neste fórum.
Mas não digo, porque não sou, e acho que te exprimes bem e com todo o direito.

Já agora:
Responder
arrogância
s. f.
1. Sobranceria menosprezadora.
2. Altivez que deixa ver o pouco caso que se faz do adversário.
3. Insolência.
Hum… Não me acho superior a vós, até porque não vos conheço,
mas sinceramente claro que dou valor à minha opinião, mau era…
Continuo a achar que as pessoas ofendem-se facilmente por aqui.
Isso não dá jeito para analisar as coisas objectivamente.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Elijah Keat em 28.mai.2011, 22:07:22
O que não dá jeito é estarmo-nos a desviar do tema para fazer a análise de um indivíduo. Para isso encontra-se facilmente um psicólogo.

Sobre a transexualidade. Dizes tu, então, que o tratamento dos transexuais devia, em vez de se "adaptar o corpo ao pensamento", fazer ao contrário.

Não conheço tentativas desse género, a coisa mais semelhante a isso que conheço são as terapias de conversão para os homossexuais que, deve-se dizer, não funcionam e são altamente desaconselhadas pela WHO.

Tens conhecimento de alguns tratamentos hormonais, por exemplo, que tenham sido feito com transexuais? Por acaso era interessante conhecer esses resultados, se existirem.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 28.mai.2011, 22:48:42
Não, e já estou farto deste tópico.
Que apareça um transsexual por favor!
Nem sei se isso adiantava alguma coisa.
O meu computador sublinha a vermelho transsexual, já agora. Triste.
[como foi chamado à atenção pela _levitar_ nos posts seguintes, é mesmo erro]
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: wilhelmina em 28.mai.2011, 23:02:17
Olá a todos!

Se estamos sempre a dizer às pessoas para se aceitarem como são, porque não dizemos aos transsexuais para tentarem aceitar o que têm?

Compreendes tudo aquilo que tu próprio dizes nesta frase? É que dás a resposta do porquê de as coisas serem como são. "Se estamos sempre a dizer às pessoas para se aceitarem como SÃO", temos de dizê-lo sim, também aos transexuais. Que têm de se aceitar como SÃO, e não "aceitar o que TÊM". Percebes a diferença entre os dois?

Nós somos o que somos, não somos o que temos! Espero não te surpreender ao dizer isto, mas tu não és um homem porque tens uma pilinha! És um homem por um conjunto de factores, dos quais os biológicos são apenas um. Outros são sociais, culturais e psicológicos. E mais, não és decerto homossexual só porque gostas de pilinhas, mas porque gostas de um conjunto de caracteristicas físicas e psicológicas que, por regra, encontras bem combinadas num homem.

Agora quando falamos em psicológico, temos de compreender que nos transexuais há um eu-psicológico que se identifica como sendo do sexo oposto àquele que a biologia indica. E não um eu-psicológico de determinado sexo, convencido que na verdade pertence ao sexo oposto. E é isto que faz toda a diferença entre quem é ou não transexual, porque as duas situações podem, efectivamente, ocorrer.

É óbvio que as pessoas enquadradas no segundo quadro, nunca deverão passar por um processo de reatribuição sexual, mas sim por acompanhamento psicológico que as leve a compreender o que realmente sentem e o que realmente são. No caso dos transexuais, psicoterapia alguma poderia transformar o eu-psicológico de forma a que se pasasse a identificar com o seu sexo biológico. Porque este eu-psicológico, o cérebro, tem um sexo diferente do restante corpo. Por isso temos uma disforia de género.

E por isso o processo de diagnóstico desta disforia de género, da transexualidade, é moroso e complicado. E ainda assim, admitamos, não é infalível. Só para terem uma ideia, a pessoa que sente que pode ser transexual tem, antes de tudo, passar por uma avaliação psicológica que comprove que não padece de qualquer doença mental (e isto, sim, exclui a disforia de género da categoria de doenças mentais). Comprovando-se que a mente é sã, sem quaisquer perturbações que possam dificultar a sua identificação em relação ao género, esta pessoa terá de passar dois anos (no mínimo) em seguimento pelo seu psicólogo clínico ou psiquiatra, de forma a comprovar que é mesmo aquilo que sente, e que uma reatribuição sexual definitiva irá trazer mais conforto e qualidade de vida a esta pessoa (isto enquanto vive de acordo com esse género, geralmente já em terapia de substituição hormonal - um tratamento que é reversível).

Acrescento que tentativas de alterar o cérebro dos transexuais, no lugar de lhes alterar o corpo, foram feitas desde que se começou a estudar o fenómeno. Resultados? Não funcionou, obviamente! Vocês conhecem algum caso em que se consiga fazer alterações estruturais ao cérebro humano? Decerto não, pois não existem. Se não há mais divulgação sobre essas tentativas, é porque é quase consensual para a sexologia recente que o tratamento da transexualidade deve ser feito pela alteração do corpo. E digo quase, porque acontecem casos encobertos, de tentativas de fazer essa alteração ao cérebro, dentro de consultas de sexologia que aparentemente se propõe a realizar o único tratamento reconhecido como responsável. E é claro que estes não correm bem e logo não chegam a público...

Também não podemos esquecer, que fora deste âmbito, os programas de reconversão para homossexuais também são aplicados aos transexuais. Afinal, para quem não quer compreender, é tudo perversão, é tudo a mesma coisa.

Eu sou gay e não me adianta tentar mudar. Por outro lado é aceitável se um transsexual, que é homem tentar mudar para mulher e vice-versa?

Estas comparações da transexualidade com a homossexualidade é que não têm absolutamente cabimento nenhum, apesar de se insistir nelas nas mais variadas vertentes.

Na verdade, a comparação que podes fazer é que obrigar um homem transexual (pessoa que nasceu mulher e se sente um homem) a ser uma mulher, porque é esse o corpo que tem, é o mesmo que obrigar um homossexual a ser heterosexual, porque só numa relação hetero encontrará a possibilidade de procriar.

Todos vocês me dirão, com certeza, que não é necessário procriar, para que uma relação entre duas pessoas dê certo e as pessoas sejam felizes. Pois o que vos quero dizer é que não basta a ninguém ter um corpo de determinado sexo, para que se desenvolva saudavelmente de acordo com esse sexo.

Se alguém souber uma explicação decente para os sentimentos transsexuais, faça o favor de responder, que estas questões não são retóricas.
Talvez um transsexual, por exemplo.

E o que seria uma explicação decente? Um comprovativo dos factores biológicos que levam o cérebro das pessoas transexuais a desenvolver-se de um sexo diferente do seu restante corpo?

Eu nasci com um corpo masculino perfeito, e ao longo da minha vida nunca me senti masculino. Nunca senti que fosse um homem e que houvesse a mínima hipótese em viver toda a minha vida nesse papel. Passei a minha adolescência a rejeitar o corpo que tinha e a lutar pela hipótese de o ver alterado. E só comecei a atingir alguma paz de espirito quando essas alterações foram aparecendo. Porquê que isto aconteceu? Não faço a mínima ideia!

O facto é que qualquer pessoa transexual te pode explicar aquilo que sente, que é mais forte que tudo. Que o faz lutar uma vida inteira pela sua identidade, se lhe for dada essa opurtunidade. Ou que o faz sofrer em silêncio uma vida inteira, no caso contrário. Mas nenhum te poderá dar um porquê. E, mantendo a comparação, tu poderás dar-me uma explicação decente do porque de seres homossexual?

Se calhar a única resposta sincera que podemos dar é mesmo "We were born this way, baby!"...

Mas, e se a sociedade não nos impusesse papéis de género, haveria quem quisesse proceder à alteração de sexo? Se a heteronormatividade não existisse, sentiriam os transexuais necessidade de alterar o seu corpo para algo concordante, por predefinição, com o papel de género que pretendem desenrolar?

Esta questão não terá fim enquanto não se compreender o mais elementar da questão transexual. O que o transexual reivindica é um corpo consoante com a sua identidade de género, e não o direito a uma expressão de género não normativa (e preferia deixar a heteronormatividade fora da discussão, pois o que falamos aqui vai para além das contruções de um ideal hetero - como comprovam vários depoimentos neste fórum por pessoas homossexuais). A identidade de género do transexual é discordante com o seu corpo, o que o pode levar a procurar formas de o alterar e adequar o corpo ao género (embora não seja obrigatório que o faça!). No entanto, no que diz respeito à expressão de género, o transexual é tão livre quanto os outros seres humanos. É errado continuarmos a acreditar que as mulheres transexuais tentam ser mais mulheres que todas as outras mulheres, e que os homens transexuais tentam ser mais homens que todos os outros. Isto nem sempre acontece!

Para encerrar este post, regresso à questão central do tópico:

Responder
Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?

Sim. A partir do momento em que existe mal-estar e sofrimento ligados directamente à condição de transexual, e este efectivamente existe, estamos a lidar com uma doença. E assim sendo, as pessoas transexuais têm o direito a que a sua condição seja medicamente salvaguardada, para que lhes sejam garantidos todos os tratamentos que lhe podem garantir o bem-estar e a qualidade de vida que a condição transexual lhes retira.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: _levitar_ em 28.mai.2011, 23:54:18
Não, e já estou farto deste tópico.
Que apareça um transsexual por favor!
Nem sei se isso adiantava alguma coisa.
O meu computador sublinha a vermelho transsexual, já agora. Triste.

Transexual.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: kris em 29.mai.2011, 01:18:15
 :curtain

Bem devo confessar q não andei a ler tds os comentarios q andaram a escrever neste tópico ::)
vcs fartaram-se de escrever :-X

Vamos ao q interessa, no q respeita a transexualidade eu acho q não deva ser considerada uma doença.

Transexualidade é a condição considerada pela OMS como um tipo de transtorno de identidade de gênero, mas pode ser considerada apenas um extremo do espectro de transtorno de identidade de gênero. Refere-se à condição do indivíduo que possui uma identidade de gênero diferente a designado no nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto.
Transexualidade não deve ser confundida com crossdressing ou com o comportamento drag queen, que podem ser descritos como transgêneros, mas não transexuais, também, o fetichismo do travestismo normalmente não tem quase nada, ou nada, a ver com transexualidade, pois não apresenta o desejo real pela mudança de sexo.

Fonte wikipedia.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 29.mai.2011, 04:50:09
Olá a todos!

Olá.
Discordo com uma das coisas que li.
Obviamente que a linguagem nos limita, mas sim, eu sou homem porque tenho uma pilinha.
Os factores sociais bem que a sociedade pode enfiar onde eu cá sei.
Levá-los a sério é repudiar o transgenerismo.

A tua resposta à minha comparação com homossexuais a mudarem está bem dada, e também me passou pela cabeça, mas se me estivesse a responder a mim próprio mais valia fazê-lo offline. Mas repara que ser gay pode incomodar-me como incomoda a um transexual ter o sexo errado. Aliás, há gente aqui que quer ser hetero como um homem pode querer ser mulher. Portanto acho que o meu argumento não é descabido.

Em relação à tua razão para se considerar doença, concordo.
[update: se tiver em consideração o que escrevi no parágrafo anterior, já não tenho tanta certeza se concordo. Se for doença, a homossexualidade também é... Ou então a rejeição da homossexualidade é que é...] - questão explorada a fundo na minha próxima mensagem

Transexual.
Obrigado, mas  _levitar_, então andamos todos a pronunciar mal? Credo.
Sempre ouvi toda a gente a dizer transsexual, pensei que se escrevesse também assim.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: aero em 29.mai.2011, 04:51:51
Sim. A partir do momento em que existe mal-estar e sofrimento ligados directamente à condição de transexual, e este efectivamente existe, estamos a lidar com uma doença. E assim sendo, as pessoas transexuais têm o direito a que a sua condição seja medicamente salvaguardada, para que lhes sejam garantidos todos os tratamentos que lhe podem garantir o bem-estar e a qualidade de vida que a condição transexual lhes retira.

Concordo totalmente!  :)
Título: X?
Enviado por: BrunoMCP em 29.mai.2011, 05:30:08
Ao escrever e editar o meu post anterior, começou a formar-se uma estranha lógica que vou tentar exprimir aqui.
A vossa paciência e compreensão por favor.
Não me queimem na fogueira por comparar com homossexualidade.

Suposto:
1. Homem (físico)
2. Heterossexual (negação)

Sentimento:
1. Mulher
2. Homossexual

Rejeição do suposto em prol do sentido:
1. Transexualidade
2. X

X= Falta de aceitação da própria homossexualidade:
poderá X ser considerada uma doença?
a wilhelmina recordou-me o termo: Homossexualidade Egodistónica (https://www.rea.pt/forum/index.php?topic=6432.0)


Conclusão:

Há duas formas completamente diferentes de se considerar a transexualidade uma doença!

Forma A: Se considerarmos a negação da homossexualidade (X), uma "doença", então para o transexual o problema é ser homem biologicamente.
Forma B: Se considerarmos a homossexualidade uma doença, então para o transsexual o problema é querer ser mulher.

A cura para a forma A é mudar o corpo.
A cura para a forma B é aceitar o corpo.

De qual das formas consideram a transexualidade uma doença?
Acho que para muitos dos que aqui comentaram, como a wilhelmina, é doença pela lógica A...

Eu costumo dizer para não deixar a ideia de aceitarem o corpo (cura para B) de parte,
mas isso implicaria reprimir a homossexualidade.

Tenho as mãos atadas pela minha própria retórica:
Sou a favor da mudança física
como solução para o que incomoda o transexual.


Spoiler (clica para mostrar/esconder)
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: wilhelmina em 29.mai.2011, 16:37:07
Discordo com uma das coisas que li.
Obviamente que a linguagem nos limita, mas sim, eu sou homem porque tenho uma pilinha.
Os factores sociais bem que a sociedade pode enfiar onde eu cá sei.
Levá-los a sério é repudiar o transgenerismo.

Se consideras que és um homem apenas por teres uma pilinha, então, pela lógica, consideras que uma pessoa intersexual/hermafrodita que possua ambos os orgãos sexuais é o quê? Uma pessoa sem género definido?

Não podemos esquecer, que mesmo em termos biológicos, o sexo não é só definido pelo orgão genital externo, mas também pelos orgãos reprodutivos internos, pelas hormonas e pelos cromossomas. Logo, em rigor, um homem só é um homem (biologicamente falando) se tiver todos estes indicadores no masculino. Não basta que tenha a pilinha.

E a estes factores temos, obrigatoriamente, de acrescentar o psicológico. Porque além de todas as caracteristicas que nos fazem biologicamente femininos ou masculinos, há a nossa identificação como um ou outro (ou nenhum). Isto leva a que todos tenhamos uma identidade de género, sempre paralela áquilo que é o nosso corpo/sexo biológico (mesmo que na maioria dos casos seja coincidente), e também paralela áquilo que é a nossa expressão de género (que se prende aos tais factores sociais, queiramos tê-los em conta ou não).

Ligar o que se tem entre as pernas directamente ao que é o género de uma pessoa é que é limitador, e um verdadeiro repúdio ao transgenerismo.

Ao escrever e editar o meu post anterior, começou a formar-se uma estranha lógica que vou tentar exprimir aqui.
A vossa paciência e compreensão por favor.
Não me queimem na fogueira por comparar com homossexualidade.

A tua lógica está bem fundamentada e fazes uma excelente síntese daquilo que é esta questão, da transexualidade enquanto doença ou não.

E a Homossexualidade Egodistónica (não aceitação da própria homossexualidade) é, de facto, reconhecida como uma doença. A sua cura: a terapia que leve à aceitação da pessoa como aquilo que é, pois a orientação sexual, mesmo não sendo necessariamente estática, não é mutável.

E é nesse sentido que a Disforia de Género é tratada com a alteração do corpo: porque assim como a orientação sexual, a identidade de género não é mutável.

Transexualidade é a condição considerada pela OMS como um tipo de transtorno de identidade de gênero, mas pode ser considerada apenas um extremo do espectro de transtorno de identidade de gênero. Refere-se à condição do indivíduo que possui uma identidade de gênero diferente a designado no nascimento, tendo o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto.
Transexualidade não deve ser confundida com crossdressing ou com o comportamento drag queen, que podem ser descritos como transgêneros, mas não transexuais, também, o fetichismo do travestismo normalmente não tem quase nada, ou nada, a ver com transexualidade, pois não apresenta o desejo real pela mudança de sexo.

Fonte wikipedia.

kris, isso é que vai aí uma salganhada de conceitos mal explicados pela nossa querida wikipedia! lol

Eu concordo, cada vez mais, com a visão da transexualidade enquanto espectro. Mas vejamos é a transexualidade o espectro, não a perturbação/transtorno (porquê que portugueses e brasileiros têm de dar sempre nomes diferentes às coisas??) de género! Aliás, perturbação de identidade de género é um termo que devemos rejeitar, pois não há perturbação nenhuma na identidade de género das pessoas.  O termo correcto é disforia (de género), pois é o que ocorre com quem não se identifica com o género que lhe é atribuído à nascença, ao ponto de o rejeitar. Pelo menos essa correcção espera-se que o próximo DSM traga!

Desta forma, é a disforia de género que é um extremo dentro do espectro da transexualidade, que pode ter outras variações, que não levem à rejeição completa do físico. E por isso é que é a disforia de género que é considerada doença, e não as outras variações.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: BrunoMCP em 29.mai.2011, 17:11:18
Ao mencionar a pilinha estava a referir-me a tudo o que é físico, obviamente.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: Boreas em 29.mai.2011, 18:55:48
Eh lá, mas que grande desenvolvimento.  :o

1. Em primeiro lugar, relembro-vos que se respeitem...  

Em segundo lugar, estou totalmente de acordo com a Wilhelmina, gostei muito do que li.
Vou tentar sintetizar um bocadito a questão de acordo com o que eu tenho lido e percebido e com o feedback que tenho tido de transexuais (que se calhar são os que importam mais ouvir, afinal trata-se da vida deles ;))
Recordo mais uma vez que isto é a minha interpretação pessoal à luz do que li.

Eu concordo que a transexualidade seja uma doença, sim. Não concordo no entanto onde está categorizada e definida. Um manual de psiquiatria. Dado que não é uma perturbação psiquiátrica e sim algo que está bem alem disso. Há uma disforia, uma não consonância entre o sexo do cérebro e do resto do corpo.

Tal como foi dito e bem. Apesar de na maioria das pessoas o sexo estar perfeitamente alinhado nas suas diferentes componentes (cromossomas, genitália, caracteres secundários, gónadas, morfofisiologia do cérebro, hormonas, etc etc) existem muitos outros casos onde nem sempre todos estes factores se alinham e são correspondentes ao de um Homo sapiens sapiens macho ou fêmea.

E é nestes casos que surgem intersexuais,(hermafroditas e pseudo-hermafroditas).

E os transexuais ? Onde se situam?

Quando o cérebro de um indivíduo lhe indica que ele é do sexo oposto ao do seu corpo. Isto é puramente psicológico?
Como já disse a Wilhelmina, há uma distinção entre as pessoas que de facto sentem que o seu sexo não é aquele, e as pessoas que acham que não são desse sexo, por algum outro motivo.
Há evidencias físicas? Prematuras, mas sim. Em vários estudos feitos o cérebro dos indivíduos transexuais apresentam características biológicas do sexo oposto ao do corpo (seja a nível do tamanho das diferentes regiões, organização das mesmas, expressão e quantificação especifica de proteínas por exemplo). Há estudos que demonstram essas diferenças. É certo que são preliminares, mas alguns apontam até dados que desassociam estes fenómenos, de tratamentos hormonais, orientação sexual, patologias hormonais e cirurgias de reatribuição, implicando que essas situações não estão relacionadas com a questão da identidade de género.

Fica a última questão. Eles sentem-se mal com o seu corpo, então deviam-se tratar e aceitá-lo.
Questão mais importante de todos. O que nos define como indivíduos? O nosso corpo? Ou a nossa mente/cérebro/componente psicológica?

Eu sou quem sou pela soma de todas as minhas experiências, pensamentos, emoções, sensações e a memória do que experienciei. De outro modo era apenas um ser sem self.
Se uma pessoa sente toda a vida que está no corpo errado, talvez a melhor maneira de acabar com esse sofrimento seja tentar aproxima-lo do correcto.

Just my two cents
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: wilhelmina em 29.mai.2011, 19:22:56
Ao mencionar a pilinha estava a referir-me a tudo o que é físico, obviamente.

Obviamente, quando esmiucei a questão do sexo físico ser condicionado por mais factores que os genitais, estava só a tentar explicar que nem toda a gente pode ser biologicamente definida como pertencente a um determinado género, ao contrário do que tens tentado defender. É sempre necessário avaliar também a identificação psicológica de cada um, para que o género seja determinado.

É de resto por que essa identificação psicológica, a identidade género, seja considerada como o principal factor de determinação do género que estamos a lutar, enquanto movimento LGBT(TI), e o que levou à criação, por exemplo, de uma lei de identidade de género como a que temos hoje em Portugal.
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: portoboy em 24.abr.2012, 15:30:19
Embora não tenha nenhum fundamento, nem conhecimento cientifico para comentar , acho que não deve de modo algum ser considerado uma doença, acho que a partir do momento que tem a ver com a identidade sexual, vêm da natureza da pessoa também, pra mim é quase a mesma coisa que dizer que a homosexualidade devbia entao tambem de ser considerada uma doença!
Título: Re: Deverá a transexualidade ser considerada uma doença?
Enviado por: bluejazz em 11.jul.2012, 16:22:11
Sobre tudo o que foi escrito nos últimos posts, gostaria de introduzir algumas informações (e depois fazer alguns comentários):

1. A não aceitação da sua própria homossexualidade existe referida no manual da OMS como "homossexualidade egodistónica". Por isso não é preciso X, há nome e descrição e... tratamento. :) Ou seja, o que actualmente qualquer psicoterapeuta que cumpra a deontologia faz é trabalhar para que a pessoa homossexual que não se aceita consiga fazê-lo e, em simultâneo, para que consiga ter ferramentas para lidar com a discriminação, preconceito e ideias negativas no seu ambiente social (restrito e alargado);

2. Há noções do género essencialistas, que passam a noção que existe de facto características psicológicas inatas e inerentes ao sexo com que as pessoas nascem e que se o respectivo sexo não corresponder significa potencialmente que se deveria então mudar o sexo. O que género em ciências sociais, inclusive na psicologia, significa não é isso, mas outra coisa. Pelo contrário o género é reconhecido como a construção social (significados, ideias, papéis, características) feita à volta do sexo das pessoas e que varia conforme a época, cultura/território, etc. Convido a ler detalhadamente a literatura existente sobre o tema. A tentativa de essencializar o que é psicologicamente um homem e uma mulher é algo já trabalhado e desmontado há anos, nomeadamente pelos investigadores na área dos estudos de género.

Não é dizer que homens e mulheres não têm diferenças nenhumas entre si, mas que na realidade não são assim tantas, que o que é cultura e biologia não está assim tão bem destrinçado, e que o que descobrimos é que a psicologia é mais humana, do que feminina ou masculina, encontrando exemplos de tudo em ambos os sexos.

O que não invalida que, numa determinada cultura, a expressão de género de uma pessoa destoe com as convenções de género vigentes e essa pessoa possa querer mudar o aspecto do seu corpo para então não destoar tanto ou nada. Mas a expressão de género destoar não obriga a que uma pessoa queira mudar de corpo nem é uma coisa que lhe é inerente. Já vi/ouvi de facto transexuais que dizem que a sua questão é estritamente relacionada com o seu corpo (que dizem que deveriam ter outro), outros que passa pela necessidade da sua expressão e identidade de género ter correspondência no corpo.

A questão que se colocou aqui - não tanto se é doença ou não - mas se há uma rejeição do corpo e se essa rejeição tem de facto existir é muito interessante. E tudo pode depender se de facto as pessoas estão a ceder a uma noção rígida que diz em que corpo deve existir determinada expressão de género, achando que a sua expressão de género implica necessariamente para além de x corpo também x identidade de género, ou se de facto, com as diferenças no cérebro que têm sido estudadas nas pessoas transexuais (os cérebros aparentemente são mais parecidos com os das pessoas do sexo com qual dizem se identificar) existe uma noção ou sentimento inato de que este não deveria ser o corpo que se deveria ter.

Porque a identidade... isso é construído a partir do discurso sobre matéria, tal como é um corpo ou a partir de práticas, gostos ou sentimentos. Se me identificar como morena é provavelmente porque tenho fisicamente essa aparência (também posso mudar algumas coisas, como a cor do cabelo ou cor dos olhos artificialmente, mas mais dificilmente o tom da pele, embora também seja possível). Se me identificar como feminista, se calhar é porque de alguma forma pratico, acredito ou apoio um ou vários pressupostos do feminismo (por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres). Se me identificar como mulher é provavelmente porque tenho classicamente uma biologia correspondente à categoria. Se me considerar mulher só por aspectos psicológicos que são tidos como de mulher se calhar entro num terreno mais pantanoso, porque as mulheres não são todas iguais... e existe sim um estereótipo do que é suposto ser uma mulher. Seria por via desse estereótipo? Existe algo chamado de identidade de género, também... que passa classicamente pela identidade oriunda do sexo que a pessoa tem (e nalguns casos pela psicologia da pessoa - as chamadas feminilidades e masculinidades - "sou tão delicada, tão feminina, tão mulher" ou "sou tão cheio de força e energia, tão masculino, tão homem") ... mas... não posso ter uma expressão de género "classicamente" masculina (o que inclui psicologicamente ter características tidas como "masculinas") e uma identidade de género feminina? Então a identidade de género tem de passar assim tanto pelo corpo ou expressão/maneira de ser que temos? De onde deriva essa identidade de género que faz alguém dizer "eu sou mulher" ou "eu sou homem"? Se a questão tem só a ver com o corpo porque falamos de (identidade de) género? Fica em aberto a questão.

Quando se puxa então este tema para a homossexualidade, falando da minha experiência, poderia ter um homem à minha frente com todas as características da minha mulher (e já tive alguns parecidos à frente), e isso não mudaria nada, nunca mudou nada até hoje, no que diz respeito ao que sinto. Por isso o corpo da pessoa, a química/feromonas inerentes a esse facto fazem diferença. Pelo menos para mim. Para a orientação sexual, pelo menos para a heterossexual e homossexual - para a bissexualidade isso não se colocaria -, creio, o corpo/sexo da pessoa conta, sem que tenhamos grande controle sobre isso. E só depois vem o feitio, o tipo de personalidade, a psicologia da pessoa... e há de tudo. Isso posso dizer com alguma segurança. E é por isso que falo de que por vezes acontece o contrário, posso ter encontrado homens com personalidades, psicologias e feitios óptimos, que se assemelham ao que gosto numa pessoa, e não será daí que sentirei algo mais por eles... e infelizmente só porque são homens (como seria com uma pessoa intersexual, fica em aberto!). :)

Por fim nada disto põe em causa que se deva respeitar sempre as pessoas e a sua identidade e que se faça para que sejam felizes e para que não sejam discriminadas.